EMF 45
Notas do tema
Jesus Cristo
Conforto de leitura
EMF 45.1-5
O Evangelho como me foi revelado
Citação
45.1 Vejo uma planície despovoada, sem cidades e sem vegetação. Não há campos cultivados, e bem poucos e raros são os arbustos reunidos aqui e ali em moitas, como uma das famílias vegetais, nos lugares em que o solo, nas camadas mais profundas está menos árido do que nos outros pontos em geral. Faça de conta que este terreno chamuscado e inculto esteja à minha direita, tendo eu o norte às minhas costas, e que ele se prolongue para o lado sul, em relação a mim.
À esquerda, ao contrário, vejo um rio de margens muito baixas, que corre lentamente, também ele de norte a sul. Pelo movimento vagaroso da água, compreendo que não devem existir desníveis em seu leito e que este rio corre por uma planície de tal maneira plana, que forma uma depressão. Ali há um movimento apenas suficiente para que a água não fique estagnada em um pântano. (A água é pouco profunda, tanto que se pode ver o fundo. Acho que não tem mais do que um metro, no máximo, um metro e meio. Tem uma largura como a do rio Arno, à altura de S. Miniato-Empoli, eu diria, de uns vinte metros. Mas eu não tenho olho bom para calcular distâncias). Também é um rio de águas azuis levemente esverdeadas nas margens, onde pela umidade do solo há uma vegetação densa e agradável à vista, que já ficou cansada de olhar a esqualidez das pedras e da areia que se estende diante dela.
Aquela voz interior, que eu lhe expliquei que ouço, e que me indica o que é que devo anotar e saber, me avisa que o que estou vendo é o vale do Jordão. Eu o chamo de vale, porque é costume falar assim, quando queremos indicar o lugar por onde corre um rio, mas no caso do Jordão, é impróprio chamá-lo assim, porque um vale pressupõe montes, e eu aqui não vejo montes próximos. Mas, em suma, estou junto ao Jordão, e o espaço desolado, que observo à minha direita é o deserto de Judá. Se falamos em deserto para querermos dizer um lugar onde não há casas nem trabalhos feitos pelo homem, está certo, mas não o é segundo o conceito que nós temos do deserto. Aqui não há areias onduladas do deserto como nós o concebemos, mas somente terra nua, com pedras e detritos espalhados, como são os terrenos aluviais depois de uma cheia. Lá, ao longe, vêem-se algumas colinas.
Também, junto ao Jordão, reina uma grande paz, alguma coisa de especial e de superior ao comum, igual ao que se sente nas margens do lago Trasimeno. É um lugar que parece querer fazer-nos pensar em vôos de anjos e em vozes celestes. Não sei dizer bem o que estou sentindo. Mas me sinto num lugar que nos fala ao espírito.
45.2 Enquanto observo estas coisas, vejo que o cenário vai-se enchendo de gente, ao longo da margem direita (em relação a mim) do Jordão. Há muitos homens, vestidos de maneiras diversas. Alguns parecem homens do povo, outros são ricos e não faltam alguns que parecem ser fariseus, pelas vestes adornadas com franjas e galões.
No meio deles, em pé sobre um penhasco, está um homem que, ainda que seja esta primeira vez que o vejo, reconheço logo que é o Batista. Ele fala à multidão, e eu lhe asseguro que não é uma pregação doce. Jesus chamou Tiago e João de “os filhos do trovão”. Como chamar, então, este veemente orador? João Batista merece o nome de raio, avalanche, terremoto, pois o seu modo de falar e gesticular é muito impetuoso e severo.
Ele fala, anunciando o Messias e exortando o povo a preparar os corações para a sua vinda, arrancando-lhes os embaraços, endireitando-lhes os pensamentos. Mas é um falar vorticoso e rude. O Precursor não tem a mão leve de Jesus, sobre as chagas dos corações. É um médico que tudo descobre, examina, e corta, sem piedade.
45.3 Enquanto o escuto — e não repito as palavras porque são aquelas referidas pelos evangelistas, mas amplificadas em sua impetuosidade — vejo que, ao longo de uma estradinha, pela beira da faixa verde que acompanha o Jordão, vem se aproximando o meu Jesus. Este caminho rústico, que é mais um atalho do que um caminho, parece ter-se formado com a passagem das caravanas e das pessoas que, durante anos e séculos, o têm percorrido para alcançar um ponto mais raso do rio e fácil de ser atravessado a vau. O atalho continua do outro lado do rio, e se perde entre o verde dos ribeirinhos.
Jesus está sozinho. Caminha lentamente, avançando em direção às costas de João. Aproxima-se sem fazer barulho e escuta, entretanto, a voz trovejante do Penitente do deserto, como se Jesus fosse um dos muitos que iam a João para serem batizados, a fim de se prepararem para estarem limpos, na chegada do Messias. Nada distingue Jesus dos outros. Nas vestes, Ele parece um dos homens do povo, um senhor no trato e na beleza, mas nenhum sinal divino o diferencia da multidão.
Dir-se-ia, porém, que João está sentindo a emanação de uma espiritualidade especial. Ele se vira e, de imediato, reconhece qual é a fonte daquela emanação. Ele desce impetuosamente do penhasco, que lhe servia de púlpito, e, rapidamente, vai até Jesus, que estava parado a alguns metros do grupo, apoiando-se ao tronco de uma árvore.
45.4 Jesus e João se olham por um momento. Jesus com aquele seu olhar azul tão doce. João com seus olhos severos, pretos, cheios de uma luz intensa. Vistos de perto, eles são a antítese um do outro. Os dois são altos (é a única semelhança, em tudo o mais são diferentes). Jesus é loiro, de cabelos compridos e penteados, com um rosto de um branco marfim, de olhos azuis, de roupa simples, mas majestosa. João tem cabelos pretos, que caem lisos sobre as costas, desiguais em comprimento, com uma barba preta e rala, que lhe cobre quase todo o rosto, sem impedir que se possam notar suas faces escavadas pelo jejum, seus olhos pretos e febris, sua pele escura, bronzeada pelo sol e pelas intempéries, A pelugem farta que lhe cobre o corpo seminu, com sua veste de pêlo de camelo, presa à cintura por uma correia de pele, cobrindo o torso, descendo um pouco abaixo dos flancos magros, deixando descobertas as costelas à direita, por onde se vê a pele curtida pelo ar. Os dois, vistos juntos, parecem um anjo e um selvagem.
João, depois de tê-lo perscrutado com seus olhos penetrantes, exclama:
– Eis o Cordeiro de Deus! Como é que o meu Senhor vem a mim?
Jesus lhe responde tranqüilamente:
– É para cumprir o rito da penitência.
– Nunca, meu Senhor. Eu é que devo ir a Ti para ser santificado, e Tu vens a mim?
Jesus, pondo-lhe a mão sobre a cabeça, pois João estava curvado à sua frente, lhe responde:
– Deixa que se faça como Eu quero, para que se cumpra toda a justiça, para que o teu rito se torne o início de um mais alto mistério, e para que seja anunciado aos homens que a Vítima já está no mundo.
45.5 João olha para Ele com uns olhos, que uma lágrima enternece, e o precede em direção à beira do rio, onde Jesus tira o manto e a túnica, ficando com uma espécie de calções curtos, para, depois, descer na água, onde já está João, que o batiza, vertendo-lhe sobre a cabeça a água do rio, apanhada com uma espécie de taça que o Batista traz pendurada na cintura, e que me parece uma concha, ou a metade de uma cabaça seca, da qual foi tirado o miolo.
Jesus é realmente o Cordeiro. Cordeiro na candura da carne, na modéstia do trato, na mansidão do olhar.
Enquanto Jesus torna a subir à beira do rio, depois de se vestir, se recolhe em oração, João o aponta à multidão, dando o testemunho de tê-lo conhecido pelo sinal que o Espírito de Deus lhe tinha dado, sinal infalível do Redentor.
Mas eu me sinto tão atraída por Jesus, ao vê-lo rezando, que não vejo nada, a não ser esta figura de luz, contra o verde da margem.
Anotação
Mateus 3:1-17
Naqueles dias, apareceu João Batista e proclamou no deserto da Judeia: "Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus. É a João que se referem as palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Ele, João, usava uma veste de pelo de camelo e um cinto de couro à cintura; a sua comida eram gafanhotos e mel silvestre. Então Jerusalém, toda a Judeia e toda a região do Jordão vinham ter com ele, e eram baptizados por ele no Jordão, reconhecendo os seus pecados.
Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: "Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira que há-de vir? Produzi frutos dignos de conversão. Não digais a vós mesmos: "Temos Abraão por pai", porque eu vos digo que Deus pode suscitar filhos a Abraão a partir destas pedras. O machado já está na raiz das árvores: toda a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu batizo-vos com água para a conversão. Mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu, e eu não sou digno de lhe tirar as sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Ele tem na mão a pá de joeirar, limpará a sua eira e recolherá o seu trigo no celeiro; quanto à palha, queimá-la-á em fogo inextinguível".
Foi então que Jesus apareceu. Ele tinha vindo da Galileia para o Jordão, para ser batizado por João. João queria impedi-lo, dizendo: "Eu é que preciso de ser batizado por ti, e tu é que vens ter comigo! Mas Jesus respondeu: "Deixa estar por agora, pois convém que cumpramos toda a justiça desta maneira". Então João deixou-o fazer isso. Logo que Jesus foi batizado, saiu da água e eis que os céus se abriram e ele viu o Espírito de Deus descer numa pomba e vir sobre ele. E uma voz do céu dizia: "Este é o meu Filho muito amado, em quem me comprazo.
Marcos 1, 9-11
Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré, na Galileia, e foi batizado por João no Jordão. E logo que saiu da água, viu os céus abertos e o Espírito descer sobre ele como uma pomba. E ouviu-se uma voz do céu: "Tu és o meu Filho muito amado; em ti me comprazo.
Lucas 3, 1-22
No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes governava na Galileia, seu irmão Filipe na terra de Itureia e Traconite, Lisânias em Abilene, e os chefes dos sacerdotes eram Hanão e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. Ele percorreu toda a região do Jordão, proclamando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todas as ravinas se encherão, todos os montes e colinas se abaixarão; os caminhos tortuosos se endireitarão, as veredas rochosas se aplanarão; e todo o ser vivo verá a salvação de Deus. João dizia às multidões que chegavam para serem baptizadas por ele: "Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi frutos que exprimam a vossa conversão. Não comeceis a dizer para vós mesmos: "Temos Abraão por pai", porque eu vos digo que Deus pode suscitar filhos a Abraão a partir destas pedras. O machado já está na raiz das árvores: toda a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.
As multidões perguntaram-lhe: "Então, que devemos fazer? João respondeu-lhes: "Quem tiver duas roupas, reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver comida, faça o mesmo. Alguns cobradores de impostos vieram também para serem baptizados e perguntaram-lhe: "Mestre, que havemos de fazer? Ele respondeu: "Não peçais mais do que aquilo que vos está prescrito. Alguns soldados também lhe perguntaram: "E nós, que devemos fazer? Ele respondeu: "Não façais mal a ninguém, não acuseis ninguém falsamente e contentai-vos com o vosso soldo."
As pessoas estavam à espera e interrogavam-se todas se João não seria o Cristo. Então João disse a todos: "Eu batizo-vos com água, mas vem aí aquele que é mais forte do que eu. Não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias. Ele vai batizar-vos com o Espírito Santo e com fogo. Ele tem na mão a pá de joeirar para limpar a sua eira, e recolherá o trigo no seu celeiro; quanto à palha, queimá-la-á em fogo inextinguível."
Com muitas outras exortações, anunciou a Boa Nova ao povo. Herodes, que detinha o poder na Galileia, tinha sido repreendido por João por causa da mulher do seu irmão, Herodíades, e por todas as maldades que tinha cometido. A tudo isto acrescentou o seguinte: mandou encerrar João na prisão.
Enquanto toda a gente estava a ser baptizada, e Jesus estava a rezar depois de ter sido batizado, o céu abriu-se. O Espírito Santo, em forma corpórea, como uma pomba, desceu sobre Jesus, e uma voz veio do céu: "Tu és o meu Filho muito amado; em ti me comprazo.
João 1, 29-34
No dia seguinte, João viu Jesus a aproximar-se dele e disse: "Este é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo; dele eu disse: 'O homem que vem depois de mim foi antes de mim, porque antes de mim ele existia'. Eu não o conhecia, mas vim batizar em água para que ele seja revelado a Israel. Então João deu este testemunho: "Vi o Espírito descer do céu como uma pomba e permanecer sobre ele. E eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar em água disse-me: "Aquele sobre quem vires descer e permanecer o Espírito, esse é que baptiza no Espírito Santo". Eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.
EMF 45.3-4
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Jesus está sozinho. Caminha lentamente, avançando em direção às costas de João. Aproxima-se sem fazer barulho e escuta, entretanto, a voz trovejante do Penitente do deserto, como se Jesus fosse um dos muitos que iam a João para serem batizados, a fim de se prepararem para estarem limpos, na chegada do Messias. Nada distingue Jesus dos outros. Nas vestes, Ele parece um dos homens do povo, um senhor no trato e na beleza, mas nenhum sinal divino o diferencia da multidão.
Dir-se-ia, porém, que João está sentindo a emanação de uma espiritualidade especial. Ele se vira e, de imediato, reconhece qual é a fonte daquela emanação. Ele desce impetuosamente do penhasco, que lhe servia de púlpito, e, rapidamente, vai até Jesus, que estava parado a alguns metros do grupo, apoiando-se ao tronco de uma árvore.
45.4 Jesus e João se olham por um momento. Jesus com aquele seu olhar azul tão doce. João com seus olhos severos, pretos, cheios de uma luz intensa. Vistos de perto, eles são a antítese um do outro. Os dois são altos (é a única semelhança, em tudo o mais são diferentes). Jesus é loiro, de cabelos compridos e penteados, com um rosto de um branco marfim, de olhos azuis, de roupa simples, mas majestosa. João tem cabelos pretos, que caem lisos sobre as costas, desiguais em comprimento, com uma barba preta e rala, que lhe cobre quase todo o rosto, sem impedir que se possam notar suas faces escavadas pelo jejum, seus olhos pretos e febris, sua pele escura, bronzeada pelo sol e pelas intempéries, A pelugem farta que lhe cobre o corpo seminu, com sua veste de pêlo de camelo, presa à cintura por uma correia de pele, cobrindo o torso, descendo um pouco abaixo dos flancos magros, deixando descobertas as costelas à direita, por onde se vê a pele curtida pelo ar. Os dois, vistos juntos, parecem um anjo e um selvagem.
Detalhe
Comparação entre João Batista e Jesus. Descrição física de Jesus.
Palavras-chave
EMF 45.4-5
O Evangelho como me foi revelado
Citação
João, depois de tê-lo perscrutado com seus olhos penetrantes, exclama:
– Eis o Cordeiro de Deus! Como é que o meu Senhor vem a mim?
Jesus lhe responde tranqüilamente:
– É para cumprir o rito da penitência.
– Nunca, meu Senhor. Eu é que devo ir a Ti para ser santificado, e Tu vens a mim?
Jesus, pondo-lhe a mão sobre a cabeça, pois João estava curvado à sua frente, lhe responde:
– Deixa que se faça como Eu quero, para que se cumpra toda a justiça, para que o teu rito se torne o início de um mais alto mistério, e para que seja anunciado aos homens que a Vítima já está no mundo.
45.5 João olha para Ele com uns olhos, que uma lágrima enternece, e o precede em direção à beira do rio, onde Jesus tira o manto e a túnica, ficando com uma espécie de calções curtos, para, depois, descer na água, onde já está João, que o batiza, vertendo-lhe sobre a cabeça a água do rio, apanhada com uma espécie de taça que o Batista traz pendurada na cintura, e que me parece uma concha, ou a metade de uma cabaça seca, da qual foi tirado o miolo.
Jesus é realmente o Cordeiro. Cordeiro na candura da carne, na modéstia do trato, na mansidão do olhar.
Enquanto Jesus torna a subir à beira do rio, depois de se vestir, se recolhe em oração, João o aponta à multidão, dando o testemunho de tê-lo conhecido pelo sinal que o Espírito de Deus lhe tinha dado, sinal infalível do Redentor.
Mas eu me sinto tão atraída por Jesus, ao vê-lo rezando, que não vejo nada, a não ser esta figura de luz, contra o verde da margem.
Detalhe
Jesus tinha chegado ao Jordão e João pressente a presença do Mestre. Dirige-se a ele e contempla-o.
Palavras-chave
EMF 45.6-10
O Evangelho como me foi revelado
Citação
45.6 Jesus diz:
– João para si mesmo não tinha necessidade do sinal. O seu espírito, pré-santificado desde o ventre de sua mãe, possuía aquela vista da inteligência sobrenatural, que teria sido a de todos os homens sem a culpa de Adão.
Se o homem tivesse permanecido na graça, na inocência, na fidelidade ao seu Criador, teria visto Deus, através das aparências externas. No Gênesis está dito que o Senhor Deus falava familiarmente com o homem inocente e que, diante daquela voz o homem não desfalecia, nem se enganava, ao discerni-la. Tal era a sorte do homem: ver e compreender a Deus, exatamente como um filho faz com o seu pai. Depois veio a culpa, e o homem não mais ousou olhar a Deus, não mais soube ver e compreender Deus. E o compreende cada vez menos.
Mas João, o meu primo João, tinha sido purificado da culpa, quando a cheia de graça se curvou amorosamente para abraçar a que tinha sido estéril, sendo agora, a fecunda Isabel. O pequenino, no seu ventre, tinha saltado de alegria, sentindo sair de sua alma o vestígio da culpa, assim como uma crosta cai da ferida que ficou curada. O Espírito Santo, que fez de Maria a mãe do Salvador, Ele iniciou a Sua obra de salvação, através de Maria, cibório vivo da salvação encarnada, por meio deste nascituro, que estava destinado a estar unido a Mim, não tanto pelo sangue, mas também pela missão que fez de ambos, lábios que formam a palavra. João era os lábios, Eu era a Palavra. Ele, o Precursor no Evangelho e em seu destino de mártir. Eu, Aquele que aperfeiçoa, com a minha divina perfeição, o Evangelho iniciado por João, e o seu martírio, pela defesa da Lei de Deus.
João não precisava de nenhum sinal. Mas o sinal era necessário para a obtusidade dos outros. Sobre o que teria João baseado a sua afirmação senão sobre uma prova inegável que até os olhos dos lentos e os ouvidos dos aborrecidos tivessem podido perceber?
45.7 Eu também não precisava de batismo. Mas a sabedoria do Senhor tinha julgado ser aquele o momento e o modo de nos encontrarmos. Tirando João da sua caverna, e a Mim da minha casa, Ele nos uniu naquela hora para abrir sobre Mim os Céus, descendo a Pomba divina sobre Aquele que teria de batizar os homens com esta Pomba, e descendo também o anúncio, ainda mais poderoso do que o do anjo, porque era de meu Pai: “Eis o meu Filho dileto, com o qual Eu me comprazo.” Para que os homens não tivessem desculpas ou dúvidas se deveriam seguir-me ou em não.
45.8 As manifestações do Cristo foram muitas. A primeira depois do nascimento foi aquela dos Magos, a segunda, no Templo, e a terceira às margens do Jordão. Depois vieram infinitas outras, que eu te farei conhecer, pois os meus milagres são manifestações da minha natureza divina, até a Ressurreição e a Ascensão ao Céu.
A minha pátria encheu-se das minhas manifestações. Como semente lançada aos quatro pontos cardeais, essas manifestações aconteceram em todas as camadas da sociedade e em todos os lugares da vida: dos pastores, aos poderosos, aos doutos, aos incrédulos, aos pecadores, aos sacerdotes, aos dominadores, às crianças, aos soldados, aos hebreus, aos gentios. Ainda agora elas se repetem. Mas, como naquele tempo, o mundo não as recebe bem. Não recebe bem as atuais, esquecendo-se também das passadas. Pois bem, Eu não desisto. Eu me repito para salvar-vos, para levar-vos a ter fé em Mim.
45.9 Sabes, Maria, o que estás fazendo? Sabes o que Eu estou fazendo, ao mostrar-te o Evangelho? Uma tentativa mais forte de trazer os homens a Mim. Tu tens desejado isto com ardentes orações. Eu não me limito mais à palavra. Ela os cansa e os afasta. É uma culpa, mas é assim. Recorro à visão, a visão do meu Evangelho, e a explico para torná-la mais clara e atraente.
A ti Eu te dou o conforto da visão. A todos Eu dou o modo de desejar me conhecer. Se ainda não servir, e como crianças caprichosas, jogarem fora o presente sem compreenderem o seu valor, contigo ficará o meu presente, e a eles, a minha indignação. Poderei, mais uma vez, dar-lhes aquela antiga repreensão: “Tocamos, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes.”
Mas, não importa. Deixemos que eles, esses inconvertíveis, acumulem sobre suas cabeças os carvões ardentes, e voltemos às ovelhinhas, que procuram conhecer o Pastor. Eu sou o Pastor, e tu és a vara que as conduz a Mim.
45.10 Como vê, eu me apressei a colocar aqueles particulares que, pela sua pequenez, me haviam escapado, e que o Senhor desejou ter.
Palavras-chave
EMF 45.6
O Evangelho como me foi revelado
Citação
(...) João, o meu primo João, tinha sido purificado da culpa, quando a cheia de graça se curvou amorosamente para abraçar a que tinha sido estéril, sendo agora, a fecunda Isabel. O pequenino, no seu ventre, tinha saltado de alegria, sentindo sair de sua alma o vestígio da culpa, assim como uma crosta cai da ferida que ficou curada. O Espírito Santo, que fez de Maria a mãe do Salvador, Ele iniciou a Sua obra de salvação, através de Maria, cibório vivo da salvação encarnada, por meio deste nascituro, que estava destinado a estar unido a Mim, não tanto pelo sangue, mas também pela missão que fez de ambos, lábios que formam a palavra. João era os lábios, Eu era a Palavra. Ele, o Precursor no Evangelho e em seu destino de mártir. Eu, Aquele que aperfeiçoa, com a minha divina perfeição, o Evangelho iniciado por João, e o seu martírio, pela defesa da Lei de Deus.
EMF 45.6-7
O Evangelho como me foi revelado
Citação
João não precisava de nenhum sinal. Mas o sinal era necessário para a obtusidade dos outros. Sobre o que teria João baseado a sua afirmação senão sobre uma prova inegável que até os olhos dos lentos e os ouvidos dos aborrecidos tivessem podido perceber?
45.7 Eu também não precisava de batismo. Mas a sabedoria do Senhor tinha julgado ser aquele o momento e o modo de nos encontrarmos. Tirando João da sua caverna, e a Mim da minha casa, Ele nos uniu naquela hora para abrir sobre Mim os Céus, descendo a Pomba divina sobre Aquele que teria de batizar os homens com esta Pomba, e descendo também o anúncio, ainda mais poderoso do que o do anjo, porque era de meu Pai: “Eis o meu Filho dileto, com o qual Eu me comprazo.” Para que os homens não tivessem desculpas ou dúvidas se deveriam seguir-me ou em não.
EMF 45.8
O Evangelho como me foi revelado
Citação
45.8 As manifestações do Cristo foram muitas. A primeira depois do nascimento foi aquela dos Magos, a segunda, no Templo, e a terceira às margens do Jordão. Depois vieram infinitas outras, que eu te farei conhecer, pois os meus milagres são manifestações da minha natureza divina, até a Ressurreição e a Ascensão ao Céu.
A minha pátria encheu-se das minhas manifestações. Como semente lançada aos quatro pontos cardeais, essas manifestações aconteceram em todas as camadas da sociedade e em todos os lugares da vida: dos pastores, aos poderosos, aos doutos, aos incrédulos, aos pecadores, aos sacerdotes, aos dominadores, às crianças, aos soldados, aos hebreus, aos gentios. Ainda agora elas se repetem. Mas, como naquele tempo, o mundo não as recebe bem. Não recebe bem as atuais, esquecendo-se também das passadas. Pois bem, Eu não desisto. Eu me repito para salvar-vos, para levar-vos a ter fé em Mim.
EMF 46
O Evangelho como me foi revelado
Detalhe
Jesus está no deserto e é tentado por Satanás. Primeiro, o Diabo fala-lhe da mulher, mas vê que as suas palavras não têm efeito e tenta fazer com que Jesus se curve, falando-lhe de pão. Jesus responde-lhe como no Evangelho, depois vem a tentação de ir ao Templo e a tentação de adorar Satanás, para ganhar poder. O Salvador responde que o Senhor Deus é que deve ser adorado, e o Demónio desaparece com um rugido de raiva. Os anjos aparecem então para servir o Messias.
Jesus faz então um ditado e regressa ao aspeto simpático de Satanás. Se a alma não tiver cuidado, pode cair nas suas armadilhas. Cristo explica que, primeiro, ele usa a atração carnal e a cobiça para tentar os filhos de Deus; depois, trabalha contra o lado moral (orgulho) e o espírito, tirando-lhes o amor e o temor de Deus.
O Mestre mostra como se comportava: pelo silêncio e pela oração. Não vale a pena discutir com Satanás, porque ele é mais forte do que nós na dialética. "Só Deus o pode vencer", por isso podemos usar a Palavra de Deus para nos defendermos, porque ele não a pode suportar.
Depois da tentação vem a vitória, pois os anjos nos servem, derramando sobre nós graças e bênçãos. Temos de ter vontade de vencer Satanás e ter fé na ajuda de Deus e na oração.
EMF 46.1-10
O Evangelho como me foi revelado
Citação
46.1 Vejo à minha esquerda, a solidão rochosa, que eu já vi, na visão do batismo de Jesus no Jordão. Mas devo ter penetrado bastante nela, porque não vejo inteiramente o belo rio, vagaroso e azul, nem a veia verde que o acompanha em suas duas margens, como que alimentada por aquela artéria de água. Aqui só se vê solidão, grandes pedras, uma terra de tal maneira árida, que está reduzida a um pó amarelado que, de vez em quando o vento levanta em pequenos redemoinhos, parecidos com o sopro de alguma boca febril, de tão quente e seco. Eles incomodam, porque a sua poeira nos penetra as narinas e a garganta. Há algumas pequenas moitas de espinheiros, muito raras, que não se sabe como é que podem resistir, nessa desolação. Parecem os últimos fios de cabelo numa cabeça calva. Acima, um céu, impiedosamente azul; em baixo, o solo árido; ao redor, penhascos e silêncio. Eis o que vejo como natureza.
46.2 Encostado à uma grande pedra, que pela sua forma, feita para
cima e para baixo assim como tento desenhá-la, parece um princípio de caverna, está Jesus, sentado sobre numa outra pedra, que foi arrastada para dentro da caverna +. Protege-se assim do sol ardente.
Meu monitor interior me avisa que aquela pedra, sobre a qual o Senhor está sentado, é também o seu genuflexório e o seu travesseiro, quando Ele tira suas breves horas de repouso, envolto em seu manto, à luz das estrelas e exposto ao ar frio da noite. De fato, a sacola está perto dele, a mesma que eu o vi pegar, antes de partir de Nazaré. É tudo o que Ele tem. E, como está dobrada e frouxa, compreendo que está vazia, sem aquele pouco alimento que Maria havia posto nela.
Jesus está muito magro e pálido. Está sentado com os cotovelos apoiados nos joelhos e os antebraços estendidos para a frente, com as mãos unidas e os dedos entrelaçados. Ele está meditando. De vez em quando, ergue o olhar, e o gira ao seu redor, olha para o sol alto, quase à pino, no céu azul. De vez em quando, e especialmente depois de ter girado o olhar ao redor e de tê-lo erguido em direção à luz solar, Ele fecha os olhos e se apóia ao penhasco, que lhe serve de abrigo, como se estivesse sendo tomado por uma vertigem.
46.3 Vejo, então, aparecer a cara feia de Satanás. Não que ele se apresente na forma com que nós costumamos figurá-lo com chifres, rabo, etc. Parece um beduíno, envolto em sua veste e em seu grande manto, como um dominó mascarado. Na cabeça tem um turbante, cujas extremidades brancas descem como uma proteção sobre os ombros e ao longo dos lados do rosto. De modo que deste aparece um pequeno triângulo muito moreno, de lábios finos e sinuosos, de olhos muito pretos e encavados, cheios de brilhos magnéticos. São duas pupilas que te perscrutam até o fundo do coração, mas nas quais não lês nada, somente esta palavra: mistério. O oposto dos olhos de Jesus, também estes magnéticos e fascinantes e que perscrutam os corações, mas nos quais tu também podes ler que no seu coração há amor e bondade para contigo. O olhar de Jesus é uma carícia para a alma. Enquanto que o olhar de Satanás é como um duplo punhal que te perfura e te queima.
46.4 Ele se aproxima de Jesus:
– Estás sozinho?
Jesus olha para ele, e não responde.
– Como vieste parar aqui? Estás perdido?
Jesus o olha novamente, e continua calado.
– Se eu tivesse água no odre, eu te daria. Mas eu também estou sem. Meu cavalo morreu, e eu vou indo a pé até o vau do Jordão. Lá eu beberei, e hei de encontrar alguém que me dê um pão. Eu sei o caminho. Vem comigo. Eu te guiarei.
Jesus não levanta nem mesmo o olhar.
– Não respondes? Sabes que, se ficares aqui, morrerás? O vento está começando a soprar. Vai vir uma tempestade. Vem comigo.
Jesus une as mãos em muda oração.
– Ah! Então, és Tu mesmo? Há tanto tempo que te procuro! Agora faz tempo que te venho observando. Desde o momento em que foste batizado. Estás chamando o Eterno? Ele está longe. Agora estás sobre a terra e em meio aos homens. No meio dos homens, quem reina sou eu. Eu também tenho dó de ti e te quero socorrer, porque és bom, e vieste sacrificar-te à toa. Os homens te odiarão pela tua bondade. Eles só entendem, se lhes falares de ouro, comida e sentidos. Sacrifício, dor, obediência, são para eles palavras mortas mais do que esta terra, que está ao redor de nós. Eles são ainda mais áridos do que esta poeira. Só a serpente pode esconder-se aqui, esperando a hora de dar o bote; e o chacal, a hora de despedaçar sua vítima. Vem, vamos embora. Não mereces sofrer por eles. Eu os conheço melhor do que Tu.
Satanás sentou-se de frente a Jesus e o examina com esse seu olhar horrível, sorrindo com a sua boca de serpente. Jesus continua calado, rezando mentalmente.
46.5 – Tu estás desconfiando de mim. Fazes mal. Eu sou a sabedoria da terra. Posso ser teu mestre, para te ensinar a triunfar. Vê: o importante é triunfar. Depois, quando nos impusermos e o mundo ficar fascinado, então o levaremos para onde quisermos. Mas antes, é necessário fazer o que agrada a eles. Ser como eles. Seduzi-los, fazendo-os crer que nós os admiramos e os acompanhamos em seus pensamentos.
Tu és jovem e belo. Começa pela mulher. É sempre por ela que se deve começar. Eu errei, induzindo a mulher à desobediência. Eu devia tê-la aconselhado de outro modo. Eu teria feito dela um instrumento melhor, e teria vencido a Deus. Eu fui apressado. Mas Tu! Vou te ensinar, porque houve um dia em que eu olhei para Ti com um júbilo angelical, e um resto daquele amor ainda ficou, mas Tu, escuta-me, aproveita-te da minha experiência! Arruma uma companheira. Porque o que não conseguires, ela conseguirá. Tu és o novo Adão: deves ter a tua Eva.
Além disso, como podes compreender e curar as doenças da sensualidade, se não sabes o que elas são? Não sabes que aí é que está o ponto central do qual nasce a planta da cobiça e da prepotência? Para que é que o homem quer reinar? Para que é que quer ser rico e poderoso? Para possuir a mulher. Ela é como a cotovia. Ela precisa do brilho para ser atraída. O ouro e o poder, são as duas faces do espelho que atraem as mulheres e são as causas do mal no mundo. Olha bem: atrás de mil delitos de diversas faces, há, pelo menos novecentos que têm suas raízes na fome da posse da mulher, ou na vontade de uma mulher, que arde num desejo que o homem ainda não conseguiu satisfazer ou não mais satisfaz. Se quiserdes saber o que é a vida procura a mulher. Só depois, saberás cuidar e curar as doenças da humanidade.
A mulher é bonita, como sabes! Não há nada de mais belo no mundo. O homem tem o pensamento e a força. Mas, a mulher! O seu pensamento é um perfume, seu contato é carícia de flores, sua graça é como um vinho que desce, sua fraqueza é como uma meada de seda ou anel de cabelo de bebê nas mãos do homem, sua carícia é uma força que se derrama sobre a nossa inflamando-a. Acaba-se a dor, o cansaço, a aflição, quando nos colocamos perto de uma mulher, pois ela, nos nossos braços, é como um feixe de flores.
46.6 Mas, que tolo que eu sou! Tu estás com fome, e eu te falando da mulher. O teu vigor está esgotado. É por isso que essa fragrância da terra, essa flor da criação, esse fruto que dá e suscita o amor, te parece uma coisa sem valor. Mas olha estas pedras, como são redondas e lisas, como são douradas sob à luz do sol que desce. Não parecem pães? Tu, Filho de Deus, só precisas dizer: “Eu quero”, para que elas se transformem em pães cheirosos, como aqueles que as donas de casa tiram do forno para o jantar de seus familiares. E estas acácias, tão secas, se Tu queres, não podem encher-se de maçãs doces e de tâmaras com gosto de mel? Sacia-te, ó Filho de Deus! Tu és o Senhor da terra. Ela se inclina para pôr-se aos teus pés, matando a tua fome.
Não vês que empalideces e vacilas, só de ouvires falar em pão? Pobre Jesus! Estás tão fraco, a ponto de não poderes mais tampouco fazer um milagre? Queres que eu o faça por Ti? Não sou igual a ti. Mas alguma coisa eu posso fazer. Ainda que por um ano eu fique privado das minhas forças, eu as juntarei todas, pois eu te quero servir, porque Tu és bom e eu sempre me lembro de que és o meu Deus, mesmo tendo eu desmerecido agora de poder chamar-te assim. Ajuda-me com a tua oração para que eu possa….
– Cala-te! “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus.”
O demônio estremece de raiva. Range os dentes e fecha os punhos. Mas ele se contém, e muda o ranger de dentes em um sorriso.
– Compreendo. Tu estás acima das necessidades da terra e tens aversão a servir-te de mim. Bem que eu mereci isto.
46.7 Mas, vem, então, e vê o que está acontecendo na Casa de Deus. Vê como até os sacerdotes não se recusam a fazer transações entre o espírito e a carne. Porque, afinal, eles são homens, não são anjos. Faz um milagre espiritual. Eu te levo até o pináculo do Templo, e Tu, transfigura-te em beleza lá em cima, depois, chama a multidão de anjos, e diz a eles que façam de suas asas entrelaçadas, uma esteira para os teus pés, e que Te levem para desceres no pátio principal. Que todos Te vejam e se lembrem de que Deus existe. De vez em quando é necessária uma manifestação, porque o homem tem uma memória muito fraca, especialmente nas coisas espirituais. Bem sabes como os anjos se sentirão felizes por poderem oferecer um apoio aos teus pés e uma escada para desceres!
– Está escrito: “Não tentes ao Senhor teu Deus.”
– Compreendes que, mesmo com a tua aparição, não se mudariam as coisas, e o Templo continuaria a ser um lugar de mercado e corrupção. A tua divina sabedoria bem o sabe, como os corações dos ministros do Templo são um ninho de víboras, que se dilaceram, contanto que consigam prevalecer. Só podem ser dominados com força humana.
46.8 Então, vem. Adora-me. Eu te darei a terra. Alexandre, Ciro, César, todos os maiores dominadores do passado ou do presente serão semelhantes a chefes de umas mesquinhas caravanas, se comparados a Ti, que terás sob o teu cetro todos os reinos da terra. Com os reinos, terás todas as riquezas, todas as belezas da terra, mulheres, cavalos, forças armadas e templos. Poderás erguer em qualquer lugar o teu Sinal, quando serás o Rei dos reis e Senhor do mundo. Então, serás obedecido e venerado pelo povo e pelo sacerdócio. Todas as castas te honrarão e te servirão, porque serás o Poderoso, o Único, o Senhor.
Adora-me, ainda que por um só momento! Tira-me esta sede que eu tenho de ser adorado! Foi ela que me perdeu. Mas ela ficou em mim, queimando-me. As chamas do inferno são como o ar fresco da manhã, comparado a este ardor que me queima interiormente. Esta sede é o meu inferno. Um momento, um momento só, ó Cristo, Tu que és bom! Um momento de alegria para o eterno Atormentado! Deixa-me sentir o que quer dizer ser deus, e eu serei teu devoto e servo obediente por toda a vida, para todas as tuas obras. Um momento! Um só momento, e não te atormentarei mais!
Satanás se põe de joelhos, suplicando.
46.9 Jesus, ao contrário, se levantou. Tendo-se tornado mais magro nestes dias de jejum, parece ainda mais alto. Seu rosto está cheio de severidade e poder. Seus olhos são duas safiras ardentes. Sua voz é como um trovão, que se repercute na cavidade do penhasco, espanlhando-se sobre o pedregal e a planície desolada, ao dizer:
– Vai-te, Satanás. Está escrito: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás!”
Satanás, com um urro de condenado e com um ódio indescritível, levanta-se com ímpeto, tremendo, ao ver-se na sua furiosa e fumante figura. Depois, desaparece, com um novo urro de maldição.
46.10 Jesus se assenta, cansado, apoiando atrás a cabeça no penhasco. Parece estar exausto. Está suando. Mas os seres angélicos vêm soprar levemente, com suas asas no mormaço da caverna, purificando-o e refrescando-o. Jesus abre os olhos, e sorri. Eu não o vejo comer. Eu diria que Ele se nutre do aroma do Paraíso, saindo revigorado.
O sol desaparece no poente. Jesus pega o alforje vazio e, acompanhado pelos anjos que, suspensos acima de sua cabeça, produzem uma luz suave, enquanto a noite cai rapidamente, se encaminha para o leste, ou melhor, para o nordeste. Já retomou sua expressão habitual, o passo firme. Só resta, como lembrança do seu longo jejum, um aspecto mais ascético no rosto magro e pálido e nos olhos, arrebatados, numa alegria que não é desta terra.
Anotação
Mateus 4:1-11:
Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demónio. Depois de ter jejuado durante quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
O tentador aproximou-se dele e disse: "Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Mas Jesus respondeu: "Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
Então o diabo levou-o para a Cidade Santa, colocou-o no cimo do Templo e disse-lhe: "Se és o Filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito: "Ele dará ordens aos seus anjos e eles levar-te-ão nas suas mãos: E eles levar-te-ão nas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra. Jesus disse-lhe: "Também está escrito: 'Não porás à prova o Senhor teu Deus'.
O Diabo levou-o de novo para um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, dizendo-lhe: "Tudo isto te darei, se te prostrares a meus pés e te curvares perante mim. Então Jesus disse-lhe: "Afasta-te, Satanás, porque está escrito: 'Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto'.
Então o demónio deixou-o. E eis que chegaram os anjos e o serviam.
Marcos 1:12-13:
Imediatamente o Espírito levou Jesus para o deserto, e ele ficou lá quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos serviam-no.
Lucas 4,1-13:
Jesus, cheio do Espírito Santo, deixou as margens do Jordão e, no Espírito, foi conduzido pelo deserto, onde durante quarenta dias foi tentado pelo demónio. Durante esses dias, não comeu nada e, quando chegou o fim do tempo, teve fome.
O diabo disse-lhe: "Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão. Jesus respondeu: "Está escrito: Nem só de pão vive o homem.
Então o diabo levou-o para um lugar mais alto e, num instante, mostrou-lhe todos os reinos da terra. Disse-lhe: "Eu dou-te todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram entregues e eu dou-os a quem eu quiser. Por isso, se te curvares perante mim, terás todas estas coisas. Jesus respondeu-lhe: "Está escrito: 'Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto'.
Então o diabo levou-o para Jerusalém, colocou-o no cimo do Templo e disse-lhe: "Se és o Filho de Deus, atira-te daqui para baixo, porque está escrito: "Ele dará ordens aos seus anjos para te guardarem"; e ainda: "Eles levar-te-ão nas mãos, para que o teu pé não bata numa pedra". Jesus respondeu: "Está dito: 'Não porás à prova o Senhor teu Deus'.
Tendo assim esgotado todas as formas de tentação, o demónio afastou-se de Jesus até à hora marcada.