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Notas do tema

Factos sobre a vida pública de Jesus Cristo

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EMF 205.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os apóstolos, juntos com a mãe e as mulheres, vão indo para a casa, precedidos por Margziam, que vai dando seus pulinhos na frente. Mas logo ele volta e pega Maria pela mão, dizendo-lhe:

– Vem comigo. Tenho uma coisa para dizer-te em segredo.

E Maria o contenta. Desviam-se para o lado do poço, que está num canto do pequeno pátio todo coberto por uma latada bem espessa, que sobe da terra como um arco, para o rumo do terraço. Atrás dela está Iscariotes.

– Judas, que queres? Vai, Margziam…Fala… Que queres?

– Eu estou culpado… Não tenho coragem de ir ao Mestre, nem de me encontrar com os companheiros… Ajuda-me…

– Eu te ajudarei. Mas, não pensas na grande dor que estás causando? Meu Filho chorou por tua causa. E os companheiros sofreram com isso. Mas, vem. Ninguém te dirá nada. E, se podes, não recaias mais nestas culpas. É coisa indigna de um homem, e um sacrilégio contra o Verbo de Deus.

– E tu, mãe, me perdoas?

– Eu? Eu não valho nada para ti, que te julgas tão grande. Eu sou a menor das servas do Senhor. Como podes te preocupar comigo, se não tens dó do meu Filho?

– Porque eu também tenho uma mãe e, se tiver o teu perdão, acho que terei o dela.

– Ela não sabe dessa tua culpa.

– Mas ela me tinha feito jurar que fosse bom para o Mestre. Eu sou um perjuro. Estou ouvindo a reprovação da alma de minha mãe.

– Estás ouvindo isso? E o lamento do Pai e do Verbo, não o ouves? Tu és um infeliz, Judas. Semeias a dor em ti mesmo e em quem te ama.

Maria está muito séria e triste. Ela fala sem azedume, mas de modo muito sério. Judas chora.

– Não chores. Mas trata de melhorar. Vem.

E o toma pela mão e assim entra na cozinha. Grande é o espanto de todos. Mas Maria procura evitar qualquer palavra impiedosa. Ela diz:

– Judas voltou. Fazei como o primogênito, depois do discurso do pai. João, vai avisar Jesus.

João de Zebedeu sai correndo.

Um silêncio desce sobre a cozinha… Depois, Judas diz:

– Perdoai-me Simão, em primeiro lugar. Tens um coração tão paterno. Eu também sou um órfão.

– Sim, sim, eu te perdôo. Por favor. Não fales mais nisso. Somos irmãos… e não me agradam estes altos e baixos de perdões pedidos e de recaídas feitas. Aviltam a quem as faz e quem os dá. Aí vem Jesus. Vai até Ele. E basta.

Judas vai indo, enquanto Pedro, não podendo fazer outra coisa, se põe, impetuosamente, a rachar umas achas secas.

EMF 206.1.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Na presença dos camponeses de Jocanã, de Isaac e de muitos discípulos, das mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus e Marta, e muitos de Betânia, Jesus fala. Todos os apóstolos estão presentes. O menino, sentado em frente de Jesus, não perde uma palavra. O discurso deve ter começado há pouco, pois o povo ainda está chegando…

Diz Jesus:

– … é por causa desse temor tão forte, que Eu estou percebendo em muitos, que quero vos propor uma boa parábola. Boa, para os homens de boa vontade, desagradável, para os outros. Mas estes têm o modo de acabar com o gosto desagradável. Que se tornem eles também de boa vontade e a reprovação que a parábola suscita nas consciências, deixará de existir. (...)

[Jésus raconte la parabole des dix vierges.]

Meus caros discípulos, Eu não quero induzir-vos a tremer por causa de Deus, mas, antes, a terdes fé em sua bondade. Tanto vós que ficais, como vós que ides, pensai que, se fizerdes o que fizeram as virgens sábias, sereis chamados, não somente para fazer o cortejo ao Esposo, mas, como a jovem Ester, que foi feita rainha[3] no lugar de Vasti, sereis escolhidos e eleitos como esposas, tendo o Esposo “encontrado em vós toda graça e favor, mais do que em todos os outros.” Eu vos abençôo, a vós que ides. Levai em vós e para vossos companheiros esta minha palavra. A paz do Senhor esteja sempre convosco.

Jesus se aproxima dos camponeses, para saudá-los ainda, mas João de Endor lhe sussurra:

– Judas já está aí…

– Não importa. Acompanha-os até o carro, e faze o que Eu te disse que faças.

A multidão se dispersa lentamente. Muitos falam a Lázaro… E este se dirige a Jesus que, tendo deixado os camponeses, vem na direção dele, e diz:

– Mestre, antes que nos deixes, fala-nos ainda… Isto desejam os corações de Betânia.

– A tarde está chegando. Mas é plácida e serena. Se quiserdes reunir-vos sobre os fenos ceifados, Eu vos falarei, antes de deixar este lugar amigo. Ou, então, amanhã bem cedo. Porque já chegou a hora da despedida.

– Mais tarde! Hoje mesmo! –gritam todos.

– Como quiserdes. Ide agora. Na metade da primeira vigília, Eu vos falarei.

Anotação

Se vos comportardes como virgens prudentes, não só sereis chamadas a acompanhar o Esposo, mas, tal como a jovem Ester, que se tornou rainha em vez de Vasti, sereis escolhidas e eleitas como noivas. Vasti - Vasti significa "amada" em persa. Primeira esposa de Assuero (= Xerxes, 486-465), rei da Pérsia, que a repudiou por se ter recusado a assistir a um banquete (Ester 2, 1-18). Ester é também mencionada em EMV 136.2 e EMV 414.1.

Palavras-chave

EMF 206.2-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O Reino dos Céus é a casa do esposalício feito entre Deus e as almas. O Momento da entrada nele é o dia das bodas.

Agora, escutai, então. Entre nós há o costume de que as virgens acompanhem o esposo, quando ele chega, para levá-lo, entre luzes e cânticos, até à casa nupcial, junto com a sua amada esposa. Quando o cortejo deixa a casa da esposa, que vai coberta com um véu e que, comovida, sai, dirigindo-se para o seu lugar de rainha, em uma casa que não é a dela, mas que vai tornar-se dela, desde o momento em que ela se torna uma só carne com o seu esposo, o cortejo das virgens, que em sua maior parte são amigas da esposa, corre ao encontro dos dois felizes esposos, para rodeá-los com um halo de luzes.

Aconteceu, pois, que em um lugar celebraram-se esponsais. Enquanto os esposos, com os parentes e amigos, estavam sapateando na casa da esposa, dez virgens foram para o seu lugar, no vestíbulo da casa do esposo, prontas para saírem ao encontro dele, quando um longínquo som de címbalos e de cânticos estivesse avisando que os esposos já tinham saído da casa da esposa para irem para a casa do esposo. Mas o banquete na casa dos esponsais se prolongou muito, e assim chegou a noite. As virgens, como sabeis, seguram sempre as lâmpadas acesas, para não ficarem perdendo tempo no momento principal. Pois bem. Entre estas dez virgens, que deviam segurar as lâmpadas acesas e bem luzentes, havia cinco sábias e cinco estultas. As sábias, cheias de prudência, tinham-se munido de pequenos vasos cheios de azeite, para poderem alimentar suas lâmpadas, se a duração da espera fosse mais longa do que era previsível. Enquanto que as estultas se limitaram só a encher, quando muito, suas pequenas lâmpadas.

Uma hora passou, e mais outra hora. Alguns discursos, histórias e palavras jocosas foram alegrando o tempo de espera. Mas depois, não sabiam mais o que dizer, nem o que fazer. E, aborrecidas, ou também simplesmente cansadas, as dez moças resolveram sentar-se mais comodamente, com as lâmpadas acesas e bem próximas e, pouco a pouco, pegaram no sono.

206.3

Quando chegou a meia noite, ouviu-se um grito: “Eis o esposo chegando, ide-lhe ao encontro!” Àquela ordem, as dez moças se levantaram, puseram os véus e as grinaldas e correram depois para a pequena mesa, onde estavam as lâmpadas. Cinco destas já se estavam apagando. O pavio, não encontrando mais azeite, pois este se havia acabado, estava já soltando fumaça, com uns lampejos cada vez mais fracos e pronto para apagar-se, ao menor sopro de vento. Mas as outras cinco lâmpadas, alimentadas antes do sono pelas virgens prudentes, estavam com suas chamas ainda bem vivas e mais vivas ainda ficaram pela nova quantidade de azeite que colocaram sobre o pavio.

“Oh!”, imploravam as estultas, “dai-nos um pouco do vosso azeite, porque senão as nossas lâmpadas se apagam, só ao movê-las daqui. As vossas já estão bonitas…” Mas as prudentes responderam: “Fora há o vento da noite e o orvalho está caindo em grossas gotas. O azeite nunca é bastante para formar uma chama forte, capaz de resistir aos ventos e à umidade. E, se nós vos dermos do nosso, vai acontecer que nossas luzes também possam começar a vacilar. E bem triste ficaria o cortejo das virgens, sem o palpitar daquelas chamazinhas! Ide, pois, ide correndo ao vendedor mais perto, pedi, batei à porta, fazei que ele se levante para vos vender.”

E elas, apressadas, amarrotando os véus, sujando as vestes, perdendo as grinaldas, por terem que esbarrar uma na outra, correndo, procuravam seguir o conselho das companheiras.

Mas, enquanto iam indo comprar o azeite, eis que já aparecem, lá no começo da rua, o esposo e a esposa. As cinco virgens, tendo nas mãos suas lâmpadas acesas, correram ao encontro deles e, no meio delas, os esposos entraram na casa, para o fim da cerimônia, momento este em que as virgens deveriam acompanhar a esposa até a câmara nupcial. A porta, então, foi fechada, depois da entrada dos esposos, e quem fora estava, fora permaneceu. E assim para as cinco estultas que, chegadas enfim com o azeite, encontraram a porta fechada. Inutilmente bateram nela, machucando as mãos e gemendo: “Senhor, senhor abre-nos. Nós somos do cortejo das núpcias. Somos as virgens propiciatórias, escolhidas para trazer honra e fortuna ao teu tálamo.” Mas o esposo, lá do alto da casa, deixando por um momento os convidados mais íntimos, dos quais ele se despedia, enquanto a esposa entrava na câmara nupcial, disse: “Em verdade, eu vos digo que não vos conheço. Não sei quem sois. Os vossos rostos não estavam presentes ao redor da minha amada, festejando-a. Vós sois umas usurpadoras. Que sejais, pois, deixadas fora da casa das núpcias.” E as cinco estultas, chorando, foram-se embora, pelas estradas escuras, com suas lâmpadas já inúteis, com suas vestes amarrotadas, os véus rasgados, as grinaldas desmanchadas ou perdidas…

206.4

E agora, ouvi a admoestação encerrada na parábola.

Eu vos disse, no princípio, que o Reino dos Céus é casa dos esponsais feitos entre Deus e as almas. Para as núpcias celestes, são chamados todos os fiéis, porque Deus ama todos os seus filhos. Uns antes, outros depois, chegam ao momento dos esponsais, e chegar a esse momento é uma grande sorte.

Mas agora escutai ainda. Vós sabeis como as moças consideram uma honra e uma sorte serem chamadas para ficarem como servas, ao redor da esposa. Apliquemos ao nosso caso o papel dos personagens e compreendereis melhor. O esposo é Deus. A esposa é a alma de um justo que, tendo passado o período do noivado na casa do Pai, isto é, na dependência e obediência da e à doutrina de Deus vivendo segundo a justiça, é levada à casa do Esposo para as núpcias. As servas virgens são as almas dos fiéis que, segundo o exemplo deixado pela esposa, — ter sido escolhida pelo esposo por suas virtudes é sinal de que ela era um exemplo vivo de santidade — procuram chegar àquela mesma honra, santificando-se.

206.5

Elas estão com veste branca, limpa e nova, em brancos véus, coroadas de flores. Elas têm lâmpadas acesas nas mãos. As lâmpadas estão bem limpas, tendo um pavio alimentado com azeite do mais puro, para que não seja mal-cheiroso.

Com veste branca. A justiça firmemente praticada, produz uma veste cândida e bem depressa chegará o dia em quê será candidíssima, sem nenhuma lembrança, nem de longe, de mancha, com um candor sobrenatural, um candor angélico.

Em veste limpa. É preciso, junto com a humildade, ter sempre limpa a veste. É muito fácil embaçar a pureza do coração. E quem não é puro de coração não pode ver a Deus. A humildade é como uma água que lava. O humilde se dá conta logo, porque tem olhos não embaçados pelas fumaças do orgulho, de estar com suas vestes enodoadas, e corre para o Senhor, e diz: “u tirei a limpeza deste meu coração. Eu choro para limpar-me. A teus pés venho chorar. E tu, ó meu Sol, alveja com os teus benignos perdões, com os teus paternos amores, esta minha veste!”

Em veste nova. Oh! O frescor do coração! As crianças o possuem por um dom de Deus. Os justos o têm por dom de Deus e por sua própria vontade. E os santos o têm por dom de Deus e por sua vontade elevada até o grau de heroísmo. Mas os pecadores, com uma alma dilacerada, queimada, envenenada, emporcalhada, será que não poderão nunca mais ter uma veste nova? Oh! Sim, que podem ter. Começam a tê-la desde o momento em que olham para si mesmos com aversão, depois a aumentam, quando se decidem a mudar de vida e a aperfeiçoam quando se lavam com a penitencia, e se desintoxicam, e se medicam, e recompõem a sua pobre alma e, com a ajuda de Deus, que não nega socorro a quem lhe pede uma santa ajuda, e com a própria vontade, elevada ao super-heroismo, — porque neles o necessário não é ficar tomando conta do que eles têm, mas de reconstruir o que eles demoliram e para isso há uma dupla, tripla e sétupla fadiga — e, finalmente, com uma penitência incansável e implacável para com o eu que foi pecador, fazem voltar sua alma a um novo frescor como na infância, frescor precioso pela experiência que os faz mestres de outros, que são[1] agora como eram eles há tempo, ou seja, pecadores.

Em brancos véus. A humildade! Eu disse[2]: “Quando rezais ou fazeis penitência, procurai que o mundo não o perceba.” Nos livros sapiênciais está escrito: “Não é bom revelar o segredo do Rei.” A humildade é o véu cândido posto como defesa do bem que se faz e do bem que Deus nos concede. Não é a glória pelo amor ao privilégio que Deus concede, nem é a estulta glória humana. O dom seria imediatamente retomado. Mas é um canto interior do coração ao seu Deus: “Minha alma canta a tua grandeza, ó Senhor… porque Tu voltaste o teu olhar para a baixeza da Tua serva.”

Jesus faz uma breve pausa, e lança um olhar para sua mãe que, por debaixo do seu véu, se ruboriza e se inclina profundamente, como para compor os cabelos do menino que está sentado aos seus pés, mas, na verdade, o faz para ocultar uma sua comovida lembrança…

– Coroada de flores. A alma deve entretecer para si sua grinalda diária de atos virtuosos porque, ao conspecto do Altíssimo, não se devem apresentar coisas murchas, nem se deve estar com aspecto desmazelado. Diária, Eu disse. Porque a alma não sabe quando Deus-Esposo pode aparecer para dizer-lhe: “Vem.” Por isso não nos cansemos nunca de renovar a coroa. Não tenhais medo As flores ficam murchas. Mas as flores das coroas virtuosas não murcham. O Anjo de Deus, que cada homem tem ao seu lado, recolhe estas grinaldas de cada dia e as leva para o Céu. E lá elas servem como um trono ao novel bem-aventurado, quando ele entrar, como esposa, na casa nupcial.

206.6

Tem as lâmpadas acesas. E é para honrar o esposo, e para se guiarem no caminho. Como é fulgente a fé, e que doce amiga ela é! Produz uma chama brilhante, como uma estrela, uma chama que ri, porque tem segurança em sua certeza, uma chama que torna luminoso até o instrumento que a rege. Até a carne do homem, nutrido pela fé, parece, desde esta terra, tornar-se mais luminosa e espiritual e imune de uma murchidão precoce. Porque quem crê, se rege pelas palavras e pelas ordens de Deus, para chegar a possuir a Deus, que é o seu fim e, por isso, foge de toda corrupção, não sofre perturbações, nem temores, nem remorsos, e não é obrigado a nenhum esforço, para recordar-se de suas mentiras, ou para esconder suas más ações, e se conserva belo e jovem pela bela incorrupção de santo. Uma carne e um sangue, uma mente e um coração limpos de toda luxúria, para conterem o azeite da fé e para produzirem uma luz sem fumaça. Uma constante vontade para alimentar sempre esta luz. A vida de cada dia, com as suas desilusões, verificações, contatos, tentações, atritos, tende a diminuir a fé. Não. Não deve acontecer. Ide cada dia às fontes do azeite suave, do azeite espiritual, do azeite de Deus.

Lâmpada pouco alimentada pode ser apagada pelo menor vento, pode ser apagada pelo pesado orvalho da noite. A noite… A hora das trevas, do pecado e da tentação, chega para todos. É a noite para a alma. Mas, se esta se conserva a si mesma cheia de fé, não pode a chama ser apagada pelo vento do mundo, pela caligem da sensualidade.

Enfim, vigilância, vigilância, vigilância. Quem for imprudente, e fiar-se em si mesmo, dizendo: “Oh! Deus virá em tempo, enquanto eu estiver lúcido”, quem se põe a dormir, em vez de vigiar e for dormir, desprovido de tudo o que é necessário para poder levantar-se prontamente, ao primeiro chamado, quem deixa para o último momento o trabalho de ir prover-se do azeite da fé, ou do pavio forte da boa vontade, incorre no perigo de ter que ficar fora, quando o Esposo chegar. Vigiai, pois, com prudência, com constância, com pureza, com confiança, para estardes sempre prontos para o chamado de Deus, porque, na realidade, não sabeis quando Ele virá.

206.7

Meus caros discípulos, Eu não quero induzir-vos a tremer por causa de Deus, mas, antes, a terdes fé em sua bondade. Tanto vós que ficais, como vós que ides, pensai que, se fizerdes o que fizeram as virgens sábias, sereis chamados, não somente para fazer o cortejo ao Esposo, mas, como a jovem Ester, que foi feita rainha[3] no lugar de Vasti, sereis escolhidos e eleitos como esposas, tendo o Esposo “encontrado em vós toda graça e favor, mais do que em todos os outros.” Eu vos abençôo, a vós que ides. Levai em vós e para vossos companheiros esta minha palavra. A paz do Senhor esteja sempre convosco.

Anotação

Se vos comportardes como virgens prudentes, não só sereis chamadas a acompanhar o Esposo, mas, tal como a jovem Ester, que se tornou rainha em vez de Vasti, sereis escolhidas e eleitas como noivas. Vasti - Vasti significa "amada" em persa. Primeira esposa de Assuero (= Xerxes, 486-465), rei da Pérsia, que a repudiou por se ter recusado a assistir a um banquete (Ester 2, 1-18). Ester é também mencionada em EMV 136.2 e EMV 414.1.

Evangelho de Mateus 25, 1-13

Mt 25,1-13: "Então o Reino dos Céus será semelhante a dez jovens convidadas para um casamento, que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram descuidadas e cinco eram previdentes: as descuidadas levaram as suas lâmpadas sem azeite, mas as previdentes levaram frascos de azeite com as suas lâmpadas. Como o noivo se atrasou, todas adormeceram e adormeceram. A meio da noite, ouviu-se um grito: "Eis o noivo! Saiam ao seu encontro". Então, todas as donzelas acordaram e começaram a preparar as suas lâmpadas. As mais despreocupadas pediram às mais previdentes: "Dêem-nos um pouco do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão a apagar-se". As previdentes responderam: "Isso nunca será suficiente para nós e para vós; ide antes aos mercadores e comprai algum para vós". Enquanto elas iam comprar, chegou o noivo. As que estavam prontas entraram com ele na sala do casamento, e a porta fechou-se. Mais tarde, as outras raparigas entraram e disseram: "Senhor, Senhor, abre-nos a porta!" Ele respondeu-lhes: "Em verdade vos digo que não vos conheço".

Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

Livro de Ester 2, 1-18

Ester 2, 1-18: Depois disto, quando a cólera do rei Assuero se acalmou, lembrou-se de Vasti, do que ela tinha feito e da decisão que tinha sido tomada a seu respeito. Então os servos do rei, que estavam de serviço com ele, disseram: "Que o rei nomeie oficiais em todas as províncias do seu reino para reunirem todas as donzelas, virgens e de boa aparência, em Susã, a capital, na casa das mulheres, sob a supervisão de Egeu, o eunuco do rei e guardião das mulheres, que providenciará a sua preparação; e que a donzela que agradar ao rei se torne rainha no lugar de Vasti. " O rei concordou e assim o fez.

Em Susã, a capital, havia um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, da raça de Benjamim, que tinha sido levado de Jerusalém entre os cativos deportados com Jeconias, rei de Judá, por Nabucodonosor, rei da Babilónia. Ele criou Edissa, que é Ester, filha de seu tio, pois ela não tinha pai nem mãe. Era uma rapariga bonita e de rosto gracioso; quando o pai e a mãe morreram, Mardoqueu adoptou-a como sua filha.

Quando a ordem do rei e o seu édito foram publicados e um grande número de raparigas se reuniram em Susã, a capital, sob a supervisão de Egeu, Ester também foi tomada e levada para a casa do rei, sob a supervisão de Egeu, o guardião das mulheres. A jovem agradou-lhe e conquistou a sua simpatia; ele apressou-se a fornecer-lhe o necessário para a sua higiene e subsistência, a dar-lhe sete jovens escolhidas da casa do rei, e fê-la passar algum tempo com elas no melhor apartamento da casa das mulheres. Ester não falou do seu povo nem do seu nascimento, porque Mardoqueu a tinha proibido de falar deles. Todos os dias Mardoqueu passeava pelo pátio da casa das mulheres para ver como estava Ester e como era tratada.

E quando chegou o momento de cada rapariga ir ter com o rei Assuero, depois de ter passado doze meses a fazer o que era prescrito para as mulheres - e este era o tempo da sua purificação: durante seis meses purificavam-se com óleo de mirra, e durante seis meses com as especiarias e perfumes usados entre as mulheres - e a rapariga ia ter com o rei, era-lhe permitido levar consigo o que quisesse para ir da casa das mulheres para a casa do rei. Foi para lá ao fim da tarde e, na manhã seguinte, foi para a segunda casa das mulheres, sob a supervisão de Susagaz, o eunuco do rei e guardião das concubinas. Só voltava para junto do rei se este a quisesse e se a chamasse pelo nome.

Quando chegou a sua vez de ir ter com o rei, Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a tinha adotado como filha, não pediu mais do que aquilo que lhe tinha sido indicado por Egeu, eunuco do rei e guarda das mulheres; mas Ester agradou a todos os que a viram. Ester foi levada para a casa real do rei Assuero no décimo mês, o mês de Tebete, no sétimo ano do seu reinado. O rei amava Ester mais do que qualquer outra mulher, e ela ganhou mais favor e simpatia junto dele do que qualquer outra jovem. Pôs-lhe a coroa real na cabeça e nomeou-a rainha em lugar de Vasti. O rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e servos, o banquete de Ester; deu descanso às províncias e esbanjou generosamente.

EMF 206.10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Em verdade, Eu vos digo que, assim como Eu estou no Pai, os pobres estão em Deus. É por isso que Eu, o Verbo do Pai, quis nascer pobre, e viver pobre. Porque, entre os pobres, Eu me sinto mais próximo do Pai, que ama os pequeninos e é amado por eles com todas as suas forças. Os ricos têm muitos amigos. Os pobres vivem sozinhos. Os ricos têm muitas consolações. Os pobres não tem consolações

Os ricos têm muitos divertimentos. Os pobres só têm trabalho. Os ricos têm o dinheiro, que lhes torna tudo fácil. Os pobres, além de tudo, ainda têm que levar a cruz, que é o temor das doenças e da carestia, que para eles só trazem a fome e a morte. Mas os pobres tem Deus consigo. Ele é amigo deles. É o consolador deles. É Ele quem os consola com as esperanças do Céu, quando eles sofrem as penas do momento presente. É Ele a quem eles podem dizer — e o sabem dizer, e o dizem justamente porque são pobres, humildes e sós —: ‘Socorre-nos, ó Pai, com a tua misericórdia.’

EMF 206.11-13 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Mas, ouvi. E, então, compreendereis melhor como os requintes, as riquezas e as devassidões impedem a entrada no Reino dos Céus.

Uma vez um rei fez a festa do casamento de seu filho. Podeis imaginar que festa houve no palácio. Tratava-se do filho único do rei que, tendo-se tornado núbil, estava se casando com sua dileta. O rei, seu pai, quis que tudo fosse alegria, ao redor da alegria de seu filho e de sua bem amada. Entre os muitos atos do programa da festa, constava também um grande banquete. E ele o preparou com tempo, cuidando de todos os pormenores do mesmo, para que a festa saísse muito bonita e digna das núpcias de um filho do rei.

Mandou com antecedência a seus servos que fossem dizer aos amigos e aliados, e também aos magnatas do seu reino que o casamento estava marcado para aquela data de tarde, e que eles estavam convidados e que viessem abrilhantar as festas do filho do rei. Mas os amigos, os aliados e os magnatas do reino não aceitaram o convite.

Então o rei, na dúvida se os primeiros servos haviam ou não, falado como deviam, mandou ainda outros servos, para insistirem, dizendo: “Nós vo-lo pedimos. Vinde à festa. Já está tudo pronto. O salão está preparado, os vinhos mais preciosos já foram trazidos de diversos lugares, nas cozinhas já estão preparados os bois e os animais cevados para serem cozidos, as escravas já estão amassando a farinha para fazer os doces, e outras estão esmagando as amêndoas nos almofarizes, para confeitarem os mais finos petiscos aos quais elas misturam os mais raros aromas. As dançarinas e os melhores tocadores de instrumentos foram contratados para a festa. Portanto, vinde, a fim de que todos esses preparativos não tenham sido inúteis.”

Mas os amigos, os aliados e os grandes, uns se recusaram e outros disseram: “Nós temos mais o que fazer”, enquanto que outros ainda fingiram aceitar mas, na hora, foram tratar de seus interesses, uns no campo, outros em seus negócios, e outros em outras coisas de pouca importância. E, finalmente, houve também alguns que, aborrecidos com aquela insistência, pegaram os servos do rei e os mataram para os fazer calar, porque eles ficavam só repetindo: “Não negues ao rei uma coisa destas, porque poderias sair-te mal.”

Os servos voltaram ao rei e lhe contaram tudo e o rei se encheu de indignação, mandando seus soldados punir os assassinos de seus servos e castigar os outros que haviam desprezado o seu convite, e ficou esperando, para recebê-los bem, aos que prometeram ir. Mas, quando chegou a tarde do dia da festa, na hora marcada, ninguém havia chegado.

206.12

O rei, irado, chamou os seus servos e disse-lhes: “Não há de acontecer que meu filho fique sem os festejos nesta tarde de suas núpcias. O banquete está pronto, mas os convidados não são dignos dele. Seja como for, o banquete nupcial de meu filho haverá de realizar-se. Ide agora pelas praças e pelas estradas, colocai-vos nas encruzilhadas, fazei parar a quem estiver passando, reuni os que pararem e trazei-os todos para cá. E que o salão se encha com os que vêm para a festa.”

Os servos lá se foram. Tendo saído pelas estradas, e tendo-se uns espalhados pelas praças ou se colocado nas encruzilhadas, foram ajuntando a todos os que foram encontrando, bons e maus, ricos e pobres e os levaram para a morada do rei, fornecendo-lhes também os meios para que pudessem comparecer à festa e entrar no salão do banquete do casamento. Depois os fizeram entrar e o salão ficou cheio de convidados, como o rei queria.

Mas, resolvendo o rei entrar no salão, para ver se já se podia começar a festa, viu lá dentro um homem que, mesmo com a ajuda que os servos lhe haviam oferecido, não estava com a veste própria para uma festa de casamento. E o rei lhe perguntou: “Como foi que entraste aqui sem a veste de núpcias?” E o homem não soube o que responder, porque de fato não tinha motivos para desculpar-se. Então, o rei chamou os servos e lhes disse: “Pegai este homem, amarrai-o de pés e mãos e expulsai-o para fora de minha morada, que ele fique lá no escuro e na lama gelada. Que lá ele fique chorando e rangendo os dentes, como ele mereceu por sua ingratidão e pela ofensa que me fez, e mais do que a mim, ao meu filho, entrando aqui com esta veste andrajosa e suja, logo aqui no salão do banquete, onde só deve entrar quem é digno de estar neste lugar e na festa de meu filho.”

206.13

Como estais vendo, as preocupações do mundo, as avarezas, as sensualidades, as crueldades atraem a ira do rei e fazem que esses filhos das preocupações nunca mais entrem na casa do Rei. E vede também que, até entre os convidados pela bondade do seu filho, há castigados.

Quantos há assim, nos dias de hoje, nesta terra à qual Deus enviou o seu Verbo!

Aos aliados, aos amigos, aos grandes do seu povo Deus realmente os convidou, por meio dos seus servos, e mais ainda os fará convidar, com um convite insistente, à medida que a hora das minhas núpcias for-se avizinhando. Mas não aceitarão o convite, porque são falsos aliados, falsos amigos, não são grandes senão de nome, pois a baixeza mora neles.

Jesus vai elevando cada vez mais a voz, e seus olhos, à luz de um fogo, que foi aceso entre Ele e os ouvintes, para iluminar a noite, pois nela não há luar, estando a lua em minguante e levantando-se mais tarde, lançam uns lampejos de luz como se fossem duas pedras preciosas.

– Sim, a baixeza mora neles. Por tudo isso, eles não compreendem que é um dever e uma honra para eles que aceitem o convite do Rei.

Soberba, dureza e libidinagem formam um baluarte em seu coração. E — maus como são, — tem ódio de Mim, e por isso não querem vir às minhas núpcias. Não querem vir. Preferem às núpcias os conúbios com a política suja, com o dinheiro ainda mais sujo e com a sujíssima sensualidade. Eles preferem ir fazer os seus cálculos cheios de astúcia, ficar conspirando numa conspiração traiçoeira, preferem o ardil e o delito.

Eu condeno tudo isso em nome de Deus. Odeia-se por isso a voz que fala e as festas a que ela convida. É neste povo que devem ser procurados os que matam os servos de Deus: os Profetas, que são seus servos até hoje, os meus discípulos, que são os servos, de agora em diante. Neste povo é que são escolhidos os que querem trapacear com Deus, e dizem: “Sim, nós vamos”, enquanto, em seu interior, pensam assim: “Não vou, nem por sombra!” De tudo isso há em Israel.

E o Rei do Céu, a fim de que o Filho possa ostentar a magnificência de suas núpcias, mandará recolher nas encruzilhadas aqueles que nem são amigos, que nem são grandes, nem aliados, mas são simplesmente pessoas que vão passando. Já — por minha mão, pela minha mão de Filho e de servo de Deus — a colheita começou.

Sejam quais forem, eles virão… E já vieram. E Eu os ajudo a ficarem limpos e belos para a festa das núpcias. Mas haverá, Oh! para sua infelicidade, haverá quem até da generosidade de Deus, que lhe dá perfumes e vestes reais, para fazê-lo parecer o que ele não é: alguém rico e digno, haverá quem, de toda essa bondade se aproveitará para, como um indigno, seduzir, tirar vantagem… É um indivíduo vesgo de espírito, abraçado pelo polvo repugnante de todos os vícios… e até subtrairá alguns perfumes e vestes para obter com essas coisas algum lucro ilícito, usando delas não para as núpcias do Filho, mas para as suas núpcias com satanás.

Pois bem. Isto acontecerá. Porque muitos são os chamados, mas poucos os que, por saberem perseverar em atender ao chamado, chegam a ser eleitos. Contudo, também acontecerá que a estas hienas, que preferem as podridões a um nutrimento vivo, haverá de ser infligido o castigo de serem tocados para fora do salão do banquete para o meio das trevas e de uma lama de um brejo eterno, onde satanás faz ouvir a sua estridente e horrível risada por todos os triunfos conseguidos contra uma alma, e nos quais se ouve também o eterno pranto desesperado dos mentecaptos, que foram atrás do delito, em vez de acompanharem a Bondade, que os havia chamado.

EMF 206.13 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Quantos há assim, nos dias de hoje, nesta terra à qual Deus enviou o seu Verbo! Aos aliados, aos amigos, aos grandes do seu povo Deus realmente os convidou, por meio dos seus servos, e mais ainda os fará convidar, com um convite insistente, à medida que a hora das minhas núpcias for-se avizinhando. Mas não aceitarão o convite, porque são falsos aliados, falsos amigos, não são grandes senão de nome, pois a baixeza mora neles.

Jesus vai elevando cada vez mais a voz, e seus olhos, à luz de um fogo, que foi aceso entre Ele e os ouvintes, para iluminar a noite, pois nela não há luar, estando a lua em minguante e levantando-se mais tarde, lançam uns lampejos de luz como se fossem duas pedras preciosas.

– Sim, a baixeza mora neles. Por tudo isso, eles não compreendem que é um dever e uma honra para eles que aceitem o convite do Rei.

Soberba, dureza e libidinagem formam um baluarte em seu coração. E — maus como são, — tem ódio de Mim, e por isso não querem vir às minhas núpcias. Não querem vir. Preferem às núpcias os conúbios com a política suja, com o dinheiro ainda mais sujo e com a sujíssima sensualidade. Eles preferem ir fazer os seus cálculos cheios de astúcia, ficar conspirando numa conspiração traiçoeira, preferem o ardil e o delito.

Eu condeno tudo isso em nome de Deus. Odeia-se por isso a voz que fala e as festas a que ela convida. É neste povo que devem ser procurados os que matam os servos de Deus: os Profetas, que são seus servos até hoje, os meus discípulos, que são os servos, de agora em diante. Neste povo é que são escolhidos os que querem trapacear com Deus, e dizem: “Sim, nós vamos”, enquanto, em seu interior, pensam assim: “Não vou, nem por sombra!” De tudo isso há em Israel.

E o Rei do Céu, a fim de que o Filho possa ostentar a magnificência de suas núpcias, mandará recolher nas encruzilhadas aqueles que nem são amigos, que nem são grandes, nem aliados, mas são simplesmente pessoas que vão passando. Já — por minha mão, pela minha mão de Filho e de servo de Deus — a colheita começou.

Sejam quais forem, eles virão… E já vieram. E Eu os ajudo a ficarem limpos e belos para a festa das núpcias. Mas haverá, Oh! para sua infelicidade, haverá quem até da generosidade de Deus, que lhe dá perfumes e vestes reais, para fazê-lo parecer o que ele não é: alguém rico e digno, haverá quem, de toda essa bondade se aproveitará para, como um indigno, seduzir, tirar vantagem… É um indivíduo vesgo de espírito, abraçado pelo polvo repugnante de todos os vícios… e até subtrairá alguns perfumes e vestes para obter com essas coisas algum lucro ilícito, usando delas não para as núpcias do Filho, mas para as suas núpcias com satanás.

Pois bem. Isto acontecerá. Porque muitos são os chamados, mas poucos os que, por saberem perseverar em atender ao chamado, chegam a ser eleitos. Contudo, também acontecerá que a estas hienas, que preferem as podridões a um nutrimento vivo, haverá de ser infligido o castigo de serem tocados para fora do salão do banquete para o meio das trevas e de uma lama de um brejo eterno, onde satanás faz ouvir a sua estridente e horrível risada por todos os triunfos conseguidos contra uma alma, e nos quais se ouve também o eterno pranto desesperado dos mentecaptos, que foram atrás do delito, em vez de acompanharem a Bondade, que os havia chamado.

Detalhe

Jesus acaba de contar a parábola do rei que dá um banquete de casamento ao seu filho. Comenta-a e fala dos que se recusam a ir ao casamento, dos que matam os servos de Deus, do Rei do Céu que vai convidar os transeuntes (pagãos). Fala também dos que vão trair Cristo e menciona o inferno no final do seu discurso.

EMF 206.14 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Levantai-vos, e vamos descansar. Eu vos abençôo, ó cidadãos de Betânia, a todos vós. Eu vos abençôo e vos dou a minha paz. Eu abençôo em particular a ti, ó Lázaro, meu amigo, e a ti, Marta. Abençôo aos meus discípulos antigos e novos, que Eu mando pelo mundo para chamar, para convidar para as núpcias do Rei. Ajoelhai-vos, para que Eu vos abençoe a todos. Pedro, dize a oração que Eu vos ensinei e vem dizê-la aqui ao meu lado, de pé, porque assim há de ser feita por quem para isso foi destinado por Deus.

A assembleia toda se ajoelha sobre o feno, ficando em pé somente Jesus em sua veste de linho, com toda a sua altura e beleza, e Pedro, em sua veste marrom escura, inflamado pela emoção, um pouco trêmulo e que reza, com uma voz não bonita, mas viril, recitando devagar, por medo de errar: “Pai nosso…”

Ouvem-se alguns soluços… de homem, de mulher…

Margziam está ajoelhado justamente ao lado de Maria, que está segurando suas mãozinhas juntas. Olha com um sorriso angelical para Jesus, e diz baixinho:

– Olha mãe é belo! E como é belo também o pai. Parece estarmos no Céu. Será que minha mãe está aqui vendo?

E Maria, em um sussurro, que termina com um beijo, responde:

– Sim, querido. Ela está aqui. E está aprendendo a oração.

– E eu? Também eu a aprenderei?

– Ela a sussurrará à tua alma, enquanto estiveres dormindo, e eu a repetirei durante o dia.

O menino deixa cair para trás a cabecinha morena sobre o peito de Maria e fica assim, enquanto Jesus abençoa com a solene bênção mosaica de sempre.

Detalhe

Jesus acaba de contar uma parábola. Perante uma pequena congregação, é Pedro que tem de recitar o Pai-Nosso. É isto que Jesus quer.

EMF 206.15-17 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Lázaro se congratula com Jesus. Ele diz:

– Oh! Sinto muito vê-lo partir. Mas estou mais contente do que se te tivesse visto partir anteontem!

– Por que, Lázaro?

– Porque me parecias estar muito triste e cansado… Não falavas nada e pouco sorrias…Ontem e hoje te tornaste o meu santo e doce Mestre e isto me dá muita alegria…

– Eu o era, mesmo estando calado…

– Tu o eras. Mas Tu és serenidade e palavra. Nós queremos isto de Ti. É nestas fontes que bebemos a nossa força. E agora estas fontes pareciam estar secas. Nossa sede nos estava atormentando. Tu estás vendo como até os pagãos ficaram espantados e vieram procurá-las…

Iscariotes, do qual se havia aproximado João de Zebedeu, se atreve a perguntar:

– É isso. Já também a mim me haviam feito esta pergunta. Porque eu estava junto à fortaleza Antônia, esperando ver-te.

– Tu sabias onde Eu estava, responde Jesus curtamente.

– Eu sabia. Mas eu pensava que não terias decepcionado a quem Te estava esperando. Também os romanos ficaram decepcionados. Não sei por que fizeste assim…

– E és tu que me fazes esta pergunta? Não estarás tu a par das intenções do Sinédrio, dos fariseus e de outros ainda, a meu respeito?

– Por quê? Terias tido medo?

– Medo não. Náusea.

206.16

No ano passado, quando Eu estava sozinho, um só contra todo mundo, que nem mesmo sabia se Eu era um Profeta, Eu mostrei que não tinha medo. E tu foste uma conquista daquela minha coragem. Eu fiz que se ouvisse a minha voz contra todo mundo que urrava contra Mim; fiz ouvir a voz de Deus a um povo que se tinha esquecido dela; purifiquei a Casa de Deus das sujeiras materiais que estavam nela, não esperando que pudesse limpá-la das bem mais graves sujeiras morais que se tinham aninhado nela, porque Eu não ignoro o futuro dos homens, mas para cumprir o meu dever, pelo zelo da Casa do Senhor Eterno, transformada em uma praça barulhenta de revendedores, usurários e ladrões e para sacudir do torpor aqueles que muitos séculos de desleixo sacerdotal tinham feito cair num letargo espiritual. Foi o toque de recolher para o meu povo, a fim de levá-lo para Deus. Este ano Eu voltei.. E pude ver que o Templo é sempre o mesmo… E que está pior ainda. Já não é mais uma espelunca de ladrões, mas um lugar de conspiração. Depois se tornará sede do delito, depois um lupanar e finalmente, será destruído por uma força maior que a de Sansão, esmagando uma casta indigna de ser chamada santa. É inútil falar naquele lugar, no qual, eu peço que te lembres, foi-me proibido falar. Povo desleal! Povo envenenado em seus chefes, povo que ousa interditar que a Palavra de Deus fale em sua Casa! Foi-me proibido. Eu me calei por amor aos pequeninos. Não é ainda a hora de me matarem. Muitos precisam de Mim, e os meus apóstolos ainda não estão fortes para receberem em seus braços a minha prole: o Mundo. Não chores, mãe, perdoa, tu que és boa, a necessidade que teu Filho tem de falar a Verdade, que Eu sou, a quem quer ou pode iludir-se… Eu me calo… Mas, ai daqueles por causa dos quais Deus se cala!… Ó mãe, ó Margziam, não choreis!… Isto Eu vos peço. Ninguém chore.

Mas, na realidade todos mais ou menos estão chorando e com muita dor.

Judas, pálido como um morto, em sua veste amarela e vermelha com listras, ainda se atreve a falar com uma voz choramingante e ridícula:

– Podes crer, Mestre, que eu estou assombrado e entristecido… Não sei o que queres dizer… Eu não estou sabendo de nada… É verdade que eu não vi nenhum do Templo. Eu rompi relacionamento com todos… Mas, se Tu estás dizendo, deve ser verdade…

– Judas, não viste nem Sadoc?

Judas inclina a cabeça, murmurando:

– É um amigo… Como tal eu o vi. E não como um dos do Templo…

206.17

Jesus não lhe dá resposta. Mas vira-se para Isaac e para João de Endor, aos quais faz ainda recomendações sobre o trabalho deles.

Entretanto, as mulheres estão confortando Maria, que está chorando, e ao menino, que também chora, ao ver Maria chorar.

EMF 207.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Deixada Betânia, ao primeiro riso da aurora, Jesus vai rumo a Belém com sua mãe, com Maria de Alfeu e com Salomé, acompanhado pelos apóstolos e tendo à sua frente o menino, que encontra motivo de alegria em tudo o que vê: as borboletas que despertam, os passarinhos que cantam ou vão dando bicadas pela estrada, as flores que resplendem com os diamantes das orvalhadas, o aparecimento de um rebanho no qual há muitos cordeirinhos berrando. Passada a torrente que fica ao sul de Betânia, toda uma espuma risonha por entre as pedras, a comitiva se dirige para Belém por entre duas séries de colinas, todas verdes com suas oliveiras e vinhedos, com pequenos campos dourados pelas messes, que já começaram a ser colhidas. O vale está fresco e o caminho bastante cômodo.

Simão de Jonas põe-se à frente, unindo-se ao grupo de Jesus e pergunta:

– Por aqui se vai a Belém? João diz que na outra vez o fizera por outra estrada.

– É verdade –diz Jesus–. Mas é porque estávamos vindo de Jerusalém. Indo-se por aqui o caminho é mais curto. No sepulcro de Raquel, que as mulheres querem ver, nós nos separaremos, como decidistes há tempo. Depois, nos reuniremos em Betsur, onde minha mãe deseja permanecer.

– É verdade, nós o dissemos… Mas seria muito bonito, se fôssemos todos juntos… especialmente com a mãe… porque a Rainha de Belém e da Gruta é ela e ela sabe tudo muito bem… Ouvindo as palavras dela, seria outra coisa, aí está.

Jesus sorri, olhando para Simão, que insinuou delicadamente o seu desejo.

– Que gruta, pai? –pergunta Margziam.

– A gruta onde nasceu Jesus.

– Oh! Que bonito! Eu também vou lá.

– Seria bonito de fato! –dizem Maria de Alfeu e Salomé.

– Muito bonito!… Seria voltar atrás… ao tempo em que o mundo não te conhecia, é verdade, mas também ainda não te odiava… Seria encontrar de novo o amor dos simples, que não souberam senão crer e amar, com humildade e fé… Seria depor este peso de amargura, que me oprime o coração, quando sei como és odiado e colocar esse peso lá no teu berço .. Lá deve ter ficado ainda a doçura do teu olhar, da tua respiração, daquele teu sorriso incerto, lá… e fariam caríicias ao meu coração… Ele está tão amargurado!…

Maria fala baixo, com saudade e tristeza.

– Então, iremos lá, minha mãe. Guia-me, tu. Hoje és tu Mestra e eu a criança que aprende.

– Oh! Filho! Não! Tu és sempre o Mestre!

– Não, minha mãe. Simão de Jonas falou bem. Na terra de Belém, a Rainha és tu. É lá o teu primeiro castelo. Maria, da estirpe de Davi, guia este pequeno povo por entre tuas moradas.

Iscariotes ia falar, mas resolve calar-se. Jesus, que nota aquele ato e o interpreta, diz:

– Se alguém, por cansaço ou por outro motivo, não quiser ir, prossiga por Betsur livremente.

Mas ninguém diz nada.

Detalhe

Alguns apóstolos não falam durante a EMV 207 (Tomé, João, André, Tiago de Alfeu, Filipe...) mas estão presentes.

EMF 207.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Mas, e o dia seguinte? E depois dele? –perguntam muitos, entre os quais as duas Marias.

– No dia seguinte? Oh! Muito simples! Fui a mãe que dá leite ao seu menino, que o lava e enfaixa, como fazem todas as outras mães. Eu esquentava a água buscada no rio, sobre o fogo que era aceso ali fora, a fim de que a fumaça não fizesse aqueles dois olhinhos azuis chorar e, depois, no canto mais abrigado da gruta, em uma velha gamela, eu lavava o meu Filho e o enrolava em panos frescos. Depois, eu ia ao rio lavar os paninhos e os estendia ao sol… Em seguida, alegria das alegrias, eu punha Jesus ao peito e Ele sugava, tornando-se mais corado e feliz. No primeiro dia, à hora do maior calor, fui sentar-me ali fora, para vê-lo bem. Aqui a luz não entra direta, mas se filtra, e a luz e as chamas dão às coisas uma aparência esquisita. Eu fui lá para fora, ao sol, e olhei para o Verbo Encarnado. Foi então que a mãe conheceu o Filho, a Serva de Deus ao seu Senhor. Aí eu fui mulher e adoradora…. Depois, a casa de Ana… aqueles dias junto ao teu berço, os teus primeiros passos, a primeira palavra. Mas isso foi depois, a seu tempo… E nada, nada foi igual à hora do teu nascimento… Só no retorno para Deus reencontrarei aquela plenitude…

– Mas… deixar para partir assim, na última hora! Que imprudência! Por que não esperar? O decreto previa também uma data mais afastada, para os casos excepcionais, como os de nascimentos e doenças. Alfeu falou assim… –disse Maria de Alfeu.

– Esperar? Oh! Não. Naquela tarde em que José trouxe a notícia, eu e Tu, meu Filho, saltamos de alegria. Era o chamado, porque aqui, somente aqui é que devias nascer, como os Profetas haviam dito. E aquele decreto de improviso foi como um céu piedoso para José, pois acabava até com a lembrança da suspeita dele. Era aquilo que eu esperava para Ti, para ele, para o mundo judaico e para o mundo futuro, até o fim dos séculos. Estava dito[2]. E, como estava dito, aconteceu. Esperar! Pode a esposa aceitar uma espera para o sonho de suas núpcias? Por que esperar?

– Mas… por tudo o que podia acontecer… –diz ainda Maria de Alfeu.

– Eu não tinha medo nenhum. Eu descansava em Deus.

– Mas, tu sabias que tudo teria sido assim?

– Ninguém me havia dito isso, nem eu pensava nisso, tanto assim, que para encorajar José, eu deixei que ele ficasse dúvidando, e a vós também, sobre se já era, ou não, o tempo do nascimento. Mas eu sabia, isto eu sabia, que na festa das Luzes nasceria a Luz do mundo…

– E tu, então, minha mãe, por que não acompanhaste Maria? E o pai, por que não pensou nisso? Vós também devíeis ter vindo aqui. Hoje não viemos todos? –pergunta sério Judas Tadeu.

– Teu pai tinha decidido que viria depois das Encênias, e disse isto ao irmão dele. Mas José não quis esperar.

– Mas tu, ao menos… –retruca ainda Tadeu.

– Não a censures, Judas. De comum acordo, achamos justo descer um véu sobre o mistério deste nascimento.

– Mas José sabia que ele teria acontecido com aqueles sinais? Se nem tu sabias, como podia ele saber?

– Nós não sabíamos de nada, a não ser que Ele devia nascer.

– E então?

– E então a Sabedoria divina nos guiou assim, como era justo. O nascimento de Jesus, sua presença no mundo, devia aparecer privada de tudo o que fosse extraordinário e provocasse a ira de satanás… E vós estais vendo como o ódio atual de Belém para com o Messias é uma consequência da primeira manifestação de Cristo. O rancor do demônio usou da revelação para fazer derramar sangue e, pelo sangue derramado, fazer nascer o ódio.

Detalhe

A Virgem Maria acaba de nos falar do nascimento de Jesus.

Anotação

O decreto previa um adiamento em casos excepcionais, como o nascimento ou a doença. O edital do recenseamento, ver EMV 27.

E este decreto inesperado foi como um ato de misericórdia do Céu para apagar até a memória da suspeita de José. Era o que eu esperava, para ti, para ele, para o mundo judeu e para o mundo vindouro, até ao fim dos tempos. Foi predito. E aconteceu exatamente como foi predito. Como em Miqueias 5, 1-2.

Livro de Miqueias 5, 1-2

Mi 5, 1-2 : E tu, Belém Efrata, o mais pequeno dos clãs de Judá, de ti sairá para mim aquele que há-de governar Israel. As suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias de outrora.