Ir para o conteúdo

Notas do tema

Personagens do universo invisível

Página 4 de 19

Conforto de leitura

Aa

EMF 46.2-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus está muito magro e pálido. Está sentado com os cotovelos apoiados nos joelhos e os antebraços estendidos para a frente, com as mãos unidas e os dedos entrelaçados. Ele está meditando. De vez em quando, ergue o olhar, e o gira ao seu redor, olha para o sol alto, quase à pino, no céu azul. De vez em quando, e especialmente depois de ter girado o olhar ao redor e de tê-lo erguido em direção à luz solar, Ele fecha os olhos e se apóia ao penhasco, que lhe serve de abrigo, como se estivesse sendo tomado por uma vertigem.

46.3 Vejo, então, aparecer a cara feia de Satanás. Não que ele se apresente na forma com que nós costumamos figurá-lo com chifres, rabo, etc. Parece um beduíno, envolto em sua veste e em seu grande manto, como um dominó mascarado. Na cabeça tem um turbante, cujas extremidades brancas descem como uma proteção sobre os ombros e ao longo dos lados do rosto. De modo que deste aparece um pequeno triângulo muito moreno, de lábios finos e sinuosos, de olhos muito pretos e encavados, cheios de brilhos magnéticos. São duas pupilas que te perscrutam até o fundo do coração, mas nas quais não lês nada, somente esta palavra: mistério. O oposto dos olhos de Jesus, também estes magnéticos e fascinantes e que perscrutam os corações, mas nos quais tu também podes ler que no seu coração há amor e bondade para contigo. O olhar de Jesus é uma carícia para a alma. Enquanto que o olhar de Satanás é como um duplo punhal que te perfura e te queima.

46.4 Ele se aproxima de Jesus:

– Estás sozinho?

Jesus olha para ele, e não responde.

– Como vieste parar aqui? Estás perdido?

Jesus o olha novamente, e continua calado.

– Se eu tivesse água no odre, eu te daria. Mas eu também estou sem. Meu cavalo morreu, e eu vou indo a pé até o vau do Jordão. Lá eu beberei, e hei de encontrar alguém que me dê um pão. Eu sei o caminho. Vem comigo. Eu te guiarei.

Jesus não levanta nem mesmo o olhar.

– Não respondes? Sabes que, se ficares aqui, morrerás? O vento está começando a soprar. Vai vir uma tempestade. Vem comigo.

Jesus une as mãos em muda oração.

– Ah! Então, és Tu mesmo? Há tanto tempo que te procuro! Agora faz tempo que te venho observando. Desde o momento em que foste batizado. Estás chamando o Eterno? Ele está longe. Agora estás sobre a terra e em meio aos homens. No meio dos homens, quem reina sou eu. Eu também tenho dó de ti e te quero socorrer, porque és bom, e vieste sacrificar-te à toa. Os homens te odiarão pela tua bondade. Eles só entendem, se lhes falares de ouro, comida e sentidos. Sacrifício, dor, obediência, são para eles palavras mortas mais do que esta terra, que está ao redor de nós. Eles são ainda mais áridos do que esta poeira. Só a serpente pode esconder-se aqui, esperando a hora de dar o bote; e o chacal, a hora de despedaçar sua vítima. Vem, vamos embora. Não mereces sofrer por eles. Eu os conheço melhor­ do que Tu.

Satanás sentou-se de frente a Jesus e o examina com esse seu olhar­ horrível, sorrindo com a sua boca de serpente. Jesus continua calado, rezando mentalmente.

46.5 – Tu estás desconfiando de mim. Fazes mal. Eu sou a sabedoria da terra. Posso ser teu mestre, para te ensinar a triunfar. Vê: o importante é triunfar. Depois, quando nos impusermos e o mundo ficar fascinado, então o levaremos para onde quisermos. Mas antes, é necessário fazer o que agrada a eles. Ser como eles. Seduzi-los, fazendo-os crer que nós os admiramos e os acompanhamos em seus pensamentos.

Tu és jovem e belo. Começa pela mulher. É sempre por ela que se deve começar. Eu errei, induzindo a mulher à desobediência. Eu devia tê-la aconselhado de outro modo. Eu teria feito dela um instrumento melhor, e teria vencido a Deus. Eu fui apressado. Mas Tu! Vou te ensinar, porque houve um dia em que eu olhei para Ti com um júbilo angelical, e um resto daquele amor ainda ficou, mas Tu, escuta-me, aproveita-te da minha experiência! Arruma uma companheira. Porque o que não conseguires, ela conseguirá. Tu és o novo Adão: deves ter a tua Eva.

Além disso, como podes compreender e curar as doenças da sensualidade, se não sabes o que elas são? Não sabes que aí é que está o ponto central do qual nasce a planta da cobiça e da prepotência? Para que é que o homem quer reinar? Para que é que quer ser rico e poderoso? Para possuir a mulher. Ela é como a cotovia. Ela precisa do bri­lho para ser atraída. O ouro e o poder, são as duas faces do espe­lho que atraem as mulheres e são as causas do mal no mundo. Olha bem: atrás de mil delitos de diversas faces, há, pelo menos novecentos que têm suas raízes na fome da posse da mulher, ou na vontade de uma mulher, que arde num desejo que o homem ainda não conseguiu satisfazer ou não mais satisfaz. Se quiserdes saber o que é a vida procura a mulher. Só depois, saberás cuidar e curar as doenças da humanidade.

A mulher é bonita, como sabes! Não há nada de mais belo no mundo. O homem tem o pensamento e a força. Mas, a mulher! O seu pensamento é um perfume, seu contato é carícia de flores, sua graça é como um vinho que desce, sua fraqueza é como uma meada de seda ou anel de cabelo de bebê nas mãos do homem, sua carícia é uma força que se derrama sobre a nossa inflamando-a. Acaba-se a dor, o cansaço, a aflição, quando nos colocamos perto de uma mulher, pois ela, nos nossos braços, é como um feixe de flores.

46.6 Mas, que tolo que eu sou! Tu estás com fome, e eu te falando da mulher. O teu vigor está esgotado. É por isso que essa fragrância da terra, essa flor da criação, esse fruto que dá e suscita o amor, te parece uma coisa sem valor. Mas olha estas pedras, como são redondas e lisas, como são douradas sob à luz do sol que desce. Não parecem pães? Tu, Filho de Deus, só precisas dizer: “Eu quero”, para que elas se transformem em pães cheirosos, como aqueles que as donas de casa tiram do forno para o jantar de seus familiares. E estas acácias, tão secas, se Tu queres, não podem encher-se de maçãs doces e de tâmaras com gosto de mel? Sacia-te, ó Filho de Deus! Tu és o Senhor da terra. Ela se inclina para pôr-se aos teus pés, matando a tua fome.

Não vês que empalideces e vacilas, só de ouvires falar em pão? Pobre Jesus! Estás tão fraco, a ponto de não poderes mais tampouco fazer um milagre? Queres que eu o faça por Ti? Não sou igual a ti. Mas alguma coisa eu posso fazer. Ainda que por um ano eu fique privado das minhas forças, eu as juntarei todas, pois eu te quero servir, porque Tu és bom e eu sempre me lembro de que és o meu Deus, mesmo tendo eu desmerecido agora de poder chamar-te assim. Ajuda-me com a tua oração para que eu possa….

– Cala-te! “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus.”

O demônio estremece de raiva. Range os dentes e fecha os punhos. Mas ele se contém, e muda o ranger de dentes em um sorriso.

– Compreendo. Tu estás acima das necessidades da terra e tens aversão a servir-te de mim. Bem que eu mereci isto.

46.7 Mas, vem, então, e vê o que está acontecendo na Casa de Deus. Vê como até os sacerdotes não se recusam a fazer transações entre o espírito e a carne. Porque, afinal, eles são homens, não são anjos. Faz um milagre espiritual. Eu te levo até o pináculo do Templo, e Tu, transfigura-te em beleza lá em cima, depois, chama a multidão de anjos, e diz a eles que façam de suas asas entrelaçadas, uma esteira para os teus pés, e que Te levem para desceres no pátio principal. Que todos Te vejam e se lembrem de que Deus existe. De vez em quando é necessária uma manifestação, porque o homem tem uma memória muito fraca, especialmente nas coisas espirituais. Bem sabes como os anjos se sentirão felizes por poderem oferecer um apoio aos teus pés e uma escada para desceres!

– Está escrito: “Não tentes ao Senhor teu Deus.”

– Compreendes que, mesmo com a tua aparição, não se mudariam as coisas, e o Templo continuaria a ser um lugar de mercado e cor­rupção. A tua divina sabedoria bem o sabe, como os corações dos ministros do Templo são um ninho de víboras, que se dilaceram, contanto que consigam prevalecer. Só podem ser dominados com força humana.

46.8 Então, vem. Adora-me. Eu te darei a terra. Alexandre, Ciro, César, todos os maiores dominadores do passado ou do presente serão semelhantes a chefes de umas mesquinhas caravanas, se comparados a Ti, que terás sob o teu cetro todos os reinos da terra. Com os reinos, terás todas as riquezas, todas as belezas da terra, mulheres, cavalos, forças armadas e templos. Poderás erguer em qualquer lugar o teu Sinal, quando serás o Rei dos reis e Senhor do mundo. Então, serás obedecido e venerado pelo povo e pelo sacerdócio. Todas as castas te honrarão e te servirão, porque serás o Poderoso, o Único, o Senhor.

Adora-me, ainda que por um só momento! Tira-me esta sede que eu tenho de ser adorado! Foi ela que me perdeu. Mas ela ficou em mim, queimando-me. As chamas do inferno são como o ar fresco da manhã, comparado a este ardor que me queima interiormente. Esta sede é o meu inferno. Um momento, um momento só, ó Cristo, Tu que és bom! Um momento de alegria para o eterno Atormentado! Deixa-me sentir o que quer dizer ser deus, e eu serei teu devoto e servo obediente por toda a vida, para todas as tuas obras. Um momento! Um só momento, e não te atormentarei mais!

Satanás se põe de joelhos, suplicando.

46.9 Jesus, ao contrário, se levantou. Tendo-se tornado mais magro nestes dias de jejum, parece ainda mais alto. Seu rosto está cheio de severidade e poder. Seus olhos são duas safiras ardentes. Sua voz é como um trovão, que se repercute na cavidade do penhasco, espanlhando-se sobre o pedregal e a planície desolada, ao dizer:

– Vai-te, Satanás. Está escrito: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás!”

Satanás, com um urro de condenado e com um ódio indescritível, levanta-se com ímpeto, tremendo, ao ver-se na sua furiosa e fumante figura. Depois, desaparece, com um novo urro de maldição.

Detalhe

Quando Satanás fala da "alegria angélica" e do resto de amor que ainda tem pelo Senhor, Maria Valtorta observa: "O carácter de serpente de Lúcifer é aqui plenamente revelado. Cada palavra é uma mentira e seria uma sedução, mesmo a sua afirmação de que ainda há nele um resto de amor, quando é o ódio e só o ódio, contra Deus, Cristo e o homem, que o leva a tentar destruir e aniquilar o fruto da Encarnação. Ele tem tanto ódio que a sua malícia se torna uma loucura: a loucura de pensar que pode fazer Cristo pecar."

Palavras-chave

EMF 46.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

46.10 Jesus se assenta, cansado, apoiando atrás a cabeça no penhasco. Parece estar exausto. Está suando. Mas os seres angélicos vêm soprar levemente, com suas asas no mormaço da caverna, purificando-o e refrescando-o. Jesus abre os olhos, e sorri. Eu não o vejo comer. Eu diria que Ele se nutre do aroma do Paraíso, saindo revigorado.

O sol desaparece no poente. Jesus pega o alforje vazio e, acompa­nhado pelos anjos que, suspensos acima de sua cabeça, produzem uma luz suave, enquanto a noite cai rapidamente, se encaminha para o leste, ou melhor, para o nordeste. Já retomou sua expressão habitual, o passo firme. Só resta, como lembrança do seu longo jejum, um aspecto mais ascético no rosto magro e pálido e nos olhos, arrebatados, numa alegria que não é desta terra.

Detalhe

Cristo acaba de ser tentado por Satanás no deserto, e Satanás acaba de sair com um grito de maldição.

EMF 46.12-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

46.12 Satanás, como viste, se apresenta sempre com uma aparência benévola. Com um aspecto comum. Se as almas estiverem atentas, e sobretudo em contatos espirituais com Deus, perceberão aquele aviso, que as tornará cautelosas e prontas para combater as insídias do diabo. Mas, se as almas estiverem desatentas ao divino, separadas por uma carnalidade que as domina e ensurdece, não ajudadas pela oração que as une a Deus e derrama sua força como por um canal no coração do homem, então dificilmente elas notam a cilada escondida sob uma aparência inócua, caindo nela. Livrar-se, depois, é muito difícil.

46.13 Os dois caminhos mais comuns, tomados por Satanás para chegar às almas, são a sensualidade e a gula. Ele começa sempre pela matéria. Desmantelada e dominada esta, aí ele ataca a parte superior. Primeiro, o moral: o pensamento com suas soberbas e cobiças; depois, o espírito, tirando dele não só o amor — este já nem existe mais, quando o homem substituiu o amor divino por outros amores humanos — mas também o temor de Deus. É então que o homem se abandona de corpo e alma a Satanás, contanto que chegue a gozar do que quer, e a gozar sempre mais.

46.14 Como Eu me comportei, tu o viste. Silêncio e oração. Silêncio.

Porque, se Satanás faz seu trabalho de sedutor e vem ao redor de nós, é preciso suportá-lo sem tolas impaciências e temores inúteis. Mas reagir com altivez à sua presença e com oração à sua sedução.

É inútil discutir com satanás. Ele venceria, porque é forte em sua dialética. Só Deus o vence. Por isso é preciso recorrer a Deus, que fale por nós, através de nós. Mostrar a satanás aquele nome e aquele sinal, não tanto escritos em papel ou gravados em madeira, quanto escritos e gravados no coração. O meu Nome, o meu Sinal. Rebater a satanás, somente quando insinua que ele é como Deus, usando a palavra de Deus. Ele não suporta esta palavra.

46.15 Depois, passada a luta, vem a vitória, e os anjos servem e defendem o vencedor do ódio de satanás. Eles o restauram com o orvalho celeste, com a graça que tornam a derramar às mãos cheias no coração do filho fiel, com a bênção que acaricia o espírito.

É preciso ter a vontade de vencer a satanás e fé em Deus e em sua ajuda. Fé no poder da oração e na bondade do Senhor. Então, satanás não pode fazer nenhum mal.

Vai em paz. Nesta tarde te alegrarei com o que ainda virá.

EMF 46.15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

46.15 Depois, passada a luta, vem a vitória, e os anjos servem e defendem o vencedor do ódio de satanás. Eles o restauram com o orvalho celeste, com a graça que tornam a derramar às mãos cheias no coração do filho fiel, com a bênção que acaricia o espírito.

É preciso ter a vontade de vencer a satanás e fé em Deus e em sua ajuda. Fé no poder da oração e na bondade do Senhor. Então, satanás não pode fazer nenhum mal.

Detalhe

Jesus fala de tentação.

EMF 47

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está a caminhar perto do vau do Jordão. Passa por ele um grupo de pessoas, entre as quais João e Tiago de Zebedeu. Foi João que reparou no Mestre e foi naturalmente ao seu encontro, enquanto o seu irmão o seguia. Este saúda-o chamando-lhe o Cordeiro de Deus. Jesus pergunta-lhe quem é que ele procura e o Amado responde que procura o Mestre. Sabe-o porque João Batista lho disse, e chama-lhe Cordeiro porque ouviu o Precursor chamar-lhe assim. João Batista está agora preso e eles já não têm o seu guia. No entanto, João apresenta-se a si próprio e a Tiago. Pergunta onde vive Jesus e Jesus diz-lhes que quem o seguir terá de deixar tudo: "a casa, os pais, a maneira de pensar e até a vida". Ele não é um homem rico e é preciso renascer espiritualmente em Deus para o seguir. No entanto, os dois homens querem segui-lo e Jesus aceita o seu pedido.

De seguida, Cristo dá dois ditados. O primeiro diz respeito à pureza e à virgindade, incluindo a virgindade consagrada. Explica que "há várias maneiras de ser virgem" e volta ao tema dos que fazem votos ao Senhor. Se as almas fazem um voto, mas cedem à sensualidade (mesmo a do pensamento), são apenas meio virgens.

O Mestre volta então à sua própria tentação no deserto e à sensualidade que o Demónio lhe propôs. Depois, detém-se sobre os puros, que vêem Deus. Por fim, centra-se em João, que é o Puro entre os discípulos, e que foi o seu primeiro discípulo.

EMF 48.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vede. Nenhum daqueles peixes queria cair na rede. Também os homens, intencionalmente, não iriam querer cair como presas de Mamon. Nem mesmo os mais malvados porque estes, pela soberba que os cega, não crêem que não tenham o direito de fazer o que fazem. O verdadeiro pecado deles é a soberba. Deste pecado nascem todos os outros. Mas aqueles que não são completamente maus, ainda mais não iriam querer ser de Mamon. Eles caem por leviandade, por um peso que os arrasta para o fundo, que é a culpa de Adão. Eu vim para tirar aquela culpa e para dar, na esperança da hora da Redenção, uma tal força aos que em Mim crerem, que será capaz de livrá-los do laço que os prende, tornando-os livres para Me seguirem: a Luz do mundo!”

Detalhe

Jesus falou a João e a Tiago de Zebedeu e disse-lhes

EMF 54.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Mamon arma ciladas aos desejosos do Céu, mais do que aos outros. E só quem sabe querer fortemente é quem resiste.

EMF 58

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está em Cafarnaum: vai pescar com Pedro e André. João e Tiago estão no outro barco.

Pedro explica o seu trabalho a Cristo, que faz uma analogia com as almas. Explica que uma falta não é irreparável em si mesma, mas que a acumulação de faltas pode tornar-se um hábito e até um vício capital. É preciso estar sempre vigilante para não cair em pecado.

Simão de Jonas pergunta se o Pai não será demasiado severo com ele, e Jesus assegura-lhe que não será demasiado severo com Pedro, o homem novo. Também assegura a André o seu amor e fala de todos os discípulos que virão depois deles, mencionando o Reino dos Céus e a pesca abundante que o Salvador fará. Encoraja também o seu apóstolo a não ter ciúmes, porque todos têm um lugar no seu coração. Pedro fica comovido com as suas palavras; quanto a André, Jesus fala-lhe da sua morte abençoada.

Entretanto, João chega e revela que um cego veio para ser curado por Cristo. Jesus quer curá-lo imediatamente e, em resposta aos pensamentos de Pedro, que se entristece com a ideia de não ter um bom partido, assegura-lhe a ajuda de Deus sempre que for caridoso.

Por fim, o Senhor cura o cego. E foi uma cura muito bonita.

EMF 59

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus vem pregar na sinagoga de Cafarnaum. Jairo recebe-o e Jesus pede-lhe um pergaminho: o Espírito guiá-lo-á. Jesus comenta então o Livro de Josué e fala do Reino de Deus, da necessidade de não pecar mais, de se arrepender e de se preparar para o Céu e para a eternidade que há-de vir. No fim do sermão, um homem contradiz Jesus e cita o segundo livro dos Macabeus. Jesus responde que ele está a aplicar uma visão humana a essas palavras, enquanto o Senhor as interpreta de forma sobrenatural. Ele diz que, embora Deus tenha ferido o seu povo, amou profundamente Israel, enviando-lhe a salvação que é o seu Messias.

O homem critica Cristo e duvida que ele seja o Redentor. Em resposta, Jesus evoca o Precursor e a pomba que desceu no seu batismo: afirma com toda a simplicidade que é o Redentor prometido. Como o seu interlocutor tem dúvidas, manda chamar um homem endemoninhado, com quem nunca tinha falado. O demónio fica agitado quando está diante do Filho de Deus e afirma que ele é o Santo de Deus. Jesus mandou-o calar e sair. O homem ficou curado e o demónio, derrotado, foi-se embora, para escárnio da multidão.

Jesus faz vários milagres físicos e depois sai da sinagoga com dificuldade.

EMF 64.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

(...) O Dileto do Pai também tem ainda um jardim nesta terra, sobre a qual impera Mamon. O jardim no qual Ele vai nutrir-se do seu celeste alimento: amor e pureza; o canteiro do qual Ele colhe as flores que lhe são caras, no qual não há mancha de sensualidade, de cobiça, de soberba. Estes. (Jesus acaricia o maior número de crianças que pode, passando sua mão sobre aquela coroa de cabecinhas atentas, uma única carícia que os toca de leve e os faz sorrir de alegria). Eis os meus lírios.

Não teve Salomão, em sua riqueza, veste mais bonita do que o lírio que perfuma o vale, nem diadema de graça mais delicado e esplêndido do que aquele que tem o lírio em seu cálice de pérola. No entanto, para o meu coração, não há lírio que valha o que vale um destes. Não há canteiro, não há jardim de ricos, todo cultivado com lírios, que Me valha o que vale um só destes puros, inocentes, sinceros, simples pequeninos.