Ir para o conteúdo

Notas do tema

Personagens principais e secundárias

Página 50 de 175

Conforto de leitura

Aa

EMF 76.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

76.4 – Tu me disseste que queres que Isaque fique sabendo que estás aqui, mas isso sem precisares entrar no povoado?

– Sim, assim quero.

– Então, é bom que nos separemos. Eu irei até ele. Levi e José ficarão com o rebanho e convosco. Eu vou subir por aqui. Irei mais depressa.

E Elias começa a subir pela encosta, em direção a um branquear de casas que brilham ao sol, lá no alto. Parece-me que estou seguindo-o. Ei-lo às primeiras casas. Pega uma viela entre as casas e as hortas. Anda uma dezena de metros. Depois, vira para uma rua mais larga, e desta entra em uma praça.

Eu não disse que tudo isso aconteceu nas primeiras horas da manhã. Digo agora, para explicar que na praça ainda há a feira, e as donas de casa e vendedores gritam ao redor das árvores que fazem sombra à praça.

Elias vai firme, até ao ponto onde a praça volta a ser rua, uma rua muito bonita. Talvez a mais bonita do povoado. Num canto há um casebre, ou melhor, um quarto com a porta aberta. Quase à porta, está uma pobre cama, e em cima dela um doente muito magro que, lamentosamente pede uma esmola a cada passante.

Elias entra como um foguete:

– Isaque… sou eu.

– Tu? Eu não estava te esperando. Vieste aqui na lua passada.

– Isaque… Isaque… Sabes por que eu vim?

– Não sei… Estás comovido… Que aconteceu?

– Eu vi Jesus de Nazaré, homem, já rabi. Ele veio procurar-me… e nos quer ver. Oh! Isaque! Estás mal?

De fato, Isaque deixou-se cair como se morresse. Mas depois se recobra:

– Não. Esta notícia… Onde está Ele? Como está? Oh! Se eu pudesse vê-lo!

– Ele está lá em baixo, no vale. E me manda dizer-te assim, exatamente assim: “Vem, Isaque, que Eu te quero ver e abençoar.” Agora, eu vou chamar alguém que me ajude a levar-te lá em baixo.

– Assim Ele disse?

– Assim. Mas, que é que estás fazendo?

– Eu vou.

Isaque afasta as cobertas, move as pernas inertes, lança-as fora da enxerga, e as apóia no chão, levanta-se, ainda incerto, cambaleante. Tudo em um instante, sob os olhos arregalados de Elias… que finalmente compreende e grita…

Aí aparece uma mulherzinha curiosa. Vê o enfermo de pé, que se cobre com um cobertor, não encontrando outra coisa, e sai correndo, gritando como uma galinha.

– Vamos. Saiamos daqui, para fazermos mais depressa, antes que a multidão comece a se ajuntar… Depressa, Elias.

E saem correndo pelo portãozinho de uma pequena horta, situada atrás, empurram o fecho de ramos secos, e estão fora; seguem por uma viela miserável, descem depois por uma estradinha entre as hortas, e desta passam para os prados e pequenos bosques até o córrego.

76.5 – Eis ali Jesus –diz Elias, indicando-o–. É aquele alto, bonito, loiro, vestido de branco, com o manto vermelho….

Isaque corre, abre caminho por entre o rebanho que está pastando, e com um grito de triunfo, de alegria, de adoração, prostra-se aos pés de Jesus.

– Levanta-te, Isaque. Eu vim. Para trazer-te paz e bênção. Levanta-te para Eu conhecer o teu rosto.

Mas Isaque não pode levantar-se. Emoções demais ao mesmo tempo, e está, em seu choro feliz, com o rosto no chão.

– Vieste depressa. Nem perguntaste a ti mesmo se podias…

– Tu me disseste para vir… e eu vim.

– Tampouco fechou a porta, nem recolheu as esmolas, Mestre.

– Não importa. Os anjos velarão a casa dele. Estás contente, Isaque?

– Oh! Senhor!

– Chama-me Mestre.

– Sim, Senhor, meu Mestre. Ainda que não tivesse ficado curado, teria já ficado feliz, só por Te ver. Como pude encontrar tanta graça junto a Ti?

– Pela tua fé e paciência, Isaque. Eu sei quanto sofreste…

– Nada, nada! Mais nada! Eu Te encontrei! Estás vivo! Estás aqui! Estás mesmo aqui… O resto, todo o resto é passado. Mas, Senhor e Mestre, agora não vais mais embora, não é?

– Isaque, tenho que evangelizar todo Israel. Eu vou… Mas, se Eu não posso ficar, tu sempre podes servir e seguir-me.

76.6 Queres ser meu discípulo, Isaque?

– Oh! Mas eu não serei um bom discípulo!

– Saberás tu declarar quem Eu sou? E confessá-lo, apesar dos escárnios e ameaças? E dizer que Eu te chamei, e tu vieste?

– Mesmo que Tu não o quisesses, eu diria tudo isso. Nisto eu Te desobedeceria, Mestre. Perdoa-me, se eu digo isto.

Jesus sorri.

– E então, estás vendo que estás bom para seres meu discípulo?

– Oh! Se for só para fazer isso! Eu pensava que fosse mais difícil. Que precisava ir para a escola dos rabinos, para servir a Ti, o Rabi dos rabis… e ir para a escola depois de velho…

De fato, o homem tem pelo menos, cinqüenta anos.

– A escola tu já fizeste, Isaque.

– Eu? Não.

– Tu, sim. Não tens continuado a crer e a amar, a respeitar e bendizer a Deus e ao próximo, a não ter invejas, a não desejar o que é dos outros, e também o que era teu e não o tinhas mais, a não falar senão a verdade, ainda que isso te prejudicasse, a não fornicar com Satanás, fazendo pecados? Não tens feito tudo isso, nestes trinta anos de desventura?

– Sim, Mestre.

– Então estás vendo. A escola tu já fizeste. Continua assim, e acrescenta a isso a revelação de minha presença no mundo. Não há outra coisa a fazer.

– Eu já tenho falado de Ti, Senhor Jesus. Aos meninos que vinham a mim, quando eu, quase inválido, cheguei a este povoado, pedindo um pão e fazendo ainda algum trabalho de tosquia ou preparação de laticínios, e depois, quando vinham ao redor de minha cama, quando a doença se agravou e fez que ficasse paralítico da cintura para baixo. Eu falava de Ti aos meninos de então, e aos meninos de agora, filhos­ daqueles… Os meninos são bons, e crêem sempre.. Eu lhes falava de quando tinhas nascido… dos anjos… da Estrela e dos Magos… e de tua mãe… Oh! Diz-me: Ela ainda está viva?

– Está viva, e te saúda. Ela sempre me falava de vós.

– Oh! Se eu pudesse vê-la!

– Tu a verás. Um dia irás à minha casa. Maria te saudará: amigo.

– Maria… sim. Dizer esse nome é como ter mel na boca.

EMF 76.4.7.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Elias vai firme, até ao ponto onde a praça volta a ser rua, uma rua muito bonita. Talvez a mais bonita do povoado. Num canto há um casebre, ou melhor, um quarto com a porta aberta. Quase à porta, está uma pobre cama, e em cima dela um doente muito magro que, lamentosamente pede uma esmola a cada passante.

Elias entra como um foguete:

– Isaque… sou eu.

– Tu? Eu não estava te esperando. Vieste aqui na lua passada.

– Isaque… Isaque… Sabes por que eu vim?

– Não sei… Estás comovido… Que aconteceu?

– Eu vi Jesus de Nazaré, homem, já rabi. Ele veio procurar-me… e nos quer ver. Oh! Isaque! Estás mal?

De fato, Isaque deixou-se cair como se morresse. Mas depois se recobra:

– Não. Esta notícia… Onde está Ele? Como está? Oh! Se eu pudesse vê-lo!

– Ele está lá em baixo, no vale. E me manda dizer-te assim, exatamente assim: “Vem, Isaque, que Eu te quero ver e abençoar.” Agora, eu vou chamar alguém que me ajude a levar-te lá em baixo.

– Assim Ele disse?

– Assim. Mas, que é que estás fazendo?

– Eu vou.

Isaque afasta as cobertas, move as pernas inertes, lança-as fora da enxerga, e as apóia no chão, levanta-se, ainda incerto, cambaleante. Tudo em um instante, sob os olhos arregalados de Elias… que finalmente compreende e grita…

Aí aparece uma mulherzinha curiosa. Vê o enfermo de pé, que se cobre com um cobertor, não encontrando outra coisa, e sai correndo, gritando como uma galinha.

– Vamos. Saiamos daqui, para fazermos mais depressa, antes que a multidão comece a se ajuntar… Depressa, Elias.

E saem correndo pelo portãozinho de uma pequena horta, situada atrás, empurram o fecho de ramos secos, e estão fora; seguem por uma viela miserável, descem depois por uma estradinha entre as hortas, e desta passam para os prados e pequenos bosques até o córrego.

(...) [Isaac reencontra Jesus e ambos vão visitar uma família que sempre foi muito bondosa para com o pastor.]

– Por aqui, Mestre. É mais cômodo para o rebanho e para esquivar-nos das pessoas, certamente excitadas. A velha que viu quando eu me pus de pé, com certeza, já falou.

(...) Um grande vozerio sai da casa. Isaque vai à frente. Entra. Chama em voz alta:

– Maria, José, Emanuel! Onde estais? Vinde a Jesus.

Correm três pequeninos: uma menina de quase cinco anos e dois meninos dos quatro aos dois, o último com um passo ainda um pouco incerto. Ficam de boca aberta diante do… renascido. Depois, a menina grita:

– Isaque! Mamãe! Isaque está aqui! A Judite viu bem!

De um quarto onde há o grande vozerio, sai uma mulher; é a mãe em flor, morena, alta, formosa, de uma visão longínqua, muito bonita em suas vestes de festa: uma veste de linho muito alvo, como uma rica camisa, que desce em dobras até os tornozelos, apertada aos flancos opulentos por um xale com listras matizadas, que lhe modela os quadris estupendos, recaindo em franjas até a parte posterior dos joe­lhos, e ficando entreaberto na frente, depois de ter-se cruzado, à altura da cintura, sob uma fivela de filigrana. Um véu leve, com ramos de roseira, colorido, sobre um fundo de marfim está fixado, sobre as tranças pretas, como um pequeno turbante, e depois desce da nuca, com ondas e dobras, pelas costas e o peito. Conservam-no firme na cabeça uma pequena coroa de medalhinhas unidas por uma pequena corrente entre elas. Brincos pesados, em forma de anéis, descem das orelhas, e um colar de prata, que passa entre os ilhoses da veste, ajusta a túnica ao pescoço. Nos braços, pesados braceletes de prata.

– Isaque! Mas como? Judite… estava já pensando que o sol a tivesse feito endoidecer… Tu estás caminhando! Mas que foi que aconteceu?

– O Salvador! Oh! Sara! Ele está aqui! Ele já veio!

– Quem? Jesus de Nazaré? E onde está Ele?

– Ali! Atrás da nogueira. E Ele manda perguntar se tu o recebes!

– Joaquim! Mãe! Vinde todos! O Messias está aqui!

Detalhe

Judite de Yutta tinha visto a cura de Isaac e estava a falar sobre isso na aldeia.

Palavras-chave

EMF 76.7-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Há uma mulher em Juta, agora ela é mulher, e se tornou mãe do seu quarto filho, mas tempos atrás era uma menina, uma das minhas pequenas amigas… e aos seus filhos ela deu os nomes de Maria e José aos dois primeiros e, não ousando chamar o terceiro de Jesus, deu-lhe o nome de Emanuel, como um bom augúrio para si mesma, para sua casa e para Israel. E está pensando no nome que haverá de dar ao quarto, que nasceu há seis dias. Oh! Quando ela souber que eu estou curado! E que Tu estás aqui! Sara é boa como o pão da mamãe, e bom é também o seu esposo, Joaquim. E os seus parentes? Por causa deles é que eu estou ainda vivo. Eles sempre me deram abrigo e ajuda.

– Vamos a eles pedir-lhes um abrigo para as horas de sol, e levar-lhes a bênção por sua caridade.

– Por aqui, Mestre. É mais cômodo para o rebanho e para esquivar-nos das pessoas, certamente excitadas. A velha que viu quando eu me pus de pé, com certeza, já falou.

76.8 Seguem o córrego, o deixam mais ao sul, para pegarem um caminho que sobe bastante íngreme, contornando um esporão da montanha, semelhante a um quebra-mar de navio. Agora o córrego vai em direção contrária para quem sobe, e desliza no fundo entre duas ordens de montanhas, que se entrecortam, formando um vale acidentado e bonito.

Reconheço o lugar. Ele é inconfundível. É aquele da visão que eu tive de Jesus e os meninos, na primavera passada. O pequeno muro, de pedras soltas, delimita a propriedade que pende para o vale. Eis os prados com as macieiras, as figueiras, as nogueiras, eis a casa, branca sobre o verde, com sua ala saliente que protege a escada, formando um pórtico e um alpendre, eis a pequena cúpula sobre a parte mais alta, eis a horta-jardim com o poço, a parreira e os canteiros…

Um grande vozerio sai da casa. Isaque vai à frente. Entra. Chama em voz alta:

– Maria, José, Emanuel! Onde estais? Vinde a Jesus.

Correm três pequeninos: uma menina de quase cinco anos e dois meninos dos quatro aos dois, o último com um passo ainda um pouco incerto. Ficam de boca aberta diante do… renascido. Depois, a menina grita:

– Isaque! Mamãe! Isaque está aqui! A Judite viu bem!

De um quarto onde há o grande vozerio, sai uma mulher; é a mãe em flor, morena, alta, formosa, de uma visão longínqua, muito bonita em suas vestes de festa: uma veste de linho muito alvo, como uma rica camisa, que desce em dobras até os tornozelos, apertada aos flancos opulentos por um xale com listras matizadas, que lhe modela os quadris estupendos, recaindo em franjas até a parte posterior dos joe­lhos, e ficando entreaberto na frente, depois de ter-se cruzado, à altura da cintura, sob uma fivela de filigrana. Um véu leve, com ramos de roseira, colorido, sobre um fundo de marfim está fixado, sobre as tranças pretas, como um pequeno turbante, e depois desce da nuca, com ondas e dobras, pelas costas e o peito. Conservam-no firme na cabeça uma pequena coroa de medalhinhas unidas por uma pequena corrente entre elas. Brincos pesados, em forma de anéis, descem das orelhas, e um colar de prata, que passa entre os ilhoses da veste, ajusta a túnica ao pescoço. Nos braços, pesados braceletes de prata.

– Isaque! Mas como? Judite… estava já pensando que o sol a tivesse feito endoidecer… Tu estás caminhando! Mas que foi que aconteceu?

– O Salvador! Oh! Sara! Ele está aqui! Ele já veio!

– Quem? Jesus de Nazaré? E onde está Ele?

– Ali! Atrás da nogueira. E Ele manda perguntar se tu o recebes!

– Joaquim! Mãe! Vinde todos! O Messias está aqui!

Mulheres, homens, rapazes, meninos, todos vão correndo, gritando… mas, quando vêem Jesus, alto e majestoso, perdem toda aquela coragem, e ficam como que petrificados.

– A paz a esta casa e a todos vós. A paz e a bênção de Deus.

Jesus caminha devagar, sorridente, em direção ao grupo:

– Amigos, quereis hospedar o Viajante?

E sorri ainda mais.

O seu sorriso vence os receios. O esposo cria coragem para falar:

– Entra, Messias. Nós já Te amávamos, sem Te conhecer. Mais ainda Te amaremos conhecendo-Te. Nossa casa está em festa por três motivos hoje: por Ti, por Isaque e pela circuncisão do meu terceiro filho homem. Abençoa-o, Mestre. Mulher, traze aqui o menino! Entra, Senhor.

76.9 Entram numa sala preparada para a festa. Mesas e iguarias, tapetes e ramagens por todos os lados.

Sara volta com um belo recém-nascido nos braços. E o apresenta a Jesus.

– Deus esteja sempre com ele. Que nome tem?

– Nenhum. Esta é Maria, este é José, este é Emanuel, e este… ainda não tem nome…

Jesus fita os dois esposos próximos, e sorri:

– Procurai um nome. Se hoje vai ser circuncidado…

Os dois se olham, olham para Ele, abrem a boca, a fecham, sem dizer nada. Todos estão atentos.

Jesus insiste:

– Há tantos nomes grandes, doces, benditos, tem a história de Israel. Os mais doces e benditos já foram dados. Mas talvez ainda haja algum.

Juntos, os dois esposos irrompem:

– O teu, Senhor!

E a esposa termina, dizendo:

– Mas é santo demais…

Jesus sorri e pergunta:

– Quando será circuncidado?

– Estamos esperando o homem que fará a circuncisão.

– Eu estarei presente à cerimônia. Entrementes, vos agradeço pelo meu Isaque. Agora ele não tem mais necessidade dos bons. Mas os bons ainda têm necessidade de Deus. Destes ao terceiro filho o nome de “Deus conosco.” Mas vós já tínheis a Deus, quando tivestes caridade para com o meu servo. Sede benditos. Na terra e no Céu vosso ato será lembrado.

– Isaque parte, agora? Ele vai nos deixar?

– Ficais tristes por isso? Mas ele deve servir a seu Mestre. Contudo, ele voltará, e Eu também virei. Enquanto isso, vós falareis do Messias… Há tantas coisas a dizer para convencer o mundo!

76.10 Mas eis o esperado.

Entra um pomposo personagem, com um ajudante. Saudações e inclinações.

– Onde está o menino? –pergunta ele com altivez.

– Está aqui. Mas saúda o Messias. Ele está aqui.

– O Messias?… Aquele que curou o Isaque? Eu sei. Mas… Falaremos dele depois. Estou com muita pressa. Vejamos o menino e o seu nome.

Os presentes estão mortificados pelos modos do homem. Mas Jesus sorri, como se aquelas grosserias não fossem para Ele. Pega o menino, toca em sua pequena fronte com seus dedos bonitos, como que para consagrá-lo, e diz: “O seu nome é Jesai”, e o devolve ao pai que, com o homem soberbo e outros, vai a um quarto próximo. Jesus fica onde está, até que eles voltam com o menino, que grita desesperadamente.

– Dá-me o pequenino, mulher. Ele não chorará mais –diz Jesus para consolar a mãe angustiada. O menino, colocado sobre os joelhos de Jesus, de fato se cala.

Jesus forma um grupo com os pequeninos todos ao seu redor, e depois com os pastores e os discípulos. Fora há um balir de ovelhas que Elias colocou em um cercado. Na casa há um barulho de festa. Levam a Jesus e aos seus, doces e bebidas. Mas Jesus os distribui aos pequeninos.

– Não bebes, Mestre? Não aceitas? É dado de coração.

– Eu sei Joaquim, e de coração o aceito. Mas deixa que primeiro Eu faça contentes os pequeninos. Eles são a minha alegria…

– Não repares naquele homem, Mestre.

– Não, Isaque. Eu rezo para que ele veja a Luz. João, leva os dois meninos para que vejam as ovelhinhas.

76.11 E tu, Maria, vem mais perto, e diz-me: Quem sou Eu?

– Tu és Jesus, Filho de Maria de Nazaré, nascido em Belém. Isaque te viu e me pôs o nome de tua mamãe, para que eu seja boa.

– Boa como o anjo de Deus, pura mais do que um lírio desabrochado no cume da montanha, piedosa como o levita mais santo deve ser, para imitá-la. Serás assim?

– Sim, Jesus.

– Fala “Mestre” ou “Senhor”, menina.

– Deixa que me chame com o meu Nome, Judas. Só passando por lábios inocentes é que não perde o som que tem sobre os lábios de minha mãe. Todos, nos séculos, dirão esse nome, mas uns por um interesse, outros por outro, e muitos para blasfemá-lo. Só os inocentes, sem malícia e sem ódio, o dirão com um amor igual ao desta menina e ao de minha mãe. Os pecadores também me chamarão, quando pedirem misericórdia. Mas minha mãe e os pequeninos! Por que me chamas Jesus? –pergunta, acariciando a pequenina.

– Porque eu te quero bem… como ao papai, à mamãe e aos meus irmãozinhos –diz ela, abraçando os joelhos de Jesus, e rindo com o rostinho erguido.

Jesus se inclina e a beija… e assim tudo termina.

Detalhe

Isaac fala dos que cuidaram dele durante a sua enfermidade. Decide ir ter com eles para lhes agradecer a sua bondade para com o pastor.

Sara de Yutta aparece em 76,8, assim como os filhos, e Joaquim aparece em 76,9. A bênção do recém-nascido Yesai tem lugar em 76.9-10. Finalmente, Jesus fala à criança Maria em 76.11.

EMF 76.10-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus forma um grupo com os pequeninos todos ao seu redor, e depois com os pastores e os discípulos. Fora há um balir de ovelhas que Elias colocou em um cercado. Na casa há um barulho de festa. Levam a Jesus e aos seus, doces e bebidas. Mas Jesus os distribui aos pequeninos.

– Não bebes, Mestre? Não aceitas? É dado de coração.

– Eu sei Joaquim, e de coração o aceito. Mas deixa que primeiro Eu faça contentes os pequeninos. Eles são a minha alegria… (...) João, leva os dois meninos para que vejam as ovelhinhas.

76.11 E tu, Maria, vem mais perto, e diz-me: Quem sou Eu?

– Tu és Jesus, Filho de Maria de Nazaré, nascido em Belém. Isaque te viu e me pôs o nome de tua mamãe, para que eu seja boa.

– Boa como o anjo de Deus, pura mais do que um lírio desabrochado no cume da montanha, piedosa como o levita mais santo deve ser, para imitá-la. Serás assim?

– Sim, Jesus.

– Fala “Mestre” ou “Senhor”, menina.

– Deixa que me chame com o meu Nome, Judas. Só passando por lábios inocentes é que não perde o som que tem sobre os lábios de minha mãe. Todos, nos séculos, dirão esse nome, mas uns por um interesse, outros por outro, e muitos para blasfemá-lo. Só os inocentes, sem malícia e sem ódio, o dirão com um amor igual ao desta menina e ao de minha mãe. Os pecadores também me chamarão, quando pedirem misericórdia. Mas minha mãe e os pequeninos! Por que me chamas Jesus? –pergunta, acariciando a pequenina.

– Porque eu te quero bem… como ao papai, à mamãe e aos meus irmãozinhos –diz ela, abraçando os joelhos de Jesus, e rindo com o rostinho erguido.

Jesus se inclina e a beija… e assim tudo termina.

EMF 77

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

O grupo apostólico dirige-se para Hebron. Judas está nervoso e zangado por não terem ido primeiro a Queriote, pois teria sido mais curto. Mas Jesus garante-lhe que cumpre sempre as suas promessas. Ele foi antes a Hebron porque Samuel, que tinha morrido, tinha sofrido muito por ele e nunca tinha traído a memória de Jesus quando era criança. Permaneceu fiel, mesmo sem saber que estava vivo, e este homem merece, por isso, ser honrado e receber a oração de Cristo.

O Iscariotes salienta depois que os pastores eram justos e santos e, no entanto, foram maltratados. Ana de Belém até morreu por causa disso... E assim conclui, aliás, que o amor que demonstramos a Jesus lhe traz má sorte. O Mestre impede João e Simão de intervir, dizendo que prefere que Judas diga sempre o que pensa. E responde que, mesmo que os pastores tivessem recebido muito, não seria justo que tivessem recebido um privilégio especial por terem recebido tal ou tal presente, incluindo o de estarem presentes na Natividade. Além disso, Simão afirma que não devemos pôr coisas terrenas onde há coisas celestes.

Judas ironiza então diretamente, lembrando que, tendo sido curado tão cedo, o Zelota recuperou todos os seus bens, pelo que não vive apenas da sua inteligência. Mas o amigo de Lázaro responde que lhe deu ordens específicas e que está livre de tudo para seguir Jesus.

Judas acaba por resmungar, porque se enganou mais uma vez, e João tenta consolá-lo, dizendo que ele é prático, mas que em breve mudará na presença de Jesus.

Jesus muda habilmente de conversa quando Judas continua a resmungar e dá instruções a Levi e Elias: eles conduzi-lo-ão a Jonas, e José ficará com o grupo até Jericó.

Finalmente, chegam a Hebron, perto da casa de Zacarias. Mas a casa está rodeada por um muro, que não existia antes. Um homem explica-lhes que um herodiano tomou posse da casa e que tinha uma prostituta com ele. Fala durante muito tempo de João - que ele vê como o Messias, apesar do diálogo entre Jesus e João - e o Mestre não insiste quando o homem é teimoso e acredita que tem a verdade.

A caminho da sinagoga, dão a volta à casa e encontram Aglaia. Jesus entra em casa de Zacarias e inicia uma conversa muito sincera com a cortesã. Ela inicia um caminho de redenção, mas, depois de o deixar, Jesus é rejeitado pela sinagoga. Não se deve falar com as prostitutas e, quando Judas lhe faz uma observação, uma vez que ele está fora da cidade, o Senhor declara que Aglaia o ultrapassará e que em breve chegará o tempo em que os pagãos adorarão o verdadeiro Deus, em vez do povo escolhido que deve receber o Messias.

No final, não pôde honrar os restos mortais de Samuel e Zacarias, mas diz-lhes que se alegrem, pois a primeira ressurreição está próxima.

EMF 77.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

77.1 – A que hora chegaremos? –pergunta Jesus, que caminha no centro do grupo, precedido pelas ovelhas que vão pastando a erva da beira do caminho.

– Por volta da hora terceira. São cerca de dez milhas –responde Elias.

– E depois iremos a Keriot? –pergunta Judas.

– Sim. Iremos lá.

– E não era mais rápido, se tivéssemos ido de Juta a Keriot? Não deve estar muito longe. Não é verdade, pastor?

– Duas milhas a mais, pouco mais, ou pouco menos.

– Assim vamos fazer mais de vinte milhas à toa.

– Judas, por que estás assim inquieto? –diz Jesus.

– Inquieto não, Mestre. Mas me tinhas prometido que irias à minha casa…

– E lá irei. Mantenho sempre as minhas promessas.

– Mandei avisar a minha mãe… e além disso, Tu o disseste: com nosso espírito podemos estar unidos aos mortos.

– Eu o disse. Mas Judas, reflete: tu, por Mim, ainda não sofreste. Estes são trinta anos que sofrem, e nunca traíram nem mesmo a lembrança de Mim. Nem mesmo a lembrança. Não sabiam se Eu estava vivo ou morto… contudo, permaneceram fiéis. Lembravam-se de Mim quando recém-nascido, quando menino que só sabia chorar e querer leite… no entanto, sempre me veneraram como Deus. Por minha causa, eles foram ofendidos, amaldiçoados, perseguidos como um opróbrio da Judéia, contudo a cada ofensa recebida, a sua fé não vacilava, não se extinguia, mas lançava raízes ainda mais profundas, tornando-se cada vez mais vigorosa.

77.2 – A propósito. Há alguns dias que eu estou com uma pergunta me queimando os lábios. Esses são amigos teus e de Deus, não é verdade? Os anjos os abençoaram com a paz do Céu, não foi? Eles permaneceram justos, contra todas as tentações, não é mesmo? Explica-me então, por que é que foram infelizes? E Ana? Foi morta por ter querido bem a Ti….

– Tu deduzes, por isso, que o meu amor e que amar a Mim traz infortúnio.

– Não… mas….

– Mas é assim. Lamento ver-te tão fechado para a Luz e tão preocupado com o que é humano. Não, deixa estar, João, e também tu, Simão. Prefiro que ele fale. Eu não censuro nunca. Só quero abertura de almas, para poder introduzir nelas a luz. Vem cá, Judas. Escuta. Tu partes de um juízo comum a muitos viventes e a muitos que viverão. Eu disse: juízo. Deveria dizer: erro. Mas, posto que o fazes sem malícia, por ignorância do que é a verdade, não é um erro, mas somente um juízo imperfeito, como o pode ser, aquele de um menino. E vós sois meninos, pobres homens! E Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom. Portanto, escutai. O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas. Agora, dizei-me, vós: Seria justo que alguém que teve o bem extraordinário de poder servir a Deus de uma maneira especial, possua também por toda esta vida um bem contínuo? Não vos parece que já recebeu muito, e que por isso pode dizer-se feliz, mesmo se nas coisas humanas não é feliz? Não seria injusto que aquele que já tem a luz da divina manifestação no coração e o sor­riso da consciência que o aprova, tenha também honras e bens ter­renos? E não seria até imprudente?

77.3 – Mestre, eu digo que seria até profanador. Por que colocar alegrias humanas onde Tu estás? Quando alguém tem a Ti — e estes te têm tido, eles, os únicos ricos em Israel, por terem tido a Ti há trinta anos — não deve ter nenhuma outra coisa. Não se coloca coisas humanas no Propiciatório… e o vaso consagrado só serve para os usos sagrados. Estes são consagrados, desde o dia em que viram o teu sorriso… e nada, não, nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.

Detalhe

O grupo apostólico caminha em direção a Hebron e Judas tem a impressão de que não vão para Kerioth. Lamenta que tenham ido a Hebron para rezar sobre os ossos do pastor Samuel e recorda a lição de Jesus em EMV 76.2 sobre os sufrágios dos mortos e a oração dos mortos, que pode ser feita em qualquer lugar. Pergunta então porque é que os pastores, que são amigos de Deus e receberam favores divinos, tiveram de sofrer tanto.

EMF 77.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

77.1 – A que hora chegaremos? –pergunta Jesus, que caminha no centro do grupo, precedido pelas ovelhas que vão pastando a erva da beira do caminho.

– Por volta da hora terceira. São cerca de dez milhas –responde Elias.

– E depois iremos a Keriot? –pergunta Judas.

– Sim. Iremos lá.

– E não era mais rápido, se tivéssemos ido de Juta a Keriot? Não deve estar muito longe. Não é verdade, pastor?

– Duas milhas a mais, pouco mais, ou pouco menos.

– Assim vamos fazer mais de vinte milhas à toa.

– Judas, por que estás assim inquieto? –diz Jesus.

– Inquieto não, Mestre. Mas me tinhas prometido que irias à minha casa…

– E lá irei. Mantenho sempre as minhas promessas.

– Mandei avisar a minha mãe…

EMF 77.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

77.1 – A que hora chegaremos? –pergunta Jesus, que caminha no centro do grupo, precedido pelas ovelhas que vão pastando a erva da beira do caminho.

– Por volta da hora terceira. São cerca de dez milhas –responde Elias.

– E depois iremos a Keriot? –pergunta Judas.

– Sim. Iremos lá.

– E não era mais rápido, se tivéssemos ido de Juta a Keriot? Não deve estar muito longe. Não é verdade, pastor?

– Duas milhas a mais, pouco mais, ou pouco menos.

– Assim vamos fazer mais de vinte milhas à toa.

– Judas, por que estás assim inquieto? –diz Jesus.

– Inquieto não, Mestre. Mas me tinhas prometido que irias à minha casa…

– E lá irei. Mantenho sempre as minhas promessas.

– Mandei avisar a minha mãe… e além disso, Tu o disseste: com nosso espírito podemos estar unidos aos mortos.

– Eu o disse. Mas Judas, reflete: tu, por Mim, ainda não sofreste. Estes são trinta anos que sofrem, e nunca traíram nem mesmo a lembrança de Mim. Nem mesmo a lembrança. Não sabiam se Eu estava vivo ou morto… contudo, permaneceram fiéis. Lembravam-se de Mim quando recém-nascido, quando menino que só sabia chorar e querer leite… no entanto, sempre me veneraram como Deus. Por minha causa, eles foram ofendidos, amaldiçoados, perseguidos como um opróbrio da Judéia, contudo a cada ofensa recebida, a sua fé não vacilava, não se extinguia, mas lançava raízes ainda mais profundas, tornando-se cada vez mais vigorosa.

77.2 – A propósito. Há alguns dias que eu estou com uma pergunta me queimando os lábios. Esses são amigos teus e de Deus, não é verdade? Os anjos os abençoaram com a paz do Céu, não foi? Eles permaneceram justos, contra todas as tentações, não é mesmo? Explica-me então, por que é que foram infelizes? E Ana? Foi morta por ter querido bem a Ti….

– Tu deduzes, por isso, que o meu amor e que amar a Mim traz infortúnio.

– Não… mas….

– Mas é assim. Lamento ver-te tão fechado para a Luz e tão preocupado com o que é humano. Não, deixa estar, João, e também tu, Simão. Prefiro que ele fale. Eu não censuro nunca. Só quero abertura de almas, para poder introduzir nelas a luz. Vem cá, Judas. Escuta. Tu partes de um juízo comum a muitos viventes e a muitos que viverão. Eu disse: juízo. Deveria dizer: erro. Mas, posto que o fazes sem malícia, por ignorância do que é a verdade, não é um erro, mas somente um juízo imperfeito, como o pode ser, aquele de um menino. E vós sois meninos, pobres homens! E Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom. Portanto, escutai. O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas. Agora, dizei-me, vós: Seria justo que alguém que teve o bem extraordinário de poder servir a Deus de uma maneira especial, possua também por toda esta vida um bem contínuo? Não vos parece que já recebeu muito, e que por isso pode dizer-se feliz, mesmo se nas coisas humanas não é feliz? Não seria injusto que aquele que já tem a luz da divina manifestação no coração e o sor­riso da consciência que o aprova, tenha também honras e bens ter­renos? E não seria até imprudente?

77.3 – Mestre, eu digo que seria até profanador. Por que colocar alegrias humanas onde Tu estás? Quando alguém tem a Ti — e estes te têm tido, eles, os únicos ricos em Israel, por terem tido a Ti há trinta anos — não deve ter nenhuma outra coisa. Não se coloca coisas humanas no Propiciatório… e o vaso consagrado só serve para os usos sagrados. Estes são consagrados, desde o dia em que viram o teu sorriso… e nada, não, nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.

– Porém tu, bem que te apressaste em tomar posse dos teus bens, depois de teres visto o Mestre e teres sido curado –responde ironicamente Judas.

– É verdade. Eu disse e fiz isso. Mas sabes por que? Como é que podes julgar, se não sabes tudo? O meu agente recebeu ordens claras. Agora que Simão, o Zelote, está curado — e os seus inimigos não podem mais prejudicá-lo segregando-o, nem persegui-lo, porque ele agora é somente de Cristo, e não de nenhuma seita: ele tem Jesus, e basta — pode dispor de seus haveres, que um homem fiel e honesto lhe conservou. E eu, dono deles ainda por uma hora, dei ordens que fossem reformados para receber mais dinheiro na venda, e poder dizer… não, isto eu não digo.

– Os anjos o dizem por ti, Simão, e o escrevem no livro eterno –diz Jesus.

Simão olha para Jesus. E os dois olhares se encontram, um admirado, o outro abençoante.

– Como sempre, eu não tenho razão.

– Não, Judas. Tu tens o senso prático. Tu mesmo o dizes.

– Oh! Mas com Jesus!… Também Simão Pedro estava apegado ao senso prático, e agora ao invés!… Tu também, Judas, te tornarás como ele. Faz pouco tempo que estás com o Mestre, nós há mais tempo, e já melhoramos –diz João, sempre afável e conciliador.

– Ele não me quis. De outra forma, eu já estaria sendo seu desde a Páscoa.

Judas está mesmo nervoso hoje. Jesus corta o assunto, dizendo a Levi:

– Tu já estiveste na Galiléia?

– Sim Senhor.

– Tu irás Comigo para conduzir-me à Jonas. Tu o conheces?

– Sim. Na Páscoa sempre nos víamos. Eu ia à casa dele.

José inclina a cabeça, mortificado. Jesus vê:

– Juntos não podeis ir. O Elias ficaria sozinho com as ovelhas. Mas tu irás Comigo até o passo de Jericó, onde nos separaremos por algum tempo. Depois te direi o que terás que fazer.

– E para nós, nada mais?

– Vós também, Judas, vós também.

Detalhe

O grupo apostólico caminha em direção a Hebron e Judas tem a impressão de que não vão para Kerioth. Lamenta que tenham ido a Hebron para rezar sobre os ossos do pastor Samuel e recorda a lição de Jesus em EMV 76.2 sobre os sufrágios dos mortos e a oração dos mortos, que pode ser feita em qualquer lugar. Pergunta então porque é que os pastores, que são amigos de Deus e receberam favores divinos, tiveram de sofrer tanto.

EMF 77.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A propósito. Há alguns dias que eu estou com uma pergunta me queimando os lábios. Esses são amigos teus e de Deus, não é verdade? Os anjos os abençoaram com a paz do Céu, não foi? Eles permaneceram justos, contra todas as tentações, não é mesmo? Explica-me então, por que é que foram infelizes? E Ana? Foi morta por ter querido bem a Ti….

– Tu deduzes, por isso, que o meu amor e que amar a Mim traz infortúnio.

– Não… mas….

– Mas é assim. Lamento ver-te tão fechado para a Luz e tão preocupado com o que é humano. Não, deixa estar, João, e também tu, Simão. Prefiro que ele fale. Eu não censuro nunca. Só quero abertura de almas, para poder introduzir nelas a luz. Vem cá, Judas. Escuta. Tu partes de um juízo comum a muitos viventes e a muitos que viverão. Eu disse: juízo. Deveria dizer: erro. Mas, posto que o fazes sem malícia, por ignorância do que é a verdade, não é um erro, mas somente um juízo imperfeito, como o pode ser, aquele de um menino. E vós sois meninos, pobres homens! E Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom. Portanto, escutai. O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas. Agora, dizei-me, vós: Seria justo que alguém que teve o bem extraordinário de poder servir a Deus de uma maneira especial, possua também por toda esta vida um bem contínuo? Não vos parece que já recebeu muito, e que por isso pode dizer-se feliz, mesmo se nas coisas humanas não é feliz? Não seria injusto que aquele que já tem a luz da divina manifestação no coração e o sor­riso da consciência que o aprova, tenha também honras e bens ter­renos? E não seria até imprudente?

77.3 – Mestre, eu digo que seria até profanador. Por que colocar alegrias humanas onde Tu estás? Quando alguém tem a Ti — e estes te têm tido, eles, os únicos ricos em Israel, por terem tido a Ti há trinta anos — não deve ter nenhuma outra coisa. Não se coloca coisas humanas no Propiciatório… e o vaso consagrado só serve para os usos sagrados. Estes são consagrados, desde o dia em que viram o teu sorriso… e nada, não, nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.

– Porém tu, bem que te apressaste em tomar posse dos teus bens, depois de teres visto o Mestre e teres sido curado –responde ironicamente Judas.

– É verdade. Eu disse e fiz isso. Mas sabes por que? Como é que podes julgar, se não sabes tudo? O meu agente recebeu ordens claras. Agora que Simão, o Zelote, está curado — e os seus inimigos não podem mais prejudicá-lo segregando-o, nem persegui-lo, porque ele agora é somente de Cristo, e não de nenhuma seita: ele tem Jesus, e basta — pode dispor de seus haveres, que um homem fiel e honesto lhe conservou. E eu, dono deles ainda por uma hora, dei ordens que fossem reformados para receber mais dinheiro na venda, e poder dizer… não, isto eu não digo.

– Os anjos o dizem por ti, Simão, e o escrevem no livro eterno –diz Jesus.

Simão olha para Jesus. E os dois olhares se encontram, um admirado, o outro abençoante.

Detalhe

Contexto: Judas faz uma pergunta a Cristo sobre os pastores. Jesus responde-lhe e dá uma lição aos apóstolos: Simão junta-se à conversa.

Nota: O homem de negócios mencionado por Simão, o Zelota, é certamente Lázaro (ver EMV 84,4-5), que vive muito perto de Simão. Se o apóstolo também recuperou os seus bens, foi para os dar ao seu criado idoso, José de Betânia (ver também EMV 84,4-5).