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Notas do tema

Palavras-chave principais e transversais 🌟

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EMF 5.8-9.11-12

O Evangelho como me foi revelado

Citação

5.8 Vem e lê as suas glórias no Livro do Avo: “Deus me possuiu no início de suas obras, desde o princípio, antes da criação. “Ab aeterno” fui predeterminada no princípio. Antes que fosse feita a terra, ainda não existiam os abismos e eu já era concebida. Nem as nascentes das águas transbordavam, nem os montes tinham-se erguido em suas grandes dimensões, nem as colinas eram cadeias montanhosas ao sol, e eu já tinha sido gerada. Deus ainda não tinha feito a terra, os rios, e as bases do mundo, e eu era. Quando preparava os céus eu estava presente, quando com lei imutável fechou sob a orla celeste o abismo, quando tornou estável no alto a abóbada celeste e suspendeu as fontes das águas, quando fixava ao mar os seus confins e dava leis às águas de não passar os seus limites, quando assentava os fundamentos da terra, eu estava com Ele a dispor todas as coisas. Sempre na alegria brincava diante Dele continuamente, brincava no universo…”. Aplicaram estas palavras à Sabedoria, mas na realidade elas falam dela: a bela mãe, a santa mãe, a virgem mãe da Sabedoria, que sou Eu que te falo.

5.9 Eu quis que tu escrevesses o primeiro verso deste hino no início do livro que fala dela, para que fosse confessada e percebida a consolação e a alegria de Deus; a razão do constante, perfeito, íntimo regozijo deste Deus uno e trino, que vos guia e ama, que do homem teve tantas razões de tristeza; a razão pela qual Deus perpetuou a raça, mesmo quando, à primeira prova, merecia ser destruída; a ra zão do perdão que vocês tiveram.

Ter Maria que o amasse. Oh! bem merecia criar o homem, e deixá-lo viver, e decretar perdoá-lo, para ter a virgem bela, a virgem santa, a virgem imaculada, a virgem enamorada, a filha dileta, a mãe puríssima, a esposa amorosa! Muito e mais ainda vos deu e vos daria Deus para poder possuir a criatura das suas delícias, o sol do seu sol, a flor do seu jardim. E muito continua a dar-vos por ela, a pedido dela, pela alegria dela, porque a sua alegria se derrama na alegria de Deus e a aumenta de esplendor que enche de faíscas a luz, a grande luz do Paraíso; cada centelha é uma graça para o universo, para a raça do homem, para os próprios bem-aventurados, que respondem-lhes com um grito radiante de aleluia a cada geração de milagre divino, criado pelo desejo do Deus Trino de ver o cintilante riso de alegria da Virgem.

5.11 (...) A Mente suprema, que nada ignora, antes ainda que o homem existisse, sabia que o homem, por si mesmo, teria sido um ladrão e um homicida. E, já que a Bondade eterna não tem limites, antes que acontecesse a Culpa, pensou no meio para anulá-la. E o meio seria: Eu. E o instrumento para fazer do meio um instrumento operante seria: Maria. Assim é que a virgem foi criada no Pensamento sublime de Deus.

5.12 Todas as coisas foram criadas para Mim, Filho dileto do Pai. Eu, como Rei, deveria ter tido sob os meus pés de Rei divino tapetes e jóias como nenhum palácio real jamais teve. Cantos, vozes, servos e ministros tão numerosos ao redor de minha pessoa que nenhum soberano jamais teve. Flores, pedras preciosas, todo o sublime, o grandioso, o gentil, o minucioso, tudo o que é possível buscar no Pensamento de um Deus.

Mas Eu devia ser Carne, além de ser Espírito. Carne, para salvar a carne. Carne para sublimar a carne, levando-a para o Céu, muitos séculos antes da hora. Porque a carne, habitada pelo espírito, é a obra-prima de Deus, e por ela, o Céu fora feito. Para ser Carne, eu tinha necessidade de uma mãe. Para ser Deus, eu tinha necessidade de que meu Pai fosse Deus.

Eis que, então, Deus criou para Si uma esposa, e lhe disse: “Vem comigo. A meu lado, vê tudo quanto Eu faço pelo nosso Filho. Olha e jubila-te, virgem eterna, menina eterna, que o teu riso encha todo este empíreo, e dê aos anjos a nota inicial, e ensina ao Paraíso uma harmonia celeste. Eu olho para ti. E te vejo como serás, ó mulher imaculada que, por enquanto, és apenas espírito, o espírito em que me deleito. Olho para ti, e dou o azul do teu olhar ao mar e ao firmamento, a cor dos teus cabelos ao trigo, a tua candura ao lírio, o tom róseo à rosa, semelhante à tua pele de seda. Imito nas pérolas os teus dentes graciosos; olhando tua boca, faço os doces morangos, ponho na voz rouxinóis às tuas notas, e na das rolinhas o teu pranto. Ainda lendo os teus futuros pensamentos, ouvindo as palpitações do teu coração, eu encontrei os modelos de arte para criar. Vem, minha Alegria! Habita os mundos para divertimento teu, enquanto fores a luz que se move em meu Pensamento, teus hão de ser os mundos pelo teu sorriso, tuas as belas formações das estrelas e o colar dos astros todos. Coloca a lua sob os teus pés gentis, cinge-te com o cinto de estrelas da Via Láctea. As estrelas e os planetas são para ti. Vem e diverte-te, vendo as flores que serão o divertimento do teu Menino, servindo de almofada para o Filho do teu ventre. Vem, e vê como se criam as ovelhas e os cordeiros, as águias e as pombas. Fica perto de mim, enquanto eu faço como uns vasos, os mares e os rios, enquanto ergo as montanhas e as enfeito com a neve e as florestas, enquanto semeio as searas, as árvores, as videiras, enquanto faço para ti a oliveira, minha rainha de paz, para ti a videira, meu sarmento que levará o Cacho eucarístico. Corre, voa, jubila-te, ó minha beleza, e que o mundo todo, que vai sendo criado de hora em hora, aprenda contigo a me amar, ó amorosa, e se torne mais bonito com o teu sorriso, ó mãe do meu Filho­, rainha do meu Paraíso, amor do teu Deus.”

Vendo o Erro, e olhando para a Sem Erro diz ainda: “Vem a Mim, tu que anulas a amargura da desobediência, da ingratidão, da fornicação humana com satanás. Eu terei contigo a desforra sobre satanás”.

Anotação

Livro dos Provérbios, 8, 22-31

Pr 8, 22-31: O Senhor fez-me para si, o princípio da sua obra, a primeira das suas obras, desde a eternidade.

Antes dos séculos fui formado, desde o princípio, antes da formação da terra. Quando as profundezas ainda não existiam, eu fui dado à luz, quando não havia fontes. Antes que as montanhas fossem fixadas, antes das colinas, eu nasci, antes que o Senhor tivesse feito a terra e o espaço, os elementos primitivos do mundo.

Quando estabeleceu os céus, eu estava lá, quando traçou o horizonte na superfície do abismo, quando reuniu as nuvens nas alturas e controlou as nascentes do abismo, quando impôs os seus limites ao mar para que as águas não pudessem violar a sua ordem, quando lançou os fundamentos da terra. E eu cresci ao lado dele. Eu era o seu prazer, dia após dia, brincando diante dele em todos os momentos, brincando no universo, na sua terra, e encontrando o meu prazer com os filhos dos homens.

Lê as glórias de Maria no livro do Antepassado. Na Septuaginta, a Bíblia do tempo de Jesus, o livro dos Provérbios chama-se "Provérbios de Salomão". Este era filho de David e antepassado de Jesus (cf. Mateus 1,6: "David, da sua união com a mulher de Urias, gerou Salomão").

Este texto, aplicado a Maria, é comentado no Livro de Azarias, a 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição (ver nota 13). De facto, foi conservado pela liturgia como sendo aplicável à Imaculada Conceição. Esta relação - desde toda a eternidade - entre Cristo e a Virgem Maria, na qual Ele se encarna, é desenvolvida e documentada pelo Pe. G. M. Roschini em A Virgem Maria nas obras de Maria Valtorta, síntese da teologia mariana de Valtorta, Parte 1, Maria na eternidade, pp. 66-71. Refere-se também a Sirach (Eclesiástico), 24,3ss.

Muitos teólogos acreditam que as palavras de Provérbios 8,22-31 se referem tanto a Jesus como a Maria. A liturgia do dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, utilizou este texto , que não pode ser aplicado apenas a Jesus (o Verbo de Deus pelo qual todas as coisas foram feitas). De facto, o texto descreve uma outra pessoa feminina (sobretudo nos versículos 27 a 31) ao lado do Criador. Alguns viram esta atribuição à Virgem Maria como uma heresia, mas poderá a Liturgia ser herética? Podemos ver neste texto a presciência de Deus em quem tudo existe (cf., por exemplo, Efésios 1,4 : "Escolheu-nos em Cristo antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor"). A presciência da Paixão também existe na Bíblia, muito antes da sua realização no tempo previsto, para não falar do fim dos tempos. O mesmo acontece com a criação imaculada da alma de Maria, infundida num púlpito humano no tempo previsto.

Jesus volta a falar disto na EMV 196.7.

Santo Alberto Magno (1200-1280), diz: "Deus teve o máximo cuidado em guardar de toda a contaminação a mulher que desde toda a eternidade tinha predestinado para ser sua mãe no tempo" (Sermones de sanctis 38).

EMF 5.12

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Todas as coisas foram criadas para Mim, Filho dileto do Pai. Eu, como Rei, deveria ter tido sob os meus pés de Rei divino tapetes e jóias como nenhum palácio real jamais teve. Cantos, vozes, servos e ministros tão numerosos ao redor de minha pessoa que nenhum soberano jamais teve. Flores, pedras preciosas, todo o sublime, o grandioso, o gentil, o minucioso, tudo o que é possível buscar no Pensamento de um Deus.

Mas Eu devia ser Carne, além de ser Espírito. Carne, para salvar a carne. Carne para sublimar a carne, levando-a para o Céu, muitos séculos antes da hora. Porque a carne, habitada pelo espírito, é a obra-prima de Deus, e por ela, o Céu fora feito. Para ser Carne, eu tinha necessidade de uma mãe. Para ser Deus, eu tinha necessidade de que meu Pai fosse Deus.

Eis que, então, Deus criou para Si uma esposa, e lhe disse: “Vem comigo. A meu lado, vê tudo quanto Eu faço pelo nosso Filho. Olha e jubila-te, virgem eterna, menina eterna, que o teu riso encha todo este empíreo, e dê aos anjos a nota inicial, e ensina ao Paraíso uma harmonia celeste. Eu olho para ti. E te vejo como serás, ó mulher imaculada que, por enquanto, és apenas espírito, o espírito em que me deleito. Olho para ti, e dou o azul do teu olhar ao mar e ao firmamento, a cor dos teus cabelos ao trigo, a tua candura ao lírio, o tom róseo à rosa, semelhante à tua pele de seda. Imito nas pérolas os teus dentes graciosos; olhando tua boca, faço os doces morangos, ponho na voz rouxinóis às tuas notas, e na das rolinhas o teu pranto. Ainda lendo os teus futuros pensamentos, ouvindo as palpitações do teu coração, eu encontrei os modelos de arte para criar. Vem, minha Alegria! Habita os mundos para divertimento teu, enquanto fores a luz que se move em meu Pensamento, teus hão de ser os mundos pelo teu sorriso, tuas as belas formações das estrelas e o colar dos astros todos. Coloca a lua sob os teus pés gentis, cinge-te com o cinto de estrelas da Via Láctea. As estrelas e os planetas são para ti. Vem e diverte-te, vendo as flores que serão o divertimento do teu Menino, servindo de almofada para o Filho do teu ventre. Vem, e vê como se criam as ovelhas e os cordeiros, as águias e as pombas. Fica perto de mim, enquanto eu faço como uns vasos, os mares e os rios, enquanto ergo as montanhas e as enfeito com a neve e as florestas, enquanto semeio as searas, as árvores, as videiras, enquanto faço para ti a oliveira, minha rainha de paz, para ti a videira, meu sarmento que levará o Cacho eucarístico. Corre, voa, jubila-te, ó minha beleza, e que o mundo todo, que vai sendo criado de hora em hora, aprenda contigo a me amar, ó amorosa, e se torne mais bonito com o teu sorriso, ó mãe do meu Filho­, rainha do meu Paraíso, amor do teu Deus.”

Vendo o Erro, e olhando para a Sem Erro diz ainda: “Vem a Mim, tu que anulas a amargura da desobediência, da ingratidão, da fornicação humana com satanás. Eu terei contigo a desforra sobre satanás”.

Detalhe

Maria está no pensamento de Deus desde toda a eternidade, mas só é criada num momento preciso.

EMF 5.13-14

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ao homem e à mulher, depravados por satanás, Deus quis opor o Homem nascido de mulher tão purificada por Deus, a ponto de poder gerá-Lo sem relação com homem. Flor que gera flor, sem necessidade de semente, mas apenas com o beijo do Sol sobre o cálice inviolado do Lírio que é Maria.

5.14 A desforra de Deus!

Solta os teus silvos de inveja, ó satanás, enquanto ela está nascendo. Esta menina te venceu! Antes que tu fosses o Rebelde, o Tortuoso, o Corruptor, já estavas vencido, e ela é a tua vencedora. Mil exércitos alinhados nada podem contra o teu poder, e contra as tuas couraças caem as armas das mãos dos homens, ó perene, e não há vento que possa dispersar o mau cheiro do teu hálito. No entanto, este calcanharzinho de criança, tão rosado, que parece o interior de uma camélia também rosada, tão liso e tão macio que a seda é áspera comparado a ele, tão pequenino, que poderia caber no cálice de uma tulipa e usá-la como sapatinho, eis que ele te pisa sem medo, e te confina em teu antro. Eis que só o seu vagido já te põe em fuga, a ti que não tens medo dos exércitos. O hálito dela purifica o mundo do teu fedor. Estás derrotado. Só o nome dela, só o seu olhar, só a sua pureza já são uma lança, um fulgor de raio, uma enorme pedra que te transpassam, que te abatem, que te aprisionam no teu covil do inferno, ó Maldito, que tiraste a Deus a alegria de ser Pai de todos os homens criados.

Foi inútil, pois, teres corrompido os que haviam sido criados inocentes, levando-os a conhecer e a conceber sinuosidades da luxúria, privando Deus, de ser o doador dos filhos, em suas diletas criaturas, dando-lhes regras que, se respeitadas, teriam mantido sobre a terra um equilíbrio entre os sexos e as raças, capaz de evitar guerras entre os povos e desventuras entre famílias.

Obedecendo, teriam conhecido o amor. Só obedecendo, teriam conhecido e conservado o amor. Uma posse plena e tranqüila desta emanação de Deus, que do sobrenatural desce ao inferior, para que também a carne se alegre santamente, esta que está ligada ao espírito, criada por Aquele que criou o espírito.

Agora, o vosso amor, ó homens, os vossos amores o que são? Ou libidinagem vestida de amor, ou medo insanável de perder o amor do cônjuge, seja pela libidinagem própria, ou alheia. Já não estais mais seguros quanto à posse do coração do esposo ou da esposa, desde quando a libidinagem entrou neste mundo. Tremeis, chorais e tornais-vos loucos de ciúmes, até assassinos, às vezes, para vingar alguma traição, desesperados, ou então abúlicos e até dementes.

Eis o que fizeste, satanás, aos filhos de Deus. Estes, que corrompeste, teriam conhecido a alegria de ter filhos sem sentirem dor, a alegria de nascer sem o medo de morrer. Mas agora estás vencido em uma mulher e por uma mulher. De agora em diante, quem a amar, tornará a ser de Deus, superando as tuas tentações, para poder imitar a sua pureza imaculada. De agora em diante, não mais podendo conceber sem dor, as mães a terão para o seu conforto. De agora em diante, as esposas a terão por guia e os moribundos por mãe, sendo doce para eles morrer sobre aquele seio, que é um escudo contra ti, oh Maldito, e proteção, diante do julgamento de Deus.

EMF 5.14-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A sublime desforra de Deus sobre a vingança de satanás foi a de elevar a perfeição da criatura dileta a uma super-perfeição, capaz de anular, ao menos nela, toda lembrança de humanidade, que fosse suscetível ao veneno de satanás, e para a qual, não de um casto abraço de homem, mas de um divino amplexo, que empalidece o espírito num êxtase de Fogo, lhe teria vindo o Filho.

5.15 A virgindade da Virgem!…

Vem. Medita nesta virgindade profunda, que produz em quem a contempla vertigens de abismo! O que é a pobre virgindade forçada da mulher que por nenhum homem foi desposada? É menos do que nada. O que é a virgindade daquela que quer ser virgem, para ser de Deus, mas sabe sê-lo só no corpo e não no espírito, no qual deixa entrar muitos pensamentos estranhos, acaricia e aceita as carícias de pensamentos humanos? Isto já começa a ser uma máscara de virgindade, mas muito pouco ainda. O que é a virgindade de uma enclausurada, que vive só para Deus? É muito. Mas, mesmo assim, ainda não é uma virgindade perfeita, se comparada com a virgindade da minha mãe.

Sempre existiu um enlace, até mesmo no mais santo. O enlace da origem, entre o espírito e a Culpa. Só o Batismo o desfaz. Mas, é como uma mulher separada do marido pela morte, não restitui mais em si a virgindade total, como a virgindade dos nossos Primeiros, antes do Pecado. Uma cicatriz permanece, e dói ao ser lembrada, e está sempre pronta para reabrir-se em ferida, como certas doenças que periodicamente voltam com seus vírus, ainda mais ativos. Na virgem não fica esse sinal de um enlace dissolvido com a Culpa. Sua alma apresenta-se bonita e intacta, como quando estava na mente do Pai, e reúne em Si todas as Graças.

É a virgem, a única, a perfeita, a completa, foi assim pensada, gerada, querida, coroada. É eternamente a virgem, o abismo da intocabilidade, da pureza, da graça que se perde no Abismo do qual brotou: em Deus, intangibilidade, pureza e graça perfeitíssima.

Aí está a desforra do Deus Trino e Uno. Contra suas criaturas profanadas, Ele ergue esta Estrela de perfeição. Contra a curiosidade doentia, esta se esquiva, recompensada em poder amar somente a Deus. Contra a ciência do mal, esta sublime ignorante. Nela não existe somente a ignorância do que é um amor aviltado; não há também somente a ignorância do amor que Deus havia dado aos esposos. E ainda mais. Nela há a ignorância das concupiscências, herança do pecado. Nela há somente a sabedoria gélida, mas incandescente, do Amor divino. Fogo que protege de gelo a carne, para que se torne espelho transparente no altar onde um Deus desposa uma virgem, e não se avilta, porque sua Perfeição abraça aquela que, como convém a uma esposa, só em um ponto é inferior ao esposo, sendo-lhe sujeita por ser mulher, mas é sem mancha, como Ele.

EMF 5.14

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eis o que fizeste, satanás, aos filhos de Deus. Estes, que corrompeste, teriam conhecido a alegria de ter filhos sem sentirem dor, a alegria de nascer sem o medo de morrer. Mas agora estás vencido em uma mulher e por uma mulher. De agora em diante, quem a amar, tornará a ser de Deus, superando as tuas tentações, para poder imitar a sua pureza imaculada. De agora em diante, não mais podendo conceber sem dor, as mães a terão para o seu conforto. De agora em diante, as esposas a terão por guia e os moribundos por mãe, sendo doce para eles morrer sobre aquele seio, que é um escudo contra ti, oh Maldito, e proteção, diante do julgamento de Deus.

Detalhe

Jesus falou a Satanás e disse-lhe:

EMF 6

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : Purificação de Ana e oferta de Maria, a menina perfeita para o Reino dos Céus.

Data da visão e do ditado: Segunda-feira, 28 de agosto de 1944

Calendário: Terça-feira 25 de novembro do ano 21 a.C.

Antigo calendário juliano: terça-feira 27 de setembro do ano 21 d.C.

Calendário judaico: 30 de Kisleu 3741

Localização (mapa) : Jerusalém (Templo de Jerusalém)

Ciclo: Nascimento e infância da Virgem Maria

Resumo: Ana vai apresentar a sua filha no Templo, acompanhada por Joaquim, Isabel e Zacarias. Os felizes pais vestiram-se a rigor para a ocasião. Em breve, Ana fala com Isabel e a mulher de Joaquim confidencia-lhe que entregará a sua Flor ao Senhor dentro de três anos. Para fazer este sacrifício heroico, ela lembrar-se-á de que Deus lhe deu Maria. Dizerá também a si própria que a sua filha reza por eles e que o Senhor será o seu Pai depois de eles terem partido. Chegam finalmente ao Templo e Ana purifica-se lá. O grupo dirige-se ao local onde Ana teve o seu desejo atendido, e aí encontra Ana de Fanuel, que será a mestra de Maria no Templo.

Jesus faz então um ditado e explica que a Virgem estava a arder para se aproximar de Deus. Volta à frase "Deixai vir a mim as criancinhas"; depois insiste no amor de Maria, constante ao longo de toda a sua vida. O seu olhar é sereno e bondoso, e o mesmo acontece com os santos que, como a sua Mãe do Céu, têm um olhar que é "luz para a alma".

Conteúdo do capítulo: 6.1: Joaquim, Ana, Zacarias e Isabel a caminho do Templo. 6.2: Ana dará a Deus o que dele provém. 6.3: A purificação de Ana. 6.4: A consagração de Maria e o primeiro contacto com Ana de Fanouel. 6.5: Dentro de três anos, tu também estarás aqui, meu Lírio. 6.6: Eis o Menino perfeito, com o coração de pomba, simples e puro. 6.7: O olhar puro, pacífico e benevolente dos puros, dos santos, dos enamorados de Deus.

Edição anterior: Volume 1, capítulos 9 e 10

EMF 6.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ana tem nos braços a menina, toda envolta em cueiros, tendo sido antes enrolada com um amplo tecido de lã mais leve, que deve ser macio e quente. Com que cuidado e amor leva a sua filhinha, levantando de vez em quando a beirada do pano fino e quente, para ver se Maria respira bem, e depois, cobre-a bem de novo, para protegê-la do ar gelado deste dia sereno, embora de pleno inverno.

EMF 6.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

6.4 Zacarias diz em voz baixa algumas palavras a um colega, o qual concorda, sorrindo. Depois aproxima-se do grupo, que já se reuniu de novo, congratulando-se com a mãe e o pai pela sua alegria e pela fidelidade às promessas feitas, recebendo o segundo cordeiro, a farinha e os pães cozidos.

– Então, esta filha está sendo consagrada ao Senhor? Que a Sua bênção esteja com ela e convosco. Eis Ana que chega. Ela será uma de suas mestras. É Ana de Fanuel, da tribo de Aser. Vem, mulher! Esta pequenina é oferecida ao Templo em hóstia de louvor. E tu serás sua mestra. Submissa a ti, ela crescerá na santidade.

Ana de Fanuel, já com os cabelos todos brancos, acaricia a menina, que acabou de acordar e olha com seus olhos inocentes e espantados toda aquela brancura e todo aquele ouro, que a luz do sol faz brilhar.

A cerimônia deve ter acabado. Não vi nenhum rito especial para a oferta de Maria. Talvez fosse suficiente dizê-lo ao sacerdote e sobretudo que o dissessem a Deus, no lugar sagrado.

6.5 – Eu gostaria de fazer a oferta ao Templo, e ir depois àquele lugar, onde vi aquela luz no ano passado.

Vão assim para lá, acompanhados por Ana de Fanuel. Mas não entram no Templo propriamente dito. Compreende-se que, tratando-se de mulheres e de uma menina, não chegaram até o lugar, ao qual Maria chegou, quando veio oferecer o seu Filho. Mas, bem perto da porta toda aberta, olham para o interior meio escuro, de onde estão vindo doces cantos de meninas, e de onde vem o brilho de lâmpadas preciosas, que espalham uma luz de ouro sobre dois canteiros de cabecinha­s cobertas com véus brancos, dois verdadeiros canteiros de lírios.

– Daqui a três anos tu também estarás lá, meu Lírio –promete Ana a Maria, que olha como que fascinada para o interior do Templo, sorrindo ao lento canto.

– Parece até que ela compreende –diz Ana de Fanuel.– É uma linda menina! Será querida por mim, como se fizesse parte de minhas entranhas. Assim eu te prometo ó mãe, se a idade me permitir.

– Sim, que poderás, mulher! –diz Zacarias.– Tu a receberás entre as meninas consagradas. Eu também estarei lá. Quero estar lá naquele dia para dizer a ela que reze por nós desde o primeiro momento…

E olha para a sua mulher, que compreende, suspirando.

A cerimônia terminou, e Ana de Fanuel se retira, enquanto os outros saem do Templo, conversando entre si.

Ouço a voz de Joaquim, que diz:

– Eu teria dado até todos os meus cordeiros, não só os dois melhores, em troca desta alegria, para dar louvor a Deus!

Nada mais vejo.

Detalhe

Ana vem apresentar Maria no Templo e purificar-se depois do parto. É acompanhada pelo seu marido, Isabel e Zacarias. Quando tudo está terminado e ela é purificada pelo sacerdote, colega de Zacarias, Maria Valtorta escreve o seguinte

EMF 6.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

6.6 Jesus diz:

– Salomão faz a Sabedoria dizer: “Quem é criança, venha a mim.” Na verdade, é da fortaleza e dos muros de sua cidade que a eterna Sabedoria dizia à eterna menina: “Vem a mim.” Ansiava por tê-la.

Mais tarde, o Filho desta puríssima menina dirá: “Deixai vir a Mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus, e quem não se tornar semelhante a eles, não terá parte no meu Reino.” As vozes se perseguem e, enquanto a voz do Céu grita à pequena Maria: “Vem a Mim”, a voz do Homem pensa em sua mãe, ao dizê-lo: “Vinde a Mim, se souberdes ser pequeninos.”

Dou-vos um modelo em minha mãe.

Eis a perfeita criança, do coração de pomba, simples e puro, eis Aquela que os anos e os contatos do mundo não conseguem embrutecer pela barbárie de um espírito corrompido, tortuoso, mentiroso. Porque Ela não quer este espírito. Vinde a Mim, olhando para Maria.

6.7 Tu, que a estás vendo, diz-me: o seu olhar de criança é muito diferente do olhar com que a viste aos pés da Cruz, na alegria do Pentecostes, na hora em que suas pálpebras desceram sobre seus olhos de gazela para o seu último sono? Não. Aqui está o olhar incerto e espantado da criança; mais tarde será o olhar espantado e verecundo da Anunciada; mais tarde ainda, o olhar feliz da mãe de Belém; depois, o olhar de adoradora da minha primeira e sublime discípula; depois ainda, o olhar dilacerado da atormentada no Gólgota; depois, o olhar radiante da Ressurreição e Pentecostes; e, por fim, o olha­r velado do sono extático da última visão. Mas, seja que se abra às primeiras vistas, seja que se feche cansado sobre a última luz, depois de ter visto tanta alegria e tanto horror, o olho é sereno, puro, plácido, nesga de céu que brilha sempre de modo igual, sob a fronte de Maria. Ira, mentira, soberba, luxúria, ódio, curiosidade, nunca o sujam com suas nuvens de fumaça.

É o olho que olha para Deus com amor, tanto quando chora, como quando ri. Por amor de Deus acaricia e perdoa, tudo suportando. Por amor ao seu Deus se torna inatacável aos assaltos do Mal, que muitas vezes se serve dos olhos para penetrar no coração. O olha­r puro, repousante, benevolente, que têm os puros, os santos, os enamorados de Deus.

Eu disse: “A luz do teu corpo são os teus olhos. Se os olhos são puros todo o teu corpo estará iluminado. Mas se os olhos são turvos, toda a tua pessoa estará em trevas.” Os santos tiveram esse olho que é luz para o espírito e salvação para a carne, porque como Maria, durante toda a sua vida, não olharam senão para Deus. Ao contrário, eles sempre se lembraram de Deus.

Explicarei a ti, pequena voz, qual é o sentido desta minha pala­vr­a.

Anotação

Mais tarde, o Filho da Criança diria: "Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus; quem não for como elas não tem parte no meu reino. "Jesus disse isto na EMV 378.8 e em Mateus 19, 14-15, Marcos 10, 13-14 e Lucas 18, 15-17.

Eu disse-o em Mateus 6,22-23(EMV 174,9) e em Lucas 11,34-35(EMV 413,7).

Evangelho de Mateus 6, 22-23 e 19, 14-15

Mt 6,22-23: A lâmpada do corpo é o olho. Se o teu olho for saudável, todo o teu corpo estará na luz; mas se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará nas trevas. Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão as trevas!

Mt 19, 14-15 : Jesus disse-lhes: "Deixai estas crianças e não as impeçais de vir ter comigo, porque o Reino dos Céus é para aqueles que são como elas. "15 E, impondo-lhes as mãos, continuou o seu caminho.

Evangelho de Lucas 11, 34-35 e 18, 15-17

Lc 11,34-35 : A lâmpada do vosso corpo é o vosso olho. Se o teu olho for são, todo o teu corpo estará na luz; se for mau, também o teu corpo estará nas trevas.

Lc 18, 15-17 : Algumas pessoas trouxeram-lhe também as suas criancinhas, para que ele lhes tocasse. Quando os discípulos viram isso, repreenderam-nos. Mas Jesus chamou as crianças para junto de si e disse: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus pertence àqueles que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele. "

Evangelho de Marcos 10, 13-14

Mc 10,13-14 : Traziam-lhe as criancinhas para que ele as tocasse. Mas os discípulos repreendiam os que as traziam. Jesus, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos Céus pertence aos que são semelhantes a elas".

EMF 7

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A pequena Maria com Ana e Joaquim. A Sabedoria do Filho já está nos seus lábios.

Data da visão e do ditado: terça-feira, 29 de agosto de 1944

Calendário: agosto do ano 18 a.C.

Calendário judaico: Ab 3743

Local (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infância da Virgem Maria

Resumo: Ana está com Maria em Nazaré. A menina brinca no jardim e traz-lhe flores. Ela conta-lhe a história de cada uma delas e a mãe fica espantada com o que ela diz, quando Maria menciona Salomão, por exemplo. A filha responde-lhe que lhe parece que sempre soube isso, e quer que Ana lhe conte uma história sobre a vinda do Emanuel. A menina perguntou-lhe então quando é que a profecia se realizaria; quis mesmo saber se Deus poderia encurtar o tempo de espera se ela rezasse muito, muito, muito. Ana acaba por responder afirmativamente, e a Imaculada declara que rezará e permanecerá virgem para que o seu pedido seja atendido. A futura Mãe de Jesus revela também o seu desejo de servir a mulher que dará à luz o Salvador e, alguns momentos depois, pergunta a Ana como é que o Senhor a pode salvar se ela não pecar. Joaquim responde, dizendo que o Salvador a salvou antecipadamente. Por fim, a família feliz fala do Templo, onde Maria entrará em breve, e promete rezar pelos seus queridos pais. Depois deste capítulo, Jesus dá um ditado sobre a sabedoria precoce de sua Mãe, falando da razão e da inteligência, um dom que Deus tinha dado aos nossos Primeiros Pais.

Conteúdo do capítulo: 7.1: A pequena Maria leva flores a Ana. 7.2: Uma história imaginada para cada flor. 7.3: Quanto tempo será preciso para ter o Emanuel? 7.4: Far-me-ei virgem para apressar a sua vinda. 7.5: Como me salvará, se eu não pecar? 7.6: Quando me levarás ao Templo? 7.7: Crianças espiritualmente precoces. 7.8: A razão é uma das coisas que mais nos torna semelhantes a Deus. 7.9: Maria foi a super Eva, a obra-prima do Altíssimo.

Edição antiga: Volume 1, capítulos 11 e 12