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Notas do tema

Religião judaica: costumes e preceitos

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EMF 39.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo Jesus entrar com sua mamãe, na espécie de sala de jantar de Nazaré.

Jesus é um belo jovenzinho de doze anos, alto, bem feito de corpo e robusto, sem ser gordo. Parece mais adulto do que é, pela sua compleição. Já está alto, tanto que atinge os ombros da mãe. Tem ainda o rosto redondo e rosado do Jesus menino, rosto que, depois, com a idade juvenil e viril, se emagrecerá, e se tornará de uma cor indefinida, a cor de certos delicados alabastros, que lembram, de longe, o amarelo rosado.

Os olhos, também os olhos, são ainda de menino. Grandes, bem abertos e com uma centelha de alegria, perdida no meio da seriedade com que olham. Depois, eles não serão mais tão abertos… As pálpebras descerão até a metade dos olhos, para encobrir o mal demasiado que está no mundo aos olhos do Santo e Puro. Só nos momentos de milagres é que eles estarão bem abertos e cintilantes, mais ainda do que agora… para expulsar os demônios e a morte, para curar as doenças e os pecados. E não estarão mais, nem mesmo com aquela centelha de alegria misturada com a seriedade… A morte e o pecado lhe estarão cada vez mais presentes e próximos, e com eles o conhecimento, também humano, da inutilidade do seu sacrifício, por causa da má vontade do homem. Só os raríssimos momentos de alegria, por estar com os remidos, e especialmente com os puros, meninos em sua maior parte, farão brilhar de alegria estes olhos­ santos e bons.

Mas agora Ele está com sua mamãe, em sua casa, e diante Dele está José, que lhe sorri com amor, e estão também os seus priminhos, que o admiram, e a tia Maria de Alfeu, que o acaricia… Ele está feliz. O meu Jesus tem necessidade de amor para ser feliz. Neste momento Ele tem amor.

Jesus está vestido com uma veste solta de lã vermelha, de tonalidade rubi claro. Ela é macia, de textura perfeita, na sua compacta tenuidade. Junto ao pescoço, na frente, por baixo das mangas longas e largas, e da veste, que desce até o chão, deixando descobertos apenas os pés, que estão calçados com sandálias novas e muito bem feitas — não as costumeiras solas, fixadas ao pé por meio de tiras de couro — está um galão, não bordado, mas tecido em cor mais escura sobre o vermelho rubi da veste. Deve ser obra da mamãe, porque a cunhada a admira e elogia.

Os belos cabelos loiros já estão carregados de uma tonalidade bem diferente de quando Ele era pequenino, agora com cintilações de cobre nas volutas dos caracóis, que terminam abaixo das orelhas. Não são mais os caracoizinhos curtos e leves da infância. Não são ainda os cabelos ondulados e compridos até aos ombros, onde terminam em macias madeixas aneladas na idade adulta. Mas já tendem mais para esta última na cor e na forma.

39.5 – Eis aqui o nosso Filho –diz Maria, levantando a sua mão direita, na qual está a mão esquerda de Jesus.

Parece que o está apresentando a todos e reconfirmando a paternidade do Justo, que está sorrindo. E ela acrescenta:

– Abençoa-o, José, antes de Ele partir para Jerusalém. Não foi necessária a bênção ritual, em sua idade de ir para a escola, primeiro passo na vida. Mas agora que Ele vai ao Templo, para ser declarado maior de idade, dá-lhe a bênção. E abençoa a mim também, junto com Ele. A tua bênção… (Maria dá um soluço) O fortificará e me dará força, para me desapegar um pouco mais Dele…

– Maria, Jesus será sempre teu. A fórmula não incidirá em nossos mútuos relacionamentos. Nem eu vou disputá-lo contra ti, este Filho que nos é tão caro. Ninguém como tu merece guiá-lo na vida, ó minha­ Santa.

Maria se inclina, pega a mão de José, e a beija. Ela é a esposa, oh! e quão amorosa e respeitosa para com o seu consorte!

José acolhe aquele sinal de respeito e de amor com dignidade, mas depois levanta aquela mão que foi beijada, e a coloca sobre a cabeça da esposa, dizendo:

– Sim, eu te abençôo, ó Bendita, e a Jesus junto contigo. Vinde, minhas únicas alegrias, minha honra e meu ideal.

José está solene. Com os braços estendidos, e as palmas das mãos voltadas para o chão sobre as duas cabeças inclinadas, igualmente loiras e santas, ele pronuncia a bênção:

– O Senhor vos guarde e vos abençoe. Tenha misericórdia de vós, e vos dê a paz. O Senhor vos dê a sua bênção.

E depois diz:

– Agora vamos. A hora é propícia para a viagem.

39.6 Maria apanha um manto grande, cor de romã, coloca sobre o corpo do Filho, e, ao fazer isso, o acaricia!

Saem e fecham a porta. Põem-se a caminho. Outros peregrinos vão indo na mesma direção. Ao saírem da cidade, as mulheres se separam dos homens. Os meninos vão com quem preferirem. Jesus fica com a mãe.

Os peregrinos vão salmodiando pelos belos campos, nestes alegres dias de primavera. Prados e searas frescas e frescas as ramagens das árvores, que floriram, há pouco. Ouvem-se os cantos dos homens pelos campos e pelas ruas e os dos pássaros nas árvores. Córregos límpidos servem de espelho para as flores que estão às margens e cordeirinhos saltam ao lado de suas mães. Há paz e alegria, sob o mais belo céu de abril.

A visão cessa assim.

Detalhe

Descrição física do Menino Jesus e da bênção de José antes de partir para Jerusalém.

EMF 40.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

40.1 O Templo está como em dias de festa. A multidão, entra e sai, atravessa os pátios, os átrios, e pórticos, desaparece nesta ou naquela construção situada nos diversos patamares, sobre os quais está espa­lhado o aglomerado do Templo.

As pessoas da comitiva da família de Jesus entram também, cantando salmos em voz baixa. Primeiro, todos os homens, depois, as mulheres. A eles se uniram também outros, que talvez sejam de Nazaré, ou amigos que moram em Jerusalém. Não sei.

José se afasta, depois de ter, junto com os outros, adorado o Altíssimo, daquele ponto de onde os homens podiam ficar (as mulheres pararam no patamar logo abaixo) e com o Filho, José atravessa novamente os pátios, dobra para um lado, entrando numa grande sala, que parece ser uma sinagoga. Não sei como pode ser isso. Haveria sinagogas também no Templo? José fala com um levita e este desaparece atrás de uma cortina listrada, para voltar depois com uns sacerdotes anciãos, penso que são sacerdotes, certamente mestres no conhecimento da Lei, designados para examinar os fiéis.

40.2 José apresenta-lhes Jesus. Primeiramente, os dois se inclinaram

profundamente diante dos dez doutores, que estão sentados com toda a dignidade sobre baixos bancos de madeira.

– Este aqui –diz ele–. É meu filho. Há três luas e doze dias que ele completou o tempo que a Lei exige para ser maior de idade. Mas eu quero que Ele o seja segundo os preceitos de Israel. Peço-vos que observeis que, pela sua compleição, Ele mostra que já saiu da infância e da menoridade. E peço-vos que o examineis com benevolência e assim possais julgar como é verdade tudo o que eu, pai dele, afirmo. Eu o preparei para esta hora e para esta sua dignidade de filho da Lei. Ele sabe os preceitos, as tradições, as decisões, os costumes das fímbrias e dos filactérios, sabe recitar as orações e as bênçãos diárias. Pode, pois, conhecendo a Lei, nos seus três ramos da Halacá, do Midraxe e da Hagadá, conduzir-se como um homem. Por isso, eu desejo ficar livre da responsabilidade por suas ações e por seus pecados. De agora em diante, seja Ele sujeito aos preceitos, e pague por suas faltas contra eles. Examinai-o.

– Nós o faremos.

40.3 Vem para frente, menino. Qual o teu nome?

– Jesus de José, de Nazaré.

– É nazareno. Tu sabes ler?

– Sim, rabi. Sei ler as palavras escritas e as que estão encerradas nas próprias palavras.

– Que estarias querendo dizer?

– Quero dizer que compreendo também o significado da alegoria ou do símbolo, que se oculta debaixo de uma aparência, como a pérola, que não aparece, mas está encerrada numa concha feia e fechada.

– Esta resposta não é comum, e é muito sábia. Raramente se ouve uma coisa destas, saindo dos lábios de pessoas adultas; imaginem saindo da boca de um menino, e, além disso, nazareno!

A atenção dos dez despertou. Seus olhos não perdem de vista, nem por um instante, o belo menino loiro que olha para eles com firmeza, sem arrogância, mas também sem medo.

– Tu estás honrando o teu mestre, que certamente devia ser muito douto.

– A Sabedoria de Deus fez do coração dele sua morada.

– Mas, escutai bem! Feliz de ti, ó pai de um filho como este!

José, que está lá no fundo da sala, sorri, e se inclina.

40.4 Dão a Jesus três rolos diferentes, dizendo:

– Lê aquele que está envolvido com uma fita de ouro.

Jesus abre o rolo e lê. É o Decálogo. Mas, depois das primeiras palavras, um dos juízes tira o rolo de suas mãos, e lhe diz:

– Continua, agora, de memória.

E Jesus continua, com tal segurança, que parece estar lendo. Cada vez que fala no Senhor, inclina-se profundamente.

– Quem te ensinou isso? Por que fazes assim?

– Porque santo é esse Nome, e deve ser pronunciado com sinal interno e externo de respeito. Ao rei, que é rei por breve tempo, seus súditos se inclinam, mesmo não sendo este mais do que pó. Ao Rei dos reis, ao Altíssimo Senhor de Israel, presente, ainda que não visível senão ao nosso espírito, não se deverá inclinar toda criatura, que Dele depende com sujeição eterna?

– Muito bem! Homem, nós te aconselhamos a fazer que teu filho seja instruído por Hilel ou Gamaliel. É nazareno… mas as suas respostas nos fazem esperar que Ele será um novo grande doutor.

– O filho já é maior de idade. Ele fará como quiser. Eu, se ele quiser uma coisa honesta, não me oporei.

40.5 – Rapaz, escuta. Disseste: “Lembra-te de santificar as festas. Mas não só por ti, mas pelo teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, e até pelo jumento, pois está dito que ele não fará trabalho no sábado.” Então, diz-me uma coisa: se uma galinha põe um ovo em dia de sábado, ou se uma ovelha dá cria, será lícito usar do fruto do ventre delas, ou será isso considerado uma coisa má?

– Sei que muitos rabinos, o último deles Shamai, que ainda está vivo, dizem que o ovo posto no sábado está contra o preceito. Mas Eu penso que uma coisa é o homem, e outra é o animal, e também o que o animal faz, como parir. Se eu obrigo o jumento a trabalhar, eu é que cometo o pecado pelo que ele faz, porque eu o chicoteio e obrigo a trabalhar. Mas, se uma galinha põe um ovo que amadureceu em seu ovário, ou uma ovelha gera um filhote no sábado, porque ele já está maduro para nascer, isso não é pecado, nem o ovo é pecado aos olhos de Deus, nem o cordeiro, que vieram à luz no sábado.

– E por que não? Se todo e qualquer trabalho no sábado é pecado?

– Porque o conceber e o gerar correspondem à vontade do Criador, e estão regulados pelas leis dadas por Ele a toda criatura. Ora, a galinha não faz mais que obedecer a esta lei que diz que, depois de tantas horas para a sua formação, o ovo está completo, e é posto. E a ovelha também não faz mais do que obedecer às leis dadas por Aquele que tudo fez, o qual estabeleceu que, duas vezes por ano, quando a primavera sorri para os prados em flor, e quando os bosques estão despojados de suas folhas e o gelo atormenta o peito do homem, que as ovelhas se acasalem, para dar-nos depois, no tempo determinado, o leite, a carne e os queijos tão nutritivos, justamente nos meses, em que os homens se cansam no trabalho da colheita, ou sofrem mais pelo rigor das geadas. Portanto, se uma ovelha, quando chega o seu tempo, dá cria, oh! isso bem pode ser uma coisa sagrada, até diante do altar, pois é fruto da obediência ao Criador.

40.6 – Eu não continuo a examinar mais. A sabedoria dele supera a dos adultos. E nos assombra.

– Não. Ele diz que é capaz de compreender até os símbolos. Ouçamo-lo.

– Primeiro, diz um salmo, as bênçãos e as orações.

– E também os preceitos.

– Sim. Diz os midrashot.

Jesus diz, então, com segurança, uma ladainha de “Não fazer isso, não fazer aquilo…” Se nós tivéssemos de ter ainda todas aquelas limitações, rebeldes como somos, Eu vos garanto que ninguém se salvaria…

– Basta. Abre o rolo da fita verde.

Jesus abre e começa a ler.

– Mais adiante, um pouco mais.

Jesus obedece.

– Basta. Lê agora, e nos explica que é que te parece que é um símbolo.

– Na Palavra santa raramente faltam os símbolos. Nós é que não os sabemos ver e aplicar. Eu leio: 4° livro dos Reis, cap. 22,vers. 10: “Safã, escriba, continuando a referir-se ao rei, disse: ‘O sumo sacerdote Helcias me deu um livro.’ E, tendo Safã lido o mesmo na presença do rei, este, depois de ouvir as palavras da Lei do Senhor, rasgou as vestes e, em seguida, deu…”

– Continua depois dos nomes.

– “… esta ordem: ‘Ide consultar o Senhor por mim, pelo povo, por toda Judá, a respeito das palavras deste livro, que foi achado, porque a grande ira de Deus se acendeu contra nós, pois os nossos pais não ouviram as palavras deste livro, para cumprirem as suas prescrições’…”

– Basta. O fato aconteceu muitos séculos antes de nós. E, então, que símbolo encontras em um fato de uma crônica tão antiga?

– Encontro o fato de que vós não tendes tempo para o que é eterno. Eterno é Deus, e a nossa alma, e as relações entre Deus e a alma. Por isso, o que havia provocado o castigo naquele tempo é o mesmo que provoca os castigos agora, e também os efeitos da culpa são iguais.

– Que queres dizer?

– Israel não sabe mais a Sabedoria, que vem de Deus. É a Ele, e não aos pobres homens, que precisamos pedir a luz. E não se tem luz, se não se tem a justiça e a fidelidade a Deus. Por isso é que se peca, e Deus, em sua ira, pune.

– Então, nós não sabemos mais? Que é que estás dizendo, rapaz? E os seiscentos e treze preceitos?

– Os preceitos existem, mas são palavras. Nós os sabemos, mas não os colocamos em prática. Por isso não sabemos. O símbolo é este: todo homem, em qualquer tempo, tem necessidade de consultar o Senhor­ para conhecer a sua vontade e de nela confiar para não atrair sua ira.

40.7 – O rapaz é perfeito. Nem mesmo a cilada de uma pergunta insidiosa foi capaz de perturbar sua resposta. Que ele seja levado à verdadeira sinagoga.

Passam para uma sala mais ampla e pomposa. Aqui a primeira coisa que lhe fazem é encurtar-lhe os cabelos. Os grandes caracóis são recolhidos por José. Depois, apertam-lhe a veste vermelha com uma cinta comprida, passada em diversas voltas em torno da cintura, amarram-lhe umas fitazinhas na fronte, no braço e no manto. Elas ficam seguras por uma espécie de broche. Depois, cantam salmos, e José, com uma longa oração, louva ao Senhor e invoca sobre o Filho todos os bens.

A cerimônia chega ao fim. Jesus sai com José. Voltam para o lugar onde estavam e se reúnem aos seus parentes homens, compram e oferecem um cordeiro; depois, com a vítima já degolada, vão ao encontro das mulheres.

Maria beija o seu Jesus. Parece que havia muitos anos que ela não o via. Ela olha para Ele, feito agora mais homem, com aquela veste e aqueles cabelos, e o acaricia.

Saem e tudo termina.

EMF 40.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

40.5 – Rapaz, escuta. Disseste: “Lembra-te de santificar as festas. Mas não só por ti, mas pelo teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, e até pelo jumento, pois está dito que ele não fará trabalho no sábado.” Então, diz-me uma coisa: se uma galinha põe um ovo em dia de sábado, ou se uma ovelha dá cria, será lícito usar do fruto do ventre delas, ou será isso considerado uma coisa má?

– Sei que muitos rabinos, o último deles Shamai, que ainda está vivo, dizem que o ovo posto no sábado está contra o preceito. Mas Eu penso que uma coisa é o homem, e outra é o animal, e também o que o animal faz, como parir. Se eu obrigo o jumento a trabalhar, eu é que cometo o pecado pelo que ele faz, porque eu o chicoteio e obrigo a trabalhar. Mas, se uma galinha põe um ovo que amadureceu em seu ovário, ou uma ovelha gera um filhote no sábado, porque ele já está maduro para nascer, isso não é pecado, nem o ovo é pecado aos olhos de Deus, nem o cordeiro, que vieram à luz no sábado.

– E por que não? Se todo e qualquer trabalho no sábado é pecado?

– Porque o conceber e o gerar correspondem à vontade do Criador, e estão regulados pelas leis dadas por Ele a toda criatura. Ora, a galinha não faz mais que obedecer a esta lei que diz que, depois de tantas horas para a sua formação, o ovo está completo, e é posto. E a ovelha também não faz mais do que obedecer às leis dadas por Aquele que tudo fez, o qual estabeleceu que, duas vezes por ano, quando a primavera sorri para os prados em flor, e quando os bosques estão despojados de suas folhas e o gelo atormenta o peito do homem, que as ovelhas se acasalem, para dar-nos depois, no tempo determinado, o leite, a carne e os queijos tão nutritivos, justamente nos meses, em que os homens se cansam no trabalho da colheita, ou sofrem mais pelo rigor das geadas. Portanto, se uma ovelha, quando chega o seu tempo, dá cria, oh! isso bem pode ser uma coisa sagrada, até diante do altar, pois é fruto da obediência ao Criador.

EMF 40.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Israel não sabe mais a Sabedoria, que vem de Deus. É a Ele, e não aos pobres homens, que precisamos pedir a luz. E não se tem luz, se não se tem a justiça e a fidelidade a Deus. Por isso é que se peca, e Deus, em sua ira, pune.

– Então, nós não sabemos mais? Que é que estás dizendo, rapaz? E os seiscentos e treze preceitos?

– Os preceitos existem, mas são palavras. Nós os sabemos, mas não os colocamos em prática. Por isso não sabemos. O símbolo é este: todo homem, em qualquer tempo, tem necessidade de consultar o Senhor­ para conhecer a sua vontade e de nela confiar para não atrair sua ira.

Palavras-chave

EMF 41.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Gamaliel:

Diz-me, Jesus. A paz, de que falam os Profetas, como poderá ser esperada, se a este povo virá a destruição pela guerra? Fala, e dá luz a mim também.

Jesus:

– Não te lembras, mestre, o que foi que disseram aqueles que estiveram presentes na noite do nascimento de Cristo? Não te lembras de que os exércitos celestiais cantavam: “Paz aos homens de boa vontade”? Mas este povo não tem boa vontade, e não terá paz. Ele desconhecerá o seu Rei, o Justo, o Salvador, porque espera que Ele seja um rei de poderes humanos, enquanto que Ele é o Rei do espírito. Este povo não o amará, porque o Cristo pregará o que a este povo não agrada. O Cristo não debelará os seus inimigos com seus carros e cavalos, mas, sim, os inimigos da alma, que dominam, com possessão infernal, o coração do homem criado pelo Senhor. E esta não é a vitória que Israel está esperando Dele. Ele virá, Jerusalém, o teu Rei, cavalgando uma “jumenta e um jumentinho”, ou seja, os justos de Israel e os gentios. Mas o jumentinho, Eu vo-lo digo, será mais fiel a Ele, e o seguirá precedendo a jumenta, e crescerá no caminho da Verdade e da Vida. Israel, pela sua má vontade, perderá a paz, e sofrerá em si, através dos séculos, aquilo que fizer sofrer ao seu Rei, depois de tê-lo reduzido ao Rei das dores, de que fala Isaías.

EMF 48.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Fala, vai falando Dele, enquanto vamos indo. Onde Ele está?

– Em uma pobre casa. Deve ser de pessoas amigas.

– Mas, Ele é pobre?

– É um operário de Nazaré. Assim Ele disse.

– E de que vive agora, se não está mais trabalhando?

– Não lhe perguntamos. Talvez os parentes O estejam ajudando.

– Melhor seria levarmos peixes, pão, frutas… alguma coisa. Vamos perguntar a algum rabi, pois Ele é mais do que um rabi, mas de mãos vazias!… Os nossos rabinos não querem ser assim…

– Mas Ele quer. Não tínhamos mais do que vinte moedas, eu e o Tiago juntos, e oferecemos a Ele, como é costume fazer com os rabinos. Mas Ele não as queria. Nós, então, insistimos e Ele disse: “Deus vo-los restitua, nas bênçãos dos pobres. Vinde Comigo”, e prontamente as distribuiu aos pobrezinhos, que Ele sabia onde moravam, e a nós, que estávamos perguntando: “E para Ti, Mestre, não guardas nada?”, Ele respondeu: “A alegria de fazer a vontade de Deus e de servir à sua glória.” Nós lhe dissemos também: “Tu nos estás chamando, Mestre. Mas nós somos todos pobres. Que é que te devemos trazer?” Ele nos respondeu com um sorriso, que nos fez sentir o gosto do Paraíso: “Um grande tesouro quero de vós.” Nós Lhe dissemos: “Mas … nada temos?” E Ele respondeu: “É um tesouro de sete nomes, que até o mais pobre pode ter, mas o rei mais rico não pode possuir; vós o tendes, e Eu o quero. Ouvi os nomes deste tesouro: caridade, fé, boa vontade, reta intenção, continência, sinceridade e espírito de sacrifício. Isto Eu quero de quem me segue, só isto, e vós o tendes. Está dormindo como uma semente, sob um solo invernal, mas o sol da minha primavera o fará nascer em setêmplice espiga.” Assim Ele falou.

– Ah! Isto me assegura que é o verdadeiro Rabi, o Messias prometido. Não é duro com os pobres, não pede dinheiro… Basta isto para chamá-lo o Santo de Deus. Vamos tranqüilos.

Detalhe

Pedro pede a João que lhe fale do Messias.

EMF 50.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Será difícil o que Eu vos estou pedindo? Não. Eu não vos imponho as centenas e centenas de preceitos dos rabinos. Eu vos digo: Guardai o Decálogo. A Lei é una e imutável. Muitos séculos se passaram desde a hora na qual essa lei foi dada bela, pura, fresca como um filho recém-nascido, como uma rosa que acaba de se abrir sobre a haste. Simples, limpa, suave para se seguir. No correr dos séculos, as culpas e as tendências a complicaram com outras leis menores, com pesos e restrições, com excessivas e penosas cláusulas. Eu vos reporto à Lei, assim como o Altíssimo a deu. Mas Eu vos peço para o vosso bem, recebei-a com o coração sincero dos verdadeiros israelitas daquele tempo.

Vós, os humildes, murmurais, mais com os corações do que com os lábios, que a maior culpa está nos homens importantes. Eu sei. No Deuteronômio se diz tudo o que deve ser feito: não era necessário nada mais. Mas não julgueis quem pede aos outros, e não a si. Vós façais tudo o que Deus diz. E sobretudo, esforçai-vos para serdes perfeitos nos dois mandamentos principais. Se amardes a Deus com todo o vosso ser, não ireis cometer pecado, que é uma dor causada a Deus. Quem ama não quer causar dor. Se amardes o próximo como a vós mesmos, não sereis mais que filhos respeitosos para com os vossos pais, esposos fiéis aos consortes, homens honestos nos negócios, sem violências com os inimigos, sem mentira nos vossos depoimentos, sem inveja de quem possui, sem concupiscência, sem luxúria para com a mulher do próximo. Não querendo fazer aos outros o que não quereríeis que fosse feito a vós, não roubaríeis, não mataríeis, não caluniaríeis, não entraríeis, como os cucos, nos ninhos dos outros.

Palavras-chave

EMF 50.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Partes amanhã, Mestre?

– Amanhã, ao alvorecer, se não te desagrada.

– Desagradar-me que Tu vás, sim. Mas por causa da hora, não. É, aliás, propícia.

– Irás pescar?

– Esta noite, quando sair a lua.

– Fizeste bem, Simão Pedro, por não teres ido pescar na noite passada. O sábado ainda não havia terminado. Neemias, em suas reformas, quis que em Judá fosse respeitado o sábado. Ainda agora muita gente aos sábados põe em movimento as prensas, carrega fardos, transporta vinho e frutas, vende e compra peixes e cordeiros. Vós já tendes seis dias para isso. O sábado é do Senhor. Só uma coisa podeis fazer aos sábados: praticar a bondade para com o próximo. Mas o lucro deve ser absolutamente excluído dessa ajuda. Quem por causa do lucro viola o sábado, não pode ter senão o castigo de Deus. Faz uma coisa de utilidade? Vai ter que descontá-la com as perdas nos outros seis dias. Faz uma coisa sem utilidade? Então, em vão cansou o seu corpo, não lhe concedendo o descanso que a Inteligência estabeleceu para ele, deixando alterar-se pela ira o seu espírito por ter-se afadigado inutilmente, chegando até a praguejar. Enquanto que o dia de Deus há de ser passado com o coração unido a Deus, em doce oração de amor. É preciso ser fiel em tudo.

– Mas… os escribas e os doutores, que são tão severos conosco… não trabalham aos sábados, nem mesmo dão um pão ao próximo, para não ter o trabalho de estender o braço para dá-lo… mas a usura, eles praticam também nos sábados. Será por não ser um trabalho material, que a usura se pode praticar aos sábados?

– Não. Nunca. Nem no sábado, nem em nenhum outro dia. Quem pratica a usura, é desonesto e cruel.

– Então, os escribas e os fariseus…

– Simão, não julgues. Tu não faças assim.

– Mas eu tenho olhos para ver…

– Existirá só mal para se ver, Simão?

– Não, Mestre.

– Assim sendo, por que olhar só o mal?

– Tens razão, Mestre.

Detalhe

Contextualização: Pedro fala com o Mestre e este vem falar do sábado.

EMF 52.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Observo uma coisa. Exceto as respectivas mães dos esposos, e também Maria, nenhuma outra mulher está sentada àquela mesa. Todas as mulheres estão na outra mesa, viradas para a parede, fazendo um barulho como se fossem cem, e são servidas depois de terem sido servidos os esposos e os hóspedes importantes. Jesus está perto do dono da casa e tem à sua frente Maria, a qual está sentada ao lado da noiva.

Detalhe

No casamento em Caná, Maria escreve:

EMF 66.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Tu Me segues por uma idéia que é humana, Judas. Eu te devo dissuadir disto. Eu não vim para isto.

– Mas, não és Tu o que foi designado para ser o Rei dos judeus? Aquele de quem falaram os Profetas? Surgiram já outros. Mas a eles faltavam muitas coisas e caíram como folhas que o vento não levanta mais. Tu tens a Deus Contigo, tanto que operas milagres. Onde está Deus, o bom êxito da missão está garantido.

– Falaste bem. Eu tenho Deus Comigo. Eu sou o seu Verbo. Sou aquele que foi profetizado pelos Profetas, prometido aos Patriarcas, esperado pelas multidões. Mas, por que, ó Israel, te tornaste tão cego e surdo, a ponto de não saberes mais ler nem ver, ouvir e compreender a verdade dos fatos? O meu Reino não é deste mundo, Judas. Dissuade-te disso. À Israel Eu venho trazer a Luz e a Glória. Mas não a luz e a glória da terra. Eu venho para chamar os justos de Israel ao Reino. Porque é de Israel e com Israel que há de se formar e vir a planta da vida eterna, cuja linfa será o Sangue do Senhor, a planta que se estenderá por toda a terra, até o fim dos séculos. Os meus primeiros seguidores são de Israel. Os meus primeiros confessores, de Israel. Mas também os meus perseguidores são de Israel. Também os meus carrascos, de Israel. E também o meu traidor, de Israel…

– Não, Mestre. Isto não acontecerá nunca. Se todos te traírem, eu ficarei Contigo, e te defenderei.

– Tu, Judas? E sobre o que se funda esta tua segurança?

– Sobre a minha honra de homem.

– Isso é uma coisa mais frágil do que uma teia de aranha, Judas. É a Deus que devemos pedir a força para sermos honestos e fiéis. O homem!… O homem faz obras de homem. Para fazer obras do espírito — e seguir o Messias em verdade e justiça significa fazer obra de espírito — é preciso matar o homem e fazê-lo renascer. És tu capaz disso?

– Sim, Mestre. Além disso… Nem todo Israel te amará. Mas car­rascos e traidores ao seu Messias não sairão de Israel. Israel te espera, há séculos!

– Mas dele sairão. Lembra-te dos Profetas. As palavras deles… e o seu fim. Eu estou destinado a decepcionar a muitos. E tu és um deles. Judas, tu tens à tua frente, um manso, um pacífico, um pobre, que pobre quer permanecer. Eu não vim para impor-me e para fazer guer­ra. Eu não disputo aos fortes e poderosos nenhum reino, nenhum poder. Eu só disputo a Satanás as almas e venho para quebrar as cor­rentes de Satanás com o fogo do meu amor. Eu venho para ensinar misericórdia, sacrifício, humildade, continência. Eu te digo, e a todos digo: “Não tenhais sede de riquezas humanas, mas trabalhai pelas moedas eternas.” Desilude-te Judas, se pensas que sou um triunfador sobre Roma e sobre as castas que imperam. Os Herodes, como os Césares podem dormir tranqüilos enquanto Eu falo às multidões. Eu não vim para arrancar cetros de ninguém… e o meu cetro, eterno, já está pronto. Mas ninguém, que não fosse amor, como Eu sou, iria querer empunhá-lo.