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Notas do tema

Personagens do Antigo Testamento

Página 11 de 13

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EMF 208.5-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os três grandes vales escavados na rocha do monte, obra verdadeiramente grandiosa, brilham na superfície limpidíssima e na queda d’água que cai do primeiro vale para o segundo, e deste para o terceiro, que já é, na verdade um pequeno lago, que depois canaliza a água por vários tubos, que vão para cidades distantes. Mas, pela umidade do solo nesta área, desde a nascente até às piscinas, e destas até o solo, todo o monte é de uma fertilidade incrível, e possue flores mais compostas do que aquelas selvagens, rindo pelas encostas verdes, juntamente com ervas perfumadas e raras. Parecem até terem sido aqui semeadas pelo homem, como as flores dos jardins e as ervas perfumadas que, com o sol que as aquece, espargem pelo ar seus aromas de canela, cânfora, cravo, alfazema e outros odores sutis, fragrantes, fortes, suaves, numa fusão maravilhosa dos melhores odores da terra. Eu diria que é uma sinfonia de perfumes, porque realmente é o poema das ervas e das flores, em suas cores e fragrâncias.

Todos os apóstolos estão sentados à sombra de uma árvore carregada de grandes flores brancas cujo nome eu não sei, com enormes campânulas de esmalte branco, penduradas, balançando ao menor sopro de vento e, a cada sopro, é uma onda de fragrância que se espalha. Não sei qual é o nome desta árvore. Pela flor, ela me faz lembrar daquele arbusto que há na Calábria e ao qual lá dão o nome de “bottaro”, mas certamente no tronco não, porque esta aqui é uma árvore alta, de tronco robusto, mas não um arbusto.

Jesus os chama, e eles acorrem.

– Encontramos quase de repente José, que estava voltando de uma feira. Esta tarde estarão todos em Betsur. Nós aqui nos reunimos, chamando-nos em altas vozes, e aqui ficamos nesta sombra fresca –explica Pedro.

– Que lugar bonito! Parece um jardim! Entre nós estávamos discutindo se é mesmo natural, ou não, e uns teimam em uma opinião e outros na outra –diz Tomé.

– A terra da Judeia tem essas maravilhas –diz Iscariotes, que em tudo se sente inevitavelmente levado a ensoberbecer-se, até com as flores e as ervas.

– Sim, mas…eu creio que se, por exemplo, o jardim de Joana de Tiberíades ficasse abandonado e se tornasse selvagem, a Galileia também teria a maravilha de esplendidas rosas, por entre ruínas

–diz Tiago de Zebedeu.

– E não estás errado. Nesta zona é que ficavam os jardins de Salomão, tão célebres no mundo daquele tempo como os seus palácios. Talvez foi aqui que ele sonhou o Cântico dos Cânticos, aplicando à Cidade Santa todas as belezas que cresceram aqui por sua vontade

–diz Jesus.

– Então, eu tinha razão! –diz Tadeu.

– Tinhas razão. Sabes, Mestre? Ele estava citando Eclesiastes, reunindo a ideia dos jardins à dos vales, e terminava dizendo[1]: “Mas ele percebeu que tudo é vaidade, e nada dura sob o sol, a não ser a Palavra do meu Jesus” –diz o outro irmão Tiago.

– Eu te agradeço. Mas agradeçamos também a Salomão, sejam ou não dele as flores originais certamente são dele os tanques que fornecem água às ervas e aos homens. Seja ele bendito. Vamos agora até aquele grande roseiral desgrenhado, que já foi uma galeria florida, entre uma árvore e outra. Lá nós pararemos. Já estamos quase com meio caminho feito.

208.6 … E a viagem recomeça, por volta da hora nona, quando as sombras se alongam, a partir de cada árvore desta zona tão bem cultivada por toda parte. Parece que o caminho vai passando por um imenso jardim botânico, porque todas as espécies de plantas, as que têm troncos ou frutas, ou as que são ornamentais estão aqui representadas. Os trabalhadores da terra estão por todos os lados, mas não se interessam pela comitiva, que vai passando. Aliás, não é uma só. Pois outros grupos de hebreus estão pela estrada, de volta das festas pascais.

A estrada é muito boa, apesar de ter sido aberta por entre os montes, e os panoramas, sempre variados, tiram a monotonia da viagem. Pequenos rios e torrentes são como vírgulas de prata, que escorrem e vão escrevendo palavras, que depois eles cantam em seus mil meandros, que se entrecortam, que mergulham pelos bosques abaixo ou vão esconder-se em cavernas, para depois saírem delas ainda mais belos. Parece que estão brincando com as plantas e as pedras, como crianças alegres.

EMF 208.10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Dize-me, dize-me que eu não tenho culpa da morte de Levi! Dize-me que eles não estão perdidos para sempre! Dize-me que logo estarei com eles!…

– Sim, sim. Escuta. Eles estão cheios de uma grande alegria, neste momento em que tu estás em meus braços. Dentro de pouco tempo, eu irei até eles e que devo dizer-lhes então: Que tu não te conformas com o Senhor? É isto que Eu devo dizer? As mulheres de Israel, as mulheres de Davi, tão fortes, tão sábias, será que vão ser desmentidas por ti? Não. Tu estás sofrendo, mas é porque ficaste sofrendo sozinha. A tua dor e tu. Tu e a dor. Não podes suportar assim. Não te lembras das palavras de esperança a respeito daqueles que a morte nos tomou? “Eu vos trarei de vossos sepulcros e vos conduzirei para a terra de Israel. E vós ficareis sabendo que Eu sou o Senhor, quando Eu tiver aberto as vossas tumbas e vos tiver tirado dos vossos sepulcros. Quando Eu tiver infundido em vós o meu espírito, vós tereis vida.” A terra de Israel, para os justos que dormiram no Senhor, é o Reino de Deus. Eu o abrirei e o darei aos que o estão esperando.

– E ao meu Daniel também? E também ao meu Levi?… Ele tinha tanto medo da morte!… Não podia nem pensar em ficar longe de sua mamãe. Por isto eu queria morrer e ir ao lado dele para o sepulcro…

– Mas no sepulcro eles não estavam com a sua parte viva. Lá estavam as coisas mortas, que não te podiam ouvir. Eles estão no lugar de espera…

– Mas existe mesmo? Oh! Não fiques escandalizado comigo. A minha memória lá se foi com o pranto! Estou com a cabeça cheia pelo rumor do pranto e dos estertores dos filhos. Que estertores! Que estertores! Eles me dissolveram o cérebro. Não tenho nada mais do que aqueles estertores aqui dentro…

– Mas Eu vou colocar-te aí dentro as palavras da vida. Semearei a Vida, porque Eu sou a Vida, onde está o fragor da morte. Lembra-te do grande Judas Macabeu, que quis que se oferecesse um sacrifício pelos mortos, pensando corretamente que eles estão destinados a ressurgir, e que é preciso acelerar a chegada da paz para eles, por meio de oportunos sacrifícios. Se Judas Macabeu não tivesse tido a certeza da ressurreição, teria ele rezado, ou feito rezar pelos mortos? Mas, ao contrário, como está escrito, ele pensou como é grande a recompensa que está reservada àqueles que morrem piedosamente, como certamente aconteceu com os teus filhos… Vês, pois, como estás dizendo sim? Portanto, não desesperes. Mas santamente reza pelos teus mortos a fim de que os seus pecados sejam cancelados, antes da minha ida a eles. E, se assim for feito, irão comigo para o Céu. Porque Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e conduzo, e digo a Verdade e dou a Vida a quem crê em minha Verdade, e me segue.

Detalhe

Uma mãe enlutada pela morte dos seus dois filhos pede a Jesus:

Anotação

Não tendes em mente as palavras de esperança sobre aqueles que a morte nos tirou? "Eu vos tirarei dos vossos túmulos e vos farei voltar à terra de Israel. Então sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos túmulos e vos fizer levantar das vossas sepulturas. Porei dentro de vós o meu espírito e vivereis. "Veja Ezequiel 37:11-14 abaixo.

Lembrai-vos do grande Judas Macabeu que queria fazer um sacrifício pelos mortos, porque pensava, com razão, que eles estavam destinados a ressuscitar e que a hora da paz devia ser-lhes apressada por sacrifícios oportunos. Se Judas Macabeu não tivesse a certeza da ressurreição, teria rezado e mandado rezar pelos mortos? Pelo contrário, como está escrito, ele pensava que estava reservada uma grande recompensa para aqueles que morressem piedosamente, como certamente fizeram os vossos filhos... Ver o segundo livro dos Macabeus 12, 43-46 abaixo.

Livro de Ezequiel 37, 11-14

Ezequiel37, 11-14: E ele disse-me: "Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que eles dizem: 'Os nossos ossos estão secos, a nossa esperança morreu, estamos perdidos! Por isso, profetiza e diz-lhes: "Assim diz o Senhor Javé: 'Eis que vou abrir os vossos túmulos e levantar-vos das vossas sepulturas, ó meu povo, e vou reconduzir-vos à terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor Javé, quando eu abrir os vossos túmulos e vos levantar das vossas sepulturas, ó meu povo. Porei dentro de vós o meu Espírito, e vivereis; dar-vos-ei descanso na vossa terra, e sabereis que eu, Javé, digo e faço, - oráculo de Javé!"

Segundo Livro dos Macabeus 12, 43-45

2 M 12, 43-46: Depois, tendo recolhido a soma de duas mil dracmas, enviou-a a Jerusalém para ser utilizada num sacrifício expiatório. Uma ação bela e nobre, inspirada pelo pensamento da ressurreição! Porque, se ele não acreditasse que os soldados mortos em combate ressuscitariam, teria sido inútil e fútil rezar pelos mortos. Considerou também que uma recompensa muito boa está reservada para aqueles que adormecem na piedade, e este é um pensamento santo e piedoso. Foi por isso que ele fez este sacrifício expiatório pelos mortos, para que eles pudessem ser libertados dos seus pecados.

EMF 209.6-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Nesta terra da Judeia, aqui perto de Belém de Noemi, Eu vos lembro que o amor alivia a dor e traz alegria. Olhai, vós que estais chorando, para a desolação de Noemi, depois que sua casa ficou sem homens. Ouvi suas palavras de desconsoladas despedidas a Orfa e a Rute: “Voltai daqui para a casa de vossa mãe. Que o Senhor use de misericórdia convosco, como vós usastes para com aqueles que morreram e para comigo…” Ouvi as suas cansadas insistências. Já não esperava mais nada da vida aquela que, tempos atrás, era a bela Noemi, e que agora era a trágica Noemi, esmagada pela dor, só esperava voltar aos lugares em que tinha sido feliz no tempo de sua juventude, entre o amor do marido e os beijos dos filhos, para lá morrer. Ela dizia: “Ide, ide. É inútil ficar comigo… Eu estou como morta…Minha vida já não é mais aqui, e sim, lá na outra vida, onde eles estão. Não sacrifiqueis mais a vossa juventude, ao lado de uma coisa que está morrendo. Porque realmente eu sou ‘uma coisa’. Tudo me é indiferente. Deus me tomou tudo. Eu sou uma angústia. E faria a vossa angústia… e esta me pesaria no coração. E o Senhor me pediria contas. Ele, que tanto já me feriu, porque ter-vos vivas junto de mim já morta, seria um egoísmo meu. Portanto, ide para vossas mães…”

Mas Rute ficou para consolar aquela dolorosa velhice. Rute havia compreendido que há dores sempre maiores do que a nossa, e que sua dor de jovem viúva era menor do que a da mulher que havia perdido, além do marido, os dois filhos; assim como a dor do menino órfão, que se vê obrigado a viver pedindo esmola, sem receber nunca mais as carícias, e nunca mais os bons conselhos, é bem maior do que a da mãe privada dos filhos; assim como a dor de quem, por um complexo de motivos, chega a ter ódio do gênero humano, e vê em cada homem um inimigo, que ele deve temer e do qual se defender é ainda maior do que as outras dores, porque envolve, não somente a carne, o sangue e a mente, mas até o espírito com os seus deveres e direitos sobrenaturais, e o leva a perder-se. Quantas mães sem filhos, e filhos sem mãe há neste mundo! Quantas viúvas sem prole existem, para terem piedade das velhices solitárias! Quantos há, que ficaram privados de seus amores, para se dedicarem totalmente aos infelizes, segundo a necessidade que sentem de amor, combatendo assim o ódio, dando a si mesmo, dando sempre amor à Humanidade infeliz, que está, sempre mais, sofrendo, porque está sempre odiando.

209.7

A dor é cruz, mas também é asa. O luto despoja, mas é para revestir. Levantai-vos, vós que estais chorando! Abri os olhos, saí de vossos pesadelos, saí das trevas, dos egoísmos! Olhai…O mundo é como uma terra árida e inculta, onde se chora e se morre. E ele grita: ‘Acudi-me!’ O mundo grita pela boca dos órfãos, dos doentes, dos que estão sozinhos, dos que não sabem o que fazer, e pelas bocas daqueles que uma traição ou uma crueldade tornaram prisioneiros do rancor. Ide a estes que estão gritando. Esquecei-vos dos esquecidos. Fazei a cura dos doentes! Esperai entre os desesperados. O mundo está aberto às boas vontades de servir a Deus no próximo e de conquistar o Céu: a união com Deus e a reunião com aqueles pelos quais choramos. Aqui é o campo das competições. Lá está o triunfo.

Vinde. Imitai Rute, estando ao lado de todas as dores. Dizei, vós também: “Eu estarei convosco até à morte.” E, se vos respondem essas desventuras que se julgam incuráveis: “Não me chameis Noemi, mas chamai-me Mara, porque Deus me cumulou de amarguras”, persisti. E Eu, em verdade, vos digo que um dia, pela vossa persistência nessas desventuras ainda exclamarão: “Seja bendito o Senhor, que tirou minha amargura, minha desolação, minha solidão, por obra de uma criatura, que soube fazer sua dor produzir frutos bons. Deus a abençoe para sempre, porque ela foi a minha salvadora.”

O ato bom de Rute para com Noemi, pensai nisso, deu ao mundo o Messias, porque de Davi, filho de Isaí, de Isaí, filho de Obed veio o Messias, como Obed de Booz, Booz de Salmon, Salmon de Naasson, Naasson de Aminadab, Aminadab de Aram, Aram de Esron, Esron de Farés, e eles vieram para povoar os campos de Belém, preparando os antepassados do Senhor. Todo ato bom dá origem a grandes coisas nas quais vós nem pensais. O esforço de alguém contra o seu egoísmo pode provocar uma tal onda de amor, que é capaz de subir, subir, conservando em sua pureza aquele que a provocou, até o ponto de levá-lo ao pé do altar, ao coração de Deus.

Deus vos dê a paz.

Anotação

É nesta terra da Judeia, ainda perto da Belém de Noemi, que vos recordo como o amor alivia a dor e traz a alegria. Cf. o Livro de Rute, capítulo 1, 1-22.

Livro de Rute 1, 1-22

Rt 1, 1-22: No tempo em que os juízes governavam, havia fome na terra. Um homem de Belém de Judá foi com a sua mulher e os seus dois filhos viver para os campos de Moab. O nome do homem era Elimeleque, e o nome de sua mulher era Noemi, e os nomes de seus dois filhos eram Maalon e Quelon; eles eram efrateus de Belém de Judá. Foram para os campos de Moab e ali se estabeleceram.

Quando Elimeleque, marido de Noemi, morreu, ela ficou sozinha com os seus dois filhos, que tomaram mulheres moabitas, uma das quais se chamava Orfa e a outra Rute, e viveram ali cerca de dez anos. Maalon e Queljon também morreram, e a mulher ficou sem os seus dois filhos e o seu marido. Então, ela e as suas noras levantaram-se e deixaram os campos de Moab, pois tinham ouvido dizer no país de Moab que o Senhor tinha visitado o seu povo e lhe tinha dado pão. Assim, ela e as suas duas noras saíram do lugar onde se tinham instalado e puseram-se a caminho para regressar à terra de Judá. Noemi disse às suas duas noras: "Vão e voltem, cada uma para a casa de sua mãe. Que o Senhor Javé seja bondoso para convosco, como foi para os que morreram e para mim! Que o Senhor faça com que cada uma de vós encontre descanso na casa de um marido! E ela beijou-os. Eles levantaram a voz e choraram, e disseram-lhe: "Não; nós voltaremos contigo para o teu povo". Noemi disse: "Voltai, minhas filhas; por que haveríeis de vir comigo? Ainda tenho filhos no meu ventre que possam vir a ser vossos maridos? Voltem, minhas filhas, vão-se embora. Estou demasiado velha para voltar a casar. E quando eu digo: tenho esperança; quando eu fosse esta mesma noite para um marido e desse à luz filhos, esperaríeis por isso até que eles crescessem? Não, minhas filhas. É muito amargo para mim, por vossa causa, que a mão do Senhor tenha descido sobre mim. E, levantando a voz, voltaram a chorar. Então Orfa beijou a sua sogra, mas Rute agarrou-se a ela.

Noemi disse a Rute: "Eis que a tua cunhada voltou para o seu povo e para o seu deus; volta para a tua cunhada". Rute respondeu: "Não me pressiones a deixar-te, quando eu me afastar de ti. Para onde fores, irei eu; onde habitares, habitarei eu; o teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus; onde morreres, morrerei e serei sepultada lá. Que o Senhor seja severo comigo se outra coisa que não seja a morte me separar de ti! Vendo que Rute estava decidida a ir com ela, Noemi parou com as suas súplicas.

As duas seguiram o seu caminho até chegarem a Belém. Quando entraram em Belém, toda a cidade se comoveu com elas, e as mulheres diziam: "É esta Noemi? "20Ela respondeu-lhes: "Não me chameis Noemi, chamai-me Mara, porque o Todo-Poderoso me amargurou. Parti com as mãos cheias, e o Senhor traz-me de volta de mãos vazias. Por que me chamarias Noemi, depois de o Javé ter testemunhado contra mim e de o Todo-Poderoso me ter afligido?"

Noemi regressou, e com ela a sua nora, Rute, a moabita, que tinha vindo dos campos de Moab. Chegaram a Belém no início da colheita da cevada.

EMF 210.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Procuramos contentar também as discípulas, indo com elas ver o túmulo de Abraão, a árvore dele e, depois, o túmulo de Jessé e… que mais foi que dissestes?

– Dizem que aqui é o lugar onde morreu Adão e onde Abel foi morto…

– São as conhecidas lendas sem sentido!… –resmunga Judas.

– Daqui a um século dirão que a Gruta de Belém é uma lenda, e dirão muitas outras coisas!

Anotação

Agradamos às discípulas indo ver o túmulo de Abraão, a sua árvore: O túmulo dos patriarcas: o carvalho de Mambré, perto de Hebron (Génesis 13,18). Perto dali, Abraão adquiriu a gruta de Macpela, onde enterrou a sua mulher Sara (Génesis 23,19). Ele próprio foi aí sepultado (Génesis 25,8-9). Ver os textos bíblicos abaixo.

O túmulo de Jessé: Em Hebron, o túmulo de Jessé, pai de David, e da sua avó Rute, a moabita, mulher de Booz, são honrados.

Diz-seque é o lugar onde Adão viveu e onde Abel foi morto ... São tradições judaicas (por vezes embelezadas) que encontram eco nos Padres da Igreja (São Jerónimo, Orígenes, Santo Amboise, etc.).

Livro do Génesis 13, 18

Gn 13, 18 : Abrão armou as suas tendas e foi habitar nos carvalhos de Mambré, que estão em Hebron, e ali construiu um altar a Javé.

Livro do Génesis 23, 19

Gn 23, 19 : Depois disso, Abraão sepultou Sara, sua mulher, na gruta de Macpela, em frente de Mambré, que é Hebron, na terra de Chanaan.

Livro do Génesis 25, 8-9

Gn 25, 8-9 : Abraão morreu numa velhice feliz, idoso e cheio de dias, e foi reunido ao seu povo. 9 Isaac e Ismael, seus filhos, sepultaram-no na gruta de Macpela, no campo de Efrom, filho de Seor, o hitita, que fica em frente de Mambré.

EMF 212.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não nos consumimos de febre pelos males da carne. Tu é que és nossa febre, ó Amor. E com este nos queimamos, com este morremos, com este nos consumimos, com este e por este se dilaceram as fibras do coração, que não pode resistir a tudo isso. Mas, eu disse mal, porque o amor é um delírio, o amor é uma cascata que arrebenta os diques, e desce derrubando tudo o que não é ele, o amor é um apinhar-se de sensações, todas elas verdadeiras, na mente, todas presentes, mas nossa mão não pode transcrevê-las, de tão rápida que é a mente em traduzir o pensamento e os sentimentos que o coração experimenta. Não é verdade que morremos. Nós vivemos. E de uma vida decuplicada. De uma vida dupla, vivendo como homens e como bem-aventurados: a vida da terra e a vida do Céu. Alcança-se e se supera, Oh! disso estou certa, uma vida sem defeitos, sem diminuições nem limitações que Tu, Pai, Filho e Espírito Santo, Tu, Deus Criador, Uno e Trino, tinhas dado a Adão, como um prelúdio da vida depois da assunção a Ti, para gozar no Céu, depois de uma tranquila passagem do Paraíso Terrestre para o Celeste, e uma passagem feita nos amorosos braços dos anjos, assim como foi o doce sono e o doce surgir de Maria ao Céu, para ir a Ti, a Ti, a Ti! Vivemos a verdadeira vida.

EMF 212.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Em verdade, em verdade, Eu vos digo que Moisés quebrou com ira as tábuas da Lei, ao ver o povo na idolatria e, depois de subir de novo ao monte, orou, adorou e conseguiu. E isto, há muitos séculos. Mas ainda não acabou, nem acabará. Ao contrário, cresce como fermento posto na farinha a idolatria no coração dos homens. Agora, quase cada um dos homens tem o seu próprio bezerro de ouro. A terra é um matagal de ídolos, porque cada coração virou um altar e dificilmente se encontra Deus sobre ele. Quem não tem uma paixão maligna tem outra, quem não tem uma concupiscência tem uma outra com outro nome. Quem não é todo pelo ouro é todo por alguma posição, quem não é todo pela carne é todo pelo egoísmo. Quantos “eus” transformados em bezerros de ouro, não são adorados nos corações! Virá, por isso, um dia em que eles, golpeados, clamarão ao Senhor e ouvirão dele esta resposta: “Vira-te para os teus deuses. Eu não te conheço.”

Eu não te conheço. Terrível é esta palavra, quando dita por Deus a um homem. Deus criou o homem como uma raça, e conhece cada homem em particular. Quando, pois, Ele diz: “Eu não te conheço”, isso é sinal de que Ele apagou, com a força de sua vontade, aquele homem de sua lembrança. Eu não te conheço! Será Deus severo demais por proferir este veredito? Não. O homem gritou ao Céu: “Eu não te conheço!”, e o Céu respondeu ao homem: “Eu não te conheço”, com a fidelidade de um eco…

Detalhe

A idolatria do bezerro de ouro e as suas consequências.

Anotação

Em verdade, em verdade vos digo que Moisés quebrou as Tábuas da Lei com raiva à vista do povo idólatra, depois voltou ao monte, rezou, adorou e alcançou misericórdia. Recordando o que lemos no Êxodo, capítulos 32 a 34.

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Livro do Êxodo, 32-34

Êxodo 32-34:

(Capítulo 32) Quando o povo viu que Moisés demorava a descer da montanha, reuniu-se à volta de Aarão e disse-lhe: "Anda, faz-nos um deus que vá à nossa frente. Porque este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu". Arão disse-lhes: "Tirai as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres, dos vossos filhos e das vossas filhas, e trazei-mas". Todos tiraram as argolas de ouro das orelhas e trouxeram-nas a Arão. Ele tirou-as das mãos deles, trabalhou o ouro com um cinzel e fez dele um bezerro de gesso. E disseram: "Este é o teu Deus, Israel, que te fez subir da terra do Egito. Quando Aarão viu isso, construiu um altar diante da imagem e gritou: "Amanhã haverá uma festa em honra de Javé". No dia seguinte, tendo-se levantado de manhã cedo, ofereceram holocaustos e apresentaram ofertas de paz; o povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir.

Então Javé disse a Moisés: "Desce, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egito, se portou muito mal. Desviou-se do meu caminho. Desviaram-se do caminho que eu lhes tinha ordenado e fizeram para si um bezerro de fundição, adoraram-no e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: "Este é o teu Deus, Israel, que te fez subir da terra do Egito". O Senhor disse a Moisés: "Vejo que este povo é um povo de dura cerviz. 10Agora deixa-os comigo: que a minha ira arda contra eles e os consuma! Mas eu farei de ti uma grande nação.

Moisés suplicou a Javé, o seu Deus, e disse: "Por que razão, Javé, a tua ira se há-de acender contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande poder e mão forte? Porque é que os egípcios hão-de dizer: "Ele tirou-os para seu próprio mal, para os destruir nas montanhas e para os eliminar da face da terra"? Voltai do furor da vossa ira e arrependei-vos do mal que quereis fazer ao vosso povo. Lembra-te de Abraão, de Isaac e de Israel, teus servos, a quem juraste: "Multiplicarei os teus descendentes como as estrelas do céu e darei aos teus descendentes toda esta terra de que falei, e eles a possuirão para sempre".

E o Javé arrependeu-se do mal que tinha dito que ia fazer ao seu povo. Moisés regressou e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, escritas dos dois lados; estavam escritas dos dois lados. As tábuas eram obra de Deus, e a escrita era a escrita de Deus, gravada nas tábuas. Josué ouviu o barulho do povo a gritar e disse a Moisés: "Há um grito de guerra no acampamento!" Moisés respondeu: "Não é o som de gritos de vitória nem o som de gritos de derrota; ouço a voz do povo a cantar". Quando se aproximou do acampamento, viu o bezerro e as danças. A ira de Moisés acendeu-se e, com as mãos, atirou as tábuas e quebrou-as ao pé da montanha. Depois pegou no bezerro que tinham feito, queimou-o no fogo, reduziu-o a pó, deitou o pó na água e deu-a a beber aos filhos de Israel.

Moisés perguntou a Arão: "O que é que este povo te fez para que tenhas trazido sobre ele um pecado tão grande?" Arão respondeu: "Não se acenda a ira do meu senhor! Tu mesmo sabes que este povo é inclinado para o mal. 23Disseram-me: "Faz-nos um deus que vá à nossa frente, porque esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Eu disse-lhes: "Quem tiver ouro, despoje-se dele! Deram-mo e eu deitei-o ao fogo, e dele saiu este bezerro.

Moisés viu que o povo não tinha nenhum freio, porque Aarão lhe tinha tirado todo o freio, expondo-o a ser motivo de chacota entre os seus inimigos. Então Moisés pôs-se à porta do acampamento e disse: "A mim pertencem os que são por Javé!" E todos os filhos de Levi se reuniram à volta dele. E Moisés disse-lhes: "Assim diz Javé, Deus de Israel: 'Cada um de vós ponha a sua espada ao lado do corpo e percorra o acampamento de porta em porta, matando cada um o seu irmão, cada um o seu amigo, cada um o seu parente. Os filhos de Levi fizeram o que Moisés mandou, e cerca de três mil pessoas morreram naquele dia. Moisés disse: "Consagrai-vos hoje a Javé, pois cada um de vós foi contra o seu filho e contra o seu pai, para que ele vos dê hoje uma bênção".

No dia seguinte, Moisés disse ao povo: "Cometestes um grande pecado. Agora vou subir ao Javé e talvez obtenha o perdão do vosso pecado". Moisés voltou a Javé e disse: "Ah, este povo cometeu um grande pecado! Fez para si um deus de ouro. Agora perdoa-lhes o pecado; se não, apaga-me do teu livro que escreveste". O Javé disse a Moisés: "É aquele que pecou contra mim que eu apagarei do meu livro. Vai agora e conduz o povo para onde eu te disser. Eis que o meu anjo irá à tua frente, mas no dia da minha visitação castigá-los-ei pelo seu pecado". Foi assim que Javé castigou o povo, por terem feito o bezerro que Aarão tinha feito.

(Capítulo 33) O Senhor disse a Moisés: "Vai, sai daqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito; sobe à terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaac e a Jacob, dizendo: Eu a darei aos vossos descendentes. Enviarei um anjo à tua frente e expulsarei os cananeus, os amorreus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Subi a uma terra que mana leite e mel; mas eu não subirei entre vós, porque sois povo de dura cerviz, para que eu não vos destrua no caminho".

Quando o povo ouviu estas duras palavras, ficou de luto e ninguém se vestiu com os seus ornamentos. Então Javé disse a Moisés: "Diz aos filhos de Israel: 'Sois um povo de dura cerviz; se eu subisse no meio de vós por um momento, destruir-vos-ia. Agora, pois, tirai os vossos enfeites de sobre vós, e eu saberei o que vos hei-de fazer." 6Os filhos de Israel despojaram-se dos seus ornamentos no monte Horeb.

Moisés tomou a tenda e armou-a fora do acampamento, a alguma distância; chamou-lhe tenda da reunião; e todos os que procuravam o Senhor iam à tenda da reunião, que estava fora do acampamento. Quando Moisés se dirigia para a tenda, todo o povo se levantava, cada um à porta da tenda, e seguia Moisés com os olhos até ele entrar na tenda. Logo que Moisés entrou na tenda, a coluna de nuvem desceu e pôs-se à entrada da tenda, e o Senhor falou com Moisés. Quando todo o povo viu a coluna de nuvem à entrada da tenda, todo o povo se levantou e cada um se inclinou à porta da sua tenda. E o Senhor falou com Moisés face a face, como um homem fala com o seu amigo. Depois Moisés voltou para o acampamento, mas o seu servo Josué, filho de Nun, um jovem, não saiu do meio da tenda.

Moisés disse a Javé: "Tu dizes-me: Faz subir este povo, mas não me dizes quem vais enviar comigo. No entanto, disseste: 'Conheço-te pelo teu nome e encontraste graça aos meus olhos'. Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, faze-me saber os teus caminhos, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos. Considera que esta nação é o teu povo. O Senhor respondeu: "O meu rosto irá contigo, e eu te darei descanso". Moisés disse: "Se a tua face não vier, não nos mandes embora daqui. Como se saberá que eu e o teu povo fomos favorecidos aos teus olhos, se não fores connosco? É isto que me distinguirá, a mim e ao teu povo, de todos os povos da face da terra. O Senhor disse a Moisés: "Farei o que me pedes, pois achaste graça aos meus olhos e conheço-te pelo teu nome".

Moisés disse: "Deixa-me ver a tua glória." Respondeu o Javé: "Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e pronunciarei o nome do Javé diante de ti; porque serei misericordioso para com quem for misericordioso, e misericordioso para com quem for misericordioso". O Senhor disse: "Não poderás ver a minha face, porque o homem não pode ver-me e viver." O Javé disse: "Aqui está um lugar perto de mim; ficarás de pé sobre a rocha. Quando a minha glória passar, eu ponho-te na cavidade da rocha e cubro-te com a minha mão até eu passar. Depois retirarei a minha mão e ver-me-ás por detrás; mas o meu rosto não será visto."

(Capítulo 34) O Senhor disse a Moisés: "Corta duas tábuas de pedra como as primeiras, e eu escreverei nelas as palavras que estavam nas primeiras tábuas que quebraste. Prepara-te para amanhã, sobe ao monte Sinai de manhã e põe-te diante de mim no cimo do monte. Que ninguém suba contigo, que ninguém seja visto em parte alguma do monte e que nem ovelhas nem bois pastem na encosta deste monte. Moisés cortou duas tábuas de pedra como as primeiras e, levantando-se cedo, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado, e tomou as duas tábuas de pedra na mão.

O Javé desceu na nuvem, pôs-se ali com ele e invocou o nome do Javé. O Javé passou diante dele e gritou: "Javé! Javé! Deus misericordioso e compassivo, lento para a cólera, rico em bondade e fidelidade, que conserva a sua graça até mil gerações, que perdoa a iniquidade, a rebelião e o pecado, mas não os deixa impunes, visitando a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos até à terceira e quarta geração!" Moisés prostrou-se imediatamente por terra e adorou, 9dizendo: "Se tenho achado graça aos teus olhos, Senhor, permite que o Senhor ande no meio de nós, pois é um povo de dura cerviz; perdoa as nossas iniquidades e os nossos pecados e toma-nos por tua herança."

O Senhor disse: "Eis que eu faço uma aliança: na presença de todo o teu povo, farei maravilhas que nunca foram feitas em nenhuma terra nem em nenhuma nação; e todos os povos à tua volta verão a obra do Senhor, pois são terríveis as coisas que farei contigo.

Prestem atenção ao que vos ordeno hoje. Eis que expulsarei de diante de ti os amorreus, os cananeus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Tende cuidado em fazer aliança com os habitantes da terra contra a qual marchais, para que não se tornem um laço no meio de vós. 13Porém, derrubareis os seus altares, quebrareis as suas colunas e derrubareis os seus aserins. Não adorarás outros deuses, pois Javé se chama Zeloso, um Deus ciumento. Por isso, não façais aliança com os habitantes da terra, para que, quando eles se prostituírem com os seus deuses e lhes oferecerem sacrifícios, não vos convidem a entrar e comais dos seus sacrifícios; para que não tomeis as suas filhas para os vossos filhos, e as suas filhas, prostituindo-se com os seus deuses, não façam com que também os vossos filhos se prostituam com os seus deuses.

Não farás deuses de metal fundido.

Observareis a Festa dos Pães Ázimos: durante sete dias comereis pães ázimos, como vos ordenei, ao tempo determinado, no mês de Abibe, pois foi no mês de Abibe que saístes do Egito.

Todo o primogénito macho dos vossos rebanhos, seja boi ou ovelha, é meu. Resgatarás o primogénito da jumenta com um cordeiro; se não o resgatares, quebrar-lhe-ás o pescoço. Resgatarás todos os primogénitos dos teus filhos, e eles não virão perante mim de mãos vazias.

Trabalharás seis dias, mas descansarás no sétimo, mesmo na lavoura e na colheita.

Celebrareis a Festa das Semanas, da primeira colheita do trigo, e a Festa da Colheita, no fim do ano.

Três vezes por ano, todos os homens comparecerão perante o Senhor Javé, Deus de Israel. Porque eu expulsarei as nações de diante de ti e alargarei as tuas fronteiras; e ninguém cobiçará a tua terra enquanto subires para te apresentares três vezes por ano diante do Senhor Javé, teu Deus.

Não oferecerás o sangue da minha vítima com pão levedado, e o sacrifício da festa da Páscoa não se conservará durante a noite até de manhã.

Trarás as primícias dos primeiros frutos da tua terra à casa de Javé, teu Deus.

Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.

O Javé disse a Moisés: "Escreve estas palavras, porque segundo estas palavras faço uma aliança contigo e com Israel".

Moisés esteve ali com o Javé quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras.

Moisés desceu do monte Sinai; Moisés tinha na mão as duas tábuas do testemunho quando desceu do monte; e Moisés não sabia que a pele do seu rosto se tinha tornado radiante quando falava com Javé. Aarão e todos os filhos de Israel viram Moisés, e eis que a pele do seu rosto brilhava, e tiveram medo de se aproximar dele. Moisés chamou-os, e Aarão e todos os chefes da congregação vieram ter com ele, e ele falou-lhes. Então todos os filhos de Israel se aproximaram, e Moisés deu-lhes todas as ordens que tinha recebido do Senhor no monte Sinai.

Quando Moisés acabou de falar com eles, cobriu o rosto com um véu. Quando Moisés chegava diante do Javé para falar com ele, tirava o véu até sair; depois saía e contava aos filhos de Israel o que lhe tinha sido ordenado. 35Quando os filhos de Israel viram o rosto de Moisés, viram que a pele do rosto de Moisés estava radiante; então Moisés voltou a pôr o véu sobre o rosto, até entrar para falar com Javé.

EMF 212.5-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

… Jesus fala na casa de Isaac. As pessoas enchem a sala e o pátio, e se comprimem também na praça, enquanto Jesus, para ser ouvido por todos, põe-se no meio da sala de tal forma, que sua voz se espalha tanto no pátio como na praça. Ele deve Ele estar tratando de algum assunto que lhe levaram por qualquer pergunta ou acontecimento. Ele diz:

– … Mas não tenhais dúvida disso. Como diz[1] Jeremias, eles reconhecerão, pelas provações, como é doloroso e amargo terem abandonado o Senhor. Para certos delitos, meus amigos, não há salitre nem potassa, que consigam tirar a nódoa que eles deixam, nem mesmo o fogo do inferno é capaz de tirar aquela nódoa. Ela é indelével.

Também aqui é necessário reconhecer a justiça das Palavras de Jeremias. Realmente, os nossos grandes de Israel parecem as jumentas selvagens das quais fala o Profeta. Acostumados com o deserto de seus corações. Porque, podeis crer, enquanto alguém estiver com Deus, ainda que seja pobre como Jó, ainda que esteja sozinho, ainda que esteja nu, nunca está sozinho, nunca é pobre, nunca está despojado, nunca é um deserto. Mas, eles tiraram Deus dos seus corações, e, por isso, se acham num árido deserto. Como as jumentas selvagens, que farejam no vento o cheiro dos machos, que aqui, no caso, pela libidinagem deles, tem o nome de poder ou dinheiro, além da luxúria verdadeira e propriamente dita, e acompanham aquele cheiro, até chegarem ao delito. Sim. Eles o acompanham, e ainda mais o acompanharão. Eles não sabem que estão, não com os pés, mas com o coração exposto às flechas de Deus, que vingará o seu delito. Como, então, não haverão de ficar confusos o rei e os príncipes, os sacerdotes e os escribas que, na verdade, disseram e dizem àquilo que nada é, ou, pior ainda, àquilo que é o pecado: “Tu és meu pai. Tu me geraste!”

Em verdade, em verdade, Eu vos digo[2] que Moisés quebrou com ira as tábuas da Lei, ao ver o povo na idolatria e, depois de subir de novo ao monte, orou, adorou e conseguiu. E isto, há muitos séculos. Mas ainda não acabou, nem acabará. Ao contrário, cresce como fermento posto na farinha a idolatria no coração dos homens. Agora, quase cada um dos homens tem o seu próprio bezerro de ouro. A terra é um matagal de ídolos, porque cada coração virou um altar e dificilmente se encontra Deus sobre ele. Quem não tem uma paixão maligna tem outra, quem não tem uma concupiscência tem uma outra com outro nome. Quem não é todo pelo ouro é todo por alguma posição, quem não é todo pela carne é todo pelo egoísmo. Quantos “eus” transformados em bezerros de ouro, não são adorados nos corações! Virá, por isso, um dia em que eles, golpeados, clamarão ao Senhor e ouvirão dele esta resposta: “Vira-te para os teus deuses. Eu não te conheço.”

Eu não te conheço. Terrível é esta palavra, quando dita por Deus a um homem. Deus criou o homem como uma raça, e conhece cada homem em particular. Quando, pois, Ele diz: “Eu não te conheço”, isso é sinal de que Ele apagou, com a força de sua vontade, aquele homem de sua lembrança. Eu não te conheço! Será Deus severo demais por proferir este veredito? Não. O homem gritou ao Céu: “Eu não te conheço!”, e o Céu respondeu ao homem: “Eu não te conheço”, com a fidelidade de um eco…

212.6

E, meditai: o homem é obrigado a conhecer a Deus por um dever de gratidão e por respeito para com a sua própria inteligência.

Por gratidão: Deus criou o homem, dando-lhe o dom inefável da vida e provendo-o do dom superinefável da graça. Perdida esta por própria culpa, o homem ouve que lhe é feita uma grande promessa: “Eu te darei de novo a Graça.” É Deus que foi ofendido, que fala assim ao seu ofensor, como se fosse ele, Deus, o culpado, obrigado a dar uma reparação. E Deus mantém a promessa. Eis que aqui estou para dar de novo a Graça ao homem. Deus não se limita a dar o sobrenatural, mas faz descer até nós sua Essência Espiritual, a fim de prover às grosseiras necessidades da carne e do sangue do homem, dá-lhe o calor do sol, o refrigério da água, os grãos dos cereais, as videiras, as árvores de todas as espécies, os animais de todas as espécies. Assim o homem recebeu de Deus todos os meios para conservar a vida. Deus é o seu Benfeitor. É preciso que lhe sejamos reconhecidos e lhe mostremos isso, esforçando-nos por conhece-lo.

Por respeito para com nossa própria razão. O mentecapto e o idiota não são gratos para com quem cuida deles, porque não compreendem os cuidados em seu verdadeiro valor, e há quem os lava ou lhes põe a comida na boca, a quem os guia ou os põe na cama, a quem os vigia para que não se exponham aos perigos. Eles ainda lhes tem ódio, porque, bestiais como são por causa de sua doença, acham ainda que aqueles cuidados são torturas. O homem que está em falta contra Deus é alguém que se desonra a si mesmo, a um ser dotado de razão. Só os idiotas e os doidos é que não conseguem distinguir o seu pai de um estranho, o benfeitor de um inimigo. Mas o homem inteligente conhece o seu pai e o seu benfeitor e se compraz em conhecê-lo sempre melhor, mesmo naquelas coisas que ele ignora, porque aconteceram antes que ele nascesse ou que recebesse os benefícios do pai ou do benfeitor. Assim deve-se fazer também com o Senhor, a fim de mostrar-lhe que somos inteligentes, e não brutos. Mas muitos em Israel são semelhantes a estes doidos que não reconhecem o seu pai e o seu benfeitor.

Jeremias pergunta a si mesmo: “Poderá, acaso, a virgem esquecer-se de seus ornamentos e uma esposa do seu cinto?” Oh! Sim. Israel está constituído por estas virgens doidas, por essas esposas impudicas, que se esquecem dos seus ornamentos honestos e da cintura para usarem ouropéis, como as meretrizes. E isso se encontra em medida sempre maior, quanto mais se sobe até às classes que deveriam ser as mestras do povo. E a reprovação de Deus, — com sua irritação e o seu pranto,— lhes é dirigida “Por que te esforças em mostrar tua boa conduta, e procurar amor, tu, que, ao contrário, ensinas as malícias e os teus modos de fazer, e fizeste que se encontrassem, nas abas das tuas vestes, o sangue dos pobres e dos inocentes?”

212.7

Amigos, a distância é um bem e é um mal. Estar muito longe dos lugares, onde com facilidade Eu falo é um mal, porque vos impede de ouvir as palavras da Vida. E vós vos queixais disso. Pois é verdade. Mas é um bem, porque vos conserva afastados dos lugares em que fermenta o pecado, onde ferve a corrupção, onde as ciladas sibilam, tramando contra Mim, estorvando-me em minha obra e insinuando dúvidas e mentiras nos corações a respeito de Mim. Mas Eu prefiro que estejais longe a que estejais corrompidos. Eu proverei à vossa formação. Vós estais vendo que Deus proveu, antes que nós nos conhecêssemos e, por isso, nos amássemos. Eu já era conhecido, antes que nós nunca nos tivéssemos visto. Isaac foi o vosso anunciador. Eu vou mandar muitos Isaques para dizer-vos as minhas palavras. E ficai sabendo também que Deus pode falar em toda parte a sós com o espírito do homem e fazê-lo crescer em sua doutrina.

Não tenhais medo de que, por estardes sozinhos, isso vos possa fazer cair em erros. Não. Se não quiserdes, não sereis infiéis ao Senhor e ao seu Cristo. Afinal, quem de verdade não pode ficar longe do Messias, fique sabendo que o Messias lhe abre o coração e os braços, e lhe diz: “Vem.” Vinde, vós, que quereis vir. Permanecei, vós, que quereis ficar. Mas, pregai o Cristo, tanto uns como os outros, com uma vida honesta. Pregai contra a desonestidade, que se aninha em muitos corações. Pregai isto contra a leviandade dos muitíssimos que não sabem permanecer fiéis e que se esquecem dos seus ornamentos e cintos das almas chamadas para as núpcias com Cristo. Vós me dissestes, felizes: “Desde quando Tu vieste, nós não tivemos mais doentes nem mortos. A tua bênção nos protegeu.” Sim grande coisa é a saúde. Mas, fazei que a minha vinda de agora vos faça a todos sãos de espírito, e sempre e em tudo. Para isso, Eu vos abençôo e vos dou a minha paz, a vós e aos vossos filhos, aos campos, às casas, às messes, aos rebanhos, às árvores frutíferas. Servi-vos de tudo isso com santidade, não vivendo para essas coisas, mas por meio delas, dando o supérfluo a quem não tem e adquirindo vós assim a medida calcada das bênçãos do Pai e um lugar no Céu. Ide. Eu fico para rezar…

Anotação

Como diz Jeremias, eles verão pela provação como é doloroso e amargo ter abandonado o Senhor. Jeremias 2:19. O capítulo 2 trata da apostasia de Israel.

O rei e os príncipes, os sacerdotes e os escribas serão envergonhados, pois disseram, e ainda dizem: "Tu és meu pai. Tu me geraste! Em referência ao Salmo 2:7.

Em verdade, em verdade vos digo que Moisés quebrou as Tábuas da Lei com raiva à vista do povo idólatra, depois voltou ao monte, rezou, adorou e alcançou misericórdia. Isso passou-se há séculos. Ver o livro do Êxodo, capítulos 32 a 34.

Jeremias pergunta: "Pode a virgem esquecer-se dos seus enfeites e a mulher do seu cinto? "Jeremias 2:32.

"Porque procurais exibir a honestidade do vosso comportamento para procurardes o amor, quando ensinais a perversão e os vossos caminhos, e o sangue dos pobres e dos inocentes está nas saias das vossas vestes? "Jeremias 2:34.

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Livro de Jeremias 2, 19.32.34

Jer 2, 19: A tua impiedade castiga-te e as tuas rebeliões castigam-te! Sabei, pois, e vede como é mau e amargo que tenhais abandonado Javé, vosso Deus, e não tenhais medo de mim, - diz o Senhor Javé dos exércitos.

Jer 2,32: Porventura a virgem esquece o seu adorno, a noiva o seu cinto? E o meu povo esqueceu-se de mim durante dias sem conta!

Jr 2,34: Até nas saias das vossas vestes está o sangue dos pobres inocentes; não os apanhastes a entrar e a sair, mas matastes-os por todas estas coisas.

Livro dos Salmos 2, 7

Sl 2,7: Publicarei o decreto: Javé disse-me: Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei.

Livro do Êxodo 32-34

Êxodo 32-34: Quando o povo viu que Moisés demorava a descer da montanha, reuniu-se à volta de Aarão e disse-lhe: "Anda, faz-nos um deus que vá à nossa frente. Porque este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu". Arão disse-lhes: "Tirai as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres, dos vossos filhos e das vossas filhas, e trazei-mas". Todos tiraram as argolas de ouro das orelhas e trouxeram-nas a Arão. Ele tirou-as das mãos deles, trabalhou o ouro com um cinzel e fez dele um bezerro de gesso. E disseram: "Este é o teu Deus, Israel, que te fez subir da terra do Egito. Quando Aarão viu isso, construiu um altar diante da imagem e gritou: "Amanhã haverá uma festa em honra de Javé". No dia seguinte, tendo-se levantado de manhã cedo, ofereceram holocaustos e apresentaram ofertas de paz; o povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir.

Então Javé disse a Moisés: "Desce, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egito, se portou muito mal. Desviou-se do meu caminho. Desviaram-se do caminho que eu lhes tinha ordenado e fizeram para si um bezerro de fundição, adoraram-no e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: "Este é o teu Deus, Israel, que te fez subir da terra do Egito". O Senhor disse a Moisés: "Vejo que este povo é um povo de dura cerviz. 10Agora deixa-os comigo: que a minha ira arda contra eles e os consuma! Mas eu farei de ti uma grande nação.

Moisés suplicou a Javé, o seu Deus, e disse: "Por que razão, Javé, a tua ira se há-de acender contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande poder e mão forte? Porque é que os egípcios hão-de dizer: "Ele tirou-os para seu próprio mal, para os destruir nas montanhas e para os eliminar da face da terra"? Voltai do furor da vossa ira e arrependei-vos do mal que quereis fazer ao vosso povo. Lembra-te de Abraão, de Isaac e de Israel, teus servos, a quem juraste: "Multiplicarei os teus descendentes como as estrelas do céu e darei aos teus descendentes toda esta terra de que falei, e eles a possuirão para sempre".

E o Javé arrependeu-se do mal que tinha dito que ia fazer ao seu povo. Moisés regressou e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, escritas dos dois lados; estavam escritas dos dois lados. As tábuas eram obra de Deus, e a escrita era a escrita de Deus, gravada nas tábuas. Josué ouviu o barulho do povo a gritar e disse a Moisés: "Há um grito de guerra no acampamento!" Moisés respondeu: "Não é o som de gritos de vitória nem o som de gritos de derrota; ouço a voz do povo a cantar". Quando se aproximou do acampamento, viu o bezerro e as danças. A ira de Moisés acendeu-se e, com as mãos, atirou as tábuas e quebrou-as ao pé da montanha. Depois pegou no bezerro que tinham feito, queimou-o a fogo, reduziu-o a pó, deitou o pó na água e deu-a a beber aos filhos de Israel.

Moisés perguntou a Arão: "O que é que este povo te fez para que tenhas trazido sobre ele um pecado tão grande?" Arão respondeu: "Não se acenda a ira do meu senhor! Tu mesmo sabes que este povo é inclinado para o mal. 23Disseram-me: "Faz-nos um deus que vá à nossa frente, porque esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Eu disse-lhes: "Quem tiver ouro, despoje-se dele! Deram-mo e eu deitei-o ao fogo, e dele saiu este bezerro.

Moisés viu que o povo não tinha nenhum freio, porque Aarão lhe tinha tirado todo o freio, expondo-o a ser motivo de chacota entre os seus inimigos. Então Moisés pôs-se à porta do acampamento e disse: "A mim pertencem os que são por Javé!" E todos os filhos de Levi se reuniram à volta dele. E Moisés disse-lhes: "Assim diz Javé, Deus de Israel: 'Cada um de vós ponha a sua espada ao lado do corpo e percorra o acampamento de porta em porta, matando cada um o seu irmão, cada um o seu amigo, cada um o seu parente'. Os filhos de Levi fizeram o que Moisés mandou, e cerca de três mil pessoas morreram nesse dia. Moisés disse: "Consagrai-vos hoje ao Senhor, pois cada um de vós foi contra o seu filho e contra o seu pai, para que ele vos dê hoje uma bênção".

No dia seguinte, Moisés disse ao povo: "Cometestes um grande pecado. Agora vou subir ao Javé e talvez obtenha o perdão do vosso pecado". Moisés voltou a Javé e disse: "Ah, este povo cometeu um grande pecado! Fez para si um deus de ouro. Agora perdoa-lhes o pecado; se não, apaga-me do teu livro que escreveste". O Javé disse a Moisés: "É aquele que pecou contra mim que eu apagarei do meu livro. Vai agora e conduz o povo para onde eu te disser. Eis que o meu anjo irá à tua frente, mas no dia da minha visitação castigá-los-ei pelo seu pecado". Foi assim que Javé castigou o povo, por terem feito o bezerro que Aarão tinha feito.

(Capítulo 33) O Senhor disse a Moisés: "Vai, sai daqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito; sobe à terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaac e a Jacob, dizendo: Eu a darei aos vossos descendentes. Enviarei um anjo à tua frente e expulsarei os cananeus, os amorreus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Subi a uma terra que mana leite e mel; mas eu não subirei entre vós, porque sois povo de dura cerviz, para que eu não vos destrua no caminho".

Quando o povo ouviu estas duras palavras, ficou de luto e ninguém se vestiu com os seus ornamentos. Então Javé disse a Moisés: "Diz aos filhos de Israel: 'Sois um povo de dura cerviz; se eu subisse no meio de vós por um momento, destruir-vos-ia. Agora, pois, tirai os vossos enfeites de sobre vós, e eu saberei o que vos hei-de fazer." 6Os israelitas despojaram-se dos seus ornamentos no monte Horebe.

Moisés tomou a tenda e armou-a fora do acampamento, a alguma distância; chamou-lhe tenda da reunião; e todos os que procuravam o Senhor iam à tenda da reunião, que estava fora do acampamento. Quando Moisés se dirigia para a tenda, todo o povo se levantava, cada um à porta da tenda, e seguia Moisés com os olhos até ele entrar na tenda. Logo que Moisés entrou na tenda, a coluna de nuvem desceu e pôs-se à entrada da tenda, e o Senhor falou com Moisés. Quando todo o povo viu a coluna de nuvem à entrada da tenda, todo o povo se levantou e cada um se inclinou à porta da sua tenda. E o Senhor falou com Moisés face a face, como um homem fala com o seu amigo. Depois Moisés voltou para o acampamento, mas o seu servo Josué, filho de Nun, um jovem, não saiu do meio da tenda.

Moisés disse a Javé: "Tu dizes-me: Faz subir este povo, mas não me dizes quem vais enviar comigo. No entanto, disseste: 'Conheço-te pelo teu nome e encontraste graça aos meus olhos'. Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, faze-me saber os teus caminhos, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos. Considera que esta nação é o teu povo. O Senhor respondeu: "O meu rosto irá contigo, e eu te darei descanso". Moisés disse: "Se a tua face não vier, não nos mandes embora daqui. Como se saberá que eu e o teu povo fomos favorecidos aos teus olhos, se não fores connosco? É isto que me distinguirá, a mim e ao teu povo, de todos os povos da face da terra. O Senhor disse a Moisés: "Farei o que me pedes, pois achaste graça aos meus olhos e conheço-te pelo teu nome".

Moisés disse: "Deixa-me ver a tua glória." Respondeu o Javé: "Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e pronunciarei o nome do Javé diante de ti; porque serei misericordioso para com quem for misericordioso, e misericordioso para com quem for misericordioso". O Senhor disse: "Não poderás ver a minha face, pois o homem não pode ver-me e viver." O Javé disse: "Aqui está um lugar perto de mim; ficarás de pé sobre a rocha. Quando a minha glória passar, eu ponho-te na cavidade da rocha e cubro-te com a minha mão até eu passar. Depois retirarei a minha mão e ver-me-ás por detrás; mas o meu rosto não será visto."

(Capítulo 34) O Senhor disse a Moisés: "Corta duas tábuas de pedra como as primeiras, e eu escreverei nelas as palavras que estavam nas primeiras tábuas que quebraste. Prepara-te para amanhã, sobe ao monte Sinai de manhã e põe-te diante de mim no cimo do monte. Que ninguém suba contigo, que ninguém seja visto em parte alguma do monte e que nem ovelhas nem bois pastem na encosta deste monte. Moisés cortou duas tábuas de pedra como as primeiras e, levantando-se de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado, e tomou as duas tábuas de pedra na mão.

O Javé desceu na nuvem, pôs-se ali com ele e invocou o nome do Javé. O Javé passou diante dele e gritou: "Javé! Javé! Deus misericordioso e compassivo, lento para a cólera, rico em bondade e fidelidade, que conserva a sua graça até mil gerações, que perdoa a iniquidade, a rebelião e o pecado, mas não os deixa impunes, visitando a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos até à terceira e quarta geração!" Moisés prostrou-se imediatamente em terra e adorou, 9dizendo: "Se achei graça aos teus olhos, Senhor, permite que o Senhor ande no meio de nós, pois é um povo de dura cerviz; perdoa as nossas iniquidades e os nossos pecados e toma-nos por tua herança."

O Senhor disse: "Eis que eu faço uma aliança: na presença de todo o teu povo, farei maravilhas que nunca foram feitas em nenhuma terra nem em nenhuma nação; e todos os povos à tua volta verão a obra do Senhor, pois são terríveis as coisas que farei contigo.

Prestem atenção ao que vos ordeno hoje. Eis que expulsarei de diante de ti os amorreus, os cananeus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Tende cuidado em fazer aliança com os habitantes da terra contra a qual marchais, para que não se tornem um laço no meio de vós. 13Porém, derrubareis os seus altares, quebrareis as suas colunas e derrubareis os seus aserins. Não adorarás outros deuses, pois Javé se chama Zeloso, um Deus ciumento. Por isso, não façais aliança com os habitantes da terra, para que, quando eles se prostituírem com os seus deuses e lhes oferecerem sacrifícios, não vos convidem a entrar e comais dos seus sacrifícios; para que não tomeis as suas filhas para os vossos filhos, e as suas filhas, prostituindo-se com os seus deuses, não façam com que também os vossos filhos se prostituam com os seus deuses.

Não farás deuses de metal fundido.

Observareis a Festa dos Pães Ázimos: durante sete dias comereis pães ázimos, como vos ordenei, ao tempo determinado, no mês de Abibe, pois foi no mês de Abibe que saístes do Egito.

Todo o primogénito macho dos vossos rebanhos, seja boi ou ovelha, é meu. Resgatarás o primogénito da jumenta com um cordeiro; se não o resgatares, quebrar-lhe-ás o pescoço. Resgatarás todos os primogénitos dos teus filhos, e eles não virão perante mim de mãos vazias.

Trabalharás seis dias, mas descansarás no sétimo, mesmo na lavoura e na colheita.

Celebrareis a Festa das Semanas, da primeira colheita do trigo, e a Festa da Colheita, no fim do ano.

Três vezes por ano, todos os homens comparecerão perante o Senhor Javé, Deus de Israel. Porque eu expulsarei as nações de diante de ti e alargarei as tuas fronteiras; e ninguém cobiçará a tua terra enquanto subires para te apresentares três vezes por ano diante do Senhor Javé, teu Deus.

Não oferecerás o sangue da minha vítima com pão levedado, e o sacrifício da festa da Páscoa não se conservará durante a noite até de manhã.

Trarás as primícias dos primeiros frutos da tua terra à casa de Javé, teu Deus.

Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.

O Javé disse a Moisés: "Escreve estas palavras, porque segundo estas palavras faço uma aliança contigo e com Israel".

Moisés esteve ali com o Javé quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras.

Moisés desceu do monte Sinai; Moisés tinha na mão as duas tábuas do testemunho quando desceu do monte; e Moisés não sabia que a pele do seu rosto se tinha tornado radiante quando falava com Javé. Aarão e todos os filhos de Israel viram Moisés, e eis que a pele do seu rosto brilhava, e tiveram medo de se aproximar dele. Moisés chamou-os, e Aarão e todos os chefes da congregação vieram ter com ele, e ele falou-lhes. Então todos os filhos de Israel se aproximaram, e Moisés deu-lhes todas as ordens que tinha recebido do Senhor no monte Sinai.

Quando Moisés acabou de falar com eles, cobriu o rosto com um véu. Quando Moisés chegava diante do Javé para falar com ele, tirava o véu até sair; depois saía e contava aos filhos de Israel o que lhe tinha sido ordenado. 35Quando os filhos de Israel viram o rosto de Moisés, viram que a pele do rosto de Moisés estava radiante; então Moisés voltou a pôr o véu sobre o rosto, até entrar para falar com Javé.

EMF 213.1-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Então as pessoas se acalmam e, finalmente, se pode ouvir Jesus falar.

Ele diz ao sinagogo:

– Dá-me o décimo rolo daquela estante.

E, tendo-o recebido, o desenrola e o dá ao sinagogo, dizendo:

– Lê o capítulo 4º do livro II dos Macabeus.

Obediente, o sinagogo lê. E as vicissitudes de Onias, e os erros de Jasão, as traições e furtos de Menelau vão passando assim diante do pensamento dos presentes. O capitulo terminou. O sinagogo olha para Jesus, que o ficou escutando atentamente.

213.2

Jesus faz sinal de que basta, e depois, se dirige ao povo:

– Na cidade do meu caríssimo discípulo Eu não vou dizer minhas costumeiras palavras de ensinamento. Permaneceremos aqui alguns dias e Eu quero que seja ele quem vo-las diga. Porque daqui é que Eu quero que tenha começo o contato direto, o contato contínuo entre os apóstolos e o povo. Isso foi decidido lá na alta Galileia, e lá já começou a brilhar. Mas a humildade dos meus discípulos fez que depois eles se retirassem para a sombra, porque eles têm medo de não saberem fazê-lo bem e de ficarem usurpando o meu lugar. Não. Eles devem fazê-lo, e o farão bem, e ajudarão ao seu Mestre. Aqui, pois, unindo em um único amor os confins da Galileia e da Fenícia com as terras de Judá, que são as mais meridionais e se limitam com os países do sol e das areias, aqui é que deve ter começo a verdadeira pregação apostólica. Porque o Mestre já não basta para atender às necessidades das multidões. E porque é justo que as águiazinhas deixem o ninho e dêem os seus primeiros vôos, enquanto o sol está com elas, e as asas robustas dele as sustentam.

Por isso Eu, nestes dias, serei vosso amigo e vosso conforto. Eles serão a palavra, e irão espargindo as sementes que Eu lhes dei. Eu não direi por isso, palavras de ensinamento público, mas vos darei uma coisa privilegiada. Uma profecia. Eu vos peço que vos lembreis dela pelos tempos futuros, quando o acontecimento mais horrível da História tiver ofuscado o sol e, nas trevas, pode ser que os corações sejam arrastados a um julgamento errado. Não quero que vós sejais induzidos a erro, vós, que, desde os primeiros momentos, fostes bons para comigo. Não quero que o mundo possa dizer “Keriot foi inimiga de Cristo.” Eu sou justo. Não posso permitir que a crítica, tanto a invejosa, como a enamorada de Mim, possa, cada uma delas incentivada por seus sentimentos, acusar-vos de culpas contra Mim. E, assim como não se pode, em uma família numerosa, pretender que os filhos sejam iguais em santidade, assim também não se pode pretender que o sejam os habitantes de uma cidade populosa. Mas seria uma grande falta de caridade, se alguém dissesse, por causa de um filho mau, ou por causa de um dos habitantes, que não era bom: “Toda a família, ou toda a cidade está amaldiçoada.”

Portanto, ouvi, e lembrai-vos disso, sede sempre fiéis e, como Eu vos amo tanto, que quero defender-vos de qualquer acusação injusta, assim, vós, procurai saber amar aos que não têm culpa. Sempre. Sejam quem forem. Seja qual for o parentesco que eles tenham com os culpados.

213.3

Agora, escutai. Virá um tempo em que em Israel aparecerão delatores do tesouro e da pátria, e eles, na esperança de se tornarem amigos dos estrangeiros, falarão mal do verdadeiro Sumo Sacerdote, acusando-o de aliança com os inimigos de Israel, e de atos maus contra os filhos de Deus. E, para conseguirem isso, serão capazes de cometer delitos e de atribuir a responsabilidade por eles ao Inocente. E tempo virá, sempre em Israel, no qual, mais ainda que nos tempos de Onias, um infame, conspirando para ser ele o Pontífice, irá procurar os poderosos de Israel e os corromperão com o ouro, ainda mais infame, de suas palavras mentirosas e, ao mesmo tempo, alterará a verdade dos fatos; não falará contra as culpas, mas, pelo contrário, irá atrás de suas indignas metas, pôr-se-á a corromper os costumes, para ter, como presas mais fáceis, os espíritos privados da amizade com Deus. Tudo para atingir a sua meta. E conseguirá. Oh! Com certeza! Porque, se na própria morada do monte Moriá não estão mais os ginásios do ímpio Jasão, eles estão nos corações dos habitantes do monte que, como garantia, estão dispostos a vender uma coisa que é bem mais do que um terreno, e que é a própria consciência deles. Os frutos do erro antigo são vistos agora e, quem tiver olhos para ver, verá isso acontecer no lugar onde deveria haver caridade, pureza, justiça, bondade, religião santa e profunda. Mas, se esses são os frutos que já fazem tremer, os frutos nascidos das sementes destes não só serão objeto de tremor, mas de maldição divina.

E eis-nos chegados à verdadeira profecia. Em verdade Euvos digo: Por aquele que se apoderou de um posto e da confiança, por meio de jogadas calculadas e astutas é que será entregue, por dinheiro, às mãos dos inimigos, o Sumo Sacerdote, o Verdadeiro Sacerdote. Arrastado para a cilada por meio de um gesto de afeto, será mostrado aos carrascos por meio de um gesto de amor, e Ele será morto sem preocupações com a justiça. Que acusações serão feitas a Cristo, pois é de Mim que estou falando, para justificarem o direito de matá-lo? E que sorte estará reservada para os que isso fizerem? Uma sorte, na mesma hora e de horrível justiça. Uma sorte não individual, mas coletiva, para os cúmplices do traidor. Uma sorte mais distante, e ainda mais horrível do que a do homem que o remorso levará a coroar o seu espírito de demônio com um último delito contra si mesmo. Porque aquilo em um momento terminará. Mas este último castigo será longo, terrível. Encontrai-o nesta frase: “E, aceso em ira, ordenou que Andrônico fosse despojado de sua púrpura e morto no lugar onde havia cometido a impiedade contra Onias.” Sim. A raça sacerdotal será punida em seus filhos e também nos executores. E o destino da massa de cúmplices, podeis lê-lo nestas[2] palavras. “A voz deste sangue grita a Mim da terra. Agora, pois, tu serás maldito…” E ela será dita por Deus a todo um povo que não terá sabido guardar o dom do Céu. Porque, se é verdade que Eu vim para redimir, ai daqueles que forem assassinos, e não redimidos, no meio deste povo, que recebeu como primeira redenção a minha Palavra.

Já o disse. Lembrai-vos disso. E, quando ouvirdes dizer que Eu sou um malfeitor, dizei: “Não. Ele já o disse. Isto é o que foi marcado e se está cumprindo. Ele é a Vítima morta pelos pecados do mundo…”

213.4

A sinagoga se esvazia, e todos saem falando e gesticulando, e o seu assunto é a profecia e a estima que Jesus tem por Judas. Os habitantes de Keriot estão exaltados pela honra que lhes deu o Messias, ao escolher a terra de um apóstolo, e logo do apóstolo de Keriot, para iniciar lá o ministério apostólico, e começando pelo dom da profecia. Ainda que seja triste, é uma grande honra tê-la ouvido e, ainda mais, com as palavras de amor que a precederam…

Na sinagoga ficam Jesus e os grupo dos apóstolos. E passam para o pequeno jardim, que fica entre a sinagoga e a casa do sinagogo. Judas sentou-se e está chorando.

– Por que estás chorando? Não vejo motivo para isso… –diz o outro Judas.

– Mas vede bem. Quase que eu faria também o que ele está fazendo. Vós ouvistes? Agora é preciso que falemoos nós… –diz Pedro.

– Mas nós já falamos um pouco lá no monte. Sempre o iremos fazendo melhor. Tu e João logo já fostes capazes –diz Tiago de Zebedeu para encorajar.

– O pior é comigo… mas Deus me ajudará. Não é mesmo, Mestre? –pergunta André.

Jesus estava enrolando os rolos, que ia levando consigo, vira-se e diz:

– Que é que estáveis dizendo?

– Que Deus me ajudará, quando eu tiver que falar. Eu procurarei repetir as tuas palavras do melhor modo que eu puder. Mas meu irmão está com medo e Judas está chorando.

– Estás chorando? Por quê? –pergunta Jesus,

– Porque verdadeiramente eu pequei. André e Tomé o podem dizer. Eu falei mal de Ti e Tu me fizestes bem, ao chamar-me de “caríssimo discípulo” e querendo que eu seja mestre aqui… Quanto amor!…

– Não sabias que Eu te amava?

– Sim. Mas… Obrigado, Mestre. Não murmurarei nunca mais, porque realmente eu sou as trevas e Tu és a Luz.

O sinagogo volta, convidando-os a entrar em casa e, enquanto vai, ele diz:

– Estou pensando nas tuas palavras. Se eu compreendi bem, assim como encontraste em Keriot um predileto, nosso Judas de Simão, também profetizas que aqui encontrarás um indigno. Isso me aflige. Mas, menos mal, porque Judas compensará o outro…

– Com todo o meu ser –diz Judas, que já recobrou o domínio de si mesmo.

Jesus nada diz, mas olha para os seus interlocutores, e faz um gesto, abrindo os braços, como para dizer: “Assim é.”

Anotação

O líder lê. E assim passam perante o público as provações de Onias, os erros de Jasão, as traições e os roubos de Menelau. O capítulo está terminado. O leitor olha para Jesus, que estava a ouvir atentamente. Cf. o segundo livro dos Macabeus, 2 M 4.

Quero que se inicie um contacto direto, um contacto contínuo entre os apóstolos e o povo. Isso foi decidido na Alta Galileia e aí se viu a primeira luz. Jesus enviou-os a pregar pela primeira vez em EMV 166,2-3. Fazem o seu primeiro sermão em EMV 166,4-12 (especialmente Simão, o Zelota, e João). Foi perto da casa de Eliseu, na Judeia, que Jesus declarou que já não era suficiente para satisfazer as necessidades das multidões(EMV 209,5).

Quanto ao destino da massa de cúmplices, podemos lê-lo nestas palavras: "A voz deste sangue clama a mim desde a terra. Por isso, sereis amaldiçoados...". E é Deus quem vai pronunciar estas palavras a todo um povo que não protegeu o dom do Céu. Pois se é verdade que vim para redimir, ai daqueles que serão assassinos e não serão redimidos, entre este povo cuja primeira redenção foi a minha Palavra. Cf. Gn 4,10-11 abaixo.

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Segundo Livro dos Macabeus, 4

2 M 4 : Simão, o informador do tesouro e do seu país, falou mal de Onias: foi ele, disse, que tinha incitado Heliodoro e que era o autor de todo o mal. O benfeitor da cidade, o defensor dos seus concidadãos e o fiel observador das leis, atrevia-se a fazer dele um adversário do Estado. Este ódio foi tão longe que um dos apoiantes de Simão cometeu assassínios. Então Onias, considerando o perigo destas divisões e das explosões de Apolónio, o governador militar da Coele-Síria e da Fenícia, que encorajava a maldade de Simão, foi falar com o rei, não para acusar os seus concidadãos, mas tendo em vista os interesses gerais e particulares de todo o seu povo. Pois via que, sem a intervenção do rei, seria impossível pacificar a situação, e que Simão não desistiria das suas aventuras criminosas.

Mas, após a morte de Seleuco, sucedeu-lhe Antíoco, apelidado de Epífanes, e Jasão, irmão de Onias, tentou usurpar o pontificado. Num encontro com o rei, prometeu-lhe trezentos e sessenta talentos de prata e oitenta talentos retirados de outras receitas. Prometeu também comprometer-se por escrito a pagar mais cento e cinquenta talentos, se lhe fosse permitido estabelecer, por sua própria autoridade e de acordo com os seus desejos, um ginásio com um ephebæum e registar os habitantes de Jerusalém como cidadãos de Antioquia. O rei concordou com tudo. Logo que Jasão obteve o poder, começou a introduzir os costumes gregos entre os seus concidadãos. Aboliu os privilégios que os reis, por humanidade, tinham concedido aos judeus graças à iniciativa de João, pai de Eupólemo, que tinha sido enviado numa embaixada para concluir um tratado de aliança e amizade com os romanos, e, destruindo as instituições legítimas, estabeleceu costumes contrários à lei. Tinha prazer em fundar um ginásio no sopé da Acrópole e educava as crianças mais nobres colocando-as debaixo do seu chapéu. O helenismo cresceu então de tal forma e a inclinação para os costumes estrangeiros, em consequência da excessiva perversidade de Jasão, homem ímpio e de modo algum sumo sacerdote, que os sacerdotes já não mostravam qualquer zelo pelo serviço do altar e, desprezando o templo e negligenciando os sacrifícios, apressavam-se a participar, na palaestra, nos exercícios proscritos pela lei, logo que se ouvia o apelo para lançar o disco. Não prestando atenção às honras do seu país, tinham em grande estima as distinções dos gregos. Em conseqüência, sobrevieram-lhes graves calamidades, e no próprio povo cujo modo de vida imitavam e ao qual desejavam assemelhar-se em tudo, encontraram inimigos e opressores. Pois não se viola impunemente as leis divinas; mas isso é o que os acontecimentos posteriores demonstrarão.

Enquanto se celebravam em Tiro os jogos quinquenais, aos quais o rei assistia, o criminoso Jasão enviou espectadores de Jerusalém, que eram cidadãos de Antioquia, trazendo trezentas dracmas de prata para o sacrifício de Hércules; mas os que as traziam pediram que o dinheiro fosse usado, não para os sacrifícios, o que não era apropriado, mas para cobrir outras despesas. Assim, as trezentas dracmas foram de facto destinadas por quem as enviou para o sacrifício em honra de Hércules; mas foram usadas, de acordo com o desejo de quem as trazia, para a construção de trirremes.

Apolónio, filho de Menesteu, tendo sido enviado para o Egito por ocasião da entronização do rei Ptolomeu Filometor, Antíoco soube que o rei lhe era desfavorável e, desejando ficar a salvo dele, foi para Jope e depois para Jerusalém. Recebido magnificamente por Jasão e por toda a cidade, fez a sua entrada à luz de tochas e entre aclamações; depois conduziu o seu exército para a Fenícia da mesma forma.

Passados três anos, Jasão enviou Menelau, o irmão de Simão acima mencionado, para levar o dinheiro ao rei e pagar as taxas de registo para assuntos importantes. No entanto, Menelau recomendou-se ao rei, honrou-o como um homem de alta posição e fez com que lhe fosse atribuído o pontificado soberano, oferecendo trezentos talentos de prata a mais do que Jasão. Depois de ter recebido do rei as cartas de investidura, regressou a Jerusalém sem nada digno do sacerdócio, mas com os instintos de um tirano cruel e a fúria de uma fera selvagem. Assim, Jasão, que tinha enganado o seu próprio irmão, enganado por sua vez por outro, teve de fugir para a terra dos amonitas. Quanto a Menelau, obteve o poder; mas, como não cumpriu a soma prometida ao rei, apesar das queixas de Sostrato, comandante da Acrópole, responsável pela cobrança dos impostos, ambos foram convocados ao rei.

Menelau deixou o seu irmão Lisímaco no seu lugar como sumo sacerdote, e Sostrato deixou Crates, governador de Chipre, como seu substituto. Entretanto, os habitantes de Tarso e de Mallas revoltaram-se, porque estas duas cidades tinham sido oferecidas como presentes a Antíoco, a concubina do rei. Por isso, o rei partiu apressadamente para reprimir a sedição, tendo deixado Andrónico, um dos grandes dignitários, como seu lugar-tenente. Menelau, julgando que as circunstâncias eram favoráveis, retirou do templo alguns vasos de ouro e entregou-os a Andrónico, conseguindo vender outros a Tiro e às cidades vizinhas.

Quando Onias teve a certeza de que Menelau tinha cometido este novo crime, censurou-o por isso, depois de se ter retirado para um lugar de refúgio em Dafne, perto de Antioquia. Menelau, então, chamou Andrónico à parte e instou-o a matar Onias. Andrónico foi então ter com Onias e, usando de artifícios, jurou sobre a sua mão direita; depois, embora desconfiado, convenceu-o a sair do seu refúgio e matou-o imediatamente, sem qualquer respeito pela justiça. Assim, não só os judeus, mas também muitas outras nações ficaram indignadas e tristes com o assassinato injusto desse homem.

Quando o rei regressou da Cilícia, os judeus de Antioquia, juntamente com os gregos que também eram inimigos da violência, foram ter com ele por causa do assassínio injusto de Onias. Antíoco ficou profundamente triste e, movido pela compaixão por Onias, derramou lágrimas ao lembrar-se da moderação e da conduta sábia do falecido. Vermelho de cólera, mandou imediatamente despojar Andrónico da sua púrpura, rasgou-lhe as vestes e, depois de o ter feito percorrer toda a cidade, degradou o patife no próprio lugar onde ele tinha perpetrado o seu ímpio atentado contra Onias, tendo o Senhor, assim, infligido-lhe um justo castigo.

Ora, quando Lisímaco, de acordo com Menelau, cometeu um grande número de roubos sacrílegos na cidade, e a notícia se espalhou, o povo levantou-se contra Lisímaco, embora muitos vasos de ouro já tivessem sido espalhados. Quando Lisímaco viu que a multidão se tinha agitado e que os seus ânimos estavam inflamados, armou cerca de três mil homens e começou a cometer actos de violência sob o comando de um certo Tirano, um homem de idade avançada e não menos perverso. Mas quando ouviram falar do ataque de Lisímaco, uns agarraram em pedras, outros em grandes paus, e outros ainda apanharam cinzas que estavam por perto e atiraram-nas tumultuosamente contra os apoiantes de Lisímaco. Assim, feriram muitos dos seus homens, mataram vários deles, puseram todos os outros em fuga e massacraram o próprio sacrílego junto ao tesouro do templo.

Com base nestes factos, iniciou-se então uma investigação contra Menelau. Quando o rei chegou a Tiro, os três homens enviados pelos anciãos explicaram-lhe a justiça do seu caso. Vendo-se convencido, Menelau prometeu a Ptolomeu, filho de Dorymene, uma grande soma de dinheiro para que o rei o favorecesse. Ptolomeu levou então o rei para debaixo do peristilo, como que para se refrescar, e fê-lo mudar de ideias. O rei declarou Menelau inocente das acusações que lhe eram feitas, apesar de ser culpado de todos os crimes, e condenou à morte homens infelizes que, se tivessem defendido a sua causa mesmo perante os citas, teriam sido considerados inocentes; e homens que tinham defendido a cidade, o povo e os objectos sagrados, sofreram sem demora este castigo injusto. Os próprios tírios ficaram indignados e deram às vítimas um magnífico funeral. Quanto a Menelau, graças à cobiça dos poderosos, manteve a sua dignidade, crescendo na malícia e no flagelo cruel dos seus concidadãos.

Livro do Génesis 4, 10-11

Gn 4, 10-11 : O Senhor disse: "Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama desde a terra até mim. Agora és amaldiçoado pela terra, que abriu a boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão".