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Notas do tema

A Virgem Maria no Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 20.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

20.4 E, quanto mais a olho, tanto mais eu sofro, pensando em quanto a fizeram sofrer, e fico perguntando, a mim mesma, como puderam deixar de ter piedade dela, tão mansa e gentil, tão delicada, até em seu próprio aspecto físico. Eu a fico olhando, e torno a ouvir os gritos do Calvário, também contra ela, com todas as zombarias e gracejos grosseiros. Todas as maldições, dirigidas a ela, por ser a mãe do condenado. Vejo-a bela e tranqüila, agora. Mas o seu aspecto de hoje não me desfaz a lembrança de suas trágicas feições, naquelas horas de agonia, e o seu semblante desolado em sua casa em Jerusalém, depois da morte de Jesus. Eu queria poder acariciá-la e beijá-la em sua face tão rósea e delicada, para tirar com o meu beijo aquela recordação de pranto que certamente ela, como eu, também tem.

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Maria vê Maria como ela está no Céu e diz

EMF 20.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

É inimaginável a paz que sinto ao tê-la perto de mim. Penso que mor­rer, vendo-a, seja doce, e até mais do que a mais doce hora desta vida.

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Maria Valtorta fala de Maria e diz

EMF 20.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Vou falar pouco, porque estás muito cansada, ó minha pobre fi­lha­.

Somente quero chamar a tua atenção, e a de quem estiver lendo, sobre o hábito constante de José, e meu também, de dar sempre o primeiro lugar à oração. Cansaço, pressa, desgostos, ocupações eram coisas que não impediam as orações, pelo contrário, a ajudavam até. Ela era sempre a rainha das nossas ocupações. O nosso conforto, a nossa luz, a nossa esperança. Se nas horas tristes, a oração era um conforto, nas horas felizes, era um canto. Mas era sempre a amiga constante de nossa alma. Era ela que nos fazia desprender-nos da ter­ra deste exílio, elevando-nos ao Céu, nossa Pátria.

Não somente eu, que já tinha Deus dentro de mim, não precisava senão olhar para o meu interior, para adorar o Santo dos santos, mas também José se sentia unido a Deus quando rezava, porque a nossa oração era adoração verdadeira, com todo o nosso ser que se fundia em Deus, adorando-O e sendo por Ele abraçado.

Olhai bem, mesmo assim, eu que tinha em mim o Eterno, não me senti isenta de prestar um reverente obséquio ao Templo. A santidade mais alta não exime ninguém de sentir-se nada diante de Deus, e de humilhar esse nada, pois o Senhor no-lo permite, em um contínuo hino de louvor à Sua glória.

20.7 Sois pobres, fracos, defeituosos? Invocai a santidade do Senhor: “Santo, Santo, Santo!” Clamai por Ele, Santo bendito, sobre a vossa miséria. Ele virá e derramará sobre vós a sua santidade. Sois santos e ricos de merecimentos aos Seus olhos? Invocai, do mesmo modo, a santidade do Senhor. Essa santidade é infinita e fará crescer sempre mais a vossa. Os anjos, seres que estão acima das fraquezas da humanidade, não cessam um instante de cantar o seu “Sanctus”, e a beleza sobrenatural deles aumenta, cada vez que invocam a santidade de nosso Deus. Imitai os anjos.

Não vos priveis nunca da proteção da oração, contra a qual ficam embotadas as armas de satanás, as malícias do mundo, os apetites da carne e as soberbas da mente. Não deponhais nunca esta arma, pela qual se abrem os céus, de onde chovem graças e bênçãos.

A terra está precisando de um banho de orações para limpar-se das culpas que atraem os castigos de Deus. Mas, como são poucos os que rezam, esses poucos precisam rezar como se fossem muitos, multiplicando as suas orações vivas, para fazerem delas o total necessário para se obter a graça pedida. Orações vivas, são as temperadas com verdadeiro amor e com sacrifício.

EMF 21

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : Visita a Isabel

Data da visão: Sábado 1 de abril de 1944

Calendário: Domingo 24 de março D.C. -5

Local (mapa) : Hebron

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria chega a Hebron. Maria descreve o lugar, depois descreve mais especificamente a chegada da Virgem. Pára em frente a uma casa bastante luxuosa, onde não falta nada, e a Imaculada Conceição tenta dar a conhecer a sua presença. Uma velhinha curiosa apresenta-lhe um sino e bombardeia-a com perguntas. Felizmente, chega um criado - provavelmente um jardineiro - e salva a Mãe dos mexericos. Maria entra rapidamente, depois de agradecer à velhinha. O criado leva-a para dentro e conta-lhe o que se passou na casa: fala do parto de Isabel, mas também do silêncio de Zacarias, porque já não consegue falar. Tenta chamar a sua mulher, Sara, que é outra criada, mas em vez disso chega Isabel. Ela vê Maria, Maria vê Isabel e as duas correm uma para a outra. Abraçam-se calorosamente, e é então que o Espírito Santo envolve Isabel. O Precursor é santificado, e João Batista torna-se irrepreensível. Isabel e Maria dizem as palavras do Evangelho, e depois chega Zacarias, que não se apercebe do estado espiritual de Maria. Em vez disso, pergunta pela Virgem e por José, e Isabel diz-lhe simplesmente que é mãe. Mas nenhum dos dois disse mais nada.

Maria escreve então sobre como recebeu a visão e declara que viu Maria no enterro de Cristo.

Conteúdo do capítulo: 21.1: Através das montanhas da Judeia. 21.2: A rica propriedade de Zacarias em Hebron. 21.3: O estranho sino e a abertura do portão. 21.4: O velho Samuel dá notícias de Zacarias e Isabel. 21.5: O abraço de Isabel e Maria, a iluminação interior, o Magnificat. 21.6: A chegada de Zacarias. 21.7: Visões segundo as suas necessidades espirituais.

EMF 21.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria vai subindo, no seu burrinho, por uma estrada em muito bom estado e que deve ser a estrada mestra. Ela vai subindo, porque o povoado, que nos oferece uma vista muito agradável, fica no alto. Meu monitor interior me diz: “Este lugar é o Hebron.” Ela falava-me de “Montana.” Não sei o que dizer. A mim foi dito este nome. Não sei se “Hebron” é o nome dado a toda esta região, ou ao povoado. Mas eu digo como ouço.

Maria está entrando no povoado. Há mulheres nas portas — já chegou a tarde — e observam a chegada da forasteira. Depois começam a falar umas com as outras sobre o que viram. Vão acompanhando a forasteira com o olhar, e não ficam sossegadas, enquanto não a vêem parar na frente de uma das mais belas casas, situadas bem no meio do povoado, tendo à frente um jardim, e atrás um pomar muito bem tratado, estendendo-se o terreno depois por um vasto prado, que sobe e desce pelas sinuosidades do monte, acabando num bosque de árvores altas, além das quais não sei o que há. Tudo está cercado por uma sebe de amoreiras e roseiras selvagens. Eu não distingo bem, porque, como se sabe, a flor e a folhagem dessas moitas espinhosas são muito parecidas e, enquanto não aparecerem os frutos nos ga­lhos, é fácil nos enganarmos. No lado da frente da casa, que é o lado onde termina o povoado, a propriedade está cercada por um pequeno muro branco, no qual se espraiam os ramos das roseiras verdadeiras, que embora estejam ainda sem flores, estão cheias de botões. No centro há um portão de ferro, fechado. Logo se vê que esta deve ser a casa de um dos notáveis do povoado, ou de pessoas abastadas, porque tudo demostra, se não riqueza e ostentação, certamente demonstra bem-estar. Tudo está em ordem.

21.3 Maria desce do burrinho e se aproxima do portão. Olha por entre as barras. Não vê ninguém. Então, procura fazer-se ouvir. Uma pequena senhora, mais curiosa do que as outras, a tinha acompanhado e mostra-lhe um utensílio muito especial, que faz as vezes de uma campainha. São dois pedaços de metal, colocados em equilíbrio sobre uma barra: sacudindo-se esta barra, ao puxar-se uma corda, as duas peças batem uma na outra, produzindo o som de um sino, ou de um gongo.

Maria puxa a corda, mas de um modo tão delicado, que o som produzido é um levíssimo tinido, que ninguém ouve. Então, a mulher­zinha, uma velhota do nariz e queixo grande, com uma língua imensa, agarra a corda e puxa muitas vezes em seguida. O barulho que ela fez com isso dava para ressuscitar um morto.

– É assim que se faz, mulher. Pois, de outro modo, como vos poderiam ouvir? Ficai sabendo que Isabel está velha, e Zacarias também está velho. Além disso, agora ele, além de mudo, está também surdo. Os dois criados estão velhos­ também, sabes? Nunca viestes aqui? Conheceis Zacarias? Sereis vós talvez…

Para livrar Maria de um dilúvio de notícias e de perguntas, apareceu um velhinho decidido, que deve ser o jardineiro, ou um agricultor, pois traz na mão um sacho e, amarrada à cintura, uma podadeira. Ele abre o portão, Maria entra, agradecendo à mulherzinha, mas… deixando-a sem resposta. Que desilusão para a curiosa!

Logo que entrou, Maria disse:

– Sou Maria de Joaquim e de Ana, de Nazaré. Prima de teus patrões.

21.4 O velhinho se inclina e a saúda, e depois em voz alta, chama:

– Sara! Sara!

E torna a abrir o portão para fazer entrar o burrinho, que tinha ficado de fora, porque Maria, para ver-se livre da pegajosa velhi­nha, tinha escapado rapidamente para dentro, e o jardineiro, tão rápido como Maria, tinha fechado o portão no nariz da importuna.

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Quando Maria chega a Hebron para a visita, uma mulher idosa vem ao seu encontro. Era muito faladora e curiosa, e Maria descreveu-a como uma bisbilhoteira...

EMF 21.4

O Evangelho como me foi revelado

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– Ah! que grande felicidade e que grande desgraça aconteceram a esta casa! Pois o céu concedeu um filho à estéril, bendito seja o Altíssimo! Mas Zacarias, já há sete meses, voltou mudo de Jerusalém! E ele só se faz entender por acenos, ou escrevendo. Teríeis vós sabido disso? Minha patroa desejou ter-te aqui, em sua alegria e em sua dor. Ela sempre falava de vós com Sara, e dizia: “Se eu tivesse a minha pequena Maria aqui comigo! Se ela tivesse ficado ainda no Templo! Eu teria mandado Zacarias ir buscá-la. Mas agora o Senhor quis que ela se casasse com José de Nazaré. Só ela é que poderia me confortar nesta dor e ajudar-me a orar a Deus, pois ela é tão boa. No Templo todos sentem saudades dela. Na festa passada, quando fui com Zacarias a Jerusalém, para agradecer a Deus por me ter dado um filho, ouvi as mestras dela que diziam: ‘O Templo parece estar sem os querubins da glória, desde que a voz de Maria deixou de ser ouvida por estas paredes’.” Sara! Sara! Minha mulher é um pouco surda. Mas vem, vem que eu mesmo te guio.

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Um criado da casa de Isabel falou com Maria e disse-lhe

EMF 21.5

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Bendita és tu entre todas as mulheres! Bendito é o Fruto do teu ventre! (ela fala assim em duas frases bem destacadas). Como foi que eu mereci que tenha vindo a mim, Sua serva, a mãe do meu Senhor? Pois, ao som da tua voz o menino saltou em meu ventre, como cheio de alegria, quando eu te abracei, e o Espírito do Senhor disse ao meu coração verdades altíssimas. Tu és bem-aventurada, Maria, porque acreditaste que para Deus fosse possível até o impossível, segundo a nossa mente humana! Tu és bendita porque, por causa da tua fé, farás cumprir as coisas que foram para ti preditas pelo Senhor e preditas aos Profetas, para este tempo! Tu és bendita, pela saúde que geras à estirpe de Jacó! Tu és bendita por teres trazido a santidade ao meu filho que salta como um cabrito, querendo externar sua alegria. Salta de puro júbilo em meu ventre, porque está sentindo-se libertado do peso da culpa, chamado para ser aquele que deve preceder sendo, para isso, santificado antes da Redenção, pelo Santo que está crescendo em ti!

Maria, com duas lágrimas que descem como pérolas de seus olhos­, que estão rindo com a boca que sorri, com o rosto levantado para o céu e com as mãos também elevadas, naquela postura que, mais tarde, muitas vezes vai ser tomada por Jesus, exclama:

– Minha alma canta as grandezas do seu Senhor –e continua o cântico como nos foi transmitido. No fim, ao versículo: “Veio em socorro de Israel, seu servo, etc.,” ela junta as mãos sobre o peito, e se ajoelha, muito inclinada para a terra, adorando a Deus.

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Lucas 1, 46-55 :-" A minha alma louva o Senhor, o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador! De agora em diante, todos os séculos me chamarão bem-aventurado. O Poderoso fez em mim maravilhas; santo é o seu nome! A sua misericórdia estende-se de século em século àqueles que o temem. Ele dispersa os soberbos com a força do seu braço. Derruba os poderosos dos seus tronos e exalta os humildes. Enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias. Levanta o seu servo Israel, recorda o seu amor, a promessa feita a nossos pais, em favor de Abraão e da sua descendência para sempre".

EMF 21.5

O Evangelho como me foi revelado

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– Bendita és tu entre todas as mulheres! Bendito é o Fruto do teu ventre! (ela fala assim em duas frases bem destacadas). Como foi que eu mereci que tenha vindo a mim, Sua serva, a mãe do meu Senhor? Pois, ao som da tua voz o menino saltou em meu ventre, como cheio de alegria, quando eu te abracei, e o Espírito do Senhor disse ao meu coração verdades altíssimas. Tu és bem-aventurada, Maria, porque acreditaste que para Deus fosse possível até o impossível, segundo a nossa mente humana! Tu és bendita porque, por causa da tua fé, farás cumprir as coisas que foram para ti preditas pelo Senhor e preditas aos Profetas, para este tempo! Tu és bendita, pela saúde que geras à estirpe de Jacó! Tu és bendita por teres trazido a santidade ao meu filho que salta como um cabrito, querendo externar sua alegria. Salta de puro júbilo em meu ventre, porque está sentindo-se libertado do peso da culpa, chamado para ser aquele que deve preceder sendo, para isso, santificado antes da Redenção, pelo Santo que está crescendo em ti!

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Lucas 1, 41-46 : Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança saltou-lhe para dentro. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e gritou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como é que a mãe do meu Senhor veio ter comigo? Porque, quando as tuas palavras de saudação chegaram aos meus ouvidos, a criança dentro de mim saltou de alegria. Bendita aquela que acreditou que as palavras que o Senhor lhe disse se cumpririam.

EMF 21.5

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21.5 Mas, em vez de Sara, quem aponta no alto de uma escada, que está ao lado da casa, é uma mulher muito velhinha, já toda cheia de rugas, e com os cabelos bem salpicados de fios brancos, cabelos que um dia devem ter sido muito pretos, bem como os cílios e as sobrance­lhas. Ela deve ter sido morena, pela cor do seu rosto. Um contraste estranho com a sua evidente velhice é o seu estado, já muito visível, mesmo estando com vestes amplas e soltas. Ela olha, fazendo um anteparo com a mão, para amortecer a claridade. Logo reconhece Maria. Levanta, então os braços para o céu, diz um “Oh!” cheio de pasmo e de alegria, e se precipita, do melhor modo que pode, ao encontro de Maria. Também Maria, que é sempre tranqüila em seus movimentos, corre agora, ágil como um cervo, chega até os pés da escada, na mesma hora em que Isabel também chega, e recebe a sua prima sobre o coração, que com viva expansão, chora de alegria ao vê-la.

Ficam abraçadas por um instante, depois Isabel solta um “Ah!”, que é um misto de dor e de alegria, e leva as mãos sobre o ventre avolumado. Abaixa o rosto, empalidecendo e ruborizando-se alternadamente. Maria e o criado estendem as mãos para sustentá-la, porque ela está vacilando, como quem se sente mal.

Mas Isabel, depois de ter ficado um minuto como que recolhida em si mesma, levanta um rosto de tal modo radiante, que parece rejuvenescido, olha para Maria, sorrindo com veneração, como se estivesse vendo um anjo, e depois se inclina em uma saudação, que vem do fundo do seu ser, dizendo:

– Bendita és tu entre todas as mulheres! Bendito é o Fruto do teu ventre! (ela fala assim em duas frases bem destacadas). Como foi que eu mereci que tenha vindo a mim, Sua serva, a mãe do meu Senhor? Pois, ao som da tua voz o menino saltou em meu ventre, como cheio de alegria, quando eu te abracei, e o Espírito do Senhor disse ao meu coração verdades altíssimas. Tu és bem-aventurada, Maria, porque acreditaste que para Deus fosse possível até o impossível, segundo a nossa mente humana! Tu és bendita porque, por causa da tua fé, farás cumprir as coisas que foram para ti preditas pelo Senhor e preditas aos Profetas, para este tempo! Tu és bendita, pela saúde que geras à estirpe de Jacó! Tu és bendita por teres trazido a santidade ao meu filho que salta como um cabrito, querendo externar sua alegria. Salta de puro júbilo em meu ventre, porque está sentindo-se libertado do peso da culpa, chamado para ser aquele que deve preceder sendo, para isso, santificado antes da Redenção, pelo Santo que está crescendo em ti!

Maria, com duas lágrimas que descem como pérolas de seus olhos­, que estão rindo com a boca que sorri, com o rosto levantado para o céu e com as mãos também elevadas, naquela postura que, mais tarde, muitas vezes vai ser tomada por Jesus, exclama:

– Minha alma canta as grandezas do seu Senhor –e continua o cântico como nos foi transmitido. No fim, ao versículo: “Veio em socorro de Israel, seu servo, etc.,” ela junta as mãos sobre o peito, e se ajoelha, muito inclinada para a terra, adorando a Deus.

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Um homem idoso deixou entrar Maria em casa de Isabel e Zacarias e chamou Sara à sua mulher.

EMF 21.6-7

O Evangelho como me foi revelado

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21.6 O criado que prudentemente tinha tratado de desaparecer dali, logo que percebeu que Isabel não estava passando mal, mas que estava confidenciando o seu pensamento a Maria, volta do pomar com um imponente ancião vestido de branco, de barba e cabelos completamente brancos, e que, com grandes gestos, e emitindo sons guturais, saúda de longe Maria.

– Zacarias vem chegando –diz Isabel, tocando no ombro da virgem, que está absorta em oração–. O meu Zacarias está mudo. Deus o castigou porque ele não acreditou. Depois te contarei. Agora eu espero o perdão de Deus, porque tu vieste a nós. Tu, ó cheia de graça!

Maria se ergue e vai ao encontro de Zacarias, inclinando-se até à terra diante dele, beijando-lhe a fímbria da veste branca, que o cobre até o chão. É uma veste muito ampla, presa em seu lugar na cintura por um galão grosso e bordado.

Zacarias, por meio de gestos, dá as boas vindas a Maria e os dois, em companhia de Isabel, entram todos em um salão térreo, vasto e bem arrumado, onde fazem com que Maria se assente, e lhe oferecem uma taça de leite tirado na hora, ainda espumante, com uns pãezinhos.

Isabel dá ordens à criada, que afinal também apareceu, com as mãos enfarinhadas e com os cabelos ainda mais brancos, também por causa da farinha que está por cima deles. Talvez ela estivesse fazendo o pão. Dá ordens também ao criado, que percebi chamar-se Samuel, para que ele leve o baú de Maria para um quarto que ela lhe está mostrando. Cumprem-se todos os deveres de uma dona de casa para com a sua hóspede.

Nesse meio tempo, Maria está respondendo às perguntas que Zacarias lhe faz, escrevendo sobre uma tabuinha encerada com um estilete. Percebo, pelas respostas, que ele está perguntando por José, e como vai ela casada com ele. Nesse ponto eu chego a compreender que a Zacarias foi negada também toda luz sobrenatural a respeito do estado de Maria e de sua condição de mãe do Messias. É Isabel que, indo para perto do seu marido, e pondo-lhe com amor uma mão sobre o ombro, como para uma casta carícia, lhe diz:

– Maria também é mãe. Alegra-te com a felicidade dela!

Mas não lhe fala nada mais. Olha para Maria. Maria olha para ela, sem convidá-la a falar nada mais, e ela então se cala.

21.7 Doce, dulcíssima visão! Ela desfaz o horror que ficou em mim pela visão do suicídio de Judas.

Anotação

Lucas 1, 5-25 : No tempo de Herodes, o Grande, rei da Judeia, havia um sacerdote dos abianitas chamado Zacarias. A sua mulher era também descendente de Aarão; chamava-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus: seguiam todos os mandamentos e preceitos do Senhor de forma irrepreensível. Não tiveram filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram de idade avançada. Ora, enquanto Zacarias servia a Deus durante o tempo destinado aos sacerdotes do seu grupo, foi escolhido por sorteio, segundo o costume dos sacerdotes, para ir oferecer incenso no santuário do Senhor. Toda a multidão do povo estava a rezar do lado de fora no momento da oferta do incenso. O anjo do Senhor apareceu-lhe, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou chocado e com medo.

O anjo disse-lhe: "Não tenhas medo, Zacarias, porque a tua oração foi atendida: a tua mulher Isabel vai dar-te um filho, a quem porás o nome de João. Alegrar-te-ás e exultarás, e muitos se alegrarão com o seu nascimento, porque ele será grande diante do Senhor. Ele não beberá vinho nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe; ele fará com que muitos filhos de Israel se voltem para o Senhor seu Deus; ele irá à frente, na presença do Senhor, com o espírito e o poder do profeta Elias, para voltar os corações dos pais para os filhos, para trazer os rebeldes de volta à sabedoria dos justos e para preparar para o Senhor um povo bem disposto."

Então Zacarias disse ao anjo: "Como hei-de saber que isso vai acontecer? Porque sou velho e a minha mulher é idosa.

O anjo respondeu: "Eu sou Gabriel e estou na presença de Deus. Fui enviado para falar contigo e trazer-te esta boa nova. Mas eis que serás silenciado e não poderás falar até ao dia em que ela se tornar realidade, porque não acreditaste nas minhas palavras; elas tornar-se-ão realidade a seu tempo.

As pessoas esperaram Zacarias e ficaram surpreendidas por ele se ter demorado no santuário. Quando saiu, não podia falar-lhes, e eles compreenderam que ele tinha tido uma visão no santuário. Fez-lhes sinais e ficou em silêncio. Quando terminou o seu tempo de serviço litúrgico, foi para casa. Algum tempo depois, a sua mulher Isabel concebeu um filho. Durante cinco meses, manteve-o em segredo. Dizia para si mesma: "Foi isto que o Senhor fez por mim, nestes dias em que pôs os olhos para apagar o que era a minha vergonha diante dos homens".