EMF 174.18-22 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Jesus sorri, e começa a falar.
– Vós ouvistes que foi dito antigamente: “Não cometas adultério.” Quem já me ouviu em outros lugares, sabe que muitas vezes Eu tenho falado sobre este pecado. Porque, vejam bem, para Mim é um pecado feito não por um, mas por duas ou três pessoas. Eu me explico. O adúltero peca por si, peca pela cúmplice, peca levando a mulher a pecar ou o marido ser traído, o qual pode chegar ao desespero ou ao delito. Diga-se isso para o pecado consumado. Mas Eu digo mais: “Não só o pecado consumado, mas o desejo de consumá-lo, já é pecado.” Que é o adultério? Ele consiste em desejar febrilmente aquele ou aquela que não é nosso ou nossaa. Começa-se a pecar pelo desejo, continua-se pela sedução, completa-se pela persuasão, e coroa-se com o ato.
Como se começa? Geralmente por um olhar impuro. E isto se une a tudo o que Eu disse antes. Os olhos impuros veem o que está escondido aos puros. É pelos olhos que a sede entra nas gargantas, a fome no corpo e a febre no sangue. Sede, fome e febre carnais. Tem início o delírio. Se o outro, o que está sendo olhado é honesto, eis que o delirante fica sozinho, revolvendo-se nos seus carvões ardentes, ou então chega a denegrir por vingança. Se o olhado também é desonesto, então ele corresponde aos olhares e aí começa a descida para o pecado. Por isso, Eu vos digo: “Quem olhou para uma mulher com desejo, já cometeu o adultério com ela, porque em seu pensamento já cometeu o ato do seu desejo.” Em vez de fazer isso, se o teu olho direito for para ti ocasião de escândalo, arranca-o, e joga-o para longe de ti. É melhor para ti que fiques sem um olho, do que te precipitares nas trevas infernais para sempre. Se a tua mão direita pecou, corta-a e joga-a fora. Melhor para ti e estares sem um membro do que estar com todos os membros no inferno. É verdade que está dito[4] que os aleijados não podem servir a Deus no Templo. Mas, na outra vida, os aleijados de nascença santos, ou os aleijados por virtude, se tornarão mais belos do que os anjos, e servirão a Deus, amando-O na alegria do Céu.
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Também foi dito: “Quem mandou embora sua mulher dê-lhe o libelo do divórcio.” Mas isto está reprovado. Isto não vem de Deus. Deus disse a Adão: “Esta é a companheira que fiz para ti. Crescei e multiplicai-vos sobre a terra, enchei-a e tornai-a sujeita a vós.” Adão, cheio de uma inteligência superior, porque o pecado ainda não tinha ofuscado a sua razão, pois esta havia sido criada perfeita por Deus, exclamou: “Eis que finalmente aqui está o osso dos meus ossos e a carne de minha carne. Esta vai chamar-se Virago, isto é, outro eu, porque foi tirada do homem. Por isso o homem deixará pai e mãe, e os dois se tornarão uma só carne.” E, em um grande esplendor de luzes, a Eterna Luz aprovou com um sorriso a palavra de Adão, que se tornou a primeira e irrevogável lei. Agora, se pela dureza sempre crescente do homem, o homem legislador teve que estabelecer um novo código; se, pela volubilidade sempre crescente do homem, ele teve que pôr-lhe um freio, dizendo: “Se a repudiaste, não a podes mais tomar contigo”, isto não revoga a primeira e genuína lei, que nasceu no Paraíso Terrestre, e foi aprovada por Deus.
Eu vos digo: “Quem mandou embora a própria mulher, a não ser em caso de provada fornicação, a expõe ao adultério.” Porque, de fato, o que vai fazer, em noventa por cento dos casos, a mulher repudiada? Ela irá casar-se de novo. E quais as consequências disso? Oh! Sobre isso, quanto haveria para se dizer! Não sabeis que podeis provocar até incestos involuntários com este modo de proceder? Quantas lágrimas já se derramaram por causa de luxúria! Sim. Luxúria. Não tem outro nome. Sede sinceros. Tudo se pode superar, quando o espírito é reto. Tudo, porém serve de motivo para satisfazer-se a sensualidade, quando o espírito é luxurioso: a frigidez feminina, a lentidão dela, a incapacidade no que se refere aos serviços da casa, a língua desenfreada, o amor ao luxo, tudo isso se suporta, até as doenças, até a irascibilidade, quando os dois se amam santamente. Mas, visto que, depois de algum tempo já não se amam mais como no primeiro dia, então, começa-se a achar impossível o que é mais que possível, e se joga uma pobre mulher na rua, a caminho da perdição.
Comete adultério quem a rejeita. Comete adultério quem se casa com ela, depois do repúdio. Somente a morte pode dissolver o matrimônio. Recordai-vos disso. Se fizestes uma escolha infeliz, arcai com as consequências, como quem tem que levar uma cruz, sendo dois infelizes, mas santos, sem criar mais infelicidade nos filhos, pois eles, inocentes, são os que mais sofrem nessas tristes situações. O amor aos filhos deveria fazer-vos meditar cem vezes e até mais, mesmo no caso da morte de um dos cônjuges. Oh! Se soubésseis contentar-vos com tudo o que tendes tido, quando Deus vos disse: “Basta isto!” Se soubésseis vós, viúvos, e vós, viúvas, ver na morte não uma diminuição, mas uma elevação à perfeição de procriadores! Ser mãe até para a mãe falecida! Ser pai até para o pai falecido! Ser duas almas em uma só, recolher o amor pelos filhos sobre os lábios gelados de um moribundo, e dizer: “Vai em paz, sem preocupação por aqueles que de ti vieram. Eu continuarei a amá-los, por ti e por mim, a amá-los duas vezes, serei para eles pai e mãe.” E a infelicidade dos órfãos não pesará sobre eles. Nem mesmo sentirão o inato ciúme do filho do cônjuge que se casou de novo, por aquele ou por aquela que toma o lugar sagrado da mãe ou do pai, que por Deus foram chamados para outra morada.
174.20
Filhos, minhas palavras estão chegando ao fim, como está chegando ao fim este dia que já declina com Sol para o lado do ocidente. Desta reunião no monte quero que vos lembreis das palavras que aqui vos foram ditas. Esculpi-as em vossos corações. Tornai a lê-las seguidamente. Que elas vos sirvam sempre de guia. Sobretudo sede bons com quem é fraco. Não julgueis para não serdes julgados. Recordai-vos de que poderia chegar o momento no qual Deus vos lembrará: “Assim tu julgaste. Por isso sabias que era mal.Com conhecimento do que fazias, cometeste o pecado. Cumpre agora a tua pena.”
A caridade é uma absolvição. Tende a caridade em vós para com todos e com tudo. Se Deus vos dá tantos auxílios para que vos conserveis retos, não vos enchais de orgulho por isso. Procurai subir, porque longa é a escada da perfeição e estendei a mão aos cansados, aos ignorantes, aos que são presas de súbitas desilusões. Por que ficar observando com tanta atenção o cisco no olho do teu irmão, e não procuras antes tirar a trave que está no teu? Como podes dizer ao teu próximo: “Deixa que eu tire do teu olho esse cisco, enquanto a trave que está no teu te faz cego? Não sejas hipócrita, filho: tira primeiro a trave que está no teu olho e, depois, poderás tirar o cisco do olho do teu irmão, sem que o leses gravemente.
Assim como não deveis cometer faltas de caridade, não sejais também imprudentes. Eu vos disse: “Estendei vossas mãos aos cansados, aos ignorantes, àqueles que são presas de imprevistas desilusões.” Mas, se é caridade instruir os ignorantes, animar os cansados, dar novas asas àqueles que, por vários motivos, as quebraram, é imprudência revelar as verdades eternas aos que estão infeccionados pelo satanismo, os quais se apropriam das verdades para se fingirem de profetas, para se insinuarem entre os símples, e corromperem, falsificarem, sujando sacrilegamente as coisas de Deus. Respeito absoluto, saber falar e saber calar-se, saber refletir e saber agir, aí estão as virtudes do verdadeiro discípulo para fazer prosélitos e servir a Deus. Vós tendes uma razão e, se usais dela com justiça, Deus vos dará todas as luzes, para guiar ainda melhor a vossa razão. Pensai que as verdades eternas são semelhantes a pérolas e nunca se viu jogar pérolas aos porcos, que preferem as bolotas e a lavagem mal cheirosa às pérolas preciosas, e até as esmagariam sem dó com os seus pés, para depois, com a fúria de quem foi ludibriado, virarem-se contra vós para despedaçar-vos. Não deis coisas santas aos cães. Isto serve para agora e para depois.
174.21
Muitas coisas Eu vos disse, meus filhos. Escutai as minhas palavras; quem as escuta e as põe em prática é comparável a um homem que refletiu, quando queria construir uma casa e escolheu um lugar rochoso. Certamente ele se cansou para construir as bases. Teve que trabalhar com picareta e buril, teve que calejar as mãos e cansar os rins. Mas depois ele pôde passar argamassa de cal nas fendas da rocha e colocar os tijolos e fechar as paredes, formando uma fortaleza. A casa foi crescendo muito sólida como um monte. Vieram as intempéries, os aguaceiros. As chuvas fizeram transbordar os rios, assobiaram os ventos, as ondas bateram na casa, mas ela resistiu a tudo. Assim é aquele que tem uma fé bem fundada. Ao contrário, quem ouve com superficialidade e não se esforça para gravar em seu coração as minhas palavras, porque sabe que isso exige trabalho, que é preciso passar pela dor, extirpar muitas coisas, esse é semelhante a quem por preguiça e estultícia constrói sua casa sobre a areia. Nem bem chega a tempestade e a casa, rapidamente construída, rapidamente cai. O estulto fica olhando desolado para os escombros e para a ruína do seu capital. Mas aqui há mais do que uma ruína, porque esta ainda pode ser reparada com despesas e trabalho. Aqui, tendo vindo abaixo o edifício mal construído de um espírito, não se tem mais nada para reconstruí-lo. Na outra vida não se edifica. Ai de quem se apresentar lá com escombros!
174.22
Terminei. Agora, vou descer para o lago e vos abençôo em nome de Deus Uno e Trino. A minha paz esteja convosco.
Detalhe
Esta é a terceira pregação de Cristo na EMV 174.