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Notas do tema

Religião judaica, castas, ritos e festas no tempo de Cristo

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O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: À la fête des Tentes. Anne e Joachim possuíam a Sabedoria.

Data da visão e do ditado: Quarta-feira, 23 de agosto de 1944

Calendário: segunda-feira 1 de outubro do ano 22 a.C.

Calendário Juliano antigo: segunda-feira 3 de outubro de 22 a.C.

Calendário judaico: 24 de Tishri 3740.

Localização (mapa): Jerusalém

Ciclo: Nascimento e infância da Virgem Maria

Resumo: Maria vê os arredores de Jerusalém durante a Festa das Tendas. Ela descreve o ambiente que a rodeia, depois vê Ana a consolar uma criança que caiu. A mãe dele vem buscá-lo e diz-lhe que já tem seis filhos. A mãe de Maria regressa então a Joaquim e conta-lhe o seu encontro com a mãe feliz. Conta-lhe que sonhou que, no próximo ano, voltaria aqui com o seu próprio filho. Joaquim pede-lhe que volte a ter esperança.

De seguida, Jesus faz um ditado sobre os seus avós que possuíam sabedoria. Fala do seu amor respetivo, do seu amor casto e digno, das suas virtudes interiores e aplica-lhes palavras do Livro da Sabedoria.

Conteúdo do capítulo: 3.1: A casa de Ana é diferente daquela que Maria herdará. 3.2: O acampamento das tendas de ramos fora dos muros de Jerusalém. 3.3: Ana, a estéril, fala com uma mãe de família numerosa. 3.4: Joaquim reafirma a sua esperança de uma maternidade milagrosa e Ana confia-lhe o seu sonho profético. 3.5 : Os justos são sempre sábios. 3.6 : Tudo o que Ana precisava era de uma coroa de filhos. 3.7 : Estão tão apaixonados como no primeiro dia. 3.8 : Queriam um filho e tiveram a mãe de Deus. 3.9 : A castidade dos esposos. 3.10: Hoje o amor e a câmara nupcial são profanados.

Edição anterior: Volume 1, capítulos 3 e 4

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O Evangelho como me foi revelado

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Por vezes", escreveu Maria Valtorta numa cópia dactilografada, "os nomes [dos meses] são expressos em italiano para que o leitor os possa compreender melhor".

Por exemplo, o nosso mês de outubro coincide com os meses hebraicos de Tisri (ou Etanim) e Marchesvan (ou Bul). O calendário judaico baseava-se, de facto, no ano lunar, que começa na primavera (como vemos em 68.4), e o nosso no ano solar, pelo que as correspondências são aproximadas.

Eis os nomes dos meses:

1. Nisan ou Abib como em 413.6 (março-abril) ;

2. Ziv ou Iyyar como em 461.7 (abril/maio);

3. Sivân (maio-junho) ;

4. Tamuz como em 442.3 e 461.16 (junho-julho);

5. Ab ou Av (julho-agosto);

6. Elul (agosto-setembro);

7. Tishri ou Tisri ou Etanim (setembro-outubro);

8. Marchesvân ou Bul (outubro-novembro), nome que nunca é mencionado na obra: parece antes atribuir-lhe o nome Etanim, distinguindo-o de Tishri;

9. Kisleu ou Casleu (novembro-dezembro);

10. Tebet (dezembro-janeiro);

11. Shebat (janeiro-fevereiro);

12. Adar (fevereiro-março). A lua nova, conhecida como neomenia, marcava o início do mês. Para que o ciclo lunar e o ciclo solar coincidissem o mais possível, o mês de Adar era por vezes redobrado para se obter um ano de treze meses, conhecido como ano embolísmico (114.8).

EMF 3.1 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

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Antes de continuar, faço aqui uma observação.

A casa não me parece aquela já bem conhecida de Nazaré. Ao menos o ambiente é muito diferente. Também o pomar é mais vasto, e além disso, pode-se ver os campos. Não muitos, mas enfim, alguns. Depois, quando Maria casou-se, havia só o horto, vasto mas limitado a horto, e este quarto que vi, nunca vi em outras visões. Não sei se devo pensar que, por motivos pecuniários, os pais de Maria se desfizeram de parte de seus pertences ou se Maria, saindo do Templo, passou para uma outra casa, talvez presenteada por José. Não me lembro se nas visões e lições passadas tive qualquer indício seguro de que a casa de Nazaré fosse a casa nativa.

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O Evangelho como me foi revelado

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3.2 Começo a ver e escrevo.

Fora dos muros de Jerusalém, sobre as colinas e entre as oliveiras há uma grande multidão. Parece uma enorme feira. Mas não existem bancas e barracões. Não há o vozerio de charlatães e vendedores. Nem jogos. Há ali muitas tendas de lã ásperas, certamente impermeáveis, estendidas sobre estacas cravadas ao chão. Ligadas às estacas há ramos verdes que ornam e refrescam. Outras tendas, ao invés, são de ramos fincados ao chão e sendo ligadas assim:, são como pequenas galerias verdes. De baixo de cada uma, há pessoas de toda idade e condição, e um falar tranqüilo e concentrado, interrompido apenas por algum grito de criança.

Desce a noite e as luzes de candeiazinhas a óleo, já brilham intensamente aqui e ali, pelo acampamento estranho. Ao redor das luzes algumas famílias consomem a ceia. As mães estão sentadas no chão. com os menores no colo, onde alguns, cansados, adormecem ainda com o pedaço de pão nos dedinhos róseos, tombando a cabecinha sobre o seio materno, como pintinhos sob a galinha; as mães terminam de comer como podem, com uma das mãos, enquanto a outra segura o filhinho junto ao coração. Outras famílias, ao contrário, não estão jantando ainda e conversam na semi-escuridão do crepúsculo, esperando que a refeição fique pronta. Alguns fogos são acesos aqui e ali, e ao seu redor as mulheres afadigam-se. Alguma cantiga de ninar muito lenta, diria quase lamentosa, embala uma criança que custa a adormecer.

No alto, um bonito céu sereno torna-se sempre mais azul profundo até parecer um enorme velário de veludo macio de um azul escuro; sobre ele lentamente, invisíveis artífices e decoradores diligentemente fixam jóias e lamparinas, as quais isoladas, como em bizarras linhas geométricas, deixam sobressair a Ursa maior e a menor com a sua forma de carro com a estaca apoiada ao chão, depois que os bois foram destacados do jugo. A estrela polar ri com todo o seu esplendor.

Percebo que é outubro porque uma voz grave de homem o diz:

– É bonito este outubro como poucos o foram! (...)

3.4 A noite está sempre mais cheia de estrelas e as luzes sempre mais numerosas no campo. Depois lentamente muitos candeeiros se apagam. São daqueles que jantaram antes e que agora se põem a dormir. Também o murmúrio diminui devagar. Vozes de meninos não se ouvem mais. Só alguma criança de peito faz ouvir a sua vozinha de cordeirinho buscando o leite da mamãe. A noite sopra o seu hálito sobre as pessoas, apagando desgostos e lembranças, esperanças e rancores. Aliás, talvez Joaquim e Ana sobrevivam tranqüilizados, seja no sono, que no sonho.

Detalhe

O Festival das Tendas parece ter lugar em outubro. Maria descreve o ambiente do festival.

Anotação

Fora dos muros de Jerusalém, uma grande multidão encontra-se nas colinas e entre as oliveiras. O "Campo dos Galileus", no Monte das Oliveiras. É aqui que os galileus se reúnem para as festas (ver tomo 4, capítulo 143 /vo 279.1).

Há muitas tendas de lã grosseira, certamente impermeáveis, estendidas em estacas fixas no chão. Na festa de Sucot, também chamada Festa das Tendas ou Festa dos Tabernáculos, cada família constrói uma cabana (ou sukkha) feita de quatro tipos de ramos atados entre si. O seu nome evoca as cabanas sob as quais as pessoas acampavam durante as colheitas.

Apercebo-me de que estamos em outubro, porque a voz de um homem grande diz: "Um belo mês de outubro, como raramente se vê! outubro: A Festa das Tendas (Sukkot) celebra-se no início do outono, de 15 a 21 de Tishri (24/9 a 2/10 em 22 a.C.). Por vezes", escreveu Maria Valtorta numa cópia dactilografada, "os nomes são expressos em italiano para que o leitor compreenda melhor".

O nosso mês de outubro coincide com os meses hebraicos de Tisri (ou Etanim) e Marchesvan (ou Bul). De facto, o calendário judaico baseava-se no ano lunar, que começa na primavera (como se pode ver em 68.4), e o nosso no ano solar, pelo que as correspondências são aproximadas.

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O Evangelho como me foi revelado

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O pai de Alfeu chama o seu filho, mas este lhe responde:

– Eu fico com a Ana. Estou ajudando-a.

Todos riem.

– Deixa-o. Ele não me dá aborrecimento. Ainda não está obrigado a observar a Lei. Estando aqui ou ali, ele não passa de um passarinho comilão –diz Ana que senta-se com o menino no colo, ao qual dá pão com peixe assado.

Anotação

Ainda não estava obrigado a observar a Lei. Cf. Levítico 23:36; Números 29:35. O fim da festa era um dia de descanso. O oitavo dia (Shemini Atzereth) é a festa da alegria da Torah (Sim'Hath Torah). É um dia de descanso. A oração da chuva é recitada neste dia. Esta festa encerra a série das três festas de peregrinação.

Livro do Levítico 23, 36

Lv 23, 36: Durante sete dias, oferecerás sacrifícios queimados a Javé. No oitavo dia, tereis uma assembleia santa e oferecereis sacrifícios queimados a Javé; é uma festa de encerramento: não fareis nenhum trabalho servil.

Livro dos Números, 29, 35

Números29, 35 : No oitavo dia, tereis uma assembleia solene; não fareis nenhum trabalho servil.

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O Evangelho como me foi revelado

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– Esta noite sonhei que no próximo ano eu virei à Cidade Santa para duas festas, ao invés de uma. E uma será a dádiva da minha criança ao Templo… Oh! Joaquim!…

– Espera, espera Ana. Não ouvistes outra coisa? O Senhor não te segredou nada em teu coração?

– Nada. Somente um sonho…

– Amanhã é o o último dia de oração. Todas as ofertas já foram feitas. Mas as renovaremos ainda amanhã, solenemente. Convenceremos Deus com o nosso amor fiel.

Anotação

Amanhã é o último dia de súplica. O sétimo dia de Sucot (21 de Tishri) é chamado "Hochaana Rabba". É o dia em que o julgamento divino iniciado em Rosh Hashanah é finalmente decidido. Por isso, é marcado por orações especiais de súplica, nas quais imploramos a Deus que nos julgue favoravelmente (Êxodo 23,16; 34,22; Levítico 23,34-43; Números 29,12-34; Deuteronómio 16,13-16; 30,10-13).

Livro do Êxodo 23, 16

Ex 23, 16: Celebrarás a festa da colheita, das primícias do teu trabalho, do que semeares no campo, e a festa da colheita, no fim do ano, quando recolheres do campo o fruto do teu trabalho.

Livro do Êxodo 34, 22

Ex 34, 22: Celebrarás a Festa das Semanas, da primeira colheita do trigo, e a Festa da Colheita, no fim do ano.

Livro dos Números 29, 12-34 :

No décimo quinto dia do sétimo mês, tereis uma assembleia santa; não fareis nenhum trabalho servil. E celebrareis uma festa em honra do Senhor durante sete dias. Oferecereis um holocausto, uma oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor: treze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito, e como oferta de cereais, farinha fina misturada com azeite: três décimos para cada um dos treze novilhos, dois décimos para cada um dos dois carneiros e um décimo para cada um dos catorze cordeiros. Oferecerás também um bode como oferta pelo pecado, sem prejuízo do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais e a sua oferta de libação.

No segundo dia oferecerás doze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito, com as suas ofertas de cereais e as suas ofertas de libação, para os touros, os carneiros e os cordeiros, segundo o seu número, conforme a ordenança. Oferecerás também um bode como oferta pelo pecado, sem prejuízo do holocausto contínuo, da sua oferta de cereais e das suas ofertas de libação.

Ao terceiro dia oferecereis onze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito, com as suas ofertas de cereais e as suas ofertas de libação, pelos novilhos, carneiros e cordeiros, segundo o seu número, conforme a ordenança. Oferecerás também um bode como oferta pelo pecado, sem prejuízo do holocausto contínuo, da sua oferta de cereais e da sua oferta de libação.

Ao quarto dia oferecereis dez novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito, com as suas ofertas de cereais e as suas ofertas de libação, para os novilhos, os carneiros e os cordeiros, segundo o seu número, conforme a ordenança. Oferecerás também um bode como oferta pelo pecado, sem prejuízo do holocausto contínuo, da sua oferta de cereais e da sua oferta de libação.

No quinto dia oferecereis nove novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito, com as suas ofertas de cereais e as suas ofertas de libação, pelos novilhos, carneiros e cordeiros, segundo o seu número, conforme a ordenança. Oferecerás também um bode como oferta pelo pecado, sem prejuízo do holocausto contínuo, da sua oferta de cereais e da sua oferta de libação.

Ao sexto dia oferecereis oito novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito, com as suas ofertas de cereais e as suas ofertas de libação, pelos novilhos, carneiros e cordeiros, segundo o seu número, conforme a ordenança. Oferecereis também um bode como oferta pelo pecado, sem prejuízo do holocausto contínuo, da sua oferta de cereais e da sua oferta de libação.

Ao sétimo dia oferecereis sete touros, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito, 33com as suas ofertas de cereais e as suas ofertas de libação, pelos touros, pelos carneiros e pelos cordeiros, segundo o número deles na ordenança. 34Também oferecereis um bode como oferta pelo pecado, sem prejuízo do holocausto contínuo, da sua oferta de cereais e da sua oferta de libação.

Livro do Deuteronómio 16, 13-16

Dt 16, 13-16: Celebrarás a Festa dos Tabernáculos durante sete dias, quando tiveres recolhido a tua eira e o teu lagar; 14regozijar-te-ás nesta festa, tu, o teu filho e a tua filha, o teu servo e a tua serva, o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro das tuas portas. Celebrarás a festa durante sete dias, em honra do Senhor teu Deus, no lugar que o Senhor escolheu, porque o Senhor teu Deus te abençoará em todas as tuas colheitas e em todo o trabalho das tuas mãos, e tu te alegrarás. Três vezes por ano, cada varão de entre vós comparecerá perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher: na Festa dos Pães Ázimos, na Festa das Semanas e na Festa dos Tabernáculos; não comparecerá perante o Senhor de mãos vazias.

Livro do Deuteronómio, 30, 10-13

Dt 30, 10-13: Se obedeceres à voz de Javé teu Deus, guardando os seus mandamentos e preceitos escritos neste livro da lei, se te voltares para Javé teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. Este mandamento que hoje te dou não está acima de ti, nem fora do teu alcance. Não está no céu, para que digais: "Quem subirá por nós ao céu e no-lo trará, e no-lo fará ouvir, para que o cumpramos?" Não está para além do mar, para que digais: "Quem irá por nós para além do mar, e no-lo irá buscar, e no-lo fará ouvir, para que o cumpramos?"

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Os dias

Os dias decorrem de pôr do sol a pôr do sol. A noite divide-se em 3 vigílias (4 na época romana). No entanto, os costumes ancestrais mantêm-se: Jesus no Getsémani falou das três vigílias da noite (9.21). Entre o nascer e o pôr do sol (12 horas), contamos a primeira hora ao nascer do sol, a terceira às 9 horas, a sexta às 12 horas e a nona às 15 horas.

Os meses

São regulados de acordo com as fases da lua e alternam entre 29 e 30 dias. O primeiro dia do mês coincide com o aparecimento da lua nova (neomenia).

O ano

Na Antiguidade, o ano começava no outono (mês de Tishri) e ainda hoje é recordado no Ano Novo do judaísmo. Este facto é confirmado por Jesus em Maria Valtorta: "Talvez o ano comece com o mês chuvoso de Etanim ou com o triste mês de Casleu, com dias mais curtos do que um sonho e noites tão longas como um dia sem pão? Não, começa com o mês de Nisan, cheio de flores, de sol e de alegria, quando tudo é alegre, quando o coração do homem, mesmo o mais pobre e triste, se abre à esperança porque o verão está a chegar" (EMV 68 - 2.31).

Como se trata de um ano baseado na revolução lunar de 354 dias, o atraso em relação ao ano solar de 365 dias é compensado pela adição, de dois em dois ou de três em três anos, de um décimo terceiro mês: o novo Adar (We Adar), aparentemente de 29 dias.

Isto resulta em dois ou três ciclos ao longo de um ciclo completo de 19 anos.

Fonte

maria-valtorta.org (com permissão de François-Michel Debroise)

Palavras-chave

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O Evangelho como me foi revelado

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A velha planta colocou novo ramo e eu sou bem-aventurada.

Pela festa das Luzes a semente lançou a esperança;

ora a fragrância de Nisam o vê brotar.

Como a amendoeira na minha carne floresce a primavera.

Detalhe

Ana canta este cântico, que revela que está grávida. Ver a anotação sobre a Festa das Luzes e a conceção de Maria.

Anotação

A esperança lançou as sementes da Festa das Luzes. Segundo J. Aulagnier, a Festa das Luzes, ou Encénies, realizava-se, no tempo de Jesus, durante a lua cheia que se seguia à Festa da Dedicação (Hanukkah), que tinha lugar a 25 de Kislev (ou seja, 10 de dezembro de 22 a.C. para este período). A conceção de Maria teve lugar na lua cheia seguinte, a 20 de dezembro de 22 a.C. Isto corresponde ao acontecimento que a Igreja celebra a 8 de dezembro.

Marie d'Agreda assinala que esta conceção teve lugar num domingo (A Cidade Mística de Deus - Livro 1, Capítulo 15, § 218)

O ar perfumado do mês de Nissan. Nissan: 21 de março, ou seja, 3 meses para anunciar com certeza a Joaquim que esperava um bebé.

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O Evangelho como me foi revelado

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Esperava porque no último dia, enquanto orava no Templo, o maior tempo que pudesse uma mulher ficar na Casa de Deus, até a noite… Tu te recordas que eu dizia: “Ainda, ainda um pouco.” Não podia afastar-me dali sem receber a graça! Pois bem! Na sombra que já descia do interior do lugar sagrado, que eu olhava com atração de alma para arrancar uma anuência do Deus presente, vi partir uma luz, uma centelha de luz maravilhosa. Era alva como a lua, contudo tinha em si as luzes de todas as pérolas e pedras preciosas que existem sobre a terra. Parecia que uma das estrelas preciosas do Véu, daquelas estrelas postas sob os pés dos querubins, se desprendesse uma e se tornasse esplêndida, de uma luz sobrenatural… Parecia partir um fogo para além do Véu sagrado, proveniente da própria Glória, vindo a mim veloz, e ao cortar o ar cantasse com voz celeste dizendo: “O que pedistes venha a ti.” É por isso que eu canto: “Uma estrela virá a ti.” Que filho será esse nosso, que se manifesta como luz de estrela no Templo e que diz: Eu sou” na festa das Luzes? Que filho fez com que tu tenhas visto em mim uma nova Ana de Elcana?

Detalhe

Conceção de Maria. Ana, a mãe de Maria, conta quando o seu desejo foi realizado:

Anotação

Tinhas razão em ver em mim uma nova Ana de Elcana? De facto, Joaquim tinha falado da mãe do profeta Samuel em EMV 3.

Sob os pés dos querubins: os querubins (Kerubim) abundavam na decoração do Templo de Salomão (por exemplo: 1 Reis 6,23-35). As estrelas são provavelmente as estrelas de David ou o selo de Salomão.

Tive a impressão de que um fogo partia de trás do Véu sagrado, da própria Glória, que vinha rapidamente na minha direção e que, ao passar pelo ar, cantava com voz celestial: "Que te aconteça o que pediste! "Esta é a voz do Redentor, como lemos em EMV 4.5: "A própria Sabedoria desceu (...) e tornou-se uma palavra para a mulher estéril" (p. 31).

Que criança será a nossa, então, para aparecer como a luz de uma estrela no Templo e dizer: "Eu sou" durante a Festa das Luzes? A estrela faz parte da profecia de Balaão. Nm 24, 17-19. Eu vejo-o, mas não como presente; contemplo-o, mas não de perto. Uma estrela sai de Jacob, um cetro ergue-se de Israel. Ele quebrará os dois lados de Moab, exterminará todos os filhos do tumulto. Edom é a sua possessão; Seir, o seu inimigo, é a sua possessão, e Israel exibe a sua valentia. De Jacob sai um soberano; ele destrói nas cidades o que resta de Edom".

"Eu sou" : o próprio nome de Deus, tal como foi definido a Moisés, segundo oÊxodo 3,14-15. É isto que dirás aos filhos de Israel: "Aquele que me enviou a vós é EU SOU". Ver a ficha sobre o nome divino.

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O Evangelho como me foi revelado

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Pela alegria de ter uma mãe, eis que murmuro misteriosamente a Palavra na sombra do Templo que continha as esperanças de Israel. Templo agora no limiar da sua vida, porque o novo e verdadeiro Templo não contém mais as esperanças de um povo, mas a certeza de um Paraíso para o povo de toda a terra, por todos os séculos até o fim do mundo.

Detalhe

Num ditado, Jesus fala do nascimento próximo da sua Mãe e detém-se no Templo de Jerusalém.