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Notas da palavra-chave

Curas e milagres físicos

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EMF 63.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

63.1 Com a precisão de uma fotografia perfeita, tenho diante de minha­ vista espiritual, desde esta manhã, antes até da aurora, um pobre leproso.

Este é verdadeiramente um farrapo humano. Eu não saberia dizer que idade ele pode ter, de tão devastado está pelo mal. Definhado, seminu, mostra o seu corpo reduzido ao estado de uma múmia corroída, com as mãos e os pés retorcidos, e já lhe faltando algumas partes, de tal modo que aquelas pobres extremidades nem parecem mais ser de um corpo humano. As mãos, como garras e retorcidas, mais parecem patas de algum monstro alado; os pés parecem quase cascos de boi, de tão decepados e desfigurados.

E a cabeça, então!… Eu creio que só alguém que tivesse ficado insepulto e mumificado pelo sol e pelo vento é que poderia ter ficado com uma cabeça semelhante a esta. Poucos fios de cabelo ainda lhe restam, espalhados aqui e ali, agarrados a uma pele amarelenta e cheia de crostas, parecendo poeira seca sobre uma caveira. Olhos apenas entreabertos e muito encovados, lábios e nariz roídos pelo mal, mostrando já as cartilagens e as gengivas; as orelhas são dois embrionários pavilhões em ruínas e sobre tudo isto, está uma pele ressequida, amarela como certos caulins, sob a qual os ossos penetram. Parece que recebeu a incumbência de reunir esses pobres ossos dentro do seu saco sujo, todo cheio de remendos de cicatrizes ou dilacerações de feridas já apodrecidas. Uma ruína!

Penso até em uma Morte que esteja vagante pela terra e recoberta por uma pele mirrada sobre o esqueleto, envolvida em um manto sujo todo em tiras e tendo na mão, não a foice, mas um bastão cheio de nós, certamente arrancado de alguma árvore.

Ele está à porta de uma caverna afastada da estrada, uma verdadeira espelunca, tão desmoronada que nem sei dizer se no princípio foi um sepulcro, ou uma cabana de lenhadores, ou os restos de alguma casa demolida. Ele olha para a estrada, que está a uns cento e poucos metros do seu antro, uma estrada mestra poeirenta e ainda cheia de sol. A perder de vista, sol, poeira e solidão reinam sobre a estrada. Muito mais acima, a noroeste, deve haver um povoado, ou cidade. Vejo as primeiras casas. Estará à distância de pelo menos um quilômetro.

O leproso olha e suspira. Depois, pega uma tigela quebrada, enche-a com água de um córrego e bebe. Entra em um emaranhado de sarças, atrás do antro, inclina-se, arranca do chão umas raízes selvagens. Volta ao córrego, limpa-as da poeira mais grossa com a sua água escassa, e as come devagar, levando-as até à boca com dificuldade por causa de suas mãos arruinadas. As raízes devem estar duras como uns gravetos. Custa a mastigá-las e muitas ele até cospe, sem as poder engolir embora procure ajudar-se bebendo uns goles de água.

63.2 – Onde estás, Abel? –grita uma voz.

O leproso estremece e tem algo sobre os lábios parecido com um sorriso. Mas estão de tal modo reduzidos aqueles lábios, que é também informe esta sombra de sorriso. Responde com uma voz estranha, estridente (me faz pensar no grito de certos pássaros dos quais ignoro o nome exato):

– Estou aqui! Eu pensei que tu não viesses mais! Pensei que tivesse te acontecido algum mal; fiquei triste… Se tu também me faltares, que restará ao pobre Abel?

Ao dizer isso, ele caminha em direção à estrada até o ponto em que, segundo a Lei, ele podia chegar e, por isso, a uma certa distância, ele se detém.

Pela estrada vem vindo um homem, quase correndo, de tão rápido que vem.

– Mas és tu mesmo, Samuel? Oh! Se não és tu, a quem eu espero, sejas lá quem fores, não me faças mal!

– Sou eu, Abel, sou eu mesmo. E são. Olha como eu corro. Estou atrasado, eu sei. E já estava com pena de ti. Mas, quando souberes… Oh! Tu ficarás feliz! E aqui te trago, não só os costumeiros pedaços de pão, mas um pão inteiro, fresco e bom, todo para ti; trago também um bom peixe e um queijo. Tudo para ti. Quero que faças festa, meu pobre amigo, para preparar-te para uma festa maior.

– Mas, como é que estás assim tão rico? Eu não entendo…

– Agora vou te contar.

– E estás são. Nem pareces mais Tu!

63.3 – Então escuta. Eu soube que em Cafarnaum estava aquele Rabi que é santo, e para lá fui…

– Pára, pára, eu estou infeccionado.

– Oh! Não tem importância! Não tenho mais medo de nada.

O homem, que outro não é senão aquele pobre encolhido curado e ajudado por Jesus no pomar da sogra de Pedro, chegou de fato com o seu passo rápido a poucos passos do leproso; falou, caminhando e rindo feliz.

Mas o leproso lhe diz ainda:

– Pára, em nome de Deus. Se alguém te vê…

– Eu vou parar. Olha, vou colocar aqui as provisões. Come, enquanto eu falo.

Ele põe sobre uma pedra grande um pequeno embrulho e o abre. Depois, dá um passo atrás, enquanto o leproso avança e se atira sobre o alimento inusitado.

– Oh! Quanto tempo faz que eu não comia assim! Como é bom! E eu pensando que iria dormir com o estômago vazio. Não veio hoje um piedoso… nem mesmo tu… Eu mastiguei algumas raízes…

– Pobre Abel! Eu estava pensando. Mas dizia: “Bom. Agora, ele deve estar triste, mas depois ficará feliz!”

– Feliz, sim, por esta comida tão boa. Mas depois…

– Não! Serás feliz para sempre.

O leproso sacode a cabeça.

– Escuta, Abel. Se puderes ter fé, serás feliz.

– Mas fé em quem?

– No Rabi. No Rabi que me curou.

– Mas eu sou leproso e estou no fim! Como poderá me curar?

– Oh! Ele pode. É santo.

– Sim. Também Eliseu curou Naamã, o leproso… eu sei… Mas eu… Eu não posso ir ao Jordão.

– Tu serás curado, sem precisar de água. Escuta: este Rabi é o Messias, entendes? O Messias! É o Filho de Deus. E cura todos aqueles que têm fé. Ele diz: “Eu quero”, e os demônios fogem, e os membros se endireitam, e os olhos cegos vêem.

– Oh! Se eu tivesse fé! Mas como posso ver o Messias?

– Eis-me aqui… eu vim para isso. Ele está lá, naquele povoado. Sei onde estará nesta tarde. Se quiseres… Eu disse: “Eu falo a Abel, e se Abel sente que tem fé o conduzo ao Mestre.”

– Estás louco, Samuel? Se eu me aproximar das casas, serei apedrejado.

– Não nas casas. A tarde está para cair. Eu te levarei até aquele pequeno bosque e depois irei chamar o Mestre. Eu te levarei…

– Vai, vai logo! Eu vou por mim mesmo até aquele ponto. Cami­nha­rei no fosso, entre a sebe, mas tu vai, vai… Oh! vai, meu bom amigo! Se soubesses o que é ter este mal e o que é esperar sarar!… O leproso não pensa em mais nada, nem em comer. Ele chora e gesticula, implorando ao amigo.

– Eu vou, e tu vais.

O ex-encolhido vai embora correndo.

63.4 Abel desce com dificuldade no fosso que costeia a estrada, todo cheio de sarças que cresceram no fundo seco. Ali há apenas um fio de água ao centro. A tarde desce enquanto o infeliz escorrega por entre as sarças, sempre alerta se ouve qualquer passo. Duas vezes agacha-se no fundo: a primeira, por causa de um cavaleiro que percorre a trote a estrada; a segunda, por causa de três homens que vão levando cargas de feno para o povoado. Depois ele prossegue.

Mas Jesus e Samuel chegam antes dele ao pequeno bosque.

– Daqui a pouco ele estará aqui. Ele anda devagar por causa das feridas. Tem paciência!

– Não tenho pressa.

– Tu o curarás?

– Ele tem fé?

– Oh!… Ele estava morrendo de fome e estava vendo aquele alimento depois de anos de abstinência; no entanto, depois de ter comido poucos bocados, deixou tudo para correr aqui.

– Como tu o conheceste?

– Sabes… eu vivia de esmolas, depois da minha desventura, percorrendo os caminhos, indo de um lugar para outro. Por aqui eu passava cada sete dias quando conheci aquele pobrezinho… num dia em que, constrangido pela fome, ele impeliu-se, sob um temporal, que teria posto em fuga até os lobos, indo até o caminho que leva ao povoado, a procura de alguma coisa. Buscava entre as imundícies, como um cão. Eu tinha­ pão seco no alforje, donativo de pessoas boas; dividi ao meio com ele. Desde então, somos amigos e cada semana eu o reabasteço. Com aquilo que tenho… se tenho muito, dou muito; se pouco, pouco. Faço o que posso, como se fosse meu irmão. E é desde aquela tarde em que me curaste, bendito sejas Tu, que eu venho pensando nele… e em Ti.

– Tu és bom, Samuel; por isso a graça te visitou. Quem ama merece tudo de Deus.

63.5 Mas eis ali qualquer coisa entre as ramagens…

– És tu, Abel?

– Sou eu.

– Vem. O Mestre está te esperando aqui, debaixo da nogueira.

O leproso emerge do fosso, sobe para a borda, atravessa-a e entra pelo prado. Jesus, com as costas apoiadas em uma nogueira muito alta, o espera.

– Mestre, Messias, Santo, tem piedade de mim!

E se lança todo entre a relva, aos pés de Jesus. Com o rosto no chão, diz ainda:

– Ó meu Senhor! Se queres, podes limpar-me!

Depois, toma coragem para pôr-se de joelhos, estende os braços esqueléticos, com aquelas mãos retorcidas e ergue o rosto ossudo e devastado… As lágrimas descem das órbitas doentes para os lábios corroídos.

Jesus o olha com muita piedade. Olha para aquela sombra de homem que o mal horrendo devora, que só uma verdadeira caridade pode suportar perto de si de tão repugnante e mal cheiroso que ele está. Contudo, eis que Jesus lhe estende uma mão, a sua sã e bonita mão direita, como que para acariciar o pobrezinho.

Este, sem se levantar, afasta-se sobre seus calcanhares, e grita:

– Não me toques! Tem piedade de Ti!

Mas Jesus dá um passo à frente. Solene, bom, suave, Ele pousa os seus dedos sobre aquela cabeça carcomida pela lepra e diz, com voz baixa e cheia de amor, mas imperiosa:

– Eu quero! Fica limpo!

A mão ainda permanece, por alguns minutos, sobre a pobre cabeça.

– Levanta-te. Vai ao sacerdote. Cumpre tudo o que a Lei prescreve. E não fales do que Eu te fiz: somente sê bom. Não peques mais. Eu te abençôo.

– Oh! Senhor! Abel! Mas tu estás curado!

Samuel, que vê a metamorfose do amigo, grita de alegria.

– Sim. Está são. Ele o mereceu por sua fé. Adeus. A paz esteja contigo.

– Mestre! Mestre! Mestre! Eu não te deixo! Não posso te deixar.

– Faze tudo o que a Lei quer. Depois nos veremos ainda. Pela segunda vez esteja sobre ti a minha bênção.

Jesus se põe a caminho, fazendo sinal a Samuel para que fique. E os dois amigos choram de alegria, enquanto, à luz de um quarto de lua, voltam à caverna para uma última parada naquele antro de desventura.

Assim cessa a visão.

Detalhe

Cura de um leproso.

Samuel chega em 63.2. O milagre tem lugar em 63.4. Para compreender o contexto completo, é aconselhável reler MTS 61.3 e todo o MTS 62.

Anotação

Evangelho de Marcos 1, 40-45

Mc 1,40-45 : Um leproso aproximou-se dele, suplicou-lhe, pôs-se de joelhos e disse: "Se quiseres, podes tornar-me limpo". Tomado de compaixão, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: "Quero; fica limpo". Imediatamente a lepra o deixou e ele ficou limpo. Jesus mandou-o embora com firmeza, dizendo-lhe: "Tem cuidado, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e dá pela tua purificação o que Moisés prescreveu na Lei: será um testemunho para o povo. Depois de se ter ido embora, o homem começou a proclamar e a espalhar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar abertamente numa cidade, mas mantinha-se afastado em lugares desertos. Mas as pessoas vinham ter com ele de todo o lado.

Evangelho de Lucas 5, 12-14

Lc 5,12-14 : Jesus estava numa cidade, quando apareceu um homem coberto de lepra que, ao ver Jesus, se prostrou com o rosto em terra e lhe implorou: "Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. Jesus estendeu a mão e tocou-o, dizendo: "Eu quero; fica limpo. A lepra deixou-o imediatamente. Então Jesus ordenou-lhe que não contasse a ninguém: "Em vez disso, vai mostrar-te ao sacerdote e dá pela tua purificação o que Moisés ordenou; isso será um testemunho para todos."

EMF 64

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Pedro, André, João e Tiago de Zebedeu pescaram com Zebedeu. No entanto, não apanharam peixe nenhum e Simão de Jonas ficou desiludido. Havia pessoas doentes para alimentar e cuidar. Ele lamentava que o Mestre não estivesse lá, mas agora o Mestre tinha acabado de regressar. Os discípulos correram para ele e contaram-lhe o que tinham feito. O chefe dos apóstolos explicou que tinha guardado uma bolsa que lhe tinha sido dada, para que Cristo a distribuísse, e disse-lhe também que tinha guardado alguns doentes para esperar o seu regresso. Jesus respondeu-lhe que tinha feito o que era correto.

As crianças espalharam por toda a Cafarnaum a notícia de que o seu grande Amigo estava ali, e os mais pequenos rodearam-no: prometeu um sermão só para eles. O Salvador foi então a uma das casas de Pedro e pregou a partir daí: comentou dois versículos do Cântico dos Cânticos sobre os lírios e aplicou-os às crianças. Exortou todos os homens, grandes ou pobres, a serem como uma delas, explicando que o Filho do Homem encontra a sua alegria nestes seres inocentes e simples.

Quando terminou a sua pregação, Pedro disse-lhe que estavam presentes alguns doentes, mas que um deles não se podia mexer: o Mestre disse-lhe que o levasse pelo telhado, e assim fizeram. O paralítico do Evangelho é-lhe apresentado e tudo se passa como no relato do Novo Testamento. Jesus diz-lhe que os seus pecados lhe são perdoados e responde aos fariseus presentes, dizendo que o Filho do Homem tem todos os poderes. Cura o aleijado, os médicos agitados vão-se embora e a multidão segue o milagreiro em júbilo. Uma mãe apresenta o seu filho moribundo e Jesus salva-o. Finalmente, ao sair, cura um homem com febre alta.

Uma vez lá fora, as pessoas pedem a Cristo que dê os seus ensinamentos, porque alguns não o tinham ouvido. Jesus sai então no barco de Pedro para pregar à multidão. A visão termina aqui.

EMF 64.1.3-4.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

64.1 Vejo as margens do lago de Genezaré. E vejo os barcos dos pescadores, arrastados para a margem. Junto a eles estão Pedro e André, ocupados em consertar as redes, que os empregados levam, gotejantes, depois de as terem enxaguado no lago, para limpá-las dos detritos que nelas ficaram presos. À distância de uns dez metros, João e Tiago, encurvados sobre seu barco, estão ocupados a pô-lo em ordem, ajudados por um empregado e por um homem de seus cinqüenta a ciqüenta e cinco anos, que eu penso ser Zebedeu, porque o empregado o chama de “patrão”, e porque ele é muito parecido com Tiago.

Pedro e André, de costas para o barco, trabalham em silêncio para reatar os fios e as bóias de sinal. De vez em quando, trocam algumas palavras, a respeito do trabalho deles que, pelo que eu pude entender, foi infrutífero.

Pedro se queixa, não pela bolsa vazia, nem pelo trabalho inútil, mas diz:

– Isso me aborrece porque… como faremos para alimentar aqueles pobrezinhos? A nós só são feitas raras ofertas, e aquelas dez moedas e sete dracmas que recolhemos nestes quatro dias, nelas eu não toco. Só o Mestre me deve indicar a quem e como vão ser dadas aquelas moedas. E até o sábado Ele não volta! Se eu tivesse feito uma boa pesca!… O peixe mais miúdo, eu o cozinharia, e o daria àqueles pobres… e, se alguém em casa resmungasse, eu não daria importância a isso. Os sãos podem ir procurá-lo. Mas os doentes!…

– Aquele paralítico, por exemplo!… Andaram tanto para trazê-lo aqui… –diz André.

(...) [Jesus volta para junto dos seus discípulos e o Mestre profere um sermão na casa do seu apóstolo.]

O povo se aglomera na grande sala posterior, destinada às redes, cabos, cestas, remos, velas e provisões. Vê-se que Pedro a colocou à disposição de Jesus, amontoando tudo em um canto, para dar mais espaço. O lago não se vê daqui. Ouve-se dele apenas o marulho lento. O que se vê é só o muro esverdeado do pomar, onde está a velha videira e a figueira frondosa. As pessoas estão até na estrada, transbordando da sala para o pomar, e deste para a estrada.

64.4 Jesus começa a falar. Na primeira fila — tendo aberto caminho com gestos prepotentes e graças ao temor que deles tem o povo — estão cinco pessoas… influentes. Paludamentos, vestes ricas e soberba, os denunciam como fariseus e doutores. (...)

64.5 – Mestre! – grita Pedro do meio da multidão–, aqui estão os doentes. Dois podem esperar que Tu saias, mas este está comprimido por esta multidão e, além disso, não se aguenta mais… E nós não podemos passar. Devo mandá-lo de volta?

– Não. Descei-o pelo telhado.

– Está bem. Vamos fazer isso já.

Ouve-se o barulho dos pés sobre o telhado baixo da sala que não sendo propriamente uma parte da casa não tem por cima nenhum assentamento com argamassa, mas somente um telhadinho de madeira coberto de cascalhos semelhantes a ardósia. Mas não sei que pedra era. Eles fazem uma abertura e, por meio de cordas, fazem descer a pequena padiola sobre a qual está o doente. Desce exatamente diante de Jesus. O povo se aglomera mais ainda para ver.

– Tiveste grande fé, e contigo também quem te trouxe.

– Oh! Senhor! Como não ter fé em Ti?

– Portanto, Eu te digo: filho (o homem é muito jovem) são-te perdoados todos os teus pecados.

O homem o olha chorando… talvez se sinta um pouco decepcionado, porque esperava a cura do corpo.

Os fariseus e os doutores cochicham entre si, torcendo o nariz, a fronte e a boca, com desdém.

– Por que estais murmurando, e mais ainda com o coração do que com os lábios? Segundo vós é mais fácil dizer ao paralítico: “Estão perdoados os teus pecados”, ou dizer-lhe: “Levanta-te, pega a tua cama e anda”? Vós pensais que só Deus pode perdoar os pecados. Mas não sabeis responder o que é mais importante, porque este, tendo perdido a tal ponto a saúde do corpo, gastou seus haveres para recuperá-la, sem nada conseguir. Não o pode, a não ser por Deus. Ora, para que saibais que tudo Eu posso, para que saibais que o Filho do homem tem poder sobre a carne e sobre a alma, na terra e no Céu, Eu digo a este: “Levanta-te, toma a tua cama e anda. Vai para a tua casa e sê santo.”

O homem sente um choque, dá um grito, põe-se de pé, lança-se aos pés de Jesus, beija-os e os acaricia, chora e ri; com ele os parentes e a multidão que, depois, se abre para deixá-lo passar, como se fosse em triunfo, e o segue toda festiva. A multidão, não os cinco invejosos, que vão-se embora, altivos e duros como estacas.

Anotação

Mateus 9:1-8

Jesus entrou num barco, fez a travessia de novo e foi para a sua cidade natal, Cafarnaum.

Trouxeram-lhe um homem paralítico, deitado numa maca. Vendo a fé deles, Jesus disse ao paralítico: "Acredita, meu filho, os teus pecados estão perdoados. E eis que alguns dos escribas diziam entre si: "Este homem blasfema.

Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, perguntou-lhes: "Porque pensais mal? O que é que é mais fácil? Dizer: "Os teus pecados estão perdoados", ou dizer: "Levanta-te e anda"? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados... - Então Jesus disse ao paralítico: "Levanta-te, pega na tua maca e vai para casa". Ele levantou-se e foi para casa.

Quando as multidões viram isto, ficaram aterrorizadas e deram glória a Deus, que tinha dado tal poder aos homens.

Marcos 2, 1-12

Alguns dias depois, Jesus regressou a Cafarnaum e chegou a notícia de que estava em casa. Tinha-se juntado tanta gente que não havia lugar nem mesmo diante da porta, e ele estava a pregar-lhes a Palavra.

Chegaram algumas pessoas e trouxeram-lhe um homem paralítico, transportado por quatro homens. Como não podiam aproximar-se dele por causa da multidão, abriram o teto por cima dele, fizeram uma abertura e baixaram a maca onde estava deitado o paralítico. Vendo a fé deles, Jesus disse ao paralítico: "Filho, os teus pecados estão perdoados.

Mas alguns dos escribas estavam ali sentados e pensavam: "Porque é que este homem fala assim? Ele blasfema. Quem é que pode perdoar os pecados senão Deus? Jesus viu imediatamente o que eles estavam a pensar e disse-lhes: "Porque é que vocês estão a pensar assim? O que é que é mais fácil? Dizer a este paralítico: "Os teus pecados estão perdoados", ou dizer-lhe: "Levanta-te, pega na tua maca e anda"? Pois bem! Para que saibam que o Filho do Homem tem autoridade para perdoar pecados na terra... - Jesus disse ao paralítico: "Digo-te que te levantes, pegues na tua maca e vás para casa". Ele levantou-se, pegou imediatamente na maca e saiu à frente de toda a gente. Todos ficaram admirados e deram glória a Deus, dizendo: "Nunca vimos nada assim.

Lucas 5:17-26

Um dia, quando Jesus estava a ensinar, estavam presentes fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia e da Judeia, e também de Jerusalém; e o poder do Senhor actuava para que ele fizesse curas.

Chegaram algumas pessoas que traziam numa maca um homem paralítico e procuravam trazê-lo para o colocar diante de Jesus. Mas, como não viam como o fazer por causa da multidão, subiram ao telhado e, afastando as telhas, baixaram-no com a maca mesmo em frente de Jesus. Quando Jesus viu a fé deles, disse: "Homem, os teus pecados te são perdoados. Os escribas e os fariseus começaram a discutir: "Quem é este homem? Ele diz blasfémias! Quem é que pode perdoar os pecados senão Deus? Mas Jesus, compreendendo os seus pensamentos, respondeu-lhes: "Porque estão estes pensamentos nos vossos corações? O que é mais fácil? Dizer: "Os vossos pecados estão perdoados", ou dizer: "Levanta-te e anda"? Pois bem! Para que saibam que o Filho do Homem tem na terra autoridade para perdoar pecados", Jesus dirigiu-se ao paralítico: "Eu digo-te: levanta-te, pega na tua maca e volta para tua casa.

Jesus disse ao paralítico: "Levanta-te, pega na tua maca e vai para tua casa. Imediatamente ele se levantou à frente deles, pegou na sua cama e foi para casa, dando glória a Deus. Todos ficaram admirados e deram glória a Deus. Cheios de medo, diziam: "Hoje vimos coisas extraordinárias!

EMF 64.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus abençoa e dá uns passos até à porta onde está o doente de febre alta.

– Mestre! Sê bom!

– E tu também. Usa a saúde na justiça.

Jesus o acaricia e sai.

EMF 68.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Pedi a Ele algum milagre. Ele é poderoso. Ele cura. Ele lê nos corações. Responde a todas as perguntas.

– Fala a Ele por mim, que eu estou doente. Meu olho direito está morto e o esquerdo está secando.

– Mestre.

– Judas.

Jesus que estava acariciando uma menininha, se volta.

– Mestre, este homem está quase cego e quer ver. Eu disse a ele que Tu podes curá-lo.

– Eu posso, para quem tem fé. Tu tens fé, homem?

– Eu creio no Deus de Israel. Venho aqui para jogar-me na piscina de Betsaida. Mas sempre tem alguém que me precede.

– Podes crer em Mim?

– Se creio no anjo da piscina, não deverei crer em Ti, que o teu discípulo diz que és o Messias?

Jesus sorri. Molha o dedo com a saliva e o roça no olho doente.

– Que estás vendo?

– Estou vendo as coisas sem aquela névoa de antes. E o outro, não o curas?

Jesus sorri de novo. Repete o ato sobre o olho cego.

– Que estás vendo? –pergunta Ele, tirando a ponta do dedo da pálpebra caída.

– Ah! Senhor de Israel! Estou vendo, como quando eu, ainda menino, corria pelos prados! Sê Tu eternamente bendito!

O homem chora, prostrado aos pés de Jesus.

– Vai. Sê bom, agora, em reconhecimento a Deus.

68.7 Um levita, que chegou quase ao fim do milagre, pergunta:

– Com que poder fazes estas coisas?

– Tu me perguntas? Mas Eu te digo, se responderes à minha pergunta. Segundo a tua opinião: é maior um profeta que anuncia o Messias, ou o próprio Messias?

– Que pergunta! O Messias é maior: é o Redentor prometido pelo Altíssimo!

– Então, por que os Profetas fizeram milagres? Com que poder?

– Com o poder que Deus dava a eles para provarem às multidões que Deus estava com eles.

– Pois bem, com o mesmo poder, Eu faço milagres. Deus está Comigo, Eu estou com Ele. Eu provo às multidões que assim é e que o Messias bem pode, com maior razão e medida, o que podiam os Profetas.

O levita vai-se embora pensativo, e tudo termina.

Detalhe

Jesus fala e Judas incita as pessoas a pedirem-lhe um milagre. Jesus faz um milagre e, no fim, perguntam-lhe com que autoridade o faz.

EMF 72.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

72.1 Vejo Jesus que, desde o amanhecer, sempre junto à mesma porta, se une aos discípulos Simão e Judas. Jesus já estava com João. Eu o ouço dizer:

– Meus amigos, Eu vos peço que venhais Comigo pela Judéia. Se não vos custar demais, especialmente para ti, Simão.

– Por que, Mestre?

– Porque é áspero o caminho pelos montes judaicos… e talvez ainda mais áspero será para ti, o encontrar com alguns dos que te tenham­ feito mal.

– Quanto ao caminho, eu Te garanto uma vez mais que depois que me curaste fiquei mais forte do que um jovem e nenhum trabalho me cansa, ainda mais quando ele é feito por Ti; agora, melhor ainda, Contigo. Quanto ao encontro com quem me tiver prejudicado, não existe mais aspereza de ressentimentos e nem de sentimentos no coração de Simão, desde quando ele se tornou teu. O ódio caiu junto com as escamas do meu mal. E não sei, podes crê-lo, se devo dizer-te que fizeste um milagre maior ao curar-me a carne corroída, ou a alma queimada pelo rancor. Penso que não estou errado ao dizer que o milagre maior foi este último. É sempre menos fácil que fique curada uma chaga do espírito… e Tu curaste a minha num instante. Isto é milagre. Porque, num instante não fica curado, por mais que o queira com todas as suas forças, o homem que está doente de um hábito moral, se Tu não anulares aquele hábito com a tua vontade santificante.

– Não estás errado em teu julgamento.

EMF 76.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

76.4 – Tu me disseste que queres que Isaque fique sabendo que estás aqui, mas isso sem precisares entrar no povoado?

– Sim, assim quero.

– Então, é bom que nos separemos. Eu irei até ele. Levi e José ficarão com o rebanho e convosco. Eu vou subir por aqui. Irei mais depressa.

E Elias começa a subir pela encosta, em direção a um branquear de casas que brilham ao sol, lá no alto. Parece-me que estou seguindo-o. Ei-lo às primeiras casas. Pega uma viela entre as casas e as hortas. Anda uma dezena de metros. Depois, vira para uma rua mais larga, e desta entra em uma praça.

Eu não disse que tudo isso aconteceu nas primeiras horas da manhã. Digo agora, para explicar que na praça ainda há a feira, e as donas de casa e vendedores gritam ao redor das árvores que fazem sombra à praça.

Elias vai firme, até ao ponto onde a praça volta a ser rua, uma rua muito bonita. Talvez a mais bonita do povoado. Num canto há um casebre, ou melhor, um quarto com a porta aberta. Quase à porta, está uma pobre cama, e em cima dela um doente muito magro que, lamentosamente pede uma esmola a cada passante.

Elias entra como um foguete:

– Isaque… sou eu.

– Tu? Eu não estava te esperando. Vieste aqui na lua passada.

– Isaque… Isaque… Sabes por que eu vim?

– Não sei… Estás comovido… Que aconteceu?

– Eu vi Jesus de Nazaré, homem, já rabi. Ele veio procurar-me… e nos quer ver. Oh! Isaque! Estás mal?

De fato, Isaque deixou-se cair como se morresse. Mas depois se recobra:

– Não. Esta notícia… Onde está Ele? Como está? Oh! Se eu pudesse vê-lo!

– Ele está lá em baixo, no vale. E me manda dizer-te assim, exatamente assim: “Vem, Isaque, que Eu te quero ver e abençoar.” Agora, eu vou chamar alguém que me ajude a levar-te lá em baixo.

– Assim Ele disse?

– Assim. Mas, que é que estás fazendo?

– Eu vou.

Isaque afasta as cobertas, move as pernas inertes, lança-as fora da enxerga, e as apóia no chão, levanta-se, ainda incerto, cambaleante. Tudo em um instante, sob os olhos arregalados de Elias… que finalmente compreende e grita…

Aí aparece uma mulherzinha curiosa. Vê o enfermo de pé, que se cobre com um cobertor, não encontrando outra coisa, e sai correndo, gritando como uma galinha.

– Vamos. Saiamos daqui, para fazermos mais depressa, antes que a multidão comece a se ajuntar… Depressa, Elias.

E saem correndo pelo portãozinho de uma pequena horta, situada atrás, empurram o fecho de ramos secos, e estão fora; seguem por uma viela miserável, descem depois por uma estradinha entre as hortas, e desta passam para os prados e pequenos bosques até o córrego.

76.5 – Eis ali Jesus –diz Elias, indicando-o–. É aquele alto, bonito, loiro, vestido de branco, com o manto vermelho….

Isaque corre, abre caminho por entre o rebanho que está pastando, e com um grito de triunfo, de alegria, de adoração, prostra-se aos pés de Jesus.

– Levanta-te, Isaque. Eu vim. Para trazer-te paz e bênção. Levanta-te para Eu conhecer o teu rosto.

Mas Isaque não pode levantar-se. Emoções demais ao mesmo tempo, e está, em seu choro feliz, com o rosto no chão.

– Vieste depressa. Nem perguntaste a ti mesmo se podias…

– Tu me disseste para vir… e eu vim.

– Tampouco fechou a porta, nem recolheu as esmolas, Mestre.

– Não importa. Os anjos velarão a casa dele. Estás contente, Isaque?

– Oh! Senhor!

– Chama-me Mestre.

– Sim, Senhor, meu Mestre. Ainda que não tivesse ficado curado, teria já ficado feliz, só por Te ver. Como pude encontrar tanta graça junto a Ti?

– Pela tua fé e paciência, Isaque. Eu sei quanto sofreste…

– Nada, nada! Mais nada! Eu Te encontrei! Estás vivo! Estás aqui! Estás mesmo aqui… O resto, todo o resto é passado. Mas, Senhor e Mestre, agora não vais mais embora, não é?

– Isaque, tenho que evangelizar todo Israel. Eu vou… Mas, se Eu não posso ficar, tu sempre podes servir e seguir-me.

76.6 Queres ser meu discípulo, Isaque?

– Oh! Mas eu não serei um bom discípulo!

– Saberás tu declarar quem Eu sou? E confessá-lo, apesar dos escárnios e ameaças? E dizer que Eu te chamei, e tu vieste?

– Mesmo que Tu não o quisesses, eu diria tudo isso. Nisto eu Te desobedeceria, Mestre. Perdoa-me, se eu digo isto.

Jesus sorri.

– E então, estás vendo que estás bom para seres meu discípulo?

– Oh! Se for só para fazer isso! Eu pensava que fosse mais difícil. Que precisava ir para a escola dos rabinos, para servir a Ti, o Rabi dos rabis… e ir para a escola depois de velho…

De fato, o homem tem pelo menos, cinqüenta anos.

– A escola tu já fizeste, Isaque.

– Eu? Não.

– Tu, sim. Não tens continuado a crer e a amar, a respeitar e bendizer a Deus e ao próximo, a não ter invejas, a não desejar o que é dos outros, e também o que era teu e não o tinhas mais, a não falar senão a verdade, ainda que isso te prejudicasse, a não fornicar com Satanás, fazendo pecados? Não tens feito tudo isso, nestes trinta anos de desventura?

– Sim, Mestre.

– Então estás vendo. A escola tu já fizeste. Continua assim, e acrescenta a isso a revelação de minha presença no mundo. Não há outra coisa a fazer.

– Eu já tenho falado de Ti, Senhor Jesus. Aos meninos que vinham a mim, quando eu, quase inválido, cheguei a este povoado, pedindo um pão e fazendo ainda algum trabalho de tosquia ou preparação de laticínios, e depois, quando vinham ao redor de minha cama, quando a doença se agravou e fez que ficasse paralítico da cintura para baixo. Eu falava de Ti aos meninos de então, e aos meninos de agora, filhos­ daqueles… Os meninos são bons, e crêem sempre.. Eu lhes falava de quando tinhas nascido… dos anjos… da Estrela e dos Magos… e de tua mãe… Oh! Diz-me: Ela ainda está viva?

– Está viva, e te saúda. Ela sempre me falava de vós.

– Oh! Se eu pudesse vê-la!

– Tu a verás. Um dia irás à minha casa. Maria te saudará: amigo.

– Maria… sim. Dizer esse nome é como ter mel na boca.