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Notas da palavra-chave

André (apóstolo)

Tema: Santos, Veneráveis e Beatos da Igreja Católica · Página 16 de 18

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EMF 197 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Pedro está realmente solene, quando entra, em seu papel de pai, no recinto do Templo, segurando Jabé pela mão. Ele parece ter ficado mais alto, de tão empertigado que vai indo.

Atrás, em grupo, vão entrando todos os outros. Jesus é o último, entretido em uma séria conversa com João de Endor, que parece estar com vergonha de entrar no Templo.

Pedro pergunta ao seu protegido:

– Nunca estiveste aqui?

E tem por resposta esta frase:

– Quando eu nasci, pai. Mas não me lembro de nada.

O que faz Pedro rir à vontade, e ele repete a resposta para os seus companheiros que se riem também, dizendo bonachões e chistosos:

– Talvez estavas dormindo, e por isso… –ou então: –Somos todos como tu. Não nos lembramos de quando viemos até aqui, depois de termos nascido.

Detalhe

Os Doze estão presentes neste capítulo, embora não sejam todos nomeados.

EMF 198.11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Já é noite, quando Jesus pode falar em paz com sua mãe. Eles subiram para o terraço e, sentados em cadeiras um ao lado da outra, com a mão na mão, falam e escutam um ao outro. Primeiro é Jesus, que narra as coisas que aconteceram. Depois, é Maria que diz:

– Meu Filho, depois da tua partida, logo depois, veio à minha casa uma mulher… Ela estava Te procurando. Uma grande miséria. E uma grande redenção. Mas essa criatura tem necessidade do teu perdão, para ser firme em sua resolução. Eu a confiei à Susana, dizendo que era uma das curadas por Ti. É verdade. Eu a poderia ter comigo, se nossa casa não fosse o que é, um verdadeiro mar, onde todos navegam, e muitos com más intenções. E a mulher já está com repugnância pelo mundo. Queres saber quem é?

– É uma alma. Mas, dize-me o seu nome, para que Eu possa acolhê-la sem erro.

– É Aglaé. É a romana, dançarina e pecadora, que Tu começaste a salvar no Hebron, que Te procurou e Te encontrou em Águas Belas e que, por sua renascida honestidade, já tem sofrido. E quanto!… Ela me disse tudo… Que horror!…

– O seu pecado?

– Este é…., diria, mais ainda; que horror é o mundo! Oh! Meu Filho! Desconfia dos fariseus de Cafarnaum! Daquela infeliz eles queriam servir-se para Te fazerem mal. Até dela…

– Eu sei, mãe… Onde está Aglaé?

– Chegará com Susana, antes da Páscoa.

– Está bem. Eu falarei com ela. Estarei aqui todas as tardes, menos na tarde do dia da Páscoa, que Eu devo consagrar à família, Eu a atenderei. Basta detê-la aqui, se ela vier. É uma grande redenção, como disseste. E tão espontânea! Em verdade, Eu te digo que em poucos corações a minha semente se enraíza com a força com que se enraizou nesse terreno infeliz. E depois André ajudou o crescimento, até a sua completa formação.

– Ele me disse.

– Mãe, que foi que sentiste, ao te aproximares daquela ruína?

– Senti asco e alegria. Parecia-me estar à beira de um abismo do inferno, mas, ao mesmo tempo, me sentia sendo transportada ao azul. Como Tu és Deus, meu Jesus, quando realizas esses milagres!

Ficam calados por baixo das estrelas luminosíssimas e na brancura de um quarto de lua que já está quase cheia. Calados, e repousando um no amor da outro.

EMF 199.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A esplendida manhã convida realmente a dar um passeio, a deixar as camas e as casas e os moradores da casa do Zelotes, como abelhas ao primeiro sol, surgem muito cedo e partem para respirar o ar puro do pomar de Lázaro, que fica ao redor da pequena casa hospitaleira. Logo se ajuntam também os que estão hospedados com Lázaro, isto é, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, André e Tiago de Zebedeu. O sol entra festivo por todas as janelas e portas escancaradas, e os quartos, simples e limpos, vão-se vestindo com uma tinta de ouro, que aviva as cores das vestes, e faz brilhar também as cores dos cabelos e das pupilas.

Maria de Alfeu e Salomé estão atentas em servir a estes homens, que estão com um apetite notável. Maria, por sua vez, está observando um dos criados de Lázaro, enquanto ele vai compondo os cabelinhos de Margziam, cortando-os com mais habilidade do que tinha feito o primeiro cabeleireiro dele (...).

EMF 199.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eis Jesus que vem da casa de Lázaro, junto com o mesmo e, ao menino que vai correndo ao seu encontro, Ele diz:

– A paz esteja entre nós, Margziam. Demo-nos o beijo da paz.

Lázaro, saudado pelo menino, dá-lhe um docinho.

Todos se reúnem ao redor de Jesus. Também, Maria, revestida com uma veste de lã cor de turquesa, sobre a qual cai um amplo manto mais escuro, vem vindo sorridente em direção de seu Filho.

– Podemos ir então –diz Jesus–. Tu, Simão, com minha mãe e o menino, se é que estás mesmo disposto a gastar, ainda mais agora que Lázaro já proveu a tudo.

– Mas, sem dúvida! E depois… poderei dizer que pude, pelo menos uma vez, caminhar ao lado de tua mãe. Uma grande honra.

– Então, vai. E tu, Simão, me acompanharás. Vamos aos teus amigos leprosos…

– De verdade, Mestre? Nesse caso, se me permites, irei na frente correndo, para reuni-los. Depois me encontrarás. Já sabes onde eles estão…

– Está bem. Vai. Os outros façam o que quiserem. Estais todos livres até quarta-feira pela manhã. Nesse dia, à hora terça, estajam todos junto à Porta Dourada.

– Eu irei contigo, Mestre –diz João.

– Eu também –diz Tiago, irmão dele.

– E nós também –dizem os dois primos.

– Eu irei também –diz Mateus e, com ele, André.

– E eu? Eu gostaria de ir também… mas tenho que ir às compras, e não posso ir convosco… –diz o Pedro, na dúvida entre duas vontades.

– Pode-se fazer tudo. Primeiro, vamos aos leprosos e, nesse ínterim, minha mãe vai com o menino a uma casa amiga em Ofel. Depois nós a encontraremos, e tu vais com ela, enquanto Eu e os outros vamos à casa de Joana. Nos reuniremos no Getsêmani para a refeição, e depois, perto do pôr do sol, estaremos aqui.

– Eu, se me permites, vou à casa de alguns amigos… –diz Judas Iscariotes.

– Mas Eu já disse. Fazei o que quiserdes.

– Então, vou ver meus pais. Talvez meu pai já tenha vindo. Se tiver, eu o trarei a Ti –diz Tomé.

– E nós dois, que achas, Filipe? Poderíamos ir à casa do Samuel.

– Disseste bem –responde ele a Bartolomeu.

– E tu, João? –pergunta Jesus ao homem de Endor–. Preferes ficar aqui, para pôr em ordem os teus livros, ou ir comigo?

– Na verdade, eu gostaria de ir contigo… Meus livros… já me agradam menos. Prefiro ler em Ti, o livro vivo.

– Então, vem. Adeus, Lázaro, a…

– Mas, eu vou também. Minhas pernas estão um pouco melhor, e eu te deixarei depois da visita aos leprosos e irei esperar-te em Getsêmani.

– Vamos. A paz esteja convosco, mulheres.

Até às vizinhanças de Jerusalém, vão indo todos juntos. Depois, eles se separam, indo Iscariotes, por sua própria conta, entrando na cidade provavelmente por aquela porta que fica perto da fortaleza Antônia, enquanto que Tomé, com Filipe e Natanael, andam ainda algumas dezenas de metros com Jesus e os companheiros e depois entram na cidade pelo subúrbio de Ofel junto com Maria e o menino.

Anotação

Tu, Simão, vais acompanhar-me até aos teus amigos leprosos ... Simão, o Zelota, é um antigo leproso, curado por Jesus.

Estão todos livres até quarta-feira de manhã. À hora da Tarde, todos vão para a Porta Dourada. Esta porta dá diretamente para o Templo, vindo de Betânia e do Getsémani.

Entretanto, a minha mãe e a criança vão para uma casa amiga em Ofel. Este bairro fica a sul do Templo e, portanto, a leste da cidade.

O que achas, Filipe, de irmos os dois para casa de Samuel? Provavelmente Samuel, o noivo de Anália.

Ele deve entrar na cidade pelo portão perto da Torre Antónia. O portão de Peixes.

EMF 200.2-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Está tão absorto, que nem percebe o barulho das muitas vozes e do tropel dos muitos passos pelo corredor da entrada, e depois, de dois passos mais leves de alguém que sobe pela escadinha externa e que se aproxima do salão. Só quando Maria o chama é que Ele levanta a cabeça.

– Meu Filho, chegou a Susana de Jerusalém com a família, e logo Aglaé me acompanhou. Queres atendê-la, enquanto estamos sós?

– Sim, mãe. Vou atendê-la já. E que ninguém suba, enquanto não terminar tudo. Espero ter acabado, antes da volta dos outros. Mas Eu te peço que cuides para que não haja curiosidades indiscretas… em ninguém… e especialmente em Judas de Simão.

– Estarei atenta, e cuidarei disso…

Maria sai, para voltar pouco depois, segurando Aglaé pela mão, não mais embrulhada em seu manto cinzento e com o seu véu caído para a frente, não mais com suas sandálias altas e cheias de fivelas e fitas, que ela antes usava, mas totalmente transformada como mulher hebreia, pelas sandálias planas e baixas, muito simples como as de Maria, com a veste de um azul escuro, sobre a qual está posta o manto, e com um véu branco, colocado como fazem as mulheres hebreias do povo, isto é, posto simplesmente na cabeça, com uma parte jogada para as costas, de modo que o rosto fica coberto por ele, mas não completamente. O hábito comum, como é usado por muitíssimas mulheres, e estando ela no meio de um grupo de galileus, tudo isso tornava possível que Aglaé deixasse de ser reconhecida.

Ela entra de cabeça inclinada, enrubescendo a cada passo que dá, e acho que, se Maria não a fosse puxando docemente para Jesus, ela se teria ajoelhado na soleira.

– Aqui está, meu Filho, aquela que vinha te procurando há tanto tempo. Escuta-a –diz Maria, ao chegar perto de Jesus, e depois se retira, abaixando os toldos sobre as portas escancaradas e fechando a que estava mais perto da escadinha.

200.3

Aglaé se separa da sacola que trazia nas costas e, em seguida se ajoelha aos pés de Jesus, em meio a uma grande explosão de choro. Ela se estende no chão, chorando, com a cabeça apoiada nos braços cruzados sobre a terra.

– Não chores assim. Já não é mais tempo disso. Tu devias chorar, quando estavas com ódio de Deus. Mas não agora que o amas e por Ele és amada.

Mas Aglaé continua a chorar…

– Não acreditas que é assim?

Sua voz está procurando um caminho, por entre os soluços:

– Eu o amo, é verdade, como sei e como posso. Mas, por mais que eu saiba e creia que Deus é Bondade, não ouso esperar de obter o seu amor. Eu pequei demais… Talvez eu o terei um dia… Mas preciso chorar muito ainda… Por enquanto, estou sozinha no meu amor. Estou sozinha… mas já não é a solidão desesperada dos anos passados. É uma solidão cheia do desejo de Deus e, por isso nem é mais desesperada… mas é tão triste, tão triste…

– Aglaé, como tu ainda conheces mal o Senhor! Este desejo dele te serve de prova de que Deus corresponde ao teu amor, de que Ele é teu amigo, que te chama e te convida, que te quer. Deus é incapaz de permanecer inerte, diante do desejo de uma criatura sua, porque aquele desejo foi inspirado àquele coração por Ele, o Criador e Senhor de toda criatura. Ele o inspirou, porque amou com um amor privilegiado a alma que agora o deseja. O desejo de Deus vem sempre antes do desejo da criatura, porque Ele é Perfeitíssimo e, por isso, o seu amor é bem mais habilidoso e abrasado do que o amor da criatura.

– Mas, como Deus pode amar-me, se eu sou lama?

– Não fiques procurando entender isso com a tua inteligência. É um abismo de misericórdia, incompreensível para a mente humana. Mas onde a inteligência do homem não pode compreender, compreende a inteligência do amor, o amor do espírito. Este compreende e penetra firmemente no mistério que é Deus e no mistério dos relacionamentos da alma com Deus. Entra, Eu te digo. Entra, porque Deus o quer.

– Oh! não, Senhor! Tudo o que me disseste[1] em Hebron se realizou.

Tu me salvaste, como o teu Nome diz. Tu procuraste a mim pobre alma perdida. Tu deste a vida a esta alma que eu trazia morta em mim. Tu me disseste que, se eu tivesse te procurado teria te encontrado. E foi verdade. Tu me disseste que estás por toda parte, onde o homem está precisando de médico e de remédio. E é verdade tudo, tudo o que disseste à pobre Aglaé, desde aquelas palavras daquela manhã de junho, até as outras ditas em Águas Belas…

– Então, deves crer também nestas.

– Sim, eu creio, eu creio. Mas, Tu me dirás: “Eu te perdôo!”

– Eu te perdôo em nome de Deus e de Jesus.

– Obrigada…

200.4

Mas agora… Agora que devo fazer? Dize-me, Salvador meu, que é que eu devo fazer para ter a vida eterna? Os homens se corrompem só ao olhar para mim… Eu não posso viver com esse calafrio contínuo de pensar que vou ser descoberta e tentada… Nesta viagem, eu vinha tremendo, diante dos olhares dos homens… Eu não quero mais pecar, nem fazer pecar. Dize-me que caminho devo seguir. Seja qual for, eu o seguirei. Tu estás vendo que eu sou forte até nos sofrimentos. E, mesmo que por grandes sofrimentos eu encontrasse a morte, não tenho medo dela. Eu até a chamarei de “minha amiga”, porque me tirará dos perigos. Fala, meu Salvador.

– Vai para um lugar deserto.

– Onde, Senhor?

– Onde quiseres. Aonde te levar o teu espírito.

– Será capaz de fazer isso o meu espírito, só agora formado?

– Sim, porque Deus vai te conduzir.

– E, quem me falará ainda de Deus?

– A tua alma ressuscitada, por enquanto.

– Não te verei nunca mais?

– Sobre a terra, nunca mais. Mas, daqui a pouco, terei te redimido completamente e, então, virei ao teu espírito a fim de preparar-te para subires a Deus.

– Como vai acontecer a minha completa redenção, se eu não vou te ver mais? Como a darás?

– Morrendo por todos os pecadores.

– Oh! Não! Tu, morreres!

– Para dar-vos a vida, devo dar-me a morte. É para isso que Eu vim em forma humana. Não chores… Tu te encontrarás comigo logo, onde Eu estiver, depois do meu sacrifício e do teu.

– Meu Senhor! Também eu haverei de morrer por Ti?

– Sim. Mas de outro modo. Tua carne irá morrendo, hora por hora, e pelo desejo da tua vontade. Há quase uma ano que ela já vem morrendo. Quando estiver completamente morta, eu te chamarei.

– Terei eu a força de destruir minha carne culpada?

– Na solidão em que vais estar e onde satanás te assaltará com a violência do seu ódio, quanto mais tu fores sendo dos Céus, mas encontrarás um meu apóstolo, que foi pecador e depois foi redimido.

– Esse, então, não será aquele bendito, que me falava de Ti? Ele é muito honesto para ter sido pecador.

– Não é aquele. É um outro. Ele te encontrará na hora certa. E te dirá tudo o que ainda não podes saber. Vai em paz. A bênção de Deus esteja sobre ti.

200.5

Aglaé, que todo aquele tempo tinha ficado de joelhos, curva-se para beijar os pés do Senhor. Não tem coragem para mais do que isso. Depois, agarra sua sacola, vira-a de boca para baixo. E dela caem vestes simples, um saquinho que retine e uma ânfora de um fino alabastro róseo.

Aglaé recoloca as vestes, apanha o saquinho e diz:

– Isto é para teus pobres. É o resto das minhas jóias. Reservei somente algumas moedas para as despesas durante a viagem… mesmo que Tu não me tivesses dito, eu teria ido para algum lugar afastado. E isto é para Ti. É menos suave que o perfume da tua santidade. Mas é tudo o que pode dar de melhor a terra. E eu me servia disto para fazer o pior… Aí está. Deus me conceda exalar perfume, pelo menos como este, na tua presença, no Céu –e destampa a ânfora, tirando-lhe a rolha preciosa e derramando o conteúdo no chão.

Um perfume fino de rosas se levanta, em ondas, dos ladrilhos, que ficaram impregnados com aquela essência de alto preço.

Aglaé recolhe a ânfora vazia.

– Para lembrança desta hora –diz ela, e depois se curva para tornar a beijar os pés de Jesus, levanta-se e vai saindo dali, andando para trás. Acaba de sair e fecha a porta.

Ouvem-se os seus passos, que vão-se afastando em direção da escada e sua voz que troca algumas palavras com Maria. Depois o rumor das sandálias que vão descendo pela escada e, por fim, nada mais. De Aglaé só resta o saquinho aos pés de Jesus e o aroma penetrante, que se espalhou por todo o quarto.

Jesus se levanta… apanha o saquinho e o põe no peito, vai até uma abertura virada para a estrada e sorri, ao ver a mulher que vai indo, sozinha, no seu manto de hebreia, a caminho de Belém. Ele faz um gesto de bênção, depois vai ao terraço e chama:

– Mamãe.

Maria sobe prontamente pela escada.

– Tu a fizeste feliz, meu Filho. Ela lá se foi, cheia de fortaleza e de paz.

– Sim, mãe. Quando André voltar, manda-o a Mim, por primeiro.

200.6

O tempo passa… Ouvem-se as vozes dos apóstolos, que estão de volta… André chega correndo:

– Mestre, precisas de mim?

– Sim. Vem cá. Ninguém precisará saber disso, mas a ti é justiça que se o diga. André, obrigado em nome de Deus e de uma alma.

– Obrigado? Por quê?

– Não estás sentindo este perfume? É a lembrança da Mulher Velada. Ela veio. Está salva.

André fica vermelho como um morango, cai de joelhos e não acha palavras… Por fim, ele diz:

– Agora, estou contente. Bendito seja o Senhor!

– Sim. Levanta-te. Não digas aos outros que ela veio.

– Guardarei silêncio, Senhor.

– Agora vai. Escuta: está aí ainda Judas de Simão?

– Sim, ele quis vir conosco… contando… muitas mentiras. Por que é que ele faz assim, Senhor?

– Porque é um jovem viciado. Dize-me a verdade: vós brigastes com ele?

– Não. O meu irmão se sente feliz demais com o seu menino, para ter vontade de brigar. E os outros… Tu sabes… são mais prudentes. Com certeza, em nossos corações ficamos muito aborrecidos. Mas depois da ceia ele vai embora… Outros amigos… diz ele. Oh! e despreza as meretrizes!…

– Sê bom, André. Tu também deves estar feliz esta tarde…

– Sim, Mestre. Eu também tenho a minha invisível, mas doce paternidade. Eu já me vou.

Detalhe

André só aparece em 200.6. Aglaia menciona-o em 200.4. Como o destino de Aglaia era importante para o irmão de Pedro, incluímos toda a discussão que Aglaia teve com Jesus.

Anotação

Tudo o que me disseste em Hebron tornou-se realidade. Em EMV 77.

Encontrarás um dos meus apóstolos que já foi pecador e depois redimido. Provavelmente Mateus.

Então não era o apóstolo abençoado que me estava a falar de ti? André.

Eu também tenho a minha invisível, mas doce paternidade. Vou-me embora. Referência à paternidade de Pedro em relação a Marziam. Jesus concedeu-lhe ser o seu pai adotivo em EMV 199.

Palavras-chave

EMF 200.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Passa mais algum tempo, e depois sobem em grupo os apóstolos com o menino e João de Endor. Acompanham-nos as mulheres, com os diversos pratos e as luzes. Por último, vem Lázaro com Simão.

EMF 201.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Deve esta ser a manhã de quarta-feira, porque a comitiva dos apóstolos e das mulheres, precedida por Jesus e Maria, com o pequeno entre eles, já se vai aproximando da Porta dos Peixes. Com eles está também José de Arimateia que, fiel à palavra dada, foi ao encontro deles.

Jesus procura com o olhar o soldado Alexandre, mas não o vê…

– Nem mesmo hoje ele está aí. Gostaria de saber o que aconteceu.

Mas a multidão é tão grande, que não há modo de perguntarem aos soldados, e talvez isso fosse até uma imprudência, porque os judeus estão hoje mais intransigentes do que nunca, à medida que a festa vai se aproximando e por causa do rancor pela captura do Batista, na qual eles acham que também Pilatos, com os seus satélites, tenha sido cúmplice. Vou compreendendo tudo isso, pelos epítetos e pelo bate-boca que continuamente se trocam, junto à Porta, entre os soldados e os habitantes da cidade, e os insultos… pitorescos e grosseiros, que estalam a cada momento, como os fogos de uma girândola continua. As mulheres da Galileia ficam escandalizadas com isso e se envolvem, como nunca, em seus véus e em seus mantos. Maria enrubesce, mas vai firme para a frente, ereta como uma palmeira, olhando para o seu Filho, o qual, por sua vez, nem tenta fazer que os exaltados hebreus raciocinem, nem aconselha compaixão aos soldados para com os hebreus. E, posto que alguns epítetos não muito bonitos estejam sendo dirigidos também ao grupo dos galileus, José de Arimateia passa para a frente, para perto de Jesus e a multidão, que o conhece bem, fica calada por respeito a ele.

A Porta dos Peixes finalmente é superada e este rio de gente que, como em ondas, vai desembocando na cidade, misturado com os asnos e os rebanhos, invade as ruas…

EMF 203.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Um entre vós sofreu muito nestes dias. Sofreu por um ato não merecido, e sofreu pelo esforço que fez sobre si mesmo, para conter a indignação que aquele ato provocou. Sim, Simão de Jonas, vem aqui. Não houve nenhum frêmito do teu coração honesto, que por Mim tenha ficado desconhecido, e não houve sofrimento teu de que Eu não tenha participado contigo. Eu e os teus companheiros…

– Mas Tu, Senhor, foste muito mais ofendido do que eu! E esse era para mim um sofrimento muito maior, não, muito mais sensível… nem mesmo… mais… mais… Eis: que Judas tenha tido nojo de participar da minha festa me fez mal a mim, como homem. Mas ter que ver que estavas entristecido, aí é que sofri o dobro… Mas devo dizer e, se o faço por soberba, dize-o a mim, devo dizer que sofri com minha alma… e isso faz que soframos mais.

– Não é soberba, Simão. Sofreste espiritualmente, porque Simão de Jonas, pescador da Galileia, se está transformando no Pedro de Jesus, Mestre do espírito, pelo qual também os seus discípulos se tornam ativos e sábios no espírito. É por esse teu progresso na vida do espírito, e por esse vosso progredir, que Eu vos quero esta noite ensinar a oração. Quanto estais mudados, desde aquela parada solitária[2] para cá!

– Todos Senhor? –pergunta Bartolomeu, um pouco incrédulo.

– Compreendo o que queres dizer… Mas Eu falo agora a vós onze, não a outros.

– Mas, que tem Judas de Simão, Mestre? Nós não o compreendemos mais. Ele parecia tão mudado e agora, desde que nós deixamos o lago… –diz desolado André.

– Cala-te, meu irmão. A chave do mistério eu a tenho. Nele se apegou um pedacinho de Belzebu. Ele foi procurá-lo na caverna de Endor, para maravilhar-se, e… ficou servido. O Mestre disse naquele dia… Em Gamala os demônios entraram nos porcos… Em Endor, os demônios saídos daquele infeliz, que era João, entraram nele… Compreende-se… compreende-se… Deixa-me dizê-lo, Mestre! Já está aqui em cima, na garganta, e se eu não o disser, ele não sai e eu vou envenenar-me com ele…

– Simão, sê bom!

– Sim, Mestre… eu te garanto que não serei indelicado com ele. Mas digo e penso que, sendo Judas um viciado, — todos nós já entendemos isso — é um pouco semelhante ao porco… e compreende-se que os demônios escolheram de boa vontade os porcos para serem… as casas para as quais se mudaram. Eis, já o disse.

– Tu dizes que é assim? –pergunta Tiago de Zebedeu.

– E que outra coisa queres que seja? Não houve nenhuma razão para se tornar tão intratável. Pior do que em Águas Belas! Lá eu ainda podia pensar que era o lugar e a estação que o fizessem ficar nervoso. Mas agora…

203.4

– Há uma outra razão, Simão…

– Dize qual é, Mestre. Eu ficarei contente se puder mudar de opinião a respeito do companheiro.

– Judas é ciumento. É inquieto por ciúme.

– Ciumento? De quem? Não tem mulher e, mesmo que a tivesse, e ainda que fosse com as mulheres, eu creio que nenhum de nós teria desprezo para com o condiscípulo…

– É ciumento de Mim. Considera: Judas se alterou depois de Endor e depois de Esdrelon. Ou seja, quando viu que Eu me ocupei com João e Jabé. Mas agora João, principalmente João, vai-se afastar, passando de Mim para Isaac e verás que ele voltará a ficar alegre e bom.

– É… Está bem. Mas, não me quererás dizer que ele não está tomado por algum demoniozinho… E, sobretudo… Não, o digo! E mais que tudo, não me quererás dizer que ele melhorou nos últimos meses. Ciumento eu também era no ano passado… Eu não teria querido ninguém mais além de nós seis, — os primeiros seis, — Te recordas? Agora… Agora… deixa-me invocar a Deus somente uma vez, como testemunha do meu pensamento. Agora digo que me sinto feliz, quanto mais aumentam os discípulos ao redor de Ti. Oh! eu quereria ter todos os homens para trazê-los a Ti, e todos os meios para poder acudir a quem tem necessidade de Ti, a fim de que não seja a miséria que crie obstáculos a quem quiser vir a Ti. Deus está vendo se eu estou dizendo a verdade. Mas, por que sou assim agora? Porque eu me deixei mudar por Ti. Ele… não mudou. Pelo contrário… olha lá, Mestre… Um demoniozinho tomou conta dele…

– Não o digas. Não o penses. Reza para que ele sare. O ciúme é uma doença…

– Doença que, a teu lado se cura, se o quisermos. Ah! Eu vou suportá-lo, por causa de Ti… Mas, que fadiga!…

– Por ela te dei como prêmio o menino. E agora vou te ensinar a rezar…

– Oh! Sim, meu irmão. Vamos falar disso… e o meu homônimo seja lembrado só como alguém que tem necessidade disso. Parece-me que ele já está recebendo o seu castigo: Neste momento ele não está conosco! –diz Judas Tadeu.

Detalhe

O sofrimento de Simão Pedro perante os ciúmes de Judas e dos Iscariotes em relação a João de Endor. Alguns dos apóstolos intervêm durante esta troca.

Anotação

O meu homónimo: Judas e Jude são o mesmo nome próprio, mesmo que os franceses tenham usado formas diferentes.