EMF 196.4 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Um pai e uma mãe, sadia e santamente tais, não dão somente alimento e carícias à carne de seu filho, mas também alimento e amor à mente e ao espírito dele.
Notas do tema
Conforto de leitura
EMF 196.4 · Volume 3
Um pai e uma mãe, sadia e santamente tais, não dão somente alimento e carícias à carne de seu filho, mas também alimento e amor à mente e ao espírito dele.
EMF 196.5
Tradução em curso
EMF 196.7-8 · Volume 3
– Mas não seria mais bonito continuar a lição do Mestre, em vez de ficarmos parecendo uns cabritos irritados? –pergunta o pacífico Tomé.
– É verdade, Mestre. Continua a falar-nos de tua mãe. É tão cheia de luz a sua infância. Ela nos torna a alma virgem por reflexo e eu, um pobre pecador, tenho tanta necessidade disso! –exclama Mateus.
– Que é que Eu vos devo dizer? Há tantos episódios, um mais doce do que o outro…
– Ela os contou?
– Alguns. Mas muitos mais José: foi a mais bela narração feita a Mim quando criança, e também Alfeu de Sara, que era pouco mais velho que minha mãe e foi amigo dela nos breves anos em que ela esteve em Nazaré.
– Oh! Então, conta… –suplica-lhe João.
Todos se põem ao redor dele, sentados à sombra das oliveiras, com Jabé no centro, olhando fixamente para Jesus, como se estivesse ouvindo uma paradisíaca lenda.
– Eu vos falarei da lição de castidade que deu minha mãe, poucos dias antes de ir para o Templo, ao seu pequeno amigo e a muitos outros.
Havia-se casado naquele dia uma moça de Nazaré, parente de Sara, e Joaquim e Ana também tinham sido convidados para a festa das núpcias.Com eles foi a pequena Maria que, junto com outras crianças, tinha o encargo de jogar pétalas desfolhadas sobre caminho da esposa. Dizem que era belíssima de pequena, e todos a disputavam, depois da festiva entrada da noiva. Era muito difícil ver Maria, porque ela vivia sempre em casa, pois gostava muito de uma pequena gruta que dizia ser a “dos seus esponsais”, mais do que qualquer outro lugar. Por isso, quando era vista — loura, rosada e graciosa —, era cumulada de carícias. Chamavam-na de “A Flor de Nazaré”, ou então “A Pérola da Galileia”, ou ainda “A Paz de Deus”, lembrando o enorme arco-íris, que se tinha formado, de repente, ao primeiro vagido dela. E ela era, de fato, tudo o que diziam e mais ainda. É a Flor do Céu e da Criação, é a Pérola do Paraíso, e a Paz de Deus… Sim, a Paz. Eu sou o Pacífico, porque sou Filho do Pai e filho de Maria: A Paz Infinita e a Paz Suave.
Naquele dia todos a queriam beijar e tomar no colo. E ela, esquivando-se aos beijos e aos contatos, disse com uma delicada gravidade: “Eu vos peço: Não me amarroteis.” Eles pensaram que Ela estava falando de sua veste de linho, cingida à cintura com uma faixa azul, e também nos pequenos pulsos, no pescoço, ou então da pequena grinalda com florzinhas azuis com que Ana a tinha coroado, para conservar em seu lugar os cachinhos do cabelo.
E, assim pensando, eles lhe garantiram que não amarrotariam nem a veste nem a grinalda.
Mas ela, segura, como uma pequena mulher de três anos, de pé, no meio de um círculo de adultos, disse-lhes séria: “Não estou pensando no que se repara. Estou falando da minha alma. Ela é de Deus. E não quer ser tocada, a não ser por Deus.” Então lhe disseram: “Nós beijamos a ti, não a tua alma.” E Ela: “O meu corpo é templo da alma, e o sacerdote nele é o espírito. O povo não é admitido no recinto sacerdotal. Eu vo-lo peço. Não entreis no recinto de Deus.”
Alfeu, que já tinha então mais de oito anos, e que a amava muito, encontrando-a perto da pequena gruta, ocupada em apanhar flores, lhe perguntou: “Maria, quando fores mulher, não me quererias como esposo?” Nele ainda estava viva a lembrança da festa de núpcias à qual estivera presente. E ela: “Eu te amo muito. Mas, não olho para ti como para um homem. Vou dizer-te um segredo. Eu só vejo a alma dos vivos. Aquela eu amo de todo o coração. Mas, nada mais eu vejo senão Deus, como ‘Verdadeiro Vivente’ ao qual poderei entregar-me a mim mesma.”
Aí está um episódio.
– “Verdadeiro Vivente!” Sabes que esta é uma palavra profunda!
–exclama Bartolomeu.
E Jesus, com humildade e com um sorriso:
– Ela era a mãe da Sabedoria.
– Era?… Mas não estava só com três anos?
– Era. Desde a sua concepção, eu já vivia nela, sendo eu Deus[4] , em sua Unidade e Trindade perfeitíssima.
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– Mas, desculpa-me se eu, um culpado, ouso falar: então Joaquim e Ana sabiam que Ela era a virgem escolhida? –pergunta Judas Iscariotes.
– Eles não sabiam.
– E então, como é que Joaquim pôde dizer que Deus a tinha salvado com antecipação? Isto não se refere ao privilegio dela quanto à culpa?
– Refere-se. Mas Joaquim falava pela boca de Deus, como todos os profetas. Ele também não compreendeu a sublime verdade sobrenatural, que o espírito punha em seus lábios. Porque Joaquim era um justo. A ponto de merecer aquela paternidade. E era um homem humilde. Pois não há justiça onde existe soberba. Ele era justo e humilde. Consolou a filha por seu amor de pai. Instruiu-a pela sabedoria de sacerdote, pois ele o era, na qualidade de tutor da Arca de Deus. Ele a consagrou como Pontífice, com o mais honroso dos títulos: “A sem Mancha.” Dia virá em que um outro já encanecido sacerdote dirá ao mundo: “Ela é a concebida sem pecado”, e entregará ao mundo dos crentes esta verdade, como um artigo de fé incontestável, para que no mundo que virá, um mundo que se irá afundando sempre mais numa situação cinzenta e nebulosa, de heresias e de vícios, possa brilhar, plenamente conhecida, a Toda Bela de Deus, coroada de estrelas, vestida com a luz da Lua, que é menos pura que a Dela, apoiada sobre os astros, Rainha de todo Criado e do Incriado. Porque Deus-Rei tem Maria por Rainha, no seu Reino.
– Então, Joaquim era um profeta?
– Era um justo. Sua alma disse como um eco, aquilo que Deus dizia à sua alma amada por Deus.
Mateus pede a Jesus que fale da sua Mãe.
Vou falar-vos da lição de castidade que a minha Mãe deu, alguns dias antes de entrar no Templo, ao seu namorado e a muitos outros. Provavelmente Alphée de Sara.
Eu era Deus nela, desde o momento da sua conceção, na sua Unidade e na sua Trindade perfeitíssima. Deus nela: Maria Valtorta anota numa cópia dactilografada: Maria, santuário perpétuo e puríssimo no qual o Deus uno e trino fez a sua perpétua morada, nunca foi separada da Sabedoria: o Verbo de Deus estava sempre nela, verdadeira Arca que transporta o Verbo eterno, e nenhuma criatura conhecia tão bem como ela este Verbo que é a Sabedoria divina, que devia encarnar nela, e que devia ainda e sempre permanecer nela.
O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado por Pio IX a 8 de dezembro de 1854 na bula Ineffabilis Deus. Este dogma foi objeto de controvérsia durante séculos e foi uma das razões da oposição feroz da teologia estabelecida a Maria de Ágreda, que exprimiu esta revelação nas suas visões.
(...) A Toda Bela de Deus, coroada de estrelas, vestida com os raios da lua menos pura que ela, e sustentada pelas estrelas, a Rainha do criado e do incriado; porque no seu Reino, Deus Rei tem Maria como sua Rainha. Cf. Apocalipse 12, 1-2.
Livro do Apocalipse 12, 1-2
Ap 12, 1-2: "Apareceu um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Ela estava grávida e gritava com dores de parto e dores de parto".
EMF 196.7 · Volume 3
[Maria] é a Flor do Céu e da Criação, é a Pérola do Paraíso, e a Paz de Deus… Sim, a Paz. Eu sou o Pacífico, porque sou Filho do Pai e filho de Maria: A Paz Infinita e a Paz Suave.
EMF 197.5 · Volume 3
A manhã inicia o dia. E é bom que o homem bendiga ao Senhor, para ser abençoado durante o dia, em todos os seus trabalhos. Mas a tarde é ainda mais solene. A luz diminui, cessa o trabalho, a noite vem chegando. A luz que diminui faz lembrar a queda no mal e de fato as ações pecaminosas realizam-se quase sempre de noite. E porque? Porque o homem, não estando mais ocupado com o trabalho, mais facilmente se deixa rodear pelo Maligno com seus chamarizes e pesadelos. Por isso, é bom, depois de termos dado graças a Deus, por ter-nos protegido durante o dia, que lhe supliquemos para que se afastem de nós os fantasmas da noite e as tentações. A noite, o sono… símbolo da morte. Mas, felizes daqueles que, tendo vivido com a bênção do Senhor, adormecem, não nas trevas, mas em uma luminosa aurora.
EMF 198.1 · Volume 3
Através da sombreada estrada, que liga o Monte das Oliveiras a Betânia, — e eu poderia dizer que o monte chega com suas ramificações verdes até às campinas de Betânia — Jesus com os seus vai caminhando solícito, para a cidade de Lázaro. Ele ainda não entrou, mas já está sendo reconhecido, e os estafetas voluntários vão correndo por todos os lados, a fim de darem notícia de sua chegada. Por causa deles, eis que, por um lado, vão-se pondo em movimento Lázaro com Maximino, Isaac com Timoneo e José do outro; em terceiro lugar vem vindo Marta com Marcela e esta levanta seu véu para curvar-se e beijar a veste de Jesus e logo depois vão chegando Maria de Alfeu com Maria Salomé, que prestam sua veneração ao Mestre e depois abraçam seus filhos e, enquanto o pobre Jabé sempre levado pela mão de Jesus, agitado por todos estes que chegam de todos os lados, observa espantado e João de Endor, sentindo-se um estranho, vai para trás do grupo e fica separado, eis que vem se aproximando pelo caminho que conduz à casa de Simão, a mãe.
Jesus abandona a mão de Jabé e, delicadamente, vai deixando para trás os amigos, apressando-se em ir ao encontro dela. As conhecidas palavras rasgam os ares, e ressoam, como um solo de amor, pelo meio do murmúrio da multidão: “Filho!”; “Mamãe!” E se beijam, mas no beijo de Maria vê-se a ânsia de quem ficou temendo por muito tempo e agora — desfazendo-se o terror que a infernizou —, sente o cansaço pelo esforço feito, mede em toda a sua extensão o perigo em que incorreu…
Jesus a acaricia, Ele que compreende e diz:
– Além do meu anjo, Eu tinha o teu, mãe, a velar sobre Mim. Assim, nada de mal me podia acontecer.
EMF 199.7 · Volume 3
A inocência fala… porque ela vê pelos olhos do seu anjo.
Sobre as crianças.
EMF 200.4 · Volume 3
– Terei eu a força de destruir minha carne culpada?
– Na solidão em que vais estar e onde satanás te assaltará com a violência do seu ódio, quanto mais tu fores sendo dos Céus, mas encontrarás um meu apóstolo, que foi pecador e depois foi redimido.
– Esse, então, não será aquele bendito, que me falava de Ti? Ele é muito honesto para ter sido pecador.
– Não é aquele. É um outro. Ele te encontrará na hora certa. E te dirá tudo o que ainda não podes saber. Vai em paz. A bênção de Deus esteja sobre ti.
Aglaé isola-se do resto do mundo e questiona Cristo.
Encontrareis um dos meus apóstolos que foi pecador e depois redimido. Provavelmente Mateus.
Então esse não é o apóstolo abençoado que me estava a falar de si? Andrew.
EMF 203.5 · Volume 3
Não é preciso nada mais, meus amigos. Nestas palavras está contido como num anel de ouro tudo quanto é necessário ao homem para o espírito, a carne e o sangue. Com isto pedis o que é útil para aquele e para estes. E, se fizerdes o que pedis, conseguireis a vida eterna.
Sobre a oração do Pai Nosso.
EMF 203.6 · Volume 3
“Pai nosso.”
Eu o chamo “Pai.” Pai, Ele é do Verbo, Pai é do Encarnado. Assim quero que o chameis, porque vós sois Um comigo, se permanecerdes em Mim. Houve um tempo em que o homem devia jogar-se de rosto no chão, para suspirar, por entre temores de espanto: “Deus!” Quem não crê em Mim e em minha palavra, ainda está neste temor paralisante… Observai no Templo. Não Deus, mas até a lembrança de Deus está escondida aos olhos dos fiéis, atrás de um tríplice véu. Separações por distância, separações por véus, tudo foi usado e aplicado para dizer a quem reza: “Tu és barro. Ele é Luz. Tu és abjecto. Ele é Santo. Tu és escravo. Ele é Rei.”
Mas agora!… Levantai-vos! Aproximai-vos! Eu sou o Sacerdote Eterno. Eu posso tomar-vos pela mão e dizer: “Vinde.” Eu posso agarrar os véus da tenda e abri-las, escancarando as portas do lugar inacessível, e até agora fechado. Fechado? Por quê? Fechado pela culpa, sim. Mas, mais fechado ainda pelo pensamento aviltado dos homens. Por que fechado, se Deus é Amor, se Deus é Pai? Eu posso, Eu devo, Eu quero levar-vos não para o pó, mas para o azul; não para longe, mas para perto; não em vestes de escravos, mas de filhos, sobre o coração de Deus. “Pai! Pai”, vós dizeis. E não vos canseis de dizer esta palavra. Não sabeis que, cada vez que a dizeis, o Céu cintila pela alegria de Deus? Não diríeis que nesta oração, feita com verdadeiro amor, já teríeis feito a oração agradável ao Senhor? “Pai! Meu Pai! dizem os pequenos a seu pai. É a palavra que aprendem a dizer primeiro: “Mãe, pai.” Vós sois os pequeninos de Deus. Eu vos gerei do velho homem que éreis e que Eu destruí com meu amor, para fazer nascer o homem novo, o cristão. Chamai, pois, com a primeira palavra que os pequeninos conhecem e falam, ao Pai Altíssimo, que está nos Céus.