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Notas do tema

A Igreja Católica

Página 2 de 274

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EMF 4.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Pela alegria de ter uma mãe, eis que murmuro misteriosamente a Palavra na sombra do Templo que continha as esperanças de Israel. Templo agora no limiar da sua vida, porque o novo e verdadeiro Templo não contém mais as esperanças de um povo, mas a certeza de um Paraíso para o povo de toda a terra, por todos os séculos até o fim do mundo.

Detalhe

Num ditado, Jesus fala do nascimento próximo da sua Mãe e detém-se no Templo de Jerusalém.

EMF 4.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

4.6 Tu vistes a geração contínua das almas de Deus. Agora imagines qual deva ser a beleza desta alma que o Pai almejou antes que o tempo existisse, desta alma que constituía as delícias da Trindade, que ardia por enfeitá-la com as suas dádivas para lhe fazer um dom a Si mesma. Ó toda santa, que Deus criou para Si e depois para refúgio dos homens! Portadora do Salvador, tu fostes a primeira salvação. Paraíso Vivente, com teu sorriso, começastes a santificar a terra.

A alma criada para ser a alma da mãe de Deus! Quando, de uma mais viva palpitação do Trino Amor, brotou esta centelha vital, jubilaram os anjos, porque o Paraíso nunca viu luz mais viva. Como pétala de uma empírea rosa, uma pétala imaterial e preciosa que era jóia e chama, que era o hálito de Deus que descia para animar uma carne diferentemente das outras, que descia com fogo tão potente que a Culpa não pode contaminá-la, atravessando os espaços e encerrando-se num seio santo.

Detalhe

Esta passagem mostra que Maria foi efetivamente criada num determinado momento, há 2000 anos (não foi criada desde toda a eternidade, embora esteja eternamente na mente de Deus).

Anotação

Viste a geração contínua de almas por Deus. Na visão de 25 de maio de 1944. Ver os Cadernos de 1944.

Como uma pétala de uma rosa celeste, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que desceu para animar a carne de uma forma muito diferente das outras carnes. Na edição antiga, está escrito: Como uma pétala de rosa celestial, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que era o sopro de Deus, que desceu para animar a carne de uma maneira diferente da dos outros. Sobre a parte "Sopro de Deus" (alito di Dio). A expressão foi corrigida por Maria Valtorta numa cópia dactilografada. Inicialmente, ela tinha escrito "Parte de Deus" (parte di Dio).

EMF 4.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Considera apenas como o trazer no ventre uma criatura isenta da mácula da ausência de Deus, dá à mãe uma inteligência superior e a transforma em um profeta, mesmo tendo esta mãe concebido natural e humanamente. O profeta da sua filha, que a chama: “Filha de Deus.” Imagina o que seria se pais inocentes concebessem filhos inocentes, assim como Deus gostaria.

Ó homens, que vos dizeis semelhantes ao “super-homem”, mas com os vossos vícios vos assemelhais unicamente ao “super-demônio”, neste exemplo teríeis encontrado o meio de chegardes ao “super-homem.” Saber permanecer sem a contaminação de satanás para deixar a Deus a administração da vida, do conhecimento, do bem, não desejando mais do que isto, que é pouco menos que o infinito. Deus vos teria dado poder de gerar em uma contínua evolução até a perfeição, filhos que fossem homens no corpo e filhos da Inteligência no espírito, ou seja triunfadores, fortes, gigantes contra satanás, que seria derrubado muitos milhares de séculos antes da hora em que o será, junto a todo o seu mal.

Detalhe

Jesus fala de Ana que carrega Maria no seu ventre.

EMF 5.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

5.3 Apressam-se [Ana e Joaquim] e porque as nuvens, impelidas por um vento forte galopam e crescem pelo céu, e a planície torna-se escura e estremece por um aviso de temporal. Quando alcançam à soleira da casa, um primeiro relâmpago lívido sulca o céu e o barulho do primeiro trovão parece o rufar de um enorme tambor que se mistura ao harpejo dos primeiros pingos sobre as folhas secas.

Entram todos e Ana se retira, enquanto Joaquim, alcançado pelos criados, fala, da porta, desta longa espera pela água, que é uma bênção para a terra sedenta. Mas a alegria se transforma em temor, porque vem um temporal violentíssimo com raios e nuvens carregadas de granizo.

– Se a nuvem rompe, a uva e as oliveiras serão esmagadas como pela moenda. Pobres de nós!

(...) Vem a noite, antecipada pela fúria tempestuosa que é violentíssima. Agua torrencial, vento, raios, ali tem de tudo, menos o granizo, que foi cair em outra parte.

Um dos criados percebe a violência e diz:

– Parece que satanás saiu do inferno com seus demônios. Olha que nuvens negras! Sente que cheiro de enxôfre no ar, assobios, sibilos, vozes de lamento e maldição. Se é ele, está furioso esta noite!

O outro criado ri e diz:

– Fugiu-lhe uma grande presa, ou Miguel o espancou com uma nova faísca de Deus, e ele ficou com o chifre e o rabo cortado e queimado.

Passa correndo uma mulher e grita:

– Joaquim! Está para nascer! E foi tudo rápido e feliz!

E desaparece com uma pequena ânfora entre as mãos.

5.4 O temporal pára de improvisio depois de um último raio tão violento que arremessa contra as paredes os três homens; e na frente da casa, no chão do horto-jardim, fica como lembrança um buraco preto e fumegante. Ao mesmo tempo um gemido vem de lá da porta de Ana, gemido que parece o lamento de uma rolinha que pela primeira vez não pia, mas arrulha. Um enorme arco-íris estende a sua listra em semicírculo sobre toda a amplidão do céu. Surge, ou pelo menos parece surgir, do cume do Hermon que beijado por uma lama de sol, parece de alabastro de um branco-rosado delicadíssimo. Este arco-íris levanta-se até o mais claro céu de setembro, e, atravessando por espaços limpos de toda impureza, sobrevoa as colinas da Galiléia e a planície que aparece, entre duas árvores de figo, ao sul e depois ainda um outro monte, indo pousar a sua ponta final no extremo horizonte, lá onde uma áspera cadeia de montanhas fecha qualquer outro panorama.

– Nunca vi isso!

– Olhai, olhai!

– Parece que toda a terra de Israel esteja ligada em um círculo, mas olhai, ali já há uma estrela, enquanto que o sol ainda não desapareceu. Que estrela! Brilha como um enorme diamante!…

– A lua é toda plena, enquanto que ainda faltam três dias para a lua cheia. Mas olhai como resplandece!

– Parece que toda a terra de Israel esteja ligada em um círculo, mas olhai, ali já há uma estrela, enquanto que o sol ainda não desapareceu. Que estrela! Brilha como um enorme diamante!…

– A lua é toda plena, enquanto que ainda faltam três dias para a lua cheia. Mas olhai como resplandece!

Detalhe

A seca atingiu duramente a região. Agora, uma tempestade está a aproximar-se de Nazaré.

Anotação

Um dos criados apercebeu-se desta violência. É José, o futuro marido de Maria. Cf. EMV 577.7.

Satanás parece ter saído da Geena com os seus demónios. Geena, do hebraico Gehinnon ou Vale de Hinom, situado ao sul de Jerusalém, perto da Porta dos Oleiros. Um lugar de mau cheiro e decadência. Para os judeus, o vale de Gehinnon era o emblema do inferno.

"Uma grande presa terá escapado dele, ou Miguel tê-lo-á atingido com um novo raio de Deus, e os seus chifres e a sua cauda terão sido cortados e queimados". Esta alusão ao Arcanjo Miguel que derruba Lúcifer é retomada de uma tradição rabínica imemorial. Exemplo: "Quanto a Miguel, Gabriel, Rafael e Fanuel, eles serão confirmados naquele dia; e eles serão responsáveis por lançar todos os anjos rebeldes na fornalha" (Livro de Enoque, capítulo 53, nº 6). Esta tradição é mencionada em Judas 1,9 a propósito da Ascensão de Moisés (um apócrifo) e sobretudo em Apocalipse 12,7-13.

EMF 5.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

As mulheres chegam repentinamente, alegres com um embrulhozinho rosado entre tecidos alvos.

É Maria, a mãe! Uma Maria pequenina que poderia dormir entre o círculo de braços de um menino, uma Maria comprida tanto quanto um braço, uma cabecinha de marfim tingido de um rosa tênue, com a boquinha de carmim, que já não chora mais, mas faz o instintivo ato de sugar, tão pequena que não se sabe como fará para pegar um mamilo, um narizinho diminuto entre duas pequenas faces arredondadas e ao tocá-lo abrem-se os olhinhos, dois pedacinhos do céu, dois pontinhos inocentes e azuis que olham, mas não vêem, entre cílios delicados, de um loiro tão intenso que é quase róseo. Também os cabelinhos sobre a cabecinha arredondada são a cor loiro-rosado de algumas qualidades de mel quase branco.

No lugar de orelhas, duas conchinhas rosadas e transparentes, perfeitas. E por mãozinhas… o que são aquelas duas coisinhas que agitam-se no ar e depois vão à boca? Fechadas como agora, dois botões de rosa musgo que separam o verde das sépalas e lhes estende a seda de um tênue rosa; abertas como agora, duas pequenas jóias de marfim de alabastro ligeiramente rosado, com cinco romãs pálidas no lugar das unhazinhas. Como farão aquelas mãozinhas para enxugar tanto choro?

E os pezinhos? Onde estão? Por enquanto são só um espernear escondido entre os linhos. Mas eis que a parente senta-se e a descobre… Oh! Os pezinhos! Compridos uns quatro centímetros, têm por planta, uma concha coralina, como dorso uma concha de um branco neve com veiazinhas azuis, têm por dedinhos as obras-primas de escultura liliputiana, são também coroados por pequenos fragmentos de pálida romã. Mas como se encontrarão sandalinhas tão pequenas para poder estar naqueles pezinhos, quando tais pezinhos de boneca derem os primeiros passos? E como estes mesmos pezinhos farão tão áspero caminho e sustentarão tanta dor, debaixo de uma cruz?

Mas agora isto não se sabe, e se ri e sorri do seu debater-se e espernear, das perninhas bonitas torneadas, das coxas pequenas que fazem covinhas e dobrinhas de tanto que são gorduchas, da barriguinha, uma taça emborcada do pequeno tórax perfeito sob cuja seda cândida se vê o movimento da respiração que certamente se ouve. O pai feliz escuta seu peitinho agora, e o beija ao ouvir bater um coraçãozinho… Um coraçãozinho que é o mais bonito que a terra teve nos séculos dos séculos, o único coração humano imaculado.

E as costas? Eis que a viram, e se vê a forma dos rins e depois os ombros gorduchos e a nuca rosada tão forte que a cabecinha se ergue sobre o arco das pequenas vértebras, parecendo a cabecinha de um pássaro que perscruta ao redor o mundo novo e tem um gritinho de protesto por ser assim mostrada, ela, a pura e casta, aos olhos de tantos, ela que homem nenhum a verá nua, a toda virgem, a santa e imaculada. Cobri, cobri este botão de flor-de-lis que nunca se abrirá sobre a terra e que dará, ainda mais bonita que ela, a sua flor, sempre permanecendo botão. Só nos Céus o Lírio do Trino Senhor abrirá todas as suas pétalas. Porque no céu não há poeira de culpa que possa involuntariamente profanar aquele candor. Porque lá em cima deve ser acolhido, à vista de todo o Empíreo, o Deus Trinitário que agora ocultado em um coração sem mácula, entre poucos anos estará nela: Pai, Filho, Esposo.

Eis ali de novo entre os linhos e entre os braços do pai terreno, com quem ela se assemelha. Não agora. Agora é um esboço de homem. Eu digo que se lhe assemelhará quando mulher. Da mãe não tem nada. Do pai, a cor da pele, dos olhos e certamente dos cabelos que, se agora são brancos, na juventude eram certamente loiros como o dizem as sobrancelhas. Do pai, as feições, feitas mais perfeitas e gentis por ser ela mulher, a mulher. Do pai o sorriso, o olhar, o modo de mexer-se e a estatura. Pensando em Jesus, como o vejo, acho que Ana deu a sua estatura ao Neto e a cor marfim mais carregada da pele. Enquanto que Maria não tem aquela imponência de Ana, um palmo mais alta e flexível, mas tem a gentileza do pai.

Detalhe

Descrição de Maria que acaba de nascer.

EMF 5.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– É a Estrela –diz [Ana]–. O seu sinal está no céu. Maria, arco de paz! Maria, minha estrela! Maria, lua pura! Maria, nossa pérola!

– Chama-se Maria?

– Sim. Maria, estrela, pérola, luz e paz…

– Mas também quer dizer amargura… Não temes trazer-lhe desventura?

– Deus está com ela. Já era Dele antes de ser. Ele a conduzirá pelos seus caminhos e toda amargura se transformará em um paradisíaco mel. Agora sejas da tua mãe… ainda por um pouco, antes de seres toda de Deus…

Detalhe

A escolha do nome próprio de Marie. Aqui é Anne, a mãe, que está a falar.

EMF 5.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– Surge e apressa-te pequena amiga. Tenho um desejo ardente de te levar Comigo para o azul paradisíaco da contemplação da Virgindade de Maria. Sairás com a alma jovem como se tu também fosses criada há pouco pelo Pai, uma pequena Eva que ainda não conhece a carne. Sairás com o espírito repleto de luz, porque tu mergulharás, na contemplação da obra-prima de Deus. Sairás com todo o teu ser saturado de amor, porque compreenderás como Deus sabe amar. Falar da concepção de Maria, a sem mácula, quer dizer mergulhar-se no azul, na luz, no amor.

Anotação

Levanta-te depressa, minha pequena amiga. Este desafio de Jesus a Maria Valtorta soa como o Cântico dos Cânticos 2,10: Levanta-te, minha amiga, minha bela, e vem...

EMF 5.8-9.11-12

O Evangelho como me foi revelado

Citação

5.8 Vem e lê as suas glórias no Livro do Avo: “Deus me possuiu no início de suas obras, desde o princípio, antes da criação. “Ab aeterno” fui predeterminada no princípio. Antes que fosse feita a terra, ainda não existiam os abismos e eu já era concebida. Nem as nascentes das águas transbordavam, nem os montes tinham-se erguido em suas grandes dimensões, nem as colinas eram cadeias montanhosas ao sol, e eu já tinha sido gerada. Deus ainda não tinha feito a terra, os rios, e as bases do mundo, e eu era. Quando preparava os céus eu estava presente, quando com lei imutável fechou sob a orla celeste o abismo, quando tornou estável no alto a abóbada celeste e suspendeu as fontes das águas, quando fixava ao mar os seus confins e dava leis às águas de não passar os seus limites, quando assentava os fundamentos da terra, eu estava com Ele a dispor todas as coisas. Sempre na alegria brincava diante Dele continuamente, brincava no universo…”. Aplicaram estas palavras à Sabedoria, mas na realidade elas falam dela: a bela mãe, a santa mãe, a virgem mãe da Sabedoria, que sou Eu que te falo.

5.9 Eu quis que tu escrevesses o primeiro verso deste hino no início do livro que fala dela, para que fosse confessada e percebida a consolação e a alegria de Deus; a razão do constante, perfeito, íntimo regozijo deste Deus uno e trino, que vos guia e ama, que do homem teve tantas razões de tristeza; a razão pela qual Deus perpetuou a raça, mesmo quando, à primeira prova, merecia ser destruída; a ra zão do perdão que vocês tiveram.

Ter Maria que o amasse. Oh! bem merecia criar o homem, e deixá-lo viver, e decretar perdoá-lo, para ter a virgem bela, a virgem santa, a virgem imaculada, a virgem enamorada, a filha dileta, a mãe puríssima, a esposa amorosa! Muito e mais ainda vos deu e vos daria Deus para poder possuir a criatura das suas delícias, o sol do seu sol, a flor do seu jardim. E muito continua a dar-vos por ela, a pedido dela, pela alegria dela, porque a sua alegria se derrama na alegria de Deus e a aumenta de esplendor que enche de faíscas a luz, a grande luz do Paraíso; cada centelha é uma graça para o universo, para a raça do homem, para os próprios bem-aventurados, que respondem-lhes com um grito radiante de aleluia a cada geração de milagre divino, criado pelo desejo do Deus Trino de ver o cintilante riso de alegria da Virgem.

5.11 (...) A Mente suprema, que nada ignora, antes ainda que o homem existisse, sabia que o homem, por si mesmo, teria sido um ladrão e um homicida. E, já que a Bondade eterna não tem limites, antes que acontecesse a Culpa, pensou no meio para anulá-la. E o meio seria: Eu. E o instrumento para fazer do meio um instrumento operante seria: Maria. Assim é que a virgem foi criada no Pensamento sublime de Deus.

5.12 Todas as coisas foram criadas para Mim, Filho dileto do Pai. Eu, como Rei, deveria ter tido sob os meus pés de Rei divino tapetes e jóias como nenhum palácio real jamais teve. Cantos, vozes, servos e ministros tão numerosos ao redor de minha pessoa que nenhum soberano jamais teve. Flores, pedras preciosas, todo o sublime, o grandioso, o gentil, o minucioso, tudo o que é possível buscar no Pensamento de um Deus.

Mas Eu devia ser Carne, além de ser Espírito. Carne, para salvar a carne. Carne para sublimar a carne, levando-a para o Céu, muitos séculos antes da hora. Porque a carne, habitada pelo espírito, é a obra-prima de Deus, e por ela, o Céu fora feito. Para ser Carne, eu tinha necessidade de uma mãe. Para ser Deus, eu tinha necessidade de que meu Pai fosse Deus.

Eis que, então, Deus criou para Si uma esposa, e lhe disse: “Vem comigo. A meu lado, vê tudo quanto Eu faço pelo nosso Filho. Olha e jubila-te, virgem eterna, menina eterna, que o teu riso encha todo este empíreo, e dê aos anjos a nota inicial, e ensina ao Paraíso uma harmonia celeste. Eu olho para ti. E te vejo como serás, ó mulher imaculada que, por enquanto, és apenas espírito, o espírito em que me deleito. Olho para ti, e dou o azul do teu olhar ao mar e ao firmamento, a cor dos teus cabelos ao trigo, a tua candura ao lírio, o tom róseo à rosa, semelhante à tua pele de seda. Imito nas pérolas os teus dentes graciosos; olhando tua boca, faço os doces morangos, ponho na voz rouxinóis às tuas notas, e na das rolinhas o teu pranto. Ainda lendo os teus futuros pensamentos, ouvindo as palpitações do teu coração, eu encontrei os modelos de arte para criar. Vem, minha Alegria! Habita os mundos para divertimento teu, enquanto fores a luz que se move em meu Pensamento, teus hão de ser os mundos pelo teu sorriso, tuas as belas formações das estrelas e o colar dos astros todos. Coloca a lua sob os teus pés gentis, cinge-te com o cinto de estrelas da Via Láctea. As estrelas e os planetas são para ti. Vem e diverte-te, vendo as flores que serão o divertimento do teu Menino, servindo de almofada para o Filho do teu ventre. Vem, e vê como se criam as ovelhas e os cordeiros, as águias e as pombas. Fica perto de mim, enquanto eu faço como uns vasos, os mares e os rios, enquanto ergo as montanhas e as enfeito com a neve e as florestas, enquanto semeio as searas, as árvores, as videiras, enquanto faço para ti a oliveira, minha rainha de paz, para ti a videira, meu sarmento que levará o Cacho eucarístico. Corre, voa, jubila-te, ó minha beleza, e que o mundo todo, que vai sendo criado de hora em hora, aprenda contigo a me amar, ó amorosa, e se torne mais bonito com o teu sorriso, ó mãe do meu Filho­, rainha do meu Paraíso, amor do teu Deus.”

Vendo o Erro, e olhando para a Sem Erro diz ainda: “Vem a Mim, tu que anulas a amargura da desobediência, da ingratidão, da fornicação humana com satanás. Eu terei contigo a desforra sobre satanás”.

Anotação

Livro dos Provérbios, 8, 22-31

Pr 8, 22-31: O Senhor fez-me para si, o princípio da sua obra, a primeira das suas obras, desde a eternidade.

Antes dos séculos fui formado, desde o princípio, antes da formação da terra. Quando as profundezas ainda não existiam, eu fui dado à luz, quando não havia fontes. Antes que as montanhas fossem fixadas, antes das colinas, eu nasci, antes que o Senhor tivesse feito a terra e o espaço, os elementos primitivos do mundo.

Quando estabeleceu os céus, eu estava lá, quando traçou o horizonte na superfície do abismo, quando reuniu as nuvens nas alturas e controlou as nascentes do abismo, quando impôs os seus limites ao mar para que as águas não pudessem violar a sua ordem, quando lançou os fundamentos da terra. E eu cresci ao lado dele. Eu era o seu prazer, dia após dia, brincando diante dele em todos os momentos, brincando no universo, na sua terra, e encontrando o meu prazer com os filhos dos homens.

Lê as glórias de Maria no livro do Antepassado. Na Septuaginta, a Bíblia do tempo de Jesus, o livro dos Provérbios chama-se "Provérbios de Salomão". Este era filho de David e antepassado de Jesus (cf. Mateus 1,6: "David, da sua união com a mulher de Urias, gerou Salomão").

Este texto, aplicado a Maria, é comentado no Livro de Azarias, a 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição (ver nota 13). De facto, foi conservado pela liturgia como sendo aplicável à Imaculada Conceição. Esta relação - desde toda a eternidade - entre Cristo e a Virgem Maria, na qual Ele se encarna, é desenvolvida e documentada pelo Pe. G. M. Roschini em A Virgem Maria nas obras de Maria Valtorta, síntese da teologia mariana de Valtorta, Parte 1, Maria na eternidade, pp. 66-71. Refere-se também a Sirach (Eclesiástico), 24,3ss.

Muitos teólogos acreditam que as palavras de Provérbios 8,22-31 se referem tanto a Jesus como a Maria. A liturgia do dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, utilizou este texto , que não pode ser aplicado apenas a Jesus (o Verbo de Deus pelo qual todas as coisas foram feitas). De facto, o texto descreve uma outra pessoa feminina (sobretudo nos versículos 27 a 31) ao lado do Criador. Alguns viram esta atribuição à Virgem Maria como uma heresia, mas poderá a Liturgia ser herética? Podemos ver neste texto a presciência de Deus em quem tudo existe (cf., por exemplo, Efésios 1,4 : "Escolheu-nos em Cristo antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor"). A presciência da Paixão também existe na Bíblia, muito antes da sua realização no tempo previsto, para não falar do fim dos tempos. O mesmo acontece com a criação imaculada da alma de Maria, infundida num púlpito humano no tempo previsto.

Jesus volta a falar disto na EMV 196.7.

Santo Alberto Magno (1200-1280), diz: "Deus teve o máximo cuidado em guardar de toda a contaminação a mulher que desde toda a eternidade tinha predestinado para ser sua mãe no tempo" (Sermones de sanctis 38).

EMF 5.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

E [Deus] muito continua a dar-vos por ela, a pedido dela, pela alegria dela, porque a sua alegria se derrama na alegria de Deus e a aumenta de esplendor que enche de faíscas a luz, a grande luz do Paraíso; cada centelha é uma graça para o universo, para a raça do homem, para os próprios bem-aventurados, que respondem-lhes com um grito radiante de aleluia a cada geração de milagre divino, criado pelo desejo do Deus Trino de ver o cintilante riso de alegria da Virgem.

Detalhe

Jesus está a falar da Virgem Maria.