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Notas do tema

O Pentateuco

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EMF 188.1-3.5-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

188.1

O Tabor agora já ficou para trás dos caminhantes. Já passou. Por uma planície fechada entre este monte e um outro que está defronte dele, o grupo vai caminhando, falando da subida que todos fizeram, ainda que, a princípio, os mais velhos quisessem esquivar-se dela. Mas agora todos estão contentes por terem estado lá em cima. O caminho agora é fácil, pois é uma estrada mestra bem cômoda. O tempo está fresco e acho que eles passaram a noite nas encostas do Tabor.

– Ali é Endor –diz Jesus, mostrando um pobre povoado agarrado às primeiras elevações deste outro grupo de montanhas–. Quereis mesmo ir até lá?

– Se quiserdes me fazer ficar contente… –responde Iscariotes.

– Então, vamos.

– Mas, teremos que caminhar muito? –pergunta Bartolomeu que, pela idade, não deve estar com muita vontade de fazer excursões panorâmicas.

– Oh! não! Mas, se queres ficar… –diz Jesus.

– Sim, sim. Ficai aqui. Basta que eu vá com o Mestre –apressa-se a dizer Judas Iscariotes.

– Agora, eu quereria saber que belezas vamos ver antes de decidir. Do alto do Tabor vimos o mar e, depois do discurso do rapaz, devo confessar que passei a vê-lo com bons olhos pela primeira vez, e passei a vê-lo como Tu o vês: com o coração. E agora eu gostaria de saber se vou aprender alguma coisa. E, então, eu vou, ainda que tenha de cansar-me –diz Pedro

– Estás ouvindo, Judas? Tu não dissestes ainda as tuas intenções. Mas, por gentileza para com os companheiros, dizei-as agora –sugere Jesus.

– Mas não foi a Endor que Saul quis ir[1], para consultar a pitonisa?

– Sim. E então?

– Sim, Mestre, eu gostaria de ir àquele lugar e ouvir-te falar sobre Saul.

– Oh! Nesse caso, eu também vou –diz Pedro entusiasmado.

– Então, vamos.

Terminam com passos rápidos o último trecho da estrada mestra, depois a abandonam, para tomarem uma estrada secundária, que vai diretamente até Endor.

188.2

É um pobre lugar, como disse Jesus. As casas estão como que enraizadas nas encostas que, depois, para lá do povoado, se tornam mais ásperas. Os moradores são pobres. Em sua maior parte, eles cuidam do pastoreio, pelas pastagens do monte e por entre os bosques dos carvalhos seculares. Há uns poucos campos de aveia, ou de cereais semelhantes, e nas faixas de terra que podem ser aproveitadas, há alguns pés de macieiras e de figueiras. Poucas são as videiras ao redor das casas e que enfeitam um pouco os muros com sua cor escura, dando a entender que aqui é um pouco úmido.

– Agora, vamos perguntar onde era o lugar da pitonisa –diz Jesus.

E faz parar uma mulher, que está voltando da fonte com suas ânforas.

A mulher olha para Ele com curiosidade, depois responde com grosseria:

– Não sei. Tenho outras coisas bem mais importantes do que essas histórias –e o deixa no ar.

Jesus se dirige a um velhinho, que está entalhando um pedaço de madeira.

– A pitonisa?… Saul?… Quem é que pensa mais nisso? Mas, espera… Aqui há um que estudou, e talvez saiba… Vem.

E o velhinho sai manquejando, por um caminho estreito e cheio de pedras, até chegar a uma casa muito pobre e baixa.

– Ele está aqui. Eu vou entrar e chamá-lo.

Pedro, mostrando as galinhas, que estão ciscando em um quintal muito sujo, diz:

– Este homem não é israelita.

Mas, não diz mais nada, porque o velhinho já está de volta, acompanhado por um homem caolho, sujo e desalinhado, como tudo o que há em sua casa. O velhinho diz:

– Estais vendo? Este homem diz que é para lá daquela casa desmoronada. Há uma trilha, depois um pequeno regato, depois um bosque e umas cavernas, e a mais alta delas, a que tem ainda uns muros desmoronados em um dos lados, é a que estais procurando. Não foi assim que disseste?

– Não. Fizeste uma grande confusão. Deixa, que eu irei com estes forasteiros.

O homem tem uma voz áspera e gutural, que aumenta a má impressão que ele já causa.

188.3

Ele se envereda pela trilha. Pedro, Filipe e Tomé fazem repetidos sinais a Jesus, para que não vá. Mas Jesus não lhes dá atenção. E vai adiante com Judas, atrás do homem, enquanto os outros o acompanham… de má vontade. (...)

188.5

Chegam a uma espelunca, que é formada por escombros de desmoronamentos e cavernas naturais no monte. O homem procura tornar firme sua voz e diz:

– Pronto, é aqui. Podes entrar.

– Obrigado, amigo. Sê bom.

O homem não diz mais nada e fica onde está, enquanto Jesus com os seus, tendo conseguido passar por umas grandes pedras, que certamente eram pedaços de muros bem fortes, espantando os lagartos e outros animais feios, entram em uma grande gruta de paredes enfumaçadas, com grafitos nas pedras, representando ainda os signos do zodíaco e histórias semelhantes. Em um canto enfumaçado há uma cavidade, e em baixo um buraco, como se fosse um esgoto para escoamento de líquidos. Os morcegos decoram o forro com seus grandes cachos, que causam arrepios, e um mocho, espantado pela luz do facho que Tiago acendeu, para ver se está pisando sobre escorpiões e víboras, — se sente incomodado e agita suas asas acolchoadas, fechando bem seus olhos atingidos por aquela luz. Ele está empoleirado dentro da cavidade e um fedor de ratos mortos, de doninhas, de passarinhos em putrefação a seus pés mistura-se com o mau cheiro do estrume e do solo úmido.

– Um belo lugar, na verdade! –diz Pedro–. Era melhor o teu Tabor e o teu mar, rapaz!

E depois, virando-se para Jesus:

– Procura contentar logo Judas, porque aqui… não é bem a sala real de Antipas!

– Vamos logo. Que é mesmo que queres saber? –pergunta a Judas de Keriot.

– Está bem… Eu quereria saber se, e porque Saul pecou, por vir até aqui. Quereria saber se é possível que uma mulher seja capaz de evocar os mortos. Quereria saber se… Oh! Fala Tu, afinal. E eu te farei perguntas!

– Isso vai longe. Vamos, pelo menos, lá para fora, ao Sol, por cima das pedras… Assim ficaremos livres desta umidade e deste fedor

–pede Pedro.

E Jesus consente. Assentam-se como podem por sobre os muros desmoronados.

– O pecado de Saul não foi o único pecado dele. Mas foi precedido e acompanhado por muitos outros. Todos graves. Sua dupla ingratidão para com Samuel, que o ungiu rei, e que depois se eclipsa, para não dividir com o Rei a admiração do povo. Ele foi ingrato mais vezes ainda para com Davi, que o livrou de Golias, que poupou sua vida na caverna de Engadi e em Áquila. Foi culpado por muitas desobediências e por escândalos dados ao povo. Foi culpado por ter causado dor a Samuel, seu benfeitor, faltando à caridade. Culpado por ciúme e atentado contra Davi, outro benfeitor seu e, enfim, pelo delito que neste lugar ele cometeu.

– Contra quem? Aqui ele não matou ninguém.

– Matou sua própria alma, acabou de matá-la aqui dentro.

188.6

Por que estás abaixando a cabeça?

– Porque estou pensando, Mestre.

– Estás pensando. Eu estou vendo. Em que estás pensando? Por que querias vir? Não foi por pura curiosidade de estudioso, confessa-o.

– Sempre se ouve falar de magos, de necromancias, de espíritos evocados… Eu queria ver se descobria alguma coisa… Eu gostaria de saber como acontece… Eu penso que nós, destinados a impressionar para atrair, deveríamos ser um pouco necromantes. Tu és Tu, e o fazes com o teu poder. Mas nós temos que pedir tal poder e uma ajuda, para fazer coisas estranhas, que se imponham…

– Oh! Não estás doido? Que é que estás dizendo? –gritam muitos.

– Calai-vos. Deixai-o falar. Não é doideira o que ele tem.

– Sim. Enfim me parecia que aqui chegando, um pouco de magia daquele tempo, pudesse penetrar em mim, e tornar-me um dos grandes. Isso interessaria a Ti, podes crer.

– Sei que és sincero neste teu desejo atual. Mas te respondo com palavras eternas, porque são do Livro, e o Livro existirá enquanto existir o homem. Acreditado ou escarnecido, impugnado em nome da verdade ou da derrisão, existirá, existirá sempre.

Foi dito: “E Eva, pois que o fruto da árvore era bom de se comer e belo de se ver, o colheu e comeu dele, e deu dele ao marido. E, então, os olhos deles se abriram e, percebendo que estavam nus, fizeram para si cintos… E Deus disse: ‘Como foi que percebestes que estáveis nus? Somente por terdes comido do fruto proibido.’ E os expulsou do Paraíso de delícias.” E no livro de Saul está escrito: “Samuel, aparecendo, disse-lhe: ‘Por que me perturbaste me fazendo evocar? Por que me fazer perguntas, uma vez que o Senhor se afastou de ti? O Senhor te tratará como eu te disse… porque tu não obedeceste à voz do Senhor’.”

Meu filho, não estendas a mão para o fruto proibido. Pois somente aproximar-se dele já é uma imprudência. Não tenhas a curiosidade de conhecer as coisas ultra-terrenas, por temor de que não se apegue a ti o satânico veneno. Foge das coisas ocultas e das coisas que não se explicam. Só uma coisa há de ser acolhida com santa fé: Deus. Mas o que não é de Deus, e não é explicável com as forças da razão, ou não pode ser feito com as forças do homem, foge daquilo, foge, para que não se abram para ti as fontes da malícia, e tu não consigas compreender que estás “nu”. Nu: repelente na humanidade misturada com satanismo. Por que queres pasmar-te com prodígios obscuros? Pasma com a tua santidade, e que ela seja luminosa, como as coisas que vêm de Deus. Não tenhas desejo de rasgar os véus, que separam os vivos dos mortos. Não inquietes os defuntos. Escuta-os, se são sábios, enquanto estiverem sobre a terra, e venera-os com a tua obediência, até depois de sua morte. Mas não perturbes sua segunda vida. Quem não obedece à voz do Senhor, perde o Senhor. E o Senhor proibiu o ocultismo, a necromancia, o satanismo em todas as suas formas. Que queres saber a mais de quanto a Palavra já te disse? Que queres fazer a mais do que tudo o que a tua bondade e o meu poder já te concedem operar? Não desejes o pecado, mas sim a santidade, filho. Não te sintas humilhado. Agrada-me que tu te reveles em tua humanidade. O que agrada a ti, agrada também a muitos, a muitos demais. Somente uma coisa: o motivo que apresentas para este teu desejo “ser poderoso a fim de atrair para Mim”, tira muito peso dessa humanidade, e faz que ela crie asas. Mas são as asas de pássaro da noite. Não, meu Judas. Põe asas solares, põe asas de anjo em teu espírito. Só com o vento delas, atrairás os corações, e os transportarás, com o teu exemplo, para Deus. Podemos continuar a andar?

– Sim, Mestre. Eu errei.

– Não. Tu foste um indagador… Destes o mundo estará sempre cheio. Vem, vem. Vamos sair deste lugar de mau cheiro. Vamos ao encontro do Sol! Dentro de poucos dias é Páscoa, e depois iremos à casa de tua mãe, à tua casa honesta, à tua santa mãe. Oh! Quanta paz!

Como sempre, a lembrança da mãe, o elogio do Mestre à mãe, fazem que Judas fique calmo.

Anotação

Não foi em En-Dor que Saul quis ir consultar a Pítia? Como lemos em: 1 Samuel 28:3-25 | 1 Crónicas 10:13-14 | Sirach 46:20, com analogias em 2 Reis 21:6 | Isaías 8:19-20.

A história de Saul e dos seus "muitos outros" pecados, como se afirma em EMV 188.5 (bem como noutras passagens como EMV 263.2), encontra-se principalmente em 1 Samuel 9-31.

A prática da adivinhação (ou magia, ou necromancia) é proibida em Levítico 19, 26.31 | Levítico 20, 6.27 | Deuteronómio 18, 9-14.

O nome de pitonisa dado ao mágico remonta a um deus pagão (Apolo Pítio). O "espírito pitonisa" dado à feiticeira é próprio dos pagãos (como vimos em EMV 59.4 e EMV 129.3). Satanás "fala com os lábios dos Pítias" (como lemos em EMV 420.10). A Obra mostra que a seita dos saduceus, fortemente hostil a Jesus e contrária aos seus ensinamentos (como se pode ver em EMV 356.5 | EMV 409.6 e EMV 594.6/7), se entregava a tais práticas, para as quais Judas Iscariotes também se sentia atraído (como se pode ver em EMV 334.8 e EMV 357.6). Uma invetiva contra os necromantes encontra-se em EMV 503.7.

Ingratidão para com David, que se livrou de Golias e o poupou na gruta de Engadi (1 Samuel 24, 1-23 ) e em Hakila (1 Samuel 26, 1-25).

Diz o seguinte: "Quando Eva viu que o fruto da árvore era bom para comer e bonito à vista, colheu-o, comeu-o e deu-o ao marido... Abriram-se-lhes os olhos e viram que estavam nus, e fizeram para si cintos... E Deus disse: "E quem vos disse que estáveis nus? Então comestes da árvore de que vos tinha proibido comer. E expulsou-os do paraíso das delícias. "Em Génesis 3, 6.

No livro de Saul, está escrito: "Samuel, ao aparecer, disse: 'Por que me perturbaste, fazendo-me chamar? Por que me interrogas depois de o Senhor se ter retirado de ti? O Senhor vai tratar-te como eu te disse... porque não obedeceste à voz do Senhor. Em 1 Samuel 28, 15-19.

Dentro de alguns dias, será a Páscoa: 14 de Nisan.

Primeiro livro de Samuel 28, 3-25

1 Samuel 28,3-25 Samuel morreu, e todo o Israel o pranteou, e sepultaram-no em Ramá, na sua cidade. Saul tinha expulsado da terra os que invocavam os mortos e os adivinhos.

Então os filisteus se ajuntaram e vieram acampar em Sunã; Saul ajuntou todo o Israel, e acamparam em Gelboé. Quando Saul viu o acampamento dos filisteus, teve medo e o seu coração ficou muito perturbado. Saul perguntou ao Senhor, mas o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pelo Urim, nem pelos profetas. Então Saul disse aos seus servos: "Encontrem-me uma mulher que evoque os mortos, e eu irei ter com ela e consultá-la-ei". Os seus servos disseram-lhe: "Em Endor há uma mulher que evoca os mortos." Saul disfarçou-se, vestiu outras roupas e partiu, acompanhado por dois homens. Chegaram de noite a casa da mulher e Saul disse-lhe: "Diz-me o futuro, invocando um morto, e faze-me subir aquele que eu te disser. A mulher respondeu: "Tu sabes o que Saul tem feito, como tem exterminado da terra os que conjuram os mortos e os adivinhos; por que me estás a armar uma cilada para me matar?" Saul jurou-lhe pelo Senhor, dizendo: "Vive o Senhor, que nenhum mal te acontecerá por causa disto". E a mulher perguntou: "Quem devo fazer subir por ti?" Ele respondeu: "Traz-me Samuel".

Quando a mulher viu Samuel, deu um grande grito; e a mulher disse a Saul: "Porque me enganaste? Tu és Saul! O rei disse-lhe: "Não tenhas medo, mas o que é que viste?" A mulher disse a Saul: "Estou a ver um deus a levantar-se da terra. Ele perguntou-lhe: "Como é que ele é? E ela respondeu: "É um homem velho que está a subir e está envolto num manto". Quando Saul percebeu que era Samuel, lançou-se com o rosto em terra e curvou-se.

Samuel disse a Saul: "Por que me incomodaste, mandando-me subir?" Saul respondeu: "Estou muito angustiado: os filisteus estão em guerra contra mim e Deus afastou-se de mim; não me respondeu nem por profetas nem por sonhos. Por isso, pedi-te que me dissesses o que devo fazer. Samuel respondeu: "Porque me consultas, se o Senhor se afastou de ti e se tornou teu adversário? O Senhor Javé fez o que tinha predito por meu intermédio: o Senhor Javé arrancou o reino da tua mão e deu-o ao teu companheiro David. Porque não obedeceste à voz do Javé e não trataste Amalec segundo o furor da sua ira, o Javé fez-te isto hoje. E o Javé também entregará Israel contigo nas mãos dos filisteus. Amanhã, tu e os teus filhos estarão comigo, e o Senhor entregará o acampamento de Israel nas mãos dos filisteus". Saul caiu imediatamente por terra, com toda a sua estatura, pois as palavras de Samuel tinham-no enchido de medo; além disso, as suas forças estavam a faltar-lhe, pois não tinha comido nada durante todo o dia e toda a noite.

A mulher aproximou-se de Saul e, vendo que ele estava perturbado, disse-lhe: "O teu servo obedeceu à tua voz; eu dei a minha vida em obediência às palavras que me disseste. Agora também tu tens de ouvir a voz do teu servo e deixa-me oferecer-te um pedaço de pão; come-o, para que tenhas forças para seguires o teu caminho. Mas ele recusou, dizendo: "Não quero comer. Os seus servos e a mulher instaram-no a comer, e ele acedeu. Levantou-se do chão e sentou-se no sofá. A mulher, que tinha em casa um vitelo cevado, apressou-se a matá-lo, pegou em farinha, amassou-a e cozeu com ela pães ázimos. Colocou-os diante de Saul e dos seus servos, e eles comeram. Depois levantaram-se e partiram nessa mesma noite.

Primeiro livro das Crónicas 10, 13-14

1 Cr 10, 13-14: Saul morreu por causa da sua infidelidade para com Javé, por não ter cumprido a palavra de Javé, e por ter pedido e consultado os que invocam os mortos. Como não consultou o Senhor, o Senhor matou-o e passou o reino a David, filho de Jessé.

Livro de Sirac 46, 20

Si 46, 20: Depois de ter adormecido, profetizou e anunciou ao rei que o seu fim se aproximava. Levantou a sua voz da terra e profetizou, para apagar a iniquidade do povo.

Segundo Livro dos Reis 21, 6

2 Reis 21,6: Fez passar o seu filho pelo fogo, praticou augúrios e adivinhações, instituiu necromantes e feiticeiros, fazendo assim cada vez mais o que era mau aos olhos de Javé, para o provocar à ira.

Livro de Isaías 8, 19-20

Is 8, 19-20: Quando vos disserem "Consultai os que invocam os mortos e os adivinhos que murmuram e sussurram", respondei: "Não deve um povo consultar o seu Deus? Não consultará os mortos por causa dos vivos? Um brinde ao ensino e ao testemunho! "Se o povo fala de outra maneira, não há aurora para ele.

Primeiro livro de Samuel 9-31

Dado o número de capítulos (cerca de 12), não os reproduziremos nesta nota.

Livro do Levítico 19, 26.31

Lv 19, 26.31: Não comerás nada com sangue. Não praticarás adivinhação nem magia. Não te dirijas aos que invocam espíritos ou adivinhos; não os consultes, para não te contaminares com eles. Eu sou Javé, o teu Deus.

Livro do Levítico 20, 6.27

Lv 20, 6.27: Se alguém falar com os adivinhos e com os que invocam espíritos, para se prostituir depois deles, voltarei o meu rosto contra esse homem e eliminá-lo-ei do meio do seu povo. Qualquer homem ou mulher que invocar espíritos ou adivinhos será morto; será apedrejado até à morte; o seu sangue será sobre ele.

Livro do Deuteronómio 18, 9-14

Dt 18, 9-14: Quando entrares na terra que te foi dada por Javé, teu Deus, não deves aprender a imitar as abominações dessas nações. Não se encontre no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, quem faça adivinhações, augúrios, superstições e encantamentos, quem use amuletos, quem consulte evocadores e feiticeiros e quem interrogue os mortos. Porque todo aquele que faz estas coisas é uma abominação para o Senhor, e por causa destas abominações o Senhor teu Deus expulsará estas nações de diante de ti. Serás justo com Javé, teu Deus. Porque estas nações que vais expulsar ouvem os adivinhos e os agoureiros, mas o Senhor teu Deus não te deixará fazer isso.

Livro do Génesis 3, 6

Gn 3, 6 : Quando a mulher viu que o fruto da árvore era bom para comer, agradável à vista e desejável para a visão, tomou do seu fruto e comeu; deu também um pouco ao seu marido que estava com ela, e ele comeu.

Primeiro Livro de Samuel 24, 1-23

1 Samuel 24, 1-23: David subiu dali e instalou-se nas fortalezas de Engaddi. Quando Saul regressou da perseguição aos filisteus, estes vieram dizer-lhe: "Eis que David está no deserto de Engaddi". Saul tomou então três mil dos melhores homens de todo o Israel e foi à procura de David e dos seus homens até aos rochedos das cabras montesas. Chegou aos currais das ovelhas, junto à estrada; havia ali uma gruta, na qual Saul entrou para cobrir os pés; e David e os seus homens estavam sentados ao fundo da gruta. Os homens de David disseram-lhe: "Este é o dia em que o Javé te disse: 'Eis que entrego o teu inimigo nas tuas mãos; trata-o como quiseres'". Então David levantou-se e cortou furtivamente a capa de Saul. Depois disso, o coração de David palpitava porque tinha cortado a orla do manto de Saul. E disse aos seus homens: "O Senhor me livre de fazer tal coisa contra o meu senhor, o ungido do Senhor, a ponto de pôr a mão nele, pois ele é o ungido do Senhor!" Com estas palavras, David repreendeu os seus homens e não permitiu que se lançassem sobre Saul. Saul levantou-se para sair da gruta e continuou o seu caminho.

Depois disso, David levantou-se, saiu da gruta e começou a gritar com Saul, dizendo: "Ó rei, meu senhor!". Saul olhou para trás e viu que David se curvava com o rosto em terra e se prostrava. E David disse a Saul: "Porque dás ouvidos às palavras dos homens que dizem: Eis que David procura fazer-te mal! Hoje, os teus olhos viram como o Senhor te entregou nas minhas mãos, hoje mesmo, na gruta. Disseram-me para te matar, mas os meus olhos tiveram pena de ti e eu disse: "Não vou pôr as mãos no meu senhor, porque ele é o ungido de Javé. Vê, pois, meu pai, vê a saia do teu manto na minha mão. Já que cortei a orla do teu manto e não te matei, reconhece e vê que não há maldade nem rebeldia no meu comportamento, e que não pequei contra ti. Mas tu andas à caça da minha vida para ma tirares. Que o Senhor seja o juiz entre mim e ti, e que o Senhor me vingue de ti! Mas a minha mão não estará sobre ti. Do malvado vem a maldade, diz o velho provérbio; por isso a minha mão não estará sobre ti. Depois de quem é que o rei de Israel partiu? De quem é que tu andas atrás? Um cão morto? Uma pulga? Deixai que o Senhor julgue e decida entre vós e eu. Que ele veja e defenda a minha causa, e que a sua sentença me livre da tua mão!"

Quando David acabou de dizer estas palavras a Saul, este disse: "É esta a tua voz, meu filho David?" E Saul levantou a voz e chorou. E disse a David: "És mais justo do que eu, pois fizeste-me bem e eu fiz-te mal. Hoje foste bom para mim, porque o Senhor me entregou nas tuas mãos e tu não me mataste. Quando alguém encontra o seu inimigo, deixa-o ir em paz? Que o Senhor Javé te faça bem em troca do que me fizeste hoje! Agora sei que serás rei e que o reino de Israel será estável nas tuas mãos. Por isso, jura-me por Javé que não destruirás a minha descendência depois de mim, nem cortarás o meu nome da casa de meu pai". David jurou a Saul. Saul foi para sua casa, e David e os seus homens subiram à fortaleza.

Primeiro Livro de Samuel 26, 1-25

1 Sam 26,1-25 Os zifeus foram ter com Saul em Gibeá e disseram-lhe: "David está escondido na colina de Haquila, a leste da charneca. Saul levantou-se e desceu ao deserto de Zife com três mil dos melhores homens de Israel, para procurar David no deserto de Zife. Saul acampou na colina de Haquilá, a leste da charneca, junto à estrada, e David vivia no deserto. Quando David viu que Saul andava à sua procura no deserto, enviou espiões e descobriu que Saul tinha mesmo chegado. David levantou-se e foi para o local onde Saul estava acampado. David viu o lugar onde Saul estava deitado com Abner, filho de Ner, chefe do seu exército; Saul estava deitado no meio do acampamento, e o povo estava acampado à volta dele. - Então Davi perguntou a Aimeleque, o heteu, e a Abisai, filho de Sarvia e irmão de Joabe: "Quem está disposto a descer comigo ao acampamento para ver Saul?" E Abisai disse: "Eu descerei contigo".

Quando, de noite, David e Abisai chegaram ao povo, Saul estava deitado no meio do acampamento, a dormir, com a lança cravada na terra ao seu lado; Abner e o povo estavam deitados à volta dele. Abisai disse a David: "Deus fechou hoje o teu inimigo nas tuas mãos; agora, peço-te, deixa-me feri-lo com a lança e cravá-lo por terra com um só golpe, sem que eu tenha de voltar". Mas David disse a Abisai: "Não o mates! Pois quem é que poria as mãos no ungido de Javé e ficaria impune?". E David disse: "Como Javé vive! Só o Javé o atingirá; ou chegará o seu dia e ele morrerá, ou descerá para a guerra e perecerá; mas o Javé proíbe que eu ponha as mãos no ungido do Javé! Toma agora a lança que está à cabeceira dele, com o cântaro de água, e vamos embora".

David pegou na lança e no cântaro de água que estavam à cabeceira de Saul, e foram-se embora. Ninguém viu, ninguém soube, ninguém acordou, porque estavam todos a dormir, pois o Senhor tinha feito cair sobre eles um sono profundo.

David passou para o outro lado e pôs-se no cimo da montanha, ao longe; havia um grande espaço entre eles. E David gritou ao povo e a Abner, filho de Ner, dizendo: "Não respondes, Abner?" Abner respondeu e disse: "Quem és tu, que gritas ao rei?" David disse a Abner: "Não és tu um homem? E quem é como tu em Israel? Por que não guardaste o rei, teu senhor? Porque um do povo veio para matar o rei, teu senhor. O que fizeste aqui não está certo. Como Yahweh vive! Mereciam morrer por não terem guardado o vosso senhor, o ungido de Javé. Agora vê onde estão a lança do rei e o jarro de água que estava junto à sua cama".

Saul reconheceu a voz de David e disse: "É esta a tua voz, meu filho David?" E David respondeu: "É a minha voz, ó rei, meu senhor". E acrescentou: "Porque é que o meu senhor persegue o seu servo? O que é que eu fiz e que crime cometeu a minha mão? Que o rei, meu senhor, se digne ouvir as palavras do teu servo: se é Javé que te incita contra mim, que aceite o perfume de uma oferenda; mas se são os homens, que sejam amaldiçoados diante de Javé, pois já me expulsaram, para tirar o meu lugar da herança de Javé, dizendo: Ide e servi a deuses estrangeiros! E agora que o meu sangue não caia sobre a terra, longe da face de Javé! Pois o rei de Israel pôs-se à procura de uma pulga, como se persegue uma perdiz nos montes".

Saul disse: "Pequei; volta, meu filho David, porque não te farei mais mal, pois a minha vida foi preciosa aos teus olhos neste dia. Mas fiz uma loucura e cometi um grande erro. David respondeu: "Aqui está a lança, ó rei; que um dos teus jovens venha buscá-la. O Javé retribuirá a cada um segundo a sua justiça e a sua fidelidade, pois o Javé entregou-te hoje na minha mão, e eu não quis pôr as mãos no ungido do Javé. Eis que, assim como hoje a tua vida foi de grande valor aos meus olhos, assim será a minha vida de grande valor aos olhos do Senhor, e ele me livrará de toda a angústia!" Saul disse a David: "Bendito seja o meu filho, David! Serás certamente bem sucedido nos teus esforços. David seguiu o seu caminho e Saul regressou a casa.

EMF 194.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eis uma nova subida muito íngreme, porque a comitiva, deixando a estrada mestra, poeirenta e cheia de gente, preferiu entrar por um atalho, que vai pelo meio do mato. E, tendo chegado ao alto, vêem brilhar, lá ao longe, mas bem visível, um mar que resplende, suspenso sobre um aglomerado branco, que talvez sejam casas alvejadas pela cal.

– Jabé –chama-o Jesus–, vem cá. Estás vendo aquele ponto de ouro? É a Casa do Senhor. Lá tu vais jurar obediência à Lei. Tu a conheces bem?

– Mamãe me falou dela e meu pai me ensinou os preceitos. Eu sei ler… e acho que sei o que “eles” me ensinaram antes de morrer.

O menino, que correra sorrindo para atender ao chamado de Jesus, agora está chorando, com a cabeça baixa e a mão tremendo na mão de Jesus.

– Não chores. Escuta. Sabes onde estamos? Aqui é Betel. Foi aqui que o santo Jacó teve o seu sonho angélico. Tu o conheces? Lembras-te dele?

– Sim, Senhor. Ele viu uma escada que ia da terra ao Céu e por ela, para baixo e para cima, iam e vinham os anjos. E a mamãe me dizia que, na hora da morte, se tivermos sido sempre bons, veremos a mesma coisa e se poderia ir, por aquele escada, até a Casa de Deus. Muitas coisas dizia-me minha mãe… Mas agora não me dirá mais nada… eu as tenho todas aqui e é tudo o que tenho dela…

As lágrimas descem daquele rostinho triste.

– Não chores assim! Escuta, Jabé. Eu também tenho uma mãe, que se chama Maria, e que é santa e boa e sabe dizer muitas coisas. É mais sábia do que um mestre, melhor e mais bela do que um anjo. Agora nós estamos indo à casa dela. Ela vai gostar muito de ti. Vai dizer-te muitas coisas. E, depois, com ela está a mãe de João, que também é boa e também se chama Maria. E a mãe do meu irmão Judas, também ela doce como um pão de mel e também chamada Maria. Elas gostarão muito de ti. Muito mesmo. Porque tu és um bom menino e por amor de Mim, porque te amo tanto. Depois, tu crescerás com elas e, quando cresceres, serás um santo de Deus, pregarás como um doutor sobre Jesus, que te deu de novo uma mãe aqui e que abrirá as portas do Céu para tua falecida mãe, para o teu pai, e que as abrirá também para ti, quando chegar a tua hora. Tu nem terás necessidade de subir pela comprida escada dos Céus, na hora da tua morte. Já terás subido por ela, durante a tua vida, procurando ser um bom discípulo, e te encontrarás lá, à porta aberta do Paraíso, e Eu também lá estarei, e te direi: “Vem, meu amigo e filho de Maria”, e estaremos juntos.

O sorriso luminoso de Jesus, que vai caminhando um pouco inclinado, para ficar mais perto do rostinho levantado do menino, que caminha ao lado com sua mãozinha na dele, e aquela história maravilhosa enxugam as lágrimas do menino, e fazem despontar um sorriso.

Anotação

Livro do Génesis 28, 10-19

Gn28, 10-19 : Jacob deixou Bersabé e foi para Harã. Chegou a um lugar e passou ali a noite, porque o sol já se tinha posto. Tomou uma das pedras que ali havia e fez dela a sua cama, e deitou-se nesse lugar. E teve um sonho: uma escada estava colocada sobre a terra e o seu topo chegava ao céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela, e Javé estava no topo. Ele disse: "Eu sou Javé, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac. Vou dar esta terra em que te deitas a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; espalhar-te-ás para o ocidente e para o oriente, para o norte e para o sul, e todas as famílias da terra serão abençoadas em ti e na tua descendência. Eis que estou convosco, e vos guardarei por onde quer que andardes, e vos farei voltar a esta terra. Pois não te deixarei até que tenha cumprido o que te disse. "

Jacob acordou do seu sono e disse: "Certamente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia! "Com medo, acrescentou: "Como é terrível este sítio! Esta é a casa de Deus, esta é a porta do céu. "Jacob levantou-se de manhã cedo, pegou na pedra que tinha feito para a sua cabeceira, ergueu-a como um monumento e deitou-lhe azeite em cima. Chamou a este lugar Betel, mas o nome original da cidade era Luz.

EMF 196.4-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Minha mãe tinha feito voto de virgindade por amor. Mas tinha, sendo uma criatura perfeita, a maternidade no sangue e no espírito. Porque a mulher foi feita para ser mãe. E é até uma aberração, quando ela se faz de surda aos apelos desse instinto, que é amor de segunda potência…

Pouco a pouco, os outros foram chegando para perto.

– Que queres dizer, Senhor, quando falas de amor de segunda potência? –pergunta Judas Tadeu.

– Meu irmão, há muitos amores e de diversas potências. Há um amor de primeira potência: é o que se dá a Deus. Depois, o amor de segunda potência: é esse amor materno, ou paterno, porque, se o primeiro é todo espiritual, este é espiritual em duas partes, e carnal por uma. É verdade que no homem se mistura, sim, o sentimento afetivo humano, mas sempre predomina o superior, porque um pai e uma mãe, sadia e santamente tais, não dão somente alimento e carícias à carne de seu filho, mas também alimento e amor à mente e ao espírito dele. E, tanto é verdade o que digo que quem se dedica à infância, ainda que seja apenas para instruí-la, acaba por amá-la como sua carne.

– De fato, eu amava muito aos meus discípulos –diz João de Endor.

– Já compreendi que devias ter sido um bom mestre, ao ver como tratas Jabé.

O homem de Endor se inclina, e beija a mão de Jesus, sem dizer nada.

– Continua, por favor, a tua classificação dos amores –pede-lhe Zelotes.

– Existe o amor pela companheira: é um amor de terceira potência, porque é feito — falo sempre dos sadios e santos amores — pela metade de espírito e pela metade de carne. O homem para a esposa é um mestre e um pai, além de esposo. e a mulher, para o esposo, é um anjo e uma mãe, além de esposa. Estes são os três amores mais elevados.

196.5

– E o amor ao próximo? Não estás enganado? Ou terás esquecido dele? –pergunta Iscariotes.

Os outros olham espantados para ele e ameaçadores por causa da observação que ele fez.

Mas Jesus, placidamente, responde:

– Não, Judas. Mas presta atenção. Deus há de ser amado porque é Deus e, por isso, não há necessidade de explicação para persuadir a prestar esse amor. Ele é o que é, ou seja: o Tudo; e o homem é o nada, que se torna participante do Tudo pela alma que nele foi infundida pelo Eterno — sem a alma, o homem seria um dos muitos animais brutos, que vivem na terra, nas águas e no ar — e que deve adorá-lo por dever, e para merecer sobreviver no Tudo, isto é, para merecer fazer parte do Povo santo de Deus no Céu, cidadão da Jerusalém, que não conhecerá profanações e destruições, nunca mais.

O amor do homem, e especialmente o da mulher, aos filhos, é indicado como uma ordem nas palavras de Deus a Adão e Eva, depois de tê-los abençoado, vendo que havia feito “coisa boa”, naquele longínquo sexto dia, o primeiro sexto dia da criação. E Ele lhes disse: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra…”

Vejo a tua não formulada objeção e respondo assim dado que na criação, antes da culpa, tudo era regulado e baseado no amor, essa multiplicação dos filhos teria sido amor, um amor santo, puro, poderoso e perfeito. E Deus o deu como primeira ordem, ao homem: “Crescei e multiplicai-vos.” Amai, pois, depois de Mim, aos vossos filhos. O amor, como agora existe, esse amor atual gerador de filhos, antes não existia. A malícia não existia e não existia a execrável fome da sensualidade. O homem amava a mulher, e a mulher ao homem, de um modo natural, não natural segundo a natureza como nós a entendemos, ou melhor, como vós homens a entendeis, mas segundo a natureza de filhos de Deus: sobrenaturalmente[3].

Que doces os primeiros dias de amor entre os dois, que eram irmãos, porque nascidos do mesmo Pai, e que, no entanto, eram esposos, e que, ao se amarem, olhavam um para o outro com os olhos inocentes de dois gêmeos no berço; e o homem sentia um amor de pai para com sua companheira “osso de seus ossos e carne de sua carne”, assim como é o filho em relação a seu pai. E a mulher conhecia a alegria de ser filha, isto é, protegida por um amor bem alto, porque sentia ter em si alguma coisa daquele maravilhoso homem que a amava, com inocência e angélico ardor, nos belos prados do Éden!

Depois, na ordem dos mandamentos dados por Deus, com um sorriso para os seus queridos pequeninos, vem aquilo que o próprio Adão, dotado pela Graça de uma inteligência, que só era menor que a de Deus, decreta, falando da companheira do homem, e nela, de todas as mulheres, o decreto do pensamento de Deus, que se refletia nítido no tenro espelho do espírito de Adão, e florescia no pensamento e na palavra: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.”

Se não houvesse os três pilares dos três amores acima referidos, teríamos podido ter o amor ao próximo? Não. Não o teríamos podido. O amor a Deus torna Deus amigo, e ensina o amor. Quem não ama a Deus, que é bom, com toda a certeza não pode amar ao próximo que, em sua maior parte, é defeituoso. Se não houvesse amor conjugal e paternidade no mundo, não teríamos o próximo, porque os próximos são os filhos nascidos dos homens. Estás persuadido disso?

– Sim, Mestre. Eu não havia refletido.

– De fato, é difícil voltar atrás, subindo para as nascentes. O homem já está pregado, há muitos séculos e milênios, na lama, e aquelas nascentes estão bem lá nos cumes! A primeira delas é uma nascente que vem de um abismo de altura: É Deus… Mas Eu vos tomo pela mão e vos levo às nascentes. Eu sei onde elas estão…

196.6

– E os outros amores? –perguntam juntos Simão Zelotes e o homem de Endor.

– O primeiro da segunda série, é o do próximo. Na realidade, é o quarto em potência. Segue o amor à ciência. Depois vem o amor ao trabalho.

– E basta?

– E basta.

– Mas há ainda muitos outros amores! –exclama Judas Iscariotes

– Não. Há outras fomes. Mas não são amores. São desamores. São a negação de Deus e a negação do homem. Por isso, não podem ser amores, visto que são negações, e a negação é o ódio.

Detalhe

Os diferentes poderes do amor.

Anotação

Ele é Aquele que é, ou seja, o Todo; e o homem é o nada que se torna parte do Todo graças à alma que lhe é infundida pelo Eterno. "Parte" foi corrigido (de acordo com a explicação dada na nota em EMV 167.9) para "participante" numa cópia datilografada; acrescenta no final da página: "Se a alma sabe permanecer em estado de graça, assim deificada, não por identidade de substância, mas por elevação à ordem sobrenatural. "

Nota da EMV 167: "Parcela de Deus" parece ter sido alterado para parcela nascida de Deus por uma correção pouco clara de Maria Valtorta numa cópia dactilografada, à qual acrescentou a seguinte nota: A palavra "parcela" não deve ter o significado de "parte de Deus" infundida em nós, mas de "lugar do trono", "assento" infundido ou "espirado" (pelo "sopro de vida" de que fala o Génesis 2,7) por Deus, ou seja, coisa de Deus vinda de Deus para o homem. São Tomás de Aquino chama-lhe "uma capacidade de Deus" que Deus enche de si mesmo, para que todos possamos participar na sua vida divina".

Esta explicação de Maria Valtorta (e o texto deEMV 10.9) deve ser tida em conta sempre que a obra fala da alma como "parte" ou "partícula" de Deus.

Pode ser relacionado com as notas de EMV 4.6, EMV 54.5, EMV 165.4, EMV 170.4, EMV 365.16, EMV 444.4, EMV 463.4, EMV 524.7, EMV 537.11.

"Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra... "Segundo o Génesis 1:28.

O homem amou a mulher e a mulher amou o homem, naturalmente, não naturalmente segundo a natureza como nós a entendemos, ou melhor, como vós homens a entendeis, mas segundo a natureza dos filhos de Deus: sobrenaturalmente. "Sobrenaturalmente": Maria Valtorta anota numa cópia dactilografada: sem que a desordem da malícia se una ou mesmo "se substitua" às leis ordenadas de Deus, inerentes à multiplicação e ao povoamento da terra. Acrescenta à margem: Enquanto o homem permaneceu nesta ordem, não nasceu nele o veneno da tríplice concupiscência que o tornou delirante, depois rebelde, finalmente caído.

O homem sentia o amor de um pai pela sua companheira "osso dos seus ossos e carne da sua carne", como uma criança sente pelo seu pai. Segundo o Génesis 2, 23.

"O homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois serão uma só carne. "Segundo Génesis 2, 24.

Livro do Génesis 1, 28

Gn 1, 28: Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a, dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os seres vivos que se movem sobre a terra".

Livro do Génesis 2, 23-24

Gn 2, 23-24 : E o homem disse: "Esta é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Esta chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem. Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e eles serão uma só carne.

EMF 197.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Vem, Jabé. Esta é a hora mais solene do dia. Há outra análoga de manhã. Mas esta é ainda mais solene. A manhã inicia o dia. E é bom que o homem bendiga ao Senhor, para ser abençoado durante o dia, em todos os seus trabalhos. Mas a tarde é ainda mais solene. A luz diminui, cessa o trabalho, a noite vem chegando. A luz que diminui faz lembrar a queda no mal e de fato as ações pecaminosas realizam-se quase sempre de noite. E porque? Porque o homem, não estando mais ocupado com o trabalho, mais facilmente se deixa rodear pelo Maligno com seus chamarizes e pesadelos. Por isso, é bom, depois de termos dado graças a Deus, por ter-nos protegido durante o dia, que lhe supliquemos para que se afastem de nós os fantasmas da noite e as tentações. A noite, o sono… símbolo da morte. Mas, felizes daqueles que, tendo vivido com a bênção do Senhor, adormecem, não nas trevas, mas em uma luminosa aurora. O sacerdote, que oferece o incenso, assim o faz por todos nós. Ele reza por todo o povo, em comunhão com Deus, e Deus lhe confia a sua bênção para o povo de seus filhos. Estás vendo como é grande o ministério do sacerdote?

– Eu gostaria… Parecer-me-ia estar mais perto da mamãe…

– Se fores sempre um bom discípulo e um bom filho de Pedro, tu o serás. Agora, vem. As trompas estão anunciando que a hora chegou. Vamos com veneração louvar a Javé. (Jesus diz assim, com o “J” longo: um Jieovee muito cantado, com os últimos “e” muito abertos, como se fossem quase um a, mas o que vem depois do “J” é muito fechado).

Detalhe

No Templo, é a hora do incenso, e Jesus dá uma lição especial a Yabeç.

Anotação

Jesus está a falar da queima de incenso no Templo, de manhã e à noite, como prescreve Ex 30,7-8 . O próprio Marziam se referirá a esta lição em EMV 291.

Livro do Êxodo 30, 7-8

Êxodo 30, 7-8: Todas as manhãs, quando Aarão for cuidar das lâmpadas, queimará incenso sobre elas. E quando for acender as lâmpadas ao pôr do sol, voltará a queimar incenso nelas. De geração em geração, o incenso subirá perpetuamente perante o Senhor.

EMF 200.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Passa mais algum tempo, e depois sobem em grupo os apóstolos com o menino e João de Endor. Acompanham-nos as mulheres, com os diversos pratos e as luzes. Por último, vem Lázaro com Simão. Logo que entram na sala, exclamam:

– Ah! Era daqui que saía! –e farejam o ar saturado de um perfume de rosas, saturado, por mais escancaradas que estejam as portas–. Mas, quem foi que perfumou assim esta sala? Terá sido Marta? –perguntam muitos.

– Minha irmã não saiu de casa hoje, depois do jantar, responde Lázaro.

– Quem terá sido, então? Algum sátrapa assírio? –caçoa Pedro.

– O amor de uma redimida –diz Jesus, sério.

– Ela podiaela ter poupado esta inútil exibição de redenção e dar tudo o que gastou aos pobres. Eles são tantos e sabem que nós lhes damos. Eu não tenho mais nem um vintém, diz, irritado, Iscariotes. E ainda temos que comprar o cordeiro, alugar a sala para o Cenáculo e…

– Mas eu vos ofereci tudo!… –diz Lázaro.

– Mas não é justo. O rito perde a beleza. A Lei diz: “Tomarás o cordeiro para ti e tua casa.” Não diz: “Aceitarás o cordeiro.”

Bartolomeu se vira, de repente, abre a boca, mas logo a fecha. Pedro fica vermelho, pelo esforço feito para calar-se. Mas Zelotes, que está em sua casa, acha que pode falar, e diz:

– Essas são sutilezas rabínicas… Eu te peço que deixes de lado isso tudo e, em compensação, conserves o respeito para com o meu amigo Lázaro.

– Muito bem, Simão! –Pedro — se não fala — é capaz de explodir–. Muito bem. Parece-me também que aqui se esqueçe um pouco demais de que só o Mestre tem o direito de ensinar…

Pedro diz aquelas palavras “que aqui se esquece”, com um esforço verdadeiramente heróico, para não dizer: “que Judas se esquece”.

– É verdade… mas estou nervoso. Desculpa, Mestre.

– Sim. Eu também te respondo. A gratidão é uma grande virtude. Eu sou muito grato a Lázaro. Assim como aquela redimida foi grata a Mim. Eu espalho sobre Lázaro o perfume da minha bênção, também por aqueles, entre os meus discípulos, que não sabem fazer isso. Eu, chefe de todos vós. A mulher derramou a meus pés o perfume de sua alegria de ser salva. Ela reconheceu o Rei, e veio ao Rei, antes de muitos outros, sobre os quais o Rei tem feito a efusão de muito mais amor do que sobre ela. Deixai que ela faça o que fez, e não a critiqueis. Ela não poderá estar presente à minha aclamação, nem à minha unção. A cruz dela já está em suas costas. Pedro, tu disseste que parecia ter passado por aqui algum sátrapa assírio. Em verdade, Eu te digo que, nem mesmo o incenso dos Magos, tão puro e precioso, era mais suave do que este. A essência deste foi dissolvida no pranto, e por isso é que ela é tão penetrante: a humildade sustém o amor e o torna perfeito. Vamos sentar-nos à mesa, amigos…

E, com o oferecimento da refeição, cessa a visão.

Detalhe

Aglaia apresenta-se a Jesus e deita perfume na sala, como sinal da sua conversão. Quando os apóstolos sobem as escadas, ela já tinha saído.

Anotação

Livro do Êxodo 12, 3

Ex 12, 3: Fala a toda a congregação de Israel e dize-lhe: No décimo dia deste mês, cada homem tome um cordeiro para cada família, um cordeiro para cada casa

EMF 201.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Entram na sala em que Jesus, quando chegou a sua vez, também entrou. Um jovem, que estava escrevendo a um canto, levanta-se num salto ao ver José e se dobra até o chão.

– Deus esteja contigo, Zacarias. Vai depressa chamar Asrael e Jacó.

O jovem sai para voltar quase em seguida, com dois rabinos, sinagogos ou escribas, eu não sei. São dois personagens carrancudos, que depõem essa máscara só diante de José. Atrás deles, entram outros oito, menos imponentes. Eles se assentam, deixando de pé os postulantes, inclusive o de Arimateia.

– Que queres José? –pergunta o mais velho.

– Apresentar à vossa sagacidade este filho de Abraão, que completou o tempo prescrito para entrar na Lei e reger-se sozinho por ela.

– É teu parente? –e olham todos, admirados.

– Em Deus somos todos parentes. Mas o menino é órfão, e este homem, de cuja honestidade eu me faço fiador, tomou-o para si, a fim de que o seu tálamo não fique privado de descendência.

– Quem é esse homem? Que ele responda por si mesmo.

– Simão de Jonas, de Betsaida na Galileia, casado sem filhos, pescador pelo mundo, filho da Lei pelo Altíssimo.

– E tu, galileu, queres assumir essa paternidade, por quê?

– Está dito[1] na Lei que devemos amar ao órfão e à viúva. Eu o faço.

– Por acaso, poderá esse aí conhecer a Lei, a ponto de merecer que… Mas tu, menino, responde. Quem és?

– Jabé Margziam de João, das campinas de Emaús, nascido há doze anos.

– Portanto, és judeu. É permitido que um galileu cuide dele? Vamos ver o que dizem as leis.

– Mas, que é que eu sou? Um leproso, ou um amaldiçoado?

O Sangue de Pedro começa a ferver.

– Cala-te, Simão. Eu falo por ele. Eu vos disse que me faço fiador deste homem. Eu o conheço, como se fosse de minha família. O Ancião José não proporia nunca uma coisa contrária à Lei, nem às leis. Procurai examinar o menino, com justiça e presteza. O pátio está cheio de meninos, que estão esperando o exame. Não sejais lentos, pelo amor de todos.

– Mas, quem prova que este menino tem doze anos e que foi resgatado do Templo?

– Tu o podes provar com as escrituras. E uma busca se pode fazer. Menino, disseste que és o primogênito?

– Sim, Senhor. Podes vê-lo, porque fui consagrado ao Senhor e resgatado com os devidos dízimos.

– Vamos procurar esses apontamentos… –diz José.

– Não adianta! –respondem secamente os dois caviladores–.

Detalhe

Marziam passa no exame de maioridade.

Anotação

A Lei diz para termos amor ao órfão e à viúva. A Lei diz: Êxodo 22,21-23 | Deuteronómio 14,28-29 | Deuteronómio 16,11 | Deuteronómio 24,17-21 | Deuteronómio 26,12-13 | Deuteronómio 27,19 | Isaías 1,17.

O dever de amar e ajudar as viúvas e os órfãos é recordado várias vezes na obra de Maria Valtorta, por exemplo em EMV 229.3 e EMV 557.6.

A prescrição do Êxodo é citada textualmente em EMV 335.14.

Livro do Êxodo 22, 21-23

Ex 22, 21-23: Não afligirás a viúva nem o órfão. Se os afligirdes, eles clamarão a mim, e eu ouvirei o seu clamor; a minha cólera acender-se-á, e eu destruir-vos-ei à espada, e as vossas mulheres ficarão viúvas e os vossos filhos órfãos.

Livro do Deuteronómio 14, 28-29

Dt 14,28-29: No fim de cada terceiro ano, separarás todos os dízimos do teu produto desse ano e depositá-los-ás dentro das tuas portas. Então o levita, que não tem parte nem herança convosco, o estrangeiro, o órfão e a viúva entrarão nas vossas portas, comerão e ficarão satisfeitos, para que o Senhor vosso Deus vos abençoe em todas as obras que fizerdes com as vossas mãos.

Livro do Deuteronómio 16, 11

Dt 16, 11 : Regozijar-te-ás diante de Javé teu Deus, no lugar que Javé teu Deus escolheu para aí fazer habitar o seu nome, tu, o teu filho e a tua filha, o teu servo e a tua serva, o levita que está dentro das tuas portas, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão no meio de ti.

Livro do Deuteronómio 26, 12-13

Dt 26,12-13: Quando acabares de dar o dízimo de todos os dízimos da tua produção ▼ no terceiro ano, o ano do dízimo, e o deres ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para comerem dentro das tuas portas e ficarem satisfeitos, dirás diante de Javé teu Deus: "Tirei as coisas santas da minha casa e dei-as ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, segundo todos os teus preceitos que me deste; não transgredi nem me esqueci de nenhum dos teus preceitos.

Livro do Deuteronómio 27, 19

Dt 27, 19: Maldito o homem que violar os direitos do estrangeiro, do órfão e da viúva! - E todo o povo dirá: Amém!

Livro de Isaías, 1, 17

Is 1, 17: Aprendeia fazer o bem; procurai a justiça, corrigi o opressor, amparai o órfão, defendei a viúva.

EMF 207.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Simão de Jonas põe-se à frente, unindo-se ao grupo de Jesus e pergunta:

– Por aqui se vai a Belém? João diz que na outra vez o fizera por outra estrada.

– É verdade –diz Jesus–. Mas é porque estávamos vindo de Jerusalém. Indo-se por aqui o caminho é mais curto. No sepulcro de Raquel, que as mulheres querem ver, nós nos separaremos, como decidistes há tempo. Depois, nos reuniremos em Betsur, onde minha mãe deseja permanecer.

Anotação

Vamos daqui para Belém? João diz que, da última vez, tomaram um caminho diferente. Viagem de Jesus, João, Judas e Simão, o Zelota. Cf. EMV 70 a EMV 74.

Encontrar-nos-emos então em Bet-çur: BET-ÇUR: (a casa da sentinela). Betsur (pronuncia-se Betsour) no original de Maria Valtorta. Traduzido por Béthsur (1985) e por Bet-Çur (2016) nas edições francesas. Outras grafias encontradas: Bethsur, Beth-Tsur, Beth-Zur, Bethsour. Atualmente Beit Sur, 6 km a norte de Hebron.

Onde a minha Mãe deseja parar: Para encontrar uma amiga do Templo: Élise. Ver EMV 208 abaixo.

Génesis 35,18-19 - Raquel, a filha mais nova de Labão. Era muito bonita. Jacob encontrou-a no poço onde ela dava de beber aos seus rebanhos, perto de Haran, na Mesopotâmia. Assim que a viu, amou-a. Jacob, que não tinha bens próprios, não podia pagar a quantia que todos os pretendentes davam aos pais de uma rapariga. Por isso, serviu o seu sogro durante 7 anos para conseguir Raquel. Ao mesmo tempo, Jacob, isolado e em fuga, estava feliz por estar ligado a um grupo patriarcal. Fez um contrato e recebeu uma mulher do clã. A partir daí, não podia sair e levar a mulher e os filhos sem autorização, mesmo no fim do contrato. No final dos primeiros 7 anos, Labão enganou Jacob para que casasse com Lia, a sua filha mais velha, que aparentemente era muito menos atraente. O filho de Isaac serviu mais 7 anos para conseguir a mais nova, a única que amava. Raquel tornou-se sua mulher(Génesis 29:1-30), mãe de José(Génesis 30:22-25) e depois de Benjamim; morreu quando Benjamim nasceu(Génesis 35:16-20; 48:7). Jacob sepultou-a um pouco a norte de Éfrata, mais conhecida por Belém. O túmulo ficava num lugar por onde os viajantes passavam no caminho de Betel para Belém (fonte BibleOnLine).

Livro do Génesis 35, 16-19

Gn 35, 16-19 : Partiram de Betel. Ainda faltava um pouco para chegarem a Efrata, quando Raquel deu à luz, e o parto foi doloroso. Durante as dores do parto, a parteira disse-lhe: "Não tenhas medo, porque vais ter outro filho. Quando a sua alma partiu - porque estava a morrer - deu-lhe o nome de Benoni; mas o pai chamou-lhe Benjamim. Raquel morreu e foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém. 20Jacob construiu um monumento sobre a sua sepultura; é o monumento do Túmulo de Raquel, que ainda hoje existe.

EMF 207.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Prosseguem a estrada, através do fresco vale que vai na direção leste-oeste. Depois se dirigem levemente para o norte, a fim de costearem uma colina, que vem aparecendo à frente e alcançam assim o caminho que de Jerusalém vai para Belém, justamente perto do cubo, encimado por uma pequena cúpula redonda, que é a da tumba de Raquel. Todos se aproximam dela para rezar com reverência.

– Foi aqui que paramos eu e José… Está tudo igual ao que era naquele tempo. Só a estação é que era diferente. aquele era um dos dias frios do mês de Casleu. Havia chovido e as estradas tinham ficado alagadas. Depois, veio um vento gelado, pois talvez de noite tivesse caído geada. As estradas estavam duras, mas todas com sulcos feitos pelos carros e pelas multidões, e eram como um mar cheio de buracos e o meu burrinho se fatigava muito…

– E tu não, minha mãe?

– Oh! eu Te tinha comigo!… –e olha para Ele com um rosto tão feliz, que comove.

Depois toma de novo a palavra:

– A tarde já vinha chegando e José estava muito preocupado… Um vento cada vez mais forte vinha se levantando, um vento que cortava… As pessoas se apressavam a caminho de Belém, esbarrando umas nas outras, e muitos diziam palavras injuriosas ao meu burrinho, porque ele ia muito devagar, procurando os lugares onde podia pôr os cascos… Mas é que ele parecia que soubesse que havias Tu… e que estavas dormindo o teu último sono no berço do meu seio. Fazia frio… Mas o que eu sentia era um forte calor. Eu percebia que vinhas vindo. Que vinhas vindo? Poderias dizer: “Eu estava lá, minha mãe, com nove meses.” Sim. Mas agora era como se estivesses vindo dos Céus. Os Céus se abaixavam, se abaixavam sobre mim e eu via os esplendores deles… Eu via incendiar-se a Divindade, em sua alegria pelo teu próximo nascimento e aqueles fogos me penetravam, me incendiavam também, me levavam para fora de mim mesma… de tudo… Frio… vento… pessoas… nada! Eu só via a Deus… De vez em quando, com esforço, eu conseguia fazer voltar o meu espírito por sobre a terra, e sorria para José, que tinha medo de que o frio e a fadiga me fizessem mal e ia guiando o burrinho com cuidado, para que ele não tropeçasse, e me envolvia de novo na coberta, para que não me resfriasse… Mas nada podia acontecer. As sacudidas, eu nem percebia. Parecia-me estar andando por um caminho estrelado, por entre nuvens cândidas e sendo sustentada por anjos… E eu sorria… Primeiro para Ti… Eu olhava para Ti, através da barreira da carne e estavas dormindo com os punhozinhos fechados em teu leitozinho de rosas vivas, meu botão de lírio… Depois, sorria para o esposo, que estava tão aflito, tão aflito, para encorajá-lo. Depois para as pessoas, que ainda não sabiam estarem já respirando na áura do Salvador…

Paramos junto à tumba de Raquel para dar um pouco de descanso ao burrinho e para comer um pouco de pão com azeitonas, que eram as nossas provisões de pobres. Mas Eu não tinha fome. Não podia ter fome.

Era alimentada pela minha alegria.

EMF 210.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Procuramos contentar também as discípulas, indo com elas ver o túmulo de Abraão, a árvore dele e, depois, o túmulo de Jessé e… que mais foi que dissestes?

– Dizem que aqui é o lugar onde morreu Adão e onde Abel foi morto…

– São as conhecidas lendas sem sentido!… –resmunga Judas.

– Daqui a um século dirão que a Gruta de Belém é uma lenda, e dirão muitas outras coisas!

Anotação

Agradamos às discípulas indo ver o túmulo de Abraão, a sua árvore: O túmulo dos patriarcas: o carvalho de Mambré, perto de Hebron (Génesis 13,18). Perto dali, Abraão adquiriu a gruta de Macpela, onde enterrou a sua mulher Sara (Génesis 23,19). Ele próprio foi aí sepultado (Génesis 25,8-9). Ver os textos bíblicos abaixo.

O túmulo de Jessé: Em Hebron, o túmulo de Jessé, pai de David, e da sua avó Rute, a moabita, mulher de Booz, são honrados.

Diz-seque é o lugar onde Adão viveu e onde Abel foi morto ... São tradições judaicas (por vezes embelezadas) que encontram eco nos Padres da Igreja (São Jerónimo, Orígenes, Santo Amboise, etc.).

Livro do Génesis 13, 18

Gn 13, 18 : Abrão armou as suas tendas e foi habitar nos carvalhos de Mambré, que estão em Hebron, e ali construiu um altar a Javé.

Livro do Génesis 23, 19

Gn 23, 19 : Depois disso, Abraão sepultou Sara, sua mulher, na gruta de Macpela, em frente de Mambré, que é Hebron, na terra de Chanaan.

Livro do Génesis 25, 8-9

Gn 25, 8-9 : Abraão morreu numa velhice feliz, idoso e cheio de dias, e foi reunido ao seu povo. 9 Isaac e Ismael, seus filhos, sepultaram-no na gruta de Macpela, no campo de Efrom, filho de Seor, o hitita, que fica em frente de Mambré.

EMF 211.5-8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Quando cessou a gritaria, Jesus começa a falar.

– O Senhor falou a Josué, dizendo: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Separai as cidades para os fugitivos e dos quais Eu vos falei por meio de Moisés, para que nelas possa refugiar-se quem involuntariamente tiver matado alguém, para que ele possa escapar da ira de algum parente próximo, que queira vingar o sangue derramado.” E Hebron é uma daquelas cidades.

Sempre foi dito: “E os mais velhos da cidade não entregarão o inocente a quem o estiver procurando para matá-lo, mas o acolherão e lhe darão morada e aí ficará ele até o julgamento, e enquanto não morrer o Sumo Sacerdote que estiver em função. Depois disso, ele poderá entrar em sua cidade e em sua casa.” Nesta lei já se leva em consideração o amor misericordioso para com o próximo. Esta lei foi imposta por Deus, porque não é lícito condenar o acusado, sem ouvi-lo, nem é lícito matar em momento de ira.

Pode-se também dizer o mesmo a respeito dos delitos e acusações morais. Não é lícito acusar a quem não se conhece, nem julgar, sem ter ouvido o acusado. Mas hoje às acusações e condenações pelas culpas de costume, ou pelas culpas possíveis, acrescenta-se a elas uma nova série: a que se refere e se põe contra os que vêm em nome de Deus. Durante séculos, ela se repetiu contra os Profetas, e agora volta a repetir-se contra o Precursor de Cristo e contra Cristo. Vós o vedes. Atraído com uma cilada para fora do território de Siquém, o Batista está esperando a morte nos cárceres de Herodes, porque ele jamais se dobrará diante da mentira ou do compromisso e poderá ser despedaçada a sua vida e cortada sua cabeça, mas não se poderá despedaçar a sua honestidade, nem separar sua alma da Verdade, à qual ele tem servido fielmente em todas as suas diversas formas, divinas, sobrenaturais ou morais que sejam. Igualmente se persegue Cristo, com dupla e décupla fúria, porque Ele não se limita a dizer: “Não te é permitido” a Herodes, mas lhe troveja o seguinte: “Não te é permitido”, e por toda parte onde, entrando, encontra pecado, ou sabe que existe o pecado, sem excluir nenhuma categoria, em nome de Deus e pela honra de Deus.

211.6

Como jamais pode acontecer isto? Não haverá mais servos de Deus em Israel? Sim, os há. Mas são “ídolos.”

Na carta de Jeremias aos exilados estão ditas, por entre muitas outras coisas, também estas. E sobre estas chamo a vossa atenção, porque cada palavra do livro é um ensinamento que, desde o momento em que o Espírito a faz escrever, por causa de um fato presente, ela se refere a um fato que virá no futuro. Portanto, o que está escrito é isto: “Logo que entrardes em Babilônia, vereis deuses de ouro, de prata, de pedra, de madeira… Tomai cuidado para não imitardes o modo de agir dos estrangeiros, e para não terdes medo, não temê-los… Dizei em vosso coração: ‘É preciso adorar somente a Ti, ó Senhor.’” E a carta enumera as particularidades desses ídolos, que têm uma língua feita por algum artífice, e não se podem servir dela para reprovar os seus falsos sacerdotes, que os despojam, para revestir com o ouro do ídolo as meretrizes, quando não acontece que tirem aquele ouro, que foi profanado pelo suor da prostituição, para revestir o ídolo. Estes ídolos, que a ferrugem ou as traças podem roer e que ficam limpos e bem arrumados, só se o homem lhes lavar a cara e os tornar a vestir, já que eles não podem fazer nada por si mesmos apesar de ter cetro ou machado na mão. E termina o Profeta: “Por isso, não os temais.” E continua: “Inúteis, como vasos quebrados, são estes deuses. Seus olhos estão cheios da poeira levantada pelos pés dos que entram no templo e são conservados bem fechados: como se estivessem num sepulcro, ou como quem ofendeu o rei, porque qualquer um pode despojá-los de suas vestes preciosas. Eles não vêem a luz das lâmpadas e, por isso, estão no templo como vigas, e as candeias não lhes servem senão para enfumaçá-los, enquanto as corujas, as andorinhas e outros passarinhos voam por cima da cabeça deles e a cobrem de vírgulas com os seus excrementos e os gatos nela fazem seus ninhos, com as vestes deles, e as rasgam. Por tudo isso, não devem ser temidos. São coisas mortas. Nem mesmo o ouro lhes serve para nada. É uma amostra, e se não for polido, não brilha, assim como os deuses não sentiram nada, quando alguém os fabricou. Nem o fogo conseguiu despertá-los. Eles foram comprados por preços fabulosos. E são transportados para onde o homem quer, porque são vergonhosamente fracos… Por que, então, são chamados deuses? Por que são adorados com ofertas e com uma pantomima de cerimônias falsas, não sinceras da parte de quem as faz, nem acreditadas por quem as vê. Se um mal ou um bem lhes é feito, eles permanecem inertes, são incapazes de eleger ou destronar um rei, não podem dar riquezas nem fazer o mal, não podem salvar um homem da morte, nem salvar o fraco do prepotente. Eles não têm piedade das viúvas e dos órfãos. São semelhantes às pedras da montanha…”

A carta diz mais ou menos isso.

211.7

Eis. Nós também temos ídolos, e não mais santos, nas fileiras do Senhor. E por isto é que o Mal pode levantar-se contra o Bem. O mal que suja de esterco a inteligência e o coração dos que não são mais santos e se aninha em suas falsas vestes de bondade.

Não sabem mais falar as palavras de Deus. É natural! Eles têm uma língua feita pelo homem, e falam palavras de homem, quando não falam palavras de satanás, e não sabem nada mais do que censurar os inocentes e os pobres, mas calam-se onde vêem corrupção nos poderosos. Porque todos são corruptos, e não podem acusar-se um ao outro das mesmas culpas. Ávidos são, não do Senhor, mas de Mamon, trabalham aceitando o ouro da luxúria e do delito, trocando-o, roubando-o, tomados por um frenesi, que passa por cima de todos os limites e de tudo. Toda a poeira se aninha sobre eles, fermenta sobre eles e, se eles mostram uma cara limpa, os olhos de Deus estão vendo como está sujo o seu coração. A ferrugem do ódio e o verme do pecado os rói, e eles não sabem fazer nada para se salvarem. Desfecham suas maldições, como cetros e machados, mas não sabem que eles é que estão amaldiçoados. Fechados em seus pensamentos e em sua ira, como cadáveres em seus sepulcros, ou prisioneiros em seu cárcere, lá estão, agarrando-se às barras, por medo de que alguma mão os tire de lá, porque lá dentro esses mortos são ainda alguma coisa: são múmias, não mais do que múmias com aparência humana, mas com corpo reduzido a madeira seca, enquanto que lá fora seriam objetos ultrapassados para um mundo que procura a vida, que sente necessidade da vida, como o menino sente da mãe e quer quem lhe dê vida, e não os fedores da morte.

Eles estão no Templo, sim, e a fumaça das lâmpadas, isto é, das honras, os enfumaça, mas a luz não desce até eles. E todas as paixões se aninham neles como passarinhos e gatos, enquanto que o fogo de sua missão não lhes dá o místico tormento de estarem sendo abrasados pelo fogo de Deus. Eles são refratários ao Amor. O fogo da caridade não os incendeia, assim como a caridade não os veste com seus áureos esplendores. A caridade para com o próximo é a forma; e a caridade que vem de Deus e do homem é a fonte. Porque Deus se afasta do homem que não ama e, por isso, essa primeira fonte para de jorrar e ao afastar o homem do homem malvado, para de jorrar também a segunda fonte. Tudo é tirado, pela Caridade, do homem sem amor. Deixam-se comprar por um preço maldito e deixam se levar para onde as vantagens e o poder querem.

Não, Não é permitido! Não existe moeda para comprar a consciência, e especialmente a dos sacerdotes e dos mestres. Não é permitido ter condescendência com as coisas fortes da terra, quando elas querem levar-nos a praticar atos contrários ao que é ordenado por Deus. Isto seria uma impotência espiritual, mas está escrito[4]: “O eunuco não entrará na assembleia do Senhor.” Se, pois, não pode fazer parte do povo de Deus quem é impotente por natureza, poderá ser ministro o que é impotente em seu espírito? Porque, em verdade Eu vos digo que muitos sacerdotes e mestres já estão atormentados por um culpável eunuquismo espiritual, já mutilados em sua virilidade espiritual. São muitos. E são demais!

211.8

Meditai. Observai. Confrontai. Vereis que temos muitos ídolos e poucos ministros do Bem que é Deus. E aí está por que é que pode acontecer que as cidades refúgios já não sejam mais refúgio. Nada mais é respeitado em Israel, e os santos morrem, porque os não santos os consideram odiosos.

Mas Eu vos convido: “Vinde.” Eu vos chamo em nome do vosso João, que está sofrendo, porque foi santo; que recebeu o golpe, porque vai à minha frente e porque procurou limpar as sujeiras dos caminhos por onde passa o Cordeiro. Vinde servir a Deus. O tempo está próximo. Não fiqueis despreparados para a Redenção. Fazei que a chuva caia sobre o terreno semeado. Senão, ele terá sido semeado em vão. Vós, vós de Hebron, deveis ir à frente! Aqui vós convivestes com Zacarias e Isabel: os santos que mereceram do Céu, João. Aqui João espalhou o perfume da graça com sua verdadeira inocência de pequenino e, do seu deserto, vos enviou os incensos anticorruptores de sua graça, que se tornou um prodígio de penitência. Não decepcioneis o vosso João. Ele elevou o amor ao próximo a um nível quase divino, em que ele ama o último habitante do deserto, como ama a vós, seus conterrâneos. Mas é certo que para vós ele suplica a Salvação. E a Salvação é seguir a Voz do Senhor e crer em sua Palavra. Desta cidade sacerdotal, vinde em massa para o serviço de Deus. Eu estou passando e vos chamando. Não sejais inferiores às meretrizes, às quais basta uma palavra de misericórdia, para deixarem o caminho que percorreram antes, e virem para o Caminho do Bem.

Foi-me perguntado, quando aqui cheguei: “Mas Tu, não conservas rancor de nós?” Rancor? Oh! Não. Eu conservo é amor a vós. E conservo a esperança de ver-vos nas fileiras do meu povo. Do povo que Eu conduzo para Deus, neste novo êxodo para a verdadeira Terra Prometida: para o Reino de Deus, do outro lado do Mar Vermelho das sensualidades e desertos do pecado, livres de toda espécie de escravidão, para a Terra eterna, cheia de delícias, repleta de paz…

Vinde! Este é o Amor que passa. Qualquer um pode acompanhá-lo, porque, para ser acolhidos por Ele, não se precisa mais do que de boa vontade.

Anotação

O Senhor dirigiu-se a Josué com estas palavras: "Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: 'Estabelecei as cidades de refúgio de que vos falei por intermédio de Moisés, para que aquele que matou involuntariamente possa aí encontrar refúgio e escapar assim à ira do parente mais próximo, o vingador do sangue. "Cf. Josué 20, 1-9 e Êxodo 21, 12-13. Ver os extractos abaixo.

E continua: "E os anciãos da cidade não entregarão o inocente nas mãos daquele que procura matá-lo, mas recebê-lo-ão e permitirão que ele habite ali, e ele permanecerá ali até o julgamento e até a morte do sumo sacerdote então em exercício; depois disso, ele poderá retornar à sua cidade e à sua casa. "Cf. Josué 20,1-9 e Nm 35,25-28. Ver abaixo.

Nesta lei, o amor misericordioso para com o próximo é observado e organizado. É a lei das cidades de refúgio e a lei das cidades levíticas.

Cidades de refúgio: Esta lei, a que se refere a citação anterior (Josué 20,1-6), diz respeito às cidades de refúgio, que serviam de asilo para os homicidas involuntários. Desta forma, ficavam isentas da lei da vingança (que Judas menciona nas últimas linhas da EMV 566.8, talvez referindo-se a Génesis 9,6 e a certas passagens que recordamos a seguir). Havia seis destas cidades de refúgio, incluindo Hebron (como aqui) e Kedesh (como em EMV 342.1.2.7.9).

Cidades levíticas: Estas eram das 48 cidades levíticas, onde viviam os levitas. Ver o extrato bíblico abaixo, no Livro de Josué, capítulo 21.

As prescrições relativas a ambas encontram-se em Êxodo 21:12-13 | Números 35 | Deuteronómio 4:41-43 | Deuteronómio 19:1-13 | Josué 20-21. Ver os extractos abaixo.

A carta de Jeremias aos exilados inclui o seguinte. Carta de Jeremias 1,1-72 (por vezes inserida em Baruc 6). O extrato bíblico é fornecido abaixo.

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Livro de Josué 20, 1-9 (cidades de refúgio)

Josué 20, 1-9: Javé falou a Josué, dizendo: "Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: 'Como vos ordenei por intermédio de Moisés, designai para vós cidades de refúgio, para onde possa fugir o homicida que matou alguém por engano, sem o saber, e elas serão o vosso refúgio contra o vingador do sangue. O homicida fugirá para uma dessas cidades; parará à entrada da porta da cidade e explicará o seu caso aos anciãos dessa cidade; eles acolhê-lo-ão na cidade e dar-lhe-ão um lugar para viver com eles. Se o vingador do sangue o perseguir, não entregarão o homicida nas suas mãos, pois ele matou sem saber o seu próximo, que antes não odiava. O homicida permanecerá na cidade até que compareça perante a congregação para ser julgado, até à morte do sumo sacerdote que estará em funções naqueles dias. Então o assassino voltará para trás e regressará à sua cidade e à sua casa, à cidade de onde fugiu".

Consagraram Cedes em Gallilee, na região montanhosa de Naftali; Siquém, na região montanhosa de Efraim; e Cariath-arbe, que é Hebron, na região montanhosa de Judá. Do outro lado do Jordão, em frente a Jericó, a leste, escolheram Bosor, no deserto, na planície, cidade da tribo de Rúben; Ramote, em Gileade, da tribo de Gade, e Gaulom, em Basã, da tribo de Manassés. Estas foram as cidades designadas para todos os filhos de Israel e para os estrangeiros que peregrinavam entre eles, a fim de que quem tivesse matado alguém por engano pudesse refugiar-se ali e não morresse às mãos do vingador do sangue antes de comparecer perante a assembleia.

Livro dos Números 35, 25-28

Números35:25-28 : A congregação livrará o homicida do vingador do sangue e fá-lo-á voltar para a cidade de refúgio, para onde fugiu, e ali ficará até à morte do sumo sacerdote que foi ungido com o óleo sagrado. Se, antes disso, o homicida sair do território da cidade de refúgio para onde fugiu, e se o vingador do sangue o encontrar fora do território da sua cidade de refúgio, e se o vingador do sangue matar o homicida, este não será culpado de homicídio, porque o homicida deve permanecer na sua cidade de refúgio até à morte do sumo sacerdote; e, depois da morte do sumo sacerdote, o homicida poderá regressar à terra onde se encontra a sua possessão.

Livro do Êxodo 21, 12-13

Ex 21, 12-13: Quem ferir um homem de morte deve ser morto. Mas se não lhe tiver armado um laço e se Deus o tiver entregado à sua mão, eu indicar-lhe-ei um lugar onde se refugiar.

Livro do Deuteronómio 4, 41-43

Dt 4, 41-43: Moisés separou três cidades do outro lado do Jordão, a leste, para que, se um homicida matasse inadvertidamente o seu próximo e não fosse seu inimigo, pudesse refugiar-se numa dessas cidades e salvar a sua vida. Estas eram : Bosor, no deserto, na planície, para os rubenitas; Ramote, em Gileade, para os gaditas, e Golã, em Basã, para os manassitas.

Livro do Deuteronómio 19, 1-13

Dt 19,1-13: Quando o Senhor teu Deus tiver exterminado as nações cuja terra te está a dar, e as tiveres expulsado e estiveres a viver nas suas cidades e nas suas casas, separarás três cidades no meio da terra que o Senhor teu Deus te está a dar para possuíres. Repararás os caminhos que conduzem a elas e dividirás em três partes a terra que o Senhor teu Deus te dá em herança, para que todo o homicida fuja para essas cidades. É neste caso que o homicida que se refugiar ali terá a sua vida salva: se tiver morto o seu próximo sem querer, sem ter sido seu inimigo. Por exemplo, um homem vai cortar lenha na floresta com outro homem; a sua mão levanta o machado para cortar uma árvore; o ferro escapa-se do cabo, atinge o seu companheiro e mata-o: este homem fugirá para uma destas cidades e a sua vida será salva. Caso contrário, o vingador do sangue, perseguindo o assassino no calor da sua cólera, alcançá-lo-ia, se o caminho fosse demasiado longo, e dar-lhe-ia um golpe mortal; e, no entanto, este homem não teria merecido a morte, uma vez que não tinha qualquer ódio anterior pela vítima. É por isso que vos dou esta ordem: "Separai três cidades. E se Javé, teu Deus, alargar as tuas fronteiras, como jurou aos teus pais, e te der toda a terra que prometeu aos teus pais que te daria, desde que guardes e cumpras todos estes mandamentos que hoje te dou, amarás o Senhor teu Deus e andarás sempre nos seus caminhos, e a estas três cidades acrescentarás mais três, para que não se derrame sangue inocente no meio da terra que o Senhor teu Deus te dá em herança, e para que não haja sangue sobre ti. Mas se um homem odiar o seu próximo e o emboscar e o ferir de morte, e depois fugir para uma destas cidades, os anciãos da sua cidade mandarão prendê-lo e entregá-lo-ão nas mãos do vingador do sangue, para que morra. O teu olho não terá piedade dele, e tirarás o sangue inocente de Israel, e prosperarás.

Livro de Josué 21, 1-43 (cidades levíticas)

Josué 21,1-43: Então os chefes das famílias dos levitas foram ter com Eleazar, o sacerdote, com Josué, filho de Num, e com os chefes das famílias das tribos dos filhos de Israel, e falaram-lhes em Siló, na terra de Canaã, dizendo: "O Senhor ordenou por Moisés que nos fossem dadas cidades para as nossas habitações, e os seus arrabaldes para o nosso gado". Assim, os filhos de Israel deram aos levitas, da sua herança, segundo a ordem do Senhor, as seguintes cidades e os seus arrabaldes.

Os filhos de Aarão, o sacerdote, dentre os levitas, obtiveram por sorteio treze cidades da tribo de Judá, da tribo de Simeão e da tribo de Benjamim; os outros filhos de Caate obtiveram por sorteio dez cidades das famílias da tribo de Efraim, da tribo de Dã e da meia tribo de Manassés. Os filhos de Gerson tomaram por sorteio treze cidades das famílias da tribo de Issacar, da tribo de Aser, da tribo de Naftali e da meia tribo de Manassés, em Basã. Os filhos de Merari, segundo as suas famílias, receberam doze cidades da tribo de Rúben, da tribo de Gade e da tribo de Zebulom. Os filhos de Israel deram essas cidades e os seus arrabaldes aos levitas, por sorteio, como o Senhor tinha ordenado por intermédio de Moisés.

Da tribo dos filhos de Judá e da tribo dos filhos de Simeão, deram as seguintes cidades, por nome, aos filhos de Aarão, das famílias dos caatitas, dos filhos de Levi, pois foram os primeiros a serem sorteados. Deram-lhes, na região montanhosa de Judá, a cidade de Arbe, pai de Enaque, que é Hebrom, e os seus arrabaldes em redor. Mas deram a Calebe, filho de Jefoná, os campos em redor desta cidade e as suas aldeias, para que os possuísse. Deram também aos filhos de Arão, o sacerdote, a cidade de refúgio do homicida: Hebrom e seus arrabaldes, Lebna e seus arrabaldes, Jeter e seus arrabaldes, Estemo e seus arrabaldes, Holom e seus arrabaldes, Dabir e seus arrabaldes, Aim e seus arrabaldes, Jeta e seus arrabaldes, Betsames e seus arrabaldes; nove cidades destas duas tribos. Da tribo de Benjamim: Gibeão e seus arrabaldes, Gibeá e seus arrabaldes, Anatote e seus arrabaldes, Almom e seus arrabaldes: quatro cidades. Todas as cidades dos sacerdotes, filhos de Arão: treze cidades e seus arrabaldes.

Quanto às famílias dos filhos de Caate, os levitas e os outros filhos de Caate, as cidades que lhes couberam por sorteio eram da tribo de Efraim. Os filhos de Israel deram-lhes a cidade de refúgio do homicida, Siquém e seus arrabaldes, na região montanhosa de Efraim, bem como Gazer e seus arrabaldes, Cibsaim e seus arrabaldes, Bete-Horom e seus arrabaldes: quatro cidades. Da tribo de Dã: Elteco e seus arrabaldes, Gibatã e seus arrabaldes, Aijalom e seus arrabaldes, Gete-Regmon e seus arrabaldes: quatro cidades. Da meia tribo de Manassés: Taná e seus campos, e Gete-Regmon e seus campos: duas cidades. Ao todo, dez cidades e seus subúrbios, para as famílias dos outros filhos de Caate.

Aos filhos de Gérson, das famílias dos levitas, deram, da meia tribo de Manassés, a cidade de refúgio do homicida: Gaulom, em Basã, e seus arrabaldes, e Bosra e seus arrabaldes; duas cidades. Da tribo de Issacar: Ceresion e seus arrabaldes, Daberete e seus arrabaldes, Jaramote e seus arrabaldes, En-Ganim e seus arrabaldes; quatro cidades. Da tribo de Aser: Masal e seus campos, Abdon e seus campos, Helcate e seus campos, Rohob e seus campos: quatro cidades. Da tribo de Naftali: a cidade de refúgio do homicida, Cedes, na Galiléia, e seus arrabaldes, Hamote-Dor e seus arrabaldes, Cartã e seus arrabaldes; três cidades. Todas as cidades dos gersonitas, segundo as suas famílias: treze cidades e seus arrabaldes. Às famílias dos filhos de Merári, ao resto dos levitas, deram, da tribo de Zebulom, Jecnão e seus campos, Cartá e seus campos, Damna e seus campos, Naalol e seus campos: quatro cidades. E da tribo de Rúben, Bosor e seus campos, Jassa e seus campos, Cedemote e seus campos, Mefaate e seus campos: quatro cidades. E da tribo de Gade: a cidade de refúgio do homicida, Ramote-Gileade e seus arrabaldes, Manaim e seus arrabaldes, Hesbom e seus arrabaldes, Jaser e seus arrabaldes; ao todo, quatro cidades. Todas as cidades que foram designadas por sorteio aos filhos de Merari, segundo as suas famílias, e que constituíram o resto das famílias dos levitas: doze cidades.

Todas as cidades dos levitas no meio das possessões dos filhos de Israel: quarenta e oito cidades e os seus arrabaldes. Cada uma destas cidades tinha os seus arrabaldes à volta; assim foi com todas estas cidades. Assim, Javé deu a Israel toda a terra que tinha jurado dar aos seus pais; eles tomaram posse dela e estabeleceram-se nela. Javé deu-lhes descanso à sua volta, como tinha jurado a seus pais; nenhum dos seus inimigos lhes pôde resistir, e Javé entregou-os todos nas suas mãos. E de todas as coisas boas que o Senhor tinha dito à casa de Israel, nenhuma ficou por cumprir: todas se cumpriram.

Livro de Jeremias 1, 1-72 (por vezes transposto para o Livro de Baruc 6, 1-72) - Sobre os ídolos

Jer 1, 1-72 | Ba 6, 1-72 : Cópia da carta que Jeremias enviou aos que iam ser levados cativos para a Babilónia pelo rei dos babilónios, para lhes dizer o que Deus lhe tinha ordenado que lhes dissesse. Por causa dos pecados que cometestes perante Deus, sereis levados cativos para a Babilónia por Nabucodonosor, rei dos babilónios. Quando chegarem a Babilónia, ficarão lá durante muitos anos e por muito tempo, até sete gerações, e depois eu os tirarei de lá em paz. Mas na Babilónia verás deuses de prata, de ouro e de madeira, que se carregam aos ombros e que causam medo entre as nações. Tenham cuidado para que também vocês não imitem esses estrangeiros e não se deixem dominar pelo medo desses deuses. Quando virdes multidões de pessoas a juntarem-se diante e atrás deles e a prestar-lhes homenagem, dizei no vosso coração: "És tu, Mestre, que deves ser adorado. Porque o meu anjo está contigo e cuida da tua vida.

Porque a língua destes deuses foi polida por um artesão; está coberta de ouro e prata, mas são mentiras e não podem falar. Quanto a uma rapariga que gosta de enfeites, pegaram em ouro e fizeram coroas para pôr na cabeça desses deuses. Os sacerdotes chegam ao ponto de roubarem o ouro e a prata dos seus deuses e de os usarem para os seus próprios fins; até os dão às prostitutas das suas casas. Adornam esses deuses de prata, de ouro e de madeira com vestes ricas como os homens, mas eles não podem proteger-se da ferrugem nem dos vermes. Depois de se vestirem de púrpura, ainda têm de limpar o rosto, porque o pó da casa cobre-os densamente. Há um que segura um cetro, como um governador de província: não mata ninguém que o ofenda. Outro traz na mão uma espada ou um machado, mas não pode defender-se do inimigo ou dos ladrões. Isto mostra que eles não são deuses, por isso não os temam.

Tal como o vaso de um homem, quando se parte, torna-se inútil, o mesmo acontece com os seus deuses. Se os colocares numa casa, os seus olhos enchem-se do pó dos pés de quem entra. Tal como se fecham cuidadosamente as portas da prisão a um homem que ofendeu o rei, ou a um homem que vai ser morto, assim também os sacerdotes defendem a morada dos seus deuses com portas fortes, com trancas e ferrolhos, para que não sejam roubados pelos ladrões. Acendem lâmpadas, ainda mais do que para si próprios, e esses deuses não as vêem. São como uma das vigas da casa, e diz-se que os seus corações são devorados pelos vermes que saem do chão e os devoram, a eles e às suas roupas, sem que o sintam. Os seus rostos ficam negros com o fumo que sai da casa. Corujas, andorinhas e outras aves esvoaçam à volta dos seus corpos e das suas cabeças, e os próprios gatos divertem-se da mesma maneira. Assim saberás que eles não são deuses, por isso não os temas.

O ouro com que estão cobertos para os embelezar, se alguém não tirar a ferrugem, não o fará brilhar; pois eles nem sequer sentiram nada quando foram derretidos. Esses ídolos foram comprados pelo preço mais alto, e não há neles nenhum sopro de vida. Não tendo pés, são carregados aos ombros, mostrando assim aos homens a sua vergonhosa impotência. Que aqueles que os servem sejam confundidos com eles! Se caírem no chão, não se levantarão por vontade própria; e se alguém os levantar, não se moverão por vontade própria; e se se inclinarem, não se endireitarão. As oferendas são colocadas diante deles como diante dos mortos. Os sacerdotes vendem as vítimas que lhes são oferecidas e lucram com elas; as suas mulheres salgam-nas e não dão nada aos pobres ou aos doentes. As mulheres que estão a dar à luz ou em estado de impureza tocam nos seus sacrifícios. Sabendo, pois, por estas coisas que eles não são deuses, não os temais.

E porquê chamar-lhes deuses? Porque são as mulheres que vêm trazer as suas oferendas a esses deuses de prata, de ouro e de madeira. E nos seus templos os sacerdotes sentam-se com as túnicas rasgadas, a cabeça e o rosto rapados e a cabeça descoberta. Eles bradam e gritam diante dos seus deuses, como se estivessem numa festa fúnebre. Os seus sacerdotes despojam-se das suas vestes, e eles vestem as suas mulheres e os seus filhos com elas. Quer se lhes faça mal, quer se lhes faça bem, não podem fazer nada; não podem instituir um rei nem derrubá-lo. Não podem dar riquezas, nem mesmo fazer o bem. Também não podem dar riquezas, nem mesmo uma moeda. Se alguém que lhes fez um voto não o cumprir, eles não lhes pedirão nada. Não salvarão um homem da morte; não arrebatarão o fraco da mão dos poderosos. Não darão vista ao cego, nem livrarão o aflito. Não se compadecerão da viúva, nem farão bem ao órfão. Estes ídolos de madeira, cobertos de ouro e prata, são como pedras cortadas numa montanha, e aqueles que os servem serão envergonhados. Como é que podemos acreditar ou dizer que eles são deuses?

Os próprios caldeus desonram-nos quando, vendo um homem que não pode falar, o apresentam a Bel, pedindo-lhe que fale, como se o deus pudesse ouvir alguma coisa. E, apesar de se aperceberem disso, não conseguem abandonar esses ídolos, pois eles não têm sentimento. As mulheres, envoltas em cordas, vão sentar-se nos caminhos, queimando farinha grosseira; e quando uma delas, atraída por algum transeunte, dormiu com ele, censura a vizinha por não ter sido julgada digna da mesma honra e por não ter visto a sua trança de junco partida. Tudo o que se diz sobre os ídolos é mentira. Como podemos então acreditar ou dizer que eles são deuses?

Eles foram feitos por artesãos e ourives; não podem ser de outra forma que não seja a vontade dos trabalhadores. E os trabalhadores que os criaram não têm muito tempo de vida: como poderiam então as suas obras ser de longa duração? Eles não deixaram para a posteridade senão mentiras e desgraças. Quando vem a guerra, ou qualquer outra calamidade, os sacerdotes deliberam entre si sobre onde se esconderão com os seus deuses: como é que não se pode entender que estes não são deuses, que não se podem salvar da guerra ou de qualquer outra calamidade?

Estes ídolos de madeira, cobertos de ouro e prata, serão mais tarde reconhecidos como uma mentira; para todas as nações e reis será óbvio que não são deuses, mas obras de homens, e que não há nenhuma obra divina neles. Para quem, então, não seria óbvio que eles não são deuses?

Eles nunca estabelecerão um rei sobre uma terra, nem darão chuva aos homens. Não poderão julgar os seus próprios assuntos, nem protegerão contra a injustiça, pois nada podem fazer, como os corvos que se interpõem entre o céu e a vossa terra. E quando o fogo cair sobre a casa desses deuses de madeira, revestidos de ouro e prata, os seus sacerdotes fugirão e salvar-se-ão; mas eles consumir-se-ão como vigas no meio das chamas. Não resistirão a um rei ou a um exército inimigo. Como é que podemos admitir ou pensar que eles são deuses?

Não escaparão aos ladrões e aos salteadores, esses deuses de madeira, cobertos de prata e de ouro. Homens mais poderosos do que eles roubarão a prata e o ouro e levarão as ricas roupas com que se cobriram, e esses deuses não poderão ajudar-se a si próprios. Assim, é melhor ser um rei que mostra a sua força, ou um vaso útil na casa que o dono usa, do que ser esses falsos deuses; ou uma porta numa casa que guarda o que está dentro, do que ser esses falsos deuses; ou um pilar de madeira na casa de um rei, do que ser esses falsos deuses. O sol, a luz e as estrelas, que são brilhantes e enviadas para o benefício dos homens, obedecem a Deus. Do mesmo modo, o relâmpago, quando aparece, é belo de se ver; o vento também sopra sobre toda a terra; e as nuvens, quando Deus lhes ordena que cubram toda a terra, fazem o que lhes é ordenado. Também o fogo, quando enviado do alto para consumir as montanhas e as florestas, faz o que lhe é ordenado. Mas os ídolos não são comparáveis, nem em beleza nem em poder, a todas estas coisas. Por isso, não devemos pensar nem dizer que são deuses, pois não podem discernir o que é justo nem fazer o bem aos homens. Sabendo, pois, que não são deuses, não os temais.

Eles não podem amaldiçoar nem abençoar os reis. Não mostram às nações sinais no céu; não brilham como o sol nem dão luz como a lua. Os animais são melhores do que eles, porque podem fugir e encontrar abrigo e ser úteis para si próprios. Por isso, não nos parece de modo algum que eles sejam deuses; por isso, não os temais.

Tal como um espantalho num campo de pepinos não te protege de nada, assim é com os seus deuses de madeira, cobertos de ouro e prata. Tal como um espinheiro num jardim, onde pousam todas as aves, ou um morto atirado para um lugar escuro, assim são os seus deuses de madeira, cobertos de ouro e de prata. Até a púrpura e o escarlate que se desvanecem sobre eles mostram que não são deuses. Eles próprios acabarão por ser devorados e tornar-se-ão uma vergonha na terra. Melhor é o homem justo que não tem ídolos, pois não teme a confusão.