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Notas do tema

Factos sobre a vida pública de Jesus Cristo

Página 9 de 83

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EMF 52.5-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus toma um lugar à mesa do centro, com o noivo, a noiva, os parentes dos noivos e os amigos mais influentes. Os dois discípulos, por respeito ao Mestre, são convidados a sentar-se à mesma mesa.

Jesus está com as costas viradas para a parede, onde estão as grandes jarras e os aparadores.

Observo uma coisa. Exceto as respectivas mães dos esposos, e também Maria, nenhuma outra mulher está sentada àquela mesa. Todas as mulheres estão na outra mesa, viradas para a parede, fazendo um barulho como se fossem cem, e são servidas depois de terem sido servidos os esposos e os hóspedes importantes. Jesus está perto do dono da casa e tem à sua frente Maria, a qual está sentada ao lado da noiva.

O banquete começa. Eu vos asseguro que apetite não falta, nem sede. Aqueles que pouco se sobressaem são Jesus e sua mãe, a qual, além disso, fala muito pouco. Jesus fala um pouco mais. Mas, ainda que seja comedido em suas palavras, não é, no seu escasso falar, nem car­rancudo nem desdenhoso. É um homem cortês, mas não um conversador. Quando é interrogado, responde; se alguém fala com Ele, Ele se interessa, dá o seu parecer, mas depois se recolhe, como alguém habituado a meditar. Sorri, não ri nunca. E, se ouve alguma brincadeira muito leviana, faz como se não a tivesse ouvido. Maria se alimenta na contemplação do seu Jesus, e assim também João, que está na ponta da mesa, atento aos lábios do seu Mestre.

52.6 Maria nota que os serventes cochicham com o mordomo e que este está embaraçado; então, ela percebe o que é que está acontecendo de desagradável.

– Filho –ela fala baixinho, chamando a atenção de Jesus com aquela palavra–. Filho, eles não têm mais vinho.

– Mulher, o que ainda há entre Mim e ti?

Jesus, ao dizer esta frase, sorri ainda mais docemente e Maria também sorri; fazem como duas pessoas que sabem uma verdade que é para elas um alegre segredo ignorado por todos os outros.

52.7 Jesus me explica o significado da frase.

– Aquele “ainda”, que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão eu não era mais o Filho sujeito à mãe, mas o Servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de “mamãe” Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

“Que é que ainda há entre Mim e ti?” Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me davas ordens, Eu obedecia. Eu te estava “sujeito”. Agora Eu sou da minha missão.

Será que Eu não disse isto? “Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus.” Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a Palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com o meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

Aquele “ainda”, geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: “Tudo tens sido para Mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu Pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante Tu também, no Céu. Mas agora Eu sou de todos os homens. E sou do Pai que a eles me enviou.”

Eis o que quer dizer aquele “ainda”, pequeno e tão denso de significado.

52.8 Maria pede aos serventes:

– Fazei aquilo que Ele vos disser.

Maria já tinha lido nos olhos sorridentes de seu Filho o assentimento velado pelo grande ensinamento a todos os “vocacionados.”

E Jesus ordena aos serventes:

– Enchei as bilhas de água.

Vejo os serventes enchê-las com a água trazida do poço (ouço o ranger do sarilho, que leva para baixo e para cima o balde gotejante). Vejo o mordomo, com olhos de grande espanto, servir-se daquele líquido, prová-lo com atos de ainda maior espanto, saboreá-lo e falar ao dono da casa e ao noivo (eles estavam perto).

Maria está ainda olhando para o Filho e sorrindo; depois, ao receber um sorriso Dele, inclina a cabeça, enrubescendo levemente. Ela está feliz.

Pela sala passa um murmúrio, as cabeças se voltam todas para Jesus e Maria, alguns se levantam para vê-los melhor, outros vão ver as bilhas. Faz-se um grande silêncio. Depois se ergue um coro de louvores a Jesus.

Mas Jesus se levanta e diz uma palavra:

– Agradecei a Maria.

E, em seguida, sai do banquete. Os discípulos o seguem. Já na porta, Ele repete:

– A paz esteja nesta casa e a bênção de Deus sobre vós, –e acrescenta–: Mãe, Eu te saúdo.

Cessa a visão.

Detalhe

Jesus está no casamento em Caná.

EMF 52.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me explica o significado da frase.

– Aquele “ainda”, que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão eu não era mais o Filho sujeito à mãe, mas o Servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de “mamãe” Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

“Que é que ainda há entre Mim e ti?” Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me davas ordens, Eu obedecia. Eu te estava “sujeito”. Agora Eu sou da minha missão.

Será que Eu não disse[3] isto? “Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus.” Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a Palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com o meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

Aquele “ainda”, geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: “Tudo tens sido para Mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu Pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante Tu também, no Céu. Mas agora Eu sou de todos os homens. E sou do Pai que a eles me enviou.”

Eis o que quer dizer aquele “ainda”, pequeno e tão denso de significado.

Detalhe

Objeção levantada: O "daqui em diante" não se encontra no Evangelho.

Notas da segunda edição sobre a passagem *Este doravante que muitos tradutores deixam passar em silêncio: ao traduzir as palavras que se lêem em Jo 2,4.

EMF 52.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me instrui assim:

– Quando Eu disse aos discípulos: “Vamos fazer feliz minha mãe”, Eu tinha dado àquela frase um sentido mais alto do que o que parecia. Não a felicidade de me ver, mas de ser ela a iniciadora de minha atividade de fazer milagres e a primeira benfeitora da humanidade. Lembrai-vos disso sempre. O meu primeiro milagre aconteceu por causa de Maria. O primeiro. Sinal de que Maria é a chave dos milagres. Eu não recuso nada à minha mãe, e pela sua oração antecipo também o tempo da graça. Eu conheço minha mãe, a segunda em bondade depois de Deus. Eu sei que conceder-vos uma graça é fazê-la feliz, porque ela é a Toda Amor. Eis porque Eu disse, Eu que tudo sabia: “Vamos fazê-la feliz.”

Além disso, Eu quis manifestar o seu poder ao mundo, junto com o meu. Destinada a ser unida a Mim na carne — pois nós fomos uma só carne: Eu nela, e ela ao redor de Mim, como as pétalas de um lírio ao redor do pistilo perfumado e cheio de vida —; unida a Mim na dor, porque estivemos sobre a cruz: Eu com a carne e ela com seu espírito, assim como o lírio exala perfume com sua corola e com a essência extraída dela, era justo que estivesse unida a Mim no poder que se mostra ao mundo.

Digo a vós o que Eu disse àqueles convidados: “Agradecei a Maria. Foi por ela que tivestes o dom dos milagres e as minhas graças, e especialmente as do perdão.”

Repousa em paz. Nós estamos contigo.

EMF 53

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus, Tiago, João, André, Pedro, Filipe e Bartolomeu vão ao Templo. Mas é uma verdadeira feira, onde os comerciantes do Templo são usurários dos mais pobres. Um casal de idosos é maltratado por um comerciante e Jesus diz-lhes que o seu comportamento não é correto: o comerciante tem de lhes dar um cordeiro melhor. O homem não lhe dá ouvidos e Jesus, perante toda a agitação do Templo, torna-se terrível. Constrói um chicote e derruba as mesas e o dinheiro que nelas se encontrava. Os sacerdotes chegam e perguntam-lhe quem é ele e porque está a fazer aquilo. Jesus responde que é aquele que pode e que, se o verdadeiro Templo for destruído, ele levantá-lo-á. Promete que eles o conhecerão e saberão de onde ele vem. Depois, o Mestre faz um discurso no Templo, recordando as palavras do Deuteronómio. Lembra-nos que devemos ser justos com os pobres e que os sacerdotes devem ter como riqueza a pureza e a caridade, e não a riqueza puramente material. Deus Pai é a sua herança. Por fim, convida todos a segui-lo, porque chegou a hora da graça.

EMF 53.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

53.1 Vejo Jesus que vai entrando no recinto do Templo, com Pedro, André, João, Tiago, Filipe e Bartolomeu.

Há uma grande multidão, tanto dentro, como fora do Templo. Grupos de peregrinos chegam de todos os pontos da cidade. Do alto da colina, sobre a qual está construído o Templo, vêem-se as ruas da cidade, estreitas e tortas, a fervilhar de gente. Parece que por entre o branco monótono das casas tenha sido estendida uma fita movediça de mil cores. Sim. A cidade tem o aspecto de um bizarro brinquedo, feito de fitas matizadas, entre dois fios brancos, e todas convergentes até o ponto onde brilham as cúpulas da Casa do Senhor.

Mas no interior há… uma verdadeira feira. Todo recolhimento que havia no lugar santo se acabou. Uns correm, outros chamam, outros fazem negócios com seus cordeiros, gritam e imprecam por causa do preço exorbitante, enquanto outros empurram os pobres animais, que balem, para dentro dos recintos (são divisões rudimentares, feitas com cordas ou com estacas, em cuja entrada está o vendedor, ou o dono que seja, à espera dos compradores). Pauladas, balidos, blasfêmias, reclamações, insultos aos empregados não solícitos nas operações de ajuntamento e escolha dos animais e aos compradores que regateiam os preços, ou que vão-se embora. E maiores insultos àqueles que, previdentes, levaram o seu cordeiro.

Ao redor das bancas dos cambistas, outro vozerio. Compreende-se que o Templo funcionava como… Bolsa e Bolsa negra; não sei se é sempre ou só neste tempo da Páscoa. O valor das moedas não era fixo. Havia um valor legal, certamente terá havido, mas os cambistas impunham um outro, apropriando-se de um tanto, marcado arbitrariamente pelo câmbio das moedas. E eu vos asseguro que eles não brincavam nessas operações de usura! Quanto mais alguém era pobre e vinha de longe, mais era depenado. Os velhos, mais que os jovens e os provenientes de fora da Palestina, mais que os velhos.

Os pobres velhinhos olhavam e tornavam a olhar para o seu pecúlio ajuntado, Deus sabe com quanto trabalho, durante um ano inteiro; agora eles o tiravam e o recolocavam junto ao peito cem vezes, indo de um cambista a outro, e acabavam voltando ao primeiro que então se vingava da inicial desistência deles aumentando o ágio do câmbio… e então, por entre suspiros, as grandes moedas caíam das mãos de seus donos e passavam para as garras do usurário sendo trocadas por moedas menores. Depois era outra tragédia nas escolhas, nos cálculos e suspiros diante dos vendedores de cordeiros, os quais, aos velhinhos já meio cegos, impingiam os cordeiros mais míseros.

53.2 Vejo voltar dois velhinhos, ele e ela empurrando um pobre cordeirinho que deve ter sido achado defeituoso pelos sacrificadores. Pranto, súplicas, maus tratos e palavrões se cruzam, sem que o vendedor se comova.

– Pelo que estais dispostos a gastar, ó galileus, é até muito bonito o que eu vos dei. Ide embora! Ou dai-me mais cinco moedas para receberdes um mais bonito.

– Em nome de Deus! Somos pobres e velhos! Queres impedir-nos de fazer a Páscoa, que talvez seja a última para nós? Não te basta o que quiseste cobrar por um pequeno animal?

– Saí do caminho, ó sujos! Está se aproximando de mim o velho José. Ele me honra com a sua preferência. Deus esteja contigo! Vem, escolhe!

Entra no recinto aquele que é chamado o velho José, o de Arimatéia, e pega um magnífico cordeiro. Ele passa, soberbo e pomposo em suas vestes, sem olhar para os pobres que gemem à porta, aliás, na entrada do recinto. Quase choca-se com eles, especialmente quando sai com o cordeiro gordo que vai balindo.

53.3 Mas Jesus também já está perto. Também Ele já fez a sua compra; Pedro, que provavelmente foi quem fez o negócio por Ele, vem puxando um cordeiro pequeno.

Pedro queria ir logo ao lugar onde se faz o sacrifício. Mas Jesus se afasta dali indo para o seu lado direito, em direção aos dois velhi­nhos­ assustados que estão chorando, hesitantes, nos quais a multidão esbarra, e aos quais o vendedor insulta.

Jesus, que é tão alto que as cabeças dos dois velhinhos ficam à altura do seu coração, põe uma mão sobre o ombro da mulher e pergunta:

– Por que choras, mulher?

A velhinha se vira e vê este jovem alto, solene em sua bela veste branca, com um manto também branco, tudo novo e limpo. Ela deve tomá-lo por um doutor, tanto pelas vestes, como pelo aspecto; admirada, porque os doutores e sacerdotes não fazem caso do povo nem protegem o povo contra a avidez dos vendedores, ela diz a razão por que estão chorando.

Jesus se volta ao homem dos cordeiros:

– Troca este cordeiro para estes fiéis. Ele não é digno do altar, como também não é digno que tu te aproveites de dois velhinhos porque são fracos e indefesos.

– E Tu, quem és?

– Um justo.

– A tua fala e a dos teus companheiros mostram que és um galileu. Pode haver algum justo na Galiléia?

– Faz o que estou te dizendo, e sejas justo.

– Ouvi! Ouvi o galileu defensor dos seus semelhantes! Ele quer ensinar a nós no Templo!

O homem ri e zomba imitando o sotaque dos galileus, que é o sotaque judaico mais cantado e o mais rico de doçura, ao menos assim me parece. Pessoas os rodeiam e outros vendedores e cambistas tomam a defesa de seu companheiro contra Jesus.

Entre os presentes há dois ou três rabinos irônicos. Um deles pergunta:

– Tu és doutor? (de modo, capaz de fazer até Jó perder a paciência).

– Tu o disseste.

– O que é que ensinas?

– Ensino o seguinte: a fazer da Casa de Deus casa de oração e não um lugar de usura e de comércio. Isto é o que Eu ensino.

53.4 Jesus está terrível. Parece o arcanjo posto à porta do Paraíso perdido. Não tem espada flamejante na mão, mas tem raios em seus olhos­ e com eles fulmina os escarnecedores e os sacrílegos. Na mão não tem nada. Só a sua santa ira. E com esta, caminhando rápido e com imponência por entre as bancas, esparrama as moedas que estavam cuidadosamente empilhadas conforme os seus valores; vira mesas e mesinhas; tudo vai caindo, com estrondo, ao chão, entre um grande barulho de metais ricocheteando, de madeiras que se batem percutindo e gritos de ira, de susto e de aprovação. Depois, arrancando das mãos dos que cuidam dos animais, as cordas com que eles prendiam os bois, as ovelhas e cordeiros em seus lugares, faz com elas um açoite bem duro, cujos nós, que formam os laços corrediços, se transformam em flagelos. Levanta-o, gira e abaixa, sem piedade. Sim, vos asseguro: sem piedade.

Aquela saraivada imprevista golpeia cabeças e costas. Os fiéis se afastam, admirados da cena; os culpados são perseguidos até o muro externo e põem-se a correr, deixando no chão o dinheiro e atrás de si os animais grandes e pequenos, numa grande confusão de pernas, de chifres e de asas; uns correm, outros voam indo embora; mugidos, balidos, arrulhos de pombos e rolas, junto a risadas e gritos dos fiéis, que vão atrás dos usurários em fuga, superam até o lamentoso coro dos cordeiros que certamente estão sendo degolados em algum outro pátio.

53.5 Chegam correndo os sacerdotes, com os rabinos e os fariseus. Jesus está ainda no meio do pátio, de volta da sua perseguição. O açoite está ainda em sua mão.

– Quem és tu? Como tomas a liberdade de fazer isso, perturbando as cerimônias prescritas? De qual escola provéns? Nós não te conhecemos nem sabemos quem és.

– Eu sou Aquele que posso. Tudo Eu posso. Desmanchai este Templo que Eu o erguerei de novo para dar louvores a Deus. Eu não perturbo a santidade da Casa de Deus e das cerimônias, mas vós a perturbais, permitindo que sua morada se torne sede de usurários e vendedores. Minha escola é a escola de Deus. A mesma que teve todo Israel pela boca do Eterno que falava a Moisés. Vós não me conheceis? Me conhecereis. Não sabeis de onde Eu venho? Vós o sabereis.

53.6 E, voltando-se para o povo, sem dar mais atenção aos sacerdotes, alto na veste branca, com o manto aberto e flutuante nas costas, com os braços abertos como um orador no ponto mais alto do seu discurso, ele diz:

– Ouvi, ó vós de Israel! No Deuteronômio, está dito: “Tu constituirás juízes e magistrados em todas as portas… e eles julgarão o povo com justiça sem penderem para nenhum lado. Tu não terás acepção de pessoas nem aceitarás presentes, porque os presentes cegam os olhos­ dos sábios e alteram as palavras dos justos. Com justiça seguirás o que for justo, a fim de que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te tiver dado.”

Ouvi, ó vós de Israel! No Deuteronômio está dito: “Os sacerdotes e os levitas e todos aqueles da tribo de Levi não terão parte na herança com o resto de Israel, porque devem viver dos sacrifícios ao Senhor e das ofertas que a Ele são feitas; nada terão das posses dos seus irmãos, porque o Senhor é a herança deles.

Ouvi, ó vós de Israel! No Deuteronômio está dito: “Não emprestarás com juros a teu irmão, nem dinheiro nem grãos, nem qualquer outra coisa. Poderás emprestar com juros ao estrangeiro; ao teu irmão, ao invés, emprestarás sem juros aquilo de que ele precisar.”

Isto disse o Senhor.

Agora estais vendo que sem justiça para com o pobre é como se julga em Israel. Não é para aquele que é justo, mas é para o forte que se inclinam; e ser pobre, ser povo, quer dizer ser oprimido. Como pode o povo dizer: “Quem nos julga é justo”, se ele vê que só os poderosos são respeitados e ouvidos, enquanto que o pobre não tem quem o ouça? Como pode o povo respeitar o Senhor, se vê que não o respeitam aqueles que mais deviam fazê-lo? É respeito ao Senhor a violação dos seus mandamentos? Por que, então, os sacerdotes em Israel têm posses e aceitam presentes dos publicanos e dos pecadores, os quais assim fazem para terem benévolos os sacerdotes, assim como estes fazem para terem um abastado cofre?

Deus é a herança dos seus sacerdotes. Para esses Ele, o Pai de Israel é o Pai que, mais do que nunca, provê o alimento, como é justo. Mas não mais do que o justo. Ele não prometeu aos seus servos do Santuário nem bolsas nem posses. Na eternidade terão o Céu pela sua justiça, como o terão Moisés, Elias, Jacó e Abraão. Mas nesta ter­ra não devem ter senão a veste de linho e o diadema de ouro incor­ruptível: pureza e caridade; e que o corpo seja servo do espírito, que é servo do verdadeiro Deus, e não seja o corpo senhor do espírito e contra Deus.

Foi-me perguntado com que autoridade Eu faço isto. E eles, com que autoridade profanam o mandamento de Deus e permitem, à sombra dos muros sagrados, a usura contra os irmãos de Israel que aqui vêm para obedecer à ordem divina? Foi-me perguntado de que escola é que Eu venho e respondi: “Da escola de Deus.” Sim, Israel, Eu venho a ti, e te reporto a esta escola santa e imutável.

53.7 Quem quer conhecer a Luz, a Verdade, a Vida, quem quer ouvir de novo a Voz de Deus falando ao seu povo, venha a Mim. Vós seguistes Moisés, através dos desertos, ó vós de Israel. Segui-me, que Eu vos levo, através de um deserto bem mais tristonho, ao encontro da verdadeira Terra feliz. Por um mar aberto, ao comando de Deus, a essa vos levo. Levantando o meu Sinal, de todo mal Eu vos curo.

A hora da Graça chegou. Os Patriarcas a esperaram e morreram esperando-a. Predisseram-na os Profetas e morreram nesta esperança. Sonharam com ela os justos e morreram confortados por este sonho. Agora, ela surgiu.

Vinde. “O Senhor vai julgar o seu povo e fazer misericórdia aos seus servos”, como prometeu pela boca de Moisés.

O povo, apinhado ao redor de Jesus, ficou de boca aberta, escutando-o. Depois, todos comentam as palavras do novo Rabi e fazem perguntas aos seus companheiros.

Jesus se encaminha para um outro pátio separado deste por uma série de pórticos. Os amigos o seguem e a visão termina.

Detalhe

Primeira purificação do Templo.

Anotação

João 2:13-25:

Quando a Páscoa estava próxima, Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas. Fez um chicote de cordas e expulsou-os a todos do Templo, juntamente com as ovelhas e os bois; atirou para o chão o dinheiro dos cambistas, derrubou-lhes os balcões e disse aos cambistas de pombas: "Levem isto daqui. Deixem de fazer da casa do meu Pai uma casa de comércio. Os seus discípulos lembraram-se de que está escrito: O amor da vossa casa será o meu tormento.

Alguns dos judeus perguntaram-lhe: "Que sinal nos podes dar para fazermos isto? Jesus respondeu: "Destrói este santuário e em três dias eu o levantarei. Os judeus responderam: "Foram precisos quarenta e seis anos para construir este santuário e tu vais levantá-lo em três dias! Mas ele estava a falar do santuário do seu corpo. Por isso, quando ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se de que ele tinha dito isto; acreditaram nas Escrituras e nas palavras que Jesus tinha dito.

Quando ele estava em Jerusalém para a festa da Páscoa, muitos acreditaram no seu nome quando viram os sinais que ele fazia. Mas Jesus não confiava neles, porque os conhecia a todos e não precisava de nenhum testemunho sobre o homem, pois ele mesmo sabia o que havia no homem.

EMF 53.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vós não me conheceis? Me conhecereis. Não sabeis de onde Eu venho? Vós o sabereis.

Detalhe

Jesus fala aos sacerdotes após a purificação do Templo.

EMF 53.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ouvi, ó vós de Israel! No Deuteronômio, está dito[1]: “Tu constituirás juízes e magistrados em todas as portas… e eles julgarão o povo com justiça sem penderem para nenhum lado. Tu não terás acepção de pessoas nem aceitarás presentes, porque os presentes cegam os olhos­ dos sábios e alteram as palavras dos justos. Com justiça seguirás o que for justo, a fim de que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te tiver dado.”

Ouvi, ó vós de Israel! No Deuteronômio está dito: “Os sacerdotes e os levitas e todos aqueles da tribo de Levi não terão parte na herança com o resto de Israel, porque devem viver dos sacrifícios ao Senhor e das ofertas que a Ele são feitas; nada terão das posses dos seus irmãos, porque o Senhor é a herança deles.

Ouvi, ó vós de Israel! No Deuteronômio está dito: “Não emprestarás com juros a teu irmão, nem dinheiro nem grãos, nem qualquer outra coisa. Poderás emprestar com juros ao estrangeiro; ao teu irmão, ao invés, emprestarás sem juros aquilo de que ele precisar.”

Isto disse o Senhor.

Agora estais vendo que sem justiça para com o pobre é como se julga em Israel. Não é para aquele que é justo, mas é para o forte que se inclinam; e ser pobre, ser povo, quer dizer ser oprimido. Como pode o povo dizer: “Quem nos julga é justo”, se ele vê que só os poderosos são respeitados e ouvidos, enquanto que o pobre não tem quem o ouça? Como pode o povo respeitar o Senhor, se vê que não o respeitam aqueles que mais deviam fazê-lo? É respeito ao Senhor a violação dos seus mandamentos? Por que, então, os sacerdotes em Israel têm posses e aceitam presentes dos publicanos e dos pecadores, os quais assim fazem para terem benévolos os sacerdotes, assim como estes fazem para terem um abastado cofre?

Deus é a herança dos seus sacerdotes. Para esses Ele, o Pai de Israel é o Pai que, mais do que nunca, provê o alimento, como é justo. Mas não mais do que o justo. Ele não prometeu aos seus servos do Santuário nem bolsas nem posses. Na eternidade terão o Céu pela sua justiça, como o terão Moisés, Elias, Jacó e Abraão. Mas nesta ter­ra não devem ter senão a veste de linho e o diadema de ouro incor­ruptível: pureza e caridade; e que o corpo seja servo do espírito, que é servo do verdadeiro Deus, e não seja o corpo senhor do espírito e contra Deus.

Foi-me perguntado com que autoridade Eu faço isto. E eles, com que autoridade profanam o mandamento de Deus e permitem, à sombra dos muros sagrados, a usura contra os irmãos de Israel que aqui vêm para obedecer à ordem divina? Foi-me perguntado de que escola é que Eu venho e respondi: “Da escola de Deus.” Sim, Israel, Eu venho a ti, e te reporto a esta escola santa e imutável.

53.7

Quem quer conhecer a Luz, a Verdade, a Vida, quem quer ouvir de novo a Voz de Deus falando ao seu povo, venha a Mim. Vós seguistes Moisés, através dos desertos, ó vós de Israel. Segui-me, que Eu vos levo, através de um deserto bem mais tristonho, ao encontro da verdadeira Terra feliz. Por um mar aberto, ao comando de Deus, a essa vos levo. Levantando o meu Sinal, de todo mal Eu vos curo.

A hora da Graça chegou. Os Patriarcas a esperaram e morreram esperando-a. Predisseram-na os Profetas e morreram nesta esperança. Sonharam com ela os justos e morreram confortados por este sonho. Agora, ela surgiu.

Vinde. “O Senhor vai julgar o seu povo e fazer misericórdia aos seus servos”, como prometeu pela boca de Moisés.

Detalhe

Contexto: Jesus acaba de purificar o Templo pela primeira vez.

Anotação

Livro do Deuteronómio

Dt 16, 18-20 : Em todas as cidades que o Senhor, teu Deus, te der, nomearás juízes e escribas sobre as tuas tribos; eles julgarão o povo com justiça. Não te desviarás do direito, não agirás com parcialidade e não aceitarás suborno, pois o suborno cega o sábio e compromete a causa do justo. Procurarás a justiça e nada mais do que a justiça, para que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te dá.

Dt 18, 1-2: Os sacerdotes levitas, toda a tribo de Levi, não terão parte nem herança com Israel: alimentar-se-ão dos sacrifícios queimados ao Senhor e da sua herança. Esta tribo não terá herança entre os seus irmãos, mas o Senhor será a sua herança, como ele lhe disse.

Dt 23, 19-20: Nunca introduzirás na casa do Senhor teu Deus, para pagar um voto, o salário de uma prostituta ou o salário de um "cão", pois ambos são abomináveis para o Senhor teu Deus. Não emprestarás nada ao teu irmão a juros, quer se trate de dinheiro, de alimentos ou de qualquer outra coisa que possa render juros.

EMF 53.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Foi-me perguntado com que autoridade Eu faço isto. E eles, com que autoridade profanam o mandamento de Deus e permitem, à sombra dos muros sagrados, a usura contra os irmãos de Israel que aqui vêm para obedecer à ordem divina? Foi-me perguntado de que escola é que Eu venho e respondi: “Da escola de Deus.” Sim, Israel, Eu venho a ti, e te reporto a esta escola santa e imutável.

Detalhe

Jesus tinha acabado de efetuar a primeira purificação do Templo.

EMF 54.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

54.2 Um homem todo coberto está encostado ao pequeno muro rústico que sustenta um outeiro, bem perto do limite do sítio. Deve ter subido ali por um pequeno atalho que lá conduz costeando o cór­rego.

Quando vê Jesus vir em sua direção, grita:

– Para trás, para trás! Mas também piedade!

E descobre o seu tronco, deixando cair a veste. Se o rosto já está coberto de crostas, o tronco é um bordado de chagas. Algumas já reduzidas a buracos fundos, outras simplesmente como queimaduras vermelhas, outras esbranquiçadas e lúcidas como se sobre elas tivesse um vidro branco.

– És leproso! Que queres de Mim?

– Não me amaldiçoes! Não me apedrejes! Disseram-me que na outra tarde Te manifestaste como Voz de Deus e Portador da Graça. Disseram-me que Tu asseguraste que, erguendo o teu sinal, curas com ele todos os males. Ergue-o sobre mim. Eu venho dos sepulcros… lá… Eu rastejei como uma serpente por entre as sarças da beira do córrego para chegar até aqui sem ser visto. Esperei que a tarde chegasse para poder vir, porque na penumbra vê-se menos quem eu sou. Eu ousei… encontrei este, que é da casa e que é muito bom. Ele não me matou. Somente me disse: “Espera junto ao muro.” Tem piedade, Tu também!

Visto que Jesus se aproxima (sozinho, porque os seis discípulos e o dono do lugar, com os dois desconhecidos, estão longe e mostram claramente aversão) diz ainda:

– Não te adiantes mais! Não mais! Eu estou infeccionado!

Mas Jesus prossegue. Olha para ele com tanta piedade, que o homem se põe a chorar, ajoelha-se com o rosto quase ao chão e geme, dizendo:

– O teu sinal! O teu sinal!

– Ele será elevado, quando chegar a sua hora. Mas, a ti Eu digo: levanta-te! Sê curado. Eu quero. E sê tu o meu sinal nesta cidade que precisa conhecer-me. Levanta-te. Eu te digo! E não peques mais, em reconhecimento a Deus!

O homem se levanta devagar. Parece que ele emerge por entre as ervas altas e floridas como de um lençol do túmulo… e está curado. Ele se olha, aos últimos raios da luz do dia. Está mesmo curado. E grita:

– Eu estou limpo! Oh! Que é que devo fazer agora por Ti?

– Obedecer a Lei. Vai ao sacerdote. Sê bom daqui em diante. Vai.

O homem faz um movimento para se jogar aos pés de Jesus, mas ele se lembra de que ainda está impuro, segundo a Lei, e se detém. Mas ele beija suas próprias mãos e manda o beijo a Jesus e chora. De alegria.

54.3 Os outros estão imobilizados, como que petrificados. Jesus volta as costas ao curado e, sorrindo, os faz voltarem a si.

– Amigos, não era mais que uma lepra da carne. Mas vós vereis cair a lepra dos corações.

Detalhe

Cura da lepra de Simão, o Zelote. Estavam presentes seis discípulos: João e Tiago de Zebedeu, Pedro e André, Filipe e Natanael.