Ir para o conteúdo

Notas da palavra-chave

Criação - Flore

Página 3 de 3

Conforto de leitura

Aa

EMF 182.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não vos queixeis por estar longe do mundo. É por isso que estais preservados de muitas corrupções. E Deus não está longe de vós, mas até mais perto naquela solidão, onde Ele vos faz ouvir sua voz na voz dos ventos que Ele criou, nas ervas e nas águas, do que entre os homens.

EMF 186.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O panorama é muito bonito. Elevado umas poucas dezenas de metros acima do lago, permite que se veja todo o espelho d’água, com as cidades espalhadas pelas margens. Tiberíades se distingue por suas belas construções, bem em frente do lugar em que se acham os apóstolos. Abaixo daqui, aos pés da escarpa basáltica, a pequenina praia mais parece uma pequena almofada de verdura, enquanto que, na margem oposta, de Tiberíades até a desembocadura do Jordão, há uma planície bastante ampla e pantanosa, por causa das águas do rio, — que parece a custo retomar a correnteza, depois de ter parado no lago, — mas, de tal modo cheia de todas as ervas e moitas nos lugares mais pantanosos, e de tal modo povoada por pássaros aquáticos das mais variadas cores, como se estivessem recobertos de jóias, que, ao olhar para aquele lugar, mais parece um jardim. Os pássaros levantam vôo do meio das ervas e dos caniços, e vão por sobre o lago, mergulham aqui e ali para arrancarem das águas algum peixe, levantam-se em seguida mais brilhantes, porque a água limpou e reavivou as cores de suas penas, e voltam para a planície florida, sobre a qual o vento está brincando de fazer aparecer as cores dela. Por aqui já há bosques de carvalhos muito altos, debaixo dos quais a erva é macia e cor de esmeralda e, para lá desta faixa de bosques, o monte torna a subir do outro lado de um grande vale, fazendo um íngreme cocuruto rochoso, sobre o qual estão incrustadas as casas, construídas sobre os degraus de pedra. Creio que o monte forme um todo com seus muros, servindo suas cavernas como moradias, uma mistura de cidade de trogloditas e de cidade comum.

É característica, com esta subida para os patamares, para os quais o telhado das casas do patamar inferior fica à altura da entrada térrea das casas do patamar superior. Dos lados, por onde o monte é mais íngreme, tão íngreme que nele nenhuma construção pode ser feita, há cavernas, fendas profundas e descidas que se inclinam para o vale. Em tempos de aguaceiros, aquelas descidas devem tornar-se outras tantas pequenas e lindas torrentes. Pedras de todos os tamanhos, roladas para o vale pelos aluviões, formam um caótico pedestal para o pequeno monte, tão áspero e selvagem, corcovado e petulante, como um senhor que quer ser respeitado a todo custo.

EMF 187.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus se despede das barcas, dizendo: “Não voltarei atrás” e, acompanhado pelos seus, através da região que parecia muito fértil, vista da margem oposta, dirige-se para um monte, que aparece na direção sudoeste.

Os apóstolos vão indo em silêncio, falando um com o outro, somente com os olhos, pouco entusiasmados com o caminho pelo meio dessa região bonita, mas selvagem, cheia de carriços que se agarram aos pés, de caniços que fazem chover sobre as cabeças uma chuvinha do orvalho que ficou retido pelas fendas por entre suas folhas; de caroços de frutas secas, que lhes batem no rosto; de salgueiros frágeis que batem por toda parte nos corpos dos viandantes, fazendo-lhescócegas; de traidoras passagens no terreno, onde há ervas que parecem ter nascido em um solo sólido, mas, ao invés disso, escondem poças d’água nas quais os pés afundam, pois elas não são mais que uns aglomerados de rabos-de-raposa e de outras amarantáceas, nascidas em pequenos charcos e tão cerradas, que escondem o elemento em que nasceram.

Jesus, do lugar em que está, parece alegrar-se com todo aquele verde de mil tons, com todas aquelas flores, pelas quais eles passam roçando, ou que estão erguidas e se agarram às outras para subir, que soltam delicados festões cobertos de graciosos convólvulos de uma cor rosa-malva tênue ou formam um tapete azul muito bonito para as milhares de corolas de miosótis palustres, que abrem seus cálices perfeitos em corolas brancas, róseas ou azuis, por entre as largas folhas chatas dos nenúfares. Jesus admira os penachos dos caniços do brejo, sedosos e cor de pérola e se inclina alegre para observar a delicadeza dos rabos-de-raposa, que formam um véu de esmeralda sobre as águas. Jesus para, extasiado, diante dos ninhos que os pequenos pássaros constróem, com um ir e vir feliz, acompanhado de trilos, de pulos, de um cansaço contente, dos flocos de lã arrancada às sebes que, por sua vez, as tinham arrancado dos rebanhos, que por ali passaram… Ele parece a pessoa mais feliz que possa haver. Onde está o mundo com as suas maldades, falsidades, dores e insídias? O mundo está do lado de lá deste oásis verde e florido, onde tudo é perfumado, tudo brilha, tudo ri e canta. Aqui está a terra criada pelo Pai e não profanada pelo homem, e aqui pode-se até esquecer o homem.

EMF 188.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

É um pobre lugar, como disse Jesus. As casas estão como que enraizadas nas encostas que, depois, para lá do povoado, se tornam mais ásperas. Os moradores são pobres. Em sua maior parte, eles cuidam do pastoreio, pelas pastagens do monte e por entre os bosques dos carvalhos seculares. Há uns poucos campos de aveia, ou de cereais semelhantes, e nas faixas de terra que podem ser aproveitadas, há alguns pés de macieiras e de figueiras. Poucas são as videiras ao redor das casas e que enfeitam um pouco os muros com sua cor escura, dando a entender que aqui é um pouco úmido.

Detalhe

Em En-Dor.

EMF 204.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Na paz do sábado, Jesus está descansando perto de um campo de linho todo em flor, pertencente a Lázaro. Ele está mais do que perto, eu diria que Ele está submerso no meio do linho e, sentado à beira de um sulco, absorto em seus pensamentos. Junto dele só se vê alguma silenciosa borboleta, ou alguma lagartixa rastejando e que olha para Ele com seus olhinhos de azeviche, levantando a cabecinha triangular para cima da garganta clara e palpitante. E nada mais. Nesta hora já adiantada do meio-dia, cala-se até o menor sopro de vento por entre as altas hastes.

De longe, talvez lá do jardim de Lázaro, está fazendo-se ouvir o canto de uma mulher e, junto com ele, os gritos festivos de um menino, que está brincando com algum outro. Depois, uma, duas, três vozes exclamam: “Mestre!” “Jesus!”

Jesus volta a si e se levanta. E, por mais que o linho, em seu completo crescimento, já esteja bem alto, Jesus emerge bem por cima deste mar verde e azul.

– Lá está Ele, João –grita Zelotes.

E João, por sua vez, chama:

– Mãe, o Mestre está aqui, no meio do linho.

E, enquanto Jesus vai-se aproximando do caminho que vai para as casas, eis que Maria chega perto dele.

Anotação

Jesus repousa junto a um campo de linho em plena floração: o linho é cultivado na maior parte dos países temperados e quentes. As suas flores são azuis, o que levou Aragão a escrever: "Um grande campo de linho azul que reflecte o céu". As plantas crescem 10 mm por dia e podem atingir 80 cm a 1 m de altura.

EMF 204.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

« (...) Não é assim?

– Assim é, Mestre. Tu os viste e estudaste muito bem –confirma e elogia Plautina.

– Mas, pelo que consta, nunca saíste da Palestina –exclama Quintiliano.

– Não saí nunca para ir a Roma nem a Atenas. Mas não ignoro a arquitetura da Grécia nem a de Roma, nem o gênio do homem que decorou o Partenon. Eu estava presente, porque Eu estou em toda parte, onde há vida e manifestação de vida. Lá, onde um sábio estiver pensando, um escultor esculpindo, um poeta compondo, uma mãe cantando sobre um berço, um homem se cansando sobre os sulcos, um médico lutando contra as doenças, um vivente respirando, um animal vivendo, uma árvore vegetando, lá estou Eu junto com Aquele do qual Eu venho. No estrondo do terremoto ou no fragor dos raios, na luz das estrelas ou no fluxo das marés, no vôo da águia ou no zumbido do mosquito, Eu estou com o Criador Altíssimo.

– De forma que… Tu… Tu sabes tudo? E o pensamento e as obras dos homens? –pergunta Quintiliano.

– Eu sei.

Os romanos olham um para o outro, assombrados.

Detalhe

Jesus descreve longamente os templos construídos pelos romanos e pelos gregos.

EMF 208.5-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os três grandes vales escavados na rocha do monte, obra verdadeiramente grandiosa, brilham na superfície limpidíssima e na queda d’água que cai do primeiro vale para o segundo, e deste para o terceiro, que já é, na verdade um pequeno lago, que depois canaliza a água por vários tubos, que vão para cidades distantes. Mas, pela umidade do solo nesta área, desde a nascente até às piscinas, e destas até o solo, todo o monte é de uma fertilidade incrível, e possue flores mais compostas do que aquelas selvagens, rindo pelas encostas verdes, juntamente com ervas perfumadas e raras. Parecem até terem sido aqui semeadas pelo homem, como as flores dos jardins e as ervas perfumadas que, com o sol que as aquece, espargem pelo ar seus aromas de canela, cânfora, cravo, alfazema e outros odores sutis, fragrantes, fortes, suaves, numa fusão maravilhosa dos melhores odores da terra. Eu diria que é uma sinfonia de perfumes, porque realmente é o poema das ervas e das flores, em suas cores e fragrâncias.

Todos os apóstolos estão sentados à sombra de uma árvore carregada de grandes flores brancas cujo nome eu não sei, com enormes campânulas de esmalte branco, penduradas, balançando ao menor sopro de vento e, a cada sopro, é uma onda de fragrância que se espalha. Não sei qual é o nome desta árvore. Pela flor, ela me faz lembrar daquele arbusto que há na Calábria e ao qual lá dão o nome de “bottaro”, mas certamente no tronco não, porque esta aqui é uma árvore alta, de tronco robusto, mas não um arbusto.

Jesus os chama, e eles acorrem.

– Encontramos quase de repente José, que estava voltando de uma feira. Esta tarde estarão todos em Betsur. Nós aqui nos reunimos, chamando-nos em altas vozes, e aqui ficamos nesta sombra fresca –explica Pedro.

– Que lugar bonito! Parece um jardim! Entre nós estávamos discutindo se é mesmo natural, ou não, e uns teimam em uma opinião e outros na outra –diz Tomé.

– A terra da Judeia tem essas maravilhas –diz Iscariotes, que em tudo se sente inevitavelmente levado a ensoberbecer-se, até com as flores e as ervas.

– Sim, mas…eu creio que se, por exemplo, o jardim de Joana de Tiberíades ficasse abandonado e se tornasse selvagem, a Galileia também teria a maravilha de esplendidas rosas, por entre ruínas

–diz Tiago de Zebedeu.

– E não estás errado. Nesta zona é que ficavam os jardins de Salomão, tão célebres no mundo daquele tempo como os seus palácios. Talvez foi aqui que ele sonhou o Cântico dos Cânticos, aplicando à Cidade Santa todas as belezas que cresceram aqui por sua vontade

–diz Jesus.

– Então, eu tinha razão! –diz Tadeu.

– Tinhas razão. Sabes, Mestre? Ele estava citando Eclesiastes, reunindo a ideia dos jardins à dos vales, e terminava dizendo[1]: “Mas ele percebeu que tudo é vaidade, e nada dura sob o sol, a não ser a Palavra do meu Jesus” –diz o outro irmão Tiago.

– Eu te agradeço. Mas agradeçamos também a Salomão, sejam ou não dele as flores originais certamente são dele os tanques que fornecem água às ervas e aos homens. Seja ele bendito. Vamos agora até aquele grande roseiral desgrenhado, que já foi uma galeria florida, entre uma árvore e outra. Lá nós pararemos. Já estamos quase com meio caminho feito.

208.6 … E a viagem recomeça, por volta da hora nona, quando as sombras se alongam, a partir de cada árvore desta zona tão bem cultivada por toda parte. Parece que o caminho vai passando por um imenso jardim botânico, porque todas as espécies de plantas, as que têm troncos ou frutas, ou as que são ornamentais estão aqui representadas. Os trabalhadores da terra estão por todos os lados, mas não se interessam pela comitiva, que vai passando. Aliás, não é uma só. Pois outros grupos de hebreus estão pela estrada, de volta das festas pascais.

A estrada é muito boa, apesar de ter sido aberta por entre os montes, e os panoramas, sempre variados, tiram a monotonia da viagem. Pequenos rios e torrentes são como vírgulas de prata, que escorrem e vão escrevendo palavras, que depois eles cantam em seus mil meandros, que se entrecortam, que mergulham pelos bosques abaixo ou vão esconder-se em cavernas, para depois saírem delas ainda mais belos. Parece que estão brincando com as plantas e as pedras, como crianças alegres.

EMF 216.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Uma planície batida pelo sol, que abrasa os grãos maduros e extrai deles um odor que já lembra o do pão. É o odor do sol, das barrelas, das messes. É o odor do verão.

Porque cada estação, eu poderia dizer cada mês, e até cada hora do dia, tem o seu odor, assim como cada localidade tem o seu para alguém que tiver os sentidos muito apurados e o sentido de observação muito agudo. É muito diferente o odor de um dia de inverno, com um vento cortante, do odor pastoso de um dia nublado de inverno, ou do odor que a neve espalha. E, como são diferentes desses o odor da primavera que está para chegar e que se prenuncia assim, com um perfume que não é perfume, mas que é bem diferente do odor do inverno. Levantamo-nos certa manhã, e sentimos que paira no ar um odor que antes não havia: é o primeiro suspiro da primavera. E acima, mais acima, vamos subindo e passando pelo odor das árvores frutíferas, que estão com flores, depois pelos dos jardins, das colheitas, até o odor quente das vindimas e, entre eles, como para um intervalo, o odor da terra depois de um temporal…

E as horas? Seria tolice dizer que o odor da aurora é como o do meio-dia e que este é como o da tarde, ou da noite. O primeiro é fresco e virginal, o outro é risonho e alegre, e o outro, ainda cansado é também saturado de tudo o que, durante o dia, exalou seus odores. O último, o da noite, é pacato, recolhido, como se a terra fosse um enorme berço, recolhendo seus pequeninos para o repouso.

E os lugares? Oh! o odor da beira-mar, tão diferente das manhãs e das tardes, dos meio-dias e das noites, das borrascas e do tempo sereno, das regiões pedregosas e daquelas do litoral plano! E o odor das algas, que ficam descobertas depois das marés, quando fica parecendo que o mar tenha aberto as suas vísceras, para fazer-nos aspirar o odor do seu fundo. Como é diferente este odor daquele das planícies do interior, e este daqueles das colinas, e este daquele dos altos montes.

É tão grande a imensidão do Criador, que só Ele foi capaz de imprimir um sinal ou de luz, ou de cor, ou de perfume, ou de som, ou de forma, ou de altura sobre cada uma das inumeráveis criaturas que criou. Ó Beleza Infinita do Universo, eu não te vejo mais do que assim, através das visões e da lembrança de tudo o que vi , amando a Deus e rezando a Ele, passando pelo meio de suas obras, e pela alegria, que só de vê-las os davam, como és imensa, poderosa, inexaurível e livre de cansaços! Disso não tens, e isso não dás. Pelo contrário, o homem até se renova, ao olhar para ti, ó Universo do meu Senhor, e se torna melhor, mais puro, e se eleva, e se esquece. Oh! Poder ficar sempre olhando para Ti e esquecer-nos dos homens em sua parte inferior e amá-los na e pela sua alma, e para conduzi-los a Deus!

E eis que, acompanhando Jesus, que vai com os apóstolos por esta planície cheia de messes, eu fico divagando de novo, deixando-me levar pela alegria de falar do meu Deus em suas esplêndidas obras. É amor também isto, porque a criatura louva nas criaturas o que nelas ama, ou louva, simplesmente à criatura que ela ama. E assim é também entre a criatura e o Criador. Quem o ama, o louva, e quanto mais o ama, tanto mais o louva em Si mesmo e por suas obras. Mas agora imponho silêncio ao meu coração, e vou atrás de Jesus, não como adoradora, mas como cronista fiel.

Detalhe

Maria Valtorta louva o Criador na Criação.