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Notas do tema

Personagens do Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 5.13-14

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ao homem e à mulher, depravados por satanás, Deus quis opor o Homem nascido de mulher tão purificada por Deus, a ponto de poder gerá-Lo sem relação com homem. Flor que gera flor, sem necessidade de semente, mas apenas com o beijo do Sol sobre o cálice inviolado do Lírio que é Maria.

5.14 A desforra de Deus!

Solta os teus silvos de inveja, ó satanás, enquanto ela está nascendo. Esta menina te venceu! Antes que tu fosses o Rebelde, o Tortuoso, o Corruptor, já estavas vencido, e ela é a tua vencedora. Mil exércitos alinhados nada podem contra o teu poder, e contra as tuas couraças caem as armas das mãos dos homens, ó perene, e não há vento que possa dispersar o mau cheiro do teu hálito. No entanto, este calcanharzinho de criança, tão rosado, que parece o interior de uma camélia também rosada, tão liso e tão macio que a seda é áspera comparado a ele, tão pequenino, que poderia caber no cálice de uma tulipa e usá-la como sapatinho, eis que ele te pisa sem medo, e te confina em teu antro. Eis que só o seu vagido já te põe em fuga, a ti que não tens medo dos exércitos. O hálito dela purifica o mundo do teu fedor. Estás derrotado. Só o nome dela, só o seu olhar, só a sua pureza já são uma lança, um fulgor de raio, uma enorme pedra que te transpassam, que te abatem, que te aprisionam no teu covil do inferno, ó Maldito, que tiraste a Deus a alegria de ser Pai de todos os homens criados.

Foi inútil, pois, teres corrompido os que haviam sido criados inocentes, levando-os a conhecer e a conceber sinuosidades da luxúria, privando Deus, de ser o doador dos filhos, em suas diletas criaturas, dando-lhes regras que, se respeitadas, teriam mantido sobre a terra um equilíbrio entre os sexos e as raças, capaz de evitar guerras entre os povos e desventuras entre famílias.

Obedecendo, teriam conhecido o amor. Só obedecendo, teriam conhecido e conservado o amor. Uma posse plena e tranqüila desta emanação de Deus, que do sobrenatural desce ao inferior, para que também a carne se alegre santamente, esta que está ligada ao espírito, criada por Aquele que criou o espírito.

Agora, o vosso amor, ó homens, os vossos amores o que são? Ou libidinagem vestida de amor, ou medo insanável de perder o amor do cônjuge, seja pela libidinagem própria, ou alheia. Já não estais mais seguros quanto à posse do coração do esposo ou da esposa, desde quando a libidinagem entrou neste mundo. Tremeis, chorais e tornais-vos loucos de ciúmes, até assassinos, às vezes, para vingar alguma traição, desesperados, ou então abúlicos e até dementes.

Eis o que fizeste, satanás, aos filhos de Deus. Estes, que corrompeste, teriam conhecido a alegria de ter filhos sem sentirem dor, a alegria de nascer sem o medo de morrer. Mas agora estás vencido em uma mulher e por uma mulher. De agora em diante, quem a amar, tornará a ser de Deus, superando as tuas tentações, para poder imitar a sua pureza imaculada. De agora em diante, não mais podendo conceber sem dor, as mães a terão para o seu conforto. De agora em diante, as esposas a terão por guia e os moribundos por mãe, sendo doce para eles morrer sobre aquele seio, que é um escudo contra ti, oh Maldito, e proteção, diante do julgamento de Deus.

EMF 5.14-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A sublime desforra de Deus sobre a vingança de satanás foi a de elevar a perfeição da criatura dileta a uma super-perfeição, capaz de anular, ao menos nela, toda lembrança de humanidade, que fosse suscetível ao veneno de satanás, e para a qual, não de um casto abraço de homem, mas de um divino amplexo, que empalidece o espírito num êxtase de Fogo, lhe teria vindo o Filho.

5.15 A virgindade da Virgem!…

Vem. Medita nesta virgindade profunda, que produz em quem a contempla vertigens de abismo! O que é a pobre virgindade forçada da mulher que por nenhum homem foi desposada? É menos do que nada. O que é a virgindade daquela que quer ser virgem, para ser de Deus, mas sabe sê-lo só no corpo e não no espírito, no qual deixa entrar muitos pensamentos estranhos, acaricia e aceita as carícias de pensamentos humanos? Isto já começa a ser uma máscara de virgindade, mas muito pouco ainda. O que é a virgindade de uma enclausurada, que vive só para Deus? É muito. Mas, mesmo assim, ainda não é uma virgindade perfeita, se comparada com a virgindade da minha mãe.

Sempre existiu um enlace, até mesmo no mais santo. O enlace da origem, entre o espírito e a Culpa. Só o Batismo o desfaz. Mas, é como uma mulher separada do marido pela morte, não restitui mais em si a virgindade total, como a virgindade dos nossos Primeiros, antes do Pecado. Uma cicatriz permanece, e dói ao ser lembrada, e está sempre pronta para reabrir-se em ferida, como certas doenças que periodicamente voltam com seus vírus, ainda mais ativos. Na virgem não fica esse sinal de um enlace dissolvido com a Culpa. Sua alma apresenta-se bonita e intacta, como quando estava na mente do Pai, e reúne em Si todas as Graças.

É a virgem, a única, a perfeita, a completa, foi assim pensada, gerada, querida, coroada. É eternamente a virgem, o abismo da intocabilidade, da pureza, da graça que se perde no Abismo do qual brotou: em Deus, intangibilidade, pureza e graça perfeitíssima.

Aí está a desforra do Deus Trino e Uno. Contra suas criaturas profanadas, Ele ergue esta Estrela de perfeição. Contra a curiosidade doentia, esta se esquiva, recompensada em poder amar somente a Deus. Contra a ciência do mal, esta sublime ignorante. Nela não existe somente a ignorância do que é um amor aviltado; não há também somente a ignorância do amor que Deus havia dado aos esposos. E ainda mais. Nela há a ignorância das concupiscências, herança do pecado. Nela há somente a sabedoria gélida, mas incandescente, do Amor divino. Fogo que protege de gelo a carne, para que se torne espelho transparente no altar onde um Deus desposa uma virgem, e não se avilta, porque sua Perfeição abraça aquela que, como convém a uma esposa, só em um ponto é inferior ao esposo, sendo-lhe sujeita por ser mulher, mas é sem mancha, como Ele.

EMF 5.14

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estás derrotado. Só o nome dela, só o seu olhar, só a sua pureza já são uma lança, um fulgor de raio, uma enorme pedra que te transpassam, que te abatem, que te aprisionam no teu covil do inferno, ó Maldito, que tiraste a Deus a alegria de ser Pai de todos os homens criados.

Detalhe

Jesus fala com Satanás e evoca a sua Mãe

EMF 5.14

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A sublime desforra de Deus sobre a vingança de satanás foi a de elevar a perfeição da criatura dileta a uma super-perfeição, capaz de anular, ao menos nela, toda lembrança de humanidade, que fosse suscetível ao veneno de satanás, e para a qual, não de um casto abraço de homem, mas de um divino amplexo, que empalidece o espírito num êxtase de Fogo, lhe teria vindo o Filho.

Detalhe

Jesus fala de Maria.

EMF 5.15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Sempre existiu um enlace, até mesmo no mais santo. O enlace da origem, entre o espírito e a Culpa. Só o Batismo o desfaz. Mas, é como uma mulher separada do marido pela morte, não restitui mais em si a virgindade total, como a virgindade dos nossos Primeiros, antes do Pecado. Uma cicatriz permanece, e dói ao ser lembrada, e está sempre pronta para reabrir-se em ferida, como certas doenças que periodicamente voltam com seus vírus, ainda mais ativos. Na virgem não fica esse sinal de um enlace dissolvido com a Culpa. Sua alma apresenta-se bonita e intacta, como quando estava na mente do Pai, e reúne em Si todas as Graças.

É a virgem, a única, a perfeita, a completa, foi assim pensada, gerada, querida, coroada. É eternamente a virgem, o abismo da intocabilidade, da pureza, da graça que se perde no Abismo do qual brotou: em Deus, intangibilidade, pureza e graça perfeitíssima.

Aí está a desforra do Deus Trino e Uno. Contra suas criaturas profanadas, Ele ergue esta Estrela de perfeição. Contra a curiosidade doentia, esta se esquiva, recompensada em poder amar somente a Deus. Contra a ciência do mal, esta sublime ignorante. Nela não existe somente a ignorância do que é um amor aviltado; não há também somente a ignorância do amor que Deus havia dado aos esposos. E ainda mais. Nela há a ignorância das concupiscências, herança do pecado. Nela há somente a sabedoria gélida, mas incandescente, do Amor divino. Fogo que protege de gelo a carne, para que se torne espelho transparente no altar onde um Deus desposa uma virgem, e não se avilta, porque sua Perfeição abraça aquela que, como convém a uma esposa, só em um ponto é inferior ao esposo, sendo-lhe sujeita por ser mulher, mas é sem mancha, como Ele.

EMF 6.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

6.1 Em Jerusalem, vejo Joaquim e Ana com Zacarias e Isabel saírem juntos de uma casa, certamente de parentes ou amigos, e dirigirem-se ao Templo, onde vão para a cerimônia da Purificação.

Ana tem nos braços a menina, toda envolta em cueiros, tendo sido antes enrolada com um amplo tecido de lã mais leve, que deve ser macio e quente. Com que cuidado e amor leva a sua filhinha, levantando de vez em quando a beirada do pano fino e quente, para ver se Maria respira bem, e depois, cobre-a bem de novo, para protegê-la do ar gelado deste dia sereno, embora de pleno inverno.

Isabel tem alguns pacotes nas mãos. Joaquim puxa com uma corda dois cordeiros grandes e muito brancos, que já são mais carneiros que cordeiros. Zacarias não leva nada. Ele está muito bonito em sua veste de linho, que um pesado manto de lã também branco, deixa entrever. Um Zacarias muito mais jovem do que aquele visto no tempo do nascimento do Batista, em plena virilidade, como também Isabel é agora uma mulher madura, mas ainda de aparência jovem. Todas as vezes que Ana olha a menina, ela também se inclina extasiada, sobre o rostinho adormecido. Muito bonita, com um vestido azul que tende ao violeta escuro, com um véu que lhe cobre a cabeça, descendo depois sobre os ombros e sobre o manto mais escuro que o vestido.

Joaquim e Ana, enfim, estão realmente esplêndidos em suas vestes de festa. Ao contrário do seu costume, ele não está com sua túnica mar­rom escuro, mas com uma longa veste de um vermelho bem escuro, diríamos, um vermelho de fundo, e as franjas colocadas em seu manto são muito novas e bonitas. Na cabeça, ele tem também uma espécie de véu retangular, cingido com uma tira de couro. Sua roupa é toda nova e fina.

Ana, oh! ela não se veste de escuro hoje. Está com um vestido amarelo muito claro, quase da cor do marfim velho, ajustado à cintura, ao pescoço e aos pulsos por meio de um cinturão que parece ser de prata e ouro. A sua cabeça está coberta com um véu muito leve, que parece adamascado e está preso à fronte por uma lâmina delgada e preciosa. Ao pescoço, um colar de filigrana e nos pulsos, braceletes. Parece uma rainha, também pela dignidade com que caminha com sua veste, em especial o manto amarelo claro, com galões formando um bordado muito bonito, tom sobre tom.

– Parece-me estar te vendo no dia em que fostes a noiva. Eu era pouco mais que uma menina, mas lembro-me ainda como estavas bonita e feliz –diz Isabel.

– Mas hoje estou ainda mais… Quis pôr a mesma roupa daquele dia para a cerimônia de hoje. Eu a guardei sempre para este dia… Já não esperava mais poder usá-la para esta festa.

6.2 – O Senhor te amou muito… – diz Isabel com um suspiro.

– É por isso que eu Lhe dou a coisa que eu mais amo. Esta minha flor.

– Como farás para arrancá-la do seio, quando chegar a hora?

– Recordando-me que eu não a tinha, e a recebi de Deus. Estarei sempre mais feliz agora, do que antes. Quando pensar que ela estará no Templo, direi a mim mesma: “Reza junto ao Tabernáculo, ora ao Deus de Israel também por sua mãe” e ficarei em paz. E ainda maior paz terei, ao dizer: “Ela é toda Sua. Quando estes dois velhos felizes que a receberam do Céu não estiverem mais em vida, Ele, o Eterno, lhe será eternamente Pai.” Podes crer, eu tenho disso a firme convicção, esta pequenina não é nossa. Nada mais eu podia fazer… Foi Ele que a colocou em meu ventre, este dom divino para enxugar o meu pranto, confortar as nossas esperanças e atender as nossas orações. Por isso ela é Sua. Nós somos somente os felizes guardiães dela… e por isso Deus seja bendito!

6.3 Chegam até os muros do Templo.

– Enquanto vos dirigis para a porta de Nicanor, eu vou avisar o sacerdote. Depois, eu virei também –diz Zacarias, desaparecendo atrás de um arco, que dá para um grande pátio rodeado de pórticos.

A comitiva continua a encaminhar-se pelos sucessivos terraços. Porque (não sei se já o disse) o recinto do Templo não está sobre um terreno plano, mas vai-se elevando por degraus sucessivos sempre mais altos. A cada lance pode-se chegar por escadarias, e em cada lance há pátios, pórticos e portais muitos bem trabalhados, de mármore, bronze e ouro.

Antes de chegarem ao lugar combinado, eles param e vão tirar dos pacotes as coisas que tinham levado, ou seja, pães cozidos, de formato achatado e de pouca espessura, feitos com muita gordura, um pouco de farinha branca, duas pombas em uma pequena gaiola de vime e grandes moedas de prata, certas patacas tão pesadas, que por sorte não havia bolsos naquele tempo, pois não resistiriam.

Eis a bonita porta de Nicanor, um trabalho bem acabado de entalhe­, feito de pesado bronze com lâminas de prata. Lá já se encontra Zacarias, ao lado de um sacerdote esplêndidamente vestido de linho.

Ana recebe a aspersão de uma água, que eu suponho seja a água lustral, e depois recebe a ordem de aproximar-se do altar do sacrifício. A menina não está mais em seus braços. Isabel carrega, estando ainda do outro lado da porta.

Joaquim, por sua vez, entra, atrás de sua mulher, puxando um pobre cordeiro balindo. Faço como na purificação de Maria: fecho os olhos para não ver degolações como esta.

Agora Ana está purificada.

6.4 Zacarias diz em voz baixa algumas palavras a um colega, o qual concorda, sorrindo. Depois aproxima-se do grupo, que já se reuniu de novo, congratulando-se com a mãe e o pai pela sua alegria e pela fidelidade às promessas feitas, recebendo o segundo cordeiro, a farinha e os pães cozidos.

– Então, esta filha está sendo consagrada ao Senhor? Que a Sua bênção esteja com ela e convosco. Eis Ana que chega. Ela será uma de suas mestras. É Ana de Fanuel, da tribo de Aser. Vem, mulher! Esta pequenina é oferecida ao Templo em hóstia de louvor. E tu serás sua mestra. Submissa a ti, ela crescerá na santidade.

Ana de Fanuel, já com os cabelos todos brancos, acaricia a menina, que acabou de acordar e olha com seus olhos inocentes e espantados toda aquela brancura e todo aquele ouro, que a luz do sol faz brilhar.

A cerimônia deve ter acabado. Não vi nenhum rito especial para a oferta de Maria. Talvez fosse suficiente dizê-lo ao sacerdote e sobretudo que o dissessem a Deus, no lugar sagrado.

6.5 – Eu gostaria de fazer a oferta ao Templo, e ir depois àquele lugar, onde vi aquela luz no ano passado.

Vão assim para lá, acompanhados por Ana de Fanuel. Mas não entram no Templo propriamente dito. Compreende-se que, tratando-se de mulheres e de uma menina, não chegaram até o lugar, ao qual Maria chegou, quando veio oferecer o seu Filho. Mas, bem perto da porta toda aberta, olham para o interior meio escuro, de onde estão vindo doces cantos de meninas, e de onde vem o brilho de lâmpadas preciosas, que espalham uma luz de ouro sobre dois canteiros de cabecinha­s cobertas com véus brancos, dois verdadeiros canteiros de lírios.

– Daqui a três anos tu também estarás lá, meu Lírio –promete Ana a Maria, que olha como que fascinada para o interior do Templo, sorrindo ao lento canto.

– Parece até que ela compreende –diz Ana de Fanuel.– É uma linda menina! Será querida por mim, como se fizesse parte de minhas entranhas. Assim eu te prometo ó mãe, se a idade me permitir.

– Sim, que poderás, mulher! –diz Zacarias.– Tu a receberás entre as meninas consagradas. Eu também estarei lá. Quero estar lá naquele dia para dizer a ela que reze por nós desde o primeiro momento…

E olha para a sua mulher, que compreende, suspirando.

A cerimônia terminou, e Ana de Fanuel se retira, enquanto os outros saem do Templo, conversando entre si.

Ouço a voz de Joaquim, que diz:

– Eu teria dado até todos os meus cordeiros, não só os dois melhores, em troca desta alegria, para dar louvor a Deus!

Nada mais vejo.

EMF 6.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ana tem nos braços a menina, toda envolta em cueiros, tendo sido antes enrolada com um amplo tecido de lã mais leve, que deve ser macio e quente. Com que cuidado e amor leva a sua filhinha, levantando de vez em quando a beirada do pano fino e quente, para ver se Maria respira bem, e depois, cobre-a bem de novo, para protegê-la do ar gelado deste dia sereno, embora de pleno inverno.

EMF 6.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– O Senhor te amou muito… – diz Isabel com um suspiro.

– É por isso que eu Lhe dou a coisa que eu mais amo. Esta minha flor.

– Como farás para arrancá-la do seio, quando chegar a hora?

– Recordando-me que eu não a tinha, e a recebi de Deus. Estarei sempre mais feliz agora, do que antes. Quando pensar que ela estará no Templo, direi a mim mesma: “Reza junto ao Tabernáculo, ora ao Deus de Israel também por sua mãe” e ficarei em paz. E ainda maior paz terei, ao dizer: “Ela é toda Sua. Quando estes dois velhos felizes que a receberam do Céu não estiverem mais em vida, Ele, o Eterno, lhe será eternamente Pai.” Podes crer, eu tenho disso a firme convicção, esta pequenina não é nossa. Nada mais eu podia fazer… Foi Ele que a colocou em meu ventre, este dom divino para enxugar o meu pranto, confortar as nossas esperanças e atender as nossas orações. Por isso ela é Sua. Nós somos somente os felizes guardiães dela… e por isso Deus seja bendito!

Detalhe

Ana está a falar com Isabel, a futura mãe de João Batista. Ela pergunta-lhe como saberá oferecer o seu filho a Deus quando chegar a altura.

EMF 6.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

6.4 Zacarias diz em voz baixa algumas palavras a um colega, o qual concorda, sorrindo. Depois aproxima-se do grupo, que já se reuniu de novo, congratulando-se com a mãe e o pai pela sua alegria e pela fidelidade às promessas feitas, recebendo o segundo cordeiro, a farinha e os pães cozidos.

– Então, esta filha está sendo consagrada ao Senhor? Que a Sua bênção esteja com ela e convosco. Eis Ana que chega. Ela será uma de suas mestras. É Ana de Fanuel, da tribo de Aser. Vem, mulher! Esta pequenina é oferecida ao Templo em hóstia de louvor. E tu serás sua mestra. Submissa a ti, ela crescerá na santidade.

Ana de Fanuel, já com os cabelos todos brancos, acaricia a menina, que acabou de acordar e olha com seus olhos inocentes e espantados toda aquela brancura e todo aquele ouro, que a luz do sol faz brilhar.

A cerimônia deve ter acabado. Não vi nenhum rito especial para a oferta de Maria. Talvez fosse suficiente dizê-lo ao sacerdote e sobretudo que o dissessem a Deus, no lugar sagrado.

6.5 – Eu gostaria de fazer a oferta ao Templo, e ir depois àquele lugar, onde vi aquela luz no ano passado.

Vão assim para lá, acompanhados por Ana de Fanuel. Mas não entram no Templo propriamente dito. Compreende-se que, tratando-se de mulheres e de uma menina, não chegaram até o lugar, ao qual Maria chegou, quando veio oferecer o seu Filho. Mas, bem perto da porta toda aberta, olham para o interior meio escuro, de onde estão vindo doces cantos de meninas, e de onde vem o brilho de lâmpadas preciosas, que espalham uma luz de ouro sobre dois canteiros de cabecinha­s cobertas com véus brancos, dois verdadeiros canteiros de lírios.

– Daqui a três anos tu também estarás lá, meu Lírio –promete Ana a Maria, que olha como que fascinada para o interior do Templo, sorrindo ao lento canto.

– Parece até que ela compreende –diz Ana de Fanuel.– É uma linda menina! Será querida por mim, como se fizesse parte de minhas entranhas. Assim eu te prometo ó mãe, se a idade me permitir.

– Sim, que poderás, mulher! –diz Zacarias.– Tu a receberás entre as meninas consagradas. Eu também estarei lá. Quero estar lá naquele dia para dizer a ela que reze por nós desde o primeiro momento…

E olha para a sua mulher, que compreende, suspirando.

A cerimônia terminou, e Ana de Fanuel se retira, enquanto os outros saem do Templo, conversando entre si.

Ouço a voz de Joaquim, que diz:

– Eu teria dado até todos os meus cordeiros, não só os dois melhores, em troca desta alegria, para dar louvor a Deus!

Nada mais vejo.

Detalhe

Ana vem apresentar Maria no Templo e purificar-se depois do parto. É acompanhada pelo seu marido, Isabel e Zacarias. Quando tudo está terminado e ela é purificada pelo sacerdote, colega de Zacarias, Maria Valtorta escreve o seguinte