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Notas do tema

Factos sobre a vida pública de Jesus Cristo

Página 77 de 83

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EMF 214.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Aquela mulher de Betsur ficou quase doida, por causa da morte de seus filhos, não foi? Mas eu te juro que, às vezes, pensei e penso, quando olho para o meu Judas belo, sadio, inteligente, mas não bom, não virtuoso, não direito de espírito, não sadio em seus sentimentos, que eu preferiria chorá-lo morto, a sabê-lo… a sabê-lo muito desagradável a Deus. Tu, então, dize-me: Que pensas do meu filho? Sê sincera. Há mais de um ano que esta pergunta me vem queimando o coração. Mas, fazer eu esta pergunta a quem? Aos moradores da cidade? Eles não sabiam ainda que o Messias estava na terra e que Judas queria andar na companhia dele. Eu sabia disso. Ele o havia dito, quando veio aqui depois da Páscoa, exaltado, violento como sempre, quando se apodera dele algum capricho e, como sempre, desprezando os conselhos de sua mãe. Perguntar aos amigos dele de Jerusalém? Uma santa prudência e uma piedosa esperança me detinham de fazer isso. Eu não queria dizer a eles, aos quais não posso amar, porque tudo eles são, menos santos, o seguinte: “Judas está acompanhando o Messias.” E eu esperava que aquele capricho acabasse, como muitos outros, como todos os outros, custando talvez lágrimas e desolações como por mais de uma mocinha que, aqui e em outros lugares ele namorou, pensando em si só e depois jamais tomou por esposa.

Não sabes que há lugares aonde ele não vai mais, porque poderia encontrar lá um justo castigo? Também ser ele do Templo foi um capricho dele. Ele não sabe o que quer. Nunca. O pai dele, Deus lhe perdoe, o estragou. Eu nunca tive voz, diante dos dois homens da minha casa. Eu só tive que chorar, e viver com humilhações de toda sorte… Quando Joana morreu — e, ainda que ninguém o dissesse, eu sei que ela morreu de dor, quando, depois de ter esperado durante toda a sua juventude, Judas declarou que ele não queria mulher, ao passo que depois ficou sabido que ele tinha mandado amigos a Jerusalém para perguntarem a uma mulher rica, e que possuía empórios até Chipre para sua filha — eu tive que chorar muito, muito, por causa das censuras da mãe da mocinha morta, como se eu fosse cúmplice do meu filho. Não. Eu não sou. Mas eu nem sou nada para ele.

EMF 215.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ouço também que estão falando da nova excursão que vão fazer, indo para as férteis planícies, que ficam perto da beira-mar. Os nomes das glórias passadas vêm à tona, relembram-se histórias, fazem-se perguntas, dão-se explicações e travam-se discussões pacíficas.

– Quando estivermos no cume deste monte, Eu vos mostrarei lá do alto todas as regiões que vos interessam. Delas podereis tirar pensamentos para as palavras que ireis dizer ao povo.

– Mas, como haveremos de fazer isso, Senhor? Eu não sou bom para isso –geme André, e a ele se associam Pedro e Tiago–. Nós somos os mais incapazes!

– Oh! Para isso eu também não sou melhor. Se fosse de ouro e prata, eu poderia falar, mas destas coisas… –diz Tomé.

– E eu? quem era eu? –pergunta Mateus.

– Mas tu não tens medo do publico, tu sabes discutir –replica André.

– Mas é sobre outros assuntos –responde Mateus.

– Ah! Isso é!… Mas… Afinal tu já sabes o que eu quero dizer, e faze de conta que eu já tenha dito. A verdade é que tu vales mais do que nós –diz Pedro.

– Mas, meus caros, não há necessidade de tratar de coisas muito altas. Dizei simplesmente aquilo que pensais, mas com a vossa convicção. Podeis crer que, quando alguém fala com convicção, persuade sempre –diz Jesus.

E Judas de Keriot suplica:

– Dá-nos, Tu, muitas dicas. Pois uma ideia bem sugerida pode servir para muitas coisas. Estes lugares ficaram sem nenhuma palavra a respeito de Ti, penso eu. Porque ninguém aqui dá sinais de conhecer-te.

– É porque por aqui passa muito aquele vento que vem do monte Moriá…Ele produz esterilidade –responde Pedro.

– É porque aqui ainda não se semeou nada. Mas nós semearemos –retruca Iscariotes, seguro, sentindo-se feliz com seus primeiros bons êxitos.

Detalhe

O grupo apostólico discute em conjunto.

Anotação

«Estes lugares, creio eu, continuam sem saber nada sobre ti porque ninguém dá a entender que te conhece.

– É porque aqui ainda sopra muito vento que vem do monte Moriah… Ora, esse vento seca tudo…» responde Pedro.

O Monte Moriah é aquele do Templo de Jerusalém. Pedro usa esta imagem para dizer que as pessoas do Templo alertam os habitantes da região contra Jesus.

EMF 215.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

É o Messias prometido. E eu vos conjuro, para o vosso bem: ouvi-o! Vós falastes no Batista. Pois bem, eu fui um discípulo dele, e foi ele quem nos mostrou Jesus, quando ia passando, e nos disse: “Ali está o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo.” E, quando Jesus desceu para ser batizado no Jordão, abriram-se os céus e uma Voz gritou: “Este é o meu Filho amado, no qual ponho as minhas complacências”, e o Amor de Deus desceu sobre a cabeça dele, brilhando, sob a forma de uma pomba.

Detalhe

O André fala sobre o batismo de Jesus.

Anotação

Sobre o batismo de Jesus: Ver EMV 45.

EMF 215.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ele é o nosso Mestre, é o Santo dos santos. O seu dia é passado nos trabalhos do ensinamento. Incansável, Ele vai de lugar em lugar, procurando os corações. Ele passa a noite rezando por vós. Não despreza a mesa e a amizade, mas não para a sua própria vantagem e sim, para fazer que se aproximem os que de outro modo não o fariam. Ele não rejeita os publicanos nem as meretrizes. Mas somente para redimi-los. Ele marca o seu caminho com milagres de redenção e milagres sobre as doenças. A Ele obedecem os ventos e o mar. Mas não precisa de ninguém para operar prodígios, nem de evocar espíritos para conhecer os corações.

EMF 215.5-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

« E agora estamos entrando em Betgina. Tu, tu mesmo, Filipe, que estás olhando para Mim com esses olhos suplicantes, tu irás com André pelo povoado. Enquanto vós ides, nós permanecemos junto à fonte ou na praça do povoado.

– Oh! Senhor! Não nos mandes sozinhos. Vem, Tu, conosco! –pedem-lhe os dois.

– Ide, Eu mandei. A obediência vos ajudará mais do que a minha presença.

215.3

… E então, Filipe e André lá se vão, ao acaso, pelo povoado, até encontrarem um pequeno albergue, mais uma estrebaria do que um albergue, e lá dentro estão intermediários, fazendo negócios de cordeiros com alguns pastores. Eles entram e param desorientados no meio do pátio rodeado de pórticos muito rústicos.

Aproxima-se deles o albergador:

– Que desejais? Alojamento?

Os dois se consultam com um olhar, um olhar muito desconfiado. Muito provavelmente deve ter acontecido que, de tudo o que haviam combinado dizer, não encontram mais nenhuma palavra. Mas é o próprio André quem se lembra primeiro, e responde:

– Sim, alojamento para nós e para o Rabi de Israel.

– Qual rabi? Há tantos rabis. Mas são muito senhores. Eles não vêm aos povoados dos pobres, para trazerem sua sabedoria aos pobres. São os pobres que devem ir a eles, e ainda é um favor, quando nos suportam perto deles!

– O Rabi de Israel é um só. Ele vem justamente para trazer a Boa Nova aos pobres e, quanto mais pobres e pecadores forem, tanto mais Ele os procura e se aproxima deles –responde docemente André.

– Mas então não vai amealhar dinheiro.

– Não vai à procura de riquezas. É pobre e bom. Considera cheio o dia em que consegue salvar uma alma –responde ainda André.

– Hum! É a primeira vez que eu ouço dizer que um rabi é bom e pobre. O Batista é pobre, mas é severo. Todos os outros são severos e ricos, ávidos como umas sanguessugas. Vós ouvistes? Vinde aqui vós que andais pelo mundo. Estes homens estão dizendo que há um Mestre pobre e bom, que vem à procura dos pobres e dos pecadores.

– Ah! Deve ser aquele que se veste de branco como um essênio. Eu já o vi, faz algum tempo, em Jericó –diz um dos intermediários.

– Não. Aquele é sozinho. Deve ser aquele de quem falava Tomé, porque, por acaso, ouviu falar dele com os pastores do Líbano –responde um pastor alto e musculoso.

– Sim! Com certeza! E ainda vem até aqui, ele que estava no Líbano! Por estes teus olhos de gato! –exclama outro.

Enquanto o albergador fala com os seus clientes e os escuta, os dois apóstolos ficaram lá, no meio do pátio, como duas estacas.

215.4

Mas, afinal, um homem diz:

– Ei! Vós, Vinde aqui. Quem é? De onde vem esse que vós dizeis?

– É Jesus de José, de Nazaré –diz sério, Filipe, e fica como quem espera ser escarnecido.

Mas André acrescenta:

– É o Messias prometido. E eu vos conjuro, para o vosso bem: ouvi-o! Vós falastes no Batista. Pois bem, eu fui um discípulo dele, e foi ele quem nos mostrou Jesus, quando ia passando, e nos disse: “Ali está o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo.” E, quando Jesus desceu para ser batizado no Jordão, abriram-se os céus e uma Voz gritou: “Este é o meu Filho amado, no qual ponho as minhas complacências”, e o Amor de Deus desceu sobre a cabeça dele, brilhando, sob a forma de uma pomba.

– Estás vendo? É o Nazareno mesmo! Mas, dizei-me uma coisa, vós que vos dizeis amigos dele…

– Amigos, não: apóstolos, discípulos é o que somos, e mandados por Ele para anunciar sua chegada a fim de que, quem precisa de salvação vá a Ele –corrige André.

– Está bem. Mas, dizei-me uma coisa. Ele é mesmo como alguns dizem, um santo, e mais santo que o Batista, ou é um demônio, como dizem uns outros? Vós, que aqui estais juntos, se sois discípulos dele, não deveríeis estar todos juntos? Dizei porque e com sinceridade. É verdade que Ele é um dissoluto e um beberrão? Que ama as meretrizes e os publicanos? Que Ele é um nigromante e que, durante a noite, evoca os espíritos para saber os segredos corações?

– Mas, por que perguntas isto a estes homens? –pergunta se é verdade que Ele é bom. Estes dois poderão levar a mal e, quando forem embora, irão dizer ao Rabi os nossos maus juízos e seremos amaldiçoados por Ele. Nunca se sabe!… Seja Deus ou o diabo que Ele seja, é melhor tratá-lo bem.

Agora é Filipe que fala:

– Nós vos podemos responder com sinceridade, porque não há nada de feio a esconder. Ele é o nosso Mestre, é o Santo dos santos. O seu dia é passado nos trabalhos do ensinamento. Incansável, Ele vai de lugar em lugar, procurando os corações. Ele passa a noite rezando por vós. Não despreza a mesa e a amizade, mas não para a sua própria vantagem e sim, para fazer que se aproximem os que de outro modo não o fariam. Ele não rejeita os publicanos nem as meretrizes. Mas somente para redimi-los. Ele marca o seu caminho com milagres de redenção e milagres sobre as doenças. A Ele obedecem os ventos e o mar. Mas não precisa de ninguém para operar prodígios, nem de evocar espíritos para conhecer os corações.

– E como pode? Tu disseste que os ventos e o mar lhe obedecem? Mas eles são coisas sem entendimento. Como pode dar ordens a eles? –pergunta o albergador.

– Responde-me, homem: no teu parecer, é mais difícil dar ordens ao vento e ao mar, ou à morte?

– Por Javé! Mas à morte não se dão ordens! No mar se pode jogar azeite, pode-se usar contra ele as velas, pode-se, se tiver juízo, não querer andar sobre ele. Ao vento se podem opor as fechaduras das portas. Mas à morte não se dão ordens. Não há azeite que a acalme. Não há vela que, colocada em nosso barquinho, faça que ele fique tão rápido, que possa escapar da morte. E para ela não existem fechaduras. Quando ela quer vir passa, mesmo se usarmos ferrolhos. E ninguém dá ordens a esta rainha!

– E, no entanto, o mestre lhe dá ordens. Não somente quando ela já está perto. Mas até também quando ela já pegou alguém. Um moço de Naim já estava para ser entregue à boca horrível do sepulcro e Ele disse: “Eu te digo: levanta-te!”, e o jovem voltou à vida. Naim não fica nos confins do mundo. Vós podeis ir lá e ver.

– Mas assim, na presença de todos?

– Sobre a estrada, na presença de toda Naim.

215.5

O albergador e seus clientes olham um para o outro, em silêncio. Depois o albergador diz:

– Não será só para os amigos que Ele faz aquelas coisas?

– Não, homem. Para todos os que crêem nele, e não só para eles. Ele é a Piedade sobre a terra. Ninguém se dirige a Ele sem receber nada. Ouvi, todos vós. Não há entre vós alguém que esteja sofrendo e chorando por doenças na família, por problemas, por remorsos, tentações, ignorâncias? Ide a Ele, o Messias da Boa Nova. Ele está aqui hoje. Amanhã estará noutro lugar. Não deixeis passar, sem vos aproveitardes dela, a Graça do Senhor que passa, diz Filipe, que foi ficando cada vez mais convincente.

O albergador desgrenha os cabelos, abre e fecha a boca, aperta as franjas da cintura… e, finalmente, diz:

– Eu vou experimentar!… Eu tenho uma filha. Até o verão passado, ela estava bem. Depois, tornou-se lunática. Vive como uma fera muda em um canto, fica sempre lá e com dificuldade é que a mãe a pode vestir ou pôr-lhe comida na boca. Os médicos dizem que o cérebro dela se queimou por ter tomado sol demais, e outros dizem que foi por algum amor contrariado. O povo acha que ela está endemoninhada. Mas como, se ela é uma jovenzinha que quase não saiu daqui? Onde foi que esse demônio a pegou? Que diz sobre isso o teu Mestre? Que o demônio pode pegar até um inocente?

Filipe lhe responde com segurança:

– Sim, para atormentar os parentes e levá-los ao desespero.

– E… Ele cura os lunáticos? Poderei esperar isso?

– Deves crer –diz prontamente André.

E conta o milagre dos gerasenos, depois termina:

– Se os que eram uma legião nos corações dos pecadores, tiveram que fugir assim, como não haverá de fugir o que penetrou à força no coração de uma jovenzinha? Eu te digo, homem: para quem espera nele, o impossível se torna fácil como o respirar. Eu vi as obras do meu Senhor e dou testemunho do seu poder.

– Oh! Então, quem de vós pode ir chamá-lo?

– Eu mesmo, homem. Espera-me daqui a pouco.

E André vai sem demora, enquanto Filipe fica falando.

215.6

Quando André vê Jesus, parado debaixo de um alpendre para proteger-se do sol implacável, que enche a pequena praça do povoado, corre ao encontro dele, e lhe diz:

– Vem, vem, Mestre. A filha do albergador é lunática. O pai te pede que a cures.

– Mas ele me conhecia?

– Não, Mestre. Nós procuramos fazer que te conhecesse…

– E o conseguistes. Quando alguém chega a crer que Eu possa curar um mal sem precisar de remédio, já está adiantado na fé. E vós tendes medo de não saber fazer. Que foi que dissestes?

– Eu nem saberia te dizer. Nós dissemos o que pensamos de Ti e de tuas obras. Sobretudo, dissemos que Tu és o Amor e a Piedade. O mundo te conhece tão mal!

– Mas vós me conheceis bem. É o que basta.

215.7

Chegaram ao pequeno albergue. Todos os clientes estão à porta, cheios de curiosidade, e no meio, com Filipe, está o albergador, que continua a falar consigo mesmo.

Quando ele vê Jesus, corre ao encontro dele, dizendo:

– Mestre, Senhor, Jesus… eu…eu creio, eu creio tanto que Tu és Tu, que sabes tudo, que tudo vês, que tudo conheces, que tudo podes e tanto eu creio, que te digo: Tem piedade da minha filha, ainda que eu tenha muitas culpas no meu coração. Que não caia sobre a minha filha o castigo por ter sido eu desonesto na minha profissão. Mas juro que não serei mais avarento. Tu estás vendo o meu coração com o seu passado e com o pensamento que agora tem. Perdão e piedade, Mestre, e eu falarei de Ti a todos os que vierem até à minha casa.

O homem está de joelhos.

Jesus lhe diz:

– Levanta-te, e persevera nos sentimentos de agora. Leva-me à tua filha.

– É uma estrebaria, Senhor. O mormaço faz que ela fique ainda mais doente. E ela não quer sair.

– Não importa. Eu irei até onde ela está. Não é o mormaço. É que o demônio percebe que Eu estou chegando.

Entram no pátio e dele passam para uma estrebaria escura e todos vão atrás. A moça, despenteada, muito magra, está se agitando no canto mais escuro e, logo que vê Jesus, grita:

– Para trás, para trás! Não me venhas perturbar. Tu és o Cristo do Senhor e eu um dos golpeados por Ti. Deixa-me sossegado. Por que sempre vens atrás de meus passos?

– Sai dela. Vai-te embora. Eu o quero. Entrega a Deus a tua presa e cala-te!

Um urro dilacerante, um pulo e o relaxar-se de um corpo sobre a palha… e depois se ouvem, calmas, tristes, admiradas, as perguntas: “Onde é que estou? Por que é que estou aqui? Quem são estas pessoas?” e depois esta invocação “Mamãe” da jovem que se sente envergonhada por estar sem véu e com uma veste rasgada, diante da vista de muitos olhos estranhos.

– Oh! Senhor Eterno! Mas ela está curada!…

E, coisa estranha de ver-se no rubicundo e corado albergador, um pranto de menino… Ele está feliz, e chora sem saber de nada mais, a não ser beijar as mãos de Jesus, enquanto a mãe chora, no meio de uma coroa de filhos assombrados, e beija a sua primogênita, que ficou livre do demônio.

Os presentes estão todos num vozear e outros estão chegando para ver o prodígio. O curral está cheio.

– Fica conosco, Senhor. A tarde está chegando. Permanece debaixo do meu teto.

– Homem, nós somos treze.

– Ainda que fôsseis trezentos, não faria mal. Eu sei o que queres dizer. Mas o Samuel, avarento e desonesto, morreu, Senhor. Foi-se embora também o meu demônio. Agora, aqui está um novo Samuel. Continuará a ser o albergador. Mas como um santo. Vem, vem comigo, para que eu te honre como a um rei, como a um deus. Pois Tu o és. Oh! Bendito seja o sol de hoje que te trouxe a mim.

Anotação

Mencionou João Batista. Pois bem, eu estava com ele e foi ele quem nos indicou Jesus, que passava por ali, dizendo: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo.» » Quando Jesus desceu ao Jordão para ali ser batizado, os Céus abriram-se e uma voz clamou: «Eis o meu Filho amado, em quem me complaci», e o amor de Deus desceu na forma de uma pomba para resplandecer sobre a sua cabeça. Cf. EMV 45.

Estavam prestes a colocar um jovem de Naim na horrível boca do túmulo, quando Ele ordenou: «Digo-te: levanta-te!», e o jovem voltou à vida. Naim não fica no fim do mundo. Podem ir ver. Cf. EMV 189.

Conta-se então o milagre dos gerasenos. Cf. EMV 186 ou a palavra-chave «os possuídos de Gerasa».

EMF 215.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ouvi, todos vós. Não há entre vós alguém que esteja sofrendo e chorando por doenças na família, por problemas, por remorsos, tentações, ignorâncias? Ide a Ele, o Messias da Boa Nova. Ele está aqui hoje. Amanhã estará noutro lugar. Não deixeis passar, sem vos aproveitardes dela, a Graça do Senhor que passa, diz Filipe, que foi ficando cada vez mais convincente.

EMF 216.2-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus vai, pois, pelo meio das messes. O dia está quente. A região, deserta. Não se vê um homem pelos campos. Só espigas maduras e árvores aqui e ali. Sol, grãos, passarinhos, lagartixas, moitas verdes, com as folhas imóveis no ar tranquilo: isto é o que eu vejo ao redor de Jesus. Para os lados das duas extremidades da estrada mestra, que Jesus vai percorrendo, e que é como uma fita poeirenta e deslumbrante, por entre o ondular dos trigais, há de um lado um pequeno povoado e do outro uma fazenda. Nada mais.

Todos vão andando em silêncio, sob o intenso calor. Eles tiraram seus mantos, mas certamente ainda estão sentindo calor como antes, pois estão com roupas de lã, ainda que leves. Só Jesus, os dois primos e Judas Iscariotes é que estão vestidos de linho branco ou cânhamo. Com certeza, a veste de Jesus e a de Iscariotes são de linho branco. As outras, dos filhos de Alfeu, pela sua espessura me parecem mais pesadas do que as de linho e são tingidas com uma cor de marfim carregada, justamente como a que tem o cânhamo, quando não alvejado. Os outros vão como de costume, enxugando o suor com o pano de linho, que lhes serve de véu para a cabeça.

Chegam a um pequeno grupo de árvores, em uma encruzilhada. Param debaixo daquela sombra e, com avidez, bebem de seus odres.

– Está quente, como se tivesse sido tirada do fogo –resmunga Pedro.

– Se aqui houvesse pelo menos um riacho. Mas nada, nada! –suspira Bartolomeu–. Daqui a pouco, não tenho mais nada.

– Estou quase dizendo que é melhor a montanha –geme Tiago de Zebedeu, congestionado pelo calor.

– Melhor do que tudo é a barca. Fresca, cômoda, limpa ah!

O coração de Pedro se lembra do seu lago e de sua barca.

– Todos vós tendes razão. Mas os pecadores estão tanto na montanha, como na planície. Se não nos tivessem expulsado de Águas Belas, e nos perseguido, vindo atrás de nós, Eu teria vindo aqui entre os meses de Tebet e Shebat. Mas, logo estaremos andando ao longo da beira-mar. Lá o ar é temperado pelo vento do largo –anima-os Jesus.

– Eh! Precisamos disso. Aqui estamos parecendo uns peixes que estão morrendo. Mas, como fazem os trigais para estarem tão bonitos, se não há água? –pergunta Pedro.

– Por aqui há águas subterrâneas. Elas conservam úmido o terreno –explica Jesus.

– Melhor seria que estivessem do lado de cima, do que no de baixo. Que vou fazer com elas, se estão debaixo da terra? Eu não sou uma raiz! –diz o impetuoso Pedro, enquanto todos se riem.

Mas depois Judas Tadeu fica sério, e diz:

– É egoísta o solo, como o são os ânimos e é árido também. Se nos tivessem deixado parar naquele lugar e passar lá o sábado, teríamos sombra, água e repouso. Mas eles nos expulsaram…

– Até alimento teríamos tido. Mas nem isto. Eu estou com fome. Se aqui houvesse frutas. Mas as árvores frutíferas estão perto das casas. E quem é que vai até elas? Se todos forem do mesmo humor que aqueles de lá… –diz Tomé, acenando para o povoado que deixaram atrás, a leste.

– Toma o meu alimento. Eu nunca tenho muita fome –diz Zelotes.

– Tomai também o meu –diz Jesus–. Quem estiver com mais fome, coma.

Mas, tendo sido postos juntos os alimentos de Jesus, de Zelotes e de Natanael, vê-se que dão uma pequena quantidade e os olhos assustados de Tomé e também os dos jovens, estão dizendo isso. Mas eles se calam, e vão pondo na boca os pequeninos pedaços.

Zelotes, com paciência, vai até um ponto, onde uma parte verde sobre o terreno queimado faz pensar que lá haja umidade. E, de fato, no fundo do leito seco de um rio, há ainda um fio d’água, que em breve está para desaparecer. Zelotes dá um grito para os que estão longe, a fim de que eles vão àquele refrigério, e lá se vão todos, correndo, passando pela sombra descontinua das árvores crescidas à margem do fio d’água, que já está quase enxuto, e lá eles podem refrescar os pés poeirentos, lavar o rosto suado e, mesmo antes de encher seus odres já vazios e deixá-los depois dentro d’água, na parte em que está sombreada, para conservar a água fresca. Assentam-se depois aos pés de uma árvore e, cansados, põem-se a cochilar.

216.3

Jesus olha para eles com amor e compaixão e meneia a cabeça

Surpreende-o nessa atitude, Zelotes, o qual tinha ido beber mais uma vez e pergunta-lhe:

– Que tens, Mestre?

Jesus se levanta, vai até Zelotes e, passando o braço ao redor dele, o vai levando consigo até debaixo de uma outra árvore, e lhe diz:

– Que Eu tenho? Estou aflito por causa do vosso cansaço. Se Eu não soubesse o que estou fazendo de vós, não teria mais paz, por vos estar dando tantos incômodos.

– Incômodos? Não, Mestre! É a nossa alegria! Tudo perde o valor, quando viemos contigo. Estamos todos felizes, podes crer. Ninguém está com saudades, ninguém…

– Cala-te, Simão. A humanidade até nos bons reclama. E, humanamente falando, não deixais de ter razão de reclamar. Eu vos tirei de vossas casas, de vossas famílias, dos vossos negócios, e vós viestes, pensando que acompanhar-me seria uma coisa bem diferente…Mas a vossa reclamação de agora, a vossa reclamação interior, se acalmará um dia e só então compreendereis que terá sido bom ter andado no meio das neblinas e do barro, no meio da poeira e ao calor do sol, perseguidos, cheios de sede, cansados, sem alimento, atrás de um Mestre perseguido, desamado, caluniado…e mais coisas ainda. Tudo, então vos irá parecer belo! Porque, então, pensareis de um outro modo e vereis tudo esclarecido por outra luz. E me bendireis por vos ter conduzido pelo meu caminho difícil…

– Estás triste, Mestre. E o mundo pode justificar a tua tristeza. Mas, nós não. Nós estamos todos contentes…

– Todos? Tens certeza disso?

– Pensas tu em outra coisa?

– Sim, Simão. Em outra coisa. Tu estás sempre contente. Tu compreendeste. Muitos outros, não. Estás vendo aqueles que estão dormindo? Sabes quantos pensamentos eles estão esgaravatando, até durante o sono? E também todos aqueles que estão entre os discípulos? Crês tu que eles são fiéis, até tudo se consumar?

Olha: vamos jogar aquela velha brincadeira, que certamente já brincaste, tu também, quando eras menino (e Jesus apanha uma flor seca de dente-de-leão, bem redonda, de um pé que se ergue por entre as pedras, e que já ficou completamente maduro. Leva-a delicadamente até perto da boca, sopra-a, e a flor se desmancha em minúsculos para-quedas, que ficam voando pelo ar, vagueando, cada um com o seu guarda-sol para cima, e a prumo, preso por um pequenino cabo.) Estás vendo? Olha… Quantos são os que tornaram a cair em meus braços, como se estivessem enamorados de Mim? Podes contá-los… São vinte e três. Eles eram pelo menos três vezes mais. E os outros? Olha. Uns ainda estão vagueando, outros já caíram por serem mais pesados, outros sobem, porque são orgulhosos com seus penachos de prata, outros caem na lama, que nós fizemos com os nossos odres, Somente… Olha, olha… Até dos vinte e três, que estavam sobre os meus joelhos, sete lá se foram. Bastou aquele zangão chegar até aqui com o seu vôo, para fazê-los sair voando também!… O que eles temiam? Ou por quem é que foram seduzidos? Talvez pelo ferrão, ou pelas belas cores pretas e amarelas, ou pela garbosa aparência, pelas asas iridescentes… Eles lá se foram… Lá se foram, atrás de alguma beleza mentirosa… Simão, assim vai acontecer com os meus discípulos. Uns, por serem irrequietos, outros, por inconstância, outros por pesadume, outros por orgulho, outros por leviandade, outros porque gostam da lama, outros por medo ou por ingenuidade ir-se-ão embora. Crês tu que todos aqueles que agora me dizem “Eu vou contigo”, que Eu os encontrarei a meu lado, na hora decisiva da minha missão? Eram certamente mais de setenta os penachinhos da flor seca de dente-de-leão, que o Pai criou para Mim… e agora em meus braços há só sete, porque os outros lá se foram, levados por esta onda de vento, que fez dizer sim aos pedúnculos mais leves. Assim vai ser. E fico pensando nas lutas que há em vós para que me sejais fiéis.

216.4

Vem aqui, Simão. Vamos ali olhar aquelas libélulas, que estão dançando a flor d’água. A não ser que prefiras ir descansar.

– Não, Mestre. As tuas palavras me entristecem. Mas eu espero que o leproso curado, o homem perseguido, ao qual Tu deste a reabilitação, o solitário ao qual tu deste uma companhia, o necessitado de afeto ao qual abriste o Céu e o mundo, a fim de que ele encontrasse e desse amor, não te abandonarão…

Detalhe

André, Filipe, Tiago, filho de Alfeu, Judas e João não falam neste episódio, mas estão presentes ao longo de todo o capítulo. Os apóstolos queixam-se do calor, da sede e da fome, e Jesus acaba por explicar que um dia ficarão felizes por terem vivido este período; depois, conta a parábola do dente-de-leão para falar da infidelidade dos discípulos. Simão, o Zelote, tem um papel de destaque, uma vez que é ele quem dialoga com Cristo.

Anotação

Se não nos tivessem expulsado da Belle Eau e se não estivessem sempre no nosso encalço, eu teria vindo para cá entre Tébet e Shebat. No início de janeiro. Os discípulos expulsos da «Belle Eau», uma propriedade de Lázaro nas margens do Jordão; cf. EMV 133.5-7, quando os apóstolos tomam conhecimento da ameaça. São expulsos no EMV 137, especialmente no EMV 137.5.

EMF 216.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estás vendo aqueles que estão dormindo? Sabes quantos pensamentos eles estão esgaravatando, até durante o sono? E também todos aqueles que estão entre os discípulos? Crês tu que eles são fiéis, até tudo se consumar?

Olha: vamos jogar aquela velha brincadeira, que certamente já brincaste, tu também, quando eras menino (e Jesus apanha uma flor seca de dente-de-leão, bem redonda, de um pé que se ergue por entre as pedras, e que já ficou completamente maduro. Leva-a delicadamente até perto da boca, sopra-a, e a flor se desmancha em minúsculos para-quedas, que ficam voando pelo ar, vagueando, cada um com o seu guarda-sol para cima, e a prumo, preso por um pequenino cabo.) Estás vendo? Olha… Quantos são os que tornaram a cair em meus braços, como se estivessem enamorados de Mim? Podes contá-los… São vinte e três. Eles eram pelo menos três vezes mais. E os outros? Olha. Uns ainda estão vagueando, outros já caíram por serem mais pesados, outros sobem, porque são orgulhosos com seus penachos de prata, outros caem na lama, que nós fizemos com os nossos odres, Somente… Olha, olha… Até dos vinte e três, que estavam sobre os meus joelhos, sete lá se foram. Bastou aquele zangão chegar até aqui com o seu vôo, para fazê-los sair voando também!… O que eles temiam? Ou por quem é que foram seduzidos? Talvez pelo ferrão, ou pelas belas cores pretas e amarelas, ou pela garbosa aparência, pelas asas iridescentes… Eles lá se foram… Lá se foram, atrás de alguma beleza mentirosa… Simão, assim vai acontecer com os meus discípulos. Uns, por serem irrequietos, outros, por inconstância, outros por pesadume, outros por orgulho, outros por leviandade, outros porque gostam da lama, outros por medo ou por ingenuidade ir-se-ão embora. Crês tu que todos aqueles que agora me dizem “Eu vou contigo”, que Eu os encontrarei a meu lado, na hora decisiva da minha missão? Eram certamente mais de setenta os penachinhos da flor seca de dente-de-leão, que o Pai criou para Mim… e agora em meus braços há só sete, porque os outros lá se foram, levados por esta onda de vento, que fez dizer sim aos pedúnculos mais leves. Assim vai ser. E fico pensando nas lutas que há em vós para que me sejais fiéis.

Detalhe

Simão, o Zelote, afirma que todos os apóstolos estão contentes por seguirem Jesus, mesmo que passem fome, tenham sede e sejam rejeitados. Mas Jesus afirma que não é assim.

EMF 217.1-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ainda estão no mesmo lugar, mas o sol está menos implacável, porque o fim do dia se aproxima.

– Precisamos andar para chegarmos àquela casa –diz Jesus.

E lá se vão. Afinal, chegam à casa. Pedem pão e alguma coisa para restaurarem as forças. Mas o feitor os rechaça duramente.

– Raça de filisteus! Víboras! São sempre os mesmos! Nasceram daquele tronco e dão frutos venenosos –resmungam os discípulos, esfomeados e cansados–. Que vos seja dado o que nos dais.

– Mas, por que faltais com a caridade? Não estamos mais no tempo do talião. Vinde para a frente. Ainda não é noite e não estais morrendo de fome. Um pouco de sacrifício, para que estas almas cheguem a ter fome de Mim –anima-os Jesus.

Os discípulos, porém, e eu acho que mais por despeito, do que por uma fome insuportável, entram por um campo adentro e põem-se a colher espigas e as debulharem com as palmas das mãos, e começam a comê-las.

– São boas, Mestre –grita Pedro–. Não vais apanhar delas? Além disso, elas têm um duplo sabor… Eu quereria comer um campo inteiro cheio delas.

– Tens razão. Assim eles se arrependeriam de não nos terem dado pão –dizem os outros, e vão caminhando pelo meio das espigas e comendo à vontade.

Jesus vai caminhando sozinho pela estrada poeirenta. Uns cinco ou seis metros atrás, estão Zelotes com Bartolomeu, e vão falando um com o outro.

217.2

Em uma outra encruzilhada, onde uma estrada secundária atravessa a estrada mestra, lá está, parado naquele ponto, um grupo de carrancudos fariseus, que certamente estão de volta das funções do sábado, das quais eles participam no lugarejo que se vê lá no fundo da estrada secundária, um lugar largo e plano, como se fosse um grande animal escondido em sua toca.

Jesus os vê, olha para eles, manso e sorridente, e os saúda:

– A paz esteja convosco!

Em vez de responder à saudação, um dos fariseus lhe pergunta, com arrogância:

– Quem és?

– Jesus de Nazaré.

– Estais vendo que é Ele? –diz um dos outros.

Nesse meio tempo, Natanael e Simão se aproximaram do Mestre, enquanto os outros, caminhando por entre os sulcos, vêm vindo para o caminho. Estão ainda mastigando e com as conchas das mãos cheias de grãos de trigo.

O fariseu que falou primeiro, talvez o mais poderoso, volta a falar com Jesus, que parou na expectativa de ouvir o resto:

– Ah! Então és o famoso Jesus de Nazaré? Como foi que chegaste até aqui?

– Porque aqui também há almas para salvar.

– Para isso bastamos nós. Nós sabemos salvar as nossas e sabemos salvar as dos que dependem de nós.

– Se é assim, fazeis bem. Mas Eu fui enviado para evangelizar e salvar.

– Enviado! Enviado! E quem é que prova isso? Certamente que não o provam as tuas obras.

– Por que é que dizes isto? Não te importas com a tua Vida?

– Ah! Agora, sim. Tu és aquele que dá a morte àqueles que não te adoram. Queres, então, matar toda a classe sacerdotal, a dos fariseus, a dos escribas e muitas outras, porque elas não te adoram e não te adorarão nunca. Nunca, compreendes? Nunca nós, os eleitos de Israel, haveremos de adorar-te. E também não te amaremos.

– Eu não vos forço a me amar. Eu vos digo: “Adorai a Deus” porque…

– Isto é, a Ti, porque tu és Deus, não é? Mas nós não somos os piolhentos populares galileus, nem os tolos da Judeia, que andam atrás de Ti, esquecendo-se dos nossos rabis…

– Não te preocupes, homem. Eu não peço nada. Eu cumpro a minha missão, ensino a amar a Deus, e torno sempre a repetir o Decálogo, porque ele está por demais esquecido e, pior ainda, está sendo mal aplicado. Eu quero dar a Vida. A Vida Eterna. Eu não desejo para ninguém a morte corporal nem muito menos, a morte espiritual. A Vida que Eu te perguntava se não te importavas em perder, era a da tua alma, porque Eu amo a tua alma, mesmo quando ela não me ama. E fico angustiado, ao ver que tu a matas, quando ofendes o Senhor, desprezando o seu Messias.

O fariseu parece ter sido invadido por uma convulsão, pelo tanto que está agitado: ele descompõe suas vestes, desfia as franjas, tira o turbante, desgrenha os cabelos, e grita:

– Ouvi! ouvi! A mim, a Jônatas de Uziel, descendente direto de Simão, o Justo, a mim é que se vem dizer uma coisa destas! Eu, ofender ao Senhor! Não sei quem me segura, que eu não te amaldiçoe, mas…

– É o medo quem te segura. Mas, faze o que queres. Por isso não é que irás ser reduzido a cinzas. A seu tempo o serás e me invocarás então. Mas, entre Mim e ti, haverá, então, um pequeno rio vermelho: o meu Sangue.

– Está bem.

217.3

Mas, enquanto isso, Tu, que te dizes santo, por que é que permites certas coisas? Tu, que te dizes Mestre, por que é que não instruis os teus apóstolos antes dos outros? Olha para eles ali atrás de Ti!… Olha para eles, que estão ainda com o instrumento do pecado nas mãos! Não os estás vendo? Eles apanharam espigas e hoje é sábado. Apanharam espigas que não eram deles. Violaram o sábado e ainda roubaram.

– Nós estávamos com fome. Nós pedimos ao lugar aonde chegamos ontem à tarde, que nos dessem alojamento e comida. Mas eles nos rechaçaram. Somente uma velhinha nos deu do seu pão e um punhado de azeitonas. Que Deus lhe dê cem vezes mais, porque ela nos deu tudo o que tinha, pedindo somente uma benção. Caminhamos uma milha, depois paramos, como é de lei, e bebemos a água de um rio. Em seguida, quando chegou o pôr do sol, fomos àquela casa… Fomos expulsos de lá. Estás vendo que em nós havia vontade de obedecer à Lei –responde Pedro.

– Mas não o fizestes. No sábado não é lícito fazer trabalho manual e nunca é permitido apanhar o que é dos outros. Eu e os meus amigos ficamos escandalizados com isso.

– Mas Eu, não. Não lestes[1] como Davi, em Nob, apanhou os pães sagrados da Proposição, para alimentar-se a si e aos seus? Os pães estavam consagrados a Deus em sua casa, reservados, por uma ordem eterna, aos sacerdotes. Está dito[2]: “Pertencerão a Aarão e a seus filhos, que os comerão no lugar santo, porque são uma coisa santíssima.” No entanto, Davi os apanhou para si e para os seus companheiros, porque estava com fome. Agora, pois, se o santo rei entrou na casa de Deus e comeu os pães da Proposição num sábado, ele a quem não era permitido comer deles e contudo isso não lhe foi imputado como pecado, porque Deus continuou, mesmo depois disso, a tratá-lo como seu querido, como podes tu dizer que nós somos pecadores, se colhemos no terreno de Deus as espigas que cresceram e amadureceram por vontade dele, as espigas que pertencem também aos passarinhos, e tu negas que delas se possam alimentar os homens, filhos do Pai? –pergunta Jesus.

– Eles haviam pedido aqueles pães. Não os apanharam sem pedir. E isso muda o aspecto da coisa. Além disso, não é verdade que Deus não imputou aquilo a Davi como pecado. Deus o golpeou duramente.

– Mas não foi por isso. Pela luxúria, pelo recenseamento, e não por… –responde Tadeu.

– Oh! Basta. Não é permitido, e não é permitido! Não tendes direito de fazê-lo e o não fareis.

217.4

Ide-vos embora! Não vos queremos em nossas terras. Não precisamos de vós. Não sabemos o que fazer de vós.

– Nós iremos embora –diz Jesus, não permitindo aos seus discípulos de retrucar.

– E para sempre recordai-o! Que nunca mais Jonatas de Uziel te encontre em sua frente. Fora!

– Sim. Fora. Contudo, ainda nos encontraremos. E, então, será Jonatas quem me quererá ver, para repetir a condenação e para livrar para sempre de Mim o mundo. Mas, então, será o Céu que te dirá: “Não te é permitido fazer isso” e aquele “não te é permitido” te soará no coração como o ressoar de uma buzina durante toda a vida, e além da vida. Assim como, nos dias de sábado, os sacerdotes no Templo violam o repouso sabático e não cometem pecado, assim nós, servos do Senhor, podemos, uma vez que o homem nos nega amor, buscar amor e socorro no Pai Santíssimo, sem com isto cometer faltas. Aqui está alguém que é muito maior do que o Templo, e pode apanhar o que quiser de tudo o que houver na natureza, porque Deus tudo fez para servir de escabelo para sua Palavra. E Eu, não só apanho, como dou. Assim, as espigas do Pai, colocadas nesta imensa mesa que é a Terra, como a Palavra, Eu apanho e dou. Aos bons, como aos maus. Porque Eu sou a Misericórdia. Mas vós não sabeis o que é Misericórdia. Se soubésseis o que quer dizer esse meu “ser Misericórdia”, compreenderíeis também que Eu não quero mais do que ela. Se vós soubésseis o que é a Misericórdia, não teríeis condenado os inocentes. Mas vós não sabeis. Vós não sabeis nem mesmo que Eu não vos condeno, vós não sabeis que Eu vos perdoarei, e que até pedirei perdão ao Pai por vós. Porque Eu quero a Misericórdia e não o castigo. Mas vós não sabeis. Não quereis saber. É este um pecado maior do que aquele que me atribuís e que dizeis que estes inocentes cometeram. Afinal ficai sabendo que o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado, e que o Filho do homem é dono até do sábado. Adeus…

E Jesus se vira para os discípulos:

– Vinde. Vamos procurar uma cama entre as areias, que já estão perto. Sempre teremos como companheiras as estrelas, e nos dará sustento o orvalho. Deus proverá, Ele que mandou o maná para Israel, alimentará a nós também, a nós pobres, mas fiéis a Ele.

E Jesus deixa assim no ar o grupo odiento, e lá se vai com os seus discípulos, enquanto a tarde vai chegando com as suas primeiras sombras violáceas…

Encontram finalmente uma sebe de figueiras da Índia, em cuja copa, arrepiada com suas pazinhas agressivas, estão figos, começando a ficar maduros Mas tudo é bom para quem está com fome. E, ferindo-se, os discípulos vão colhendo os mais maduros, e vão andando, até que os campos terminam em umas dunas arenosas. Ouve-se lá ao longe um rumor de mar.

– Permaneçamos aqui. A areia está fofa e quente. Amanhã, entraremos em Ascalon –diz Jesus e todos caem cansados aos pés de uma alta duna.

Detalhe

Os apóstolos têm fome e começam a colher espigas de trigo nos campos, uma vez que não recebem comida dos habitantes (EMV 217.1). Jesus encontra então um grupo de fariseus, entre os quais Jonatas ben Uziel, um membro do sinédrio. Este mostra-se hostil para com Ele e repreende o Mestre pelo comportamento dos discípulos.

Jesus fará uma primeira profecia em 217.2 e uma segunda em 217.4.

Apenas Simão Pedro e Judas intervêm neste episódio (EMV 217.3), mas os outros discípulos estão presentes.

Anotação

Raça de filisteus! Víboras! São sempre os mesmos! Nasceram da mesma videira e dão frutos envenenados, resmungam os discípulos famintos e cansados. Que vos seja devolvido o que dais! O país filisteu, de que faz parte Ashqelôn (Ascalão), estende-se desde a atual Faixa de Gaza até Jaffa. Reinava uma grande inimizade entre os filisteus e os judeus. Esta remonta às guerras que os opuseram, sendo o episódio de David contra Golias o mais famoso. Este país ainda é identificado como tal no século II a.C. Cf. 1 Macabeus (livro dos mártires de Israel) 3,24: Judas perseguiu-o na descida de Bet-Orom até à planície; oitocentos homens das suas tropas foram mortos, e os restantes fugiram para a terra dos filisteus.

Nunca leram como é que David, em Nob, tomou os pães consagrados para se alimentar, ele e os seus companheiros? Os pães consagrados pertenciam a Deus, na sua casa, reservados por uma ordem eterna aos sacerdotes. Diz-se: «Pertencerão a Aarão e aos seus filhos, que os comerão num lugar sagrado, pois é uma coisa muito santa.» Cf. 1 Samuel 21, 1-4 e Levítico 24, 9.

Deus castigou severamente David pela sua luxúria e pelo seu recenseamento: quanto à sua luxúria, ver 2 Samuel 12, 9-14 (ver também 94.7). Quanto ao recenseamento, ver 2 Samuel 24, 1-17 e 1 Crónicas 21, 1-17.

Tanto aos bons como aos maus, pois eu sou a Misericórdia. Mas vós ignorais o que é a misericórdia. Se soubésseis o que isso significa, compreenderíeis também que eu só a quero. Cf . Oséias 6,6, também citado em Mateus 9,13.

Acabam por encontrar uma sebe de figueiras-da-Índia, no topo das quais, repletas de espinhos, os figos começam a amadurecer. Esta menção intriga: a figueira-da-Índia, ou figueira-da-Barbária, supostamente foi importada do México por Cristóvão Colombo. Trata-se de um anacronismo grosseiro ou de um conhecimento raro de Maria Valtorta? Ver o comentário.

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Livro do Levítico 24, 9

Lv 24, 9: Pertencerão a Aarão e aos seus filhos, que os comerão no lugar santo; pois para eles é uma coisa muito santa entre as ofertas queimadas ao Senhor. É uma lei perpétua.

Primeiro Livro de Samuel, 21, 1-7

1 Sm 1-7: David levantou-se e partiu, e Jônatas voltou para a cidade. David dirigiu-se a Nobé, ao encontro do sumo sacerdote Aquimeleque; e Aquimeleque correu ao seu encontro, assustado, e disse-lhe: « Por que estás sozinho e não há ninguém contigo?» David respondeu ao sacerdote Achimélec: «O rei deu-me uma ordem e disse-me: Que ninguém saiba nada do assunto para o qual te envio, e eu dei-te uma ordem. Designei aos meus homens um determinado local de encontro. E agora, o que tens à mão? Dá-me cinco pães, ou o que houver. » O sacerdote respondeu a David e disse: «Não tenho pão comum à mão, mas há pão consagrado; desde que os teus homens se tenham abstido de mulheres. » David respondeu ao sacerdote e disse-lhe: «Abster-nos-emos de mulheres desde há três dias que parti, e os vasos dos meus homens são coisa sagrada; e se a viagem for profana, no entanto o vaso está santificado?» » Então o sacerdote deu-lhe pão consagrado, pois não havia ali outro pão senão o pão da proposição, que tinham retirado da presença do Senhor, para o substituir por pão quente no momento em que o retiravam.

Segundo Livro de Samuel 12, 9-14

2 S 12, 9-14: «Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que é mau aos seus olhos? Mataste com a espada Uri, o heteu; tomaste a sua mulher para a tornares tua, e mataste-o com a espada dos filhos de Amom. E agora, a espada nunca se afastará da tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher de Uri, o heteu, para a tornares tua mulher. Assim diz o Senhor: Eis que vou fazer com que a desgraça se abata sobre ti, a partir da tua própria casa, e tomarei as tuas mulheres diante dos teus olhos para as dar ao teu vizinho, e ele se deitará com as tuas mulheres à luz deste sol. Pois tu agiste em segredo; eu, porém, farei isto na presença de todo o Israel e à luz do sol.»

Davi disse a Natã: «Pecou contra o Senhor.» E Natã disse a Davi: «O Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás. Mas, porque, com esta ação, fizeste com que os inimigos do Senhor o desprezassem, o filho que te nasceu morrerá.»

Segundo Livro de Samuel 24, 1-17

2 S 24, 1-17: A ira do Senhor acendeu-se novamente contra Israel, e incitou Davi contra eles, dizendo: «Vai, faz o recenseamento de Israel e de Judá.» » O rei disse a Joabe, comandante do exército, que estava com ele: «Percorre, pois, todas as tribos de Israel, desde Dan até Berseba; faz o recenseamento do povo, para que eu saiba o número do povo. » Joabe disse ao rei: «Que o Senhor, o teu Deus, acrescente ao povo cem vezes mais do que já há, e que os olhos do rei, meu senhor, o vejam! Mas por que razão o rei, meu senhor, se empenha em fazer isto? » Mas a palavra do rei prevaleceu contra Joabe e contra os chefes do exército; e Joabe e os chefes do exército partiram da presença do rei para fazer o recenseamento do povo de Israel.

Tendo atravessado o Jordão, acamparam em Aroer, à direita da cidade, que fica no meio do vale de Gade, e depois em Jazer. Chegaram a Gileade e à terra de Tahtim-Hodsi; depois chegaram a Dan-Jaan e aos arredores de Sidão. Chegaram à fortaleza de Tiro e a todas as cidades dos heveus e dos cananeus, terminando a sua viagem no Negev de Judá, em Bersabé. Depois de terem percorrido assim todo o país, regressaram a Jerusalém ao fim de nove meses e vinte dias. Joabe entregou ao rei a lista do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra capazes de empunhar a espada e, em Judá, quinhentos mil homens. O coração de David ficou agitado depois de ter contado o povo, e David disse ao Senhor: «Cometi um grande pecado com o que fiz! Agora, ó Senhor, tira, peço-Te, a iniquidade do Teu servo, pois agi de forma totalmente insensata.»

No dia seguinte, quando David se levantou, a palavra do Senhor foi dirigida a Gad, o profeta, o vidente de David, nestes termos: «Vai dizer a David: Assim diz o Senhor: Coloco diante de ti três coisas; escolhe uma delas, e eu a farei. » Gad foi ter com David e transmitiu-lhe a palavra do Senhor, dizendo-lhe: «Virá uma fome de sete anos ao teu país, ou fugirás durante três meses perante os teus inimigos que te perseguirão, ou haverá uma peste de três dias no teu país? Agora, sabe e vê o que devo responder àquele que me enviou.» » Davi respondeu a Gad: «Estou numa angústia terrível. Ai de mim! Que caiamos nas mãos do Senhor, pois as suas misericórdias são grandes; mas que eu não caia nas mãos dos homens! » E o Senhor enviou uma peste a Israel desde a manhã daquele dia até ao tempo determinado; e morreram, desde Dan até Berseba, setenta mil homens do povo. O anjo estendia a mão sobre Jerusalém para a destruir. E o Senhor arrependeu-se desse mal e disse ao anjo que estava a exterminar o povo: «Basta! Retira agora a tua mão. » O anjo do Senhor estava junto à eira de Areuna, o jebuseu. Ao ver o anjo que feria o povo, Davi disse ao Senhor: «Eis que fui eu quem pecou, fui eu quem é culpado; mas estas ovelhas, o que é que elas fizeram? Que a tua mão recaia, pois, sobre mim e sobre a casa do meu pai!»

Naquele dia, Gad foi ter com David e disse-lhe: «Sobe e ergue um altar ao Senhor na eira de Areuna, o jebuseu.» David subiu, conforme a palavra de Gad, tal como o Senhor lhe tinha ordenado. Areuna, ao olhar, viu o rei e os seus servos a dirigirem-se para ele; Areuna saiu e prostrou-se perante o rei, com o rosto contra o chão, dizendo: «Por que razão vem o meu senhor, o rei, ter com o seu servo?» E David respondeu: «Para comprar de ti esta eira, a fim de construir um altar ao Senhor, para que a praga se afaste do povo.» Areuna disse a David: «Que o meu senhor, o rei, tome a eira e ofereça em sacrifício o que achar melhor! Aqui estão os bois para o holocausto, os trenós e os jugos dos bois para a lenha. Tudo isto, ó rei, Areuna dá ao rei.» E Areuna disse ainda ao rei: «Que o Senhor, o teu Deus, te seja favorável! » Mas o rei disse a Areuna: «Não! Quero comprá-lo de ti por dinheiro, e não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que não me custem nada. » E David comprou a eira e os bois por cinquenta siclos de prata. 25E David construiu ali um altar a Yahweh e ofereceu holocaustos e sacrifícios de paz.

Assim, o Senhor acalmou-se para com o país, e a praga retirou-se de Israel.

Primeiro Livro das Crónicas 21, 1-17

1 Cr 21, 1-17: Satanás levantou-se contra Israel e incitou David a fazer o recenseamento de Israel. E Davi disse a Joabe e aos chefes do povo: «Ide, contai Israel desde Berseba até Dan, e informai-me, para que eu saiba o seu número.» » Joabe respondeu: «Que o Senhor acrescente ao seu povo cem vezes mais do que já há! Ó rei, meu senhor, não são todos servos do meu senhor? Por que razão, então, o meu senhor pede isto? Para que trazer pecado sobre Israel?» Mas a palavra do rei prevaleceu contra Joabe. Joabe partiu e percorreu todo o Israel, e regressou a Jerusalém. E Joabe entregou a David a lista do recenseamento do povo: havia em todo o Israel mil e cem mil homens aptos para o serviço militar, e em Judá quatrocentos e setenta mil homens aptos para o serviço militar. Não fez o recenseamento de Levi e de Benjamim no meio deles, pois a ordem do rei era contrária à vontade de Joabe.

Deus viu com desagrado este assunto e castigou Israel. E Davi disse a Deus: «Cometi um grande pecado ao fazer isto. Agora, por favor, tira a iniquidade do teu servo, pois agi de forma totalmente insensata. » O Senhor falou a Gad, o vidente de David, nestes termos: «Vai e diz a David o seguinte: Assim diz o Senhor: Coloco perante ti três coisas; escolhe uma delas, e eu a farei.» Gad dirigiu-se a David e disse-lhe: «Assim diz o Senhor: Escolhe entre três anos de fome, ou três meses durante os quais serás levado perante os teus adversários e atingido pela espada dos teus inimigos, ou três dias durante os quais a espada do Senhor e a peste estarão na terra, e o anjo do Senhor causará destruição em todo o território de Israel. Agora, vê o que devo responder àquele que me enviou.» Davi disse a Gad: «Estou numa angústia terrível. Ah! Que eu caia nas mãos do Senhor, pois as suas misericórdias são muito grandes, e que eu não caia nas mãos dos homens!»

E o Senhor enviou uma peste a Israel, e morreram setenta mil homens em Israel. E Deus enviou um anjo a Jerusalém para a destruir; e enquanto ele destruía, o Senhor viu e arrependeu-se desse mal, e disse ao anjo que destruía: «Basta! Retira agora a tua mão.» » O anjo do Senhor estava junto à eira de Ornã, o jebuseu. Davi, ao levantar os olhos, viu o anjo do Senhor de pé entre a terra e o céu, com a espada desembainhada na mão, apontada contra Jerusalém. Então, David e os anciãos, vestidos de sacos, prostraram-se com o rosto em terra. E David disse a Deus: «Não fui eu que ordenei que se fizesse o recenseamento do povo? Fui eu quem pecou e cometi o mal; mas estas ovelhas, o que é que elas fizeram? Yahweh, meu Deus, que a tua mão recaia sobre mim e sobre a casa do meu pai, mas não sobre o teu povo para a sua ruína.»

Livro de Oséias 6, 6

Os 6, 6: Ela engravidou novamente e deu à luz uma filha. E o Senhor disse a Oséias: «Dá-lhe o nome de Lo-Ruhama (ou seja, «Não Amada»), pois já não amo a casa de Israel e não quero mais perdoá-la.»

Evangelho de Mateus 9, 13

Mt 9, 13: «Ide aprender o que significa: “Quero misericórdia, e não sacrifício”. Pois não vim chamar os justos, mas os pecadores.»

Evangelho de Mateus 12, 1-8

Mt 12, 1-8: Naquela altura, num dia de sábado, Jesus passou pelos campos de trigo; os seus discípulos tinham fome e começaram a arrancar espigas e a comê-las. Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: «Eis que os teus discípulos estão a fazer o que não é permitido fazer no dia de sábado!» Mas Ele disse-lhes: «Não leram o que fez o David, quando ele e os que o acompanhavam tinham fome? Entrou na casa de Deus e comeram os pães da oferta; ora, nem ele nem os outros tinham o direito de os comer, mas apenas os sacerdotes. Ou ainda, não lestes na Lei que, no sábado, os sacerdotes, no Templo, violam o repouso do sábado sem cometerem falta? Ora, digo-vos: aqui está alguém maior do que o Templo. Se tivésseis compreendido o que significa: «Quero misericórdia, e não sacrifício», não teríeis condenado aqueles que não cometeram falta. Com efeito, o Filho do Homem é senhor do sábado.»

Evangelho de Marcos 2, 23-28

Mc 2, 23-28: Num dia de sábado, Jesus caminhava pelos campos de trigo; e os seus discípulos, ao longo do caminho, começaram a arrancar espigas. Os fariseus diziam-lhe: «Vê o que eles fazem no dia de sábado! Isso não é permitido.» E Jesus disse-lhes: «Nunca leram o que fez o David, quando estava em necessidade e tinha fome, ele próprio e aqueles que o acompanhavam? Na época do sumo sacerdote Abiatar, ele entrou na casa de Deus e comeu os pães da oferta que ninguém tem o direito de comer, a não ser os sacerdotes, e também deu a quem o acompanhava. » E dizia-lhes ainda: «O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. É por isso que o Filho do Homem é senhor, até mesmo do sábado.»

Evangelho de Lucas 6, 1-5

Lc 6, 1-5: Num dia de sábado, Jesus atravessava os campos; os seus discípulos arrancavam espigas e comiam-nas, depois de as terem esmagado nas mãos. Alguns fariseus disseram então: «Por que fazem o que não é permitido no dia de sábado?» Jesus respondeu-lhes: «Não leram o que fez Dávid num dia em que ele e os que o acompanhavam tinham fome? Ele entrou na casa de Deus, pegou nos pães da oferta, comeu-os e deu-os aos que o acompanhavam, quando só os sacerdotes têm o direito de os comer.» E dizia-lhes ainda: «O Filho do Homem é senhor do sábado.»