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Notas do tema

Interações com Jesus Cristo

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EMF 6.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

6.6 Jesus diz:

– Salomão faz a Sabedoria dizer: “Quem é criança, venha a mim.” Na verdade, é da fortaleza e dos muros de sua cidade que a eterna Sabedoria dizia à eterna menina: “Vem a mim.” Ansiava por tê-la.

Mais tarde, o Filho desta puríssima menina dirá: “Deixai vir a Mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus, e quem não se tornar semelhante a eles, não terá parte no meu Reino.” As vozes se perseguem e, enquanto a voz do Céu grita à pequena Maria: “Vem a Mim”, a voz do Homem pensa em sua mãe, ao dizê-lo: “Vinde a Mim, se souberdes ser pequeninos.”

Dou-vos um modelo em minha mãe.

Eis a perfeita criança, do coração de pomba, simples e puro, eis Aquela que os anos e os contatos do mundo não conseguem embrutecer pela barbárie de um espírito corrompido, tortuoso, mentiroso. Porque Ela não quer este espírito. Vinde a Mim, olhando para Maria.

Anotação

Salomão disse: Provérbios 9:4.

Mais tarde, o Filho da Criança Pura dirá: "Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus; quem não for como elas não tem parte no meu reino. "Jesus dirá isto em EMV 378.8 e em Mateus 19, 14-15; Marcos 10, 13-14, e Lucas 18, 15-17.

Evangelho de Mateus 19, 14-15

Mt 19, 14-15 : Jesus disse-lhes: "Deixai estas crianças e não as impeçais de vir ter comigo, porque o Reino dos Céus é para aqueles que são como elas. "E, impondo-lhes as mãos, pôs-se a caminho.

Evangelho de Lucas 18, 15-17

Lc 18,15-17 : Algumas pessoas trouxeram-lhe as suas criancinhas para que ele as tocasse; os discípulos, vendo isso, repreenderam-nas. 16Mas Jesus chamou as crianças para junto de si e disse: "Deixem vir a mim as criancinhas e não as impeçam, pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. 17Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele. "

Evangelho de Marcos 10, 13-14

Mc 10,13-14 : Trouxeram-lhe criancinhas para que ele as tocasse. Mas os discípulos repreendiam os que as traziam. Jesus, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos Céus pertence aos que são semelhantes a elas".

EMF 23.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu sou a eterna portadora de Jesus. Ele está no meu ventre, conforme tu viste no ano passado, que Ele é como uma Hóstia consagrada no ostensório. Quem vem a mim, O encontra. Quem em mim se apoia, põe-se em contato com Ele. Quem se dirige a mim, fala com Ele. Eu sou a sua veste. Ele é a minha alma. Agora Ele está mais unido a mim, do que nos nove meses em que crescia no meu ventre. O meu Filho está unido à sua mãe. Acalmam-se todas as dores, florescem todas as esperanças, fluem todas as graças de quem vem a mim, e pousa sua cabeça sobre o meu ventre.

EMF 30.11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A quem tem alma de criança, Deus Se mostra e a Seus mistérios, permitindo-lhe ouvir as palavras divinas e as palavras de Maria. Quem tem alma de criança, tem também a santa coragem de Levi, para dizer: “Deixa-me beijar o vestidinho de Jesus.” Isto ele diz a Maria. Porque é sempre Maria que vos dá Jesus. Ela é a portadora da Eucaristia. Ela é a píxide viva.

Quem vai a Maria, Me encontra. Quem me pede a ela, recebe. O sorriso de minha mãe, quando uma criatura lhe diz: “Dá-me o teu Jesus, para que eu o ame”, faz que os céus mudem de cor, em um mais vivo esplendor de alegria, pois tal é a altura do grau da sua felicidade.

Diz-lhe, pois: “Deixa-me beijar a veste de Jesus. Deixa-me beijar as suas chagas.” Procura ter coragem para dizer ainda mais que isso. Diz assim: “Deixa-me repousar a cabeça sobre o Coração do teu Jesus, para que isso me faça feliz.”

Detalhe

Jesus dá um ditado a Maria, depois de ela ter visto os pastores a adorar a manjedoura. Ele diz:

EMF 34.17-18

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ainda um último, suave e significativo ensinamento.

É Maria, que segura a mão de Jesus, que ainda não sabe abençoar, e a guia no gesto santo.

É sempre Maria que segura a mão de Jesus e a guia. Ainda hoje é assim. Agora, Jesus sabe abençoar. Mas, às vezes, sua mão traspassada cai, cansada e sem poder mais confiar, pois Ele sabe que é inútil abençoar. Na verdade, vós destruís a minha bênção. Ela cai também indignada porque vós me maldizeis. Então, é Maria que tira o desprezo feito a esta mão, ao beijá-la. Oh! O beijo de minha mãe! Quem pode resistir a esse beijo? Depois, ela segura o meu pulso, com seus dedos delicados, mas que são amorosamente tão imperiosos e me força a abençoar.

Eu não posso repelir a minha mãe. Mas é preciso que vós vades à procura dela, para fazê-la vossa advogada. Ela é minha rainha, antes de ser vossa, e o seu amor por vós tem indulgências tais, que nem o meu conhece. Ela, mesmo sem palavras, mas só com as pérolas do seu pranto e com a lembrança da minha Cruz, cujo sinal ela me faz traçar no ar, defende a vossa causa, e ainda me admoesta: “Tu és o Salvador. Salva!”

34.18 Eis, meus filhos, o “Evangelho da fé”, na aparição da cena dos Magos. Meditai e imitai. Para o vosso bem.

Detalhe

Jesus fala da visão dos Magos. Jesus era ainda muito pequeno e Maria teve de o guiar para fazer um gesto de bênção.

EMF 44.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo o interior da casa de Nazaré. Nela vejo uma sala, parece uma sala de família, onde a Família faz suas refeições, ficando também nas horas de descanso. É uma salinha muito pequena, com uma simples mesa retangular que está em frente de uma espécie de arquibanco, encostado à parede. Ele serve de assento para um dos lados da mesa. Junto às outras paredes estão um tear e um banco, dois outros bancos e uma estante sobre a qual estão algumas candeias e outros objetos. Uma porta abre-se para a horta-pomar. Deve estar anoitecendo, porque não tem nada senão uma lembrança de sol sobre a copa de uma árvore, que começa a verdejar com suas primeiras folhas.

Jesus está à mesa. Ele está comendo, Maria o serve, indo e vindo, por uma portinha, a qual suponho que conduz ao lugar onde está a lareira, da qual se vê o clarão, através da porta entreaberta.

Jesus diz duas ou três vezes a Maria que se assente… e coma também. Mas ela não quer, sacode a cabeça, sorrindo tristemente, e, depois das verduras cozidas, que me parece estar em lugar da sopa, leva para a mesa peixes assados, um queijo fresco, feito de leite de ovelha e em forma de pequenas bolas parecidas com uma daquelas pedras que se encontram no fundo dos córregos, e azeitonas pequenas e escuras. O pão, feito em pequenas formas redondas (da largura de um prato comum) e de pouca altura, já está sobre a mesa. É um tanto escuro, que não deve ter sido feito sem o farelo. Jesus tem diante de Si uma ânfora com água e uma taça. Come em silêncio, olhando para a mãe com um doloroso amor.

É visível o sofrimento de Maria. Ela vai e vem, para mostrar compostura. Ainda há luz suficiente, mas ela acende uma candeia, e a coloca perto de Jesus. Ao esticar o braço para isso, acaricia a cabeça de seu Filho furtivamente, torna a abrir um alforje, que me parece feito com aqueles tecidos feitos à mão, com lã virgem sendo, por isso, impermeável, da cor de avelã. Ela procura dentro alguma coisa, sai para o pequeno pomar e vai até lá no fundo, em uma espécie de esconderijo, saindo com umas maçãs um pouco murchas, que certamente se conservaram desde o verão, colocando-as no alforje. Depois pega um pão e um queijo e os põe junto, por mais que Jesus não queira, dizendo que o que está lá dentro já basta.

Maria se aproxima da mesa novamente, do lado da passagem mais estreita, à esquerda de Jesus, e fica olhando-O comer. Ela olha para Ele com angústia, com adoração, com o rosto ainda mais pálido que de costume, que o sofrimento faz parecer envelhecido, com os olhos maiores, marcados com uma sombra, indício de lágrimas já derramadas. Parecem também mais claros que de costume, como se tivessem sido lavados pelo pranto presente neles, pronto para cair. São dois olhos cheios de dor e de cansaço.

44.2 Jesus, que come devagar e claramente contra a vontade, somente para contentar a mãe, está mais pensativo do que habitualmente, levanta a cabeça e a olha. Encontra um olhar cheio de lágrimas, inclinando então a cabeça para deixá-la mais à vontade, limitando-se a segurá-la pela delicada mão que ela está apoiando à beira da mesa. Jesus a pega com sua esquerda e a leva até à sua própria face, e a apóia nela, por um momento, para sentir a carícia daquela pobre mãozinha que está tremendo, depois a beija no dorso com muito amor e respeito.

Vejo Maria levar à boca sua mão livre, a esquerda, como para sufocar um soluço. Em seguida, ela enxuga com os dedos uma grande lágrima que lhe escapou dos cílios, banhando-lhe a face.

Jesus continua a comer, e Maria sai rapidamente para o pequeno pomar, onde a luz já é bem pouca, e desaparece. Jesus apóia o cotovelo esquerdo sobre a mesa, e sobre a mão apóia a fronte mergulhando-se em seus pensamentos, parando de comer.

Depois parece procurar escutar algo, e se levanta. Sai também Ele para o pomar, e, ao dar uma olhada ao redor, dirige-se à direita, em relação ao lado da casa, entrando, pela abertura de uma parede rochosa, em um quarto que eu reconheço ser a oficina do carpinteiro, que desta vez está toda em ordem, sem tábuas nem maravalhas, e sem o fogo aceso. Ali estão o banco grande e os utensílios, tudo em seus lugares, só isso.

Curvada sobre o banco, Maria está chorando. Parece uma menina. Está com a cabeça sobre o braço esquerdo dobrado, e chora sem fazer barulho, mas com grande dor. Jesus entra devagar, e se aproxima dela, tão levemente, que ela só percebe que Ele está ali, quando o Filho lhe pousa a mão sobre a cabeça inclinada, chamando-a: “Mãe!”, com uma voz de amorosa censura.

Maria levanta a cabeça, olha para Jesus, através de um véu de lágrimas, e se apóia Nele com as duas mãos unidas, segurando-o pelo braço direito. Jesus lhe enxuga o rosto com a beira de sua larga manga, e, depois a abraça, atraindo-a sobre o seu coração e beijando-a na fronte. Jesus está majestoso, parece mais viril que de costume, e Maria parece mais menina, exceto no rosto, que está marcado pela dor.

– Vem, mãe –lhe diz Jesus, e, segurando-a apertada contra Si pelo braço direito, dirige-se para o pomar, onde se assenta em um banco à frente da parede da casa. O pomar está silencioso, e enfim escuro. Vê-se apenas um belo luar e a luz que vem da sala de jantar. A noite está serena.

44.3 Jesus fala a Maria. A princípio, não entendo as palavras, apenas murmuradas, às quais Maria, com a cabeça, assente. Depois, eu ouço:

– Faz que venham os parentes. Não fiques sozinha. Eu ficarei mais tranqüilo, mãe, e tu sabes que preciso estar tranqüilo para cumprir a minha missão. O meu amor não te faltará. Eu virei freqüentemente, e mandarei avisar-te, quando estiver na Galiléia, não podendo vir até em casa. Nesse caso, tu irás a Mim. Mãe, esta hora tinha que chegar. Ela começou aqui, quando o Anjo te apareceu; agora ela chegou, nós devemos vivê-la, não é verdade, mãe? Depois virá a paz, da provação superada, e a alegria. Primeiro, precisamos atravessar este deserto como os antigos Pais fizeram para entrarem na Terra Prometida. Mas o Senhor Deus nos ajudará, como ajudou a eles. E nos dará a sua ajuda como um maná espiritual para nutrir o nosso espírito no esforço da prova. Vamos dizer juntos o Pai-nosso…

Jesus se levanta, e Maria com Ele, erguendo os rostos ao céu. Duas hóstias vivas, que brilham na escuridão.

Jesus diz lentamente, mas com voz clara, e destacando as pala­vras, a oração dominical. Destaca de modo especial as palavras destas frases: “Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade”, separando bem estas duas frases das outras. Ele reza com os braços abertos, não propriamente em cruz, mas como fazem os sacerdotes, quando se dirigem ao povo, dizendo: “O Senhor esteja convosco!” Maria conserva suas mão unidas.

44.4 Depois, voltam para a casa, e Jesus, que eu nunca vi beber vinho, despeja em uma taça, de uma ânfora apanhada na estante, um pouco de vinho branco e o leva para a mesa, pega Maria pela mão, e faz que ela se assente perto Dele e beba daquele vinho, no qual molha uma pequena fatia de pão, fazendo, depois, que ela o coma. A insistência dele é tanta, que Maria cede. Jesus bebe o que resta do vinho. Depois disso, aperta a mãe ao seu lado, e a segura assim junto ao seu corpo, pela parte do coração. Nem Jesus, nem Maria estão deitados, mas sentados, como nós nos sentamos. Não estão falando mais. Estão esperando. Maria acaricia a mão direita de Jesus e seus joelhos. Jesus faz uma carícia ao braço e à cabeça de Maria.

44.5 Em seguida, Jesus se levanta, e Maria também, e se abraçam e se beijam amorosamente muitas vezes. Parece que querem se deixar, mas Maria torna a apertar contra si o seu Filho. É a Virgem Santa, mas é uma mãe enfim, uma mãe que precisa separar-se do seu filho, sabendo qual vai ser o fim daquela separação. Ninguém me venha mais dizer que Maria não sofreu. Antes, acreditava pouco nisso, mas agora estou convencida.

Jesus pega o manto (azul escuro) e joga-o sobre as costas e a cabeça, como um capuz. Depois pendura à tiracolo o alforje, de modo que não lhe dificulte o andar. Maria o ajuda, parece que não vai terminar nunca de ajustar-lhe a roupa, o manto e o capuz. E, enquanto assim faz, ela ainda o acaricia.

Jesus vai até à saída, depois de ter traçado um gesto de bênção sobre a sala. Maria o acompanha e, à porta, que já está aberta, eles se beijam de novo.

44.6 A rua está silenciosa e solitária, toda branca ao luar. Jesus vai caminhando. Vira-se ainda duas vezes para olhar a mãe, que ficou apoiada ao umbral da porta, mais branca do que a lua, e soltando lágrimas que brilham em um pranto silencioso. Jesus vai ficando cada vez mais longe, indo pela ruazinha branca. Maria continua chorando junto à porta. Depois, Jesus desaparece numa das curvas do caminho.

Começou o seu caminho de Evangelizador, que terminará no Gólgota. Maria entra chorando, e fecha a porta. Também para ela começou o caminho que a levará ao Gólgota. Tudo por nós…

Detalhe

Jesus deixa Nazaré para iniciar a sua vida pública.

EMF 49.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

49.4 O povoado está próximo. Alguns meninos brincam na estrada e um deles, correndo, vem chocar-se contra as pernas de Jesus e teria caído, se Ele não o segurasse com presteza. O menino chora mesmo assim, como se se tivesse se machucado, mas Jesus, tomando-o nos braços, diz:

– Um israelita que chora? Que deveriam fazer os milhares e milhares de crianças, que se tornaram homens, atravessando o deserto, atrás de Moisés? Contudo foi mais para eles do que para os outros justamente para estes é que fez descer o maná tão doce, porque o Altíssimo ama os inocentes e provê o necessário a estes anjinhos da ter­ra, a estes passarinhos sem asas, como faz com os pássaros da mata e dos telhados. Gostas de mel? Sim? Pois bem, se fores bom, comerás de um mel mais doce do que aquele das tuas abelhas.

– Onde? Quando?

– Quando, depois de uma vida de fidelidade a Deus, fores para Ele.

– Eu sei que não irei para lá, enquanto não vier o Messias. Minha mãe me diz que, por ora, nós de Israel somos todos como Moisés, e morremos, vendo de longe a Terra Prometida. Ela diz que estamos ali, à espera de podermos entrar, e que só o Messias nos fará entrar.

– Mas que pequeno israelita esperto! Pois bem, Eu te digo que, quando morreres, entrarás logo no Paraíso, porque o Messias já terá aberto as portas do Céu. Mas precisas ser bom.

– Mamãe! Mamãe!

O menino escorrega dos braços de Jesus e cor­re ao encontro de uma jovem esposa, que regressa com uma ânfora de cobre.

– Mamãe! O novo Rabi me disse que eu irei logo para o Paraíso, quando eu morrer, e que vou comer muito mel… mas se eu for bom. Eu vou ser bom!

– Queira Deus! Desculpa, Mestre, se ele te aborreceu. É muito levado.

– A inocência não causa aborrecimento, mulher. Deus te abençoe, porque és uma mãe que educa os filhos no conhecimento da Lei.

A mulher fica toda vermelha, diante do elogio, e responde:

– A bênção de Deus também para Ti.

E desaparece com o seu pequeno.

EMF 49.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Tens sobrinhos, Mestre?

– Eu só tenho minha mãe… Mas nela está a pureza, a sinceridade, o amor dos pequeninos mais santos, junto à sabedoria, justiça e fortaleza dos adultos. Eu tenho tudo em minha mãe, João.

– E Tu a deixaste?

– Deus está acima até da mais santa das mães.

– Eu irei conhecê-la?

– Sim. Tu a conhecerás.

– E ela me amará?

– Sim, te amará, porque ela ama a quem ama o seu Jesus.

EMF 50.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois, Jesus se levanta, dá uns passos pelo terraço, olha o lago, sorri para uns meninos que estão brincando na rua e que lhe sorriem, olha a rua, na direção da pracinha, que fica a uns cem metros da casa. Depois desce. Vai até a cozinha:

– Mulher, vou passear à beira do lago.

Sai, e de fato vai para a beira do lago, junto dos meninos. E lhes pergunta:

– O que estais fazendo?

– Nós queríamos brincar de guerra. Mas ele não quer e, então, vamos brincar de pesca.

O “ele” que não quer é um homenzinho de corpo delgado, mas com um rosto que revela grande perspicácia. Talvez ele perceba que, delgado como é, ao fazer “a guerra”, poderia sair perdendo, e por isso, defende a paz.

Jesus aproveita o assunto para falar aos meninos:

– Ele tem razão. A guerra é um castigo de Deus para a punição dos homens, e sinal de que o homem não é mais verdadeiro filho de Deus. Quando o Altíssimo criou o mundo, fez todas as coisas: o sol, o mar, as estrelas, os rios, as plantas, os animais, mas não fez as armas. Criou o homem, e lhe deu olhos para que tivesse olhares de amor, boca para dizer palavras de amor, ouvido para ouvi-las, mãos para dar socorro e carícias, pés para correrem velozes até o irmão necessitado, e coração capaz de amar. Deu ao homem a inteligência, a palavra, os afetos, os gostos. Mas não deu o ódio. Por que? Porque o homem, criatura de Deus, devia ser amor, como Deus é Amor. Se o homem tivesse continuado a ser criatura de Deus, teria permanecido no amor, e a família humana não teria conhecido nem guerra nem morte.

– Mas ele não quer brincar de guerra, porque perde sempre (eu já tinha adivinhado isso).

Jesus sorri, e diz:

– Não é preciso não querer aquilo que nos prejudica, só porque nos prejudica. Mas é preciso não querer uma coisa, quando ela prejudica a todos. Se um, diz: “Eu não quero isto, porque vou perder”, ele é egoísta. Ao contrário, o bom filho de Deus diz: “Irmãos, eu sei que vou ganhar, mas eu vos digo: não vamos fazer isso, porque vós teríeis prejuízo.” Oh! Como esse compreendeu bem o mandamento principal! Quem sabe me dizer qual é?

Em coro, as onze bocas dizem:

– “Amarás o teu Deus com todo o teu ser e ao teu próximo como a ti mesmo.”

– Oh! Sois uns meninos muito inteligentes!

50.4 Ides todos à escola?

– Sim.

– Quem é o mais inteligente?

– Ele.

É o magrinho, que não quer brincar de guerra.

– Como te chamas?

– Joel.

– É um grande nome! Ele diz: “… o fraco diga: ‘sou forte’.” Mas forte no quê? Na lei do verdadeiro Deus, para estar entre aqueles que Ele vai julgar como santos seus, no vale da decisão final. Mas esse juízo já está perto. Não no vale da decisão, mas no monte da Redenção. Lá, entre o sol e a lua, escurecidos de horror, e as estrelas tremendo num pranto de piedade, serão julgados e separados os filhos da Luz, dos filhos das Trevas. Toda Israel saberá que o seu Deus veio. Felizes aqueles que o tiverem reconhecido. A eles mel, leite e águas claras lhes descerão aos corações, e os espinhos se tornarão rosas eternas. Quem de vós quer estar entre aqueles que vão ser julgados santos de Deus?

– Eu! Eu! Eu!

– Amareis, então, o Messias?

– Sim! Sim! A Ti! A Ti! Nós Te amamos! Nós sabemos quem és! Simão e Tiago nos disseram, e nossas mães também. Leva-nos Contigo!

– Na verdade, Eu vos levarei, se fordes bons. Nada mais de pala­vras feias, nem atitudes prepotentes, nem brigas, ou respostas más aos pais. Oração, estudo, trabalho, obediência. Eu vos amarei e virei estar convosco.

Os meninos estão todos em círculo em volta de Jesus. Parece uma corola de cores matizadas, apertada ao redor de um longo pistilo azul escuro.