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Notas da palavra-chave

Judas de Queriote (apóstolo)

Tema: A comitiva de Jesus · Página 1 de 28

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EMF 35.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

E Eu não poupei palavras, quando foi preciso, mesmo quando

elas atraíam o ódio dos hebreus e a antipatia de Judas sobre Mim. Eu sabia (e teria podido fazê-lo) que teria bastado dinheiro para subjugá-lo a Mim. Não a Mim como Redentor, mas a Mim riqueza. Eu que multipliquei os pães, podia multiplicar também o dinhei­ro, se quisesse. Mas Eu não tinha vindo procurar satisfações humanas. De ninguém. Muito menos, dos que foram chamados por Mim. Eu havia pregado a necessidade do sacrifício, do desapego, de uma vida casta, de posições humildes. Que Mestre e que Justo teria sido, se tivesse dado dinheiro para alimentar o sensualismo mental e físico de alguém, como único meio para segurá-lo?

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Jesus disse:

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O Evangelho como me foi revelado

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Jesus, Tiago, João, André, Pedro, Filipe e Bartolomeu vão ao Templo. Mas é uma verdadeira feira, onde os comerciantes do Templo são usurários dos mais pobres. Um casal de idosos é maltratado por um comerciante e Jesus diz-lhes que o seu comportamento não é correto: o comerciante tem de lhes dar um cordeiro melhor. O homem não lhe dá ouvidos e Jesus, perante toda a agitação do Templo, torna-se terrível. Constrói um chicote e derruba as mesas e o dinheiro que nelas se encontrava. Os sacerdotes chegam e perguntam-lhe quem é ele e porque está a fazer aquilo. Jesus responde que é aquele que pode e que, se o verdadeiro Templo for destruído, ele levantá-lo-á. Promete que eles o conhecerão e saberão de onde ele vem. Depois, o Mestre faz um discurso no Templo, recordando as palavras do Deuteronómio. Lembra-nos que devemos ser justos com os pobres e que os sacerdotes devem ter como riqueza a pureza e a caridade, e não a riqueza puramente material. Deus Pai é a sua herança. Por fim, convida todos a segui-lo, porque chegou a hora da graça.

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O Evangelho como me foi revelado

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Embora não seja nomeado, Judas está presente durante a purificação do Templo e virá a Cristo por causa deste episódio.

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Jesus está no olival do Getsémani. O dono da casa - Jonas - diz a Cristo que estão à sua espera três homens, entre os quais um que deve estar doente e um leproso. Jesus dirige-se primeiro a este último: é Simão, o Zelota, que lhe pede a cura. O Salvador concede-lhe o seu desejo e o futuro apóstolo fica completamente curado. De seguida, dirige-se aos dois recém-chegados: Judas de Keroth e Tomé. O primeiro queria ardentemente seguir o Salvador, para partilhar a sua glória "segundo o céu". Mas Jesus pede-lhe que pense bem no assunto e recusa aceitá-lo de imediato. Pensa que ele é impulsivo e não acredita na sua constância. Jesus pede-lhe então para discernir bem e diz-lhe que estará no Templo para o Pentecostes. Tomé, por seu lado, também quer segui-lo, mas fica assustado com as palavras ditas a Judas. Jesus tranquiliza-o, dizendo-lhe que a presunção leva à ruína, mas que o medo, associado à humildade, pode ser uma ajuda. Sugere-lhe que reflicta e, depois, quando o discípulo se vai embora, Jesus explica a João e aos outros por que razão fez a diferença entre os dois discípulos. Nesse sentido, Tomé é mais perfeito, porque quer segui-lo por amor e não por desejo de glória humana. Todos os discípulos presentes afirmam então que amam Jesus e, quando perguntam se são perfeitos, Jesus explica que só Deus é perfeito, mas que eles se tornarão perfeitos se persistirem na sua vontade de amar.

Depois de falar da sua natureza de Verbo de Deus e da sua perfeição de Homem-Deus, Jesus descreve-se a si próprio como o Filho do Homem. De seguida, responde à pergunta de Pedro sobre a ausência de Judas e responde à pergunta de André sobre a razão pela qual fez um milagre em Caná e não na sua terra natal. O Senhor menciona também a sua Mãe.

Por fim, Cristo acolhe Dídimo, que voltou a percorrer os seus passos, e assim acolhe Tomé entre os seus discípulos.

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O Evangelho como me foi revelado

Citação

Devem ainda estar sendo celebradas as festas pascais, pois vê-se muita gente pela cidade. Está anoitecendo e muitos se apressam em ir para as suas casas.

Jesus também está indo para a casa onde está hospedado. Não é a casa do Cenáculo, que fica mais na cidade, ainda que nas imediações desta. A casa onde está Jesus hospedado é uma verdadeira casa de campo entre bastas oliveiras. Da rústica pracinha, que está à sua frente, vêem-se as árvores que descem pelos declives ao longo da colina, detendo-se num lugar onde há um pequeno córrego de poucas águas, que se vai por entre uma enseada que está entre duas colinas pouco altas. Sobre uma das colinas está o Templo, sobre a outra só oliveiras e mais oliveiras. Jesus está no começo do declive desta branda colina, que sobe suavemente, na mansidão de suas árvores pacíficas.

– João, aí fora estão dois homens esperando o teu amigo –diz um homem já de idade que deve ser o camponês ou o dono do olival. Diria que João o conhece.

– Onde estão? Quem são?

– Não sei. Um deles certamente é judeu. O outro… eu não saberia dizer. Não perguntei a ele.

– Onde estão?

– Na cozinha, esperando e… e… sim… há também um outro que está todo cheio de feridas… Eu o mandei esperar lá porque… não queria que ele fosse um leproso… Diz ele que quer ver o Profeta que falou no Templo.

Jesus, que até aquele momento havia permanecido calado, diz:

– Vamos primeiro a esse. Diz aos outros que venham, se quiserem. Falarei aqui no olival com eles.

E se dirige para o ponto indicado pelo homem.

– E nós? Que fazemos? –pergunta Pedro.

– Vinde, se quiserdes.

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O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Sois vós que me procurais? –diz aos dois desconhecidos–: Eis-me aqui. Quem sois?

– Nós Te ouvimos na outra tarde… no Templo. E Te procuramos pela cidade. Um que se diz teu parente, nos disse que estavas aqui.

– Por que me estais procurando?

– Para seguir-te, se nos quiseres, porque Tu tens palavras de verdade.

– Para seguir-me? Mas sabeis para onde me dirijo?

– Não Mestre. Mas com certeza para a glória.

– Sim. Mas para uma glória que não é da terra. Para uma glória que tem sua sede no Céu e que se conquista com a virtude e o sacrifício. Por que quereis me seguir? –torna a perguntar.

– Para termos parte na tua glória.

– Segundo o Céu?

– Sim, segundo o Céu.

– Nem todos podem chegar ali. Porque Mamon arma ciladas aos desejosos do Céu, mais do que aos outros. E só quem sabe querer fortemente é quem resiste. Por que seguir-me se o seguir-me quer dizer uma luta contínua com o inimigo que está em nós, com o mundo inimigo e com o Inimigo, que é Satanás?

– Porque assim quer o nosso espírito, que ficou conquistado por Ti. Tu és santo e poderoso. Nós queremos ser teus amigos.

– Amigos!!!

Jesus se cala e suspira. Depois, olha fixo àquele que sempre vinha falando e que agora deixou cair o manto da cabeça apresentando-a toda descoberta. É Judas de Keriot.

– Quem és tu, que falas melhor do que um homem do povo?

– Sou Judas, de Simão. Sou natural de Keriot. Mas sou do Templo (ou estou no Templo). Espero o Rei dos judeus; vivo sonhando com ele. Rei te reconheci na palavra e Rei te vi no gesto. Toma-me Contigo.

– Tomar-te? Agora? Tão depressa? Não.

– Por que, Mestre?

– Porque é melhor pesar-nos a nós mesmos, antes de pegarmos caminhos muito íngremes.

– Não crês em minha sinceridade?

– Tu o disseste. Eu creio no teu impulso. Não creio na tua constância. Pensa nisso, Judas. Agora Eu vou-me embora, e voltarei para a festa de Pentecostes. Se estiveres no Templo, me verás. Pesa-te a ti mesmo.

54.4

E tu, quem és?

– Um outro que te viu. Queria estar contigo. Mas agora sinto temor.

– Não. A presunção é uma ruína. O temor pode ser um obstáculo, mas, se ele vem da humildade, pode até ajudar. Não temas. Pensa, tu também, e, quando Eu vier…

– Mestre, tu és muito santo. Tenho medo de não ser digno. Não de outra coisa. Porque sobre o meu amor eu não temo.

– Como te chamas?

– Tomé, chamado o Dídimo.

– Eu me lembrarei do teu nome. Vai em paz.

Jesus se despede deles e se retira para a casa onde está hospedado, para o jantar.

54.5

Os seis, que já estão com Ele, querem saber de muitas coisas.

– Por que, Mestre, fizeste diferença entre os dois?… Porque uma diferença houve! Os dois tinham o mesmo impulso… –pergunta João.

– Amigo, também o mesmo impulso pode ter diversa substância e produzir efeito diferente. É verdade que os dois têm o mesmo impulso. Mas um não é igual ao outro, quanto ao fim a que visam. E aquele que parece o menos perfeito é o mais perfeito, porque não está seduzido pela glória humana. Ele me ama, porque me ama.

EMF 54.6

O Evangelho como me foi revelado

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54.6 – Mestre, por que é que o teu primo, mesmo sabendo onde moras, não veio?

– Ah! Meu Pedro!… Tu serás uma das minhas pedras, a primeira. Mas nem todas as pedras são fáceis de se usar. Já viste os mármores do palácio pretório? Arrancados, com muito trabalho, do seio das montanhas, agora fazem parte do Pretório. Por outro lado, olha aquelas pedras, que estão brilhando lá longe à luz do luar, por entre as águas do Cedron. Elas vieram por si mesmas para o leito do rio e se alguém as quiser, elas logo se deixam levar. O meu primo é como as primeiras pedras da qual falo… O seio do monte, a família, o disputa Comigo.

– Mas eu quero ser em tudo como as pedras do Cedron. Por Ti, estou pronto a deixar tudo: casa, esposa, pesca, irmãos. Tudo, Rabi, por Ti.

– Eu sei, Pedro. Por isto Eu te amo. Mas Judas também virá.

– Quem? Judas de Keriot? Não o levo muito em conta. É um belo moço, mas… eu prefiro… prefiro a mim mesmo…

Riem-se todos da piada de Pedro.

– Não há nada para rir. Quero dizer que prefiro um galileu franco, rude, um pescador, mas sem fraude, a… homens da cidade que… não sei… Mas o Mestre entende o que eu quero dizer.

– Sim, entendo. Mas não julgues. Temos necessidade uns dos outros nesta terra e os bons estão misturados com os maus, como as flores em um campo. A cicuta está ao lado da saudável malva.

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Pedro perguntou a Jesus por Judas, que estava ausente, e a conversa voltou-se para Judas, que se tinha apresentado ao Mestre pela primeira vez.

EMF 55.1

O Evangelho como me foi revelado

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– Levanta-te, amigo. Já jantaste?

– Não, Mestre. Andei poucos minutos com o outro que estava comigo e depois o deixei e voltei atrás dizendo-lhe que eu queria falar com o leproso curado…Mas eu falei assim porque pensava que ele certamente teria recebido com desdém a idéia de aproximar-se de um impuro. E adivinhei. Mas eu estava procurando era a Ti, não o leproso… Eu queria dizer-Te: “Toma-me contigo!”

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Tomé fala com Cristo sobre o momento em que voltou atrás para se juntar a Jesus.

EMF 55.3

O Evangelho como me foi revelado

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– Escuta. Amanhã, com as primeiras horas do dia, o leproso sairá dos sepulcros para encontrar quem vai avisar ao sacerdote. Mas, antes disso, tu irás aos sepulcros. É uma caridade. E dirás em alta voz: “Ó tu, que ontem foste limpo, vem para fora! Fui mandado a ti por Jesus de Nazaré, o Messias de Israel, Aquele que te curou.” Faz que o mundo dos “mortos e vivos” conheça o meu Nome e vibre de esperança, e quem à esperança unir a fé, venha a Mim, para que Eu o cure. É a primeira forma da limpeza que Eu trago, da ressurreição, da qual Eu sou dono. Um dia Eu darei uma limpeza bem mais profunda… Um dia os sepulcros selados deixarão escapar os mortos verdadeiros, que aparecerão para se rirem com as órbitas de seus olhos vazios, com as mandíbulas descobertas pelo júbilo longínquo, e entretanto sentido pelos esqueletos, dos espíritos liberados do Limbo de espera. Eles aparecerão para se rirem diante dessa sua libertação, e para vibrarem, sabendo a quem é que a devem… Vai tu! Ele virá ao teu encontro. Tu farás o que vai te pedir que faças. O ajudarás em tudo, como se fosse teu irmão. E lhe dirás também: “Quando estiveres completamente purificado, iremos juntos pela estrada do rio, além de Doco e de Efraim. Lá o Mestre Jesus te espera e me espera, para dizer-nos em que é que o devemos servir.”

– Assim farei. E o outro?

– Quem? O Iscariotes?

– Sim, Mestre.

– Para ele persiste o meu conselho. Deixa-o decidir por si e por longo tempo. Evita até de encontrá-lo.

– Estarei junto ao leproso. No vale dos sepulcros só os imundos é que vagueiam ou os que têm contatos de piedade para com eles.

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Jesus fala com Tomé:

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O Evangelho como me foi revelado

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Jesus está sozinho. Judas vem juntar-se a ele. O homem de Queriote quer segui-lo e Jesus fica muito triste com isso. Sabendo do seu estado de espírito, Jesus revela-lhe que o seu Reino não é deste mundo, que a sua realeza não é terrena. Diz-lhe mesmo que Cristo vai ser traído e Judas garante-lhe que nunca fará tal coisa. Diz isso por sua honra, mas o Salvador lembra-lhe que não há nada mais frágil. Depois, Jesus insiste em que é manso, pobre e pacífico: que ele não terá nada de terreno se o seguir. Mas, independentemente dos seus argumentos, Judas quer segui-lo. Chega mesmo a dizer que Jesus tem de o levar. Diz mesmo que Jesus deve levá-lo, se ele é um pecador e está a caminho de se perder. Jesus aceita e a visão termina aí.