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Notas do tema

Pessoas ricas, influentes ou poderosas

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EMF 174.11-15 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Diz Jesus:

– Olha e escreve. É o Evangelho da Misericórdia[3] o que Eu dou a todos, especialmente àquelas que se reconhecerem na pecadora e que convido a segui-la, na redenção.

Jesus, de pé sobre uma pedra, fala a uma grande multidão. É um lugar alpestre: uma colina solitária, entre dois vales. A colina tem o cume em forma de jugo, ou melhor, para que fique mais claro: tem forma de uma corcova de camelo, de modo que, a poucos metros do cume, há um anfiteatro natural, no qual a voz ressoa clara como numa sala de concertos bem construída. A colina está toda coberta de flores. Deve ser agora uma estação boa. As plantações nas planícies começam a ficar louras e a chegar ao ponto da foice. Ao norte, um monte alto brilha, com a sua geleira exposta ao sol. Logo abaixo, a leste, está o Mar da Galileia, que daqui parece um espelho despedaçado em numerosas escamas, das quais cada uma é uma safira acesa pelo sol. Ofusca, com o seu tremular azul e ouro, sobre o qual não se reflete senão alguma nuvem cheia de flocos, velejando por um céu muito limpo e a sombra fugidia de algum barco a vela. Atrás do lago de Genezaré, uma série de planícies, a perder de vista que, por uma leve névoa baixa (talvez a evaporação do orvalho pois ainda deve ser manhã em suas primeiras horas), pois as ervas da montanha têm ainda um ou outro diamante de orvalho aqui e ali, nos seus caules. Parece uma continuação do lago, mas com tintas semelhantes a uma opala com veios verdes e, mais, mais atrás há uma cadeia de montanhas, com uma costa caprichosa, que lembra um desenho de nuvens no céu sereno.

A multidão está sentada, uns na relva, outros sobre grandes pedras ou estão em pé. O colégio Apostólico não está completo. Vejo Pedro e André, João e Tiago e escuto chamar os outros dois, Natanael e Filipe. Há também um outro, que não é do grupo. Talvez tenha chegado por último. Chamam-no Simão. os outros não estão aqui. A não ser que eu não os esteja enxergando por causa da grande multidão.

Faz pouco tempo que o Sermão começou. Compreendo que é o Sermão da Montanha. Mas as bem-aventuranças já foram enunciadas. Eu até diria que o sermão já está chegando ao fim, porque Jesus diz:

– Fazei isto e tereis um grande prêmio. Porque o Pai que está nos Céus é misericordioso para com os bons e sabe dar o cêntuplo por um. Por isso, Eu vos digo…

174.12

Acontece, então, um grande movimento no meio da multidão, que está apinhada no caminho para o planalto. As cabeças dos que estão mais perto de Jesus se viram, e a atenção se desvia dele. Jesus para de falar e dirige seu olhar ao mesmo lugar que os outros. Ele está belo e sério em sua veste de azul escuro, com os braços cruzados sobre o peito, e o Sol está roçando por sua cabeça, com o primeiro raio que ultrapassa o pico oriental da colina.

– Abri caminho, ó plebeus, grita uma voz irada de homem. Abri caminho para a beleza que vai passar… e então, vêm para a frente quatro janotas muito embelezados, dos quais um é certamente romano, porque está com uma toga romana, e trazem, como em triunfo, nas mãos cruzadas para formar um assento, Maria de Mágdala, que é ainda a grande pecadora.

Ela ri, com sua belíssima boca, jogando para trás a cabeça com uma cabeleira que parece de ouro, cheia de tranças e caracóis, seguros por grampos de alto preço e por uma lâmina de ouro coberta de pérolas, que lhe rodeia o alto da fronte como diadema, do qual descem cachinhos leves, para sombrear os olhos, esplendidos que se tornam ainda maiores e mais sedutores pelo engenhoso arranjo. O diadema desaparece atrás das orelhas, embaixo das tranças que descansam seu peso sobre um pescoço muito alvo e completamente descoberto. Aliás… o descoberto vai muito além do pescoço. Os ombros estão descobertos até as espáduas e o peito ainda muito mais. A veste está suspensa nos ombros por duas correntinhas de ouro. Não há mangas O conjunto está coberto, por assim dizer, por um véu cuja única função é proteger a pele do bronzeado do sol. A veste é muito leve e a mulher, atirando-se contra um ou outro dos seus adoradores, é como se se atirasse nua sobre eles. Tenho a impressão de que o romano seja o preferido, porque a ele, de preferência, é que se dirigem as risadinhas e os seus olhares, sendo quem recebe a cabeça dela no ombro.

– Já contentamos a deusa –diz o romano–. Roma serviu de cavalgadura para a nova Vênus. Lá está o Apolo que querias ver. Seduze-o, então… Mas deixa para nós também umas migalhas das tuas carícias.

Maria ri e, com um movimento rápido e provocador, pula no chão, descobrindo os pezinhos calçados de sandálias brancas com fivelas de ouro e um belo pedaço de perna. Sua veste é muito larga, feita de lã, mas leve como um véu, muito alva, presa a cintura mas muito embaixo, à altura dos quadris, com um cinturão todo feito com broches de ouro articulados. A veste cobre tudo. A mulher fica como se fosse uma flor de carne, uma flor impura que brotou, por uma obra de magia, no verde planalto, no qual há lírios e narcisos selvagens em grande quantidade.

Ela está mais bonita do que nunca. Sua boca, pequena e purpurina, parece um cravo brotando na brancura de dentes perfeitos. Seu rosto e seu corpo poderiam agradar ao mais incontentável pintor ou escultor, tanto por suas cores, como em suas formas. De peito amplo e de flancos na medida justa, com uma cintura flexível e equilibrada em relação aos flancos e ao peito, parece uma deusa, como disse o romano, uma deusa esculpida em um mármore levemente rosado, sobre o qual se estende o tecido leve sobre os flancos, para dali cair para frente em numerosas dobras. Tudo nela é estudado para agradar.

Jesus a olha elafixamente. Ela sustenta com arrogância aquele olhar enquanto ri e se contorce levemente pelas cócegas que lhe está fazendo o romano sobre os ombros e o seio, que estão descobertos, com um lírio apanhado entre as ervas. Maria, com uma irritação estudada, não verdadeira, torna a levantar o véu, dizendo: “Respeito ao meu candor”, o que faz que os quatro disparem em uma fragorosa risada.

Jesus continua a fixá-la. Mal o barulho das risadas termina, Jesus, como se a aparição daquela mulher tivesse reacendido as chamas do sermão, que antes já se ia acalmando para terminar, começa de novo, e não olha mais para ela. Ele olha agora para os seus ouvintes, que parecem embasbacados e escandalizados com o que aconteceu.

174.13

Jesus retoma:

– Eu disse que deveis ser fiéis à Lei, humildes, misericordiosos, que deveis amar não só os irmãos de sangue, mas também o irmão nascido do homem como vós. Eu vos disse que o perdão é mais útil do que o rancor, que a compaixão é melhor do que a inexorabilidade. Mas agora Eu vos digo que não se deve condenar se não somos isentos daquele pecado que estamos sendo levados a condenar. Não façais como os escribas e os fariseus, que são severos para com todos, mas não consigo mesmos, quando chamam de impuro o que é externo e só pode contaminar exteriormente, mas depois acolhem a impureza no mais profundo do coração.

Deus não está com os impuros. Porque a impureza corrompe o que é propriedade de Deus: a alma, e especialmente a alma dos pequenos, que são os anjos espalhados na terra. Ai daqueles que arrancam suas asas com a crueldade de feras demoníacas e derrubam estas flores do Céu na lama, fazendo-as conhecer o sabor da matéria! Ai deles!… Melhor seria que morressem queimados por um raio, do que cometerem um pecado destes!

Ai de vós, ricos e gozadores! Porque é justamente em vós que fermenta a maior impureza, para a qual o ócio e o dinheiro servem de cama e travesseiro! Agora vós estais fartos. O alimento das concupiscências vos chega até a garganta e vos sufoca. Mas havereis de ter fome. Uma fome tremenda, insaciável, sem atenuação e para sempre. Agora estais ricos. Quanto bem poderieis fazer com vossa riqueza! Mas, com ela, fazeis grande mal a vós mesmos e aos outros. Havereis de conhecer uma pobreza atroz, durante um dia que não terá fim. Agora estais rindo. Pensais que sois triunfadores. Mas as vossas lágrimas encherão os tanques da Geena para sempre.

Onde se aninha o adultério? Onde está a corrupção das jovens? Há quem tenha até duas ou três camas para o desregramento, além da sua própria de esposo. Sobre essas camas ele derrama o seu dinheiro e o vigor de um corpo dado por Deus, cheio de saúde, para trabalhar pela família e não se esgotar em sujas uniões, que o colocam abaixo de um animal imundo?

Já ouvistes o que foi dito: “Não cometas adultério.” Mas Eu vos digo que quem tiver olhado para uma mulher desejando-a, ou olhar para um homem desejando-o, ainda que fique só no desejo, já cometeu adultério em seu coração. Nenhuma razão justifica a fornicação. Nenhuma. Nem o abandono e o repúdio por parte do marido. Nem a compaixão para com a repudiada. Vós tendes uma só alma. Quando ela estava unida a uma outra por um pacto de fidelidade, seja-lhe fiel. Porque senão, o belo corpo pelo qual pecais irá convosco para as chamas intermináveis, ó almas impuras. Antes mutilar o corpo do que matá-lo para sempre, condenando-o. Voltai atrás, ó homens, ó ricos, ó latrinas dos vermes do vício! Voltai, homens, para que não causeis repugnância ao Céu…

174.14

Maria, que a princípio escutava, mostrando um rosto cheio de sedução e de ironia, de vez em quando até dando umas risadinhas de zombaria, ao fim do discurso, está com o rosto sombrio, de tanta raiva. Compreende que, sem olhar para ela, é a ela que Ele está falando. Sua ira se torna cada vez mais torva e rebelde e, por fim, ela não resiste. Envolve-se, despeitada, no seu véu e, acompanhada pelos olhares da multidão que zomba dela e pela voz de Jesus que a persegue, põe-se a correr pela encosta abaixo, deixando pedaços de suas vestes por entre os cardos e as moitas de roseiras caninas que estão à beira do caminho, e ri agora de raiva e de escárnio.

Não vejo nada mais. Mas Jesus diz:

Verás ainda.

[29 de maio de 1945]

174.15

Jesus recomeça:

– Vós estais irritados com o que aconteceu. Já há dois dias que o nosso refúgio, que está bem alto e acima da lama, está sendo perturbado pelo silvo de satanás. Aqui não é mais um refúgio e nós o vamos deixar. Mas Eu quero terminar este código do que é “mais perfeito”, aqui nesta amplidão cheia de luzes e horizontes. Aqui realmente Deus aparece em sua majestade de Criador e, vendo as suas maravilhas, podemos crer firmemente que Ele é o Senhor e não satanás. O Maligno não poderia criar nem mesmo um caule de erva. Mas Deus tudo pode. Que isso seja conforto para vós. Agora estais todos ao Sol. Isso vos faz mal. Espalhai-vos pelas encostas, onde há sombra e frescor. Tomai a vossa refeição, se o quiserdes. Eu vou falar-vos sobre o mesmo assunto. Muitos motivos fizeram que o tempo se prolongasse. Mas não vos aborreçais. Aqui estais com Deus.

A multidão grita: “Sim, sim. Contigo”, indo na direção da sombra das moitas espalhadas por todo o lado oriental, de tal modo que a parede e as ramagens formam também um abrigo contra o Sol, que já está muito quente.

Enquanto isso, Jesus fala a Pedro para desmontar sua tenda.

– Vamos embora mesmo?

– Sim.

– Vamos por que ela veio?

– Sim. Mas não o digas a ninguém, especialmente ao Zelote. Ele ficaria aflito por causa de Lázaro. Eu não posso permitir que a palavra de Deus seja feita objeto de escárnio dos pagãos…

– Entendo, entendo…

– Então entenderás também uma outra coisa.

– Qual é, Mestre?

– A necessidade de calar em certos casos. Eu confio em ti. Tu me és tão querido, mas és também tão impulsivo, que costumas sair com umas observações irritantes.

– Compreendo… Não queres isso por causa do Lázaro e de Simão.

– E por outros também.

– Pensas que estarão aqui hoje?

– Hoje, amanhã, depois de amanhã e sempre. Sempre será necessário vigiar a impulsividade do meu Simão de Jonas. Vai, vai fazer o que te mandei.

Pedro vai, chamando os companheiros para ajudá-lo.

Anotação

Este é o Evangelho da Misericórdia: é uma série de visões dadas de 12 a 14 de agosto de 1944. Estão divididas entre este capítulo e o capítulo EMV 183 deste volume, bem como o EMV 233 e parte do EMV 377. Jesus menciona-o em EMV 468.

Eu disse-vos que o perdão é mais útil do que o ressentimento, que é melhor ser solidário do que ser inexorável. Jesus explica, em EMV 234.5, que esta frase, enterrada no meio do discurso, é dita especialmente para Maria Madalena.

EMF 174.15 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Enquanto isso, Jesus fala a Pedro para desmontar sua tenda.

– Vamos embora mesmo?

– Sim.

– Vamos por que ela veio?

– Sim. Mas não o digas a ninguém, especialmente ao Zelote. Ele ficaria aflito por causa de Lázaro. Eu não posso permitir que a palavra de Deus seja feita objeto de escárnio dos pagãos…

– Entendo, entendo…

– Então entenderás também uma outra coisa.

– Qual é, Mestre?

– A necessidade de calar em certos casos. Eu confio em ti. Tu me és tão querido, mas és também tão impulsivo, que costumas sair com umas observações irritantes.

– Compreendo… Não queres isso por causa do Lázaro e de Simão.

– E por outros também.

– Pensas que estarão aqui hoje?

– Hoje, amanhã, depois de amanhã e sempre. Sempre será necessário vigiar a impulsividade do meu Simão de Jonas. Vai, vai fazer o que te mandei.

Pedro vai, chamando os companheiros para ajudá-lo.

Detalhe

Depois da chegada de Maria Madalena, então uma grande pecadora, Jesus anuncia a sua partida dos Cornos de Hattin, onde tinham permanecido durante alguns dias.

Anotação

- Achas que vai haver algum hoje?

- Hoje, amanhã e depois de amanhã, sempre.

Jesus está sem dúvida a referir-se aos fariseus, que procuram fazer observações pouco caridosas.

EMF 177.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ora se eu, que sou um homem colocado sob tantas autoridades, das quais a primeira é Cesar, pelo qual devo fazer, pensar e agir como me é mandado, por minha vez posso mandar sobre os soldados que estão sob as minhas ordens e se digo a um “Vai” e a outro “Vem”, e ao meu servo “Faze isto”, um vai onde mandei, o outro vem porque chamo e o terceiro faz aquilo que digo, Tu que és quem és, serás logo obedecido pela doença, e ela irá embora.

Detalhe

Um centurião romano fala com Jesus.

EMF 180.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Sim. Morrerá. Ele o sabe, como Eu sei. Desta vez nada e ninguém o salvará. Quando será, Eu não sei. Só sei que não sairá vivo das mãos de Herodes.

– Sim, de Herodes. Ele tinha ido por aquela garganta, pela qual nós passamos, quando estávamos voltando para a Galileia, que fica entre os montes Hebal e Garizim, porque assim é que lhe falou o traidor: “O Messias está à morte, tendo sido assaltado por inimigos. E Ele está querendo ver-te para te confiar um segredo.” Ele foi com o traidor e mais alguns outros. Na sombra do vale estavam os homens armados de Herodes que o prenderam. Os outros fugiram, levando a notícia aos discípulos, que ficaram perto de Enon. Eles mal tinham acabado de chegar, quando cheguei eu com a mãe. O mais horrível é que se tratava de alguém das nossas cidades, e que os fariseus de Cafarnaum foram à frente do conluio para prendê-lo. Eles tinham estado com ele, dizendo que Tu tinhas sido seu hóspede, e que Tu estavas de partida para a Judeia… Ele não teria saído do seu refúgio, a não ser por causa de Ti…

Detalhe

João Batista acaba de ser capturado e Jesus confirma a sua morte iminente.

EMF 183.2-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Um triste coro de prantos sai de uma rica morada. São vozes de mulheres e de crianças, e, muito aguda, uma voz feminina está gritando:

– Filho! Filho!

Jesus se volta, e olha para os seus apóstolos. Judas vai para a frente.

– Tu, não, lhe diz Jesus. Tu, Mateus. Vai e pergunta.

Mateus vai e volta:

– Uma briga, Mestre. Um homem está morrendo. É um judeu. Quem o feriu, escapou. Era um romano. Correram para lá a mulher do ferido, a mãe dele e as crianças pequenas… Mas ele está morrendo.

– Vamos.

– Mestre… Mestre… o fato aconteceu na casa de uma mulher… que não é a mulher dele.

– Vamos!

183.3

Pela porta aberta, eles entram em um vestíbulo largo e comprido, que dá para um bonito jardim. Parece que as divisões da casa são feitas por aquela espécie de peristilo coberto e muito rico, com plantas verdes em vasos, com estátuas e objetos entalhados. É um conjunto de sala e jardim de inverno. Em um quarto, cuja porta está escancarada para o lado do vestíbulo, estão mulheres chorando. Jesus entra seguro. Não dá, porém, a sua saudação de costume.

Entre os homens que estão presentes, há um mercador que deve conhecer Jesus, porque, logo que o vê, diz:

– É o Rabi de Nazaré –e o saúda com respeito.

– José, que aconteceu?

– Mestre, um golpe de punhal no coração… Ele está morrendo.

– Por que foi?

Uma mulher parda e despenteada se levanta — ela estava de joelhos ao lado do moribundo, cuja mão, já inerte, ela estava segurando — e, com olhos de uma louca, ela diz com voz estridente:

– Por causa dela, por causa dela… Ela o endemoninhou… Não tinha mais mãe, nem esposa nem filhos! O inferno te tenha, satanás!

Jesus levanta os olhos, acompanhando aquela mão, que está tremendo e acusando, e vê, num canto, perto da parede vermelho-escura, Maria de Magdala , mais impudente do que nunca, eu diria vestida… com nada na metade do corpo, pois está semi-nua, da cintura para cima, com uma espécie de redinha de malhas hexagonais, com coisinhas redondas, que parecem pequenas pérolas. Mas ela está num lugar meio escuro, e eu não a vejo bem.

Jesus torna a baixar os olhos. Maria, sentindo-se açoitada pela indiferença, levanta-se, pois estava quase agachada, e procura tomar algum modo.

– Mulher –diz Jesus à mãe–. Não fiques praguejando. Responde-me. Para que é que o teu filho estava nesta casa?

– Eu já o disse: Porque ela o fez ficar doido. Ela.

– Silêncio. Portanto, ele também estava em pecado, porque estava cometendo adultério, e era um pai indigno destes inocentes. Logo, merece seu castigo. Nesta e na outra vida não há misericórdia para quem não se arrepende. Mas Eu tenho dó da tua dor, mulher, e destes inocentes.

183.4

Tua casa fica longe?

– A uns cem metros.

– Levantai o homem daí, e levai-o para lá.

– Não é possível, Mestre –diz o mercador José–. Ele está para morrer.

– Faze o que Eu mandei.

Passam uma mesa por baixo do corpo do moribundo, e o cortejo sai lentamente, atravessa a rua e entra num jardim sombreado. As mulheres continuam a chorar rumorosamente. Logo que entram no jardim, Jesus se vira para a mãe.

– Podes perdoar? Se tu perdoares, Deus perdoa. É preciso ficar com o coração bom, para conseguir a graça. Este pecou e pecará ainda. Melhor para ele seria morrer, porque, se viver, tornará a cair no pecado e deverá responder também pela falta de reconhecimento para com Deus que o salva. Mas tu e estes inocentes (e mostra a mulher e as crianças) cairíeis no desespero. Eu vim para salvar, e não para deixar que se percam. Homem, Eu te digo: Levanta-te e fica são.

O homem recupera a vida e abre os olhos, vê a mãe, os filhos, a mulher e, envergonhado, inclina a cabeça.

– Meu filho, meu filho –diz a mãe–. Estavas morto, se Ele não te salvasse. Volta a ti mesmo. Não fiques delirando por causa de uma…

Jesus interrompe as palavras da velha:

– Mulher, cala-te. Usa da misericórdia que para contigo foi usada. Tua casa está santificada pelo milagre, que é sempre uma prova da presença de Deus. Por isso é que Eu não o pude fazer onde havia o pecado. Procura saber, pelo menos tu, conservá-la assim, mesmo que este não o saiba fazer. Toma cuidado dele agora. É justo que ele sofra um pouquinho. Se boa, mulher. É vós pequenos. Adeus.

Jesus pousou a mão sobre a cabeça das duas mulheres e dos pequeninos.

183.5

Depois Ele sai, passando por diante de Madalena, que acompanhou o cortejo até o limite da rua, e ficou encostada a uma árvore. Jesus dá passos mais vagarosos como para esperar que os discípulos cheguem, mas eu acho que Ele esteja fazendo assim para dar à Maria a oportunidade de fazer algum gesto. Mas ela não o faz.

Os discípulos alcançam Jesus, e Pedro não pôde conter-se, sem dizer, por entre os dentes, um apelido apropriado a Maria. Esta, querendo mostrar altivez, explode numa risada como sinal de seu muito pobre triunfo.

Mas Jesus, tendo ouvido a palavra de Pedro, se volta, severo para ele:

– Pedro. Eu não insulto. Tu também não insultes. Reza pelos pecadores. Nada mais.

Maria interrompe o estridor de sua risada, inclina a cabeça e foge, como uma gazela, em direção de sua casa.

Detalhe

Caso de adultério em Magdala.

Anotação

A vossa casa é santificada pelo milagre, que é sempre uma prova da presença de Deus. Em EMV 234,4/5, Jesus fala longamente deste milagre e do seu contexto.

EMF 184.1-9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O milagre deve ter acontecido há pouco, pois dele os apóstolos estão falando, e também os moradores da cidade o estão comentando e mostrando uns aos outros o Mestre que vai saindo, bem aprumado e severo, para a periferia da cidade, a parte dos pobres.

Ele para junto a uma casinha, da qual sai pulando um menino, seguido por sua mãe.

– Mulher, deixas-me entrar no teu jardim e parar um pouco nele, até que o sol perca um pouco a força do seu calor?

– Entra, Senhor. Até para a cozinha, se quiseres. Eu Te trarei água e alguma coisa para comer.

– Não te incomodes. Basta-me ficar neste jardim sossegado.

Mas a mulher quer oferecer água misturada com não sei o quê, e depois fica dando uns giros pelo jardim, como se estivesse desejosa de falar, mas sem coragem. Ela está olhando suas verduras, mas é uma simulação. Na realidade, ela está olhando é para o Mestre, e fica aborrecida com o menino que, com os seus gritos, quando consegue apanhar uma borboleta ou outro inseto, não lhe permite ouvir o que Jesus está dizendo. Ela fica inquieta com isso e chega a dar um tapa no menino que, então, grita ainda mais forte. Jesus, que estava respondendo ao Zelotes — (que lhe fizera a pergunta: “Achas que Maria tenha ficado abalada com isso?”) — com estas palavras: “Bem mais do que pode vos parecer…”, vira-se e chama para perto de si o menino, que vem correndo para chorar sobre os joelhos de Jesus.

A mãe o chama:

– Benjamim, vem cá. Não fiques incomodando os outros!

Mas Jesus diz:

– Deixa-o, deixa-o. Ele se comportará bem e te deixará sossegada.

Depois, diz ao menino:

– Não chores. A mamãe não te fez mal. Somente te fez obedecer, ou melhor, queria te fazer obedecer. Por que é que ficavas gritando, quando ela queria silêncio? Talvez ela se sinta mal, pois os teus gritos a incomodam.

O menino, muito esperto, e com aquela insuperável sinceridade dos meninos, que é o desespero dos grandes, diz:

– Não. Não se sente mal. Mas queria ouvir o que estavas dizendo… Ela o disse a mim. Mas eu, que queria vir até perto de Ti, fazia aquele barulho de propósito, para que Tu olhasses para mim.

Todos se riem, e a mulher fica muito corada.

– Não te enrubesças, mulher.

184.2

Vem cá. Tu querias me ouvir falar. Por quê?

– Porque és o Messias. Não podes ser senão o Messias, com o milagre que fizeste… E eu tinha um grande desejo de ouvir-te. Eu nunca posso ir para fora de Magdala, porque eu… tenho um marido difícil, e cinco crianças. O mais novo está com quatro meses… e Tu nunca vens aqui.

– Eu vim, e justamente à tua casa. Como estás vendo.

– Por isso é que eu queria ouvir-te.

– Onde está o teu marido?

– No mar, Senhor. Se não se pesca, não se tem o que comer. Eu tenho apenas esta pequena horta: ela dá para sete pessoas? Mas, assim mesmo, Zaqueu ainda quereria dizer que desse…

– Tem paciência, mulher. Todos têm a sua cruz.

– Ah! Não! As que são sem vergonha só têm o prazer. Já viste o que fazem as sem-vergonhas? Elas gozam, e fazem sofrer. Elas não despedaçam os seus rins com o trabalho e gerar filhos, não criam bolhas manuseando a enxada, nem esfolam suas mãos com a potassa da lixívia. Elas são bonitas, viçosas. E não são atingidas pela condenação que Eva recebeu. Antes, são a nossa condenação, porque os homens… Tu compreendes…

– Sim, Eu te compreendo. Mas, fica sabendo que elas também têm uma cruz pesada. E é a mais pesada. Pois é uma cruz que não se vê. É a cruz da consciência que as reprova, do mundo, que escarnece delas, dos que são do seu sangue, pois eles as repudiam, e de Deus que as amaldiçoa. Elas não são felizes, podes crer. Não despedaçam seus rins na procriação, nem no trabalho, nem ficam com feridas nas mãos por trabalhar. Mas sentem-se despedaçadas da mesma forma, e com vergonha. O coração delas é uma chaga viva. Não tenhas inveja da aparência delas, do seu frescor, da sua aparente serenidade. Tudo isso é um véu cobrindo uma ruína, que remorde e não dá paz. Não tenhas inveja do sono delas, tu, ó mãe honesta, que sonhas com os teus inocentes… Elas têm o pesadelo em seus travesseiros. E amanhã, quando estiverem na agonia ou na velhice, terão o remorso e o terror.

– É verdade. Perdoa-me…

184.3

Deixas-me ficar aqui?

– Fica. Vamos contar uma bela parábola ao Benjamim, e aqueles que já não são crianças a aplicarão a si mesmos e à Maria de Magdala. Escutai.

Em vós há uma dúvida sobre a conversão de Maria para o Bem. Nenhum sinal nela dá a entender que ela queira dar passos nesse sentido. Descarada e desavergonhada, ela, consciente de sua posição e de seu poder, já ousou até desafiar as pessoas, como quando foi até à soleira de uma porta, onde se estava chorando por causa dela. A uma censura de Pedro, ela respondeu ainda com uma risada. Ao meu olhar, que a convida, respondeu com uma atitude de soberba. Vós talvez teríeis querido, uns por amor para com Lázaro, outros por amor para comigo, que Eu falasse a ela diretamente, numa conversa demorada com ela, para dominá-la com o meu poder e mostrando assim a minha força de Messias Salvador. Não. Não é preciso tudo isso. Eu o disse[1] a uma pecadora, há muitos meses. As almas devem agir por si mesmas. Eu passo, jogando a semente. Em segredo, a semente trabalha. E a alma fica respeitada nesse trabalho. Se a primeira semente não vingar, semeia-se uma segunda, depois outra… e só nos retiramos dali, quando tivermos provas suficientes de que o semear ali é inútil. E se reza. A oração é como um orvalho sobre as glebas: ela as conserva fofas e nutridas, a fim de que a semente possa germinar. Não fazes assim, mulher, com as tuas verduras?

184.4

Agora escutai a parábola do trabalho de Deus nos corações, para fundar neles o seu Reino. Porque cada coração é um pequeno Reino de Deus na terra. Mais tarde, depois da morte, todos esses pequenos reinos se aglutinarão em um só, no incomensurável, santo e eterno Reino dos Céus.

O Reino de Deus nos corações é criado pelo Divino Semeador. Ele vai aos seus terrenos, — pois o homem é de Deus e, por isso, cada homem inicialmente, é dele — e ali espalha a sua semente. Depois vai para outros terrenos, para outros corações. Os dias vêm depois das noites, e as noites depois dos dias. Os dias trazem sol ou chuvas e, neste caso, raios do amor divino e a efusão da Divina Sabedoria, que fala ao espírito. As noites trazem estrelas e silêncio repousantes: em nosso caso são os chamados luminosos de Deus e o silêncio para o nosso espírito, a fim de que a alma possa entrar em recolhimento e medite.

A semente, nessa sucessão de atos providenciais, imperceptíveis e poderosos, se incha, se fende, lança raízes, firma-se no terreno, solta as primeiras folhinhas, e cresce. Tudo isso ela faz sem ajuda do homem. A terra, espontaneamente, faz nascer da semente a erva, depois a erva se torna forte e capaz de sustentar a espiga que já vem saindo; depois essa espiga se ergue, se entumece, endurece, torna-se loira, perfeita e bem granada. Quando fica de todo madura, o semeador volta para passar-lhe a foice, porque para aquela semente chegou o tempo da perfeição. Não poderia ela evoluir mais, e por isso é colhida.

Nos corações minha palavra faz esse mesmo trabalho. Eu falo dos corações que dão acolhida à semente. Mas o trabalho neles é lento. É preciso não estragar tudo pelo atabalhoamento. Que esforço faz a pequena semente para fender-se e para fincar suas raízes na terra! Até para um coração duro e selvagem, é penoso um trabalho destes. Ela precisa abrir-se, deixa-se revirar, acolher coisas novas, cansar-se em alimentá-las, ter aparências diferentes, porque está coberta só com coisas humildes, mas úteis, e não com as mais atraentes, pomposas e exuberantes, que a cobriam antes. Deve contentar-se em trabalhar com humildade, sem atrair a admiração, mas sim para o que for útil dentro do Plano divino. Deve fazer uso de todas as suas capacidades, para crescer e formar a espiga. Deve abrasar-se de amor, para tornar-se grão. E quando, depois de ter superado os respeitos humanos, que são tão molestos, depois de ter-se cansado e sofrido, depois de ter-se acostumado à sua nova veste, ei-la precisando despojar-se dela, por meio de um corte sem piedade. É dar tudo para ter tudo. Ficar despojada para ser revestida no Céu com a estola dos Santos. A vida do pecador, que se torna santo, é o mais longo, o mais heróico e glorioso dos combates. Eu vo-lo digo.

184.5

Por tudo o que Eu vos disse, compreendei que Eu tinha que agir para com Maria, como faço. Por ventura, foi de modo diferente que Eu agi contigo, Mateus?

– Não, meu Senhor.

– E, dize-me a verdade: o que te persuadiu foi a minha paciência, ou os ralhos severos dos fariseus?

– Foi a tua paciência, tanto que eu aqui estou. Os fariseus, com seus desprezos e seus anátemas, me tornavam desdenhoso e, por desdém, eu fazia ainda mais mal, do que tudo o que eu havia feito até então. Isto é o que acontece. Ficamos mais enrijecidos quando, estando em pecado, ouvimos que nos chamam de pecadores. Mas quando, em vez de um insulto, recebemos uma carícia, ficamos atordoados e depois choramos… e, quando se chora, a couraça do pecado cede e se desfaz. Ficamos, então, nus diante da Bondade, e suplicamos, com todo o coração, que nos cubra com Sua veste.

– Disseste bem.

184.6

Benjamim, gostaste da história? Sim? Muito bem. E a mamãe onde está?

Quem responde é Tiago de Alfeu:

– Ela saiu, no fim da parábola, e foi correndo por aquela estrada.

– Terá ido ao mar, para ver se vem vindo o seu esposo –diz Tomé.

– Não. Ela foi à casa da vovó buscar meus irmãozinhos. Mamãe os leva para lá, a fim de poder trabalhar –diz o menino, que está apoiado, muito confiadamente, nos joelhos de Jesus.

– E tu estás aqui, homem? Deves ser uma bela víbora, para estares aqui sozinho –observa Bartolomeu.

– Eu sou o mais velho, e já a ajudo…

– Tu a ajudas a ganhar o Paraíso, coitada dela! Quantos anos tens? –pergunta Pedro.

– Dentro de três anos, serei filho da Lei –diz, todo ufano, o menino.

– Sabes ler? –pergunta Tadeu.

– Sim… mas leio devagar, porque… porque o mestre me põe para fora todos os dias…

– Bem que eu dizia –diz Bartolomeu.

– Mas eu faço assim, porque o mestre é velho e feio, e diz sempre as mesmas coisas, e faz a gente dormir! Se fosse como Ele (e mostra Jesus), eu prestaria atenção. Tu também bates em quem está dormindo ou brincando?

– Eu não bato em ninguém. Mas digo aos meus alunos: “Ficai bem atentos, para o vosso bem e por amor de Mim” –responde Jesus.

– Aí. Assim, sim. Por amor, sim. Mas não por medo.

– Mas, se tu te tornares bom, o mestre te quererá bem.

– Tu só queres bem a quem é bom? Há pouco disseste que tiveste paciência com este aqui, que não era bom…

A lógica do menino é muito exigente.

– Eu sou bom para com todos. Mas, quem procura tornar-se bom é muito, muito amado por Mim e com ele Eu sou bom, muito bom.

O menino fica pensando… depois levanta a cabeça e pergunta a Mateus:

– Como foi que fizeste para te tornares bom?

– Eu quis bem a ele.

184.7

O menino pensa ainda, depois olha os doze, e diz a Jesus:

– Todos estes são bons?

– Certamente que o são.

– Tens certeza disso? Algumas vezes eu quero passar por bom, mas é quando quero “aprontar” alguma arte bem grande.

Todos soltam uma fragorosa risada. Ri-se também o homenzinho, que está quase se confessando. Ri-se também Jesus, que o aperta contra o coração e o beija.

O menino, já muito amigo de todos, quer brincar, e diz:

– Agora eu vou dizer-te quem aqui é bom –e começa a sua escolha.

Olha para todos, e vai direto a João e André, que estão mais perto dele, e diz:

– Tu e tu. Vinde cá.

Depois, separa os dois Tiagos e os ajunta aos dois já separados. Em seguida separa Tadeu. Fica muito tempo pensativo, diante de Zelotes e de Bartolomeu, e diz:

– Sois velhos, mas sois bons –e os ajunta aos outros.

Olha para Pedro, que está passando por aquele exame e está fazendo uns esgares com os olhos, e o acha bom. Também Mateus passa pelo exame, e assim Filipe. A Tomé ele diz:

– Você ri muito. Eu estou falando sério. Não sabes que meu mestre diz que quem fica sempre rindo, erra na hora da prova?

Mas, afinal, Tomé também passa, com nota baixa, mas passa no exame. Depois o menino volta para Jesus.

– Ei, moleque. Aqui estou eu. Eu não sou uma árvore. Sou jovem e belo. Por que não me examinas? –diz Iscariotes.

– Porque não me agradas. Mamãe diz que, quando uma coisa não nos agrada, não devemos tocar nela. Deixamo-la sobre a mesa, e que a apanhem outros, que talvez gostem dela. E ela diz também que, se alguém nos oferece uma coisa de que não gostamos, não se deve dizer: “Não me agrada”, mas se diz: “Obrigado, não estou com fome.” Eu não tenho fome de ti.

– Mas, como? Olha, se disseres que eu sou bom, eu te darei esta moeda.

– Que é que eu vou fazer com ela? Que é que eu vou comprar com uma mentira? Mamãe diz que o dinheiro, conseguido com enganos, vira palha. Uma vez eu consegui, com uma mentira, que minha avó me desse uma didracma para eu comprar umas fogaças com mel, e de noite a moeda virou palha. Eu a tinha colocado ali naquele buraco, por baixo da porta, para apanhá-la no outro dia, pela manhã, mas lá só encontrei um punhado de palha.

– Mas, porque é que não sou bom? Que é que eu tenho? O pé rachado? Serei tão feio assim?

– Não. Tu me causas medo.

– Mas, por quê? –pergunta Iscariotes, aproximando-se dele.

– Eu não sei. Deixa-me. Não me toques ou eu vou te arranhar.

– Que porco espinho! Está louco.

Judas ri mal.

– Não louco. Tu és mau –e o menino vai refugiar-se no colo de Jesus, que o acaricia sem dizer nada.

Os apóstolos conversam sobre o acontecido, que não é de bom augúrio para Iscariotes.

184.8

Nesse ínterim, vem vindo uma mulher com uma dúzia de pessoas, e depois vêm chegando outras, e mais outras.

Já serão umas cinquenta. Todas pobres.

– Falarias a estas pessoas? Pelo menos um pouquinho. Esta é a mãe do meu marido, e estes são os meus filhos. Aquele homem ali é o meu marido. Fala uma palavra, Senhor –suplica-lhe a mulher.

– Sim. Para agradecer-te a hospitalidade, Eu a direi.

A mulher entra em casa, onde seu filhinho de peito está reclamando dela o que precisa, e ela se assenta sobre a soleira da casa para dar-lhe de mamar.

– Ouvi. Aqui sobre os meus joelhos, estou com um menino, que falou, há pouco, com muita sabedoria. Ele disse: “Todas as coisas obtidas por meio de enganos se tornam palha.” Foi sua mamãe que lhe ensinou esta verdade.

Não é fábula. É verdade eterna. Nunca se sai bem quem age sem honestidade. Porque a mentira nas palavras, nos atos, na religião, é sempre sinal de aliança com satanás, mestre da mentira. Não acrediteis que as obras feitas para conseguir o Reino dos Céus sejam obras espetacularmente vistosas. Mas são atos contínuos e comuns, feitos com um fim sobrenatural de amor. O amor é a semente da planta que, nascendo em vós, cresce até o Céu, e na sombra dela nascem todas as outras virtudes. Eu a compararei a um pequenino grão de mostarda. Como é pequenino! É uma das menores sementes que o homem semeia. E, no entanto, olhai como, depois que a planta cresceu, se torna forte e viçosa, e quantos frutos produz. Não cem por cento, mas cem por um. É a menor. Mas é a mais diligente para trabalhar. Quantas vantagens ela vos traz.

Assim é o amor. Se vós encerrásseis em vosso seio uma semente de amor para com o vosso Santíssimo Deus e para com o vosso próximo e, sob a guia do amor, fizesseis as vossas orações, nunca ficaríeis contra nenhum preceito do Decálogo. Não mentiríeis a Deus com uma falsa religião de práticas e não de espírito. Não mentiríeis ao próximo com uma conduta de filhos ingratos, de esposos adúlteros, ou também exigentes demais, de ladrões nos negócios, de mentirosos na vida, de violentos para com quem é vosso inimigo. Olhai, nesta hora de calor, quantos passarinhos vieram refugiar-se por entre os ramos deste jardim. Daqui a pouco, aquele sulco de mostardas, que por enquanto estão pequenas, será um chilreio só. Todos os passarinhos virão para a proteção e a sombra daquelas plantas tão viçosas e agasalhadoras, e os filhotes dos passarinhos aprenderão a treinar suas asas, justamente no meio daquela ramalhada, que lhes serve de escada e de rede, para subirem e para não caírem. Assim é o amor, a base do Reino de Deus.

Amai e sereis amados. Amai e tereis compaixão. Amai e não sereis cruéis, querendo mais do que é lícito de quem depende de vós. Amor e sinceridade para obter a paz e a glória dos Céus. Do contrário, como disse Benjamim, toda a vossa ação praticada, enquanto estais mentindo ao amor e à verdade, mudar-se-à para vós em palha para ser a vossa cama no Inferno. Não vos digo outras coisas. Só vos digo isto: tende sempre presente o grande preceito do amor e sede fiéis a Deus Verdade e à verdade em todas as vossas palavras, atos e sentimentos, porque a verdade é filha de Deus. Um contínuo trabalho em vosso aperfeiçoamento, assim como a semente continuamente cresce, até chegar à sua perfeição. É um trabalho feito no silêncio, na humildade, com paciência. Ficai certos de que Deus vê as vossas lutas e vos premia mais por um egoísmo vencido, por uma palavra profana retida, por uma exigência não imposta, do que se estivésseis numa batalha, matando o inimigo. O Reino dos Céus, do qual sereis possuidores, se viverdes como justos, é construído com as pequenas coisas de cada dia. Com a bondade, com a moderação, com a paciência, com o contentar-vos com o que tendes, com a tolerância recíproca, com o amor, o amor, o amor.

Sede bons. Vivei em paz uns com os outros. Não murmureis. Não julgueis. Deus, então estará convosco. Eu vos dou a minha paz, como bênção e como agradecimento pela fé que tendes em Mim.

184.9

Depois, Jesus se vira para a mulher, e diz:

– Deus abençoe particularmente a ti, porque és uma santa mulher e uma santa mãe. Persevera na virtude. Adeus, Benjamim. Sê sempre amante da verdade, e obedece à tua mãe. Abençôo a ti e aos teus irmãozinhos, e a ti, mãe.

Um homem vem para a frente. Ele está confuso, e gagueja.

– Mas, mas… estou comovido por tudo o que disseste de minha mulher… Eu não sabia.

– Não tens olhos e intelecto, talvez?

– Tenho.

– Por que não fazes uso deles? Queres que Eu os desanuvie?

– Já fizeste isso, Senhor. Mas eu quero bem a ela, sabes? É que a gente se habitua… e… e…

– E pensa que seja permitido pretender demais, porque o outro é melhor do que nós. Não faças mais isso. Estás sempre em perigo com o teu ofício. Não tenhas medo de tempestades, se Deus estiver contigo. Mas, se for a injustiça que está contigo teme fortemente. Compreendeste?

– Mais do que disseste. Eu vou procurar obedecer-te… Eu não sabia… –e olha para a sua mulher, como se a estivesse vendo pela primeira vez.

Jesus abençoa e sai pela pequena estrada. E toma o caminho que vai para a campina.

Detalhe

Na AMI 183, Jesus encontra-se com Maria de Magdala e faz um milagre para salvar um homem adúltero.

Anotação

Esta lição foi dada no dia 10 de junho de 1945, terceiro domingo depois de Pentecostes. A liturgia do dia (missal de São Pio V) celebrava a ovelha perdida e a dracma recuperada (Lucas 15). O episódio anuncia a conversão de Maria Madalena.

Há alguns meses, disse o mesmo a propósito de um outro pecador. Para Aglaé, a mulher velada de Belle-Eau. Ver EMV 79.6.

Uma vez, uma avó deu-me, à custa de uma mentira, uma didrachma. Duas dracmas. Ver nota sobre as moedas.

EMF 184.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Escutai.

Em vós há uma dúvida sobre a conversão de Maria para o Bem. Nenhum sinal nela dá a entender que ela queira dar passos nesse sentido. Descarada e desavergonhada, ela, consciente de sua posição e de seu poder, já ousou até desafiar as pessoas, como quando foi até à soleira de uma porta, onde se estava chorando por causa dela. A uma censura de Pedro, ela respondeu ainda com uma risada. Ao meu olhar, que a convida, respondeu com uma atitude de soberba. Vós talvez teríeis querido, uns por amor para com Lázaro, outros por amor para comigo, que Eu falasse a ela diretamente, numa conversa demorada com ela, para dominá-la com o meu poder e mostrando assim a minha força de Messias Salvador. Não. Não é preciso tudo isso. Eu o disse[1] a uma pecadora, há muitos meses. As almas devem agir por si mesmas. Eu passo, jogando a semente. Em segredo, a semente trabalha. E a alma fica respeitada nesse trabalho. Se a primeira semente não vingar, semeia-se uma segunda, depois outra… e só nos retiramos dali, quando tivermos provas suficientes de que o semear ali é inútil. E se reza. A oração é como um orvalho sobre as glebas: ela as conserva fofas e nutridas, a fim de que a semente possa germinar.

Detalhe

Jesus fala de Maria Madalena, que não parece estar convertida. Fala de Lázaro e de Aglaia e do seu poder de Messias, e depois do trabalho das almas sobre si próprias.

Anotação

Há alguns meses, disse isto a respeito de outra pecadora. Para Aglaé, a mulher velada de Belle-Eau. Ver EMV 79.6.

EMF 187.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Aonde iremos, precisamente? –pergunta Pedro.

– Levar a Páscoa aos que sofrem. Há tempo que o queria fazer. Mas não pude. Eu o teria feito, ao voltar da Galileia. Agora, que me obrigam a andar por caminhos não escolhidos por nós, Eu vou abençoar os pobres amigos de Jonas.

– Mas assim vamos perder tempo! A Páscoa já está perto! Sempre nos atrasamos por diversas causas.

E um outro coro de lamentações se levanta até o céu. Não sei como Jesus pode ter tanta paciência… E, sem censurar a ninguém, Ele diz:

– Eu vos peço. Não me crieis obstáculos! Compreendei minha necessidade de amar e de ser amado. Só tenho este conforto na terra: o amor e fazer a vontade de Deus.

– E vamos por aqui? Não seria melhor irmos para Nazaré?

– Se Eu vos tivesse proposto isso, vós vos teríeis revoltado. Ninguém pensará que estou por estes lugares, e faço-o por vós que… tendes medo.

– Medo? Ah! Isso, não. Estamos prontos até a combater por Ti.

– Pedi ao Senhor que não vos faça passar por uma prova. Eu sei que sois rixentos, invejosos, tendes o desejo de ofender a quem Me ofende, de mortificar o próximo. Tudo isso Eu sei. Mas que sejais corajosos, isso não sei. Por Mim, Eu teria caminhado até sozinho e pelos caminhos comuns, e nada me teria acontecido, porque ainda não é a hora. Mas tenho piedade de vós. E tenho obediência para com minha mãe e também isto: não quero causar desgosto ao fariseu Simão. E não lho causarei. Mas eles causarão desgosto a Mim.

– E daqui para onde iremos? Eu não tenho prática nestes lugares

–diz Tomé.

– Chegaremos ao Tabor, iremos ao lado dele por um trecho e, passando perto de Endor, iremos a Naim, e de lá iremos pela planície de Esdrelon. Não tenhais medo!… Doras, o filho de Doras e Jocanã já estão em Jerusalém.

EMF 188.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O homem não diz mais nada e fica onde está, enquanto Jesus com os seus, tendo conseguido passar por umas grandes pedras, que certamente eram pedaços de muros bem fortes, espantando os lagartos e outros animais feios, entram em uma grande gruta de paredes enfumaçadas, com grafitos nas pedras, representando ainda os signos do zodíaco e histórias semelhantes. Em um canto enfumaçado há uma cavidade, e em baixo um buraco, como se fosse um esgoto para escoamento de líquidos. Os morcegos decoram o forro com seus grandes cachos, que causam arrepios, e um mocho, espantado pela luz do facho que Tiago acendeu, para ver se está pisando sobre escorpiões e víboras, — se sente incomodado e agita suas asas acolchoadas, fechando bem seus olhos atingidos por aquela luz. Ele está empoleirado dentro da cavidade e um fedor de ratos mortos, de doninhas, de passarinhos em putrefação a seus pés mistura-se com o mau cheiro do estrume e do solo úmido.

– Um belo lugar, na verdade! –diz Pedro–. Era melhor o teu Tabor e o teu mar, rapaz!

E depois, virando-se para Jesus:

– Procura contentar logo Judas, porque aqui… não é bem a sala real de Antipas!

– Vamos logo. Que é mesmo que queres saber? –pergunta a Judas de Keriot.

Detalhe

Judas queria ir a En-Dor, onde Saul consultou uma feiticeira no livro de Samuel.

EMF 190.1-3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Começou o pôr do Sol com um céu avermelhado, na hora em que Jesus já ia também começando a ver os campos de Jocanã.

– Apressemos o passo, meus amigos, antes que o sol desapareça. E tu, Pedro, vai, com o teu irmão, avisar aos nossos amigos, os de Doras.

– Eu vou lá, sim, também para poder ver se o filho está mesmo fora.

Pedro diz a palavra “filho” de tal modo, que só ela vale por um longo discurso. E lá se vai.

Enquanto isso, Jesus vai andando mais devagar, olhando ao seu redor, para ver se enxerga algum dos camponeses de Jocanã. Mas só se vêem os campos férteis, com as espigas já bem formadas.

Finalmente, lá do lugar do trabalho, onde estão limpando o vinhedo, levanta-se um rosto suado, e de lá vem um grito:

– Oh! Senhor bendito! –e o camponês sai correndo para fora do vinhedo e vai prostrar-se diante de Jesus.

– A paz esteja contigo, Isaías!

– Oh! Até de meu nome te recordas?

– Eu o tenho escrito no coração. Levanta-te. Onde estão os teus companheiros?

– Estão lá pelos pomares. Mas vou avisá-los agora mesmo. Vais ser nosso hóspede, não é? O patrão não está e poderemos fazer-te uma festa. E, depois, um pouco pelo medo, um pouco pela alegria se tornou melhor. Imagina! Ele até nos deu o cordeiro este ano e nos permitiu ir ao Templo! Ele nos deu apenas seis dias… mas nós correremos pela estrada… Nós também em Jerusalém… Imagina só!…. E devemos isso a Ti.

O homem subiu até o sétimo céu, pela alegria de ter sido tratado como homem e como israelita.

– Eu nada fiz, que eu saiba… –diz Jesus sorrindo.

– Como, não? Pois fizeste. Doras, e depois os campos de Doras e estes, ao contrário, tão bonitos este ano! Jocanã soube da tua vinda, e ele não é bobo. Ele tem medo e… e tem medo.

– De quê?

– Medo de que lhe aconteça o que aconteceu a Doras, tanto em sua vida como em seus bens. Já viste os campos de Doras?

– Estou vindo de Naim…

– Então, não viste. Estão todos arruinados (O homem diz isso em voz baixa, mas destacando bem as palavras, como quem quer confidenciar uma coisa horrível em segredo). Todos arruinados. Não há feno, nem cereais, nem frutas. As videiras secaram, os pomares secaram… Morto… Tudo está morto… como em Sodoma e Gomorra… Vem, vem, que te mostro tudo.

– Não é preciso. Eu vou até aqueles camponeses…

– Mas não estão mais lá. Então, não ficaste sabendo? Ele os espalhou, ou mandou embora a todos, Doras, filho de Doras, e os que ele espalhou pelos outros lugares das campinas deles têm a obrigação de não falar de Ti, sob pena de açoites… Ora, que não falem de Ti! Vai ser difícil! Até Jocanã nos disse isso.

– Que foi que ele disse?

– Ele disse assim: “Eu não quero ser tão estulto como Doras, e não vos digo: ‘Não quero que faleis do Nazareno’. Seria inútil, porque vós o faríeis do mesmo modo, e eu não vos quero perder, matando-vos como uns animais debaixo dos açoites. Mas eu vos digo: ‘Sede bons, como certamente o Nazareno vos ensina, e dizei-lhe que eu vos trato bem’. Pois eu não quero ser também um amaldiçoado.” Ele está vendo bem o que está acontecendo com estes campos, depois que Tu os abençoaste, e o que são aqueles outros campos, depois que Tu os amaldiçoaste.

190.2

Oh! Ali estão aqueles que me araram o campo[1]… –e o homem vai correndo ao encontro de Pedro e André.

Mas Pedro o saúda brevemente, e continua o seu caminho, depois grita:

– Oh! Mestre! Não há mais nenhum. São todos rostos novos. Tudo está devastado. Em verdade, ele poderia até deixar de ter camponeses por aqui. Aqui é pior do que no Mar Salgado!…

– Eu sei. Isaías me disse.

– Mas, vem ver! Que vista!…

Jesus o contenta, dizendo primeiro a Isaías:

– Agora estarei convosco. Avisa aos companheiros. E não vos incomodeis. Comida, Eu tenho. Basta-nos um feneiro para dormirmos e o vosso amor. Eu irei logo.

A vista dos campos de Doras é realmente desoladora. Campos e prados áridos e nus, secos os vinhedos, destruídas as folhagens e os frutos nas árvores por milhões de insetos de toda espécie. Também perto da casa o jardim-pomar mostra o aspecto desolado de um bosque que está morrendo. Os camponeses andam para cá e para lá, arrancando ervas más, esmagando lagartas, lesmas e semelhantes, sacudindo os ramos e segurando por debaixo deles bacias cheias de água, para afogar as pequenas borboletas, os pulgões e outros parasitas, que estão por cima das folhas que sobraram, e que chupam a planta até fazê-la morrer. Procuram um sinal de vida nos sarmentos dos vinhedos. Mas estes se despedaçam de secos, mal são tocados e, às vezes, se quebram na base, como se uma serra lhes tivesse cortado as raízes. O contraste com os campos de Jocanã, com os vinhedos e pomares dele, é muito forte; a desolação dos campos malditos sempre se torna mais violenta, se for comparada com a fertilidade dos outros.

– Quão pesada é a mão do Deus do Sinai –murmura Simão Zelotes.

Jesus faz um sinal como para dizer: “Oh, se é!” Mas não diz nada. Somente faz esta pergunta:

– Como é que aconteceu isto?

Um dos camponeses responde por entre dentes:

– Toupeiras, gafanhotos, vermes… Mas, vai-te! O vigia é fiel a Doras… Não queiras nos prejudicar…

Jesus dá um suspiro, e vai-se embora.

Outro camponês diz, ficando inclinado para escorar uma macieira, na esperança de salvá-la:

– Nós iremos a Ti amanhã… quando o vigia for para Jezrael fazer a oração… iremos à casa de Miqueias…

Jesus faz um gesto de benção, e se vai.

190.3

Quando ele chega de volta à encruzilhada, lá estão todos os camponeses de Jocanã, festivos, felizes, e rodeiam o seu Mestre, levando-o às suas pobres casas.

– Viste o que há por lá?

– Eu vi. Amanhã virão os camponeses de Doras.

– Está bom, enquanto as hienas vão rezar… Fazemos assim todos os sábados… e falamos sobre Ti, pelo que ficamos sabendo por Jonas, por Isaac, que frequentemente vem nos ver, e pelo discurso de Tirsi. O que sabemos, falamos. Porque não se pode deixar de falar de Ti. E, quanto mais falamos, tanto mais se sofre e é proibido fazer isso. Aqueles pobres… cada sábado bebem a vida. Mas nesta planície, quantos há que tem necessidade de saber, pelo menos saber de Ti, e que não podem vir até aqui…

– Eu pensarei também neles. E vós, sede benditos, pelo que estais fazendo.

O Sol vai entrando, enquanto Jesus também entra numa cozinha esfumaçada. Começa o repouso do sábado.

Anotação

"O homem corre ao encontro de Pedro e André. Cf. EMV 109.4: Pedro e André, Tiago e João, que tomaram o lugar dos lavradores para poderem escutar a palavra de Jesus.

O Deus do Sinai tem uma mão pesada. Uma referência direta às palavras de Jesus em EMV 109.12.

Falamos de Ti, com o que aprendemos de Jonas, de Isaac, que vem muitas vezes ter connosco, e do teu discurso em Tisri. Cf. EMV 109.5.