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Notas do tema

A Virgem Maria na vida pública de Cristo

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EMF 31.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Zacarias é um sacerdote. José não é. Mas observa bem como aquele que não é sacerdote tem o espírito no Céu, mais que o próprio sacerdote. Zacarias pensa humanamente, interpretando assim as Escrituras, porque não é a primeira vez que faz isso, e se faz guiar pelo bom senso humano. Por isso ele foi castigado. Aqui ele está tendo uma recaída, ainda que menos grave. Ele havia dito sobre o nascimento de João: “Como vai poder acontecer isso, se eu já estou velho, e minha mulher é estéril?”. Agora ele está dizendo: “Para tornar mais fácil a sua missão, o Cristo deve crescer aqui” e, com aquela pequena raiz de orgulho, que persiste até nos melhores, pensa em poder ser ele útil a Jesus. Não útil como quer ser José, servindo-o, mas útil, fazendo-se mestre dele… Deus o perdoou pela boa intenção. Mas tinha, por acaso, o “Mestre” necessidade de ter mestres?

Eu procurei fazê-lo ver a luz nas profecias, mas ele se julgava mais douto do que eu, e usava esse seu julgamento a seu modo. Eu teria podido insistir e vencer. Mas — e aqui está a segunda observação que desejo que faças — eu respeitei o sacerdote pela sua dignidade, e não pelo seu saber.

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Maria refere-se à visão dada em EMV 31.1-5.

EMF 32

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : Apresentação de Jesus no Templo. A virtude de Simeão e a profecia de Ana.

Data da visão e do ditado: Terça-feira, 1 de fevereiro de 1944

Calendário: Segunda-feira, 20 de janeiro de 4 d.C.

Local (mapa) : Jerusalém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria e José deixam Belém para ir a Jerusalém. Vão apresentar Jesus no Templo. A cerimónia decorre sem problemas. Quando o rito termina, encontram Simeão, que pede para levar a criança. Os pais aceitam o pedido do velho e ele chora de alegria, dizendo as palavras que conhecemos do Evangelho. Ao ouvir as palavras sobre a sua dor futura, Maria deixa de sorrir e segura o Menino junto ao seu coração, enquanto se aproxima de José. Ana de Fanuel vem consolá-la.

Em seguida, Jesus dá um ditado e dois ensinamentos. O primeiro é que a verdade não é revelada ao sacerdote que celebra o rito, que está espiritualmente ausente. A verdade é revelada a Simeão, que é um simples fiel, mas que se deixou mover pelo Espírito, tendo sempre boa vontade dentro de si. O segundo ensinamento diz respeito a Ana de Fanuel, que conforta Maria. Dirigiu-se aos contemporâneos de Maria e ao nosso tempo, para dizer que o Senhor também pode enviar o seu anjo para consolar o seu povo. Basta ter fé suficiente para o invocar, para receber a sua misericórdia e o seu perdão. O Salvador recorda também que Deus permaneceu fiel à sua promessa de não voltar a enviar o dilúvio, ao passo que o homem não cumpre as suas promessas. No entanto, Deus ajudar-nos-ia mais uma vez se a maioria de nós o invocasse com fé e amor.

Por fim, diz àqueles que tentam contrabalançar a severidade de Deus que não tenham medo, pois o Altíssimo enviar-nos-á o seu anjo para nos consolar. Devemos permanecer unidos à Cruz, pois ela sempre triunfou.

Conteúdo do capítulo: 32.1: Pelo campo. 32.2: E na cidade. 32.3: A purificação da mãe. 32.4: A apresentação do menino. 32.5: As profecias de Simeão. 32.6: A profetisa Ana de Fanuel. 32.7: A boa vontade não se manifesta nas práticas exteriores, mas na oração. 32.8 : Simeão teve essa boa vontade e perseverança. 32.9 : Deposita a tua angústia aos pés de Deus.

EMF 32.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Reconheço esta nossa mamãe. É sempre ela, pálida e loira, elegante e tão gentil em tudo o que faz. Está vestida de branco, com um manto azul claro, no qual se envolve. Na cabeça traz um véu branco. Vai levando com todo o cuidado o seu Menino.

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Descrição física de Maria na Apresentação no Templo.

Palavras-chave

EMF 32.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

32.1 Vejo sair de uma casinha muito modesta um casal de pessoas. De uma pequena escada externa desce uma mãe muito jovem com um menino nos braços, envolvido em um pano branco.

Reconheço esta nossa mamãe. É sempre ela, pálida e loira, elegante e tão gentil em tudo o que faz. Está vestida de branco, com um manto azul claro, no qual se envolve. Na cabeça traz um véu branco. Vai levando com todo o cuidado o seu Menino.

Aos pés da escadinha, José a espera, ao lado de um burrinho cinzento. José está todo vestido de cor marrom claro, tanto na túnica, como no manto. Ele olha para Maria, e lhe sorri. Quando Maria chega perto do burrinho, José passa a rédea do animal por baixo do braço esquerdo e segura, por um momento, o Menino, que está dormindo tranqüilo, para que Maria possa acomodar-se melhor na sela. Depois ele lhe devolve Jesus, e põem-se a caminho.

José vai ao lado de Maria, segurando sempre o animal pela rédea, e prestando atenção para que este vá sempre direito, e sem tropeçar. Maria está com Jesus no colo e, como por temor de que o frio lhe possa fazer mal, estende sobre ele um dos lados de seu manto. Os dois esposos falam pouco, mas sorriem um para o outro freqüentemente.

A estrada, que está longe de ser um modelo de estrada, vai-se estendendo pelo meio de um campo que, nesta estação do ano, está vazio. Um ou outro viajante passa pelo casal, mas são raros.

EMF 32.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois, eis as casas que vão aparecendo e alguns dos muros que rodeiam as cidades. Os dois esposos entram por uma porta, começando o percurso sobre o calçamento (muito irregular) da cidade. O caminho se torna muito mais difícil, seja porque o trânsito os obriga a parar o burrinho com frequência, seja porque este dá contínuas sacudidelas sobre as pedras e os buracos, perturbando Maria e o Menino.

A estrada não é plana, é uma ladeira ainda que leve. Está apertada entre as casas altas, de portinhas estreitas e baixas, com raras janelas, que dão para a rua. No alto, o céu se mostra, com muitos retalhos do seu azul, entre uma casa e outra, ou melhor, entre um e outro terraço. Em baixo, na rua, há gente e vozerio, transeuntes que se encontram com aqueles que estão nos seus jumentos, ou com os que conduzem jumentos com carga. Outros vão indo atrás de alguma embaraçante caravana de camelos. Aum certo ponto, passa uma patrulha de legionários romanos, com grande barulho de cascos e de armas, desaparecendo atrás de um arco colocado em uma rua muito estreita e pedregosa.

José vira para a esquerda, e entra por uma rua mais larga e mais bonita. No fim desta vejo o muro de uma fortaleza, que eu já conhe­ço.

Maria apeia do burrinho, junto à porta, onde há uma espécie de posto para outros jumentos. Eu digo “posto”, porque é parecido com um barracão, ou melhor, um telheiro, onde há palha pelo chão e umas estacas com argolas onde se amarram os animais.

José dá algumas moedas a um homenzinho, que apareceu por ali, conseguindo deste modo um pouco de feno e um cântaro de água tirada de um poço velho que fica num canto, para alimentar o burrinho. Em seguida, vai ao encontro de Maria, entrando com ela no recinto do Templo.

32.3 Dirigem-se primeiro para os pórticos, onde estão aqueles que Jesus mais tarde fustigaria severamente: os vendedores de pombos e cordeiros e os cambistas. José compra dois pombinhos brancos. Não troca o dinheiro. Compreende-se que ele já tem a quantia certa.

José e Maria se dirigem a uma porta lateral, de oito degraus, como, me parece, tenham todas as portas. É como se o cubo do Templo seja erguido do solo. Esta porta tem um grande átrio, parecido com os portões de nossas casas das cidades, mas seu átrio é mais amplo e adornado. Nele se encontram à direita e à esquerda, duas espécies de altares, ou seja, duas construções retangulares, cuja finalidade, a princípio, não compreendo bem. Parecem baixas bacias, porque a parte interna é mais baixa do que a beirada externa, que fica alguns centímetros mais alta.

Aparece um sacerdote, não sei se chamado por José, ou se tendo vindo por si mesmo. Maria lhe oferece os dois pobres pombos e eu, que já sei qual a sorte que eles vão ter, viro o olhar para o outro lado. Observo os ornatos do pesado portal, do teto e do átrio. Mas parece-me ver, com o rabo do olho, o sacerdote aspergir Maria com água. Deve ser água, porque não vejo ficarem manchas em sua veste. Depois, Maria que, junto com os pombinhos tinha dado uma porção de moedas ao sacerdote (eu me tinha esquecido de dizer isso), entra com José no Templo verdadeiro e propriamente dito, acompanhada pelo sacerdote.

Eu olho para todos os lados. É um lugar cheio de adornos. Esculturas de cabeças de anjos, palmas e outros ornatos estão sobre as colunas, sobre as paredes e o teto. A luz penetra por curiosas janelas longas e estreitas, naturalmente sem vidros, abertas em diagonal sobre a parede. Suponho que seja para impedir a entrada dos aguaceiros.

32.4 Maria segue até um certo ponto, onde pára. A alguns metros há outros degraus, e acima deles há outra espécie de altar, por trás do qual, há ainda uma construção.

Percebo agora que eu achava que estivesse no Templo, mas me encontrava na parte que contorna o Templo verdadeiro e propriamente dito, isto é, o Santo, dentro do qual ninguém, a não ser os sacerdotes, acho que podem entrar. Aquilo que eu pensei que fosse o Templo não é mais do que um vestíbulo fechado, que cerca em três partes o Templo, onde está encerrado o Tabernáculo. Não sei se me expliquei bem. Mas não sou arquiteta, nem engenheira.

Maria oferece ao sacerdote o Menino, que acabou de despertar e está movendo os olhinhos inocentes ao redor de si próprio, com aquele olhar espantado dos bebês de dias. O sacerdote o toma em seus braços, e o ergue, virado para o Templo, junto àquela espécie de altar, que está acima dos degraus. O rito terminou. O Menino é restituído à mamãe, e o sacerdote se retira.

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Maria e José vão apresentar Jesus no Templo.

EMF 32.5-6

O Evangelho como me foi revelado

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Há várias pessoas olhando, curiosas. Um velhi­nho encurvado abre caminho entre essas pessoas, mancando, e apoiando-se num bastão. Deve ter muita idade, eu diria, mais de oitenta anos. Aproxima-se de Maria, pedindo-lhe que o deixe pegar o Menino por um instante. Maria atende ao seu pedido, sorrindo.

Simeão pega o Menino e o beija. Eu sempre acreditei que ele pertencesse à classe sacerdotal, mas ao invés parecer ser apenas um simples fiel, a julgar pelas suas roupas. Jesus lhe sorri, fazendo aquela caretinha cheia de dúvidas, característica das crianças de peito. Parece que o observa com curiosidade, porque o velhinho está chorando e rindo ao mesmo tempo, e suas lágrimas fazem um verdadeiro bordado de pontinhos de luz, brilhando, enquanto vão-se insinuando por entre as rugas, enchendo de pérolas a barba longa e branca, para a qual Jesus estende as mãozinhas. É Jesus, mas é sempre um bebê, e tudo o que se move à sua frente lhe chama a atenção, e lhe dá vontade de pegar para conhecer melhor, seja lá o que for. Maria e José sorriem, e também os presentes, que elogiam a beleza do Pequenino.

Ouço as palavras[1] do velho santo, e vejo o olhar espantado de José, o olhar comovido de Maria e também da pequena multidão, em parte admirada mas também comovida, tomada pela alegria pelas palavras do velho. No meio da pequena multidão estão alguns barbudos e enfatuados sinedritas, que balançam a cabeça, olhando para Simeão com uma compaixão zombeteira. Devem pensar que está fora de seu juízo, pela idade.

32.6 O sorriso de Maria se apaga e se transforma em uma acentuada

palidez, quando Simeão lhe anuncia sua futura dor. Por mais que ela já o saiba, esta palavra lhe aflige o espírito. Ela se aproxima ainda mais de José, em busca de conforto, apertando com sentimento o seu Menino ao seio, bebendo, como alma sequiosa, as palavras de Ana[2] que, sendo mulher, tem piedade do sofrimento de Maria, e lhe promete que o Eterno amenizará com uma força sobrenatural, a hora de sua dor:

– Mulher­, para aquele que deu o Salvador ao seu povo, não faltará poder para mandar um anjo confortar-te no teu pranto. Nunca faltou a ajuda do Senhor às grandes mulheres de Israel, e tu és bem mais do que Judite e Jael. O nosso Deus te dará um coração de ouro puríssimo, para que possas resistir ao mar de dor, pelo qual te tornarás a maior mulher da criação, a Mãe. E tu, Menino, lembra-te de mim, na hora da tua missão.

E aqui cessa minha visão.

EMF 33

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : Canção de embalar da Virgem.

Data da visão: Terça-feira 28 de novembro de 1944

Calendário: julho de 2004

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Em Belém, Maria embala o seu filho.

Conteúdo do capítulo: 33.1: O bebé, com apenas alguns meses de idade, demora a adormecer. 33.2: A canção de embalar de Maria. 33.3: O menino Jesus nos braços da mãe. 33.4: A graça da visão.

EMF 33.1-4

O Evangelho como me foi revelado

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33.1 Esta manhã tive um despertar suave. Ainda estava entre as névoas do sono, e ouvia, uma voz muito clara, que cantava docemente uma lenta canção de ninar. Parecia uma pastoral de Natal, num ritmo vagaroso e antigo. Eu ia acompanhando aquele motivo e aquela voz, sempre mais me deleitando, e fui acordando, ao som daquelas ondas suaves. Finalmente, despertei completamente, e pude compreender. Então disse: “Eu te saúdo, Maria, cheia de graça!”, pois era a mãe que estava cantando. E ela começou a cantar mais forte, depois de ter dito: “Eu também te saúdo. Vem, e sê feliz!”

Eu a vi. Estava na casa de Belém, no quarto que ela ocupava, atenta em embalar Jesus, para fazê-lo dormir. No quarto estava o tear de Maria e uns trabalhos de costura. Parecia que Maria tivesse parado o trabalho para dar de mamar ao Menino, trocar-lhe as faixas, ou melhor, as fraldas, pois ele já era um bebê de meses. Diria seis ou oito meses, no máximo, e ela estava pensando em voltar ao trabalho, assim que o Menino tivesse adormecido.

Já era fim de tarde. O pôr-do-sol estava quase terminando, espalhando flocos de ouro pelo céu sereno. Os rebanhos voltavam ao cercado, pastando aqui e acolá as últimas folhas de um prado florido, e baliam, levantando o focinho.

O Menino custava a adormecer. Parecia estar um pouco inquieto, como os bebês costumam ficar por causa do nascer dos dentes, ou por algum outro desconforto do nascituro.

33.2 Escrevi, como pude, no escuro daquela hora matinal, num pedaço de papel, e agora o copio aqui:

“As nuvenzinhas douradas – quais rebanhos do Senhor.

Sobre o prado todo em flor – um outro rebanho está a olhar.

Mas se eu tivesse todos os rebanhos – que estão sobre a terra

Meu cordeirinho querido – haverias de ser sempre Tu…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Mil estrelas reluzentes – estão no céu a olhar.

Tuas serenas pupilas – não as faças mais chorar.

Os teus olhos de safira – são as estrelas do meu coração.

O teu pranto é a minha dor! – Oh! Não chores mais…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Todos os anjos resplandecentes – que no Paraíso estão,

fazem coroa a Ti inocente – para encantar-se com teu rosto.

Mas Tu choras. Queres a mamãe. – Queres a mamãe, mamãe,

aqui pertinho cantando: – nana nenê, nana nenê…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Depois o céu se tornará cor-de-rosa – pela aurora que retorna,

e a mamãe ainda não repousa – para não te deixar chorar.

Ao despertar, dirás: “mamãe!” – “Filho!”, eu te direi,

e um beijo de amor e vida – junto ao leite te darei…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Sem mamãe não podes estar – nem mesmo no Céu sonhando.

Vem ficar sob o meu véu, que eu te farei dormir.

O meu peito será teu travesseiro – os meus braços o teu berço.

Não tenhas medo algum! – Eu estou aqui Contigo…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Eu Contigo estarei sempre. – És a vida do meu coração…

Ele dorme… Parece uma flor – pousado sobre o meu seio…

Ele dorme… Não perturbem! – seu Pai Santo estará vendo?

Esta vista enxuga o pranto – do meu doce Jesus…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

33.3 Falar da graça desta cena, é impossível. Não é mais que uma mãe que embala o seu pequenino. Mas é aquela mãe, e Ele é aquele Pequenino! Poderia pensar que graça, que amor, que pureza, que Céu há nesta pequena, grande e suave cena, que só com sua lembrança me alegra. Para confirmá-la fica a melodia, que eu repito para mim. Para fazê-la ouvir também a ela. Mas eu não tenho aquela voz de Maria, de prata, puríssima, a voz virginal!… E, ao cantar, ficarei parecendo um realejo sem sonoridade. Mas, não importa. Farei como puder. Que bela canção não seria, para ser cantada em torno ao Berço de Natal!

A mãe antes balançava o berço. Mas depois, vendo que Jesus não se aquietava, tomou-o no colo, sentou-se perto da janela aberta, ao lado do bercinho e, balançando-o levemente, ao ritmo do canto, repetiu a cantiga duas vezes, até que o pequeno Jesus fechou os olhi­nhos, inclinou a cabecinha sobre o peito materno, e adormeceu assim, com o rostinho comprimido no calor bom daquele seio, com uma das mãozinhas apoiada sobre o seio da mãe, perto de seu rosti­nho rosado, e a outra mão abandonada sobre o colo materno. O véu de Maria fazia sombra para o santo Filhinho.

Depois Maria se levantou, com o maior dos cuidados, e colocou o seu Jesus no bercinho, cobrindo-o com os pequenos panos, estendeu por cima um véu para protegê-lo das moscas e do ar, e ficou parada ali, contemplando o seu Tesouro adormecido. Maria tinha uma mão sobre o coração, e a outra ainda apoiada sobre o berço, pronta para balançá-lo, se houvesse algum sinal de que o menino ia despertar, e sorria, feliz, estando um pouco inclinada, enquanto as sombras e o silêncio desciam sobre a terra e invadiam o quartinho da Virgem.

Que paz! Que beleza! Que felicidade!

33.4 Não é uma visão grandiosa, talvez seja julgada inútil no conjunto das outras porque não revela nada de especial. Eu sei. Mas para mim é uma verdadeira graça, e assim a reputo, porque torna plácido o meu espírito, puro e amoroso, como se estivesse sendo recriado pelas mãos da mãe. Penso que também a ela será agradável por este motivo. Somos todos “crianças.” Melhor assim! Desta forma agradamos a Jesus. Os outros, doutos e complicados, pensem o que quiserem, e nos chamem de “pueris.” Nós não nos preocupamos com isso, não é mesmo?

EMF 33.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

“As nuvenzinhas douradas – quais rebanhos do Senhor.

Sobre o prado todo em flor – um outro rebanho está a olhar.

Mas se eu tivesse todos os rebanhos – que estão sobre a terra

Meu cordeirinho querido – haverias de ser sempre Tu…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Mil estrelas reluzentes – estão no céu a olhar.

Tuas serenas pupilas – não as faças mais chorar.

Os teus olhos de safira – são as estrelas do meu coração.

O teu pranto é a minha dor! – Oh! Não chores mais…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Todos os anjos resplandecentes – que no Paraíso estão,

fazem coroa a Ti inocente – para encantar-se com teu rosto.

Mas Tu choras. Queres a mamãe. – Queres a mamãe, mamãe,

aqui pertinho cantando: – nana nenê, nana nenê…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Depois o céu se tornará cor-de-rosa – pela aurora que retorna,

e a mamãe ainda não repousa – para não te deixar chorar.

Ao despertar, dirás: “mamãe!” – “Filho!”, eu te direi,

e um beijo de amor e vida – junto ao leite te darei…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Sem mamãe não podes estar – nem mesmo no Céu sonhando.

Vem ficar sob o meu véu, que eu te farei dormir.

O meu peito será teu travesseiro – os meus braços o teu berço.

Não tenhas medo algum! – Eu estou aqui Contigo…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

Eu Contigo estarei sempre. – És a vida do meu coração…

Ele dorme… Parece uma flor – pousado sobre o meu seio…

Ele dorme… Não perturbem! – seu Pai Santo estará vendo?

Esta vista enxuga o pranto – do meu doce Jesus…

Dorme, dorme, dorme, dorme…

Não chores mais…

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Canção de embalar da Virgem e do Menino.

EMF 34

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Título do capítulo : A Adoração dos Magos. Este é o "Evangelho da fé".

Data da visão: Segunda-feira, 28 de fevereiro de 1944.

Calendário: outubro do ano 4 a.C.

Localização (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria vê Belém a meio da noite. A cidade está a dormir. Depois vê a estrela que guiava os Magos, brilhando de forma sobrenatural. A estrela parou em frente da estalagem onde estava alojada a Sagrada Família. Os Reis Magos pararam com os seus servos e adoraram pela primeira vez o Salvador, curvando-se até ao chão. Depois retiraram-se até à manhã seguinte. Para Maria, a visão pára e recomeça três horas mais tarde.

Os Magos tinham-se preparado e estavam vestidos com roupas majestosas. Vêm saudar respeitosamente o Menino. Aproveitam a ocasião para contar à Mãe a sua viagem e oferecem-lhe três presentes: ouro, como convém a um Rei, incenso, na sua qualidade de Deus, e mirra, porque o seu Filho, Redentor do mundo, teria de morrer. Maria empalidece perante esta menção, mas contém o seu sofrimento por detrás de um sorriso. Os três Reis Magos querem saudar o Menino uma última vez e vão-se embora. José acompanha-os até aos seus cavalos.

Em seguida, Jesus faz um ditado para o nosso tempo. Sublinha a fé dos três homens, o seu abandono em Deus, porque não têm dúvidas e confiam-lhe a sua viagem, sem se preocuparem com nada. O seu coração só tremeu quando chegaram a Jerusalém e a estrela se escondeu, mas a sua consciência tranquilizou-os. Cristo declara assim que aqueles que estão habituados a meditar e que têm uma consciência reta aprenderam a examinar-se a si próprios, para se rectificarem ao mais pequeno lapso de conduta.

Os Magos são também muito ricos, mas são humildes e, por isso, verdadeiramente grandes pela sua humildade. Vêem-se como pó perante o Altíssimo e, quando chegam a uma casa pobre, não dizem a si próprios: "É impossível! Adoram-na e depois partem, preparando-se para ir ver o seu Rei com dignidade. Por isso, vestem a sua melhor roupa, ao contrário dos homens que vão à Eucaristia com mil preocupações materiais.

Por fim, Jesus faz duas considerações. A primeira diz respeito a José, que se alegra com os presentes, mas mantém a humildade. Não se ofende com o facto de Maria estar na ribalta. Também ele é humilde, porque é verdadeiramente grande. A segunda centra-se em Maria, que incita Jesus a abençoar, mesmo quando ele se sente desencorajado pelas nossas más acções. Beija-lhe a mão trespassada e declara: "Tu és o Salvador. Salva! Jesus não pode recusar a sua Mãe, mas nós devemos esforçar-nos por ir ter com ela.

Conteúdo do capítulo: 34.1: Os Evangelhos da fé. 34.2: A planta da cidade de Belém. 34.3: Uma estrela cria ali um encanto. 34.4: Os Magos param ali de noite. 34.5: Em plena luz do dia, trazem os seus presentes. 34.6: Ajoelham-se diante da criança. 34.7: O mais velho conta a história da sua viagem. 34.8: O significado do ouro, do incenso e da mirra. 34.9: Saem de casa com pesar. 34.10: Os Magos tinham fé em tudo. 34.11: Não procuravam nenhum interesse pessoal. 34.12: A retidão da sua consciência. 34.13 : A sua humildade perante Deus. 34.14 : A sua piedade. 34.15 : São humildes, generosos, obedientes e respeitosos uns com os outros. 34.16 : José guardião e protetor da pureza e da santidade, sem usurpar direitos. 34.17 : Maria é nossa advogada. 34.18 : Meditar e imitar.