Ir para o conteúdo

Notas do tema

Personagens do Antigo Testamento

Página 10 de 13

Conforto de leitura

Aa

EMF 192.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Senhor, aquele cimo é o Carmelo? –pergunta-lhe o primo Tiago.

– Sim, irmão. Aquela é a cadeia do Carmelo, e o cume mais alto é o que dá nome à cadeia.

– De lá de cima também deve ser bonito ver o mundo. Já estiveste lá?

– Já estive uma vez sozinho, no começo da minha pregação. Foi aos pés do Carmelo que Eu curei meu primeiro leproso. Mas iremos até lá juntos, para nos lembrarmos de Elias…

– Obrigado, Jesus. Tu me compreendeste, como sempre.

– E, como sempre, Eu te aperfeiçoo, Tiago.

– Por quê?

– O porquê está escrito no Céu.

– Não me dirias, meu irmão, Tu que lês o que está escrito no Céu?

Jesus e Tiago vão andando um ao lado do outro, e só o pequeno Jabé, sempre levado pela mão de Jesus, pode ouvir a conversação confidencial dos primos, que sorriem um para o outro, olhando-se nos olhos.

Jesus, passando um braço por sobre as costas de Tiago, para puxá-lo mais para perto, pergunta-lhe:

– Queres tu saber mesmo? Está bem, Eu irei te dizer, por meio de uma adivinhação e, quando achares a chave dela, ficarás sabendo. Escuta: “Tendo-se reunido os falsos profetas no Monte Carmelo, Elias aproximou-se do povo, e disse: ‘Até quando ficareis mancando dos dois lados? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o’. O povo nada respondeu. Elias, então, continuou a dizer ao povo: ‘Dos profetas do Senhor só fiquei eu’.” E a única força deste solitário era para gritar: “‘Ouve-me, ó Senhor Deus, ouve-me, a fim de que este povo reconheça que Tu és o Senhor Deus, e que tornaste a converter os seus corações’. Aí o fogo do Senhor caiu, e devorou o holocausto.” Meu irmão, agora adivinha!

Tiago fica pensando, de cabeça inclinada, e Jesus o olha sorrindo. Fazem alguns metros assim, depois Tiago pergunta:

– Tem alguma coisa que ver com Elias, ou com o meu futuro?

– Com o teu futuro, naturalmente…

Tiago continua a pensar, depois murmura:

– Estaria eu destinado a convidar Israel para seguir de verdade por um caminho? Estaria eu chamado para ser o único sobreviventes em Israel? Se for assim, queres dizer que os outros serão perseguidos e dispersos e que… e que… eu rezarei a Ti pela conversão deste povo… como se fosse um sacerdote… como se eu fosse uma vítima… Mas, se for assim, queima-me desde já, Jesus…

– Já o estás sendo. Mas serás arrebatado pelo Fogo, como Elias. Sobre isso é que iremos, Eu e tu sozinhos, conversar lá no Carmelo.

– Quando? Depois da Páscoa?

– Depois de uma Páscoa, sim. E nessa ocasião, te direi muitas coisas…

Anotação

Primeiro Livro dos Reis, 18, 20-22.37-38

1 Reis 18, 20-22.37-38: Acab enviou mensageiros a todos os filhos de Israel e reuniu os profetas no monte Carmelo. Elias dirigiu-se a todo o povo e disse-lhe: "Até quando sereis sinos de ambos os lados? Se Javé é Deus, ide atrás dele; se é Baal, ide atrás dele!" O povo não lhe respondeu nada. Então Elias disse ao povo: "Eu sou o único dos profetas de Javé, e há quatrocentos e cinquenta profetas de Baal (...) Ouve-me, Javé, ouve-me! Para que este povo saiba que tu, Javé, és Deus, e que és tu que fazes voltar os seus corações". Então caiu o fogo do Senhor, que consumiu o holocausto, a lenha, as pedras e a terra, e absorveu a água que estava no fosso.

EMF 194.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eis uma nova subida muito íngreme, porque a comitiva, deixando a estrada mestra, poeirenta e cheia de gente, preferiu entrar por um atalho, que vai pelo meio do mato. E, tendo chegado ao alto, vêem brilhar, lá ao longe, mas bem visível, um mar que resplende, suspenso sobre um aglomerado branco, que talvez sejam casas alvejadas pela cal.

– Jabé –chama-o Jesus–, vem cá. Estás vendo aquele ponto de ouro? É a Casa do Senhor. Lá tu vais jurar obediência à Lei. Tu a conheces bem?

– Mamãe me falou dela e meu pai me ensinou os preceitos. Eu sei ler… e acho que sei o que “eles” me ensinaram antes de morrer.

O menino, que correra sorrindo para atender ao chamado de Jesus, agora está chorando, com a cabeça baixa e a mão tremendo na mão de Jesus.

– Não chores. Escuta. Sabes onde estamos? Aqui é Betel. Foi aqui que o santo Jacó teve o seu sonho angélico. Tu o conheces? Lembras-te dele?

– Sim, Senhor. Ele viu uma escada que ia da terra ao Céu e por ela, para baixo e para cima, iam e vinham os anjos. E a mamãe me dizia que, na hora da morte, se tivermos sido sempre bons, veremos a mesma coisa e se poderia ir, por aquele escada, até a Casa de Deus. Muitas coisas dizia-me minha mãe… Mas agora não me dirá mais nada… eu as tenho todas aqui e é tudo o que tenho dela…

As lágrimas descem daquele rostinho triste.

– Não chores assim! Escuta, Jabé. Eu também tenho uma mãe, que se chama Maria, e que é santa e boa e sabe dizer muitas coisas. É mais sábia do que um mestre, melhor e mais bela do que um anjo. Agora nós estamos indo à casa dela. Ela vai gostar muito de ti. Vai dizer-te muitas coisas. E, depois, com ela está a mãe de João, que também é boa e também se chama Maria. E a mãe do meu irmão Judas, também ela doce como um pão de mel e também chamada Maria. Elas gostarão muito de ti. Muito mesmo. Porque tu és um bom menino e por amor de Mim, porque te amo tanto. Depois, tu crescerás com elas e, quando cresceres, serás um santo de Deus, pregarás como um doutor sobre Jesus, que te deu de novo uma mãe aqui e que abrirá as portas do Céu para tua falecida mãe, para o teu pai, e que as abrirá também para ti, quando chegar a tua hora. Tu nem terás necessidade de subir pela comprida escada dos Céus, na hora da tua morte. Já terás subido por ela, durante a tua vida, procurando ser um bom discípulo, e te encontrarás lá, à porta aberta do Paraíso, e Eu também lá estarei, e te direi: “Vem, meu amigo e filho de Maria”, e estaremos juntos.

O sorriso luminoso de Jesus, que vai caminhando um pouco inclinado, para ficar mais perto do rostinho levantado do menino, que caminha ao lado com sua mãozinha na dele, e aquela história maravilhosa enxugam as lágrimas do menino, e fazem despontar um sorriso.

Anotação

Livro do Génesis 28, 10-19

Gn28, 10-19 : Jacob deixou Bersabé e foi para Harã. Chegou a um lugar e passou ali a noite, porque o sol já se tinha posto. Tomou uma das pedras que ali havia e fez dela a sua cama, e deitou-se nesse lugar. E teve um sonho: uma escada estava colocada sobre a terra e o seu topo chegava ao céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela, e Javé estava no topo. Ele disse: "Eu sou Javé, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac. Vou dar esta terra em que te deitas a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; espalhar-te-ás para o ocidente e para o oriente, para o norte e para o sul, e todas as famílias da terra serão abençoadas em ti e na tua descendência. Eis que estou convosco, e vos guardarei por onde quer que andardes, e vos farei voltar a esta terra. Pois não te deixarei até que tenha cumprido o que te disse. "

Jacob acordou do seu sono e disse: "Certamente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia! "Com medo, acrescentou: "Como é terrível este sítio! Esta é a casa de Deus, esta é a porta do céu. "Jacob levantou-se de manhã cedo, pegou na pedra que tinha feito para a sua cabeceira, ergueu-a como um monumento e deitou-lhe azeite em cima. Chamou a este lugar Betel, mas o nome original da cidade era Luz.

EMF 194.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Oh! Está bem. Agora, vamos para a frente. Para a Cidade Santa. Devemos chegar amanhã pela tarde. Por que tanta pressa? Sabes me dizer? Por que não depois de amanhã?

– Não. Não seria a mesma coisa. Porque amanhã é Parasceve e, depois do pôr do sol, não se pode andar mais do que seis estádios. Além disso não se pode, porque já começou o sábado e seu repouso.

– Portanto, no sábado se fica à toa.

– Não. Faz-se a oração ao Senhor Altíssimo.

– Como ele se chama?

– Adonai. Mas os santos podem dizer o seu nome.

– Também os meninos bons. Dize-o, se o sabes.

– Jaave –(O pequeno o pronuncia com um J suave e um A muito longo).

– E por que se faz a oração do Senhor Altíssimo no sábado?

– Porque Ele assim ordenou a Moisés, quando lhe deu as tábuas da Lei.

– Ah! Sim? E que foi que Ele disse?

– Ele ordenou que se santificasse o sábado: “Trabalharás durante seis dias, mas no sétimo dia repousarás, e farás repousar, porque assim fiz Eu também depois da criação.”

– Como? O Senhor descansou? Ter-se-á cansado ao criar? E Ele criou mesmo? Como o sabes? Eu sei que Deus não se cansa nunca.

– Ele não se cansa , porque Deus não caminha, nem move os braços. Mas assim fez para ensinar a Adão, e a nós, e para ter um dia em que pensemos nele. E Ele criou tudo, com toda a certeza, Assim o diz o Livro do Senhor.

– Mas, o Livro foi escrito por Ele?

– Não. Mas é a verdade. É preciso crer nele, para não ir para a companhia de Lúcifer.

– Disseste-me que Deus não caminha, nem move os braços. Como foi, então, que Ele criou? Como é Ele? É uma estátua?

– Não é um ídolo. É Deus. E Deus é… deixa-me pensar e recordar como dizia minha mamãe, e, melhor ainda do que ela, aquele homem que vai em teu nome ao encontro dos pobres em Esdrelon… A mamãe me dizia, para fazer-me compreender a Deus: “Deus é como o meu amor por ti. Não tem corpo, mas existe.” E aquele homenzinho, com um sorriso muito doce, dizia: “Deus é um espírito Eterno, Uno e Trino e a Segunda Pessoa se fez carne por amor de nós pobres e tem o nome de…” Oh! Meu Senhor! Agora é que eu penso nisso… és Tu!

E o menino, assombrado, prostra-se por terra, adorando.

Correm todos para perto dele, pensando que ele tivesse caído, mas Jesus faz um sinal de silêncio, pondo o dedo sobre os lábios, depois diz:

– Levanta-te, Jabé. Os meninos não devem ter medo de Mim!

O menino levanta a cabeça, e fica olhando para Jesus com uma expressão diferente, como de medo Mas Jesus sorri, e lhe estende a mão, dizendo:

– Tu és um sábio, ó pequeno israelita.

Anotação

Depois do pôr do sol, só se pode percorrer seis estádios. 6 x 185 m = 1.110 km.

A criança pronuncia-o assim: um J muito suave que quase se transforma em Y, e um a muito longo. Enquanto o é é duro, cortado - acrescenta MV numa cópia dactilografada - ao contrário dos galileus que dizem a primeira consoante como um sgi [esta é, ao que parece, a forma toscana correspondente à fonética (ʃ) = ch] muito arrastado e a última vogal muito aberta, como se fossem dois 'e's com acento grave, como em 'père' em francês. Veja a pronúncia do Nome Divino.

E Deus é... Deus é... deixem-me pensar e recordar o que disse a mamã e, ainda melhor do que ela, este homem que vai em teu nome procurar os pobres de Esdrelon ... Jonas.

EMF 194.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Não me disseste quem fala de Mim no Livro.

– Os Profetas, Senhor. E, antes ainda, fala disso o Livro, desde quando Adão foi expulso do Paraíso, e depois a Jacó, e a Abraão e a Moisés… Oh! Meu pai me dizia que tinha ido a João — não a este, mas ao outro João, o do Jordão — e que ele, o grande profeta, te chamava de cordeiro… agora, sim, eu compreendo que o cordeiro de Moisés… que a Páscoa és Tu!

EMF 196.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O amor do homem, e especialmente o da mulher, aos filhos, é indicado como uma ordem nas palavras de Deus a Adão e Eva, depois de tê-los abençoado, vendo que havia feito “coisa boa”, naquele longínquo sexto dia, o primeiro sexto dia da criação. E Ele lhes disse: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra…”

Vejo a tua não formulada objeção e respondo assim dado que na criação, antes da culpa, tudo era regulado e baseado no amor, essa multiplicação dos filhos teria sido amor, um amor santo, puro, poderoso e perfeito. E Deus o deu como primeira ordem, ao homem: “Crescei e multiplicai-vos.” Amai, pois, depois de Mim, aos vossos filhos. O amor, como agora existe, esse amor atual gerador de filhos, antes não existia. A malícia não existia e não existia a execrável fome da sensualidade. O homem amava a mulher, e a mulher ao homem, de um modo natural, não natural segundo a natureza como nós a entendemos, ou melhor, como vós homens a entendeis, mas segundo a natureza de filhos de Deus: sobrenaturalmente[3].

Que doces os primeiros dias de amor entre os dois, que eram irmãos, porque nascidos do mesmo Pai, e que, no entanto, eram esposos, e que, ao se amarem, olhavam um para o outro com os olhos inocentes de dois gêmeos no berço; e o homem sentia um amor de pai para com sua companheira “osso de seus ossos e carne de sua carne”, assim como é o filho em relação a seu pai. E a mulher conhecia a alegria de ser filha, isto é, protegida por um amor bem alto, porque sentia ter em si alguma coisa daquele maravilhoso homem que a amava, com inocência e angélico ardor, nos belos prados do Éden!

Depois, na ordem dos mandamentos dados por Deus, com um sorriso para os seus queridos pequeninos, vem aquilo que o próprio Adão, dotado pela Graça de uma inteligência, que só era menor que a de Deus, decreta, falando da companheira do homem, e nela, de todas as mulheres, o decreto do pensamento de Deus, que se refletia nítido no tenro espelho do espírito de Adão, e florescia no pensamento e na palavra: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.”

Se não houvesse os três pilares dos três amores acima referidos, teríamos podido ter o amor ao próximo? Não. Não o teríamos podido. O amor a Deus torna Deus amigo, e ensina o amor. Quem não ama a Deus, que é bom, com toda a certeza não pode amar ao próximo que, em sua maior parte, é defeituoso. Se não houvesse amor conjugal e paternidade no mundo, não teríamos o próximo, porque os próximos são os filhos nascidos dos homens.

Detalhe

Jesus acaba de falar do amor de Deus, do amor conjugal, do amor paterno e materno. Ele insiste particularmente no amor que temos pelos nossos filhos e continua a falar de Adão e Eva.

Anotação

"Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra... "Segundo Génesis 1:28.

O homem amou a mulher e a mulher amou o homem, naturalmente, não naturalmente segundo a natureza como nós a entendemos, ou melhor, como vós homens a entendeis, mas segundo a natureza dos filhos de Deus: sobrenaturalmente. "Sobrenaturalmente": Maria Valtorta anota numa cópia dactilografada: sem que a desordem da malícia se una ou mesmo "se substitua" às leis ordenadas de Deus, inerentes à multiplicação e ao povoamento da terra. Acrescenta à margem: Enquanto o homem permaneceu nesta ordem, não nasceu nele o veneno da tríplice concupiscência que o tornou delirante, depois rebelde, finalmente caído.

O homem sentia o amor de um pai pela sua companheira "osso dos seus ossos e carne da sua carne", como uma criança sente pelo seu pai. Segundo o Génesis 2, 23.

"O homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois serão uma só carne. "Segundo Génesis 2, 24.

Livro do Génesis 1, 28

Gn 1, 28: Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a, dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os seres vivos que se movem sobre a terra".

Livro do Génesis 2, 23-24

Gn 2, 23-24 : E o homem disse: "Esta é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Esta chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem. Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e eles serão uma só carne.

EMF 202.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estamos na vigília da Páscoa. Sozinho com os seus apóstolos, porque as mulheres não se uniram ao grupo, Jesus está esperando a volta de Pedro, que foi levar o cordeiro pascal para ser sacrificado. Enquanto estão esperando e Jesus está falando ao menino sobre Salomão, eis que Judas vem atravessando o grande pátio. Ele está com um grupo de jovens, falando com grandes e espalhafatosos gestos e com poses estudadas. Seu manto se agita continuamente e ele o move com a gravidade própria de um sábio… Creio que Cícero não devia ter sido mais pomposo, quando pronunciava os seus discursos…

EMF 206.2-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O Reino dos Céus é a casa do esposalício feito entre Deus e as almas. O Momento da entrada nele é o dia das bodas.

Agora, escutai, então. Entre nós há o costume de que as virgens acompanhem o esposo, quando ele chega, para levá-lo, entre luzes e cânticos, até à casa nupcial, junto com a sua amada esposa. Quando o cortejo deixa a casa da esposa, que vai coberta com um véu e que, comovida, sai, dirigindo-se para o seu lugar de rainha, em uma casa que não é a dela, mas que vai tornar-se dela, desde o momento em que ela se torna uma só carne com o seu esposo, o cortejo das virgens, que em sua maior parte são amigas da esposa, corre ao encontro dos dois felizes esposos, para rodeá-los com um halo de luzes.

Aconteceu, pois, que em um lugar celebraram-se esponsais. Enquanto os esposos, com os parentes e amigos, estavam sapateando na casa da esposa, dez virgens foram para o seu lugar, no vestíbulo da casa do esposo, prontas para saírem ao encontro dele, quando um longínquo som de címbalos e de cânticos estivesse avisando que os esposos já tinham saído da casa da esposa para irem para a casa do esposo. Mas o banquete na casa dos esponsais se prolongou muito, e assim chegou a noite. As virgens, como sabeis, seguram sempre as lâmpadas acesas, para não ficarem perdendo tempo no momento principal. Pois bem. Entre estas dez virgens, que deviam segurar as lâmpadas acesas e bem luzentes, havia cinco sábias e cinco estultas. As sábias, cheias de prudência, tinham-se munido de pequenos vasos cheios de azeite, para poderem alimentar suas lâmpadas, se a duração da espera fosse mais longa do que era previsível. Enquanto que as estultas se limitaram só a encher, quando muito, suas pequenas lâmpadas.

Uma hora passou, e mais outra hora. Alguns discursos, histórias e palavras jocosas foram alegrando o tempo de espera. Mas depois, não sabiam mais o que dizer, nem o que fazer. E, aborrecidas, ou também simplesmente cansadas, as dez moças resolveram sentar-se mais comodamente, com as lâmpadas acesas e bem próximas e, pouco a pouco, pegaram no sono.

206.3

Quando chegou a meia noite, ouviu-se um grito: “Eis o esposo chegando, ide-lhe ao encontro!” Àquela ordem, as dez moças se levantaram, puseram os véus e as grinaldas e correram depois para a pequena mesa, onde estavam as lâmpadas. Cinco destas já se estavam apagando. O pavio, não encontrando mais azeite, pois este se havia acabado, estava já soltando fumaça, com uns lampejos cada vez mais fracos e pronto para apagar-se, ao menor sopro de vento. Mas as outras cinco lâmpadas, alimentadas antes do sono pelas virgens prudentes, estavam com suas chamas ainda bem vivas e mais vivas ainda ficaram pela nova quantidade de azeite que colocaram sobre o pavio.

“Oh!”, imploravam as estultas, “dai-nos um pouco do vosso azeite, porque senão as nossas lâmpadas se apagam, só ao movê-las daqui. As vossas já estão bonitas…” Mas as prudentes responderam: “Fora há o vento da noite e o orvalho está caindo em grossas gotas. O azeite nunca é bastante para formar uma chama forte, capaz de resistir aos ventos e à umidade. E, se nós vos dermos do nosso, vai acontecer que nossas luzes também possam começar a vacilar. E bem triste ficaria o cortejo das virgens, sem o palpitar daquelas chamazinhas! Ide, pois, ide correndo ao vendedor mais perto, pedi, batei à porta, fazei que ele se levante para vos vender.”

E elas, apressadas, amarrotando os véus, sujando as vestes, perdendo as grinaldas, por terem que esbarrar uma na outra, correndo, procuravam seguir o conselho das companheiras.

Mas, enquanto iam indo comprar o azeite, eis que já aparecem, lá no começo da rua, o esposo e a esposa. As cinco virgens, tendo nas mãos suas lâmpadas acesas, correram ao encontro deles e, no meio delas, os esposos entraram na casa, para o fim da cerimônia, momento este em que as virgens deveriam acompanhar a esposa até a câmara nupcial. A porta, então, foi fechada, depois da entrada dos esposos, e quem fora estava, fora permaneceu. E assim para as cinco estultas que, chegadas enfim com o azeite, encontraram a porta fechada. Inutilmente bateram nela, machucando as mãos e gemendo: “Senhor, senhor abre-nos. Nós somos do cortejo das núpcias. Somos as virgens propiciatórias, escolhidas para trazer honra e fortuna ao teu tálamo.” Mas o esposo, lá do alto da casa, deixando por um momento os convidados mais íntimos, dos quais ele se despedia, enquanto a esposa entrava na câmara nupcial, disse: “Em verdade, eu vos digo que não vos conheço. Não sei quem sois. Os vossos rostos não estavam presentes ao redor da minha amada, festejando-a. Vós sois umas usurpadoras. Que sejais, pois, deixadas fora da casa das núpcias.” E as cinco estultas, chorando, foram-se embora, pelas estradas escuras, com suas lâmpadas já inúteis, com suas vestes amarrotadas, os véus rasgados, as grinaldas desmanchadas ou perdidas…

206.4

E agora, ouvi a admoestação encerrada na parábola.

Eu vos disse, no princípio, que o Reino dos Céus é casa dos esponsais feitos entre Deus e as almas. Para as núpcias celestes, são chamados todos os fiéis, porque Deus ama todos os seus filhos. Uns antes, outros depois, chegam ao momento dos esponsais, e chegar a esse momento é uma grande sorte.

Mas agora escutai ainda. Vós sabeis como as moças consideram uma honra e uma sorte serem chamadas para ficarem como servas, ao redor da esposa. Apliquemos ao nosso caso o papel dos personagens e compreendereis melhor. O esposo é Deus. A esposa é a alma de um justo que, tendo passado o período do noivado na casa do Pai, isto é, na dependência e obediência da e à doutrina de Deus vivendo segundo a justiça, é levada à casa do Esposo para as núpcias. As servas virgens são as almas dos fiéis que, segundo o exemplo deixado pela esposa, — ter sido escolhida pelo esposo por suas virtudes é sinal de que ela era um exemplo vivo de santidade — procuram chegar àquela mesma honra, santificando-se.

206.5

Elas estão com veste branca, limpa e nova, em brancos véus, coroadas de flores. Elas têm lâmpadas acesas nas mãos. As lâmpadas estão bem limpas, tendo um pavio alimentado com azeite do mais puro, para que não seja mal-cheiroso.

Com veste branca. A justiça firmemente praticada, produz uma veste cândida e bem depressa chegará o dia em quê será candidíssima, sem nenhuma lembrança, nem de longe, de mancha, com um candor sobrenatural, um candor angélico.

Em veste limpa. É preciso, junto com a humildade, ter sempre limpa a veste. É muito fácil embaçar a pureza do coração. E quem não é puro de coração não pode ver a Deus. A humildade é como uma água que lava. O humilde se dá conta logo, porque tem olhos não embaçados pelas fumaças do orgulho, de estar com suas vestes enodoadas, e corre para o Senhor, e diz: “u tirei a limpeza deste meu coração. Eu choro para limpar-me. A teus pés venho chorar. E tu, ó meu Sol, alveja com os teus benignos perdões, com os teus paternos amores, esta minha veste!”

Em veste nova. Oh! O frescor do coração! As crianças o possuem por um dom de Deus. Os justos o têm por dom de Deus e por sua própria vontade. E os santos o têm por dom de Deus e por sua vontade elevada até o grau de heroísmo. Mas os pecadores, com uma alma dilacerada, queimada, envenenada, emporcalhada, será que não poderão nunca mais ter uma veste nova? Oh! Sim, que podem ter. Começam a tê-la desde o momento em que olham para si mesmos com aversão, depois a aumentam, quando se decidem a mudar de vida e a aperfeiçoam quando se lavam com a penitencia, e se desintoxicam, e se medicam, e recompõem a sua pobre alma e, com a ajuda de Deus, que não nega socorro a quem lhe pede uma santa ajuda, e com a própria vontade, elevada ao super-heroismo, — porque neles o necessário não é ficar tomando conta do que eles têm, mas de reconstruir o que eles demoliram e para isso há uma dupla, tripla e sétupla fadiga — e, finalmente, com uma penitência incansável e implacável para com o eu que foi pecador, fazem voltar sua alma a um novo frescor como na infância, frescor precioso pela experiência que os faz mestres de outros, que são[1] agora como eram eles há tempo, ou seja, pecadores.

Em brancos véus. A humildade! Eu disse[2]: “Quando rezais ou fazeis penitência, procurai que o mundo não o perceba.” Nos livros sapiênciais está escrito: “Não é bom revelar o segredo do Rei.” A humildade é o véu cândido posto como defesa do bem que se faz e do bem que Deus nos concede. Não é a glória pelo amor ao privilégio que Deus concede, nem é a estulta glória humana. O dom seria imediatamente retomado. Mas é um canto interior do coração ao seu Deus: “Minha alma canta a tua grandeza, ó Senhor… porque Tu voltaste o teu olhar para a baixeza da Tua serva.”

Jesus faz uma breve pausa, e lança um olhar para sua mãe que, por debaixo do seu véu, se ruboriza e se inclina profundamente, como para compor os cabelos do menino que está sentado aos seus pés, mas, na verdade, o faz para ocultar uma sua comovida lembrança…

– Coroada de flores. A alma deve entretecer para si sua grinalda diária de atos virtuosos porque, ao conspecto do Altíssimo, não se devem apresentar coisas murchas, nem se deve estar com aspecto desmazelado. Diária, Eu disse. Porque a alma não sabe quando Deus-Esposo pode aparecer para dizer-lhe: “Vem.” Por isso não nos cansemos nunca de renovar a coroa. Não tenhais medo As flores ficam murchas. Mas as flores das coroas virtuosas não murcham. O Anjo de Deus, que cada homem tem ao seu lado, recolhe estas grinaldas de cada dia e as leva para o Céu. E lá elas servem como um trono ao novel bem-aventurado, quando ele entrar, como esposa, na casa nupcial.

206.6

Tem as lâmpadas acesas. E é para honrar o esposo, e para se guiarem no caminho. Como é fulgente a fé, e que doce amiga ela é! Produz uma chama brilhante, como uma estrela, uma chama que ri, porque tem segurança em sua certeza, uma chama que torna luminoso até o instrumento que a rege. Até a carne do homem, nutrido pela fé, parece, desde esta terra, tornar-se mais luminosa e espiritual e imune de uma murchidão precoce. Porque quem crê, se rege pelas palavras e pelas ordens de Deus, para chegar a possuir a Deus, que é o seu fim e, por isso, foge de toda corrupção, não sofre perturbações, nem temores, nem remorsos, e não é obrigado a nenhum esforço, para recordar-se de suas mentiras, ou para esconder suas más ações, e se conserva belo e jovem pela bela incorrupção de santo. Uma carne e um sangue, uma mente e um coração limpos de toda luxúria, para conterem o azeite da fé e para produzirem uma luz sem fumaça. Uma constante vontade para alimentar sempre esta luz. A vida de cada dia, com as suas desilusões, verificações, contatos, tentações, atritos, tende a diminuir a fé. Não. Não deve acontecer. Ide cada dia às fontes do azeite suave, do azeite espiritual, do azeite de Deus.

Lâmpada pouco alimentada pode ser apagada pelo menor vento, pode ser apagada pelo pesado orvalho da noite. A noite… A hora das trevas, do pecado e da tentação, chega para todos. É a noite para a alma. Mas, se esta se conserva a si mesma cheia de fé, não pode a chama ser apagada pelo vento do mundo, pela caligem da sensualidade.

Enfim, vigilância, vigilância, vigilância. Quem for imprudente, e fiar-se em si mesmo, dizendo: “Oh! Deus virá em tempo, enquanto eu estiver lúcido”, quem se põe a dormir, em vez de vigiar e for dormir, desprovido de tudo o que é necessário para poder levantar-se prontamente, ao primeiro chamado, quem deixa para o último momento o trabalho de ir prover-se do azeite da fé, ou do pavio forte da boa vontade, incorre no perigo de ter que ficar fora, quando o Esposo chegar. Vigiai, pois, com prudência, com constância, com pureza, com confiança, para estardes sempre prontos para o chamado de Deus, porque, na realidade, não sabeis quando Ele virá.

206.7

Meus caros discípulos, Eu não quero induzir-vos a tremer por causa de Deus, mas, antes, a terdes fé em sua bondade. Tanto vós que ficais, como vós que ides, pensai que, se fizerdes o que fizeram as virgens sábias, sereis chamados, não somente para fazer o cortejo ao Esposo, mas, como a jovem Ester, que foi feita rainha[3] no lugar de Vasti, sereis escolhidos e eleitos como esposas, tendo o Esposo “encontrado em vós toda graça e favor, mais do que em todos os outros.” Eu vos abençôo, a vós que ides. Levai em vós e para vossos companheiros esta minha palavra. A paz do Senhor esteja sempre convosco.

Anotação

Se vos comportardes como virgens prudentes, não só sereis chamadas a acompanhar o Esposo, mas, tal como a jovem Ester, que se tornou rainha em vez de Vasti, sereis escolhidas e eleitas como noivas. Vasti - Vasti significa "amada" em persa. Primeira esposa de Assuero (= Xerxes, 486-465), rei da Pérsia, que a repudiou por se ter recusado a assistir a um banquete (Ester 2, 1-18). Ester é também mencionada em EMV 136.2 e EMV 414.1.

Evangelho de Mateus 25, 1-13

Mt 25,1-13: "Então o Reino dos Céus será semelhante a dez jovens convidadas para um casamento, que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram descuidadas e cinco eram previdentes: as descuidadas levaram as suas lâmpadas sem azeite, mas as previdentes levaram frascos de azeite com as suas lâmpadas. Como o noivo se atrasou, todas adormeceram e adormeceram. A meio da noite, ouviu-se um grito: "Eis o noivo! Saiam ao seu encontro". Então, todas as donzelas acordaram e começaram a preparar as suas lâmpadas. As mais despreocupadas pediram às mais previdentes: "Dêem-nos um pouco do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão a apagar-se". As previdentes responderam: "Isso nunca será suficiente para nós e para vós; ide antes aos mercadores e comprai algum para vós". Enquanto elas iam comprar, chegou o noivo. As que estavam prontas entraram com ele na sala do casamento, e a porta fechou-se. Mais tarde, as outras raparigas entraram e disseram: "Senhor, Senhor, abre-nos a porta!" Ele respondeu-lhes: "Em verdade vos digo que não vos conheço".

Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

Livro de Ester 2, 1-18

Ester 2, 1-18: Depois disto, quando a cólera do rei Assuero se acalmou, lembrou-se de Vasti, do que ela tinha feito e da decisão que tinha sido tomada a seu respeito. Então os servos do rei, que estavam de serviço com ele, disseram: "Que o rei nomeie oficiais em todas as províncias do seu reino para reunirem todas as donzelas, virgens e de boa aparência, em Susã, a capital, na casa das mulheres, sob a supervisão de Egeu, o eunuco do rei e guardião das mulheres, que providenciará a sua preparação; e que a donzela que agradar ao rei se torne rainha no lugar de Vasti. " O rei concordou e assim o fez.

Em Susã, a capital, havia um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, da raça de Benjamim, que tinha sido levado de Jerusalém entre os cativos deportados com Jeconias, rei de Judá, por Nabucodonosor, rei da Babilónia. Ele criou Edissa, que é Ester, filha de seu tio, pois ela não tinha pai nem mãe. Era uma rapariga bonita e de rosto gracioso; quando o pai e a mãe morreram, Mardoqueu adoptou-a como sua filha.

Quando a ordem do rei e o seu édito foram publicados e um grande número de raparigas se reuniram em Susã, a capital, sob a supervisão de Egeu, Ester também foi tomada e levada para a casa do rei, sob a supervisão de Egeu, o guardião das mulheres. A jovem agradou-lhe e conquistou a sua simpatia; ele apressou-se a fornecer-lhe o necessário para a sua higiene e subsistência, a dar-lhe sete jovens escolhidas da casa do rei, e fê-la passar algum tempo com elas no melhor apartamento da casa das mulheres. Ester não falou do seu povo nem do seu nascimento, porque Mardoqueu a tinha proibido de falar deles. Todos os dias Mardoqueu passeava pelo pátio da casa das mulheres para ver como estava Ester e como era tratada.

E quando chegou o momento de cada rapariga ir ter com o rei Assuero, depois de ter passado doze meses a fazer o que era prescrito para as mulheres - e este era o tempo da sua purificação: durante seis meses purificavam-se com óleo de mirra, e durante seis meses com as especiarias e perfumes usados entre as mulheres - e a rapariga ia ter com o rei, era-lhe permitido levar consigo o que quisesse para ir da casa das mulheres para a casa do rei. Foi para lá ao fim da tarde e, na manhã seguinte, foi para a segunda casa das mulheres, sob a supervisão de Susagaz, o eunuco do rei e guardião das concubinas. Só voltava para junto do rei se este a quisesse e se a chamasse pelo nome.

Quando chegou a sua vez de ir ter com o rei, Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a tinha adotado como filha, não pediu mais do que aquilo que lhe tinha sido indicado por Egeu, eunuco do rei e guarda das mulheres; mas Ester agradou a todos os que a viram. Ester foi levada para a casa real do rei Assuero no décimo mês, o mês de Tebete, no sétimo ano do seu reinado. O rei amava Ester mais do que qualquer outra mulher, e ela ganhou mais favor e simpatia junto dele do que qualquer outra jovem. Pôs-lhe a coroa real na cabeça e nomeou-a rainha em lugar de Vasti. O rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e servos, o banquete de Ester; deu descanso às províncias e esbanjou generosamente.

EMF 207.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Simão de Jonas põe-se à frente, unindo-se ao grupo de Jesus e pergunta:

– Por aqui se vai a Belém? João diz que na outra vez o fizera por outra estrada.

– É verdade –diz Jesus–. Mas é porque estávamos vindo de Jerusalém. Indo-se por aqui o caminho é mais curto. No sepulcro de Raquel, que as mulheres querem ver, nós nos separaremos, como decidistes há tempo. Depois, nos reuniremos em Betsur, onde minha mãe deseja permanecer.

Anotação

Vamos daqui para Belém? João diz que, da última vez, tomaram um caminho diferente. Viagem de Jesus, João, Judas e Simão, o Zelota. Cf. EMV 70 a EMV 74.

Encontrar-nos-emos então em Bet-çur: BET-ÇUR: (a casa da sentinela). Betsur (pronuncia-se Betsour) no original de Maria Valtorta. Traduzido por Béthsur (1985) e por Bet-Çur (2016) nas edições francesas. Outras grafias encontradas: Bethsur, Beth-Tsur, Beth-Zur, Bethsour. Atualmente Beit Sur, 6 km a norte de Hebron.

Onde a minha Mãe deseja parar: Para encontrar uma amiga do Templo: Élise. Ver EMV 208 abaixo.

Génesis 35,18-19 - Raquel, a filha mais nova de Labão. Era muito bonita. Jacob encontrou-a no poço onde ela dava de beber aos seus rebanhos, perto de Haran, na Mesopotâmia. Assim que a viu, amou-a. Jacob, que não tinha bens próprios, não podia pagar a quantia que todos os pretendentes davam aos pais de uma rapariga. Por isso, serviu o seu sogro durante 7 anos para conseguir Raquel. Ao mesmo tempo, Jacob, isolado e em fuga, estava feliz por estar ligado a um grupo patriarcal. Fez um contrato e recebeu uma mulher do clã. A partir daí, não podia sair e levar a mulher e os filhos sem autorização, mesmo no fim do contrato. No final dos primeiros 7 anos, Labão enganou Jacob para que casasse com Lia, a sua filha mais velha, que aparentemente era muito menos atraente. O filho de Isaac serviu mais 7 anos para conseguir a mais nova, a única que amava. Raquel tornou-se sua mulher(Génesis 29:1-30), mãe de José(Génesis 30:22-25) e depois de Benjamim; morreu quando Benjamim nasceu(Génesis 35:16-20; 48:7). Jacob sepultou-a um pouco a norte de Éfrata, mais conhecida por Belém. O túmulo ficava num lugar por onde os viajantes passavam no caminho de Betel para Belém (fonte BibleOnLine).

Livro do Génesis 35, 16-19

Gn 35, 16-19 : Partiram de Betel. Ainda faltava um pouco para chegarem a Efrata, quando Raquel deu à luz, e o parto foi doloroso. Durante as dores do parto, a parteira disse-lhe: "Não tenhas medo, porque vais ter outro filho. Quando a sua alma partiu - porque estava a morrer - deu-lhe o nome de Benoni; mas o pai chamou-lhe Benjamim. Raquel morreu e foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém. 20Jacob construiu um monumento sobre a sua sepultura; é o monumento do Túmulo de Raquel, que ainda hoje existe.

EMF 207.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Prosseguem a estrada, através do fresco vale que vai na direção leste-oeste. Depois se dirigem levemente para o norte, a fim de costearem uma colina, que vem aparecendo à frente e alcançam assim o caminho que de Jerusalém vai para Belém, justamente perto do cubo, encimado por uma pequena cúpula redonda, que é a da tumba de Raquel. Todos se aproximam dela para rezar com reverência.

– Foi aqui que paramos eu e José… Está tudo igual ao que era naquele tempo. Só a estação é que era diferente. aquele era um dos dias frios do mês de Casleu. Havia chovido e as estradas tinham ficado alagadas. Depois, veio um vento gelado, pois talvez de noite tivesse caído geada. As estradas estavam duras, mas todas com sulcos feitos pelos carros e pelas multidões, e eram como um mar cheio de buracos e o meu burrinho se fatigava muito…

– E tu não, minha mãe?

– Oh! eu Te tinha comigo!… –e olha para Ele com um rosto tão feliz, que comove.

Depois toma de novo a palavra:

– A tarde já vinha chegando e José estava muito preocupado… Um vento cada vez mais forte vinha se levantando, um vento que cortava… As pessoas se apressavam a caminho de Belém, esbarrando umas nas outras, e muitos diziam palavras injuriosas ao meu burrinho, porque ele ia muito devagar, procurando os lugares onde podia pôr os cascos… Mas é que ele parecia que soubesse que havias Tu… e que estavas dormindo o teu último sono no berço do meu seio. Fazia frio… Mas o que eu sentia era um forte calor. Eu percebia que vinhas vindo. Que vinhas vindo? Poderias dizer: “Eu estava lá, minha mãe, com nove meses.” Sim. Mas agora era como se estivesses vindo dos Céus. Os Céus se abaixavam, se abaixavam sobre mim e eu via os esplendores deles… Eu via incendiar-se a Divindade, em sua alegria pelo teu próximo nascimento e aqueles fogos me penetravam, me incendiavam também, me levavam para fora de mim mesma… de tudo… Frio… vento… pessoas… nada! Eu só via a Deus… De vez em quando, com esforço, eu conseguia fazer voltar o meu espírito por sobre a terra, e sorria para José, que tinha medo de que o frio e a fadiga me fizessem mal e ia guiando o burrinho com cuidado, para que ele não tropeçasse, e me envolvia de novo na coberta, para que não me resfriasse… Mas nada podia acontecer. As sacudidas, eu nem percebia. Parecia-me estar andando por um caminho estrelado, por entre nuvens cândidas e sendo sustentada por anjos… E eu sorria… Primeiro para Ti… Eu olhava para Ti, através da barreira da carne e estavas dormindo com os punhozinhos fechados em teu leitozinho de rosas vivas, meu botão de lírio… Depois, sorria para o esposo, que estava tão aflito, tão aflito, para encorajá-lo. Depois para as pessoas, que ainda não sabiam estarem já respirando na áura do Salvador…

Paramos junto à tumba de Raquel para dar um pouco de descanso ao burrinho e para comer um pouco de pão com azeitonas, que eram as nossas provisões de pobres. Mas Eu não tinha fome. Não podia ter fome.

Era alimentada pela minha alegria.

EMF 207.10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Agora, vinde aqui fora, à beira do rio, à sombra daquela árvore boa que, se o verão já tivesse chegado, vos estaria dando agora suas maçãs, além de sua boa sombra. Vinde. Vamos comer, antes de nos pormos a caminho… Para onde, meu Filho?

– Para Jala. Fica perto. E amanhã iremos a Betsur.

Assentam-se à sombra da macieira, e Maria se coloca justamente na frente do tronco robusto.

Bartolomeu olha fixamente para ela, tão jovem e animada pela evocação feita, recebendo do Filho o alimento que Ele abençoou, sorrindo para Ele com uns olhos cheios de amor, murmura:

– “A sombra dele eu me assentei, e seu alimento é doce ao meu paladar.”

Judas Tadeu é quem lhe responde:

– É verdade. Ela está lânguida de amor. Mas não se há de dizer que sob uma macieira é que ela foi despertada.

– E, por que não, meu irmão? Que sabemos nós dos segredos do Rei? –responde Tiago de Alfeu.

E Jesus, sorrindo:

– A nova Eva foi concebida pelo Pensamento, aos pés da árvore do Paraíso, para que com o seu sorriso e com o seu pranto, afugentasse a serpente e desintoxicasse a intoxicada fruta. Ela se fez assim a árvore do fruto redentor. Vinde, amigos e comei dele. Porque nutrir-se alguém de sua doçura é nutrir-se com o mel de Deus.

– Mestre, responde a um meu antigo desejo de saber: O Cântico, que nós estamos citando[4] tem a previsão dela? –pergunta Bartolomeu, enquanto Maria está ocupada com o menino, e conversando com as mulheres.

– Desde o principio do Livro se fala dela, e dela se falará nos livros que vierem depois, até que a palavra do homem se mude no sempiterno hosana da eterna Cidade de Deus –e Jesus se vira para as mulheres.

– Como se percebe que é de Davi! Que sabedoria, que poesia! –diz Zelotes, falando com os companheiros.

Detalhe

A Virgem Maria contou o nascimento do seu Filho.

Anotação

Livro de Cânticos 2, 3

Ct 2,3 "Como a macieira entre as árvores do bosque é minha amiga entre os jovens, tenho grande prazer em sentar-me à sua sombra. Como é doce o seu fruto ao meu paladar".

Livro dos Cânticos 8, 5

Ct 8,5: Quem é esta que sobe do deserto, apoiada no seu amado? O NASCIMENTO. Ali te concebeu a tua mãe, ali te concebeu, ali te deu à luz.