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Notas do tema

Jesus Cristo

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EMF 54.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Sois vós que me procurais? –diz aos dois desconhecidos–: Eis-me aqui. Quem sois?

– Nós Te ouvimos na outra tarde… no Templo. E Te procuramos pela cidade. Um que se diz teu parente, nos disse que estavas aqui.

– Por que me estais procurando?

– Para seguir-te, se nos quiseres, porque Tu tens palavras de verdade.

– Para seguir-me? Mas sabeis para onde me dirijo?

– Não Mestre. Mas com certeza para a glória.

– Sim. Mas para uma glória que não é da terra. Para uma glória que tem sua sede no Céu e que se conquista com a virtude e o sacrifício. Por que quereis me seguir? –torna a perguntar.

– Para termos parte na tua glória.

– Segundo o Céu?

– Sim, segundo o Céu.

– Nem todos podem chegar ali. Porque Mamon arma ciladas aos desejosos do Céu, mais do que aos outros. E só quem sabe querer fortemente é quem resiste. Por que seguir-me se o seguir-me quer dizer uma luta contínua com o inimigo que está em nós, com o mundo inimigo e com o Inimigo, que é Satanás?

– Porque assim quer o nosso espírito, que ficou conquistado por Ti. Tu és santo e poderoso. Nós queremos ser teus amigos.

– Amigos!!!

Jesus se cala e suspira. Depois, olha fixo àquele que sempre vinha falando e que agora deixou cair o manto da cabeça apresentando-a toda descoberta. É Judas de Keriot.

– Quem és tu, que falas melhor do que um homem do povo?

– Sou Judas, de Simão. Sou natural de Keriot. Mas sou do Templo (ou estou no Templo). Espero o Rei dos judeus; vivo sonhando com ele. Rei te reconheci na palavra e Rei te vi no gesto. Toma-me Contigo.

– Tomar-te? Agora? Tão depressa? Não.

– Por que, Mestre?

– Porque é melhor pesar-nos a nós mesmos, antes de pegarmos caminhos muito íngremes.

– Não crês em minha sinceridade?

– Tu o disseste. Eu creio no teu impulso. Não creio na tua constância. Pensa nisso, Judas. Agora Eu vou-me embora, e voltarei para a festa de Pentecostes. Se estiveres no Templo, me verás. Pesa-te a ti mesmo.

54.4

E tu, quem és?

– Um outro que te viu. Queria estar contigo. Mas agora sinto temor.

– Não. A presunção é uma ruína. O temor pode ser um obstáculo, mas, se ele vem da humildade, pode até ajudar. Não temas. Pensa, tu também, e, quando Eu vier…

– Mestre, tu és muito santo. Tenho medo de não ser digno. Não de outra coisa. Porque sobre o meu amor eu não temo.

– Como te chamas?

– Tomé, chamado o Dídimo.

– Eu me lembrarei do teu nome. Vai em paz.

Jesus se despede deles e se retira para a casa onde está hospedado, para o jantar.

54.5

Os seis, que já estão com Ele, querem saber de muitas coisas.

– Por que, Mestre, fizeste diferença entre os dois?… Porque uma diferença houve! Os dois tinham o mesmo impulso… –pergunta João.

– Amigo, também o mesmo impulso pode ter diversa substância e produzir efeito diferente. É verdade que os dois têm o mesmo impulso. Mas um não é igual ao outro, quanto ao fim a que visam. E aquele que parece o menos perfeito é o mais perfeito, porque não está seduzido pela glória humana. Ele me ama, porque me ama.

EMF 54.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Nenhum homem é perfeito. Mas perfeito Eu sou, porque Este que vos está falando é o Verbo do Pai. Ele é parte de Deus, é o seu Pensamento, que se faz Palavra. Eu tenho a Perfeição em Mim. E deveis crer que Eu sou assim, se credes ser Eu o Verbo do Pai.

Detalhe

Jesus falou e disse:

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O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu quero ser chamado o Filho do homem porque aniquilo a Mim mesmo, pondo em minhas costas todas as misérias do homem para levá-las comigo, primeiro ao meu patíbulo e depois de tê-las levado, anulá-las, mas não por as ter tido como minhas. Que peso, amigos! Mas, Eu o levo com alegria. Levá-lo é a minha alegria porque sendo o Filho da humanidade, tornarei a humanidade filha de Deus, como foi no primeiro dia.

EMF 54.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Oh! Meus amigos! E quem é perfeito, a não ser Deus?

– Tu o és.

– Em verdade vos digo que não sou perfeito por Mim, se pensais que Eu sou um profeta. Nenhum homem é perfeito. Mas perfeito Eu sou, porque Este que vos está falando é o Verbo do Pai. Ele é parte[1] de Deus, é o seu Pensamento, que se faz Palavra. Eu tenho a Perfeição em Mim. E deveis crer que Eu sou assim, se credes ser Eu o Verbo do Pai. Contudo vós estais vendo, amigos. Eu quero ser chamado o Filho do homem[2] porque aniquilo a Mim mesmo, pondo em minhas costas todas as misérias do homem para levá-las comigo, primeiro ao meu patíbulo e depois de tê-las levado, anulá-las, mas não por as ter tido como minhas. Que peso, amigos! Mas, Eu o levo com alegria. Levá-lo é a minha alegria porque sendo o Filho da humanidade, tornarei a humanidade filha de Deus, como foi no primeiro dia.

Detalhe

Sendo parte de Deus, seu Pensamento feito Verbo, tenho em mim a perfeição. Numa nota da segunda edição, está escrito: "parte não deve ser entendida como "porção", mas como "pertença". Ao contrário do homem, que pertence a Deus não por natureza, mas por semelhança (nota 167.9), Jesus pertence a Deus por natureza: por outras palavras, ele é Deus como o Pai (ele dirá em 487.4: "Eu sou dele, parte e todo com ele"). É por isso que a sua perfeição não reside no facto de ser profeta (como disse acima), mas no facto de ser Deus-Homem. A parte humana do Homem-Deus foi completada de forma exaustiva pela sua vitória sobre as tentações (como ele próprio dirá em 80.10 e como se depreende do final da nota de 174.9). Os discursos de Jesus nos capítulos 487 e 506 sobre as duas naturezas, divina e humana, são fundamentais.

Filho do homem é o mais frequente dos títulos dados a Jesus e que Jesus se dá a si mesmo. O seu significado geral é dado em 343.4; mas o seu significado messiânico encontra-se aqui, bem como, por exemplo, em 126.3 e 603.1.

EMF 54.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus fala docemente, sentado à pobre mesa, com as mãos que gesticulam calmamente sobre a mesma, o rosto um pouco inclinado, iluminado de alto a baixo pela luz de uma pequena candeia colocada sobre a mesa. Ele sorri levemente, já Mestre na imponência e tão amigo no trato. Os discípulos o escutam atentos.

Detalhe

A atitude de Jesus pouco depois de ter reunido à sua volta seis discípulos (João e Tiago de Zebedeu, Pedro e André, Filipe e Bartolomeu).

Palavras-chave

EMF 54.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

54.7 – Eu queria perguntar uma coisa….

– Qual, André?

– João me contou o milagre feito em Caná… Nós tínhamos muita esperança de que Tu fizesses um deles em Cafarnaum… e Tu disseste que não farias milagre, se antes não tivesses cumprido a Lei. Por que então o fizeste em Caná? E por que não em tua pátria?

– Toda obediência à Lei é união com Deus e, por isso, um aumento de nossa capacidade. O milagre é a prova da união com Deus, da presença benévola e consciente de Deus. Por isso Eu quis cumprir o meu dever de israelita antes de iniciar a série de prodígios.

– Mas Tu não estavas obrigado pela Lei.

– Por que? Como Filho de Deus, não. Mas, como filho da Lei, sim. Israel, por enquanto, só me conhece como tal… E, mesmo depois, quase todo Israel me conhecerá como tal, aliás, como menos ainda. Mas Eu não quero dar escândalo a Israel e por isso obedeço a Lei.

– Tu és santo.

– A santidade não exclui a obediência. Ao contrário, a aperfeiçoa. Além de tudo mais, é preciso dar o exemplo. Que diríeis de um pai, de um irmão mais velho, de um mestre, de um sacerdote, que não desse bom exemplo?

– E então, o caso de Caná?

– Em Caná, era a alegria que à minha mãe devia ser dada. Caná é a antecipação que se deve à minha mãe. Ela é a antecipadora da Graça. Aqui Eu presto honra à Cidade santa, fazendo dela publicamente o lugar do início do meu poder de Messias. Mas lá, em Caná, Eu prestava honra à santa de Deus, à toda santa. O mundo me tem por meio dela. É justo que para ela seja feito o meu primeiro prodígio no mundo.

EMF 54.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Eu queria perguntar uma coisa….

– Qual, André?

– João me contou o milagre feito em Caná… Nós tínhamos muita esperança de que Tu fizesses um deles em Cafarnaum… e Tu disseste que não farias milagre, se antes não tivesses cumprido a Lei. Por que então o fizeste em Caná? E por que não em tua pátria?

– Toda obediência à Lei é união com Deus e, por isso, um aumento de nossa capacidade. O milagre é a prova da união com Deus, da presença benévola e consciente de Deus. Por isso Eu quis cumprir o meu dever de israelita antes de iniciar a série de prodígios.

– Mas Tu não estavas obrigado pela Lei.

– Por que? Como Filho de Deus, não. Mas, como filho da Lei,

sim. Israel, por enquanto, só me conhece como tal… E, mesmo depois, quase todo Israel me conhecerá como tal, aliás, como menos ainda. Mas Eu não quero dar escândalo a Israel e por isso obedeço a Lei.

– Tu és santo.

– A santidade não exclui a obediência. Ao contrário, a aperfeiçoa. Além de tudo mais, é preciso dar o exemplo. Que diríeis de um pai, de um irmão mais velho, de um mestre, de um sacerdote, que não desse bom exemplo?

– E então, o caso de Caná?

– Em Caná, era a alegria que à minha mãe devia ser dada. Caná é a antecipação que se deve à minha mãe. Ela é a antecipadora da Graça. Aqui Eu presto honra à Cidade santa, fazendo dela publicamente o lugar do início do meu poder de Messias. Mas lá, em Caná, Eu prestava honra à santa de Deus, à toda santa. O mundo me tem por meio dela. É justo que para ela seja feito o meu primeiro prodígio no mundo.

EMF 55

O Evangelho como me foi revelado

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André, Pedro, Tiago e João, Bartolomeu, Filipe e Tomé estão em casa de Jonas, o guardião do Getsémani. Tomé conta como regressou ao local. Jesus pergunta-lhe o que se passa e pede-lhe que fique. O apóstolo ficou contente e Jesus aproveitou a ocasião para dar uma lição de hospitalidade ao grupo apostólico. Pedro resmungou e fez algumas observações, dizendo que os que são acolhidos nem sempre são bem-intencionados, e o Senhor respondeu. Depois, pediu a Tomé que fosse procurar Simão, o Zelota, nos túmulos, e que o acompanhasse até ele se purificar. Voltarão a encontrar-se mais tarde. Quanto a Judas, encoraja-o a não o ir ver, nem sequer a procurar a sua presença.

Pedro volta a resmungar e Cristo pergunta-lhe porquê. Simão de Jonas recorda-lhe que ele dá missões aos que acabam de chegar, mas não aos primeiros discípulos que o seguiram. O Mestre sorriu com as suas palavras e disse que, se não dava tais missões, era porque as conhecia e estava seguro delas. Aquele que deve ser posto à prova é aquele que ainda não tem a certeza", diz o Salvador, "mas Cristo estimava-os tanto que levou os seus primeiros apóstolos "sem exigir provas e sem sentir necessidade de vos dar nenhuma". Pedro tranquiliza-se e pede perdão. Jesus, por seu lado, pede-lhe que não discuta os lugares e os méritos de cada um. O Redentor recorda-lhes que ele próprio é o servo do homem e, por isso, lembra-lhes que devem permanecer humildes.

Por fim, Jesus entrega a Tomé o retrato de Simão, o Zelota. Só falta encontrá-lo...

EMF 55.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A estrada é longa, a noite é escura, as patrulhas romanas estão rondando pela cidade. Eu te digo: se queres, fica conosco.

– Oh! Mestre!

Tomé está feliz.

– Arranjai-lhe, vós, um lugar. E dai alguma coisa ao irmão.

Do seu, Jesus dá o pedaço de queijo que estava à sua frente. E explica a Tomé:

– Nós somos pobres, e a janta já está quase no fim. Mas quem dá, tem bom coração.

E a João, sentado ao seu lado, ele diz:

– Dá o lugar ao amigo.

João se levanta logo e vai sentar-se junto ao canto da mesa, perto do dono da casa.

– Assenta-te, Tomé. Come.

55.2 E depois diz a todos:

– Assim fareis sempre, amigos, pela lei da caridade. O peregrino já está protegido pela Lei de Deus. Mas agora, em meu nome, mais ainda o devereis amar. Quando alguém vos pedir um pão, um gole de água, um abrigo em nome de Deus, deveis dá-lo neste mesmo nome. E tereis de Deus a recompensa. Isto deveis fazer com todos. Também com os inimigos. E esta é a Lei nova. Até agora vos tinha sido dito: “Amai aqueles que vos amam, e odiai aos inimigos.” Eu vos digo: “Amai também aqueles que vos odeiam.” Oh! Se soubésseis como sereis amados por Deus, se amardes como Eu vos digo! Portanto, quando alguém diz: “Eu quero ser vosso companheiro a serviço do Senhor Deus verdadeiro, e seguir o seu Cordeiro”, então ele deve ser para vós mais querido do que um irmão de sangue, porque estareis unidos por um vínculo eterno: o vínculo do Cristo.

– Mas, e se depois chega um que não é sincero? E disser: “Eu quero fazer isto ou aquilo”, é fácil. Mas nem sempre a palavra corresponde à verdade –diz Pedro, um tanto irritado.

Não sei o que há, mas ele não está com o seu costumeiro humor jovial.

– Pedro, escuta. Tu falas com bom senso e com justiça. Mas, vê bem: é melhor pecar pela bondade e pela confiança do que pela desconfiança e pelo rigor. Se fizeres um benefício a um indigno, que mal te acontecerá? Nenhum. Mas, ao contrário, o prêmio de Deus estará sempre preparado para ti, enquanto que para ele haverá um desmerecimento, por ter traído a tua confiança.

– Não acontece nenhum mal? As vezes quem é indigno não se contenta só com a ingratidão, mas vai além, e chega também a prejudicar na estima, nos bens e na própria vida.

– É verdade. Mas isso diminuiria o teu merecimento? Não. Ainda que todos acreditassem nas calúnias, ainda que ficasses mais pobre do que Jó, ainda que um homem cruel te tirasse a vida, que é que seria mudado aos olhos de Deus? Nada. Aliás, haveria sim uma mudança. Mas para o teu bem. Deus uniria aos méritos de tua bondade os méritos do teu martírio intelectual, financeiro ou físico.

– Bem. Está bem! Então, será assim.

Pedro não fala mais. Ele está amuado e com a cabeça apoiada na mão.

Detalhe

Jesus fala com Tomé e depois dá-lhe uma lição sobre hospitalidade.