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Notas do tema

A Igreja Católica

Página 13 de 274

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EMF 14.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.7 Tornam a entrar em casa e acendem as lâmpadas.

– Maria está cansada –diz José–. Deixemo-la descansar com os primos.

Todos se despedem. José fica ali ainda alguns minutos e fala com Zacarias em voz baixa.

– Teu primo deixa contigo Isabel, por algum tempo. Estás contente? Eu sim. Porque ela vai te ajudar… para que te tornes uma perfeita dona de casa. Com ela poderás pôr em ordem, como gostas, as tuas coisas e tuas alfaias, e eu virei todas as tardes também para te ajudar. Com ela poderás ir comprar lã e o mais que for preciso. Eu responderei pela despesa. Lembra-te que prometeste me procurar para tudo. Adeus, Maria. Dorme o primeiro sono nesta tua casa, e o anjo de Deus torne o teu sono tranqüilo. O Senhor esteja sempre contigo.

– Adeus, José. Que tu também estejas sob as asas do anjo de Deus. Obrigada, José. Por tudo. Na medida que eu puder, vou te dar, com o meu amor, uma compensação ao teu amor por mim.

José saúda os primos e sai.

E com isto cessa a visão.

Detalhe

Maria regressa a Nazaré depois de anos a viver no Templo. Está noiva de José e este acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel. Deram uma volta à casa, mas José interveio.

EMF 15.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Obrigado, bendita. Mas, continua ainda. Tenho muita necessidade de salvar a terra. De comprar de novo a terra. E as moedas sois vós, como vítimas.

Detalhe

Jesus agradece a Maria pela sua holocausa de alma-vítima.

EMF 15.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não cuidamos apenas do espírito, mas também da matéria, que não é rainha, mas uma serva útil ao espírito, a fim de que ele possa cumprir a sua missão.

EMF 16

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A Anunciação

Data da visão: Quarta-feira, 8 de março de 1944

Calendário: Quarta-feira, 21 de fevereiro do ano 5 d.C. (15 de Adar I 3756).

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus Cristo

Resumo: Este capítulo narra a Anunciação. Maria está a rezar em Nazaré: pede a Deus a vinda do seu Messias. No momento em que ela estava a fazer isso, chega o Arcanjo Gabriel. Tudo se passa como nos dizem os Evangelhos.

Conteúdo do capítulo: 16.1: Maria foge com um sorriso no rosto. 16.2: Canta e reza pela vinda do Messias. 16.3: Aparece o Arcanjo Gabriel. 16.4: O diálogo entre Gabriel e Maria.

EMF 16.1-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo o seguinte: Maria, ainda muito jovem, com a aparência no máximo de uns quinze anos, está num pequeno quarto retangular. Um quarto de menina. A frente de uma das duas paredes mais longas, há o catre: uma cama baixa, sem beiral, coberta com altas esteiras ou tapetes. Dir-se-ia que eles estão estendidos, ou sobre uma mesa, ou sobre uma esteira de caniços, pois estão muito rígidos e retos, como acontece com as nossas camas. Em frente de outra parede, há uma estante com uma lâmpada de azeite, rolos de pergaminho, um trabalho de costura dobrado com cuidado, parecendo ser um bordado.

A virgem está sentada num banco, ao lado da estante, perto da porta, que embora esteja aberta para o jardim, está velada por uma cortina em movimento pela brisa. Está fiando um linho muito alvo, e macio como uma seda. Suas pequenas mãos, pouco mais escuras do que o linho, volteiam com grande agilidade o fuso. Seu rosto juvenil e belo está levemente inclinado, ligeiramente sorridente, como se estivesse acariciando ou acompanhando um doce pensamento.

Há muito silêncio na casinha e no jardim. Há muita paz, tanto no semblante de Maria, como no ambiente que a rodeia. Paz e ordem. Tudo muito bonito e em ordem, e o ambiente, ainda que humilde no aspecto e nos móveis, embora parecendo despojado de tudo como uma cela, tem um ar de austeridade e realeza, pela grande nitidez e cuidado com que a colcha está colocada sobre a pequena cama, como estão dispostos os rolos de pergaminho, a lâmpada, a pequena jarra de cobre perto da lâmpada, com um maço de ramos floridos, de pessegueiro ou pereira, pois, certamente, são árvores que produzem um fruto branco, levemente rosado.

16.2 Maria se põe a cantar em voz baixa e depois eleva um pouco a voz. Não chega a cantar alto. Mas sua voz que começa a vibrar o pequeno quarto, traduz uma vibração de alma. Não compreendo as palavras que ela está dizendo, certamente em hebraico. Mas, como ela repete saltiadamente “Jeová”, eu percebo que se trata de um canto sagrado, como um salmo. Parece que Maria está relembrando os cantos do Templo. Deve estar sendo uma doce recordação, porque ela pousa as mãos que estão segurando o fio e o fuso sobre o regaço, levantando a cabeça, apoiando-a para trás na parede, com um belo enrubescimento no rosto, um olhar perdido, talvez atrás de algum suave pensamento. Seus olhos se tornam brilhantes por uma onda de pranto, que não chega a se der­ramar, mas os deixa maiores. Contudo aqueles olhos estão sorrindo, com o pensamento da visão, que os abstraem das coisas sensíveis. Seu rosto sobressai, das suas vestes brancas e tão simples, pois está tão rosado, que, rodeado pelas tranças, como coroa ao redor da cabeça, mais parece uma bela flor.

O canto de Maria se transforma em oração:

– Senhor Deus Altíssimo, não tardes a mandar o teu Servo, que venha trazer a paz sobre a terra. Faz chegar o tempo e a virgem pura e fecunda, para a vinda do teu Cristo. Pai Santo, concede à tua serva que possa oferecer a sua vida para que isso aconteça sobre a terra, concede-me morrer, depois de ter visto a Tua luz e a Tua justiça sobre a ter­ra, sabendo que a Redenção já se cumpriu. Ó Pai Santo, manda à terra o suspiro dos profetas. Manda a esta tua serva o Redentor. Que no dia em que cessar a minha vida, se abra para mim a tua morada, porque, as portas do céu já terão sido abertas pelo teu Cristo, para todos aqueles que em Ti esperaram. Vem, ó Espírito do Senhor! Vem aos teus fiéis, que te esperam! Vem, Príncipe da Paz!…

Maria fica assim absorta…

16.3 A cortina tremula mais fortemente, como se alguém estivesse agitando o ar com alguma coisa por detrás dela, ou a estivesse sacudindo, a fim de afastá-la para um lado. Uma luz branca, como se fosse de pérola fundida com prata pura, torna as paredes, que são de um amarelo claro, brancas, as cores das roupas e tecidos mais vivas e o rosto de Maria, agora soerguido, mais espiritual. O Arcanjo se prostra diante daquela luz, sem que a cortina tenha sido afastada, frente ao mistério que está acontecendo, pois a cortina não está mais tremulando, mas está bem esticada, ao lado dos umbrais, como uma parede separando o interior da casa, da parte exterior.

Ele assumiu necessariamente o aspecto humano. Mas é um aspecto que ultrapassa os limites da natureza humana. De que carne estará feita esta figura tão bela e tão fulgurante? Com que substância Deus a terá materializado, para que os sentidos da Virgem a percebessem? Só mesmo Deus pode possuir essas substâncias, e usá-las de uma maneira tão perfeita. Possui rosto, corpo, olhos­, boca, cabelos e mãos, como as nossas. Mas não são feitos de uma matéria opaca como a do nosso corpo. É uma luz que assumiu cor de carne, de olhos, de cabelos, de lábios; uma luz que se move, sorri, enxerga e fala.

16.4 – Ave, Maria, cheia de Graça, ave!

Sua voz é como um doce arpejo, como pérolas jogadas sobre um metal precioso.

Maria estremece, abaixando o olhar. Estremece mais ainda, quando vê aquela fulgurante criatura ajoelhada a cerca de um metro de distância dela, olhando para ela com uma veneração sem limites, com as mãos cruzadas sobre o peito.

Maria se põe de pé, encostando-se à parede. Ela se torna, ora pálida, ora vermelha. Seu rosto exprime estupor e susto. Instintivamente une as mãos sobre o seio, escondendo-as nas longas mangas, e se inclina quase que para esconder, do melhor modo possível, o seu corpo. É um ato de delicado pudor.

– Não tenhas medo… O Senhor está contigo. Bendita és tu entre todas as mulheres.

Maria, porém, continua com medo. De onde terá vindo esse ser extraordinário? Será ele um enviado de Deus, ou do enganador?

– Não tenhas medo, Maria! –lhe repete o Arcanjo–. Eu sou Gabriel, o Anjo de Deus. Meu Senhor me mandou a ti. Não tenhas medo, porque achaste graça junto de Deus. Eis que agora conceberás em teu ventre, e darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de “Jesus.” Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo (como de fato é). O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai. Ele reinará para sempre na casa de Jacó e o seu Reino nunca terá fim. Procura compreender, ó santa virgem amada do Senhor, filha bendita do Senhor, que foste chamada para ser mãe de seu Filho, o Qual tu gerarás.

– Como poderá acontecer isso, se eu não conheço varão? Talvez o Senhor Deus não quer mais receber a oferta de sua serva, de ficar virgem por amor Dele?

– Não serás mãe por obra de homem, ó Maria. Tu és a virgem eterna, a santa de Deus. O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra. Por isso, Aquele que nascer de ti, se chamará Santo, Filho de Deus. Tudo pode o Senhor nosso Deus. Isabel, a estéril, concebeu em sua velhice aquele que será o profeta do teu Filho, ele preparará o caminho para teu Filho. O Senho­r tirou de Isabel o seu opróbrio, e os povos lembrarão dela, unida ao teu nome, como também o nome do filho dela ficará unido ao do teu, até o fim dos séculos. As nações vos chamarão bem-aventuradas, pela Graça do Senhor que veio a vós, e especialmente a ti, pois esta Graça chegou a todos os povos por meio de ti. Isabel já está em seu sexto mês, e o peso que ela carrega, a soergue até à alegria. Nada é impossível para Deus, Maria, cheia de Graça. O que devo ir dizer ao meu Senhor? Nenhuma dificuldade deverá perturbar-te. O Senhor defenderá os teus interesses, se confiares Nele. O mundo, o Céu, o Eterno estão esperando pela tua palavra!

Maria, por sua vez, cruzando as mãos sobre o peito, e fazendo uma profunda inclinação, diz:

– Eis aqui a serva de Deus. Faça-se de mim conforme a sua palavra.

O Anjo cintila de alegria. Ele adora, porque certamente está vendo o Espírito de Deus descer sobre a virgem, que está inclinada ao dar sua resposta de assentimento, e depois desaparece, sem precisar mover a cortina, que fica bem estendida sobre o mistério santo.

Anotação

Lucas 1:26-38

No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma jovem virgem que tinha sido dada em casamento a um homem da casa de David chamado José; e o nome da jovem era Maria. O anjo veio ter com ela e disse: "Salve, cheia de graça, o Senhor é contigo". Quando ela ouviu isto, ficou muito chocada e interrogou-se sobre o que poderia significar esta saudação.

Então o anjo disse-lhe: "Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. O Senhor Deus dar-lhe-á o trono de David, seu pai, e ele reinará para sempre sobre a casa de Jacob, e o seu reino não terá fim. Maria perguntou ao anjo: "Como é que isto é possível, se eu não conheço homem algum? O anjo respondeu: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, aquele que há-de nascer será santo e será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, já de idade avançada, concebeu um filho e está no sexto mês, embora fosse chamada a mulher estéril. Porque para Deus nada é impossível. Então Maria disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra". Então o anjo deixou-a.

EMF 16.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A cortina tremula mais fortemente, como se alguém estivesse agitando o ar com alguma coisa por detrás dela, ou a estivesse sacudindo, a fim de afastá-la para um lado. Uma luz branca, como se fosse de pérola fundida com prata pura, torna as paredes, que são de um amarelo claro, brancas, as cores das roupas e tecidos mais vivas e o rosto de Maria, agora soerguido, mais espiritual. O Arcanjo se prostra diante daquela luz, sem que a cortina tenha sido afastada, frente ao mistério que está acontecendo, pois a cortina não está mais tremulando, mas está bem esticada, ao lado dos umbrais, como uma parede separando o interior da casa, da parte exterior.

Ele assumiu necessariamente o aspecto humano. Mas é um aspecto que ultrapassa os limites da natureza humana. De que carne estará feita esta figura tão bela e tão fulgurante? Com que substância Deus a terá materializado, para que os sentidos da Virgem a percebessem? Só mesmo Deus pode possuir essas substâncias, e usá-las de uma maneira tão perfeita. Possui rosto, corpo, olhos­, boca, cabelos e mãos, como as nossas. Mas não são feitos de uma matéria opaca como a do nosso corpo. É uma luz que assumiu cor de carne, de olhos, de cabelos, de lábios; uma luz que se move, sorri, enxerga e fala.

16.4 – Ave, Maria, cheia de Graça, ave!

Sua voz é como um doce arpejo, como pérolas jogadas sobre um metal precioso.

Maria estremece, abaixando o olhar. Estremece mais ainda, quando vê aquela fulgurante criatura ajoelhada a cerca de um metro de distância dela, olhando para ela com uma veneração sem limites, com as mãos cruzadas sobre o peito.

Maria se põe de pé, encostando-se à parede. Ela se torna, ora pálida, ora vermelha. Seu rosto exprime estupor e susto. Instintivamente une as mãos sobre o seio, escondendo-as nas longas mangas, e se inclina quase que para esconder, do melhor modo possível, o seu corpo. É um ato de delicado pudor.

– Não tenhas medo… O Senhor está contigo. Bendita és tu entre todas as mulheres.

Maria, porém, continua com medo. De onde terá vindo esse ser extraordinário? Será ele um enviado de Deus, ou do enganador?

– Não tenhas medo, Maria! –lhe repete o Arcanjo–. Eu sou Gabriel, o Anjo de Deus. Meu Senhor me mandou a ti. Não tenhas medo, porque achaste graça junto de Deus. Eis que agora conceberás em teu ventre, e darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de “Jesus.” Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo (como de fato é). O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai. Ele reinará para sempre na casa de Jacó e o seu Reino nunca terá fim. Procura compreender, ó santa virgem amada do Senhor, filha bendita do Senhor, que foste chamada para ser mãe de seu Filho, o Qual tu gerarás.

– Como poderá acontecer isso, se eu não conheço varão? Talvez o Senhor Deus não quer mais receber a oferta de sua serva, de ficar virgem por amor Dele?

– Não serás mãe por obra de homem, ó Maria. Tu és a virgem eterna, a santa de Deus. O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra. Por isso, Aquele que nascer de ti, se chamará Santo, Filho de Deus. Tudo pode o Senhor nosso Deus. Isabel, a estéril, concebeu em sua velhice aquele que será o profeta do teu Filho, ele preparará o caminho para teu Filho. O Senho­r tirou de Isabel o seu opróbrio, e os povos lembrarão dela, unida ao teu nome, como também o nome do filho dela ficará unido ao do teu, até o fim dos séculos. As nações vos chamarão bem-aventuradas, pela Graça do Senhor que veio a vós, e especialmente a ti, pois esta Graça chegou a todos os povos por meio de ti. Isabel já está em seu sexto mês, e o peso que ela carrega, a soergue até à alegria. Nada é impossível para Deus, Maria, cheia de Graça. O que devo ir dizer ao meu Senhor? Nenhuma dificuldade deverá perturbar-te. O Senhor defenderá os teus interesses, se confiares Nele. O mundo, o Céu, o Eterno estão esperando pela tua palavra!

Maria, por sua vez, cruzando as mãos sobre o peito, e fazendo uma profunda inclinação, diz:

– Eis aqui a serva de Deus. Faça-se de mim conforme a sua palavra.

O Anjo cintila de alegria. Ele adora, porque certamente está vendo o Espírito de Deus descer sobre a virgem, que está inclinada ao dar sua resposta de assentimento, e depois desaparece, sem precisar mover a cortina, que fica bem estendida sobre o mistério santo.

Palavras-chave

EMF 16.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

16.4 – Ave, Maria, cheia de Graça, ave!

Sua voz é como um doce arpejo, como pérolas jogadas sobre um metal precioso.

Maria estremece, abaixando o olhar. Estremece mais ainda, quando vê aquela fulgurante criatura ajoelhada a cerca de um metro de distância dela, olhando para ela com uma veneração sem limites, com as mãos cruzadas sobre o peito.

Maria se põe de pé, encostando-se à parede. Ela se torna, ora pálida, ora vermelha. Seu rosto exprime estupor e susto. Instintivamente une as mãos sobre o seio, escondendo-as nas longas mangas, e se inclina quase que para esconder, do melhor modo possível, o seu corpo. É um ato de delicado pudor.

– Não tenhas medo… O Senhor está contigo. Bendita és tu entre todas as mulheres.

Maria, porém, continua com medo. De onde terá vindo esse ser extraordinário? Será ele um enviado de Deus, ou do enganador?

– Não tenhas medo, Maria! –lhe repete o Arcanjo–. Eu sou Gabriel, o Anjo de Deus. Meu Senhor me mandou a ti. Não tenhas medo, porque achaste graça junto de Deus. Eis que agora conceberás em teu ventre, e darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de “Jesus.” Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo (como de fato é). O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai. Ele reinará para sempre na casa de Jacó e o seu Reino nunca terá fim. Procura compreender, ó santa virgem amada do Senhor, filha bendita do Senhor, que foste chamada para ser mãe de seu Filho, o Qual tu gerarás.

– Como poderá acontecer isso, se eu não conheço varão? Talvez o Senhor Deus não quer mais receber a oferta de sua serva, de ficar virgem por amor Dele?

– Não serás mãe por obra de homem, ó Maria. Tu és a virgem eterna, a santa de Deus. O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra. Por isso, Aquele que nascer de ti, se chamará Santo, Filho de Deus. Tudo pode o Senhor nosso Deus. Isabel, a estéril, concebeu em sua velhice aquele que será o profeta do teu Filho, ele preparará o caminho para teu Filho. O Senho­r tirou de Isabel o seu opróbrio, e os povos lembrarão dela, unida ao teu nome, como também o nome do filho dela ficará unido ao do teu, até o fim dos séculos. As nações vos chamarão bem-aventuradas, pela Graça do Senhor que veio a vós, e especialmente a ti, pois esta Graça chegou a todos os povos por meio de ti. Isabel já está em seu sexto mês, e o peso que ela carrega, a soergue até à alegria. Nada é impossível para Deus, Maria, cheia de Graça. O que devo ir dizer ao meu Senhor? Nenhuma dificuldade deverá perturbar-te. O Senhor defenderá os teus interesses, se confiares Nele. O mundo, o Céu, o Eterno estão esperando pela tua palavra!

Maria, por sua vez, cruzando as mãos sobre o peito, e fazendo uma profunda inclinação, diz:

– Eis aqui a serva de Deus. Faça-se de mim conforme a sua palavra.

O Anjo cintila de alegria. Ele adora, porque certamente está vendo o Espírito de Deus descer sobre a virgem, que está inclinada ao dar sua resposta de assentimento, e depois desaparece, sem precisar mover a cortina, que fica bem estendida sobre o mistério santo.

Detalhe

São Gabriel apareceu em casa de Maria e disse-lhe

EMF 16.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

16.4 – Ave, Maria, cheia de Graça, ave!

Sua voz é como um doce arpejo, como pérolas jogadas sobre um metal precioso.

Maria estremece, abaixando o olhar. Estremece mais ainda, quando vê aquela fulgurante criatura ajoelhada a cerca de um metro de distância dela, olhando para ela com uma veneração sem limites, com as mãos cruzadas sobre o peito.

Maria se põe de pé, encostando-se à parede. Ela se torna, ora pálida, ora vermelha. Seu rosto exprime estupor e susto. Instintivamente une as mãos sobre o seio, escondendo-as nas longas mangas, e se inclina quase que para esconder, do melhor modo possível, o seu corpo. É um ato de delicado pudor.

– Não tenhas medo… O Senhor está contigo. Bendita és tu entre todas as mulheres.

Maria, porém, continua com medo. De onde terá vindo esse ser extraordinário? Será ele um enviado de Deus, ou do enganador?

– Não tenhas medo, Maria! –lhe repete o Arcanjo–. Eu sou Gabriel, o Anjo de Deus. Meu Senhor me mandou a ti. Não tenhas medo, porque achaste graça junto de Deus. Eis que agora conceberás em teu ventre, e darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de “Jesus.” Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo (como de fato é). O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai. Ele reinará para sempre na casa de Jacó e o seu Reino nunca terá fim. Procura compreender, ó santa virgem amada do Senhor, filha bendita do Senhor, que foste chamada para ser mãe de seu Filho, o Qual tu gerarás.

– Como poderá acontecer isso, se eu não conheço varão? Talvez o Senhor Deus não quer mais receber a oferta de sua serva, de ficar virgem por amor Dele?

– Não serás mãe por obra de homem, ó Maria. Tu és a virgem eterna, a santa de Deus. O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra. Por isso, Aquele que nascer de ti, se chamará Santo, Filho de Deus. Tudo pode o Senhor nosso Deus. Isabel, a estéril, concebeu em sua velhice aquele que será o profeta do teu Filho, ele preparará o caminho para teu Filho. O Senho­r tirou de Isabel o seu opróbrio, e os povos lembrarão dela, unida ao teu nome, como também o nome do filho dela ficará unido ao do teu, até o fim dos séculos. As nações vos chamarão bem-aventuradas, pela Graça do Senhor que veio a vós, e especialmente a ti, pois esta Graça chegou a todos os povos por meio de ti. Isabel já está em seu sexto mês, e o peso que ela carrega, a soergue até à alegria. Nada é impossível para Deus, Maria, cheia de Graça. O que devo ir dizer ao meu Senhor? Nenhuma dificuldade deverá perturbar-te. O Senhor defenderá os teus interesses, se confiares Nele. O mundo, o Céu, o Eterno estão esperando pela tua palavra!

Maria, por sua vez, cruzando as mãos sobre o peito, e fazendo uma profunda inclinação, diz:

– Eis aqui a serva de Deus. Faça-se de mim conforme a sua palavra.

O Anjo cintila de alegria. Ele adora, porque certamente está vendo o Espírito de Deus descer sobre a virgem, que está inclinada ao dar sua resposta de assentimento, e depois desaparece, sem precisar mover a cortina, que fica bem estendida sobre o mistério santo.

EMF 17.1.2-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não se lê no Gênesis[2] que Deus fez o homem para dominar tudo o que havia sobre a terra, ou seja, tudo, com exceção de Deus e dos seus ministros angélicos? Não se lê que fez a mulher para ser compa­nheira do homem na alegria e na dominação de todos os seres vivos? Não se lê que eles podiam comer de tudo, menos da árvore da ciência do Bem e do Mal? Por quê? O que está sub-entendido nas palavras “para que domines”? O que está sub-entendido na árvore da ciência do Bem e do Mal? Nunca vos fizestes tais perguntas, vós que viveis perguntando tantas coisas inúteis, mas não indagam vossa alma a respeito das verdades celestes? (...)

17.2. Se soubésseis fazer perguntas à vossa alma, ela vos diria que o significado verdadeiro, exato, vasto como a criação, da palavra “domina” é este: “O homem deve dominar tudo, em todos os estados: o estado inferior, que é o animal; o estado mediano, que é o moral e o estado superior, que é o espiritual. O homem usa os três estados[4] para atingir um único fim, que é possuir a Deus.” Merecer isto através deste férreo domínio, que subjuga as forças do eu, tornando-as escravas deste único objetivo: merecer a possessão de Deus. Vossa alma vos diria que Deus proibira o conhecimento do Bem e do Mal, porque o Bem tinha sido dado por Ele às suas criaturas gratuitamente, mas Ele desejava que o Mal vós não conhecêsseis, porque é um fruto doce ao paladar, mas que, descendo para o sangue, desperta uma febre que mata, produzindo uma tal ardência, que quanto mais se bebe daquele suco mentiroso, mais se tem sede dele.

17.3. Vós me objetareis: “Então, por que o Mal foi colocado diante de nós?” Porque é uma força que nasceu por si mesma, como nascem certos males monstruosos até nos corpos mais sadios.

Lúcifer era um anjo, o mais belo dos anjos. Espírito perfeito, inferior somente a Deus. No entanto em seu ser luminoso nasceu uma sombra de soberba, que ele não tratou de dispersar, mas, ao contrário, procurou condensar, incubando-a. Dessa incubação, nasceu o Mal. Este existia, antes que o homem fosse criado. Deus havia precipitado o maldito incubador do Mal para fora do Paraíso, que tinha se maculado com este Mal. Não podendo mais sujar o Paraíso, o eterno incubador do Mal sujou a Terra.

17.4 A planta metafórica quer demonstrar esta verdade. Deus tinha dito ao homem e à mulher: “Vós conheceis todas as leis e os mistérios da criação. Mas não queirais usurpar-me o direito de ser o Criador do homem. Para propagar a raça humana, bastará o meu amor, que circulará entre vós, sem libido de sensualidade, mas pelo impulso da caridade, que suscitará novos Adãos. Tudo eu vos dou. Só me reservo este mistério da formação do homem.”

17.5 Satanás quis tirar esta virgindade intelectual do homem e, com sua língua serpentina, aplacou, acariciando membros e olhos da Eva, fazendo surgir neles reflexos e sagacidades, que antes não tinham, quando a malícia não os tinha intoxicado ainda.

Ela “viu.” E quis experimentar. A carne foi despertada. Oh! se tivesse chamado por Deus! Se tivesse corrido para ir dizer-lhe: “Pai, eu estou doente. A Serpente me acariciou, e estou perturbada.” O Pai a teria purificado, e curado com o seu hálito, que podia infundir-lhe novamente a inocência, como lhe havia infundido a vida, fazendo-a esquecer-se do tóxico da Serpente, colocando nela a repugnância por ela, como acontece com aqueles que foram assaltados por algum mal, guardando uma instintiva repugnância dele. Mas Eva não foi ao Pai. Ela voltou à Serpente. Aquela sensação foi doce para ela: “Vendo que o fruto da árvore era bom para se comer, bonito de se ver e agradável ao aspecto, foi apanhá-lo, e comeu.”

E “compreendeu.” A malícia já tinha começado a morder-lhe as entranhas. Ela passou a ver com outros olhos, e a ouvir com outros ouvidos, os usos e as vozes dos irracionais. Passou a desejá-los com uma louca cobiça.

17.6 Ela iniciou sozinha o pecado. E o terminou com o seu companheiro. Por isso é que sobre a mulher pesa uma pena maior. Foi por meio dela que o homem se tornou rebelde a Deus e que ele conheceu a luxúria e a morte. Foi por ela que ele não soube mais dominar os três reinos: do espírito, porque permitiu que o espírito desobedecesse a Deus; da moral, porque permitiu que as paixões o dominassem; e da carne, porque o aviltou, submetendo-o às leis instintivas que regem os brutos. “A Serpente me seduziu”, diz Eva. “A mulhe­r me ofereceu o fruto, e eu o comi”, diz Adão. A tríplice concupiscência rouba os seus três reinos do homem.

17.7 Somente a Graça pode desacorrentar o homem preso àquele monstro impiedoso. Mas, se a Graça é viva, mantida sempre assim pela vontade do filho fiel, ela chega a destroçar o monstro, e não é preciso temer mais nada: nem os tiranos internos, isto é, a carne e as paixões; nem os tiranos externos, ou seja, o mundo e os poderosos dele. Nem as perseguições. Nem a morte. É como diz o Apóstolo Paulo[5]: “Nenhuma destas coisas eu temo, nem amo a minha vida mais do que a mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, que é o de dar testemunho do Evangelho da Graça de Deus.”