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Notas da palavra-chave

Reino de Deus - Reino dos Céus

Tema: O destino do Homem · Página 5 de 7

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EMF 178.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Deus é tão exigente, quanto é infinitamente generoso em recompensa. Se queres ser discípulo, precisas abraçar a cruz e vir. Se não for assim, fica-se no número dos simples fiéis. Não é um caminho cheio de pétalas de rosas o caminho do servo de Deus. Mas é um caminho intransigente em suas exigências. Ninguém, que tiver posto as mãos ao arado para arar os campos dos corações e semear a semente da doutrina de Deus, pode mais voltar atrás, para ir olhar o que deixou e o que perdeu, ou aquelas coisas que podia possuir, seguindo um caminho comum. Trabalha em ti mesmo. Torna-te mais viril contigo mesmo, e depois vem.

EMF 180.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A vós foi concedido muito mais, porque vós, meus apóstolos, deveis conhecer o mistério; e por isso vos é concedido entender os mistérios do Reino dos Céus. Por isso, Eu vos digo: “Perguntai, quando não entenderdes o sentido de uma parábola.” Vós dais tudo, e tudo vos é dado, para que, por vossa vez, possais dar tudo. Vós dais tudo a Deus: afetos, tempo, interesse, liberdade, vida. Deus tudo vos dá para compensar-vos e tornar-vos capazes de dar tudo, em nome de Deus, a quem vos seque. Assim, a quem deu, será dado com abundância. Mas a quem não deu, ou só deu parcialmente, ou não deu nada, até o que ele tem lhe será tirado.

Anotação

Evangelho de Mateus 13, 10-12

Mt 13, 10-12 : Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: "Porque lhes falas por parábolas? Ele respondeu: "A vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas não a eles. Àquele que tem, ser-lhe-á dado, e terá em abundância; àquele que não tem, até o que tem lhe será tirado."

Evangelho de Mateus 25, 29

Mt 25,29 : A quem tem, ser-lhe-á dado mais, e terá em abundância; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado.

Evangelho de Marcos 4, 25

Mc 4, 25 : A quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado.

Evangelho de Lucas 8,18

Lc 8, 18 : "Portanto, tende cuidado com o que escutais, porque a quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, ser-lhe-á tirado até o que julga ter."

Evangelho de Lucas 19, 26

Lc 19,26: "Digo-vos que a quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado."

EMF 181.3-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ainda neste belo tempo dos trigais que estão soltando espigas, Eu vos quero propor uma parábola, tomada dos grãos. Ouvi-a.

O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas, enquanto o homem e seus empregados dormiam, veio um inimigo dele, espalhou sementes de joio nos sulcos e foi-se embora. A princípio, ninguém percebeu nada. Veio o inverno com as chuvas e as geadas, veio o fim do mês de Tebet, e as sementes germinaram. Era um verdor de grandes folhas tenras, que mal tinham despertado. Em sua infância inocente, pareciam todas iguais. Veio o mês de Shebat, depois o de Adar, e as plantas se formaram, e começaram a mostrar suas espigas. Aí é que se viu que aquele verdor não era só do trigo, mas também do joio, que estava bem enroscado, com seus tentáculos, fininhos e pegajosos, nas hastes do trigo.

Ao verem isso, os empregados foram, à casa do patrão e lhe disseram: “Senhor, que semente foi que semeaste? Não foi uma semente escolhida, separada de quaisquer outras sementes?”

“Certamente. Eu escolhi os grãos todos iguais em suas formas. E, se houvesse outras sementes, eu as teria visto.”

“Como é, então, que nasceu tanto joio no meio do trigo?”

O patrão pensou, depois disse: “Algum inimigo meu fez isso para prejudicar-me.”

Os empregados ainda lhe perguntaram: “Não queres que nós vamos por entre os sulcos e, com paciência, apanhemos as espigas do joio e arranquemos? Manda, que iremos.”

Mas o patrão lhes respondeu: “Não. Vós poderíeis, ao fazer o que dizeis, arrancar junto o trigo e, certamente, ofenderíeis as espigas ainda tenras. Deixai, pois que um e outro fiquem juntos até o fim da colheita. Naquela ocasião, eu direi aos ceifadores: ‘Passai a foice em tudo junto; depois, antes de amarrar os feixes, agora que a secura do tempo tornou quebradiças as hastes do joio e que, ao mesmo tempo já estão bem formadas e duras as espigas, agora, sim, separai o joio do trigo, e fazei com ele uns feixes à parte. Vós os queimareis depois, e eles vão servir de adubo para o solo. Ao mesmo tempo, vós levareis o trigo puro para os celeiros, e ele vai servir para se fazer um pão muito bom, e para humilhar o inimigo, que só terá ganhado isto: ficar abjeto aos olhos de Deus pelo seu ódio’.”

Agora, refleti entre vós como frequentemente acontece, e como é grande a semeadura do Inimigo em vossos corações. Compreendei como é preciso vigiar, com paciência e constância, para fazer que seja pouco o joio que se misture ao trigo escolhido. O destino do joio é ser queimado. Quereis vós ser queimados, ou tornar-vos cidadãos do Reino? Pois bem. Que saibais sê-lo. O bom Deus vos dá a Palavra. O Inimigo está vigiando para torná-la nociva, porque a farinha de trigo misturada com a farinha de joio dá um pão amargo que faz mal ao estômago. Saibais, com boa vontade, se houver joio em vossa alma, separá-lo para jogá-lo fora, a fim de que não sejais indignos de Deus.

Ide, meus filhos. A paz esteja convosco.

181.4

As pessoas se afastam lentamente. No pequeno jardim ficaram os oito apóstolos com Elias, seu irmão, a mãe e o velho Isaac, que sente a alma alimentar-se, quando olha para o seu Salvador.

– Vinde ao Meu redor, e ouvi. Eu vos explico o sentido completo da parábola, que tem ainda dois aspectos, além daquele de que Eu falei à multidão.

Num sentido universal, a parábola tem esta aplicação: o campo e o mundo. A semente boa são os filhos do Reino de Deus, semeados por Deus sobre o mundo, à espera de chegarem ao seu limite, quando serão cortados pela Falcífera, e levados ao Dono do mundo, para que entrem novamente em seus celeiros. O joio são os filhos do Maligno, espalhados, por sua vez, pelo campo de Deus, com a intenção de causar tristeza ao Dono do mundo e de estragar as espigas de Deus. O Inimigo de Deus o semeou de propósito, através de um sortilégio, porque o diabo verdadeiramente desnatura o homem, até fazer dele uma criatura sua, que semeia, para tirar do caminho a outros, que ele ainda não foi capaz de tornar seus escravos. A colheita, ou melhor, a formação dos feixes e o transporte dos mesmos até os celeiros é o fim do mundo. Os que fazem essa tarefa são os anjos. Foi mandado a eles que reúnam as criaturas cortadas, e separem o trigo do joio e, como na parábola ele é queimado. Assim serão queimados no fogo eterno no Juízo Final os condenados.

O Filho do homem mandará que sejam tirados do seu Reino todos os causadores de escândalos e de iniquidades. Porque então o Reino será no Céu e na terra, e entre os cidadãos do Reino na terra estarão misturados muitos filhos do Inimigo. Estes atingirão, como foi dito[1] também pelos Profetas, a perfeição do escândalo e da abominação em todos os ministérios da terra, e darão grandes aborrecimentos aos filhos do espírito. No Reino de Deus, nos Céus, já terão sido expulsos os corruptos, porque a corrupção não entra no Céu. Agora, pois, os Anjos do Senhor e, impunhando a foice por entre as fileiras da última colheita, cortarão e separarão o trigo do joio, e jogarão este na fornalha ardente, onde há choro e ranger de dentes, mas levando consigo os justos, o trigo escolhido, para a Jerusalém Eterna, onde eles brilharão como sóis no Reino de meu e vosso Pai.

181.5

Isto, no sentido universal. Mas para vós há um outro ainda, e vem responder às perguntas que, especialmente como ontem à tarde, costumais fazer. Vós estáveis perguntando a vós mesmos: “Mas, então, no meio do grupo dos discípulos pode existir traidores?”, e tremeis de horror e de medo em vossos corações. Eles podem existir. Disso Eu estou certo.

O Semeador espalha a boa semente. Neste caso, mais do que espalhar, poder-se-ia dizer que ele “colhe.” Porque o Mestre, que seja Eu ou que tenha sido o Batista, havia escolhido os seus discípulos. Como foi que houve extraviados? Não, mas pelo contrário, eu falei mal quando chamei os discípulos de sementes. Vós poderíeis entender-me mal. Eu vou chamá-los, então de “campo.” Tantos discípulos, tantos campos escolhidos pelo Mestre para formarem a área do Reino de Deus, os bens de Deus. Com esses o mestre se afadiga, para cultivá-los, a fim de que produzam cem por cento. Ele toma todos os cuidados. Todos. Com paciência. Com amor.Com sabedoria. Com canseiras. Com constância. Ele olha também as tendências más deles. A aridez e cobiça deles. Vê as teimosias e as fraquezas deles. Mas, fica esperando, espera sempre, e fortalece a sua esperança com a oração e a penitência porque os quer levar à perfeição.

Mas os campos estão abertos. Não são um jardim fechado, cercado por muros como uma fortaleza, do qual só o mestre é o dono, e no qual só ele pode penetrar. Estão abertos. Colocados no centro do mundo, no meio do mundo e todos podem aproximar-se deles, todos podem entrar neles. Todos e tudo. Oh! Oh! Mas não é só o joio que é a semente má semeada. O joio: este poderia ser o símbolo da leviandade amarga do espírito do mundo. Mas aí nascem, lançados pelo Inimigo, todas as outras sementes. Aí estão as urtigas. Aí as tiriricas. Aí as cuscutas. Aí os cipós-chumbo. Aí, enfim as cicutas e os tóxicos. Por quê? Por quê? Que são eles?

As urtigas: são os espíritos irritantes, indomáveis, que ferem, por uma superabundância de venenos, e causam tanto mal-estar. As tiriricas significam os parasitas que esgotam o mestre, pois só sabem rastejar e sugar, aproveitando-se do trabalho dele e prejudicando aos cheios de vontade, que certamente colheriam maiores frutos, se seu mestre não fosse perturbado e distraído pelos cuidados que dele exigem as tiriricas. Os cipós-chumbo, inertes, que só se levantam do chão, aproveitando-se do trabalho dos outros. As cuscutas são um tormento no caminho, já difícil, do mestre, e um tormento para os discípulos fiéis que o acompanham. Elas se agarram a nós, espetam, ferem, arranham, só causam desconfiança e sofrimento. Os tóxicos: são os delinquentes que estão entre os discípulos, aqueles que chegam a trair e a apagar a vida, como a cicuta e outras ervas venenosas. Por acaso, já tereis visto como elas são bonitas com as suas florzinhas, que depois se transformam em bolinhas brancas, vermelhas ou roxo azuladas? Quem diria que aquela corola estrelada, cândida ou levemente rosada, com seu coraçãozinho de ouro, quem haveria de dizer que aqueles corais de todas as formas, tão parecidos com aquelas frutinhas que são a delícia dos passarinhos e das crianças, sejam capazes de, quando maduras, dar a morte? Ninguém. Mas os inocentes aí caem. Crêem que todos são bons como eles… colhem os frutos, comem e morrem.

Acham que todos são bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade não desarma? Não torna inofensivo o querer-mal? Não. Não o torna mais assim, porque o homem, que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensível a tudo o que é superior. E tudo o que é superior muda de aspecto para ele. A bondade é vista como uma fraqueza, em que é permitido pisar, e refina sua má vontade, refina o desejo de degolar, como, em uma fera, só o sentir cheiro do sangue. Também o mestre é sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque não quer e não deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem é inocente.

181.6

Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!…

Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:

Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.

181.7

– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.

– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.

– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina

–diz Iscariotes.

– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.

Anotação

Nesta bela época do ano, em que as espigas de trigo se estão a formar, gostaria de sugerir uma parábola emprestada do grão de trigo. Escutem-na. A parábola do trigo e do joio é contada brevemente em Mateus 13,24-30 (ver abaixo). Na EMV 575.7, Jesus recorda esta parábola a João e a Tiago.

No fim do mês de Tebet, o trigo germinou e viu-se o verde tenro do joio que começava a crescer. No fim do mês de Tebet: início de janeiro; Shebat corresponde a janeiro/fevereiro, Adar a fevereiro/março. Ver o calendário para os meses e as explicações dadas aqui para o ano.

Vimos então que o verde não era apenas o grão, mas que havia também ervas daninhas enroladas com as suas gavinhas finas e tenazes à volta dos caules do trigo. O nome botânico do azevém é Lolium, próximo do Loglio italiano usado por Maria Valtorta. No entanto, a Vulgata utiliza a palavra Zizania (de onde provém a expressão semer la zizanie). Em latim, este termo pode ser genérico e designar uma erva daninha de acordo com o seu significado siríaco (Zizon) de onde provém. Os agrónomos chamam "ervas daninhas" a estas plantas indesejáveis e invasoras. Ver o comentário ao capítulo 181 em maria-valtorta.org(Pro e contro Maria Valtorta, La disputa tra Mir et Gregori, página 189 e seguintes).

Havia também o joio, que se enroscava nos pés de trigo, com as suas gavinhas finas e tenazes. Entre as "ervas daninhas" que Jesus menciona mais tarde, há várias plantas com gavinhas, como a trepadeira e a cuscuta da Palestina. Compreendemos que Jesus nos pede para não as arrancarmos, com receio de arrancarmos ao mesmo tempo o bom grão.

O inimigo está atento para o tornar nocivo, porque a farinha de grão misturada com a farinha de joio faz um pão amargo, prejudicial aos intestinos. (...) Agora, todas as outras sementes foram lançadas pelo inimigo e estão a germinar: aqui estão as urtigas, a erva-dos-prados, a cuscuta, a trepadeira, a cicuta e as ervas venenosas. A cuscuta tem propriedades laxantes e a trepadeira é um purgante suave. A farinha de azevém comum, misturada em pequenas quantidades com a farinha de trigo, impede a ação das leveduras. Quanto aos problemas intestinais mencionados por Jesus, devem ser causados pela cuscuta ou pela trepadeira, ou por outro tipo de azevém que não o azevém comum, que é por vezes utilizado como planta forrageira.

Estes atingirão, como anunciam os profetas, a perfeição do escândalo e da abominação em toda a sua atividade terrena. Por exemplo: Deuteronómio 9, 27; 11, 31.36; 12, 11.

Dt 9,27: Lembra-te dos teus servos, Abraão, Isaac e Jacob; não olhes para a teimosia deste povo, para a sua maldade e para o seu pecado.

Não encontrámos nenhum versículo convincente nas outras referências dadas.

Eis, portanto, o sentido universal: Jesus já tinha comentado o sentido da parábola na sua catequese de 27 de outubro de 1943.

Podeis perguntar: "Mas pode haver traidores entre os discípulos? "Ver o capítulo anterior, em EMV 180.8. A traição de um dos discípulos de João Batista, que levou à prisão do profeta, causou grande agitação.

Todas as outras sementes foram aí lançadas pelo inimigo: urtigas, erva-dos-prados, cuscuta, trepadeira, cicuta e ervas venenosas. A cuscuta palaestina é um parasita que envolve as plantas com numerosas ventosas. Ver conhecimentos botânicos notáveis.

Já alguma vez viste como são bonitas, com as suas pequenas flores que se transformam em bolinhas brancas, vermelhas, azuis e roxas? Bolinhas vermelhas: agridoce (Solanum dulcamara). Pensa-se que as suas bagas provocam dores abdominais, vómitos e dores de cabeça. Encontram-se no sul da Eurásia.

Bolas violeta-azuladas: É o caso da corriara myrtifolia (corriara myrtifolia). Os seus frutos azul-arroxeados são apetitosos, mas provocam uma intoxicação alcoólica nas manadas que os comem. Em certas condições, podem ser fatais. No entanto, esta planta só é comum no Mediterrâneo ocidental. O mesmo pode acontecer com a briónia dióica (Bryonia dioica). Planta trepadeira com gavinhas, pode provocar dermatites de diferentes graus de irritação em contacto com a pele. A ingestão de partes da planta (bagas, raiz) provoca vómitos e diarreia, podendo ter consequências graves (delírio, cãibras, etc.). Algumas dúzias de bagas de cores atraentes são suficientes para matar uma criança.

As pessoas boas acreditam que os outros são tão bons como elas! Ah, que verdade que eleva o mestre e condena aqueles que o traem! Durante a releitura do texto datilografado pelo padre Migliorini, Maria Valtorta anotou neste ponto "Trabalhar para redimir com bondade, trabalhar sem esperanças nem ilusões, por puro desejo de cumprir ao máximo o próprio dever, trabalhar para que os outros não percebam que este é mau, para que não o odeiem... Que lição divina o Divino Mestre dá aos guias espirituais e a todos os cristãos!"

"Deus não permite que nos oponhamos ao triunfo da sua vontade amorosa mais do que é útil". Numa folha inserida na cópia dactilografada, Maria Valtorta escreveu:

"Deus deu ao homem o intelecto para compreender, a razão para se orientar como criatura razoável, a consciência para aconselhar, a lei para saber regular-se, a liberdade para merecer o que quiser merecer: Deus e a glória, ou o inferno e a condenação.

Além disso, deu-lhe a graça, ou a predestinação à graça, para que esta seja um estímulo, ou um meio, de elevar as coisas abaixo enumeradas a um nível capaz de lhe dar um santo gosto pelo sobrenatural e por Deus.

Ora, no homem inteligente, razoável, consciente, livre e, sobretudo, instruído na Fé, conhecedor do seu fim último e da Lei divina, só deve haver as acções que a Lei prescreve e que o conhecimento do fim incita a praticar, tal como a razão e a consciência as indicam como boas para todos, mesmo para os que não conhecem a religião revelada, a fim deobter a recompensa eterna que o intelecto humano, tanto mais quando é iluminado pela Graça, é infinitamente superior a todas as concepções que um crente possa imaginar.

Mas acontece por vezes que o homem, agindo contra a razão, transforma a sua liberdade num jugo da mais cruel das escravidões: a do demónio e do pecado, preferindo o Mal ao Bem.

Mesmo que Deus permita que o homem faça o que quiser por sua livre vontade, para o julgar e confirmar na graça ou para julgar que merece castigo, nada diminui a culpa do homem. Com efeito, se é verdade que o homem, sob o impulso de Deus ou sob a instigação de Satanás, pode fazer o bem ou o mal, não é menos verdade que o homem deve seguir apenas Deus e os seus convites amorosos, pois é dele que recebeu todos os dons naturais, morais e sobrenaturais capazes de o tornar filho de Deus, herdeiro do Reino."

Evangelho de Mateus 13, 23-30; 36-43

Mt 13, 23-30; Mt 13, 36-43: O que recebeu a semente em boa terra é aquele que ouve a Palavra e a compreende: dá fruto à razão de cem, ou de sessenta, ou de trinta por um." E contou-lhes outra parábola: "O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto o povo dormia, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o pé cresceu e deu uma espiga de trigo, apareceu também o joio. Os servos do patrão foram ter com ele e disseram-lhe: "Senhor, não é este o bom trigo que semeaste no teu campo? De onde veio o joio? Ele respondeu-lhes: "Foi um inimigo que fez isto." Os servos perguntaram-lhe: "Queres que vamos lá tirá-lo?" Ele respondeu: "Não, se tirardes o joio, correis o risco de arrancar o trigo ao mesmo tempo. Deixai-os crescer juntos até ao tempo da colheita; e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: "Tirai primeiro o joio, atai-o em molhos para o queimar; quanto ao trigo, recolhei-o para o levar para o meu celeiro.""

Depois deixou as multidões e voltou para casa. Os seus discípulos aproximaram-se e disseram-lhe: "Explica-nos claramente a parábola do joio no campo. Ele respondeu-lhes: "O Filho do Homem é aquele que semeia a boa semente; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do Maligno. O inimigo que a semeou é o demónio; a colheita é o fim do mundo; os ceifeiros são os anjos. Tal como o joio é levado e lançado ao fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do Homem enviará os seus anjos, que tirarão do seu reino todos os que causam tropeço e todos os que praticam o mal, e lançá-los-ão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça!

EMF 184.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Agora escutai a parábola do trabalho de Deus nos corações, para fundar neles o seu Reino. Porque cada coração é um pequeno Reino de Deus na terra. Mais tarde, depois da morte, todos esses pequenos reinos se aglutinarão em um só, no incomensurável, santo e eterno Reino dos Céus.

O Reino de Deus nos corações é criado pelo Divino Semeador. Ele vai aos seus terrenos, — pois o homem é de Deus e, por isso, cada homem inicialmente, é dele — e ali espalha a sua semente. Depois vai para outros terrenos, para outros corações. Os dias vêm depois das noites, e as noites depois dos dias. Os dias trazem sol ou chuvas e, neste caso, raios do amor divino e a efusão da Divina Sabedoria, que fala ao espírito. As noites trazem estrelas e silêncio repousantes: em nosso caso são os chamados luminosos de Deus e o silêncio para o nosso espírito, a fim de que a alma possa entrar em recolhimento e medite.

A semente, nessa sucessão de atos providenciais, imperceptíveis e poderosos, se incha, se fende, lança raízes, firma-se no terreno, solta as primeiras folhinhas, e cresce. Tudo isso ela faz sem ajuda do homem. A terra, espontaneamente, faz nascer da semente a erva, depois a erva se torna forte e capaz de sustentar a espiga que já vem saindo; depois essa espiga se ergue, se entumece, endurece, torna-se loira, perfeita e bem granada. Quando fica de todo madura, o semeador volta para passar-lhe a foice, porque para aquela semente chegou o tempo da perfeição. Não poderia ela evoluir mais, e por isso é colhida.

Nos corações minha palavra faz esse mesmo trabalho. Eu falo dos corações que dão acolhida à semente. Mas o trabalho neles é lento. É preciso não estragar tudo pelo atabalhoamento. Que esforço faz a pequena semente para fender-se e para fincar suas raízes na terra! Até para um coração duro e selvagem, é penoso um trabalho destes. Ela precisa abrir-se, deixa-se revirar, acolher coisas novas, cansar-se em alimentá-las, ter aparências diferentes, porque está coberta só com coisas humildes, mas úteis, e não com as mais atraentes, pomposas e exuberantes, que a cobriam antes. Deve contentar-se em trabalhar com humildade, sem atrair a admiração, mas sim para o que for útil dentro do Plano divino. Deve fazer uso de todas as suas capacidades, para crescer e formar a espiga. Deve abrasar-se de amor, para tornar-se grão. E quando, depois de ter superado os respeitos humanos, que são tão molestos, depois de ter-se cansado e sofrido, depois de ter-se acostumado à sua nova veste, ei-la precisando despojar-se dela, por meio de um corte sem piedade. É dar tudo para ter tudo. Ficar despojada para ser revestida no Céu com a estola dos Santos. A vida do pecador, que se torna santo, é o mais longo, o mais heróico e glorioso dos combates. Eu vo-lo digo.

Anotação

Evangelho de Marcos 4, 26-32

Mc 4,26-32 : Ele disse: "O reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente à terra: de noite e de dia, quer durma quer se levante, a semente brota e cresce, não se sabe como. A terra produz, por si mesma, primeiro a erva, depois uma espiga de milho e, por fim, uma espiga de trigo cheia. E logo que o trigo está maduro, ele mete-lhe a foice, porque chegou o tempo da ceifa". E prosseguiu: "A que havemos de comparar o reino de Deus? Que parábola podemos usar para o representar? É como um grão de mostarda: quando o semeais, é a mais pequena de todas as sementes. Mas, quando o semeais, cresce e ultrapassa todos os vegetais; e estende longos ramos, de modo que as aves do céu podem fazer os seus ninhos à sua sombra".

EMF 187.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E daqui para onde iremos? Eu não tenho prática nestes lugares –diz Tomé.

– Chegaremos ao Tabor, iremos ao lado dele por um trecho e, passando perto de Endor, iremos a Naim, e de lá iremos pela planície de Esdrelon. Não tenhais medo!… Doras, o filho de Doras e Jocanã já estão em Jerusalém.

187.4

– Oh! Como deve ser bonito! Dizem que do cume, do ponto mais alto, se pode avistar o Grande Mar, o de Roma. Isso me agrada muito! Vais levar-nos a vê-lo?

João faz a pergunta, com o seu rosto de menino bom levantado para Jesus.

– Por que é que te agrada tanto vê-lo? –pergunta Jesus, acariciando-o.

– Não sei. Porque é grande, e não se vê o seu fim… Ele me faz pensar em Deus… Quando estivemos no Líbano, eu vi o mar pela primeira vez, porque nunca tinha estado a não ser ao longo do Jordão ou então em nosso pequeno mar… e chorei de emoção. Que azul! Quanta água! E sua água não extravasa nunca!… Que coisa maravilhosa! E os astros, que fazem caminhos de luz sobre o mar… Oh! Não riais de mim! Fiquei olhando o caminho de ouro do Sol até ficar ofuscado, o caminho de prata da Lua até não ter mais nos olhos senão aquele candor fixo, e via como eles se iam dissipando e sumindo ao longe, muito longe. E aqueles dois caminhos falavam comigo. Eles me diziam: “É Deus que está naquelas lonjuras sem fim, e estes são os caminhos de fogo e de pureza que uma alma deve seguir, a fim de ir para Deus. Vem. Mergulha no infinito, remando por estes dois caminhos e encontrarás o Infinito.”

– És um poeta, João –diz admirado Tadeu.

– Não sei se isto é poesia. Só sei que acende o coração.

– Mas tu já viste o mar também em Cesareia e Ptolomaida, e bem de perto. Nós estávamos à beira dele. Não vejo necessidade de fazer uma viagem tão grande para ir ver outra água do mar. Afinal, nós nascemos na água… –observa Tiago de Zebedeu.

– E nela estamos ainda agora, infelizmente! –exclama Pedro que, tendo-se distraído por uns instantes, para ficar ouvindo João, não viu uma poça traiçoeira, e nela tomou um verdadeiro banho…

Todos se riem, a começar pelo próprio Pedro.

Mas João responde:

– É verdade. Mas, visto lá de cima, ele é mais belo. Podemos ver mais e mais longe. Ficamos pensando com mais profundidade e amplitude… Ficamos desejando, sonhando…

E, em verdade, João já está sonhando… Olha para a frente e sorri ao seu sonho. Parece uma rosa cor de carne, coberta por um orvalho miudinho, a tal ponto sua pele lisa e clara de jovem louro se torna da cor de um veludo purpurino e se cobre de um leve suor, que a torna ainda mais parecida com uma pétala de rosa.

– Que queres? Com que estás sonhando? –pergunta Jesus, em voz baixa, ao seu predileto, e parece um pai que interroga docemente um querido filhinho, que lhe está contando um doce sonho seu. Fala exatamente à alma de João, Jesus, tão doce no interrogar, para não estragar o sonho do seu amoroso discípulo.

– Eu quero andar por aquele mar infinito… ir a outras terras que estão para lá dele… Eu quero ir para falar de Ti… Estou sonhando… sonhando em ir até Roma, até a Grécia, até os lugares escuros, para levar-lhes a luz… de modo que os que vivem nas trevas, venham a ter contato contigo e vivam em comunhão contigo, ó Luz do mundo… Sonho um mundo melhor… para fazê-lo melhor por meio do conhecimento de Ti, isto é, por meio do conhecimento do Amor, que torne bons, puros, que torne heróico um mundo que se possa amar em teu Nome e — acima do pecado, da carne, do vício da mente, acima do ouro, acima de todas as coisas, — exalte o teu Nome, a tua Fé, a tua Doutrina… sonho de estar eu com estes meus irmãos, indo pelo mar de Deus, Te levando por estradas de luz… como, há tempo, Tua mãe te trouxe dos Céus para nós… Sonho… sonho que sou um menino que, não conhecendo nada mais que o amor, permanece sereno, até quando vai de encontro aos tormentos… e canta para dar coragem aos adultos, que ficam pensando demais, e vai adiante… ao encontro da morte, com um sorriso… ao encontro da glória, com a humildade de quem não sabe bem o que está fazendo e que só sabe ir até Ti, Amor.

Os apóstolos ficaram com a respiração parada, durante a extática confissão de João… Firmes no lugar em que estavam, olham para o mais jovem, que está falando com os olhos velados pelas pálpebras, como por um véu lançado sobre o ardor que sobe do coração e olham para Jesus, que se transfigura na alegria de reencontrar-se tão completo no seu discípulo…

Quando João se cala, ficando um pouco inclinado, — e faz-nos lembrar a graça da Anunciação da Humilde Virgem em Nazaré — Jesus o beija na fronte, dizendo:

– Iremos ver o mar, para fazer-te sonhar ainda com a vinda do meu Reino ao mundo.

EMF 191.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu desejaria ajudar-vos a todos até com bens materiais, mas não posso, e esta é a minha dor. Eu só posso mostrar-vos o Céu. Não posso senão ensinar-vos a grande sabedoria da resignação e prometer-vos o Reino futuro. (...) É melhor serdes Lázaros do que Epulões, podeis acreditar. Procurai chegar a crer nisto e sereis bem-aventurados.

EMF 194.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Tu dizes que abrirás as portas dos Céus. Não estão elas fechadas pelo grande Pecado? A mamãe me dizia que ninguém podia entrar, enquanto não tivesse vindo o perdão, e que os justos o estavam esperando no Limbo.

– É isto mesmo. Mas depois Eu irei para o Pai, depois de ter pregado a palavra de Deus e… ter obtido para vós o perdão, e Eu direi “Pai meu, agora Eu cumpri toda a tua vontade. Agora quero o meu prêmio pelo meu sacrifício. Que venham os justos, que estão esperando o teu Reino.” E o Pai me dirá: “Que seja como Tu queres.” E, então, Eu descerei para chamar todos os justos e o Limbo abrirá as suas portas, ao som da minha voz, e sairão exultantes os santos Patriarcas, luminosos Profetas, as mulheres abençoadas de Israel e depois, sabes quantos meninos? Será como um prado florido de meninos de todas as idades! E, cantando, eles virão atrás de Mim, subindo para o belo Paraíso.

EMF 203.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

“Santificado seja o teu Nome.”

Oh! O nome mais santo e suave que qualquer outro nome. Nome que o terror do culpado vos ensinou a esconder debaixo de um outro. Não, não mais digais Adonai, não mais. É Deus. É Deus que, num excesso de amor, criou a Humanidade. A Humanidade de agora em diante, com os lábios purificados pelo banho que Eu preparo, que ela o chame por seu Nome, reservando-o para a hora de compreender com plenitude da sabedoria o verdadeiro significado deste Incompreensível, quando intimamente unida com Ele, a Humanidade, em seus filhos melhores, tiver sido elevada ao Reino que Eu vim estabelecer[3].

Anotação

vim estabelecer. Assim anota MV em uma cópia datilografada: Como Jesus “revelou o Pai” (João 1,18) durante o seu ministério de Mestre e do modo que podia revelá-lo aos seres vivos, assim será sempre pelo Verbo, Filho do Pai, que os cidadão do Reino de Deus conhecerão a Deus.