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Notas da palavra-chave

Defesa da obra

Tema: Obras de Maria Valtorta · Página 3 de 6

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EMF 37.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José observa, e se interessa, como se fosse uma coisa séria. Depois ele se propõe a fazer, no dia seguinte, um pequeno lago, não com aquela vasi­lha furada, mas com um pequeno tanque de madeira, bem calafetado com breu, sobre o qual Jesus poderia lançar verdadeiros barquinhos de madeira que José o ensinaria a fazer.

37.2 Agora mesmo ele já estava trazendo pequenas ferramentas de trabalho, apropriadas para Jesus, a fim de que Ele pudesse aprender a usá-las, sem se cansar muito.

– Assim eu te ajudarei! –diz Jesus, com um sorriso.

– Sim, vais me ajudar, e depois te tornarás um bom carpinteiro. Vem vê-las!

E entram na oficina. José lhe mostra um pequeno martelo, uma serrinha, pequenas chaves de fenda, uma plaina de boneca, tudo colocado sobre um banco de carpinteiro na relva: um banco adaptado à altura do pequeno Jesus.

– Olha: para serrar, coloca-se esta madeira apoiada assim. Pega-se depois a serra assim, e prestando atenção para não ir com ela sobre os dedos, se serra. Experimenta…

E a lição começa. Jesus tornando-se vermelho, pelo esforço feito, e apertando os lábios, vai serrando com atenção e, depois, alisa a pequena tábua com a plaina e, ainda que tenha ficado um pouco torta, parece-lhe bonita, e José o elogia, e o ensina a trabalhar com paciência e amor.

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Contexto: Jesus, que tem cerca de cinco anos, está a brincar no jardim, mas não consegue criar um pequeno lago no chão.

Objeção levantada: A chave de fendas não existe.

Nota do editor sobre a chave de fendas: Na realidade, o parafuso e a chave de fendas não existiam nessa altura. Deviam ser pequenos cinzéis de madeira de fabrico muito antigo, ou seja, uma barra de ferro com uma extremidade achatada e afiada, à qual se adaptava um cabo de madeira para uma boa manobrabilidade. Em 42.2, Maria esclarece a sua incerteza, acrescentando: "me semble-t-il".

EMF 42.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus trabalha com umas grandes tábuas. Está aplainando-as e depois as encosta na parede, atrás de Si. A seguir, pega uma espécie de banco, que está preso dos dois lados no torno, o solta, olha se o trabalho está certo, esquadreja-o em todos os sentidos e, em seguida, vai até a chaminé, pega a panelinha, procurando algo dentro dela, com um pauzinho ou pincel, não sei: só vejo a parte que ficou fora, parecida com um cabinho.

Jesus está com uma veste cor de avelã escura, e sua túnica é um tanto curta, com as mangas arregaçadas acima dos cotovelos e com uma espécie de avental na frente, no qual ele limpa os dedos, depois de ter tocado a panelinha.

Ele está sozinho. Trabalha continuamente, mas com calma. Nenhum­ movimento desordenado, impaciente. É exato e incessante em seu trabalho. Não se aborrece com nada, nem com um nó na madeira que não se deixa aplainar, nem com uma chave de parafusos (assim me parece), que lhe cai duas vezes do banco, nem com a fumaça espalhada, que lhe deve incomodar os olhos.

De vez em quando, Ele levanta a cabeça, e olha para a parede do lado sul, onde há uma porta fechada, como se estivesse escutando alguma coisa. A um dado momento, Ele abre uma porta que está na parede do lado leste, e que dá para a rua. Vejo um pedaço de uma viela poeirenta. Parece que Ele está esperando alguém. Depois, volta ao trabalho. Não está triste, mas está sério. Torna a fechar a porta, e retoma o trabalho.

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Desafio: A chave de fendas não existe.

Nota: Relativamente à chave de fendas, a Maria escreve a sua incerteza. Como diz uma nota, "o parafuso e a chave de fendas não existiam na altura".

EMF 44.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

44.8 É meu desejo alternar as tuas contemplações, e as minhas conseqüentes explicações, com os ditados propriamente ditos, para aliviar o teu espírito, dando-te a bem-aventurança de ver, e também porque assim fica clara a diferença estilística entre o teu modo de compor e o meu.

Além disso, diante de tantos livros que falam de Mim, com tanto toca e retoca, muda e embeleza, estes livros se tornaram irreais, agora Eu desejo dar a quem crê em Mim, uma visão que leve à verdade do tempo da minha vida mortal. Com isso, Eu não fico diminuído, mas ao contrário, me torno maior na minha humildade, que se faz pão por vós, a fim de ensinar-vos a ser humildes e semelhantes a Mim, que fui homem como vós, trazendo Comigo, na minha veste de homem, a perfeição de um Deus. Eu devia ser vosso Modelo, e os modelos devem ser sempre perfeitos.

Não terei nas contemplações uma linha cronológica correspondente à dos Evangelhos. Tomarei os pontos que Eu achar mais úteis naquele dia para ti ou para os outros, seguindo uma linha minha de ensinamento e de bondade.

EMF 45.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

45.9 Sabes, Maria, o que estás fazendo? Sabes o que Eu estou fazendo, ao mostrar-te o Evangelho? Uma tentativa mais forte de trazer os homens a Mim. Tu tens desejado isto com ardentes orações. Eu não me limito mais à palavra. Ela os cansa e os afasta. É uma culpa, mas é assim. Recorro à visão, a visão do meu Evangelho, e a explico para torná-la mais clara e atraente.

A ti Eu te dou o conforto da visão. A todos Eu dou o modo de desejar me conhecer. Se ainda não servir, e como crianças caprichosas, jogarem fora o presente sem compreenderem o seu valor, contigo ficará o meu presente, e a eles, a minha indignação. Poderei, mais uma vez, dar-lhes aquela antiga repreensão: “Tocamos, e não dançastes; entoa­mos lamentações, e não chorastes.”

Mas, não importa. Deixemos que eles, esses inconvertíveis, acumulem sobre suas cabeças os carvões ardentes, e voltemos às ovelhinhas­, que procuram conhecer o Pastor. Eu sou o Pastor, e tu és a vara que as conduz a Mim.

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Objeção levantada: Jesus considera que a Palavra está cansada e dá as visões a Maria Valtorta

EMF 47.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.6 O valor da pureza é tal, que, como viste, satanás se preocupa, em primeiro lugar, em convencer-me a que me entregue à impureza. Ele sabe bem que a culpa da sensualidade desmantela a alma e a torna presa fácil das outras culpas. Todo o trabalho de satanás se concentrou neste ponto capital, para me vencer.

O pão, a fome, são as formas materiais que simbolizam o apetite, os apetites de que satanás procura tirar proveito para os seus fins. Bem outro era o alimento que ele me oferecia, para fazer-me cair como um bêbado aos seus pés! Depois, teria vindo a gula, o dinheiro, o poder, a idolatria, a blasfêmia, a abjuração de Lei divina. Mas o primeiro passo para conquistar-me era esse. O mesmo que usou para ferir Adão.

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Contextualização: Jesus fala de pureza, de virgindade de espírito, e regressa à sua tentação no deserto.

Desafio: Adão e Eva cometeram um pecado de luxúria (ver nota de Maria Valtorta abaixo).

Nota de Maria Valtorta
Quando Jesus fala da sensualidade que Satanás usou para atingir Adão, Maria Valtorta anota numa cópia dactilografada: "O homem, como filho de Deus, tinha sido ferido pelo orgulho e pela desobediência. O homem animal permaneceu. Foi ferido pela luxúria porque, uma vez perdida a graça, pecou como homem natural. Jesus é Deus e homem. Intocável como Deus. Por isso, só como "homem" é que pode ser tentado por Satanás.

EMF 52.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me explica o significado da frase.

– Aquele “ainda”, que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão eu não era mais o Filho sujeito à mãe, mas o Servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de “mamãe” Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

“Que é que ainda há entre Mim e ti?” Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me davas ordens, Eu obedecia. Eu te estava “sujeito”. Agora Eu sou da minha missão.

Será que Eu não disse[3] isto? “Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus.” Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a Palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com o meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

Aquele “ainda”, geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: “Tudo tens sido para Mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu Pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante Tu também, no Céu. Mas agora Eu sou de todos os homens. E sou do Pai que a eles me enviou.”

Eis o que quer dizer aquele “ainda”, pequeno e tão denso de significado.

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Objeção levantada: O "daqui em diante" não se encontra no Evangelho.

Notas da segunda edição sobre a passagem *Este doravante que muitos tradutores deixam passar em silêncio: ao traduzir as palavras que se lêem em Jo 2,4.

EMF 54.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Oh! Meus amigos! E quem é perfeito, a não ser Deus?

– Tu o és.

– Em verdade vos digo que não sou perfeito por Mim, se pensais que Eu sou um profeta. Nenhum homem é perfeito. Mas perfeito Eu sou, porque Este que vos está falando é o Verbo do Pai. Ele é parte[1] de Deus, é o seu Pensamento, que se faz Palavra. Eu tenho a Perfeição em Mim. E deveis crer que Eu sou assim, se credes ser Eu o Verbo do Pai. Contudo vós estais vendo, amigos. Eu quero ser chamado o Filho do homem[2] porque aniquilo a Mim mesmo, pondo em minhas costas todas as misérias do homem para levá-las comigo, primeiro ao meu patíbulo e depois de tê-las levado, anulá-las, mas não por as ter tido como minhas. Que peso, amigos! Mas, Eu o levo com alegria. Levá-lo é a minha alegria porque sendo o Filho da humanidade, tornarei a humanidade filha de Deus, como foi no primeiro dia.

Detalhe

Sendo parte de Deus, seu Pensamento feito Verbo, tenho em mim a perfeição. Numa nota da segunda edição, está escrito: "parte não deve ser entendida como "porção", mas como "pertença". Ao contrário do homem, que pertence a Deus não por natureza, mas por semelhança (nota 167.9), Jesus pertence a Deus por natureza: por outras palavras, ele é Deus como o Pai (ele dirá em 487.4: "Eu sou dele, parte e todo com ele"). É por isso que a sua perfeição não reside no facto de ser profeta (como disse acima), mas no facto de ser Deus-Homem. A parte humana do Homem-Deus foi completada de forma exaustiva pela sua vitória sobre as tentações (como ele próprio dirá em 80.10 e como se depreende do final da nota de 174.9). Os discursos de Jesus nos capítulos 487 e 506 sobre as duas naturezas, divina e humana, são fundamentais.

Filho do homem é o mais frequente dos títulos dados a Jesus e que Jesus se dá a si mesmo. O seu significado geral é dado em 343.4; mas o seu significado messiânico encontra-se aqui, bem como, por exemplo, em 126.3 e 603.1.