EMF 30.10-11
O Evangelho como me foi revelado
Tradução em curso
Notas do tema
Conforto de leitura
EMF 30.10-11
Tradução em curso
EMF 31.6-10
Depois, Maria diz:
– Tu o compreendes! Eu sei. Mas me verás chorar mais fortemente ainda.
Por ora, eu te alivio o espírito, mostrando-te a santidade de José, que era homem, ou seja, que não tinha outra ajuda para o seu espírito, senão a sua santidade. Eu tinha todos os dons de Deus, na minha condição de imaculada. Embora não o soubesse, na minha alma esses dons eram ativos e me davam forças espirituais. Mas ele não era imaculado. A natureza humana estava nele com todo o seu peso grave, e ele devia erguer-se para a perfeição com todo aquele peso, à custa de contínua fadiga de todas as suas faculdades, para poder alcançar a perfeição e ser agradável a Deus.
Oh! Meu santo esposo! Santo em todas as coisas, até nas mais humildes coisas da vida. Santo, pela sua castidade de anjo. Santo pela sua honestidade de homem. Santo pela sua paciência, pela sua operosidade, pela sua serenidade sempre igual, pela sua modéstia, por tudo.
Sua santidade brilha também neste acontecimento. Um sacerdote lhe diz: “É bom que tu te estabeleças aqui”, e ele, mesmo sabendo quão maior será a fadiga que irá encontrar, diz: “Para mim não é nada. Penso na dor de Maria. Se não fosse por isso, por mim eu não me afligiria. Basta que isso seja útil a Jesus.” Jesus e Maria são os seus angélicos amores. Não amou nada mais sobre a terra, este meu santo esposo. E desse amor, ele mesmo se fez servo.
Já o fizeram protetor das famílias cristãs e dos trabalhadores, e de muitas outras categorias. Mas, não somente dos agonizantes, dos esposos, dos operários; deveria-se fazê-lo protetor, também dos consagrados. Qual entre os consagrados da terra, a serviço de Deus, seja ele qual for, se terá consagrado assim a serviço do seu Deus, aceitando tudo, renunciando a tudo, suportando tudo, cumprindo tudo prontamente, com espírito alegre, com um humor constante, como ele fez? Não, não há.
31.7 Eu te faço observar uma outra coisa, ou melhor, duas.
Zacarias é um sacerdote. José não é. Mas observa bem como aquele que não é sacerdote tem o espírito no Céu, mais que o próprio sacerdote. Zacarias pensa humanamente, interpretando assim as Escrituras, porque não é a primeira vez que faz isso, e se faz guiar pelo bom senso humano. Por isso ele foi castigado. Aqui ele está tendo uma recaída, ainda que menos grave. Ele havia dito sobre o nascimento de João: “Como vai poder acontecer isso, se eu já estou velho, e minha mulher é estéril?”. Agora ele está dizendo: “Para tornar mais fácil a sua missão, o Cristo deve crescer aqui” e, com aquela pequena raiz de orgulho, que persiste até nos melhores, pensa em poder ser ele útil a Jesus. Não útil como quer ser José, servindo-o, mas útil, fazendo-se mestre dele… Deus o perdoou pela boa intenção. Mas tinha, por acaso, o “Mestre” necessidade de ter mestres?
Eu procurei fazê-lo ver a luz nas profecias, mas ele se julgava mais douto do que eu, e usava esse seu julgamento a seu modo. Eu teria podido insistir e vencer. Mas — e aqui está a segunda observação que desejo que faças — eu respeitei o sacerdote pela sua dignidade, e não pelo seu saber.
31.8 O sacerdote é, geralmente, sempre iluminado por Deus. Disse “geralmente” porque ele deve ser um verdadeiro sacerdote. Não é a veste que consagra, é a alma. Para se julgar se alguém é verdadeiro sacerdote, é necessário julgar o que sai de sua alma. Como disse o meu Jesus, é da alma que saem as coisas que santificam ou contaminam, aquelas coisas que informam todo o modo de agir de um indivíduo. Pois bem, quando alguém é um verdadeiro sacerdote, é geralmente inspirado por Deus. Quanto aos outros, é preciso que se tenha uma caridade sobrenatural, e que se reze por eles.
Mas meu Filho te colocou a serviço desta redenção, e não digo mais nada. Sê alegre, ao sofrer, para que aumentem os verdadeiros sacerdotes. E tu, repousa na palavra de quem te guia. Crê e obedece ao seu conselho.
31.9 Obedecer salva sempre. Ainda quando não é bem perfeito o conselho que se recebe.
Tu estás vendo. Nós obedecemos. E tudo correu bem. É verdade que Herodes se limitou a fazer exterminar os meninos de Belém e dos arredores. Mas satanás não teria podido impelir e propagar estas ondas de rancor até bem mais longe, persuadindo todos os poderosos da Palestina a igual delito, para fazer suprimir o futuro Rei dos judeus? Certamente teria podido. Teria acontecido nos primeiros tempos de Cristo, quando a repetição dos prodígios havia despertado a atenção das multidões e os olhos dos poderosos. Como teríamos podido, então, se isso tivesse acontecido, atravessar toda a Palestina, para vir da longínqua Nazaré até o Egito, a terra hospitaleira aos hebreus perseguidos,carregando um bebê recém nascido, e enquanto a perseguição se enfurecia? Foi muito mais fácil a fuga por Belém, ainda que sendo uma fuga igualmente dolorosa.
A obediência salva sempre. Lembra-te disso.
31.10 O respeito ao sacerdote é sempre sinal de formação cristã. Ai! — foi Jesus que o disse — ai dos sacerdotes que perdem sua chama apostólica! Mas ai também de quem acha que lhe é lícito desprezá-los! Porque são eles que consagram e distribuem o Pão verdadeiro que desce do Céu. Aquele contato os torna santos como um cálice consagrado, mesmo se não são santos. Eles terão que responder a Deus por isso. Vós, considerai-os como tais, e não vos preocupeis com outras coisas. Não sejais mais intransigentes do que o vosso Senhor Jesus, o qual, por ordem deles deixa o Céu, e desce para ser elevado por suas mãos. Aprendei com Ele. Se eles são cegos, se são surdos, se têm a alma paralítica e o pensamento doente, se são leprosos por muitas culpas em contraste com a sua missão, se são Lázaros em seu sepulcro, chamai a Jesus para que os cure e ressuscite.
Chamai-o com a vossa oração e com o vosso sofrimento, ó almas vítimas. Salvar uma alma é predestinar a própria alma ao Céu. Mas, salvar uma alma sacerdotal é salvar um grande número de almas, porque todo sacerdote santo é uma rede que arrasta almas para Deus. Salvar um sacerdote, ou seja, santificar, santificar de novo, é criar essa mística rede. Tudo o que cair nessa rede é uma luz que se acrescenta à vossa eterna coroa.
Vai em paz.
Maria acaba de assistir ao encontro entre Zacarias, José e Maria. O sacerdote aconselha-os a ficarem em Belém e eles obedecem. A visão termina com as lágrimas de Maria, que depois lhe dá um ditado.
EMF 32.7-9
32.7 Jesus diz:
– Nascem dois ensinamentos para todos, da descrição que fizeste.
O primeiro: Não é a um sacerdote mergulhado nos ritos, mas o espírito ausente, e, sim, a um simples fiel que a verdade se revela.
O sacerdote, sempre em contato com a Divindade, voltado a tudo que é relacionado a Deus, dedicado a tudo o que está acima da carne, deveria ter percebido logo quem era o Menino que estava sendo oferecido ao Templo, naquela manhã. Mas, para que pudesse pressentir, precisava de um espírito vivo. Não simplesmente de uma veste para cobrir um espírito, que, se não estava morto, estava muito adormecido.
O Espírito de Deus pode, se quiser, trovejar e sacudir, como um raio e um terremoto, até o espírito mais obtuso. Isto Ele pode. Mas geralmente, visto que Ele é Espírito de ordem, dado que Deus é ordem em cada uma de Suas Pessoas e em Seu modo de agir, Ele se expande e se comunica, não digo só onde há merecimento suficiente para receber a sua efusão (e nesse caso, seriam poucos os casos em que Ele se expandiria, nem mesmo tu conhecerias as suas luzes) mas, sim, onde Ele vê “boa vontade” em merecer a sua efusão.
Como se explica essa boa vontade? Tanto quanto possível, com uma vida inteira em Deus. Na fé, na obediência, na pureza, na caridade, na generosidade, na oração. Não tanto no ativismo, mas na oração. Há uma diferença menor entre a noite e o dia, do que entre o ativismo e a oração. A oração é comunhão de espírito com Deus, da qual, vós saís revigorados e decididos a serdes sempre mais d’Ele. O ativismo é um hábito qualquer, feito por diversos fins, mas sempre egoístas, deixando-vos como sois, ou melhor, vos agrava até de uma culpa de mentira e de acídia.
32.8 Simeão tinha esta boa vontade. A vida não lhe tinha poupado trabalhos e provações. Mas ele não perdeu a boa vontade. Os anos e as vicissitudes não tinham enfraquecido nem abalado a sua fé no Senhor, nas Suas promessas, e não tinham diminuido a sua boa vontade de ser sempre mais digno de Deus. Antes que os olhos de seu servo fiel se fechassem à luz do sol, na esperança de se reabrirem ao Sol de Deus rutilando nos Céus (que seriam abertos, quando Eu lá subisse, após o meu martírio) Deus lhe mandou um raio do Espírito, que o guiou ao Templo para ver a Luz do mundo.
“Movido pelo Espírito Santo”, diz o Evangelho. Oh! Se os homens soubessem que Amigo perfeito é o Espírito Santo! Que Guia, que Mestre! Se amassem e invocassem, este Amor da Santíssima Trindade, esta Luz da Luz, este Fogo do Fogo, esta Inteligência, esta Sabedoria! Muito além do necessário, eles haveriam de saber!
Escuta, Maria; escutai, meus filhos: Simeão esperou durante toda uma longa vida para “ver a Luz”para saber que a promessa de Deus estava cumprida. Mas ele nunca duvidou. Nunca disse a si mesmo: “É inútil que eu persevere em esperança e em oração.” Ele perseverou. E alcançou a graça de “ver” o que nem o sacerdote, nem os sinedritas, cheios de soberba e opacidade, viram: o Filho de Deus, o Messias, o Salvador naquele corpo infantil, que lhe dava calor e sorrisos. Ele recebeu portanto o sorriso de Deus, como primeiro prêmio de sua vida honesta e piedosa, através dos meus lábios de Menino.
32.9 Segunda lição: As palavras de Ana. Também ela, que é profetisa, vê o Messias em Mim, recém-nascido. Isto é natural, dada a sua capacidade de profecia. Mas escuta, escutai o que ela, inspirada pela fé e pela caridade, diz à minha mãe. Tirai disto luz para o vosso espírito, para que ele rejubile neste tempo de trevas, nesta festa da Luz. “A Ruem deu um Salvador não faltará o poder de dar o seu anjo para confortar o teu, o vosso pranto.”
Pensai que Deus deu-se a si mesmo, para anular a obra de satanás nos espíritos. Agora não poderá Ele vencer os satanases que vos torturam? Não poderá enxugar o vosso pranto, derrotando esses satanases e enviando-vos de novo a paz do seu Cristo? Por que não o pedir com fé? Fé verdadeira, poderosa, uma fé, diante da qual, o rigor de Deus, desprezado por vossas inúmeras culpas, caia com um sorriso, trazendo o perdão como ajuda, trazendo a sua bênção, como arco-íris sobre esta terra que está submergindo em um dilúvio de sangue procurado por vós mesmos?
Pensai: O Pai, depois de ter castigado os homens com o dilúvio, disse a Si mesmo e ao Seu patriarca: “Não amaldiçoarei mais a terra por causa dos homens, porque os sentidos e os pensamentos do coração do homem estão inclinados para o mal, desde a adolescência; portanto, não ferirei o ser vivo mais uma vez.” Ele foi fiel à Sua palavra. Não mandou mais o dilúvio. Mas vós, muitas vezes já dissestes a vós mesmos e a Deus: “Se nos salvarmos desta vez, se nos salvas, não faremos mais guerras, nunca mais.” E depois sempre continuais fazendo guerras, cada vez mais tremendas. Quantas vezes, ó homens falsos e sem respeito para com o Senhor é a vossa palavra? No entanto, Deus vos ajudaria ainda uma vez, se a grande massa dos fiéis o chamasse com fé e amor poderoso.
Escutai, ó vós todos — que, sendo muito poucos para contrabalançar os muitos que estão mantendo vivo o rigor de Deus, permanecei devotos a Ele, não obstante a hora tremenda que ameaça crescer a cada instante — e colocai as vossas aflições aos pés de Deus. Ele saberá mandar-vos o Seu anjo, como mandou o Salvador ao mundo. Não temais. Ficai unidos à Cruz. Ela sempre venceu as insídias do demônio, que, por meio da ferocidade dos homens e das tristezas da vida, procura o domínio dos homens pelo desespero, isto é, pela separação de Deus, pois não pode apoderar-se dos corações de outra maneira.
Maria acabou de ver a apresentação de Jesus no Templo.
EMF 32.9
Pensai que Deus deu-se a si mesmo, para anular a obra de satanás nos espíritos. Agora não poderá Ele vencer os satanases que vos torturam? Não poderá enxugar o vosso pranto, derrotando esses satanases e enviando-vos de novo a paz do seu Cristo? Por que não o pedir com fé? Fé verdadeira, poderosa, uma fé, diante da qual, o rigor de Deus, desprezado por vossas inúmeras culpas, caia com um sorriso, trazendo o perdão como ajuda, trazendo a sua bênção, como arco-íris sobre esta terra que está submergindo em um dilúvio de sangue procurado por vós mesmos?
Pensai: O Pai, depois de ter castigado os homens com o dilúvio, disse[3] a Si mesmo e ao Seu patriarca: “Não amaldiçoarei mais a terra por causa dos homens, porque os sentidos e os pensamentos do coração do homem estão inclinados para o mal, desde a adolescência; portanto, não ferirei o ser vivo mais uma vez.” Ele foi fiel à Sua palavra. Não mandou mais o dilúvio. Mas vós, muitas vezes já dissestes a vós mesmos e a Deus: “Se nos salvarmos desta vez, se nos salvas, não faremos mais guerras, nunca mais.” E depois sempre continuais fazendo guerras, cada vez mais tremendas. Quantas vezes, ó homens falsos e sem respeito para com o Senhor é a vossa palavra? No entanto, Deus vos ajudaria ainda uma vez, se a grande massa dos fiéis o chamasse com fé e amor poderoso.
Escutai, ó vós todos — que, sendo muito poucos para contrabalançar os muitos que estão mantendo vivo o rigor de Deus, permanecei devotos a Ele, não obstante a hora tremenda que ameaça crescer a cada instante — e colocai as vossas aflições aos pés de Deus. Ele saberá mandar-vos o Seu anjo, como mandou o Salvador ao mundo. Não temais. Ficai unidos à Cruz. Ela sempre venceu as insídias do demônio, que, por meio da ferocidade dos homens e das tristezas da vida, procura o domínio dos homens pelo desespero, isto é, pela separação de Deus, pois não pode apoderar-se dos corações de outra maneira.
EMF 34
Tradução em curso
EMF 34.10-18
Jesus diz:
– E agora? Que vos direi, ó almas, que percebeis que a fé está morrendo? Aqueles sábios do Oriente nada tinham que lhes desse a certeza da verdade. Nada tinham de sobrenatural. Tinham apenas os cálculos astronômicos e as suas reflexões, que a vida íntegra, que eles levaram, tornava perfeitas. Contudo, tiveram fé. Fé em tudo: fé na ciência, fé na consciência, fé na bondade divina.
Pela ciência, acreditaram no sinal da nova estrela, que não podia deixar de ser “aquela”, que era esperada, havia séculos, pela humanidade: o Messias. Pela consciência, tiveram fé na voz da mesma que, recebendo “vozes” celestes, lhes dizia: “É aquela estrela que assinala a chegada do Messias.” Pela bondade, tiveram fé que Deus não os teria enganado e, visto que a sua intenção era reta, Ele os teria ajudado, de todos os modos, a chegar até à meta desejada.
E eles tiveram êxito. Só eles, entre tantos estudiosos de sinais, compreenderam aquele sinal, porque só eles tinham na alma a ânsia de conhecer as palavras de Deus com um fim reto, que consistia antes de tudo em dar imediata honra e louvor a Deus.
34.11 Não procuravam sua própria utilidade. Ao contrário, eles vão de encontro a fadigas e despesas, e não pedem nenhuma compensação humana. Pedem somente que o seu Deus se lembre deles e os salve para a eternidade.
Assim como não têm nenhum pensamento de futura compensação humana, não têm, quando decidem a viagem, nenhuma preocupação humana. Se fôsseis vós, teríeis pensado em mil dificuldades: “Como poderei fazer uma viagem tão grande, através de países e povos de línguas tão diferentes? Será que vão acreditar em mim, ou irão prender-me como espião? Que ajuda me darão, quando tiver que atravessar desertos, rios e montanhas? E o calor? E os ventos dos planaltos? E as febres dos pantanais? E as cheias das águas fluviais? E as comidas diferentes? E a linguagem diferente? E… e… e…”. Assim é que raciocinais. Eles não raciocinam assim. Mas dizem, com uma sincera e santa ousadia: “Tu, ó Deus, lês os nossos corações, e vês qual o fim que perseguimos. Em tuas mãos nos entregamos. Concede-nos a alegria sobre humana de adorar a tua Segunda Pessoa, que se fez Carne para a salvação do mundo”.
Basta. Eles se põem a caminho, partindo das longínquas Índias. (Jesus me diz depois que por Índias querem dizer Ásia meridional, onde agora está a Turquia, o Afeganistão e a Pérsia). Das cadeias de montanhas da Mongólia, sobre as quais voam somente águias e abutres, onde Deus fala pelo zumbido dos ventos, pelo estrondo das torrentes, escrevendo mistério sobre as páginas imensas das geleiras. Das terras onde nasce o Nilo, que vai deslizando como uma veia verde-azul, ao encontro do coração azul do Mediterrâneo, nem os picos, nem as selvas, nem os desertos, oceanos secos mais perigosos do que os marinhos, nada disso detêm a marcha deles. A estrela brilha sobre a noite deles, não lhes permitindo dormir. Quando se procura a Deus, os hábitos animais devem ceder às impaciências e às necessidades sobre humanas.
A estrela os chama, ora do Norte, ora do Oriente, ora do Sul, e, por um milagre de Deus, vai guiando os três para um certo ponto, como por um outro milagre, os reúne, depois de tantos milhares de quilômetros, naquele ponto, e, por um outro milagre ainda, lhes dá, antecipando a sabedoria pentecostal, o dom de se entenderem e de se fazerem entender, assim como é no Paraíso, onde se fala uma única língua: a de Deus.
34.12 Um único momento de aflição os assalta, e é quando a estrela desaparece, e eles, humildes, porque são realmente grandes, não pensam que isto tenha acontecido por causa da maldade de outrem, já que os corruptos de Jerusalém não mereceram ver a estrela de Deus. Mas, o que eles pensam é que eles próprios não mereçam a ajuda de Deus, pondo-se a examinarem suas consciências com tremor e com uma contrição, pronta a pedir perdão.
Mas a sua consciência os tranqüiliza. Almas acostumadas à meditação, eles têm uma consciência muito sensível, aperfeiçoada por uma atenção constante, por uma introspecção aguda, que faz do seu interior um verdadeiro espelho sobre o qual refletem as menores sombras dos acontecimentos diários. Eles fizeram da voz que os adverte a própria mestra, voz que grita, não só ao menor erro, mas até a uma simples possibilidade de erro, o que é humano, como a complacência com o seu próprio eu. Por isso, quando eles se põem diante desta mestra, diante deste espelho tão severo e tão nítido, sabem que ele não lhes mente, mas os encoraja, tomando novo alento.
“Oh! Que doce coisa é sentir que nada há em nós de contrário a Deus! Sentir que Ele olha com complacência o ânimo do filho fiel e o abençoa. Deste sentimento provém o aumento de fé e de confiança, de esperança, fortaleza e paciência. Agora é hora de tempestade. Mas ela passará, porque Deus me ama e sabe que eu o amo, e não deixará de ajudar-me ainda.” Assim é que falam os que têm aquela paz, que provém de uma consciência reta, que é a rainha de todas as suas ações.
34.13 Eu disse que eles eram “humildes, porque verdadeiramente grandes.” Em vossa vida, ao invés, que é que acontece? Acontece que um, não porque seja grande, mas porque é mais prepotente, se faz poderoso por sua prepotência, nunca humilde, pela vossa insensata idolatria,. Há pobres coitados que, só por serem mordomos de alguém arrogante, ou porteiros de algum gabinete, funcionários de alguma repartição, servos afinal, de quem assim os fez, costumam tomar a pose de semideuses. Tem-se pena até de vê-los!…
Eles, os três sábios, eram realmente grandes. Em primeiro lugar, por virtude sobrenatural; em segundo lugar, pela ciência; e, por último, pela riqueza. Mas eles se julgam nada: pó sobre o pó da terra, se comparados com Deus Altíssimo, que cria os mundos com um sorriso, espalhando-os pelo espaço, como grãos de trigo, para alegrar os olhos dos anjos com os colares de estrelas.
Mas eles se consideram nada, diante de Deus Altíssimo, que criou o planeta, sobre o qual eles vivem, e como Escultor infinito em sua ilimitada obra fez tudo bem diversificado, colocando, aqui uma série de colinas de suave declive, com a força do seu polegar, acolá uma ossatura de picos e escarpas, iguais as vértebras da terra, neste corpo desmesurado, do qual os rios são as veias, os lagos são as pelves, os oceanos são os corações, tendo as florestas como vestes, as nuvens como véus, as geleiras de cristal como decorações, as turquezas e as esmeraldas como gemas, as opalas e os berilos de todas as águas que descem cantando, com as selvas e os ventos, formando o grande coro de louvor ao seu Senhor.
Eles se consideram nada em sua sabedoria, diante do Deus Altíssimo, do qual vem a sua sabedoria, pois foi Ele quem lhes deu olhos, ainda mais poderosos que suas duas pupilas, pelas quais eles vêem as coisas: os olhos da alma, que sabem ler a palavra não escrita por mão humana nas coisas, onde esta palavra foi gravada pelo pensamento de Deus.
Eles se consideram nada em sua riqueza: um átomo, diante da riqueza do Dono do universo, que espalha metais e pedras preciosas nos astros e planetas, e abundâncias sobrenaturais, riquezas inesgotáveis, no coração de quem O ama.
34.14 Tendo eles chegado diante de uma pobre casa, na mais insignificante das cidades de Judá, não sacodem a cabeça dizendo: “Impossível”, mas dobram as costas, os joelhos, e especialmente o coração, e adoram. Lá, atrás daquela pobre parede, está Deus. Aquele Deus que eles sempre invocaram, não ousando nunca, nem de longe, esperar que o haveriam de ver. Mas que por eles foi invocado pelo bem de toda a humanidade e pelo bem eterno “deles” mesmos. Oh! Só isto é o que eles desejavam para si. Poderem vê-lo, conhecê-lo, possuí-lo naquela vida que não tem nem auroras, nem crepúsculos!
Ele está lá, atrás daquela pobre parede. Quem sabe se o seu coração de Menino, que é também o coração de um Deus, não ouça estes três corações que, inclinados no pó da estrada, bradam: “Santo, Santo, Santo. Bendito o Senhor nosso Deus. Glória a Ele nos Céus altíssimos, e paz aos seus servos. Glória, glória, glória e bênção”? Isto eles perguntam, tremendo de amor. Por toda a noite, e na manhã seguinte preparam com a mais viva oração, o seu espírito, para entrarem em comunhão com o Deus-Menino.
Eles não vão a este altar, que é um seio virginal, que traz em si a Hóstia Divina, como vós ides a eles com a alma cheia de solicitudes humanas. Eles se esquecem do sono e do alimento e se usam suas mais belas vestes, não é para ostentação humana, mas para prestar honra ao Rei dos reis. Nos palácios dos soberanos, os dignitários se apresentam com suas mais belas vestes. Então, não deveriam eles ir apresentar-se a este Rei com suas vestes de gala? Que festa maior podia haver para eles do que esta?
Oh! Lá em suas terras longínquas, muitas e muitas vezes precisaram se adornar para prestar honras e oferecer seus préstimos a homens como eles. Era, pois, justo que se humilhassem aos pés do Rei supremo e lá depositassem as suas púrpuras e jóias, sedas e plumas preciosas. Pôr-lhe aos pés, diante daqueles benditos pezinhos, as fibras da terra, as gemas da terra, as plumas da terra, os metais da terra — que são ainda obras dele — para que também elas, essas coisas da terra, adorem o seu Criador. Seriam felizes se a Criancinha lhes ordenasse que se estendessem no chão, como se fossem um tapete vivo, aos seus passinhos de Menino, e os pisasse, Ele que deixou as estrelas por amor deles, que nada mais são do que pó.
34.15 Humildes e generosos. Obedientes às “vozes” do Alto. Essas vozes mandam que eles levem presentes ao Rei recém-nascido. Eles levam presentes. Não dizem: “Ele é rico, e não precisa disso. Ele é Deus, e não conhecerá a morte”. Eles obedecem. São os primeiros que acodem à pobreza do Salvador. Como chegou em boa hora aquele ouro, para quem amanhã deveria sair de sua terra como fugitivo! Como foi significativa aquela mirra, para quem, dentro em breve, seria morto. Como foi piedoso aquele incenso, para quem teria que sentir o mau cheiro da luxúria humana fervendo ao redor de sua infinita pureza!
Humildes, generosos, obedientes e respeitosos um para com o outro. As virtudes geram outras virtudes. Das virtudes voltadas para Deus, nascem virtudes para o próximo. Respeito que, no fim, é caridade. Combinaram com o mais velho que lhe tocaria falar por todos, recebendo o primeiro beijo do Salvador, segurando-o pela mãozinha. Os outros ainda poderão vê-lo outras vezes. Mas ele, não. Ele está velho, e o dia de sua volta para Deus está perto. Ele verá o Cristo, depois de sua terrível morte, e o acompanhará junto com os outros que serão salvos, no dia da volta do Cristo para o Céu. Mas não o verá mais nesta terra. Então, para seu viático, que lhe fique o calor daquela mãozinha, que se confiou à sua mão enrugada.
Não há nenhuma inveja nos outros. Pelo contrário, há até um aumento de veneração para com o mais velho dos sábios. Mais do que eles, mereceu na certa, e por mais tempo. O Deus-Menino sabe disso. Ainda não fala, Ele que é a Palavra do Pai, mas os Seus atos são palavras. E seja bendita a sua inocente palavra, que mostra ser o seu predileto este velho.
34.16 Mas, ó filhos, há outros dois ensinamentos nesta visão.
A postura de José, que sabe ficar em “seu” lugar. Ele está presente como guarda e tutor da Pureza e da Santidade. Mas não é um usurpador dos direitos delas. É Maria, com o seu Jesus, que está recebendo homenagens e palavras. José se alegra por ela, não ficando amargurado por ser uma figura secundária. José é um justo: o Justo. É justo sempre, também nesta hora. As fumaças da festa não lhe sobem à cabeça. Ele continua humilde e justo.
Ele se sente feliz pelos presentes. Não por si mesmo. Mas porque pensa que com eles poderá fazer a vida de sua esposa e do doce Menino mais cômoda. Não existe avidez em José. Ele é um trabalhador, e continuará a trabalhar. Contanto que “Eles”, os seus dois amores, tenham o necessário, e algum conforto. Nem ele nem os magos sabem que aqueles presentes vão servir durante uma fuga e uma vida no exílio, nas quais as substâncias desaparecem como uma nuvem impelida pelo vento… mas eles vão servir também para quando voltarem à pátria, depois de terem perdido tudo o que tinham deixado, os clientes, os móveis, salvando-se somente as paredes da casa, protegida por Deus, porque nela é que Ele se uniu à virgem e se fez Carne.
José é humilde, ele, que é guarda de Deus e da mãe de Deus, esposa do Altíssimo, chega até a segurar o estribo para estes vassalos de Deus. José é um pobre carpinteiro, porque a prepotência humana despojou os herdeiros de Davi de suas propriedades reais. Mas ele é sempre da estirpe de Davi e tem traços de rei. Também em relação a ele vale aquele dito: “Era humilde, porque era realmente grande.”
34.17 Ainda um último, suave e significativo ensinamento.
É Maria, que segura a mão de Jesus, que ainda não sabe abençoar, e a guia no gesto santo.
É sempre Maria que segura a mão de Jesus e a guia. Ainda hoje é assim. Agora, Jesus sabe abençoar. Mas, às vezes, sua mão traspassada cai, cansada e sem poder mais confiar, pois Ele sabe que é inútil abençoar. Na verdade, vós destruís a minha bênção. Ela cai também indignada porque vós me maldizeis. Então, é Maria que tira o desprezo feito a esta mão, ao beijá-la. Oh! O beijo de minha mãe! Quem pode resistir a esse beijo? Depois, ela segura o meu pulso, com seus dedos delicados, mas que são amorosamente tão imperiosos e me força a abençoar.
Eu não posso repelir a minha mãe. Mas é preciso que vós vades à procura dela, para fazê-la vossa advogada. Ela é minha rainha, antes de ser vossa, e o seu amor por vós tem indulgências tais, que nem o meu conhece. Ela, mesmo sem palavras, mas só com as pérolas do seu pranto e com a lembrança da minha Cruz, cujo sinal ela me faz traçar no ar, defende a vossa causa, e ainda me admoesta: “Tu és o Salvador. Salva!”
34.18 Eis, meus filhos, o “Evangelho da fé”, na aparição da cena dos
Magos. Meditai e imitai. Para o vosso bem.
EMF 35.7-12
Jesus diz:
– Também as visões desta série terminam assim. Em boa paz com os doutores difíceis, viemos te mostrando as cenas que precederam, que acompanharam e que se seguiram à minha Vinda, não pelas cenas em si mesmas, pois são muito conhecidas, por mais que tenham sido alteradas, por elementos sobrepostos através dos séculos, sempre por causa daquele modo de ver humano que, para dar maior louvor a Deus, e por isso é perdoado, torna irreal o que é tão belo, se for deixado como é. Porque a minha Humanidade e a de Maria não ficam por isso diminuídas, assim como não fica ofendida a minha Divindade e a Majestade do Pai e o Amor da Santíssima Trindade, por uma visão das coisas em sua realidade, mas, ao contrário, esplendem os méritos de minha mãe e a minha humildade perfeita. Assim como daí é que fulgura a bondade onipotente do eterno Senhor. Mostramos estas cenas para poder aplicar a ti e aos outros o sentido sobrenatural, que surge daí, dando-vos como norma de vida.
O Decálogo é a Lei. O meu Evangelho é a doutrina que vos torna mais clara essa Lei e mais desejável para ser seguida. Bastariam esta Lei e esta Doutrina para fazer os homens santos.
Mas vós estais tão embaraçados com a vossa humanidade, que (na verdade, em vós ela ultrapassa demais ao espírito) que não podeis seguir por estas vias, sem cair; ou então, parar, desencorajados. Dizeis a vós e a quem queria fazer que vos adiantásseis, citando-vos os exemplos do Evangelho: “Jesus, Maria, José (e assim por diante todos os santos) não eram como nós. Eles eram fortes, foram logo consolados em suas dores, até nas pequenas dores que sentiram! Eles não sentiam paixões. Eram já seres fora da terra.”
Ah! Aquelas pequenas dores! Ah! Não sentiam as paixões!
35.8 A dor foi para nós a amiga fiel, e teve todos os mais variados aspectos e nomes.
As paixões… Não useis erradamente um vocábulo, chamando de “paixões” os vícios, que vos desencaminham. Chamai-os sinceramente de “vícios” e, além disso, capitais. Quanto aos vícios, não é que os ignorássemos. Nós tínhamos olhos e ouvidos, para ver e ouvir, e Satanás fazia dançar esses vícios à nossa frente, mostrando-os nas obras, com a sua imundície, ou tentando-nos com as suas insinuações. Mas a nossa vontade, inclinada a tornar-nos agradáveis a Deus, fazia com que aquela imundície e aquelas insinuações, em vez de satisfazerem o objetivo de Satanás, provocasse o contrário. Quanto mais ele trabalhava, mais nós nos refugiávamos na luz de Deus, por repugnância das trevas lamacentas, colocada diante dos nossos olhos carnais ou espirituais.
Nós não ignoramos as paixões, no sentido filosófico. Nós amamos a pátria, com a nossa pequena Nazaré, cidade que amamos mais do que qualquer outra da Palestina. Nós sentimos afeto por nossa casa, pelos parentes e amigos. Por que não haveríamos de sentir? Não nos tornamos escravos deles, porque nada nos deve possuir, a não ser Deus. Mas fizemos deles bons companheiros.
Minha mãe exultou de alegria, quando, quatro anos depois, voltou a Nazaré e pôs o pé em sua casa, podendo beijar aquelas paredes, dentro das quais o seu “sim” lhe abriu o ventre para receber o Embrião de Deus. José saudou com alegria parentes e sobrinhos, crescidos em número e idade, e se alegrou ao ver-se imediatamente lembrado pelos concidadãos, também por sua capacidade profissional. Eu próprio fui sensível às amizades e sofri, como uma crucificação moral, pela traição de Judas. Que dizer de tudo isso? Nem minha mãe, nem José preteriram a casa ou os parentes, à vontade de Deus.
35.9 E Eu não poupei palavras, quando foi preciso, mesmo quando
elas atraíam o ódio dos hebreus e a antipatia de Judas sobre Mim. Eu sabia (e teria podido fazê-lo) que teria bastado dinheiro para subjugá-lo a Mim. Não a Mim como Redentor, mas a Mim riqueza. Eu que multipliquei os pães, podia multiplicar também o dinheiro, se quisesse. Mas Eu não tinha vindo procurar satisfações humanas. De ninguém. Muito menos, dos que foram chamados por Mim. Eu havia pregado a necessidade do sacrifício, do desapego, de uma vida casta, de posições humildes. Que Mestre e que Justo teria sido, se tivesse dado dinheiro para alimentar o sensualismo mental e físico de alguém, como único meio para segurá-lo?
No meu Reino, os grandes se tornam assim, fazendo-se “pequenos.” Quem quer ser “grande” aos olhos do mundo, não está preparado para reinar no meu Reino. Esse é palha para a cama dos demônios. Porque a grandeza do mundo está em contraste com a Lei de Deus.
O mundo chama “grandes” os que, com meios quase sempre ilícitos, sabem ocupar as melhores posições e, para conseguirem isso, fazem do próximo um degrau, sobre o qual sobem, pisando nele. Chama “grandes” aqueles que sabem matar para reinar, matar moral ou materialmente e, pela extorsão, conseguem posições e lugares, e enriquecem, sugando o sangue dos outros em suas riquezas particulares ou coletivas. O mundo muitas vezes chama os delinqüentes de “grandes.” Não. A “grandeza” não está na delinquência. Está na bondade, na honestidade, no amor, na justiça. Vede os vossos “grandes”, que frutos envenenados vos oferecem, colhidos no seu malvado e demoníaco pomar interior!
35.10 A última visão, pois eu quero falar dela e deixar de falar de outros assuntos que são tão inúteis, e o mundo não quer ouvir a verdade que lhe interessa, é uma visão que ilumina um ponto particular, citado duas vezes no Evangelho de Mateus, numa frase repetida duas vezes: “Levanta, pega o Menino e sua mãe, e foge para o Egito.” “Levanta, pega o Menino e a mãe Dele, e volta para a terra de Israel.” E, como viste, Maria estava sozinha com o Menino no quarto.
A virgindade de Maria após o parto e a castidade de José são muito combatidas, por aqueles que, por serem lama podre, não admitem que alguém possa ser asa e luz. São infelizes, com coração tão corrompido, com mente que se prostituiu tanto à carne, que se tornaram incapazes de pensar que alguém como eles possa respeitar a mulher, ver nela a alma e não a carne, elevando-se a si mesmos, vivendo em uma atmosfera sobrenatural, apetecendo-se de Deus, e não da carne.
Pois bem. Aos negadores do belo, a estes vermes, incapazes de se tornarem borboletas, a estes répteis cobertos pela baba de sua libidinagem, incapazes de compreender a beleza de um lírio, a estes Eu digo que Maria foi e permaneceu virgem, e que só sua alma foi casada com José, como o seu espírito se uniu unicamente ao Espírito de Deus e, por obra Dele, ela concebeu o seu Único Filho: Eu, Jesus Cristo, Unigênito de Deus e de Maria.
Isto não é uma tradição que floresceu mais tarde, por um amoroso respeito para com a Bem-Aventurada, que foi minha mãe. Mas é uma verdade que, desde os primeiros tempos, foi conhecida.
Mateus não nasceu séculos depois. Ele foi contemporâneo de Maria. Mateus não era um pobre ignorante, que tivesse vivido nas selvas, com facilidade de acreditar em qualquer história. Era um fiscal da receita, como diríeis hoje, ou um cobrador de gabelas, como naquele tempo dizíamos. Ele sabia ver, ouvir, compreender, separar o verdadeiro do falso. Mateus não ouviu as coisas por meio de terceiros. Mas ele as recolheu dos lábios de Maria, à qual o seu amor pelo Mestre e pela verdade o havia levado a fazer perguntas.
Não posso chegar a pensar que esses negadores da inviolabilidade de Maria pensem que ela tenha podido mentir. Os meus próprios parentes a teriam podido desmentir, se ela tivesse tido outros filhos, pois Tiago, Judas, Simão e José eram condiscípulos de Mateus. Por isso seria fácil confrontar as versões, se outras houvessem. Mateus nunca diz: “Levanta e pega tua mulher”; ele diz: “Pega a mãe Dele.” Antes diz: “Virgem desposada a José”, “José, seu esposo”.
35.11 Não me venham dizer que isso era um modo de falar dos hebreus, como se dizer a palavra “mulher” já fosse uma infâmia. Não, negadores da Pureza. Desde as primeiras palavras do Livro, se lê: “… e se unirá à sua mulher”. Ela é chamada “companheira”, até o momento da consumação sexual do casamento; mas depois é chamada “mulher”, em diversas passagens e em diversos capítulos. E assim acontece com as esposas dos filhos de Adão. É assim que Sara é chamada “mulher” de Abraão: “Sara, tua mulher”; e: “Toma tua mulher e as tuas duas filhas” foi dito a Ló. E no livro de Rute está escrito: “A moabita, mulher de Maalon.” E no primeiro livro dos Reis está dito: “Elcana teve duas mulheres”; e, ainda mais: “depois, Elcana conheceu sua mulher Ana”; e ainda: “Eli abençoou Elcana e a mulher dele.” E sempre no livro dos Reis foi dito: “Bate-Seba, mulher de Urias, o heteu, tornou-se mulher de Davi, e lhe deu um filho.” O que se lê no livro azul de Tobias, aquilo que a Igreja canta para vós nas vossas núpcias, para aconselhar-vos a serem santos no matrimônio? Lê-se: “Ora, quando Tobias chegou, com a mulher e com o filho…”; e ainda: “Tobias conseguiu fugir com o filho e com a sua mulher.”
Nos Evangelhos, isto é, nos tempos de Cristo, nos quais se escrevia relativamente àqueles tempos antigos em linguagem moderna, não havendo, portanto necessidade de se pensar em erros de transcrições, foi dito pelo próprio Mateus no cap. 22: “… o primeiro, tendo-a tomado por mulher, morreu e deixou a mulher ao irmão.” Marcos, no cap. 10: “Quem repudia a mulher…” Lucas chama Isabel de mulher de Zacarias, quatro vezes em seguida, e no oitavo capítulo diz: “Joana, mulher de Cusa.”
Como estais vendo, não era este nome um vocábulo proscrito para quem estava nos caminhos do Senhor, um vocábulo imundo que não era digno de ser proferido e, muito menos, escrito onde se trata de Deus e das suas admiráveis obras. O anjo, dizendo: “o Menino e a mãe Dele”, vos demonstra que Maria foi mãe verdadeira, mas não foi mulher de José. Ela permaneceu sempre: a virgem desposada a José.
Este é o último ensinamento destas visões. É uma auréola que resplende sobre a cabeça de Maria e de José. A virgem imaculada. O homem justo e casto. Os dois lírios entre os quais eu cresci, ouvindo só fragrâncias de pureza.
35.12 A ti, pequeno João, eu poderia falar sobre a dor de Maria por seu duplo afastamento de sua casa e de sua pátria. Mas não há necessidade de palavras. Compreendo que seja isso, e disso desfaleces. Dá-me a tua dor. Só quero isto. É mais do que qualquer outra coisa que me possas dar. Hoje é sexta-feira, Maria. Pensa na minha dor e na de Maria sobre o Gólgota, para que possas suportar a tua cruz.
A paz e o nosso amor fiquem contigo.
EMF 36.7-10
36.7 Jesus diz:
– A lição para ti e para os outros é dada pelas coisas que estás vendo. É lição de humildade, de resignação e de boa harmonia. Posta como exemplo a todas as famílias cristãs, e especialmente às famílias cristãs deste especial e doloroso momento.
36.8 Tu viste uma casa pobre. O que é mais doloroso, uma casa pobre em país estrangeiro.
Muitos, só porque são dos fiéis “passáveis”, que rezam e Me recebem na Eucaristia, rezam e comungam pelas “suas” necessidades, não pelas necessidades das almas e pela glória de Deus, porque é raro alguém rezar sem ser egoísta, muitos pretenderiam ter uma vida material fácil, bem protegida de qualquer menor sofrimento, próspera e feliz.
José e Maria tinham a Mim, Deus verdadeiro, como seu Filho e, no entanto, não tiveram nem o pobre bem de serem pobres na própria pátria, no lugar onde eram conhecidos, onde ao menos tinham a “própria” casinha, e um alojamento não era uma preocupação constante entre tantas outras, naquele lugar onde, por serem conhecidos, era mais fácil encontrar trabalho e prover-se do necessário para a vida. Eles são dois fugitivos, e justamente porque Me têm consigo. O clima é diferente, o lugar é diferente, tão triste em comparação com os doces campos da Galiléia, língua e costumes diferentes, em meio a uma população que não os conhece, e que tem a habitual desconfiança para com desconhecidos.
Privados daqueles móveis cômodos e estimados da “sua” casinha, de tantas coisas humildes mas necessárias que lá havia, e que não pareciam tão necessárias, enquanto que aqui, neste nada que os rodeia, parecem tão belas, como aquelas coisas supérfluas, que tornam as casas dos ricos deliciosas. Com saudade da cidade e da casa, com o pensamento naquelas pobres coisas lá deixadas, do pomar, do qual talvez ninguém esteja cuidando, da videira e da figueira e de outras muitas árvores úteis. Com a necessidade de prover ao alimento de cada dia, às roupas, ao fogo, dia após dia, às Minhas necessidades de criança, à qual não se pode dar o alimento dos grandes. Com tanto desgosto no coração. Pelas saudades, pelo amanhã, que ainda é desconhecido, pela desconfiança de um povo que se esquiva, principalmente nos primeiros tempos, a aceitar as ofertas de trabalho de dois desconhecidos.
Contudo, tu viste a casa. Naquela morada paira a serenidade, o sorriso, a concórdia, e se procura torná-la mais bela de comum acordo; também a pobre hortinha, para que fique parecida com a que foi deixada, e mais confortável. Nesta casa só há um pensamento: que esta terra se torne menos hostil, menos miserável para Mim, Santo, que venho de Deus. O amor destas pessoas de fé, que são os meus pais, amor que se manifesta em mil cuidados, desde a cabrita que compraram a preço de muitas horas extras de trabalho, até aos brinquedos entalhados em sobras de madeira, às frutas apanhadas só para Mim, sem que delas eles nem provassem.
Meu querido pai da terra, como foste amado por Deus, por Deus Pai no alto dos Céus, por Deus Filho, que se fez Salvador sobre a terra!
Naquela casa não houve nervosismos, mau humor, caras fechadas, nem reprovações recíprocas, nem, muito menos, se falou contra Deus, que não os cumulou com o bem-estar material. José não censura Maria por ser causa de suas dificuldades, nem Maria censura José por ele não saber-lhe dar um maior bem-estar. Eles se amam santamente, eis a explicação. Portanto, a preocupação não é com o próprio bem-estar, mas cada um se preocupa com o outro. O verdadeiro amor não conhece egoísmo. O verdadeiro amor é sempre casto, mesmo sem castidade perfeita dos dois esposos virgens. A castidade unida à caridade leva consigo todo um acompanhamento de outras virtudes, fazendo de dois que se amam castamente, duas perfeições de cônjuges.
O amor de minha mãe e de José era perfeito. Por isso ele era um incentivo para todas as outras virtudes e especialmente para a da caridade para com Deus, bendito em todo tempo, não obstante sua santa vontade fosse penosa para a carne e o coração, bendito porque, acima da carne e do coração, o espírito estava mais vivo e senhor nos dois santos. Este espírito, com reconhecimento, exaltava o Senhor, por tê-los escolhido para serem guardas do seu eterno Filho.
36.9 Naquela casa se rezava. Agora reza-se pouco nas casas. Nasce o dia e chega a noite, começam-se os trabalhos, e sentai-vos à mesa sem um pensamento dirigido ao Senhor, que vos permitiu ver um novo dia, podendo chegar a uma nova noite, que abençoou as vossas fadigas, concedendo que essa fadigas se tornassem o meio de conquistar aquele alimento que o fogo cozinhou, as vestes que vestis, aquele teto, todo o necessário à vossa natureza humana. Sempre é “bom” o que vem do bom Deus. Ainda quando pobre e escasso, o amor lhes dá sabor e substância, esse amor que vos faz ver o Pai que vos ama no eterno Criador.
Naquela casa há frugalidade. Haveria, mesmo que o dinheiro não faltasse. Eles se nutrem para viver, e não para agradar à gula, com a voracidade dos insaciáveis, com os caprichos dos gulosos, que se vão enchendo até não poderem mais, e esbanjam seus haveres em alimentos caros, sem um pensamento aquem tem pouco ou é privado de alimento, sem refletirem que, se tivessem moderação, muitos poderiam ser aliviados do tormento da fome.
Naquela casa se ama o trabalho. Ele seria amado, mesmo se o dinheiro fosse abundante, porque no trabalho o homem obedece ao mandamento de Deus e se livra do vício que, como hera firme, aperta e sufoca os ociosos, como blocos imóveis de pedra. Bom é o alimento, sereno é o repouso, contente está o coração, quando se trabalhou bem e se goza o tempo de pausa entre um trabalho e outro. Aquele vício que tem múltiplas faces, não se arraiga na casa e na mente de quem ama o trabalho. Não se arraigando, então aí prospera o afeto, a estima, o respeito recíproco, e os pequenos pimpolhos crescem numa atmosfera pura, e dão origem a futuras famílias santas.
Naquela casa reina a humildade. Esta é uma lição de humildade para vós, soberbos! Maria teria tido, humanamente, mil e uma razões para se ensoberbecer fazendo-se adorar por seu cônjuge. Tantas mulheres assim fazem, somente por serem um pouco mais cultas, ou de nascimento mais nobre, ou mais ricas que o marido. Maria é Esposa e mãe de Deus, e, no entanto, serve o seu cônjuge, não se fazendo servir por ele, é toda amor para com ele. José é o chefe de casa, julgado por Deus tão digno de ser um chefe de família, a ponto de receber de Deus a guarda do Verbo feito carne e da Esposa do eterno Espírito. Contudo, é sempre solícito em poupar Maria de fadigas e trabalhos, fazendo até os mais humildes trabalhos de casa, para que Maria não se canse. Mas não só, pois procura proporcionar a Ela alguma recreação o quanto pode, esforçando-se para tornar-lhe a casa cômoda, e a pequena horta com flores viçosas.
Naquela casa a ordem é respeitada. Sobrenatural, moral e material. Deus é o Chefe supremo e a Ele é prestado culto e amor: ordem sobrenatural. José é o chefe da família e a ele é dado afeto, respeito e obediência: ordem moral. A casa é um dom de Deus, como as vestes e os móveis. Em todas as coisas é a Providência de Deus que se mostra, daquele Deus que provê a lã às ovelhas, as penas aos pássaros, as ervas aos prados, o feno aos animais, as sementes e as árvores frondosas às aves, tecendo a veste para o lírio do vale. A casa, as vestes, os móveis são recebidos com gratidão, bendizendo a mão divina, tratando-os com respeito como dons do Senhor, sem olhar com descontentamento porque são pobres, sem estragar os dons, abusando da Providência: ordem material.
36.10 Não entendeste as palavras trocadas no dialeto de Nazaré, nem as palavras de oração. Mas as coisas vistas deram uma grande lição. Meditai-as, ó vós todos, que agora tanto estais sofrendo por terdes falhado para com Deus, também aquelas coisas em que não falharam nunca os santos Esposos, que foram mãe e pai para Mim.
E tu, deleita-te com a recordação do pequeno Jesus, sorri, pensando em seus passinhos de criança. Dentro em pouco, o verás, caminhando debaixo de uma cruz. E será uma visão de pranto.
Maria acaba de ter uma visão da Sagrada Família no Egito.
EMF 37.4-9
37.4 Jesus diz:
– Eu te consolei, alma querida, com uma visão da minha infância, feliz em sua pobreza, porque ela estava cercada do afeto dos dois maiores santos do mundo.
37.5 Dizem que José foi o meu sustento. Oh! Se ele não pôde, por ser homem, dar-me o leite, que Maria me nutriu, se desdobrou em pedaços no trabalho, para me dar pão e conforto, tendo para comigo a gentileza de afetos de uma verdadeira mãe. Eu aprendi dele — e nenhum aluno jamais teve um mestre melhor — tudo o que faz de um menino, um homem. E um homem que tem que ganhar o seu pão.
Mesmo se a minha inteligência de Filho de Deus fosse perfeita, é preciso refletir que eu não quis sair insolitamente dos limites da minha idade. Por isso, rebaixando a minha perfeição intelectual de Deus ao nível de uma perfeição intelectual humana, sujeitei-me a ter um homem por mestre, com a necessidade de alguém para me ensinar. Mesmo se tenha aprendido com rapidez e boa vontade, isso não me tira o merecimento de ter-me sujeitado a um homem, ao homem justo, que ensinou à minha pequena mente, as noções necessárias para a vida.
As horas saudosas, passadas ao lado de José, para o qual foi um brinquedo ensinar-me a ser capaz de trabalhar, Eu não me esqueço, nem agora que estou no Céu. E, quando olho para o meu pai putativo, revejo o pequeno pomar e a oficina fumacenta, e me parece estar vendo a mamãe chegar com aquele seu sorriso, que transformava em ouro aquele lugar, e nos tornava felizes.
37.6 Quanto teriam que aprender as famílias com a perfeição destes esposos que se amaram como nenhum outro casal!
José era o chefe. A sua autoridade familiar era evidente e não discutida, diante da qual se inclinava respeitosamente a da esposa e mãe de Deus e se sujeitava o Filho de Deus. Tudo estaria bem, se José resolvia fazê-lo, sem discussões, sem teimosia, sem resistências. A sua palavra era a nossa pequena lei. E, não obstante isso, quanta humildade nele! Nunca um abuso de poder, nunca uma vontade contra a razão, só por ser ele o chefe. A esposa era a sua suave conselheira. E se, em sua humildade também profunda, ela se julgava a serva de seu consorte, o consorte ia buscar na sabedoria dela, que era a cheia de Graça, a luz que o guiava em todos os acontecimentos.
Eu crescia como uma flor protegida por duas árvores vigorosas, entre estes dois amores, que se entrelaçavam sobre Mim para me proteger e me amar.
Enquanto a idade me fez ignorar o mundo, Eu não tive saudades do Paraíso. Deus Pai e o Divino Espírito não estavam ausentes, porque Maria estava repleta Deles. E os anjos ali moravam, porque nada os afastava daquela casa. Um deles, pode-se dizer assim, havia assumido a carne. Era José, alma angélica, libertada do peso da carne, somente ocupada em servir a Deus e à sua causa, amando-O, como amam os serafins. O olhar de José! Plácido e puro como uma estrela que não conhece as concupiscências terrenas. Ele era o nosso repouso e a nossa força.
37.7 Muitos acham que Eu não tenha humanamente sofrido, quando a morte veio apagar aquele olhar santo, que vigiava a nossa casa. Se Eu era Deus e, como tal, conhecedor da feliz sorte que esperava José, não entristecido, portanto, pela sua partida que, depois de uma breve parada no Limbo, lhe teria aberto o Céu, contudo, como Homem chorei naquela casa, que ficou para nós vazia da sua amorosa presença. Chorei sobre o amigo falecido. Não teria devido chorar por este meu santo, sobre cujo peito Eu tinha dormido, quando era pequenino, e durante tantos anos, tinha recebido amor?
37.8 Enfim, faço observar aos pais como, sem o auxílio de uma erudição pedagógica, José soube fazer de Mim um hábil operário. Logo que cheguei à idade em que já podia manejar as ferramentas, sem deixar que Eu me entregasse à ociosidade, ele me encaminhou para o trabalho, valendo-se do meu amor por Maria para me estimular a trabalhar. Fazer objetos úteis à mamãe. Era assim que ele me inculcava o devido respeito para com a mamãe, que todo filho deveria ter, e sobre esta respeitosa e poderosa alavanca, ele se apoiava ao ensinar o futuro carpinteiro.
Onde estão hoje as famílias nas quais se ensina os pequenos a amar o trabalho, como meio de fazer algo agradável aos pais? Os filhos, agora, são os tiranos da casa. Crescem duros, indiferentes, grosseiros para com os seus pais. Acham que seus pais são seus servos, seus escravos. Não os amam e são pouco amados. Porque, ao mesmo tempo que fazeis de vossos filhos uns prepotentes caprichosos, também ficais longe deles, com um desinteresse vergonhoso.
Os filhos são de todos, menos de vós, ó pais do século vinte. Eles são da babá, da governanta, do colégio, se sois ricos. E são dos colegas de rua, das escolas, se sois pobres. Mas, já não são vossos. Vós, ó mamães, os gerais, e isso basta. Vós, ó pais, fazeis o mesmo. Mas o filho não é só carne. Ele é mente, coração, espírito. Crede, pois, que ninguém, mais do que um pai ou uma mãe, tem o dever e o direito de formar esta mente, este coração, este espírito.
37.9 A família existe, e deve existir. Não existe nenhuma teoria ou progresso que seja capaz de destruir esta verdade, sem provocar ruína. De um instituto familiar desfeito, só podem vir futuros homens e futuras mulheres cada vez mais depravados, e que serão causa de ruínas cada vez maiores. Eu vos digo, em verdade, que seria melhor que não houvessem mais casamentos e mais filhos sobre a terra, do que famílias menos unidas do que as tribos dos macacos, famílias que não são escolas de virtude, de trabalho, de amor e de religião, mas são caos, cada um vivendo como engrenagens desmanteladas, que acabam se despedaçando.
Quebrai. Despedaçai. Os frutos desse vosso ato de despedaçar a forma mais santa de vida social, vós os estais vendo e suportando. Continuai, então, se quiserdes. Mas não vos lamenteis, se esta terra vai-se tornando cada vez mais um inferno, morada de monstros, que devoram famílias e nações. Vós o estais querendo. Que, então, isto vos aconteça!”
EMF 37.8
Enfim, faço observar aos pais como, sem o auxílio de uma erudição pedagógica, José soube fazer de Mim um hábil operário. Logo que cheguei à idade em que já podia manejar as ferramentas, sem deixar que Eu me entregasse à ociosidade, ele me encaminhou para o trabalho, valendo-se do meu amor por Maria para me estimular a trabalhar. Fazer objetos úteis à mamãe. Era assim que ele me inculcava o devido respeito para com a mamãe, que todo filho deveria ter, e sobre esta respeitosa e poderosa alavanca, ele se apoiava ao ensinar o futuro carpinteiro.
Onde estão hoje as famílias nas quais se ensina os pequenos a amar o trabalho, como meio de fazer algo agradável aos pais? Os filhos, agora, são os tiranos da casa. Crescem duros, indiferentes, grosseiros para com os seus pais. Acham que seus pais são seus servos, seus escravos. Não os amam e são pouco amados. Porque, ao mesmo tempo que fazeis de vossos filhos uns prepotentes caprichosos, também ficais longe deles, com um desinteresse vergonhoso.
Os filhos são de todos, menos de vós, ó pais do século vinte. Eles são da babá, da governanta, do colégio, se sois ricos. E são dos colegas de rua, das escolas, se sois pobres. Mas, já não são vossos. Vós, ó mamães, os gerais, e isso basta. Vós, ó pais, fazeis o mesmo. Mas o filho não é só carne. Ele é mente, coração, espírito. Crede, pois, que ninguém, mais do que um pai ou uma mãe, tem o dever e o direito de formar esta mente, este coração, este espírito.
Jesus dá a Maria a sua primeira lição. Ele faz um ditado e pára num último ponto.