EMF 34.7-8
O Evangelho como me foi revelado
Citação
34.7 O mais velho dos sábios fala por todos. Explica a Maria que eles viram, numa noite no mês de dezembro passado, acender-se uma nova estrela no céu com esplendor fora do comum. Nunca os mapas do céu tinham trazido aquele astro, nem falado nele. O seu nome não era conhecido, porque não tinha nome. Tendo, então, nascido do seio de Deus, aquela estrela teria aparecido para vir dizer aos homens alguma verdade bendita, algum segredo de Deus. Mas os homens não lhe haviam dado importância, estando eles com a alma presa na lama. Não eram capazes de levantar o olhar para Deus, não sabendo ler as palavras escritas por Ele, eterno bendito, com seus astros de fogo na abóbada dos céus.
Eles a tinham visto, e se esforçaram para escutar sua voz. Deixando, pois, de lado, mas com alegria, o pouco descanso do sono que concediam aos seus membros, esquecendo-se até de comer, eles se haviam aprofundado no estudo do zodíaco. As conjugações dos astros, o tempo, a estação, o cálculo das horas passadas e das combinações astronômicas lhes haviam dito o nome e o segredo da estrela. O seu nome: “Messias.” E o seu segredo: “O Messias veio ao mundo.” Então, partiram para adorá-lo. Cada um deles, sem os outros dois saberem. Por montes e desertos, vales e rios, viajando de noite, foram tomando o rumo da Palestina, porque este era o rumo da estrela. Para cada um deles, vindo de três pontos diferentes da terra, ela ia naquele rumo. Eles se tinham encontrado depois, além do Mar Morto. A vontade de Deus os tinha reunido lá, e continuaram a viagem, juntos, se entendiam, ainda que cada um falasse a sua própria língua, entendendo e podendo falar a língua de cada região em que se achassem, por um milagre do Eterno.
Juntos tinham ido a Jerusalém, porque o Messias devia ser o Rei de Jerusalém. O Rei dos judeus. Mas lá a estrela se tinha escondido, sob o céu daquela cidade, e eles sentiram seus corações partirem-se de dor, começando então a examinar suas consciências, para descobrirem se não teriam deixado de merecer a proteção de Deus. Mas, tranqüilizadas suas consciências, haviam se dirigido ao rei Herodes – perguntando-lhe em que palácio havia nascido o Rei dos judeus, pois eles o tinham vindo adorar. O rei, tendo reunido os príncipes dos sacerdotes e os escribas, lhes perguntou onde se esperava que nascesse o Messias. Eles lhe responderam: “Em Belém de Judá.”
Tomaram, pois, os Magos o rumo de Belém, e a estrela tornou a aparecer aos seus olhos. Quando deixaram a Cidade Santa, na tarde anterior, a estrela tinha aumentado seus esplendores, e o céu parecia um incêndio. Depois, a estrela parou, reunindo toda a luz das outras estrelas com a sua luz, sobre esta casa. Então, eles compreenderam que ali estava o Filho de Deus. E agora o estavam adorando, oferecendo-lhe os seus pobres presentes e, mais do que tudo, oferecendo-lhe os seus corações, que nunca mais cessariam de bendizer a Deus pela graça concedida, nem de amar o seu Filho, cuja Humanidade eles estavam vendo. Depois, iriam, na volta, informar ao rei Herodes, porque ele também queria adorar o Menino.
34.8 – Aqui tens o ouro, como convém a um rei; aqui tens o incenso, como convém a Deus; e aqui tens, ó mãe, a mirra, pois o teu Filho é Homem, além de Deus e da carne e da vida humana conhecerá a amargura e a lei inevitável da morte. Nosso amor não queria dizer-lhe estas palavras, mas ficar sempre pensando que Ele é eterno, até em sua carne, como eterno é o seu Espírito. Mas, ó mulher, se os nossos mapas, e também as nossas almas, não erram, Ele é o teu Filho, é o Salvador, o Cristo de Deus, e por isso deverá, para salvar a terra, tomar para Si o seu mal, um dos quais é o castigo da morte. Esta resina é para aquela hora. Para que os corpos que são santos não conheçam a putrefação da corrupção, e conservem sua integridade até o dia da ressurreição. Que por estes nossos presentes Ele se lembre de nós e salve a estes seus servos, dando-lhes o seu Reino. Por enquanto, para que sejamos santificados, que a mãe, conceda o seu Pequenino ao nosso amor, para que, beijando os seus pés, desça sobre nós a bênção celestial.
Maria, passada a angústia em que as palavras do sábio a haviam mergulhado, esconde, com um sorriso, a tristeza daquelas fúnebres evocações, e lhes apresenta o Menino. Coloca-o nos braços do mais velho, que o beija e é por ele acariciado, e depois o passa para os outros dois.
Jesus sorri, e brinca com as correntinhas e as franjas dos três e olha com curiosidade o cofre aberto, cheio de uma coisa amarela que brilha, e ri, ao ver que o sol faz uma espécie de arco-íris, ao bater sobre a brilhante tampa da mirra.
Detalhe
Resumo: Os Magos contam a sua viagem.
Mateus 2:1-12:
Jesus nasceu em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, o Grande. Os magos do Oriente vieram a Jerusalém e perguntaram: "Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.
Quando o rei Herodes ouviu isto, ficou muito perturbado, e toda a Jerusalém com ele. Convocou todos os chefes dos sacerdotes e os escribas do povo e perguntou-lhes onde é que o Cristo ia nascer. Eles responderam-lhe: "Em Belém da Judeia, porque assim escreveu o profeta: "E tu, Belém, terra de Judá, não és certamente a última das principais cidades de Judá, porque de ti virá um chefe que será o pastor do meu povo Israel. Então Herodes convocou os sábios em segredo para lhes dizer quando a estrela tinha aparecido e enviou-os a Belém, dizendo-lhes: "Vão e descubram tudo o que puderem sobre o menino. E quando o encontrardes, vinde dizer-me, para que também eu vá adorá-lo. Quando ouviram o que o rei tinha dito, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente ia à frente deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando viram a estrela, exultaram de alegria. Entraram em casa e viram o menino com Maria, sua mãe; e, prostrando-se a seus pés, adoraram-no. Abriram as arcas e ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra. Mas, avisados em sonho para não voltarem para junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho.