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Notas da palavra-chave

Ditados de Jesus e da Virgem Maria na EMV

Tema: As palavras do Mestre para o nosso tempo · Página 5 de 7

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EMF 45.6-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

45.6 Jesus diz:

– João para si mesmo não tinha necessidade do sinal. O seu espírito, pré-santificado desde o ventre de sua mãe, possuía aquela vista da inteligência sobrenatural, que teria sido a de todos os homens sem a culpa de Adão.

Se o homem tivesse permanecido na graça, na inocência, na fidelidade ao seu Criador, teria visto Deus, através das aparências externas. No Gênesis está dito que o Senhor Deus falava familiarmente com o homem inocente e que, diante daquela voz o homem não desfalecia, nem se enganava, ao discerni-la. Tal era a sorte do homem: ver e compreender a Deus, exatamente como um filho faz com o seu pai. Depois veio a culpa, e o homem não mais ousou olhar a Deus, não mais soube ver e compreender Deus. E o compreende cada vez menos.

Mas João, o meu primo João, tinha sido purificado da culpa, quando a cheia de graça se curvou amorosamente para abraçar a que tinha sido estéril, sendo agora, a fecunda Isabel. O pequenino, no seu ventre, tinha saltado de alegria, sentindo sair de sua alma o vestígio da culpa, assim como uma crosta cai da ferida que ficou curada. O Espírito Santo, que fez de Maria a mãe do Salvador, Ele iniciou a Sua obra de salvação, através de Maria, cibório vivo da salvação encarnada, por meio deste nascituro, que estava destinado a estar unido a Mim, não tanto pelo sangue, mas também pela missão que fez de ambos, lábios que formam a palavra. João era os lábios, Eu era a Palavra. Ele, o Precursor no Evangelho e em seu destino de mártir. Eu, Aquele que aperfeiçoa, com a minha divina perfeição, o Evangelho iniciado por João, e o seu martírio, pela defesa da Lei de Deus.

João não precisava de nenhum sinal. Mas o sinal era necessário para a obtusidade dos outros. Sobre o que teria João baseado a sua afirmação senão sobre uma prova inegável que até os olhos dos lentos e os ouvidos dos aborrecidos tivessem podido perceber?

45.7 Eu também não precisava de batismo. Mas a sabedoria do Senhor tinha julgado ser aquele o momento e o modo de nos encontrarmos. Tirando João da sua caverna, e a Mim da minha casa, Ele nos uniu naquela hora para abrir sobre Mim os Céus, descendo a Pomba divina sobre Aquele que teria de batizar os homens com esta Pomba, e descendo também o anúncio, ainda mais poderoso do que o do anjo, porque era de meu Pai: “Eis o meu Filho dileto, com o qual Eu me comprazo.” Para que os homens não tivessem desculpas ou dúvidas se deveriam seguir-me ou em não.

45.8 As manifestações do Cristo foram muitas. A primeira depois do nascimento foi aquela dos Magos, a segunda, no Templo, e a terceira às margens do Jordão. Depois vieram infinitas outras, que eu te farei conhecer, pois os meus milagres são manifestações da minha natureza divina, até a Ressurreição e a Ascensão ao Céu.

A minha pátria encheu-se das minhas manifestações. Como semente lançada aos quatro pontos cardeais, essas manifestações aconteceram em todas as camadas da sociedade e em todos os lugares da vida: dos pastores, aos poderosos, aos doutos, aos incrédulos, aos pecadores, aos sacerdotes, aos dominadores, às crianças, aos soldados, aos hebreus, aos gentios. Ainda agora elas se repetem. Mas, como naquele tempo, o mundo não as recebe bem. Não recebe bem as atuais, esquecendo-se também das passadas. Pois bem, Eu não desisto. Eu me repito para salvar-vos, para levar-vos a ter fé em Mim.

45.9 Sabes, Maria, o que estás fazendo? Sabes o que Eu estou fazendo, ao mostrar-te o Evangelho? Uma tentativa mais forte de trazer os homens a Mim. Tu tens desejado isto com ardentes orações. Eu não me limito mais à palavra. Ela os cansa e os afasta. É uma culpa, mas é assim. Recorro à visão, a visão do meu Evangelho, e a explico para torná-la mais clara e atraente.

A ti Eu te dou o conforto da visão. A todos Eu dou o modo de desejar me conhecer. Se ainda não servir, e como crianças caprichosas, jogarem fora o presente sem compreenderem o seu valor, contigo ficará o meu presente, e a eles, a minha indignação. Poderei, mais uma vez, dar-lhes aquela antiga repreensão: “Tocamos, e não dançastes; entoa­mos lamentações, e não chorastes.”

Mas, não importa. Deixemos que eles, esses inconvertíveis, acumulem sobre suas cabeças os carvões ardentes, e voltemos às ovelhinhas­, que procuram conhecer o Pastor. Eu sou o Pastor, e tu és a vara que as conduz a Mim.

45.10 Como vê, eu me apressei a colocar aqueles particulares que, pela sua pequenez, me haviam escapado, e que o Senhor desejou ter.

EMF 46.11-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– Ontem estavas sem a tua força, que é a minha vontade, e eras por isso um ser semivivo. Eu fiz que teus membros repousassem e te fiz jejuar no único jejum que é pesado para ti: aquele da minha palavra. Pobre Maria! Tiveste uma Quarta-Feira de Cinzas. Em tudo sentiste o sabor da cinza, visto que estavas sem o teu Mestre. Eu não me fazia ouvir. Mas Eu estava presente.

Nesta manhã, já que a aflição é recíproca, Eu te murmurei em teu cochilo: “Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dá-nos a paz”, e te fiz repetir isso muitas vezes, e outras tantas repeti para ti. Pensaste que Eu ia falar sobre isto. Mas, primeiro foi o ponto que Eu já te mostrei, e que vou comentar. Depois, hoje à tarde, te ensinarei sobre aquele outro assunto.

46.12

Satanás, como viste, se apresenta sempre com uma aparência benévola. Com um aspecto comum. Se as almas estiverem atentas, e sobretudo em contatos espirituais com Deus, perceberão aquele aviso, que as tornará cautelosas e prontas para combater as insídias do diabo. Mas, se as almas estiverem desatentas ao divino, separadas por uma carnalidade que as domina e ensurdece, não ajudadas pela oração que as une a Deus e derrama sua força como por um canal no coração do homem, então dificilmente elas notam a cilada escondida sob uma aparência inócua, caindo nela. Livrar-se, depois, é muito difícil.

46.13

Os dois caminhos mais comuns, tomados por Satanás para chegar às almas, são a sensualidade e a gula. Ele começa sempre pela matéria. Desmantelada e dominada esta, aí ele ataca a parte superior. Primeiro, o moral: o pensamento com suas soberbas e cobiças; depois, o espírito, tirando dele não só o amor — este já nem existe mais, quando o homem substituiu o amor divino por outros amores humanos — mas também o temor de Deus. É então que o homem se abandona de corpo e alma a Satanás, contanto que chegue a gozar do que quer, e a gozar sempre mais.

46.14

Como Eu me comportei, tu o viste. Silêncio e oração. Silêncio.

Porque, se Satanás faz seu trabalho de sedutor e vem ao redor de nós, é preciso suportá-lo sem tolas impaciências e temores inúteis. Mas reagir com altivez à sua presença e com oração à sua sedução.

É inútil discutir com satanás. Ele venceria, porque é forte em sua dialética. Só Deus o vence. Por isso é preciso recorrer a Deus, que fale por nós, através de nós. Mostrar a satanás aquele nome e aquele sinal, não tanto escritos em papel ou gravados em madeira, quanto escritos e gravados no coração. O meu Nome, o meu Sinal. Rebater a satanás, somente quando insinua que ele é como Deus, usando a palavra de Deus[2]. Ele não suporta esta palavra.

46.15

Depois, passada a luta, vem a vitória, e os anjos servem e defendem o vencedor do ódio de satanás. Eles o restauram com o orvalho celeste, com a graça que tornam a derramar às mãos cheias no coração do filho fiel, com a bênção que acaricia o espírito.

É preciso ter a vontade de vencer a satanás e fé em Deus e em sua ajuda. Fé no poder da oração e na bondade do Senhor. Então, satanás não pode fazer nenhum mal.

Vai em paz. Nesta tarde te alegrarei com o que ainda virá.

EMF 47.4-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.4 Jesus diz:

– O grupo dos que me haviam encontrado era numeroso. Mas só um me reconheceu. Aquele que tinha a alma, o pensamento e a carne limpos de toda luxúria.

Insisto no valor da pureza. A castidade é sempre fonte de lucidez de pensamento. A virgindade também purifica, conservando a sensibilidade intelectiva e afetiva, aperfeiçoando-a, o que só pode ser experimentado, por quem é virgem.

47.5 Pode-se ser virgem, de muitos modos. De modo forçado, especialmente as mulheres, quando não foram escolhidas para o casamento. Assim devia ser também com os homens. Mas não é assim, e isso é mal, porque de uma juventude precocemente conspurcada pela libidinagem não poderá sair nada mais do que um chefe de família doente em seus sentimentos e, muitas vezes, também em seu corpo.

Há uma virgindade desejada, ou seja, aquela dos que se consagram ao Senhor, num impulso de vontade. Bela virgindade! Sacrifício agradável a Deus! Mas nem todos sabem permanecer naquele candor do lírio que está firme em seu pedúnculo, estendido ao céu, sem conhecer a lama do chão, aberto somente ao beijo do sol de Deus e de seus orvalhos.

Muitos permanecem fiéis, materialmente, ao voto feito. Mas infiéis em seu pensamento, que lamenta e deseja aquilo que eles sacrificaram. Estes são virgens só pela metade. Se a carne está intacta, o coração não está. Seu coração fermenta, ferve, exala fumaças de uma sensualidade, tanto mais refinada e reprovada, quanto mais ela foi sendo criada por um pensamento que acaricia, alimenta e aumenta continuamente imagens de satisfações ilícitas, até para quem está livre, e quanto mais para quem está consagrado por votos a Deus.

Aparece então, a hipocrisia do voto. Em aparência, ele existe, mas de fato, em substância, não. E, em verdade, eu vos digo que, entre quem vem a Mim com o seu lírio despedaçado pela imposição de um tirano e quem vem com o seu lírio não materialmente despedaçado, mas coberto pela baba, pelo transbordamento de uma sensualidade acariciada e cultivada, para poder encher com ela as horas de solidão, Eu chamo de “virgem” ao primeiro, e de “não virgem” ao segundo. Ao primeiro, dou coroa de virgem e uma dupla coroa de martírio: uma, pela carne ferida; e outra, pelo coração ferido por uma mutilação não desejada.

47.6 O valor da pureza é tal, que, como viste, satanás se preocupa, em primeiro lugar, em convencer-me a que me entregue à impureza. Ele sabe bem que a culpa da sensualidade desmantela a alma e a torna presa fácil das outras culpas. Todo o trabalho de satanás se concentrou neste ponto capital, para me vencer.

O pão, a fome, são as formas materiais que simbolizam o apetite, os apetites de que satanás procura tirar proveito para os seus fins. Bem outro era o alimento que ele me oferecia, para fazer-me cair como um bêbado aos seus pés! Depois, teria vindo a gula, o dinheiro, o poder, a idolatria, a blasfêmia, a abjuração de Lei divina. Mas o primeiro passo para conquistar-me era esse. O mesmo que usou para ferir Adão.

47.7 O mundo escarnece dos puros. Os culpados de lascívia os golpeiam. João Batista é uma vítima da luxúria de dois obscenos. Mas, se o mundo tem ainda um pouco de luz, isto se deve aos puros que ainda há no mundo. São esses os servos de Deus, que sabem compreender a Deus e repetir as palavras Dele. Eu disse[2]: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” Mesmo desde esta terra. Eles, cujo pensamento não é perturbado pela fumaça da sensualidade, é que “vêem” a Deus e O ouvem, O seguem, e O indicam aos outros.

47.8 João, filho de Zebedeu, é um puro. É o mais Puro dos meus discípulos. Que alma de flor, em um corpo de anjo! Ele me chama com as palavras do seu primeiro mestre, e me pede que lhe dê paz. Mas a paz, ele a tem em si mesmo, pela sua vida pura. Eu o amei por essa sua pureza, à qual eu confiei os ensinamentos, os segredos e a Criatura mais querida que Eu tinha.

Ele foi o meu primeiro discípulo, que me teve amor desde o primeiro instante em que me viu. Sua alma estava intimamente unida com a minha, desde o dia em que ele me tinha visto passar ao longo do Jordão e me tinha visto apontado pelo Batista. Mesmo que ele não me tivesse encontrado depois, na minha volta do deserto, me teria procurado tanto, até conseguir encontrar-me, porque quem é puro, é humilde e desejoso de instruir-se na ciência de Deus, e vai, como a água que vai ao mar, àqueles que ele reconhece serem mestres na doutrina celeste”.

EMF 47.9-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.9 Jesus ainda diz:

– Eu não quis que tu falasses sobre a tentação de sensualidade do teu Jesus. Mesmo que a tua voz interior te fez entender o motivo de satanás para atrair-me à sensualidade, Eu preferi falar disso. E não pensais além. Era necessário falar. Agora vai avante. Deixa a flor de satanás sobre suas areias. Vem atrás de Jesus, como João. Cami­nharás entre os espinhos, mas encontrarás, como rosas, as gotas de sangue de Quem as derramou por ti, para vencer a carne, também em ti.

47.10 Antecipo uma observação. Diz João em seu Evangelho, falando do encontro Comigo: “E, no dia seguinte”. Parece com isso que o Batista me tivesse mostrado no dia seguinte ao batismo, e que, logo, João e Tiago me seguiram, mas isso contrasta tudo o que disseram os outros evangelistas a respeito dos quarenta dias passados no deserto. Mas deveis ler assim: “(Tendo já acontecido a prisão de João), um dia depois os dois discípulos de João Batista aos quais ele me havia mostrado, dizendo: ‘Eis o Cordeiro de Deus’, ao me verem de novo, chamaram e me seguiram.” Depois da minha volta do deserto.

Juntos voltamos às margens do lago da Galiléia, onde Eu tinha ido refugiar-me, para, de lá, iniciar a minha evangelização. Os dois falaram de Mim aos outros pescadores, depois de terem estado Comigo por todo o caminho, e por um dia inteiro na casa hospitaleira de um amigo da parentela de minha casa. Mas a iniciativa foi de João, cuja alma a vontade de penitência e a sua pureza tinha tornado tão limpa, que era uma verdadeira obra-prima de limpidez, sobre a qual a Verdade se refletia nitidamente, dando-lhe também a santa audácia dos puros e dos generosos, que não temem andarem avante, onde está Deus, onde está a verdade, a doutrina, o caminho de Deus.

Quanto Eu o amei por essa sua simples e heróica característica!”.

EMF 49.9-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

49.9 Como motivo para esta visão, disse-me Jesus esta manhã (14 de outubro):

– Quero que tu e todos observeis o comportamento de João. É um lado seu que sempre passa desapercebido. Vós o admirais porque ele é puro, amoroso, fiel. Mas não notais que foi grande também sua humildade. Ele, artífice da vinda de Pedro a Mim, modestamente se cala neste particular.

O apóstolo de Pedro e, por isto, o primeiro dos meus apóstolos, foi João. O primeiro a reconhecer-me, o primeiro a dirigir-me a palavra, o primeiro a seguir-me, o primeiro a pregar sobre Mim. No entanto, estais vendo o que ele diz? Diz assim: “André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois, que tinham ouvido as palavras de João, e tinham seguido a Jesus. O primeiro, com quem se encontrou foi com o seu irmão, Simão, ao qual disse: ‘Encontramos o Messias’, e o levou a Jesus.”

Justo, além de bom, ele sabe que André se angustia por ter um caráter fechado e tímido, que gostaria de fazer muitas coisas mas não consegue, e João quer que o reconhecimento da sua boa vontade chegue a ele, na memória dos pósteros. João quer que André apareça como o primeiro apóstolo de Cristo junto a Simão, perto do irmão, não obstante a sua timidez e acanhamento lhe terem dado alguma derrota em seu apostolado.

49.10 Quem, entre aqueles que fazem alguma coisa por Mim, sabem imitar João, sem se autoproclamarem apóstolos insuperáveis, sem pensar que o seu êxito provém de um complexo de coisas, não somente santidade, mas também audácia humana, sorte e, ocasionalmente, encontram-se com outros menos audazes e felizardos, embora talvez mais santos?

Quando vós vos saís bem no que fazeis de bom, não vos glorieis, como se o mérito fosse todo vosso. Dai louvor a Deus, Senhor dos operários apostólicos, tende os olhos limpos e o coração sincero para ver e para dar a cada um o aplauso que lhe cabe. Olhos limpos para discernir os apóstolos que cumprem o holocausto, e que são as primeiras e verdadeiras alavancas no trabalho dos outros. Só Deus vê estes que, tímidos, parecem nada fazer, mas, ao contrário, são os raptores do fogo do céu, que ataca os audazes. Um coração sincero para saber dizer: “Eu trabalho. Mas este ama mais do que eu, prega melhor do que eu, se imola, como eu não sei fazer, e como Jesus disse: ‘… dentro do próprio quarto, com a porta fechada para rezar em segredo’. Eu, que vejo a sua humilde e santa virtude, quero torná-la conhecida, e dizer: ‘Eu sou instrumento ativo; este é força que me põe em movimento, porque, ligado a Deus como ele, que é para mim canal de força celeste’.”

A bênção do Pai, que desce para recompensar o humilde, que em silêncio se imola para dar força aos apóstolos, descerá também sobre o apóstolo que sinceramente reconhece a sobrenatural e silenciosa ajuda que lhe vem do humilde, e o seu mérito, que a superficialidade dos homens não nota.

Aprendei todos.

49.11 É o meu predileto? Sim. Mas não tem também esta semelhança Comigo? Puro, amoroso, obediente, mas também humilde. Eu me espelhava nele, via nele as minhas virtudes. Eu o amava por isso, como um segundo Eu. Via sobre ele o olhar do Pai que o reconhecia como um pequeno Cristo. E minha mãe me dizia: “Nele sinto ter um segundo filho. Parece-me estar vendo a Ti, reproduzido em um homem.”

Oh! a cheia de sabedoria como te conheceu, ó meu dileto! Os céus azuis de vossos corações de pureza se fundiram em um único velário para me dar proteção de amor, e tornarem-se assim um só amor, antes ainda que Eu desse minha mãe a João, e João à minha mãe. Eles se amaram, porque se reconheceram semelhantes: filhos­ e irmãos do Pai e do Filho.

Anotação

João 1:39-42:

André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois discípulos que ouviram a palavra de João e seguiram Jesus. Primeiro encontrou Simão, seu irmão, e disse-lhe: "Encontrámos o Messias" - que significa Cristo. André levou o seu irmão a Jesus. Jesus olhou para ele e disse: "Tu és Simão, filho de João; o teu nome será Kefas" - que significa Pedro.

EMF 52.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me explica o significado da frase.

– Aquele “ainda”, que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão eu não era mais o Filho sujeito à mãe, mas o Servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de “mamãe” Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

“Que é que ainda há entre Mim e ti?” Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me davas ordens, Eu obedecia. Eu te estava “sujeito”. Agora Eu sou da minha missão.

Será que Eu não disse[3] isto? “Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus.” Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a Palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com o meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

Aquele “ainda”, geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: “Tudo tens sido para Mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu Pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante Tu também, no Céu. Mas agora Eu sou de todos os homens. E sou do Pai que a eles me enviou.”

Eis o que quer dizer aquele “ainda”, pequeno e tão denso de significado.

Detalhe

Objeção levantada: O "daqui em diante" não se encontra no Evangelho.

Notas da segunda edição sobre a passagem *Este doravante que muitos tradutores deixam passar em silêncio: ao traduzir as palavras que se lêem em Jo 2,4.

EMF 52.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me instrui assim:

– Quando Eu disse aos discípulos: “Vamos fazer feliz minha mãe”, Eu tinha dado àquela frase um sentido mais alto do que o que parecia. Não a felicidade de me ver, mas de ser ela a iniciadora de minha atividade de fazer milagres e a primeira benfeitora da humanidade. Lembrai-vos disso sempre. O meu primeiro milagre aconteceu por causa de Maria. O primeiro. Sinal de que Maria é a chave dos milagres. Eu não recuso nada à minha mãe, e pela sua oração antecipo também o tempo da graça. Eu conheço minha mãe, a segunda em bondade depois de Deus. Eu sei que conceder-vos uma graça é fazê-la feliz, porque ela é a Toda Amor. Eis porque Eu disse, Eu que tudo sabia: “Vamos fazê-la feliz.”

Além disso, Eu quis manifestar o seu poder ao mundo, junto com o meu. Destinada a ser unida a Mim na carne — pois nós fomos uma só carne: Eu nela, e ela ao redor de Mim, como as pétalas de um lírio ao redor do pistilo perfumado e cheio de vida —; unida a Mim na dor, porque estivemos sobre a cruz: Eu com a carne e ela com seu espírito, assim como o lírio exala perfume com sua corola e com a essência extraída dela, era justo que estivesse unida a Mim no poder que se mostra ao mundo.

Digo a vós o que Eu disse àqueles convidados: “Agradecei a Maria. Foi por ela que tivestes o dom dos milagres e as minhas graças, e especialmente as do perdão.”

Repousa em paz. Nós estamos contigo.