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Notas do tema

A Virgem Maria na vida pública de Cristo

Página 13 de 41

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EMF 28.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria está sobre um burrinho cinzento. Está toda enrolada no pesado manto. Na dianteira da sela está aquele instrumento, já visto na viagem para Hebron, e por cima, está o baú com as coisas mais essenciais.

José vai caminhando, ao lado do burrinho de Maria, segurando a rédea.

– Estás cansada? –pergunta ele de vez em quando.

Maria olha para ele, sorrindo, e diz:

– Não.

Mas, na terceira vez, ela acrescenta:

– Tu, sim, que estás caminhando, é que deves estar cansado.

– Oh! Eu? Para mim isso não é nada. O que penso é que se eu tivesse achado um outro jumento, podias estar com mais comodidade e andar um pouco mais. Mas eu não achei. Agora todos estão precisando de cavalgaduras. Tem coragem! Daqui a pouco, estaremos em Belém. Atrás daquele monte está Efrata.

Calam-se. A virgem, quando não está falando, parece recolher-se em uma oração interior. Sorri, com um sorriso manso, por algum pensamento passageiro e, olhando as pessoas, parece não as estar vendo, isto é, não as distingue, se trata-se de um homem, uma mulher, um velho, um pastor, um rico ou um pobre. O que ela vê são só pessoas.

– Estás com frio? –pergunta José, porque o vento começa a soprar.

– Não, obrigada.

Mas José não se fia no que ela diz. Toca com as mãos os pés dela, que vão pendurados aos lados do burrinho, calçados com sandálias, e que mal se vêem apontar por debaixo da longa veste. A José eles devem estar parecendo frios, porque ele sacode a cabeça, pega numa coberta que ia levando a tiracolo e com ela envolve as pernas de Maria. Ele a estende também sobre o regaço, de maneira que as mãos dela fiquem bem quentes por debaixo da coberta e do manto.

Detalhe

Maria e José vão a Belém para o edital de recenseamento. Estamos no inverno.

EMF 28.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

28.3 Retomam a estrada. Um vale bem maior se faz ver do alto do morro que acabam de galgar. No vale, para cima e para baixo, pelos declives suaves que o circundam, aparecem casas e mais casas. É Belém.

– Eis-nos, afinal, na terra de Davi, Maria. Agora descansarás, pois me pareces tão cansada…

– Não. Eu pensava… estou pensando…

Maria agarra a mão de José e lhe diz com um alegre sorriso:

– Acho que o tempo chegou mesmo!

– Deus de misericórdia! Como vamos fazer?

– Não tenhas medo, José. Procura ficar firme. Não vês como eu estou calma?

– Mas estás sofrendo muito.

– Oh! não. Estou cheia de alegria. Uma alegria tal, e tão forte, tão bela, tão incontrolável, que o meu coração está batendo forte, e me está dizendo: “Ele está nascendo! Ele está nascendo!” A cada batida, ele diz isso. É o meu Menino, que está batendo à porta do meu coração, e está dizendo: “mamãe, eu estou aqui e vim te dar o beijo de Deus.” Oh! Que alegria meu José!

Mas José não se sente invadido por aquela alegria dela. Ele está pensando na necessidade urgente de encontrar um abrigo, e aperta o passo. De porta em porta, vai pedindo um abrigo. Nada. Tudo ocupado. Chegam ao albergue. Está cheio, até por baixo dos pórticos rústicos, que circundam o grande pátio interno, com gente que acampou por ali.

José deixa Maria sobre o burrinho, dentro do pátio, e sai procurando pelas outras casas. Volta desanimado. Não se acha nada. O rápido escurecer deste tempo de inverno já começa a se estender sobre a terra. José vai suplicar ao albergador. Suplica aos viajantes, e lhes diz que eles são homens e estão com saúde, e que aqui há uma mulher que está para dar à luz um filho, e que eles tenham piedade. Mas nada.

Neste lugar está também um rico fariseu, que olha para José e Maria com um manifesto desprezo e, quando Maria se aproxima dele, ele se desvia dela, como se estivesse chegando perto uma leprosa. José olha para ele, e um rubor de desdém lhe sobe ao rosto. Maria pousa a mão sobre o pulso de José, para acalmá-lo, e lhe diz:

– Não insistas! Vamos. Deus providenciará.

Detalhe

Maria e José vão a Belém para o edital de recenseamento. Estamos no inverno.

EMF 29

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : O nascimento de Jesus. O poder salvador da maternidade divina de Maria.

Data da visão e do ditado: Terça-feira 6 de junho de 1944

Calendário: Quarta-feira 11 de dezembro - 5 d.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria e José estão na manjedoura em Belém. José adormeceu, mas Maria não. Ela vê que o marido está a dormir e sorri largamente, depois coloca-se discretamente em posição de oração. A Virgem reza intensamente. José acorda finalmente e dirige algumas palavras a Maria, para ver se ela precisa de alguma coisa. Depois, também ele decide rezar à lareira.

A luz da lua chega a Maria e, a certa altura, ela levanta a cabeça, como se respondesse a um chamamento. Sorriu e a luz tornou-se cada vez mais forte, envolvendo-a completamente. Quando a luz se tornou suportável para Maria, a Imaculada Conceição segurou o seu Filho nos braços. O bebé chorou e ela chamou o marido. Ele foi como que atingido por um raio quando viu o Salvador, mas Maria convidou-o a aproximar-se e ofereceu-o ao Pai com José. Ela confia então Jesus ao seu suposto pai, enquanto ele vai buscar as faixas. A princípio, ele foi muito reservado, com medo de ser desrespeitoso, mas assim que o teve nos braços, abandonou a sua intenção inicial e cuidou dele como se fosse a menina dos seus olhos. Juntamente com Maria, colocam-no em faixas e envolvem-no num cobertor que aqueceram à lareira, e então a Mãe pergunta, com razão, onde vão colocar o Menino. José sugere então que o coloquem numa manjedoura ao lado do boi, porque a madeira o protegeria das correntes de ar, o feno serviria de almofada e o hálito do animal, que era calmo e tranquilo, o aqueceria um pouco. E assim fizeram. E depois ambos adoraram o Redentor que tinha descido do Céu para nos salvar.

Maria dá então um ditado a Maria. Anuncia a Maria um tempo de sofrimento, mas diz-lhe que é através do sofrimento que se ganha a paz, "bem como a graça para nós e para os outros". Fala de Jesus Homem que, depois da Paixão, voltou a ser Jesus Deus, mas que não teve paz no momento da sua provação, porque de outra forma não teria sofrido.

Depois a Mãe dá uma lição para todos, explicando como participou na redenção das mulheres através da sua maternidade divina.

Ela venceu o orgulho, humilhando-se até ao mais profundo do seu ser. Ela venceu a ganância dos nossos primeiros pais, entregando antecipadamente o seu Filho. Ultrapassou a ganância do conhecimento e do prazer, aceitando saber apenas o que Deus queria que ela soubesse. A plenitude da Graça venceu a luxúria, que é a gula levada ao ponto da gula. Por fim, deu a paz à mulher aos pés da Cruz, quando viu o seu Filho morrer. A Virgem morreu nesse momento, para se tornar a Mãe da Graça.

Sublinha que foi pelas mulheres que ela fez tudo isto, para que nós nos tornássemos santos de Deus.

Índice do capítulo: 29.1: Maria e José em oração. 29.2: Uma luz transfigura Maria. 29.3: O menino nasce numa luz deslumbrante. 29.4: A criança é oferecida a Deus e entregue a José. 29.5: Apressa-se a protegê-lo do frio. 29.6: É no sofrimento que se ganha a paz. 29.7: Eu redimi o quádruplo pecado de Eva. 29.8: A humildade contra o orgulho. 29.9 : A renúncia contra a avareza. 29.10: A fome de Deus contra a gula. 29.11: A castidade contra a luxúria. 29.12: A paz obtida aos pés da cruz. 29.13: A participação na redenção.

EMF 29.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo ainda o interior deste pobre refúgio rochoso, onde José e Maria encontraram o abrigo que compartilham com animais.

Um pequeno fogo está cochilando junto ao seu guardião. Maria levanta um pouco a cabeça da enxerga, e olha. Vê José com a cabeça inclinada sobre o peito, como se estivesse pensando, e ela também acha que o cansaço deva ter vencido a sua boa vontade em ficar acordado todo o tempo. Maria sorri com um sorriso cheio de bondade e, fazendo menos barulho do que pode fazer uma borboleta ao pousar sobre uma rosa, se põe sentada e, depois de sentada, se põe de joelhos. Reza com um sorriso feliz em seu rosto. Reza de braços abertos, não propriamente cruzados, mas quase, e com as palmas viradas para o alto e para a frente. Nem parece ficar cansada naquela penosa posição. Depois, se prostra com o rosto contra o feno, em uma oração ainda mais intensa. É uma longa oração.

José desperta. Vê que o fogo está quase apagado e a gruta está ficando escura. Joga um punhado de gravetos bem finos, e a chama se ergue de novo; procura depois uns galhos mais grossos, porque o frio deve ser de gelar. É o frio da noite serena de inverno, que entra por todos os lados da gruta. O pobre José, perto da porta (chamamos assim de porta a abertura sobre a qual está estendido seu manto) deve estar se enregelando. Ele aproxima as mãos da chama, desata as sandálias, aproxima também os pés. Procura aquecer-se. E, quando o fogo já está bem vivo, sua luz firme, vira as costas. Mas agora não vê nada, nem mesmo a brancura do véu de Maria, que antes formava uma linha clara sobre o feno escuro. Põe-se de pé e, lentamente, vai-se aproximando da enxerga.

– Não estás dormindo, Maria? –ele pergunta.

Faz a mesma pergunta três vezes, até que Maria estremece, e lhe responde:

– Estou rezando.

– Não estás precisando de nada?

– Não, José.

– Procura dormir um pouco. Ou, pelo menos, descansar.

– Vou procurar. Mas rezar não me cansa.

– Até logo, Maria.

– Até logo, José.

Maria volta à sua posição. José, para não cair de novo no sono, põe-se de joelhos perto do fogo, e reza. Reza apertando as mãos sobre o rosto. Tira-as, cada vez que precisa alimentar o fogo, voltando à sua fervorosa oração. Com exceção do barulho da lenha que crepita no fogo e o do burrinho que, de vez em quando, bate um casco no chão, não se ouve mais nada.

29.2 Um pouco de luar está entrando por uma fenda do teto, e parece a lâmina de alguma prata imaterial, que vai-se aproximando de Maria. A lâmina vai-se alongando, à medida que a lua vai ficando mais alta no céu e, finalmente a alcança. Agora, já está sobre a cabeça da orante, ornando-a com uma auréola de luz.

Maria levanta a cabeça, como se tivesse sido chamada por uma voz do céu, e se põe de novo de joelhos. Oh! Como é belo aqui. Maria ergue de novo a cabeça, que parece estar brilhando, à luz branca da lua, e um sorriso não humano a transfigura. Que é que ela estará vendo? Que estará ouvindo? Que estará experimentando? Somente Ela poderia dizer o que está vendo, ouvindo e o que experimentou na hora esplendorosa de sua maternidade. Eu vejo apenas a luz crescendo sempre mais, ao redor dela. Parece descer do Céu, saindo das pobres coisas que estão ao redor, e parece emanar dela mesma, ainda mais.

Sua veste, de um azul escuro, parece agora de um suave celeste de miosótis. Suas mãos e seu rosto parecem ficar de um azul muito delicado, como os de alguém que fosse colocado sob o foco de uma imensa safira clara. Esta cor, ainda mais tênue, me faz lembrar as cores das minhas visões do santo Paraíso, e também a cor da chegada dos Magos, uma cor que vai-se difundindo sobre as coisas e as vestes, purificando tudo, e tornando-as resplandecentes.

A luz, que se desprende sempre mais do corpo de Maria, absorve a luz da lua, e parece que ela atraia a si toda a luz do Céu. Agora ela é a depositária da Luz. É ela que deve dar esta Luz ao mundo. E esta Luz beatífica, incontrolável, imensurável, eterna e divina, está para ser dada, e se anuncia como uma luz de aurora crescendo, um coro de átomos aumentando, a maré subindo, a nuvem do incenso espalhando-se, para descer depois como uma enchente e estender-se como um véu…

O teto, cheio de fendas, teias de aranha, entulhos que em cima se estendem para a frente, estão em equilíbrio por um milagre da estática, esse teto que antes era tão enegrecido, enfumaçado e repelente, está parecendo agora o teto de uma sala real. Cada uma das grandes pedras é um bloco de prata, cada fenda é um lampejar de opalas, cada teia de aranha é um baldaquim precioso, confeccionado com prata e diamantes. Uma lagartixa grande e verde, que está dormindo em letargia entre duas pedras, parece um colar de esmeraldas esquecido por alguma rainha. Um cacho de morcegos, também em letargia, parece um precioso lampadário de ônix. O feno, que está na manjedoura de cima, já não é mais uma erva: são fios e mais fios de prata pura, que tremulam no ar com a graça de uma cabeleira solta.

A manjedoura de baixo está com sua madeira de cor escura transformada em bloco de prata brunida. As paredes estão cobertas de um brocado no qual a alvura da seda desaparece sob o bordado opalino do relevo, e o solo… o que é o solo agora? É um cristal que possui luz branca acesa em si mesmo. As saliências são como rosas de luz projetadas em homenagem ao solo; e os próprios buracos são vasos preciosos, de onde devem emanar aromas e perfumes.

29.3 A luz vai-se tornando cada vez mais forte. Ela fica insuportável para a vista. A virgem desaparece nela, como se estivesse sendo absorvida por um véu incandescente… e dele surge a mãe.

Sim. Quando a luz volta a ser suportável aos meus olhos, vejo Maria com o Filho recém-nascido nos braços. Um pequenino, todo róseo e gorducho, que agita os braços e esperneia. Tem as mãozinhas do tamanho de botões de rosa e seus pezinhos caberiam na corola de uma rosa. Ele solta vagidos com sua vozinha trêmula, como a de um cordeirinho que acaba de nascer, abrindo a boquinha, que mais parece um moranguinho selvagem, e mostrando a linguinha que bate repetidamente contra o véu palatino. Move a cabecinha loira, que me parece quase sem cabelos, essa cabecinha redonda que a mamãe sustenta na palma de sua mão, enquanto olha o Menino e o adora, chorando e rindo ao mesmo tempo, e se inclina para beijá-lo não em sua cabecinha­, mas em seu peito, onde está batendo seu coraçãozinho, batendo por nós… é nesse coração em que um dia haverá uma ferida. E Maria, com antecipação, já medica tal ferida, com seu beijo imaculado de mãe.

O boi, despertado pela claridade, levanta-se, fazendo um grande barulho com seus cascos, e muge, enquanto o burrinho vira a cabeça e urra. É a luz que os desperta, mas eu gosto de pensar que eles quiseram saudar o seu Criador, por si mesmos, mas também por todos os animais.

29.4 Também José que, quase extasiado, estava rezando de um modo tão recolhido, que nem notou o que estava acontecendo ao redor, volta a si da oração, vendo filtrar-se aquela estra­nha­ luz entre os dedos das mãos, que estão unidas sobre o rosto. Tira, então, as mãos do rosto, levanta a cabeça e se vira para trás. O boi, que agora se pôs de pé, está escondendo Maria. Mas ela diz:

– José, vem cá.

José se aproxima dela. E, ao ver, pára dominado por um sentimento de reverência, e está para cair de joelhos lá mesmo no lugar em que está. Mas Maria insiste, dizendo:

– Vem cá, José –e, firmando a mão esquerda sobre o feno, com a direita ela segura apertado contra o seu coração o Menino. Levanta-se então, indo ao encontro de José, que caminha tropegamente, embaraçado pelo contraste do seu desejo de aproximar-se e o temor de ser irreverente.

Aos pés do catre, os dois esposos se encontram e olham um para o outro, num só e feliz pranto.

– Vem, vamos oferecer Jesus ao Pai –diz Maria.

Enquanto José se ajoelha, ela se põe de pé entre dois troncos que sustentam o teto, levanta o Filho em seus braços, e diz:

– Eis-me aqui, Senhor. Por Ele, ó Deus, eu te digo esta palavra. Eis-me aqui para fazer a tua vontade. Com Ele estamos eu, Maria, e José, meu esposo. Eis-nos aqui, teus servos, Senhor! A tua vontade seja feita sempre por nós, em toda hora e em todos os acontecimentos, para a tua glória e pelo teu amor.

Depois, Maria se inclina e diz:

– Toma-o, José –oferecendo-lhe o Menino.

– Eu? Tu o entregas a mim? Oh! não! Eu não sou digno.

José está completamente apavorado, e se sente aniquilado, só diante da idéia de ter que tocar em Deus.

Mas Maria insiste com ele, sorrindo:

– Tu és bem digno disso, sim. Ninguém mais do que tu. Por isso é que o Altíssimo te escolheu. Toma-o, José, e segura-o, enquanto eu vou buscar as roupinhas.

José, vermelho como escarlate, estende os braços e pega aquele embrulhinho de carne que está gritando de frio e, quando já está com ele nos braços, não se deixa mais levar pela vontade de tê-lo afastado do seu corpo pelo respeito, mas o aperta ao coração, dizendo numa grande explosão de pranto:

– Ó Senhor! Ó meu Deus!

Ao inclinar-se para beijar-lhe os pezinhos, percebe que eles estão frios e, então, senta-se no chão e o põe em seu colo procurando cobri-Lo com a veste marrom e as mãos, aquecendo-O e defendendo-O do vento frio da noite. Ele bem que gostaria de ir para perto do fogo, mas passa por lá aquela corrente de ar da entrada. É melhor ficar por aqui mesmo. É melhor, aliás, ficar entre os animais, que servem de escudo contra o ar, e que produzem calor. Assim pensando, coloca-se entre o boi e o jumento, com as costas para a porta, inclinando-se sobre o Recém-Nascido, fazendo do seu peito um nicho, cujas paredes laterais são: uma cabeça cinzenta com longas orelhas­ e um grande focinho branco, com um nariz que solta vapor quente, e olhos úmidos, cheios de bondade.

29.5 Maria abriu o baú, tirando linhos e cueiros. Depois foi para perto do fogo, e aqueceu os panos. Vai então a José, envolvendo o Menino naqueles tecidos mornos e no seu véu para proteger-lhe a cabecinha.

– Onde vamos colocá-lo agora? –ela pergunta.

José está olhando ao redor, pensativo…

– Espera! –diz ele–. Vamos afastar um pouco os animais e o feno deles. Depois jogamos para baixo aquele feno que está no alto colocando-o aqui dentro. A madeira da beirada protegerá o Menino do ar frio, o feno lhe servirá de travesseiro, e o boi com o seu hálito o aquecerá um pouco. Para isso, é melhor o boi. Ele é mais paciente e sossegado.

José põe mãos à obra, enquanto Maria nina o seu Menino, apertando-o ao coração, conservando sua face sobre a cabecinha para dar-lhe mais algum calor.

José atiça o fogo, sem economizar mais a lenha, para conseguir uma boa chama, esquentar o feno, e à medida que o feno se enxuga ele o coloca no peito, para que não se esfrie. Depois, quando já apanhou o bastante para fazer um colchãozinho para o Menino, vai até a manjedoura e o põe, de modo a tomar a forma de um pequeno berço.

– Está pronto! –diz ele–. Agora precisaríamos de uma coberta, para cobrir o Menino, pois o frio está forte…

– Toma o meu manto –diz Maria.

– Mas tu ficarás com frio.

– Oh! Não faz mal! O cobertor é áspero demais. O manto é macio e quente. Eu não tenho frio algum. Mas quero que Ele não sofra mais!

José pega, então o grande manto de lã macia, de cor azul clara, e o coloca dobrado sobre o feno, com uma beirada que fica pendurada para fora da manjedoura. Assim, o primeiro leito do Salvador ficou pronto.

E a mãe o leva, com passos cheios de graça e doçura, a fim de colocá-Lo na manjedoura cobrindo-O com a beirada do manto, que ajeita também ao redor da cabecinha descoberta, que começou a afundar-se no feno, e estava protegida apenas pelo leve véu de Maria, contra esta aspereza. Permanece descoberto somente o rostinho do tamanho do punho, e os dois, inclinados sobre a manjedoura, o ficam olhando felizes, enquanto ele dorme o seu primeiro sono, porque o calor bom dos cueiros e do feno lhe acalmou o choro, e o doce Jesus conciliou o sono.

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Nascimento de Jesus: Ver 29.2-3.

Anotação

Lucas 2,6-7: Enquanto estavam ali, cumpriu-se o tempo em que ela devia dar à luz. Envolveu-o em panos e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na sala comum.

EMF 29.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José desperta. Vê que o fogo está quase apagado e a gruta está ficando escura. Joga um punhado de gravetos bem finos, e a chama se ergue de novo; procura depois uns galhos mais grossos, porque o frio deve ser de gelar. É o frio da noite serena de inverno, que entra por todos os lados da gruta. O pobre José, perto da porta (chamamos assim de porta a abertura sobre a qual está estendido seu manto) deve estar se enregelando. Ele aproxima as mãos da chama, desata as sandálias, aproxima também os pés. Procura aquecer-se. E, quando o fogo já está bem vivo, sua luz firme, vira as costas. Mas agora não vê nada, nem mesmo a brancura do véu de Maria, que antes formava uma linha clara sobre o feno escuro. Põe-se de pé e, lentamente, vai-se aproximando da enxerga.

– Não estás dormindo, Maria? –ele pergunta.

Faz a mesma pergunta três vezes, até que Maria estremece, e lhe responde:

– Estou rezando.

– Não estás precisando de nada?

– Não, José.

– Procura dormir um pouco. Ou, pelo menos, descansar.

– Vou procurar. Mas rezar não me cansa.

– Até logo, Maria.

– Até logo, José.

Maria volta à sua posição. José, para não cair de novo no sono, põe-se de joelhos perto do fogo, e reza. Reza apertando as mãos sobre o rosto. Tira-as, cada vez que precisa alimentar o fogo, voltando à sua fervorosa oração. Com exceção do barulho da lenha que crepita no fogo e o do burrinho que, de vez em quando, bate um casco no chão, não se ouve mais nada.

EMF 29.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Também José que, quase extasiado, estava rezando de um modo tão recolhido, que nem notou o que estava acontecendo ao redor, volta a si da oração, vendo filtrar-se aquela estra­nha­ luz entre os dedos das mãos, que estão unidas sobre o rosto. Tira, então, as mãos do rosto, levanta a cabeça e se vira para trás. O boi, que agora se pôs de pé, está escondendo Maria. Mas ela diz:

– José, vem cá.

José se aproxima dela. E, ao ver, pára dominado por um sentimento de reverência, e está para cair de joelhos lá mesmo no lugar em que está. Mas Maria insiste, dizendo:

– Vem cá, José –e, firmando a mão esquerda sobre o feno, com a direita ela segura apertado contra o seu coração o Menino. Levanta-se então, indo ao encontro de José, que caminha tropegamente, embaraçado pelo contraste do seu desejo de aproximar-se e o temor de ser irreverente.

Aos pés do catre, os dois esposos se encontram e olham um para o outro, num só e feliz pranto.

– Vem, vamos oferecer Jesus ao Pai –diz Maria.

Enquanto José se ajoelha, ela se põe de pé entre dois troncos que sustentam o teto, levanta o Filho em seus braços, e diz:

– Eis-me aqui, Senhor. Por Ele, ó Deus, eu te digo esta palavra. Eis-me aqui para fazer a tua vontade. Com Ele estamos eu, Maria, e José, meu esposo. Eis-nos aqui, teus servos, Senhor! A tua vontade seja feita sempre por nós, em toda hora e em todos os acontecimentos, para a tua glória e pelo teu amor.

Depois, Maria se inclina e diz:

– Toma-o, José –oferecendo-lhe o Menino.

– Eu? Tu o entregas a mim? Oh! não! Eu não sou digno.

José está completamente apavorado, e se sente aniquilado, só diante da idéia de ter que tocar em Deus.

Mas Maria insiste com ele, sorrindo:

– Tu és bem digno disso, sim. Ninguém mais do que tu. Por isso é que o Altíssimo te escolheu. Toma-o, José, e segura-o, enquanto eu vou buscar as roupinhas.

José, vermelho como escarlate, estende os braços e pega aquele embrulhinho de carne que está gritando de frio e, quando já está com ele nos braços, não se deixa mais levar pela vontade de tê-lo afastado do seu corpo pelo respeito, mas o aperta ao coração, dizendo numa grande explosão de pranto:

– Ó Senhor! Ó meu Deus!

Ao inclinar-se para beijar-lhe os pezinhos, percebe que eles estão frios e, então, senta-se no chão e o põe em seu colo procurando cobri-Lo com a veste marrom e as mãos, aquecendo-O e defendendo-O do vento frio da noite. Ele bem que gostaria de ir para perto do fogo, mas passa por lá aquela corrente de ar da entrada. É melhor ficar por aqui mesmo. É melhor, aliás, ficar entre os animais, que servem de escudo contra o ar, e que produzem calor. Assim pensando, coloca-se entre o boi e o jumento, com as costas para a porta, inclinando-se sobre o Recém-Nascido, fazendo do seu peito um nicho, cujas paredes laterais são: uma cabeça cinzenta com longas orelhas­ e um grande focinho branco, com um nariz que solta vapor quente, e olhos úmidos, cheios de bondade.

29.5 Maria abriu o baú, tirando linhos e cueiros. Depois foi para perto do fogo, e aqueceu os panos. Vai então a José, envolvendo o Menino naqueles tecidos mornos e no seu véu para proteger-lhe a cabecinha.

– Onde vamos colocá-lo agora? –ela pergunta.

José está olhando ao redor, pensativo…

– Espera! –diz ele–. Vamos afastar um pouco os animais e o feno deles. Depois jogamos para baixo aquele feno que está no alto colocando-o aqui dentro. A madeira da beirada protegerá o Menino do ar frio, o feno lhe servirá de travesseiro, e o boi com o seu hálito o aquecerá um pouco. Para isso, é melhor o boi. Ele é mais paciente e sossegado.

José põe mãos à obra, enquanto Maria nina o seu Menino, apertando-o ao coração, conservando sua face sobre a cabecinha para dar-lhe mais algum calor.

José atiça o fogo, sem economizar mais a lenha, para conseguir uma boa chama, esquentar o feno, e à medida que o feno se enxuga ele o coloca no peito, para que não se esfrie. Depois, quando já apanhou o bastante para fazer um colchãozinho para o Menino, vai até a manjedoura e o põe, de modo a tomar a forma de um pequeno berço.

– Está pronto! –diz ele–. Agora precisaríamos de uma coberta, para cobrir o Menino, pois o frio está forte…

– Toma o meu manto –diz Maria.

– Mas tu ficarás com frio.

– Oh! Não faz mal! O cobertor é áspero demais. O manto é macio e quente. Eu não tenho frio algum. Mas quero que Ele não sofra mais!

José pega, então o grande manto de lã macia, de cor azul clara, e o coloca dobrado sobre o feno, com uma beirada que fica pendurada para fora da manjedoura. Assim, o primeiro leito do Salvador ficou pronto.

E a mãe o leva, com passos cheios de graça e doçura, a fim de colocá-Lo na manjedoura cobrindo-O com a beirada do manto, que ajeita também ao redor da cabecinha descoberta, que começou a afundar-se no feno, e estava protegida apenas pelo leve véu de Maria, contra esta aspereza. Permanece descoberto somente o rostinho do tamanho do punho, e os dois, inclinados sobre a manjedoura, o ficam olhando felizes, enquanto ele dorme o seu primeiro sono, porque o calor bom dos cueiros e do feno lhe acalmou o choro, e o doce Jesus conciliou o sono.

Detalhe

Jesus acaba de nascer. Ela fala com José.

EMF 29.7-12

O Evangelho como me foi revelado

Citação

29.7 Eu, Maria, redimi a mulher com a minha maternidade divina. Mas isso não foi mais que o início da redenção da mulher. Negando-me a quaisquer esponsais pelo voto de virgindade, eu tinha rejeitado todo prazer de concupiscência, e merecido a graça de Deus. Isso, porém ainda não bastava. Porque o pecado de Eva era uma árvore de quatro ramos: soberba, avareza, gula e luxúria. Todos os quatro deviam ser cortados, a fim de esterilizar a árvore desde as raízes.

29.8 Humilhando-me profundamente, eu venci a soberba.

Humilhei-me diante de todos. Não estou falando da minha humildade para com Deus. Esta é devida ao Altíssimo por toda criatura. O Verbo de Deus a teve. Eu, uma mulher, a devia ter. Mas terás já refletido por quantas humilhações da parte dos homens eu tive que passar, sem me defender de modo nenhum? Até José, que era justo, me havia acusado em seu coração. Os outros, que não eram justos, tinham­ pecado por murmuração a respeito do meu estado, e o baru­lho dessas palavras veio, como uma onda amarga, quebrar-se contra a minha natureza humana.

Foram estas as primeiras das infinitas humilhações que a minha vida, como mãe de Jesus e do genero humano, me fizeram sofrer. Humilhações de pobreza, humilhações de uma fugitiva, humilhações pelas censuras dos parentes e amigos que, não sabendo a verdade, julgavam fraco o meu modo de ser mãe para com o meu Jesus, quando Ele se tornou jovem. Humilhações durante os três anos do seu ministério, humilhações cruéis na hora do Calvário, humilhações até em ter que reconhecer que eu não tinha com que comprar o lugar e os aromas, para a sepultura do meu Filho.

29.9 Eu venci a avareza dos Progenitores, renunciando antecipadamente ao meu Filho.

Uma mãe não renuncia nunca ao seu filho, a não ser que seja forçada. Se essa renúncia for solicitada ao seu coração pela Pátria, pelo amor de uma esposa, ou até pelo próprio Deus, ela sente o desejo de insurgir-se contra a separação. É natural. O filho cresce em nosso ventre, e nunca é completamente cortada a ligação que sua pessoa tem com a nossa. Mesmo depois de cortado o canal vital que é o cordão umbilical, sempre fica um elo espiritual, que nasce no coração da mãe, mais vivo e sensível do que um elo físico, o qual se introduz no coração do filho, esticando até à dor, se o amor de Deus, de uma criatura, da Pátria afasta o filho da própria mãe. Este elo se despedaça, dilacerando o coração, se a morte arrebata o filho de sua mãe.

Eu renunciei ao meu Filho, desde o momento em que O tive. Dei-O a Deus. Dei-O a vós. Eu me despojei do Fruto do meu ventre, para reparar o furto cometido por Eva, do fruto de Deus.

29.10 Eu venci a gula, tanto do saber como do gozar, aceitando saber unicamente o que Deus queria que eu soubesse, sem perguntar a mim mesma nem a Ele nada mais, além do que foi dito. Acreditei sem investigar. Venci a gula do gozar, porque neguei a mim mesma todo sabor de sensualidade. Pus minha carne debaixo dos meus pés. Confinei a carne, instrumento de satanás, colocando satanás debaixo de meu calcanhar, a fim de fazer da carne um degrau para aproximar-me do Céu. O Céu! Ele era a minha meta. Era lá que estava Deus. Deus, a minha única fome. Fome esta que não é gula, mas sim, necessidade abençoada por Ele, o qual quer que a tenhamos.

29.11 Eu venci a luxúria, que é a gula, convertida em voracidade, porque todo vício não contido conduz a um vício maior. A gula de Eva, além de reprovável em si mesma, a conduziu à luxúria. Não lhe bastou procurar a satisfação sozinha. Quis levar o seu delito até uma refinada intensidade, conhecendo e se fazendo mestra de luxúria para o companheiro. Eu inverti os termos e, em lugar de descer, sempre subi. Em lugar de fazer descer, eu sempre atraí para o alto, e do meu companheiro, um homem honesto fiz um anjo.

Agora que eu possuía Deus, e com Ele as Suas riquezas infinitas, apressei-me a despojar-me delas, dizendo: “Que seja feita a tua vontade para Ele e por Ele”. Casto é aquele que se auto contém, não só na carne, mas também nos afetos e nos pensamentos. Eu devia ser a casta, para anular a impudica da carne, do coração e da mente. Não saí da minha reserva, para dizer a respeito do meu único Filho na terra e único Filho de Deus no Céu: “Ele é meu, e eu O quero.”

29.12 Contudo, isso não bastava para obter para a mulher, a paz perdida por Eva. Aquela paz eu vo-la obtive aos pés da Cruz. Ao ver morrer Aquele que tu viste nascer. Ao sentir minhas entranhas sendo arrancadas, ao grito do meu Filho que estava morrendo, fiquei vazia de todo feminismo: não mais carne, mas anjo. Maria, a virgem desposada com o Espírito, morreu naquele momento. Ficou a mãe da graça, aquela que do seu tormento gerou e vos deu a graça a Graça. O gênero da mulher que eu tinha voltado a consagrar na noite de Natal, aos pés da Cruz conseguiu se tornar criatura dos Céus.

Fiz isso por vós, negando-me qualquer satisfação, ainda que santa. Eu fiz de vós, se o desejais, santas de Deus, vós que fostes reduzidas por Eva a fêmeas não superiores às companheiras dos animais. Por vós eu subi. Como fiz com José, eu vos levei para o alto. A rocha do calvário é o meu Monte das Oliveiras. Foi dali que eu tomei o impulso para levar a alma da mulher aos céus, de novo santificada, junto com minha carne glorificada, por ter trazido o Verbo de Deus, e anulado em mim todo vestígio de Eva. Ela foi a última raiz daquela árvore dos quatro ramos venenosos, com a raiz fincada na sensualidade, que arrastou a humanidade à queda e que haverá de morder as vossas entranhas, até ao fim dos séculos, até à última mulher. De lá, de onde agora eu brilho no raio do Amor, eu vos chamo, e vos indico o remédio para vós vencerdes a vós mesmas: a graça do meu Senhor e o sangue do meu Filho.

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O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : O anúncio aos pastores, primeiros adoradores do Verbo feito homem.

Data da visão e do ditado: Quarta-feira, 7 de junho de 1944 (Vigília do Corpo de Cristo)

Calendário: Quarta-feira, 11 de dezembro - 5 d.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: A visão de Maria começa no campo de Belém. Há uma luz muito brilhante no céu, que atrai a atenção dos animais e das pessoas. Um dos pastores sai e chama os seus companheiros, que ficam intrigados com o fenómeno. Um dos pastores mais novos começa mesmo a chorar, até que recupera a calma e parece cativado por algo: deixa de prestar atenção aos outros e avança. Isso fez os seus companheiros reflectirem e resmungaram um pouco, mas o jovem Levi falou-lhes de uma luz que descia. Depois foi o primeiro a ver um anjo e todos se ajoelharam para receber o servo do Senhor. O mensageiro angélico deu-lhes a feliz notícia do nascimento do Salvador e, em seguida, uma multidão de anjos cantou o Glória. Depois voltaram para o céu, deixando os pastores sozinhos. Mas os pastores não adiaram: puseram-se a caminho em direção ao berço, levando uma bela manta para o Menino e uma ovelha para lhe dar leite quente.

Chegaram... Mas não sabiam como o fazer. Convidaram então o mais novo, Levi, para ver o que se passava. O pastor observa e diz-lhes que a Virgem cuida do seu bebé, que chora de fome e de frio. Os pastores querem que Levi se aproxime, mas o jovem quer que Elias se aproxime, pois já conheceu Maria e José em MTS 28. Os pastores dão-se assim a conhecer e podem adorar a criança. Oferecem-lhe os seus presentes e deixam entrar Elias, que tinha ficado à entrada, sem se atrever a aproximar-se. Jesus pode assim receber leite quente.

Os pastores dizem que a Sagrada Família não pode ficar aqui e prometem ajudá-los e espalhar a notícia do nascimento do Senhor. Quando José lhes chama a atenção para o facto de serem pobres e não os poderem compensar, eles dizem que não querem nada. Pelo contrário, queriam servir o Menino e os seus pais. Quando Maria respondeu às suas perguntas e lhes disse que os seus pais eram Zacarias e Isabel, Elias ofereceu-se para ir ter com ele e dizer-lhe que Maria de Nazaré lhe tinha pedido para vir a Belém.

Por fim, cada pastor apresenta-se pelo seu nome e retira-se... deixando o seu coração, como explica Maria Valtorta.

Jesus faz então um ditado e declara que os pastores são os primeiros adoradores da Palavra. Eles têm todas as qualidades necessárias para serem almas eucarísticas, pois têm uma fé definida, generosidade, humildade, desejo, obediência pronta e, por fim, amor. Finalmente, Cristo sublinha que aqueles que têm alma de criança, como Levi, sabem ver Deus mais claramente e têm mais coragem de recorrer a Maria. Convida-nos a rezar a Maria, pois quem vai a Maria encontra-O e quem O pede a Maria recebe-O através da sua Mãe.

Conteúdo do capítulo: 30.1: Uma lua deslumbrante no campo. 30.2: Um pastor atraído por uma luz mais brilhante. 30.3: Um anjo aparece e fala aos pastores. 30.4: Uma multidão de anjos canta o Glória. 30.5: O pastor do dia anterior aponta para a manjedoura. 30.6: O que o jovem pastor vê por detrás do manto à entrada. 30.7: A pele de uma ovelha e o leite quente são apresentados. 30.8: Elias vai encontrar uma casa e avisa Zacarias. 30.9: Os doze pastores dão os seus nomes e beijam a criança. 30.10: Louvor para os pastores. 30.11: Aquele que vai ter com Maria encontra-me.

EMF 30.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Aproxima-se da abertura, afasta um pouquinho o manto, olha… e fica extasiado.

– Que é que estás vendo? –perguntam-lhe ansiosos, em voz baixa.

– Vejo uma mulher jovem e bela e um homem curvados sobre uma manjedoura, e ouço… ouço chorar um menino pequeno, e a mulher lhe fala com uma voz… oh! que voz!

– Que está ela dizendo?

– Ela está dizendo assim: “Jesus pequenino! Jesus, amor da tua mamãe! Não chores meu filhinho!” Ela diz ainda: “Oh! Se eu pudesse dizer-te: ‘Toma o leite, meu pequenino!’ Mas ainda não o tenho.” Ela diz: “Tem tanto frio, meu amor! E o feno te está espinhando. Que dor para tua mamãe ouvir-te chorando assim, e não poder dar-te conforto!” Ela está dizendo: “Dorme, minha alma! Parte-me o coração ao ouvir-te chorar, e ao ver-te derramar lágrimas!”, e o beija e o aquece certamente nos pezinhos com suas mãos, pois ela está inclinada, com as mãos para dentro da manjedoura.

Detalhe

Levi, o mais novo dos pastores, juntou-se aos seus companheiros na manjedoura.

EMF 30.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O pastor abre a boca, e se limita a dar um gemido.

30.7 José se vira, e vai à porta.

– Quem sois vós?

– Somos pastores. Viemos trazer-vos alimento e lã. Viemos adorar o Salvador.

– Entrai.

Eles entram, e a estrebaria se torna mais clara por causa da luz das tochas. Os velhos empurram os novos à sua frente.

Maria se vira e sorri.

– Vinde –ela diz–. Vinde!

E os convida com um gesto e um sorriso, segurando aquele que viu o anjo e puxando-o para perto de si, junto à manjedoura. O menino olha, feliz.

Os outros, convidados também por José, vão à frente com os seus presentes, e os colocam todos, com breves e comovidas palavras, aos pés de Maria. Depois se detêm em olhar o Menino Jesus, que está chorando baixinho, e sorriem, emocionados e felizes.

Detalhe

Os pastores regressam ao berço. Levi quer que Elias diga alguma coisa, porque já conheceu José e Maria.