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Notas do tema

A Virgem Maria no Evangelho da Infância e a vida oculta de Cristo

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EMF 26

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: José pede perdão a Maria. Fé, caridade e humildade para receber Deus.

Data da visão e do ditado: Quarta-feira, 31 de maio de 1944

Calendário: Sábado, 17 de agosto do ano -5

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria está sozinha em sua casa em Nazaré. Está só, a rezar, até que batem à porta: é José. Ele vem pedir-lhe perdão e a Virgem diz que não tem nada a perdoar-lhe. Mas o marido responde-lhe que sabia que ela estava grávida de Emanuel e que tinha agido mal ao não a deixar explicar. Ele ia agir sem a consultar primeiro e considerava isso um insulto à sua mulher. Pede-lhe então perdão e o carpinteiro revela-lhe todo o sofrimento dos seus últimos dias. Ele pergunta-lhe porque é que ela não lhe contou o seu segredo, e Maria responde-lhe que, se a sua humildade não fosse tão perfeita, não lhe teria sido dada a graça de ser a Mãe do Salvador. Seja como for, José propôs que o casamento fosse realizado o mais depressa possível e que se começasse a planear a vinda de Jesus. Ele estava perturbado com a ideia de receber o seu Deus em sua casa, mas Maria tranquilizou-o e falou da alegria de serem os pais do Redentor.

Nossa Senhora faz então um ditado e comenta este episódio. Ela fala então das condições essenciais para agradar a Deus e tê-lo no coração: a fé, a caridade e a humildade absoluta. Além disso, a Mãe encoraja-nos a permanecer escondidos e a deixar ao Senhor a tarefa de nos proclamar seus servos, como fez Maria quando ficou grávida do Espírito Santo.

Conteúdo do capítulo: 26.1: Ver Maria. 26.2: Maria esconde-se à sombra de uma macieira. 26.3: José chega e pede desculpa por ter suspeitado dela. 26.4: Maria não fez outra coisa senão obedecer a Deus. 26.5: O casamento realizar-se-á na semana seguinte. 26.6: Eu estava pálida porque estava a sofrer com as dores do José. 26.7: A humildade no seu extremo, como Aquele que eu levava. 26.8: As condições para agradar e receber Deus. 26.9: Deixai ao Senhor o cuidado de vos proclamar seus servos.

EMF 26.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois de cinqüenta e três dias, a mãe vem mostrar-se com esta visão, e manda que eu faça constar neste livro. A alegria se renova em mim. Porque ver Maria é possuir a alegria.

26.2 Vejo, então, o pequeno pomar de Nazaré. Maria está fiando à sombra de uma macieira, toda carregada de frutos, que já começam a avermelhar-se e se parecem com bochechinhas de menino por seu formato arredondado e por um belo cor-de-rosa.

Maria, porém, não é sem motivo que não está com seu rosto rosado, como antes. Aquela bela cor, que lhe avivava as faces lá em Hebron, desapareceu. Seu rosto está de uma palidez de marfim, e nele somente os lábios ainda assinalam uma curva com um leve tom de coral. Sob as pálpebras abaixadas, vejo duas sombras escuras, e os cantos dos olhos estão inchados, como os de quem acabou de chorar. Não posso ver os olhos, porque ela está com a cabeça um tanto inclinada, atenta ao trabalho, e mais ainda, a um pensamento que a deve estar afligindo, pois ouço os seus suspiros, como os de alguém que sofre no coração.

Está toda vestida de branco, de linho branco, porque está fazendo muito calor, não obstante o frescor ainda intacto das flores nos estar dizendo que ainda é de manhã. Maria está com a cabeça descoberta, e o sol, que brinca com as folhas da macieira movidas por um vento muito suave, se filtra em agulhas de luz, que vão pousar sobre a terra escura dos canteiros, formando pequenos círculos de luz sobre sua cabeça loira, fazendo os seus cabelos ficarem parecendo fios de ouro antigo.

Da casa não vem nenhum barulho, nem dos lugares vizinhos. Ouve-se apenas o murmúrio de um fio d’água que cai dentro de um tanque, lá no fundo do pomar.

26.3 Maria leva um susto, ao ouvir uma batida forte na porta de saída da casa. Ela deixa ali mesmo a roca e o fuso, e se levanta para ir abrir. Ainda que sua roupa seja solta e ampla, não consegue esconder completamente a redondez de seu ventre.

Ei-la, agora, diante de José. Maria empalidece, até nos lábios. Agora seu rosto está parecendo o de uma vítima exangue. Maria olha com uns olhos como os de quem interroga tristemente. José olha para ela com uns olhos que parecem suplicantes. Eles se calam, olhando um para o outro. Depois, Maria abre a boca:

– A esta hora, José? Estás precisando de alguma coisa? Que me queres dizer? Vem.

José entra, e fecha a porta. Mas não fala nada.

– Fala, José. Que queres de mim?

– Quero o teu perdão.

José se inclina, como se quisesse ajoelhar-se. Mas Maria, sempre tão reservada em tocar nele, agora o agarra pelos ombros decididamente, e o impede de ajoelhar-se.

A cor vai e volta ao rosto de Maria, que ora está corada, ora branca como antes:

– O meu perdão? Não tenho nada que te perdoar, José. Só tenho que te agradecer, mais uma vez, por tudo o que fizeste aqui dentro na minha ausência, e pelo amor que me tens.

José olha para ela, e vejo duas grandes gotas que se formam nas cavidades de seus olhos profundos, e ali estão como sobre a borda de um vaso prontas para, logo em seguida, rolarem por sobre as faces e a barba de José.

– Perdão, Maria. Eu desconfiei de ti. Agora eu sei. Sou indigno de possuir tão grande tesouro. Faltei-te com a caridade, e te acusei em meu coração. Acusei-te injustamente, porque não te perguntei antes a verdade. Faltei contra a lei de Deus, não te amando como me amaria…

– Oh! não! Não faltaste!

– Sim, faltei, Maria! Se eu tivesse sido acusado de um tal delito, eu teria me defendido. Tu… Eu não te estava concedendo o direito de te defenderes, porque eu já estava até tomando decisões, sem te perguntar nada. Faltei para contigo, ofendendo-te com minha suspeita. Ora, até mesmo a suspeita já é uma ofensa, Maria. Porque quem suspeita, não conhece. E eu não te conhecia, como devia. Mas, pela dor que eu sofri… três dias de suplício, perdoa-me, Maria!

– Não tenho nada que te perdoar. Pelo contrário, eu é que te peço perdão pela dor que te causei.

– Oh! Sim. Foi uma grande dor. Que dor! Olha, hoje de manhã me disseram que sobre as têmporas meus cabelos já estão brancos e que no rosto já estou com rugas. Estes três dias pareceram-me mais de dez anos!

26.4 Mas, por que, Maria, foste tão humilde, a ponto de calares tua glória até diante de mim, teu esposo, e deixares assim que eu suspeitasse de ti?

José não está de joelhos, mas está tão inclinado, como se estivesse de joelhos, e Maria, então lhe pousa a mão sobre a cabeça, e sorri. Parece o estar absolvendo. Ela diz:

– Se eu não tivesse sido humilde de uma maneira perfeita, não teria merecido conceber o Esperado, que vem para anular a culpa de soberba, que arruinou o homem. Além disso, eu obedeci… Deus me pediu essa obediência. Ela me custou tanto… por causa de ti, pela dor que dela te adviria. Mas eu só tinha que obedecer. Eu sou a serva de Deus, e os servos não discutem as ordens que recebem. Eles vão executá-las, José, ainda quando os fazem chorar sangue.

Maria chora silenciosamente, enquanto vai dizendo estas pala­vras. E, tão silenciosamente, que José, inclinado como está, nem percebe isso, até que uma lágrima sua caiu no chão. Então, ele levanta a cabeça e (é a primeira vez que o vejo fazer isso) aperta as mãozinhas de Maria com suas mãos morenas e fortes, beija as pontas daqueles dedos rosados e tão delicados, que despontam como botões de pessegueiro, do anel formado pelo aperto das mãos de José.

26.5 – Agora é preciso tomar providências para que…

José não diz mais nada, mas olha para o corpo de Maria, e ela fica ruborizada, e de repente se assenta, para não ficar assim exposta àquele olhar que a está observando.

– Será preciso agirmos logo. Eu virei aqui. Realizaremos o casamento… Na semana que vem. Está bem assim?

– Tudo o que fazes está bem, José. Tu és o chefe da casa, e eu sou tua serva.

– Não. Eu sou o teu servo. Eu sou o feliz servo do meu Senhor, que está crescendo em teu ventre. Tu és bendita entre todas as mulheres de Israel. Esta tarde já avisarei os parentes. E depois… quando eu estiver aqui, iremos preparando tudo para receber… Oh! como poderei eu receber a Deus em minha casa? A Deus em meus braços? Isso me fará morrer de alegria. Eu nunca poderei ousar nem tocar nele!…

– Tu bem que o poderás, José, como eu o poderei pela graça de Deus.

– Mas tu és tu. Eu sou um pobre homem, o mais pobre dos filhos de Deus!…

– Jesus vem ao mundo por nós, que somos os pobres, para fazer-nos ricos em Deus, Ele vem a nós dois, porque somos os mais pobres e reconhecemos que o somos. Alegra-te, José. A estirpe de Davi já tem o Rei que esperava, e a nossa casa se tornou mais faustosa do que o palácio de Salomão, porque aqui será o céu e nós dividiremos com Deus o segredo de paz que mais tarde os homens saberão. Crescerá entre nós, e os nossos braços serão o berço do Redentor, que irá crescendo, e as nossas fadigas dar-lhe-ão um pão… Oh! José! Ouviremos a voz de Deus, a chamar-nos de “pai” e de “mãe”! Oh!…

E Maria chora de alegria. Um choro de felicidade! Enquanto isso, José, ajoelhado agora aos pés dela, chora, com a cabeça quase escondida na ampla veste de Maria, que desce, em muitas dobras, por sobre os simples ladrilhos do pavimento do pequeno quarto.

A visão termina aqui.

EMF 26.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

26.2 Vejo, então, o pequeno pomar de Nazaré. Maria está fiando à sombra de uma macieira, toda carregada de frutos, que já começam a avermelhar-se e se parecem com bochechinhas de menino por seu formato arredondado e por um belo cor-de-rosa.

Maria, porém, não é sem motivo que não está com seu rosto rosado, como antes. Aquela bela cor, que lhe avivava as faces lá em Hebron, desapareceu. Seu rosto está de uma palidez de marfim, e nele somente os lábios ainda assinalam uma curva com um leve tom de coral. Sob as pálpebras abaixadas, vejo duas sombras escuras, e os cantos dos olhos estão inchados, como os de quem acabou de chorar. Não posso ver os olhos, porque ela está com a cabeça um tanto inclinada, atenta ao trabalho, e mais ainda, a um pensamento que a deve estar afligindo, pois ouço os seus suspiros, como os de alguém que sofre no coração.

Está toda vestida de branco, de linho branco, porque está fazendo muito calor, não obstante o frescor ainda intacto das flores nos estar dizendo que ainda é de manhã. Maria está com a cabeça descoberta, e o sol, que brinca com as folhas da macieira movidas por um vento muito suave, se filtra em agulhas de luz, que vão pousar sobre a terra escura dos canteiros, formando pequenos círculos de luz sobre sua cabeça loira, fazendo os seus cabelos ficarem parecendo fios de ouro antigo.

Da casa não vem nenhum barulho, nem dos lugares vizinhos. Ouve-se apenas o murmúrio de um fio d’água que cai dentro de um tanque, lá no fundo do pomar.

Detalhe

Maria sofre por José, que se apercebeu de que ela está grávida. Ela não pode explicar-lhe o que aconteceu, em obediência à ordem de Deus de guardar silêncio (cf. EMV 18,7-10).

EMF 26.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

26.3 Maria leva um susto, ao ouvir uma batida forte na porta de saída da casa. Ela deixa ali mesmo a roca e o fuso, e se levanta para ir abrir. Ainda que sua roupa seja solta e ampla, não consegue esconder completamente a redondez de seu ventre.

Ei-la, agora, diante de José. Maria empalidece, até nos lábios. Agora seu rosto está parecendo o de uma vítima exangue. Maria olha com uns olhos como os de quem interroga tristemente. José olha para ela com uns olhos que parecem suplicantes. Eles se calam, olhando um para o outro. Depois, Maria abre a boca:

– A esta hora, José? Estás precisando de alguma coisa? Que me queres dizer? Vem.

José entra, e fecha a porta. Mas não fala nada.

– Fala, José. Que queres de mim?

– Quero o teu perdão.

José se inclina, como se quisesse ajoelhar-se. Mas Maria, sempre tão reservada em tocar nele, agora o agarra pelos ombros decididamente, e o impede de ajoelhar-se.

A cor vai e volta ao rosto de Maria, que ora está corada, ora branca como antes:

– O meu perdão? Não tenho nada que te perdoar, José. Só tenho que te agradecer, mais uma vez, por tudo o que fizeste aqui dentro na minha ausência, e pelo amor que me tens.

José olha para ela, e vejo duas grandes gotas que se formam nas cavidades de seus olhos profundos, e ali estão como sobre a borda de um vaso prontas para, logo em seguida, rolarem por sobre as faces e a barba de José.

– Perdão, Maria. Eu desconfiei de ti. Agora eu sei. Sou indigno de possuir tão grande tesouro. Faltei-te com a caridade, e te acusei em meu coração. Acusei-te injustamente, porque não te perguntei antes a verdade. Faltei contra a lei de Deus, não te amando como me amaria…

– Oh! não! Não faltaste!

– Sim, faltei, Maria! Se eu tivesse sido acusado de um tal delito, eu teria me defendido. Tu… Eu não te estava concedendo o direito de te defenderes, porque eu já estava até tomando decisões, sem te perguntar nada. Faltei para contigo, ofendendo-te com minha suspeita. Ora, até mesmo a suspeita já é uma ofensa, Maria. Porque quem suspeita, não conhece. E eu não te conhecia, como devia. Mas, pela dor que eu sofri… três dias de suplício, perdoa-me, Maria!

– Não tenho nada que te perdoar. Pelo contrário, eu é que te peço perdão pela dor que te causei.

– Oh! Sim. Foi uma grande dor. Que dor! Olha, hoje de manhã me disseram que sobre as têmporas meus cabelos já estão brancos e que no rosto já estou com rugas. Estes três dias pareceram-me mais de dez anos!

26.4 Mas, por que, Maria, foste tão humilde, a ponto de calares tua glória até diante de mim, teu esposo, e deixares assim que eu suspeitasse de ti?

José não está de joelhos, mas está tão inclinado, como se estivesse de joelhos, e Maria, então lhe pousa a mão sobre a cabeça, e sorri. Parece o estar absolvendo. Ela diz:

– Se eu não tivesse sido humilde de uma maneira perfeita, não teria merecido conceber o Esperado, que vem para anular a culpa de soberba, que arruinou o homem. Além disso, eu obedeci… Deus me pediu essa obediência. Ela me custou tanto… por causa de ti, pela dor que dela te adviria. Mas eu só tinha que obedecer. Eu sou a serva de Deus, e os servos não discutem as ordens que recebem. Eles vão executá-las, José, ainda quando os fazem chorar sangue.

Maria chora silenciosamente, enquanto vai dizendo estas pala­vras. E, tão silenciosamente, que José, inclinado como está, nem percebe isso, até que uma lágrima sua caiu no chão. Então, ele levanta a cabeça e (é a primeira vez que o vejo fazer isso) aperta as mãozinhas de Maria com suas mãos morenas e fortes, beija as pontas daqueles dedos rosados e tão delicados, que despontam como botões de pessegueiro, do anel formado pelo aperto das mãos de José.

26.5 – Agora é preciso tomar providências para que…

José não diz mais nada, mas olha para o corpo de Maria, e ela fica ruborizada, e de repente se assenta, para não ficar assim exposta àquele olhar que a está observando.

– Será preciso agirmos logo. Eu virei aqui. Realizaremos o casamento… Na semana que vem. Está bem assim?

– Tudo o que fazes está bem, José. Tu és o chefe da casa, e eu sou tua serva.

– Não. Eu sou o teu servo. Eu sou o feliz servo do meu Senhor, que está crescendo em teu ventre. Tu és bendita entre todas as mulheres de Israel. Esta tarde já avisarei os parentes. E depois… quando eu estiver aqui, iremos preparando tudo para receber… Oh! como poderei eu receber a Deus em minha casa? A Deus em meus braços? Isso me fará morrer de alegria. Eu nunca poderei ousar nem tocar nele!…

– Tu bem que o poderás, José, como eu o poderei pela graça de Deus.

– Mas tu és tu. Eu sou um pobre homem, o mais pobre dos filhos de Deus!…

– Jesus vem ao mundo por nós, que somos os pobres, para fazer-nos ricos em Deus, Ele vem a nós dois, porque somos os mais pobres e reconhecemos que o somos. Alegra-te, José. A estirpe de Davi já tem o Rei que esperava, e a nossa casa se tornou mais faustosa do que o palácio de Salomão, porque aqui será o céu e nós dividiremos com Deus o segredo de paz que mais tarde os homens saberão. Crescerá entre nós, e os nossos braços serão o berço do Redentor, que irá crescendo, e as nossas fadigas dar-lhe-ão um pão… Oh! José! Ouviremos a voz de Deus, a chamar-nos de “pai” e de “mãe”! Oh!…

E Maria chora de alegria. Um choro de felicidade! Enquanto isso, José, ajoelhado agora aos pés dela, chora, com a cabeça quase escondida na ampla veste de Maria, que desce, em muitas dobras, por sobre os simples ladrilhos do pavimento do pequeno quarto.

A visão termina aqui.

EMF 26.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Tudo o que fazes está bem, José. Tu és o chefe da casa, e eu sou tua serva.

– Não. Eu sou o teu servo. Eu sou o feliz servo do meu Senhor, que está crescendo em teu ventre. Tu és bendita entre todas as mulheres de Israel.

Detalhe

disse Maria ao seu marido:

Palavras-chave

EMF 26.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Como poderei eu receber a Deus em minha casa? A Deus em meus braços? Isso me fará morrer de alegria. Eu nunca poderei ousar nem tocar nele!…

– Tu bem que o poderás, José, como eu o poderei pela graça de Deus.

– Mas tu és tu. Eu sou um pobre homem, o mais pobre dos filhos de Deus!…

– Jesus vem ao mundo por nós, que somos os pobres, para fazer-nos ricos em Deus, Ele vem a nós dois, porque somos os mais pobres e reconhecemos que o somos. Alegra-te, José. A estirpe de Davi já tem o Rei que esperava, e a nossa casa se tornou mais faustosa do que o palácio de Salomão, porque aqui será o céu e nós dividiremos com Deus o segredo de paz que mais tarde os homens saberão. Crescerá entre nós, e os nossos braços serão o berço do Redentor, que irá crescendo, e as nossas fadigas dar-lhe-ão um pão… Oh! José! Ouviremos a voz de Deus, a chamar-nos de “pai” e de “mãe”! Oh!…

E Maria chora de alegria. Um choro de felicidade! Enquanto isso, José, ajoelhado agora aos pés dela, chora, com a cabeça quase escondida na ampla veste de Maria, que desce, em muitas dobras, por sobre os simples ladrilhos do pavimento do pequeno quarto.

A visão termina aqui.

Detalhe

interroga-se José:

Palavras-chave

EMF 26.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Ninguém interprete de modo errado a minha palidez. Ela não era causada por nenhum medo humano. Conforme o modo de tratar dos homens, eu deveria ter de esperar o apedrejamento. Mas eu não tinha medo disso. Eu sofria por causa de José. Também o pensamento de que ele podia me acusar, não me perturbava por mim mesma. A única coisa que me desagradava era que ele pudesse, se insistisse na acusação, faltar com a caridade. Quando o vi, o sangue me foi todo ao coração, por causa disso. Era aquele um momento em que um justo poderia ter ofendido a justiça, ofendendo a caridade. E, que um justo cometesse uma falta, logo este que não cometia faltas, isso me teria causado uma dor muito grande.

EMF 27

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : O édito do recenseamento. Ensinamentos sobre o amor ao marido e a confiança em Deus.

Data da visão e do ditado: Domingo 4 de junho de 1944

Calendário: Domingo, 17 de novembro de 5 d.C.

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria está em casa. A sua gravidez está muito avançada. Maria descreve-a e explica que é assim que ela será no seu corpo glorificado. Depois retoma a história, e José chega. Sorri para a mulher, mas está preocupado. Maria apercebe-se disso e ele explica-lhe que acaba de ser publicado um edital. Ele estava preocupado com Maria, que teria de fazer a viagem, mas a Virgem estava a pensar nas Sagradas Escrituras e sentia que o nascimento teria lugar ali. Confia os seus pensamentos a José, que fica ainda mais alarmado e preocupado, e ela tranquiliza-o, dizendo-lhe que confie em Deus. Ao ouvi-la, José acalmou-se, sorriu e decidiu pôr mãos à obra na viagem que tinha pela frente.

Conteúdo do capítulo: 27.1: A gravidez avançada de Maria e a sua eterna juventude. 27.2: O édito é publicado; temos de ir para Belém. 27.3: É lá que o Messias vai nascer. 27.4: José volta a sorrir. 27.5: O que pesa sobre os ombros dos noivos, respetivamente. 27.6: A confiança em Deus resume as virtudes teologais. 27.7: Nada pode acontecer sem a permissão de Deus.

EMF 27.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

27.1 Vejo ainda a casa de Nazaré e o pequeno quarto onde habitualmente Maria toma as suas refeições. Agora ela está trabalhando em uma tela branca. Pára seu trabalho para acender um candeeiro, porque a tarde vem chegando, e ela não está mais enxergando bem, com essa luz esverdeada que está entrando pela porta semi-aberta, do lado do pomar. Maria também fecha a porta.

Vejo como já está volumosa de corpo. Mas ainda muito bonita. Seu passo é sempre ligeiro, e gentis são todos os seus gestos. Não há nada daquele peso próprio da mulher, que está perto de dar à luz. Só no rosto é que ela está mudada. Agora é “a mulher.” Antes, no tempo da Anunciação, era uma jovenzinha de rosto sereno e inocente: um rosto inocente de criança. Depois, na casa de Isabel, no momento do nascimento do Batista, seu rosto já se apresentava com uma graça mais madura. Agora é um rosto sereno, mas docemente majestoso, da mulher que atingiu sua plena perfeição na maternidade.

Não faz lembrar mais a sua querida “Annunziata” de Florença, pai. Quando eu era pequena, a reconhecia ali.

Agora, o rosto está mais longo e magro, e os olhos mais pensativos e maiores. Em suma, é como Maria hoje no Céu. Porque ela retomou o aspecto e a idade do momento em que nasceu o Salvador.

A sua eterna juventude, a qual não só não conheceu a corrupção mortal, mas nem mesmo murchou com o passar dos anos. O tempo não teve ação sobre ela, a nossa rainha e mãe do Senhor, que criou o tempo. Nos tormentos da Paixão (tormentos que começaram para ela muito antes, pois eu diria que começaram desde o início da evangelização de Jesus) ela apareceu envelhecida, mas esse enve­lhecimento era como um véu colocado pela dor sobre a sua incorruptível pessoa. De fato, desde o momento em que reencontra Jesus ressuscitado, ela se torna novamente a criatura cheia de vida e perfeita, que era antes da Paixão, como se tendo beijado as Santíssimas Chagas, tivesse bebido nelas um elixir de juventude, que anulou a ação do tempo e, mais ainda do que isto, anulou a ação da dor. Também há oito dias que eu vi a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, vi Maria “extraordinariamente bela, e de repente rejuvenecida”, como escrevi, e como tinha escrito antes: “Ela parece um anjo azul.” Os anjos não conhecem velhice. São eternamente belos com eterna juventude, do eterno presente que é Deus e que eles refletem em si.

A juventude angélica de Maria, o anjo azul, se completa e atinge a idade perfeita (idade que ela levou consigo para os céus, e que conservará para sempre em seu santo corpo glorificado, quando o Espírito adorna a sua esposa, coroando-a diante dos olhos de todos) Agora ela não está mais no segredo de um quarto desconhecido pelo mundo, sendo testemunhada apenas por um arcanjo.

Quis fazer esta digressão, porque me pareceu necessária. Agora volto à descrição.

Maria, pois, tornou-se verdadeiramente “mulher”, cheia de dignidade e de graça. Até seu sorriso é diferente, por sua doçura e majestade. Como é bela!

Detalhe

Descrição física de Marie

EMF 27.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

27.2 José vem entrando. Parece que está vindo da cidade, porque está entrando pela porta da casa, e não da oficina. Maria levanta a cabeça e sorri para ele. José retribui ao sorriso dela. Mas parece que ele faz isso como quem está cansado, preocupado. Maria observa isso. Depois, ela se levanta para pegar o manto, que José está tirando, o dobra e o coloca sobre um baú.

José se assenta junto à mesa. Apóia um cotovelo sobre a mesa e a cabeça sobre a palma da mão, enquanto com a outra mão, alisa a barba, muito pensativo.

– Tens algum pensamento que te atormenta? –pergunta-lhe Maria–. Posso te consolar?

– Tu me consolas sempre, Maria. Mas desta vez o meu grande pensamento és… tu.

– Eu, José? O que é?

– Colocaram um edito sobre a porta da sinagoga. Está ordenado o recenseamento de todos os palestinos. E é preciso que cada um vá recensear-se em seu lugar de origem. Nós temos que ir a Belém…

27.3 – Oh! –interrompe Maria, pondo uma mão sobre o ventre.

– Isso te assusta, não é?

– Não, José. Não é isso. Penso nas Sagradas Escrituras: Raquel, mãe de Benjamim e mulher de Jacó, da qual nascerá a Estrela: o Salvador. Raquel está sepultada em Belém, da qual está escrito: “E tu, Belém Efrata, és a menor entre as terras de Judá, mas de ti sairá o Dominador.” É o Dominador que foi prometido, da estirpe de Davi. Ele vai nascer lá…

– Achas… achas que já chegou o tempo? E, então, como faremos?

José está completamente perturbado. Ele olha para Maria com dois olhos cheios de piedade.

Ela percebe isso, e sorri. Sorri, mais para si mesma, do que para ele. É um sorriso que parece dizer: “É um homem justo, sim, mas um homem. E vê as coisas como homem. Pensa como homem. Tem compaixão dele, minha alma, e guia-o para que possa ver como homem espiritual.” Mas a bondade de Maria a leva a tranqüilizá-lo. Não mente, porém afasta a sua preocupação:

– Não sei, José. O tempo está muito perto. Mas não poderia o Senhor fazê-lo chegar mais devagar, para te livrar dessa preocupação? Ele pode tudo. Não tenhas medo.

– Mas, e a viagem? Depois, pensa só na multidão que se vai aglomerar… Encontraremos bom alojamento? E poderemos fazer tudo, a tempo de voltar? E se… se tivesses de dar à luz por lá, como é que faríamos? Nós não temos casa em Belém… Não conhecemos ninguém lá…

– Não tenhas medo. Tudo irá sair bem. Deus faz que os animais encontrem uma toca para darem cria. Queres que Ele não faça que achemos um lugar para o nascimento do seu Messias? Nós confiamos Nele. Não é verdade? Sempre confiamos Nele. Quanto mais forte é a provação, mais confiamos. Como duas crianças, colocamos nossas mãos na Sua de Pai. Ele nos guia. Estamos completamente entregues a Ele. Olha como nos conduziu até aqui com amor. Um pai, por melhor que seja, não poderia tê-lo feito com maior cuidado. Somos seus filhos e seus servos. Façamos a Sua vontade. Nada de mal nos pode acontecer. Até mesmo esse edito é da vontade Dele. Pois, afinal, quem é César? Apenas um instrumento de Deus. Desde quando o Pai decidiu perdoar ao homem, Ele dispôs os fatos com antecedência, para que o seu Cristo nascesse em Belém. Esta, a menor das cidades de Judá, ainda não existia, e já a sua glória estava planejada. A fim de que essa glória se realize, e a palavra de Deus não seja desmentida, com o nascimento do Messias noutro lugar, bem longe daqui surgiu um poderoso, que nos dominou, e que agora, que o mundo está em paz, quer saber quantos são os seus súditos. Oh! O que é toda esta nossa pequena fadiga, se pensarmos na beleza deste momento de paz? Pensa, José. Um tempo em que não há ódio no mundo! Mas que pode ser ainda mais feliz, ao surgir a “Estrela”, cuja luz é divina, e cujo influxo é redenção? Oh! Não tenhas medo, José. Se as estradas são inseguras e a multidão de gente torna difícil a nossa passagem, os anjos nos defenderão, e abrirão caminho para nós. Não propriamente para nós, mas para o Rei deles. Se não encontramos abrigo, eles nos farão uma tenda com suas asas. Nada nos acontecerá de mal. Não pode acontecer: Deus está conosco.

27.4 José olha para ela, e a ouve extasiado. As rugas de sua fronte parecem diminuir, e seu sorriso volta. Ele se levanta, já sem cansaço e sem desânimo. Sorri.

– Bendita és tu, ó sol do meu espírito! Bendita és tu, que sabes ver tudo através da graça, da qual estás cheia! Então, não percamos tempo. Pois é preciso partir quanto antes e… voltar sem demora, porque aqui já está tudo pronto para o… para o…

– Para o nosso Filho, José. Isso é o que deve ser aos olhos do mundo, lembra-te bem disso! O Pai encobriu com mistério esta sua vinda, e nós não devemos levantar o véu do mistério. Jesus fará isso, quando chegar a hora…

A beleza do rosto, do olhar, da expressão e da voz de Maria, quando pronuncia o nome de “Jesus”, é indescritível. É em êxtase. E, com este êxtase, cessa a visão.