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EMF 205

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : Os primeiros ofícios confiados a João de En-Dor. A parábola do filho pródigo. Judas trazido de volta a Jesus por Maria.

Data da visão: Sábado, 30 de junho de 1945.

Calendário: Quarta-feira 5 de abril 28 (23 Nissan 3788)

Local (mapa) : Betânia

Ciclo: Apostolado na Judeia

Resumo: Jesus chama João de Endor e diz-lhe que Isaac virá provavelmente hoje com os camponeses de Yokhanan. O pastor da Natividade levá-los-á mais depressa a casa, graças a uma carroça de Lázaro. Cristo pede então a João que divida o dinheiro que tem em sua posse em várias partes iguais, para que os servos do fariseu possam ser consolados. O discípulo promete obedecer, e o Mestre diz-lhe que formará uma companhia com Isaac em Yutta. Também lhe dá uma parábola para lhe assegurar que Deus o ama. Juntando-se aos outros, Jesus conta então a história do filho pródigo. Quando termina, os apóstolos e as mulheres discípulas regressam a casa e Marziam vai procurar Maria para a levar a um poço. Lá está Judas, que não se atreve a ir ter com os seus companheiros ou com o Senhor. Pede-lhe ajuda, mas Maria é reta e pergunta-lhe se não sente a dor do Pai, do Verbo, e a dor que está a causar. No entanto, ela leva-o aos seus companheiros e Judas pede perdão a Pedro.

Conteúdo do capítulo: 205.1: Missão dada a João de En-Dor. 205.2: Forma-se com Isaac de Yutta. 205.3: A parábola do filho pródigo: a vida dissoluta. 205.4: A queda da graça. 205.5: O arrependimento. 205.6: O ciúme do irmão fiel. 205.7: E assim será com Maria Madalena. 205.8: Judas chega para pedir perdão a Maria e a Pedro.

Edição anterior: Volume 3, cap. 66

EMF 205.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Descem, e vão ajuntando-se os outros, à medida que se aproximam, e vão se sentando em círculos, à sombra do pomar. Também Lázaro, que estava falando com Zelotes, aproxima-se do grupo. São vinte pessoas ao todo.

Anotação

É difícil determinar exatamente quem são as vinte pessoas. Com Jesus e os apóstolos, são doze, excluindo Judas. Podemos acrescentar Maria Salomé e Maria de Alfeu, uma vez que fizeram a viagem em MVA 198 e Maria menciona a sua presença nos capítulos anteriores. A Virgem, Marziam, Lázaro e João de Endor também estão presentes. Marta e Maximino têm finalmente todos os motivos para assistir à lição de Jesus.

Em todo o caso, o grupo presente ouvirá a parábola do filho pródigo.

EMF 205.3-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ouvi. É uma bela parábola, que vos guiará com sua luz, em muitos casos.

Um homem tinha dois filhos. O mais velho era sério, trabalhador, amoroso, obediente. O segundo era mais inteligente que o mais velho, pois este na verdade tinha pouca acuidade de espírito, e se deixava guiar para não ter que se cansar ao tomar decisões. Em compensação, porém, o mais jovem era rebelde, dado a passatempos, amante do luxo e do prazer, dissipador e preguiçoso. A inteligência é um grande dom de Deus. Mas é um dom que precisa ser usado com sabedoria. Se assim não for, ele se torna como certos remédios que, quando são mal usados, não curam, mas matam. O pai estava no seu direito e no seu dever, e o exortava sempre a levar uma vida de um modo mais ajuizado. Mas isso não adiantava nada, ao contrário, provocava da parte dele más respostas e um maior enrijecimento em suas próprias más ideias.

Afinal, um dia, depois de uma discussão mais violenta, o filho mais novo disse: “Dá-me a minha parte nos bens. Assim não precisarei mais ficar ouvindo tuas repreensões, nem os queixumes do irmão. Cada um com o que é seu e fica tudo acabado.” “Olha bem,” respondeu o pai, “que tu logo ficarás arruinado. E então, que farás? Pensa bem, que eu não irei ser injusto, procurando ficar a teu favor, e não tomarei um vintém do teu irmão para te dar.” “Não irei pedir nada. Fica certo disso. E dá-me a minha parte.”

O pai mandou avaliar as terras e os objetos de valor e, visto que o dinheiro e as jóias valiam tanto como as terras, deu ao mais velho os campos e os vinhedos, os rebanhos e as oliveiras, e ao mais novo o dinheiro e as jóias, que o jovem logo vendeu, transformando tudo em dinheiro. E, tendo feito isso, dentro de poucos dias, foi-se embora para um lugar muito distante, onde passou a viver como um ricaço, esbanjando tudo o que possuía em farras e patuscadas de toda espécie, querendo passar por filho de um rei, pois ele se envergonhava de dizer: “Eu sou um camponês”, renegando assim a condição de seu pai. Festinhas, amigos e amigas, boas vestes, vinho, jogatina…uma vida dissoluta… Bem depressa ele percebeu que o dinheiro ia diminuindo e que a miséria ia chegando. E, com a miséria, para torná-la mais penosa, sobreveio àquele lugar uma grande carestia, que acabou com o resto do dinheiro que ele ainda tinha.

205.4

Ele teria querido voltar para o pai. Mas era orgulhoso, e não quis. Foi, então, a um dos ricos do lugar, que tinha sido seu amigo nos bons tempos, e lhe suplicou: “Recebe-me entre os teus servos, lembrando-te de quando gozavas com as minhas riquezas.” Agora, vede vós como o homem é estulto! Ele prefere ir colocar-se debaixo do chicote de um patrão, a ir dizer ao seu pai “Perdoa-me! Eu errei!” Aquele jovem havia aprendido tantas coisas inúteis, com sua inteligência perspicaz, mas não tinha querido aprender aquela palavra[1] do Eclesiástico: “Como é infame aquele que abandona o seu pai, e como é maldito por Deus aquele que faz sua mãe ficar preocupada.” O rapaz era inteligente, mas não sábio.

O homem a quem ele havia se dirigido, em compensação pelo muito que ele havia gozado às custas do estulto jovem, mandou este estulto ir tomar conta de seus porcos — pois lá era terra de pagãos, onde havia muitos porcos — mandou que ele fosse apascentar em suas propriedades umas manadas de porcos. Imundo, esfarrapado, fedorento e esfomeado, — pois a comida estava escassa para todos os servos, especialmente para os empregados menos classificados, como era ele, um estrangeiro e, além disso, um porqueiro que era tratado como objeto de zombaria, — ele via como os porcos se saciavam com as bolotas de carvalho, e suspirava: “Ah! Se eu pudesse, pelo menos, encher a barriga com esses frutos! Mas eles são muito amargos! Nem a fome faz com que eles pareçam bons.” E chorava, pensando nos festins feitos pouco tempo atrás, por entre risadas, cantos e danças… depois pensava nas refeições honestas, mas bem nutritivas, de sua casa, que agora estava tão longe: …Pensava nas porções que o pai imparcialmente distribuía a todos, reservando sempre o menos para si, alegre por ver o apetite sadio de seus filhos… Pensava também nas partes que eram distribuídas aos servos por aquele justo, e suspirava: “Os empregados de meu pai, até os menos classificados, têm pão em abundância, e eu fico aqui morrendo de fome…”

Um grande trabalho de reflexão, uma longa luta para acabar com aquele orgulho…

205.5

E, afinal, chegou o dia em que, tendo renascido para a humildade e para a sabedoria, ele se pôs de pé, e disse: “Eu vou voltar para o meu pai! É uma estultice minha este orgulho, que me mantém aqui preso. E por quê? Por que ficar sofrendo assim no corpo, e mais ainda no coração, quando eu posso obter o perdão e ter alívio? Eu vou voltar para o meu pai. Está dito. E, que lhe direi eu? Ah! Sim. Direi o que nasceu aqui dentro, nesta baixeza, no meio destas sujeiras, sofrendo as mordeduras da fome! E eu lhe direi: ‘Meu pai, eu pequei contra o Céu e contra ti e não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me, pois, como o último dos teus empregados, mas tolera-me debaixo do teu teto. Que eu possa te ver passando…’ Eu não poderei dizer-lhe: ‘porque eu te amo’. Ele não acreditaria. Mas eu o direi com minha vida e ele compreenderá e, antes de morrer, ainda me abençoará. Oh! Isso eu espero. Porque meu pai me ama.” E, ao voltar de tarde para o povoado, ele foi despedir-se do patrão e depois, pedindo esmola pelo caminho, voltou para sua casa. Já se vêem os campos do pai… e a casa… e o pai, que estava dirigindo os trabalhos, já envelhecido, emagrecido pelos sofrimentos, mas sempre bom… O culpado, olhando aquilo que tinha sido causado por ele, parou atemorizado… mas o pai, correndo o olhar ao redor de si, o viu, e correu ao seu encontro, pois o filho ainda estava longe e, chegando perto dele, lançou-lhe os braços ao pescoço e o beijou. Somente o pai havia reconhecido naquele mendigo aviltado o seu filho, e só mesmo ele é que tinha tido um movimento de amor.

O filho, apertado entre aqueles braços, com a cabeça sobre o ombro paterno, murmura, por entre soluços: “Pai, deixa que eu me jogue aos teus pés.” “Não, meu filho! Aos pés, não! Mas sobre o meu coração, que tanto sofreu na tua ausência e que precisa reviver, ao sentir o teu calor sobre o meu peito.” E o filho, chorando ainda mais fortemente, disse: “Oh! meu pai! Eu pequei contra o Céu e contra ti, e já não sou digno de ser chamado por ti de filho. Mas, permite-me viver entre os teus servos, debaixo do teu telhado, vendo-te, comendo o teu pão, servindo-te, sentindo o teu hálito. A cada bocado de pão, a cada teu respiro, irá se reformando o meu coração, tão corrompido, e me tornarei honesto…”

Mas o pai, segurando-o sempre abraçado, o levou até onde estavam os servos, que se haviam aglomerado à distancia, e que de lá estavam observando, e lhes diz: “Depressa, trazei aqui a túnica mais bonita, os frascos com água de cheiro, dai-lhe um banho, perfumai-o, vesti-lhe a túnica, ponde-lhe sandálias novas e um anel no dedo. Depois, ide pegar um vitelo gordo, e matai-o. E que se prepare um banquete. Porque este meu filho estava morto e agora ressuscitou, estava perdido e foi reencontrado. Eu quero que agora ele também reencontre aquele seu simples amor de quando era pequeno. Que o meu amor e a festa da casa pela sua volta o façam reencontrar. Ele precisa compreender que para mim ele é sempre o querido caçula, como o era em sua longínqua infância, quando ele caminhava ao meu lado, fazendo-me ser feliz com o seu sorriso e o seu balbuciar.” E, como o patrão mandou, assim fizeram os servos.

205.6

O filho mais velho estava no campo e não estava sabendo de nada, enquanto não voltou. À tarde, voltando para casa, viu que ela estava toda iluminada, e ouviu o som dos instrumentos de música e das danças, que saía da casa. Chamou, então, um dos servos, que ia correndo muito atarefado, e lhe disse: “Que é que está acontecendo?” E o servo respondeu: “O teu irmão voltou! E teu pai fez matar o vitelo gordo, porque pôde reaver o filho com saúde, curado do seu grande mal, e mandou que se preparasse um banquete. Só estamos te esperando para começar.” Mas o primogênito, encolerizado, porque lhe parecia uma injustiça toda aquela festa para o mais jovem que, além de ser mais jovem, ainda tinha sido mau, não quis entrar, e até estava querendo afastar-se de casa.

Mas o pai, avisado disso, saiu correndo para fora, e o alcançou, tentando convencê-lo a entrar e pedindo-lhe que não tornasse amarga a sua alegria. O primogênito respondeu a seu pai: “E não queres que eu fique descontente? Tu estás fazendo uma injustiça, e tratando com desprezo ao teu primogênito. Eu, desde que pude trabalhar, sempre te servi, e isto há muitos anos. Eu nunca desobedeci a uma ordem tua, nem mesmo a um teu desejo. Eu sempre estive perto de ti e te amei por dois, para fazer-te ficar curado da ferida feita por meu irmão. E tu não me deste nem um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. E, para este, que te ofendeu, que te abandonou, que foi um preguiçoso e um esbanjador, e que agora está de volta, porque veio impelido pela fome, tu o cobres de honrarias, e matas para ele o vitelo mais bonito. Vale a pena sermos trabalhadores e sem vícios! Isto tu não devias fazer!” O pai disse-lhe, então, apertando-o contra o seu seio: “Oh! Meu filho! Poderás tu crer que eu não te amo, porque não estendi uma faixa festiva em honra de tuas boas ações? As tuas ações já são santas por si mesmas, e por elas o mundo te elogia. Mas este teu irmão, pelo contrário, precisa ser realçado na estima do mundo e em sua própria estima. Acreditarás tu que eu não te amo, só porque não te dei um prêmio visível? Mas, de manhã e de tarde, em todos os meus respiros e pensamentos, tu estás presente em meu coração e, a cada momento, eu te abençôo. Tu tens o prêmio contínuo de estares sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era justo que nos banqueteássemos e fizéssemos uma festa, por este teu irmão, que estava morto ressuscitou para o Bem, que estava perdido voltou ao nosso amor.” E o primogênito deu-se por vencido.

205.7

Assim, meus amigos, é que acontece na Casa do Pai. E quem sabe que está como o filho mais novo da parábola pense também que, se o imitar, voltando para o Pai, o Pai lhe dirá: “Não aos meus pés. Mas sobre o meu coração, que sofreu pela tua ausência, e que agora está feliz pela tua volta.” Quem está na condição de filho primogênito e sem culpa com o Pai, não seja ciumento da alegria paterna, mas participe dela, dando amor ao irmão redimido.

Anotação

Livro de Sirach 3, 16

Si 3, 16: O que abandona seu pai é como um blasfemo; o que provoca a ira de sua mãe é maldito do Senhor.

Evangelho de Lucas 15, 11-32

Lc 15, 11-32 : Jesus disse ainda: "Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: "Pai, dá-me a minha parte dos bens". E o pai dividiu os seus bens entre eles. Passados alguns dias, o filho mais novo juntou tudo o que tinha e partiu para um país distante, onde esbanjou a sua fortuna, levando uma vida desregrada. Já tinha gasto tudo, quando houve uma grande fome nesse país e ele começou a passar necessidade. Foi trabalhar para um habitante desse país, que o mandou tratar dos porcos nos seus campos. Ele teria gostado de encher a barriga com as vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.

Então, entrou em casa e disse para consigo: "Quantos trabalhadores do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui a passar fome! Vou levantar-me, vou ter com o meu pai e digo-lhe: "Pai, pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus trabalhadores". Levantou-se e foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, compadecido, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, enchendo-o de beijos. O filho disse-lhe: "Pai, pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho". Mas o pai disse aos seus servos: "Trazei depressa a melhor roupa para o vestir, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés, ide buscar o vitelo gordo, matai-o, comamos e festejemos, porque o meu filho, que estava morto, reviveu; estava perdido e foi encontrado." E começaram a banquetear-se.

Mas o filho mais velho estava no campo. Quando voltou e estava perto da casa, ouviu música e danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe o que se passava. O servo respondeu: "O teu irmão chegou, e o teu pai matou o vitelo gordo, porque encontrou o teu irmão de boa saúde". Então o filho mais velho zangou-se e recusou-se a entrar. O pai saiu para lhe pedir. Mas ele respondeu ao pai: "Há tantos anos que estou ao teu serviço sem nunca quebrar as tuas ordens, e nunca me deste um cabrito para me banquetear com os meus amigos. Mas quando este teu filho voltou de devorar os teus bens com prostitutas, mandaste matar o vitelo gordo para ele!" O pai respondeu: "Tu, meu filho, estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Havia necessidade de festejar e de se alegrar, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi encontrado!"""

EMF 205.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A inteligência é um grande dom de Deus. Mas é um dom que precisa ser usado com sabedoria. Se assim não for, ele se torna como certos remédios que, quando são mal usados, não curam, mas matam.

EMF 205.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os apóstolos, juntos com a mãe e as mulheres, vão indo para a casa, precedidos por Margziam, que vai dando seus pulinhos na frente. Mas logo ele volta e pega Maria pela mão, dizendo-lhe:

– Vem comigo. Tenho uma coisa para dizer-te em segredo.

E Maria o contenta. Desviam-se para o lado do poço, que está num canto do pequeno pátio todo coberto por uma latada bem espessa, que sobe da terra como um arco, para o rumo do terraço. Atrás dela está Iscariotes.

– Judas, que queres? Vai, Margziam…Fala… Que queres?

– Eu estou culpado… Não tenho coragem de ir ao Mestre, nem de me encontrar com os companheiros… Ajuda-me…

– Eu te ajudarei. Mas, não pensas na grande dor que estás causando? Meu Filho chorou por tua causa. E os companheiros sofreram com isso. Mas, vem. Ninguém te dirá nada. E, se podes, não recaias mais nestas culpas. É coisa indigna de um homem, e um sacrilégio contra o Verbo de Deus.

– E tu, mãe, me perdoas?

– Eu? Eu não valho nada para ti, que te julgas tão grande. Eu sou a menor das servas do Senhor. Como podes te preocupar comigo, se não tens dó do meu Filho?

– Porque eu também tenho uma mãe e, se tiver o teu perdão, acho que terei o dela.

– Ela não sabe dessa tua culpa.

– Mas ela me tinha feito jurar que fosse bom para o Mestre. Eu sou um perjuro. Estou ouvindo a reprovação da alma de minha mãe.

– Estás ouvindo isso? E o lamento do Pai e do Verbo, não o ouves? Tu és um infeliz, Judas. Semeias a dor em ti mesmo e em quem te ama.

Maria está muito séria e triste. Ela fala sem azedume, mas de modo muito sério. Judas chora.

– Não chores. Mas trata de melhorar. Vem.

E o toma pela mão e assim entra na cozinha. Grande é o espanto de todos. Mas Maria procura evitar qualquer palavra impiedosa. Ela diz:

– Judas voltou. Fazei como o primogênito, depois do discurso do pai. João, vai avisar Jesus.

João de Zebedeu sai correndo.

Um silêncio desce sobre a cozinha… Depois, Judas diz:

– Perdoai-me Simão, em primeiro lugar. Tens um coração tão paterno. Eu também sou um órfão.

– Sim, sim, eu te perdôo. Por favor. Não fales mais nisso. Somos irmãos… e não me agradam estes altos e baixos de perdões pedidos e de recaídas feitas. Aviltam a quem as faz e quem os dá. Aí vem Jesus. Vai até Ele. E basta.

Judas vai indo, enquanto Pedro, não podendo fazer outra coisa, se põe, impetuosamente, a rachar umas achas secas.

EMF 206

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A estadia em Betânia termina com duas parábolas sobre o Reino dos Céus.

Data da visão: Domingo 1 de julho de 1945.

Calendário: Quarta-feira 5 de abril 28 (23 Nissan 3788)

Local (mapa) : Betânia

Ciclo: Apostolado na Judeia

Resumo: Jesus conta uma parábola para acalmar o medo de alguns: será doce para os de boa vontade, amargo para os outros, mas eles têm os meios para se corrigirem. Cristo conta a parábola das dez virgens. Preparam-se e entram no vestíbulo da casa do noivo: conversam, contam boas histórias, mas a noite arrasta-se. Acabam por se calar e adormecer. Depois, por volta da meia-noite, chegou o cortejo nupcial, pelo que se levantaram para ir buscar as suas lâmpadas. Cinco deles são sábios e já colocaram óleo de antemão, mas os outros cinco não o fizeram e até têm pouco óleo. Pedem às companheiras que lhes dêem algum, mas as companheiras lembram que precisam dele para resistir ao vento e à humidade: as virgens loucas devem, portanto, ir buscar algum ao mercador. E assim fizeram. No entanto, a procissão chega entretanto, entram em casa, a porta fecha-se e as virgens loucas ficam para trás.

Jesus explica a parábola. O noivo é Deus. A noiva é a alma de um homem justo. As servas são as almas dos fiéis que procuram alcançar a mesma honra que a noiva, santificando-se. Estão vestidas de branco: devem praticar a justiça com firmeza. As suas vestes são limpas: os seus corações são humildes e puros. Estão vestidas de fresco, o que significa que têm o coração de uma criança. Têm véus brancos, o que caracteriza a humildade. Finalmente, estão coroadas de flores, o que significa que a alma deve continuar a praticar actos virtuosos dia após dia, e têm as suas lâmpadas acesas, o que simboliza a fé. Assim, Jesus exorta todos a estarem vigilantes.

Os camponeses partem na carruagem preparada por Lázaro. João de Endor acompanha-os. Jesus prometeu que voltaria a falar aos habitantes de Betânia, e foi o que fez nessa noite. Diz-lhes que a Palavra é pobre e que quer continuar pobre. Além disso, compara os pobres aos ricos. Os primeiros guardam a Palavra de Deus, enquanto os segundos podem perdê-la de vista com os seus outros tesouros.

O Mestre conta a parábola do rei que casa o seu filho. Manda os seus servos avisar os seus amigos, os seus aliados e os grandes notáveis do seu reino, mas ninguém aparece. Ele insiste, e os convidados ou dão desculpas ou descarregam no servo. Depois de o soberano se ter indignado e castigado os assassinos, volta a mandar os criados procurar os transeuntes, os bons e os maus, os ricos e os pobres. Por fim, entra na sala do banquete e vê um homem que não vestiu a roupa de casamento, apesar de ter dado tudo o que era necessário. Como o convidado se cala, manda-o expulsar e Jesus explica-lhe a parábola. Os grandes são grandes só de nome e rejeitam a Palavra e o convite do seu Rei. São duros e perversos. O Pai mandará buscar à rua pessoas que não são seus amigos, nem grandes, nem aliados, mas simplesmente as pessoas que andam na rua, e limpá-las-á para o Reino de Deus.

Jesus parte então e pede a todos que rezem o Pai-Nosso por intermédio de Pedro. Lázaro cumprimenta-o e, embora triste por o ver partir, fica feliz por ter visto o Mestre mais sereno. Em resposta a uma observação de Judas, Jesus recorda a última Páscoa, quando era apenas um desconhecido; mas este ano, viu que nada mudou e que o Templo está ainda pior, porque é um lugar onde as pessoas fazem conjuras. Jesus é severo e fala mesmo da sua morte iminente. Perante a Virgem que chora, e Marziam com ela, encoraja todos a não chorar. Por fim, faz algumas recomendações a Isaac e a João de Endor, depois saúda Lázaro, Maximino e os habitantes de Betânia, que partirão no dia seguinte.

Conteúdo do capítulo: 206.1: Jesus propõe uma parábola para acalmar os receios de algumas pessoas. 206.2: A parábola das virgens: o casamento prolonga-se. 206.3: A parábola das virgens previdentes e das virgens previdentes. 206.4 : O significado da palavra contida na parábola. 206.5 : A atitude e os atributos das virgens prudentes, aplicados às almas dos fiéis. 206.6: Por que têm as suas lâmpadas acesas. 206.7: A partida dos camponeses de Yokhanan e a promessa de voltar a falar aos de Betânia. 206.8: Ao fim da tarde, Jesus leva os discípulos de Betânia a um prado. 206.9: O vosso estado privilegiado. 206.10: Os pobres e os ricos. 206.11: A parábola das bodas reais. 206.12: Ide pelas praças e caminhos. 206.13: O mesmo se fará ao Messias. 206.14: Bênção e recitação pública do Pai-Nosso. 206.15: Jesus sorridente, Lázaro feliz, Judas em fuga. 206.16: Recordação da última Páscoa. 206.17: Fim da estadia em Betânia.

Edição anterior: Volume 3, capítulos 67 e 68

EMF 206.1.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Na presença dos camponeses de Jocanã, de Isaac e de muitos discípulos, das mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus e Marta, e muitos de Betânia, Jesus fala. Todos os apóstolos estão presentes. O menino, sentado em frente de Jesus, não perde uma palavra. O discurso deve ter começado há pouco, pois o povo ainda está chegando…

Diz Jesus:

– … é por causa desse temor tão forte, que Eu estou percebendo em muitos, que quero vos propor uma boa parábola. Boa, para os homens de boa vontade, desagradável, para os outros. Mas estes têm o modo de acabar com o gosto desagradável. Que se tornem eles também de boa vontade e a reprovação que a parábola suscita nas consciências, deixará de existir. (...)

[Jésus raconte la parabole des dix vierges.]

Meus caros discípulos, Eu não quero induzir-vos a tremer por causa de Deus, mas, antes, a terdes fé em sua bondade. Tanto vós que ficais, como vós que ides, pensai que, se fizerdes o que fizeram as virgens sábias, sereis chamados, não somente para fazer o cortejo ao Esposo, mas, como a jovem Ester, que foi feita rainha[3] no lugar de Vasti, sereis escolhidos e eleitos como esposas, tendo o Esposo “encontrado em vós toda graça e favor, mais do que em todos os outros.” Eu vos abençôo, a vós que ides. Levai em vós e para vossos companheiros esta minha palavra. A paz do Senhor esteja sempre convosco.

Jesus se aproxima dos camponeses, para saudá-los ainda, mas João de Endor lhe sussurra:

– Judas já está aí…

– Não importa. Acompanha-os até o carro, e faze o que Eu te disse que faças.

A multidão se dispersa lentamente. Muitos falam a Lázaro… E este se dirige a Jesus que, tendo deixado os camponeses, vem na direção dele, e diz:

– Mestre, antes que nos deixes, fala-nos ainda… Isto desejam os corações de Betânia.

– A tarde está chegando. Mas é plácida e serena. Se quiserdes reunir-vos sobre os fenos ceifados, Eu vos falarei, antes de deixar este lugar amigo. Ou, então, amanhã bem cedo. Porque já chegou a hora da despedida.

– Mais tarde! Hoje mesmo! –gritam todos.

– Como quiserdes. Ide agora. Na metade da primeira vigília, Eu vos falarei.

Anotação

Se vos comportardes como virgens prudentes, não só sereis chamadas a acompanhar o Esposo, mas, tal como a jovem Ester, que se tornou rainha em vez de Vasti, sereis escolhidas e eleitas como noivas. Vasti - Vasti significa "amada" em persa. Primeira esposa de Assuero (= Xerxes, 486-465), rei da Pérsia, que a repudiou por se ter recusado a assistir a um banquete (Ester 2, 1-18). Ester é também mencionada em EMV 136.2 e EMV 414.1.

Palavras-chave

EMF 206.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

É preciso, junto com a humildade, ter sempre limpa a veste. É muito fácil embaçar a pureza do coração. E quem não é puro de coração não pode ver a Deus. A humildade é como uma água que lava. O humilde se dá conta logo, porque tem olhos não embaçados pelas fumaças do orgulho, de estar com suas vestes enodoadas, e corre para o Senhor, e diz: “u tirei a limpeza deste meu coração. Eu choro para limpar-me. A teus pés venho chorar. E tu, ó meu Sol, alveja com os teus benignos perdões, com os teus paternos amores, esta minha veste!”

Detalhe

Jesus conta a parábola das dez virgens e chama a atenção para o facto de elas terem roupas limpas.