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Notas do tema

Mistérios alegres

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EMF 30.1-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Mais tarde, vejo um extenso campo. A lua está no zênite e navega mansamente por um céu apinhado de estrelas. Parecem broches de diamantes fincados em um enorme baldaquim de veludo azul escuro; a lua, ali no meio, sorri com sua cara toda branca, da qual descem rios de uma luz leitosa, que torna branca também a terra. As árvores, sem folhas, parecem mais altas e escuras, sobre um solo esbranquiçado, enquanto os pequenos muros, que vão surgindo aqui e ali, parecem cor de leite, e uma casinha, que se vê ao longe, parece um bloco de mármore de Carrara.

À minha direita, vejo um lugar cercado por uma sebe de espinheiros e um muro baixo ao lado de outros dois. Este muro sustenta o teto de uma espécie de alpendre largo e baixo, que, na parte interna do recinto está construído: uma parte com paredes, e outra com madeira, de modo que, no verão, as partes em madeira possam ser removidas, transformando-se o alpendre em um grande pórtico. Desse pórtico fechado, sai, de vez em quando um balir intermitente e curto. Devem ser ovelhinhas que estão sonhando, ou talvez achando que já esteja próximo o dia, pela claridade da lua. Uma claridade excessiva, tal é a intensidade, está crescendo, como se o satélite estivesse se aproximando da terra, ou brilhan­do por algum misterioso incêndio.

30.2 Um pastor chega até à porta; levando o braço sobre a fronte para proteger os olhos, olha para cima. Parece impossível que ele tenha de se proteger da claridade da lua. Mas está mesmo uma claridade tão viva, que ofusca os olhos, especialmente os olhos de quem acaba de sair de um lugar fechado e escuro. Tudo está calmo. Mas aquela luz causa espanto.

O pastor chama os companheiros. Todos vão até à porta. É um grupo de homens cabeludos e de idades diferentes. Alguns ainda são adolescentes, e outros já estão de cabelos brancos. Estão comentando aquele fato estranho. Os mais jovens estão com medo, especialmente um menino dos seus doze anos, que começa a chorar, tornando-se alvo das brincadeiras dos mais velhos.

– De que estás com medo, seu tolo? –lhe diz o mais velho–. Não estás vendo o ar assim parado? Nunca viste a claridade do luar? Será que estiveste sempre debaixo da saia da mamãe, como um pintinho sob as asas da galinha choca? Mas ainda terás que ver coisas! Uma vez eu tinha caminhado até as montanhas do Líbano, e continuei até além destas montanhas. Eu era jovem e andar não era pesado para mim. Naquele tempo eu também era rico… Uma noite, vi uma luz tão clara, que pensei que Elias estivesse voltando com seu carro de fogo. O céu parecia um grande incêndio. Um velho, daquela época, me disse: “Algum grande acontecimento está para sobrevir ao mundo.” Mas para nós o que de verdade veio foi uma grande desventura: os soldados de Roma. Oh! Mas tu verás, se sobreviveres!…

30.3 O pastorzinho, porém, não o está escutando mais. Parece que não tem mais medo, pois deixa a soleira da porta, escapa por detrás das costas do musculoso pastor, onde se refugiou, e sai na paragem cheia de erva, que está na frente do alpendre. Olha para o alto, e vai caminhando como sonâmbulo, ou hipnotizado por algo que o atrai fortemente. Chegando a um certo ponto, ele grita: “Oh!”, e fica como que petrificado, com os braços um pouco abertos.

Os outros olham-se assombrados.

– Mas, que é que tem aquele tolo? –diz um deles.

– Amanhã eu o mando embora, de volta para sua mãe. Não quero doidos para guardar as ovelhas –diz outro.

E o velho, que falou há pouco, diz:

– Vamos ver, antes de julgar. Chamai também os outros que estão dormindo, e pegai os bastões. Que não seja alguma fera ruim, ou malandros…

Eles entram, chamando os outros pastores, e saem com tochas e bastões. Chegam até onde está o menino.

– Lá, lá –ele murmura sorrindo–. Por cima da árvore, olhai aquela luz que está vindo. Parece que ela vem caminhando sobre o raio da lua. Eis que se aproxima. Como é bela!

– Eu só estou vendo um grande clarão.

– Eu também.

– Eu também –dizem os outros.

– Não. Eu estou vendo algo como um corpo –diz um dos pastores, no qual eu reconheço ser aquele que deu a escudela de leite para Maria.

– É um… é um anjo! –grita o menino–. Eis que ele vem descendo e chegando para perto… Ajoelhemo-nos, diante do anjo de Deus!

Um “Oh!” longo e cheio de respeito se levanta do grupo de pastores, que, prostrando-se com o rosto por terra, parecem estar tanto mais esmagados por aquela aparição fulgente, quanto mais velhos são. Os jovens estão de joelhos, mas estão olhando para o anjo, que se aproxima cada vez mais e, finalmente, paira suspenso no ar, agitando suas grandes asas, candura de pérola na alvura do luar que o circunda, acima do muro do recinto.

– Não temais. Não vos trago desventura. Eu vos anuncio uma grande alegria para o povo de Israel e para todo o povo da terra.

A voz do anjo é como uma harmonia de harpa, que acompanha o canto dos rouxinóis.

– Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador.

Ao dizer isso, o anjo abre ainda mais as suas grandes asas, e as move, como se tivesse sentido um sobressalto de alegria, e, nesse momento uma chuva de centelhas de ouro e de pedras preciosas parece sair dele. Um verdadeiro arco-íris, um arco de triunfo que se forma sobre as pastagens.

– … o Salvador, que é Cristo.

O anjo cintila, com redobrada luz. Suas duas asas, agora paradas e estendidas, com as pontas viradas para o céu, como duas velas imóveis sobre a safira do mar, parecem duas chamas, que sobem ardendo.

– … Cristo, o Senhor!

O anjo recolhe as suas duas fúlgidas asas, e se veste com elas, como se fossem uma sobreveste de diamante sobre uma veste de pérola; inclina-se, como quem está adorando, com os braços cruzados sobre o coração e o rosto, que aí desaparece, porque está inclinado sobre o peito e sob a sombra das pontas das asas que o anjo agora dobrou. Não se vê mais que uma alongada forma luminosa, imóvel, pelo espaço de tempo de um “Glória.”

Mas ele se move de novo. Reabre as asas, levanta o rosto, no qual a luz se funde com um sorriso paradisíaco, e diz:

– Vós o reconhecereis por estes sinais: em uma pobre estrebaria, do outro lado de Belém, encontrareis um menino envolto em faixas, numa manjedoura de animais, porque, para o Messias, não foi encontrado um teto na cidade de Davi.

Ao dizer isso, o anjo ficou sério, ou melhor, ficou triste.

30.4 Mas dos Céus vieram muitos, muitíssimos outros anjos, seme­lhantes àquele primeiro, como por uma escada de anjos que descem, exultantes, e superando a luz da lua com o seu esplendor do paraíso. Eles se reúnem ao redor do anjo anunciador, com um grande agitar de asas e um intenso exalar de perfumes, com um arpejar de notas, nas quais todas as vozes mais belas da criação encontram uma recordação, mas levado à perfeição, quanto à pureza e beleza do som. Se a pintura é o esforço da matéria para se transformar em luz, aqui a melodia é o esforço da música para fazer brilhar aos homens a beleza de Deus. Ouvir esta melodia é conhecer o paraíso, onde tudo é harmonia do amor que se desprende de Deus, alegrando os bem-aventurados, que, por sua vez, se dirigem a Deus, dizendo: “Nós te amamos!”

O “Glória” dos anjos se espalha, sempre mais ao longe, pelo campo silencioso e com ele vai o clarão da luz. Os passarinhos unem seu canto, como saudação a esta luz que chegou antes da hora, e as ovelhas­ dão os seus balidos, por este antecipado sol. Mas eu gosto de pensar que são os animais que saúdam ao seu Criador, como também o boi e o jumento na gruta. Saúdam o próprio Criador que veio até eles, para amá-los como Homem, além de amá-los como Deus.

O canto vai diminuindo, e a luz também, enquanto os anjos vão subindo, de volta para os céus…

30.5 … Os pastores também voltam a si.

– Ouviste?

– Vamos lá ver?

– E as ovelhas?

– Oh! Não acontecerá nada com elas! Nós vamos para obedecer à palavra de Deus!…

– Mas, aonde iremos?

– Ele não disse que nasceu hoje? E que não achou alojamento em Belém?

É o pastor que deu a escudela de leite, o que está falando agora.

– Vinde comigo, eu sei: encontrei a mulher, e ela me causou pena. Ensinei um lugar para ela, pois imaginava que não iriam encontrar alojamento. Entreguei ao homem uma escudela de leite para ela. É tão jovem e bela, deve ser boa como o anjo que nos falou. Vinde. Vinde. Vamos apanhar leite, queijos, cordeiros e peles curtidas. Eles devem ser muito pobres e… que frio não estará passando Aquele cujo nome não ouso pronunciar! E pensar que eu falei à mãe como a uma pobre esposa!…

Vão, então, até o alpendre, saindo de lá pouco depois. Um deles com pequenas botijas de leite, outro com cestinhas de esparto trançadas, contendo queijinhos redondos, outros com cestos nos quais se encontram, um cordeiro balindo e peles de ovelha curtidas.

– Eu levo uma ovelha. Há um mês que ela deu cria. O leite dela está bom. Ela lhes poderá ser útil, se a mulher não tiver leite. Pois me parecia uma menina, tão branca!… É um rosto de jasmim, à luz da lua –diz o pastor da escudela. É ele que vai guiando os outros.

30.6 Saem todos à luz da lua e das tochas, depois de terem fechado o alpendre e o recinto. Vão pelas trilhas campestres, por entre sebes de espinheiros, que estão sem folhas, por ser inverno.

Dão a volta por detrás de Belém. Chegam à estrebaria, indo pelo lado oposto que foi Maria, de modo a não passarem diante das estrebarias mais bonitas, sendo esta a primeira que encontram. Aproximam-se da abertura.

– Entra!

– Eu não tenho coragem.

– Entra tu.

– Não.

– Olha lá dentro, pelo menos.

– Tu, Levi, que viste o anjo primeiramente, sinal de que és melhor do que nós, olha!

Na verdade, antes disseram que ele era doido… mas agora convém que ele tenha a coragem que eles não têm.

O menino vacila, mas depois se decide. Aproxima-se da abertura, afasta um pouquinho o manto, olha… e fica extasiado.

– Que é que estás vendo? –perguntam-lhe ansiosos, em voz baixa.

– Vejo uma mulher jovem e bela e um homem curvados sobre uma manjedoura, e ouço… ouço chorar um menino pequeno, e a mulher lhe fala com uma voz… oh! que voz!

– Que está ela dizendo?

– Ela está dizendo assim: “Jesus pequenino! Jesus, amor da tua mamãe! Não chores meu filhinho!” Ela diz ainda: “Oh! Se eu pudesse dizer-te: ‘Toma o leite, meu pequenino!’ Mas ainda não o tenho.” Ela diz: “Tem tanto frio, meu amor! E o feno te está espinhando. Que dor para tua mamãe ouvir-te chorando assim, e não poder dar-te conforto!” Ela está dizendo: “Dorme, minha alma! Parte-me o coração ao ouvir-te chorar, e ao ver-te derramar lágrimas!”, e o beija e o aquece certamente nos pezinhos com suas mãos, pois ela está inclinada, com as mãos para dentro da manjedoura.

– Chama! Faça com que te ouçam!

– Eu, não. Chama tu, que até aqui nos conduzistes e que a co­nheceis.

O pastor abre a boca, e se limita a dar um gemido.

30.7 José se vira, e vai à porta.

– Quem sois vós?

– Somos pastores. Viemos trazer-vos alimento e lã. Viemos adorar o Salvador.

– Entrai.

Eles entram, e a estrebaria se torna mais clara por causa da luz das tochas. Os velhos empurram os novos à sua frente.

Maria se vira e sorri.

– Vinde –ela diz–. Vinde!

E os convida com um gesto e um sorriso, segurando aquele que viu o anjo e puxando-o para perto de si, junto à manjedoura. O menino olha, feliz.

Os outros, convidados também por José, vão à frente com os seus presentes, e os colocam todos, com breves e comovidas palavras, aos pés de Maria. Depois se detêm em olhar o Menino Jesus, que está chorando baixinho, e sorriem, emocionados e felizes.

Um deles, mais corajoso, diz:

– Toma, ó mãe. É macia e limpa. Eu a tinha preparado para o meu filho que está para nascer. Mas te dou. Envolve o teu Filho com esta lã delicada e quente.

E lhe oferece a pele de uma ovelha, uma pele muito bonita, com muita lã, uma lã muito clara e comprida.

Maria soergue Jesus e o enrola nela. E o mostra aos pastores que, de joelhos sobre o feno do chão, o contemplam enlevados.

Tornam-se agora mais corajosos, e um deles propõe:

– Seria necessário dar-lhe um pouco de leite, ou melhor, água e mel. Mas nós não temos mel, que é muito bom para os bebês. Tenho sete filhos, e sei disso…

– Aqui está o leite. Toma-o, ó mulher.

– Mas está frio. Precisa ser quente. Onde está o Elias? Ele tem a ovelha.

Elias deve ser aquele da escudela de leite e não está. Ficou parado lá fora, olhando por uma fenda e não podendo ser visto, por causa da escuridão da noite.

– Quem vos guiou até aqui?

– Um anjo, que nos disse para virmos e junto com Elias, nos guiou até aqui. Mas onde estará ele agora?

A ovelha de Elias é que, com o seu balido, denuncia-o.

– Venha para a frente, que te estamos esperando.

Ele entra com sua ovelha, envergonhado, porque todos estão de olhos nele.

– Então, és tu? –diz José, ao reconhecê-lo.

E Maria lhe sorri, dizendo:

– És bom.

Tiram o leite da ovelha e, com a ponta de um pano mergulhado no leite quente e espumoso, Maria molha os lábios do Menino Jesus, que suga aquela doçura cremosa. Todos sorriem, ainda mais, quando, com a ponta do paninho ainda entre os lábios, Jesus adormece com o bom calor da lã.

30.8 – Mas aqui não podeis ficar. Aqui faz frio e é muito úmido. E depois… aqui tem um cheiro forte de animais. Isto não faz bem… e… não fica bem para o Salvador.

– Eu sei –diz Maria com um grande suspiro–, mas, não há lugar para nós em Belém.

– Coragem, Mulher! Nós vamos procurar uma casa para ti.

– Vou falar com minha patroa –diz Elias.

– Ela é boa, e vos acolherá, ainda que precisasse ceder-vos o seu quarto. Logo que raiar o dia, vou falar com ela. Ela está com a casa cheia de gente. Mas vos arranjará um lugar.

– Pelo menos para o meu Menino. Eu e o José estamos dormindo no chão. Mas para o Pequenino…

– Não fiques suspirando, mulher. Nisso penso eu. Vamos dizer a muitos o que nos disseram. Não vos faltará nada. Por enquanto, tomai o que a nossa pobreza vos pode dar. Nós somos pastores…

– Nós também somos pobres. E não vos podemos pagar –diz José.

– Oh! Nem nós queremos! Ainda que o pudésseis, nós não quereríamos! O Senhor já nos pagou. Ele prometeu a paz a todos. Os anjos diziam assim: “Paz aos homens de boa vontade.” Mas a nós, Ele já a deu, porque o anjo disse que este Menino é o Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Nós somos pobres e ignorantes, mas sabemos que os profetas dizem que o Salvador será o Príncipe da Paz. E a nós Ele disse que viéssemos adorá-lo. Com isso nos deu a Sua paz. Glória a Deus nos céus altíssimos e glória ao seu Cristo, e bendita sejas tu, mulher, que o geraste! És santa, porque mereceu carregá-lo no seio! Dá-nos tuas ordens, como nossa rainha, que seremos felizes em podermos servir-te. Que é que podemos fazer por ti?

– Amar o meu Filho, e ter sempre no coração os pensamentos que tendes agora.

– Mas, e para ti? Não desejas nada? Não tens parentes aos quais desejas comunicar que Ele nasceu?

– Sim, eu os teria. Mas não moram perto daqui. Moram em Hebron.

– Eu vou até lá –diz Elias–. Quem são eles?

– Zacarias, o sacerdote, e Isabel, minha prima.

– Zacarias?! Oh! Eu o conheço bem. Durante o verão, eu vou por aqueles montes, pois as pastagens por lá são muito boas e bonitas, e sou amigo do pastor. Quando eu souber que estás alojada, irei à casa de Zacarias.

– Obrigada, Elias.

– Não precisas agradecer. Grande honra é para mim, um pobre pastor, ir falar ao sacerdote, e dizer-lhe: “Nasceu o Salvador.”

– Não. Tu dirás assim: “Maria de Nazaré, tua prima, manda dizer que nasceu Jesus, e que vades a Belém.”

– Assim eu direi.

– Deus te recompense por isso.

30.9 Eu me recordarei de ti, e de todos vós.

– Falarás de nós ao teu Menino?

– Sim, falarei.

– Eu sou Elias.

– Eu sou Levi.

– Eu sou Samuel.

– Eu sou Jonas.

– Eu sou Isaque.

– Eu sou Tobias.

– Eu sou Jônatas.

– Eu sou Daniel.

– Eu sou Simeão.

– Eu me chamo João.

– Eu José, e meu irmão Benjamim, somos gêmeos.

– Eu me lembrarei dos vossos nomes.

– Precisamos ir… Mas voltaremos… E te traremos outros, que virão para adorar!

– Como voltar ao ovil, deixando este Menino?

– Glória a Deus, que já no-Lo mostrou!

– Deixa-nos beijar a roupinha dele –diz Levi com o sorriso de um anjo.

Maria ergue Jesus devagar e, sentada sobre o feno, oferece os pezinhos envolvidos no linho, para que os beijem. Os pastores se inclinam até o chão e beijam aqueles pés minúsculos, cobertos por um tecido. Quem tem barba, ajeita-a primeiro, quase todos choram e, quando chega o momento de partir, saem, relutantes, deixando alí o coração.

A visão cessa aqui, com Maria sentada sobre o feno com o Menino no colo e José que, apoiado com um cotovelo sobre a manjedoura, olha­ e adora.

Anotação

O anjo que aparece aos pastores, e particularmente a Levi, é São Gabriel Arcanjo. Jesus confirma-o na EMV 136.6.

Lucas 2,8-20:

Na mesma região, havia pastores que viviam fora e passavam a noite nos campos para cuidar dos seus rebanhos. O anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor brilhou à volta deles. Eles ficaram muito assustados. Então o anjo disse-lhes: "Não tenhais medo, pois eis que vos trago uma boa nova de grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, o Salvador, que é Cristo Senhor. E este é o sinal que vos é dado: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura". E, de repente, apareceu com o anjo uma multidão celestial inumerável, louvando a Deus e dizendo: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama".

Quando os anjos deixaram os pastores para o céu, disseram uns aos outros: "Vamos a Belém para ver o que aconteceu, o acontecimento que o Senhor nos deu a conhecer". Apressaram-se a chegar e encontraram Maria e José com o recém-nascido deitado na manjedoura. Depois de terem visto, contaram o que lhes tinha sido anunciado sobre o menino. E todos os que ouviram ficaram admirados com o que os pastores lhes tinham dito. Maria, porém, lembrava-se de todos estes acontecimentos e reflectia sobre eles no seu coração. Os pastores puseram-se de novo a caminho, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, tal como lhes tinha sido anunciado.

EMF 31.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– O homem, que me mandastes disse-me que estáveis sem casa, quando o Menino nasceu. Sabe-se lá quanto tereis sofrido.

– Sim, é bem verdade. Mas o nosso medo era maior do que o incômodo. Tínhamos medo que prejudicasse o Menino. Nos primeiros dias tivemos que ficar sem casa. Mas não faltou nada para nós, porque os pastores levaram a boa nova aos habitantes de Belém. E foram muitos os seus presentes. Mas faltava uma casa, faltava um aposento mais resguardado, uma cama. Jesus chorava tanto, especialmente à noite, por causa do vento que entrava por toda a parte. Eu fazia um pouco de fogo. Pouco, porque a fumaça fazia o Menino tossir… e o frio continuava. Dois animais esquentam pouco, especialmente lá onde o ar frio entra por todos os buracos! Faltava água quente para lavar o Menino, faltava roupa seca para trocá-lo. Oh! Ele sofreu muito! E Maria sofria ao vê-lo sofrer. Se eu sofria… podes imaginar Sua mãe. Ela lhe dava leite e lágrimas, leite e amor. Agora, aqui estamos melhor. Eu tinha preparado um berço muito cômodo, e Maria o tinha completado com um colchãozinho bem macio. Mas ficou em Nazaré! Ah! Se Ele tivesse nascido lá, teria sido diferente!

– Mas o Cristo devia nascer em Belém. Foi profetizado.

EMF 32.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

32.1 Vejo sair de uma casinha muito modesta um casal de pessoas. De uma pequena escada externa desce uma mãe muito jovem com um menino nos braços, envolvido em um pano branco.

Reconheço esta nossa mamãe. É sempre ela, pálida e loira, elegante e tão gentil em tudo o que faz. Está vestida de branco, com um manto azul claro, no qual se envolve. Na cabeça traz um véu branco. Vai levando com todo o cuidado o seu Menino.

Aos pés da escadinha, José a espera, ao lado de um burrinho cinzento. José está todo vestido de cor marrom claro, tanto na túnica, como no manto. Ele olha para Maria, e lhe sorri. Quando Maria chega perto do burrinho, José passa a rédea do animal por baixo do braço esquerdo e segura, por um momento, o Menino, que está dormindo tranqüilo, para que Maria possa acomodar-se melhor na sela. Depois ele lhe devolve Jesus, e põem-se a caminho.

José vai ao lado de Maria, segurando sempre o animal pela rédea, e prestando atenção para que este vá sempre direito, e sem tropeçar. Maria está com Jesus no colo e, como por temor de que o frio lhe possa fazer mal, estende sobre ele um dos lados de seu manto. Os dois esposos falam pouco, mas sorriem um para o outro freqüentemente.

A estrada, que está longe de ser um modelo de estrada, vai-se estendendo pelo meio de um campo que, nesta estação do ano, está vazio. Um ou outro viajante passa pelo casal, mas são raros.

32.2 Depois, eis as casas que vão aparecendo e alguns dos muros que rodeiam as cidades. Os dois esposos entram por uma porta, começando o percurso sobre o calçamento (muito irregular) da cidade. O caminho se torna muito mais difícil, seja porque o trânsito os obriga a parar o burrinho com frequência, seja porque este dá contínuas sacudidelas sobre as pedras e os buracos, perturbando Maria e o Menino.

A estrada não é plana, é uma ladeira ainda que leve. Está apertada entre as casas altas, de portinhas estreitas e baixas, com raras janelas, que dão para a rua. No alto, o céu se mostra, com muitos retalhos do seu azul, entre uma casa e outra, ou melhor, entre um e outro terraço. Em baixo, na rua, há gente e vozerio, transeuntes que se encontram com aqueles que estão nos seus jumentos, ou com os que conduzem jumentos com carga. Outros vão indo atrás de alguma embaraçante caravana de camelos. Aum certo ponto, passa uma patrulha de legionários romanos, com grande barulho de cascos e de armas, desaparecendo atrás de um arco colocado em uma rua muito estreita e pedregosa.

José vira para a esquerda, e entra por uma rua mais larga e mais bonita. No fim desta vejo o muro de uma fortaleza, que eu já conhe­ço.

Maria apeia do burrinho, junto à porta, onde há uma espécie de posto para outros jumentos. Eu digo “posto”, porque é parecido com um barracão, ou melhor, um telheiro, onde há palha pelo chão e umas estacas com argolas onde se amarram os animais.

José dá algumas moedas a um homenzinho, que apareceu por ali, conseguindo deste modo um pouco de feno e um cântaro de água tirada de um poço velho que fica num canto, para alimentar o burrinho. Em seguida, vai ao encontro de Maria, entrando com ela no recinto do Templo.

32.3 Dirigem-se primeiro para os pórticos, onde estão aqueles que Jesus mais tarde fustigaria severamente: os vendedores de pombos e cordeiros e os cambistas. José compra dois pombinhos brancos. Não troca o dinheiro. Compreende-se que ele já tem a quantia certa.

José e Maria se dirigem a uma porta lateral, de oito degraus, como, me parece, tenham todas as portas. É como se o cubo do Templo seja erguido do solo. Esta porta tem um grande átrio, parecido com os portões de nossas casas das cidades, mas seu átrio é mais amplo e adornado. Nele se encontram à direita e à esquerda, duas espécies de altares, ou seja, duas construções retangulares, cuja finalidade, a princípio, não compreendo bem. Parecem baixas bacias, porque a parte interna é mais baixa do que a beirada externa, que fica alguns centímetros mais alta.

Aparece um sacerdote, não sei se chamado por José, ou se tendo vindo por si mesmo. Maria lhe oferece os dois pobres pombos e eu, que já sei qual a sorte que eles vão ter, viro o olhar para o outro lado. Observo os ornatos do pesado portal, do teto e do átrio. Mas parece-me ver, com o rabo do olho, o sacerdote aspergir Maria com água. Deve ser água, porque não vejo ficarem manchas em sua veste. Depois, Maria que, junto com os pombinhos tinha dado uma porção de moedas ao sacerdote (eu me tinha esquecido de dizer isso), entra com José no Templo verdadeiro e propriamente dito, acompanhada pelo sacerdote.

Eu olho para todos os lados. É um lugar cheio de adornos. Esculturas de cabeças de anjos, palmas e outros ornatos estão sobre as colunas, sobre as paredes e o teto. A luz penetra por curiosas janelas longas e estreitas, naturalmente sem vidros, abertas em diagonal sobre a parede. Suponho que seja para impedir a entrada dos aguaceiros.

32.4 Maria segue até um certo ponto, onde pára. A alguns metros há outros degraus, e acima deles há outra espécie de altar, por trás do qual, há ainda uma construção.

Percebo agora que eu achava que estivesse no Templo, mas me encontrava na parte que contorna o Templo verdadeiro e propriamente dito, isto é, o Santo, dentro do qual ninguém, a não ser os sacerdotes, acho que podem entrar. Aquilo que eu pensei que fosse o Templo não é mais do que um vestíbulo fechado, que cerca em três partes o Templo, onde está encerrado o Tabernáculo. Não sei se me expliquei bem. Mas não sou arquiteta, nem engenheira.

Maria oferece ao sacerdote o Menino, que acabou de despertar e está movendo os olhinhos inocentes ao redor de si próprio, com aquele olhar espantado dos bebês de dias. O sacerdote o toma em seus braços, e o ergue, virado para o Templo, junto àquela espécie de altar, que está acima dos degraus. O rito terminou. O Menino é restituído à mamãe, e o sacerdote se retira.

32.5 Há várias pessoas olhando, curiosas. Um velhi­nho encurvado abre caminho entre essas pessoas, mancando, e apoiando-se num bastão. Deve ter muita idade, eu diria, mais de oitenta anos. Aproxima-se de Maria, pedindo-lhe que o deixe pegar o Menino por um instante. Maria atende ao seu pedido, sorrindo.

Simeão pega o Menino e o beija. Eu sempre acreditei que ele pertencesse à classe sacerdotal, mas ao invés parecer ser apenas um simples fiel, a julgar pelas suas roupas. Jesus lhe sorri, fazendo aquela caretinha cheia de dúvidas, característica das crianças de peito. Parece que o observa com curiosidade, porque o velhinho está chorando e rindo ao mesmo tempo, e suas lágrimas fazem um verdadeiro bordado de pontinhos de luz, brilhando, enquanto vão-se insinuando por entre as rugas, enchendo de pérolas a barba longa e branca, para a qual Jesus estende as mãozinhas. É Jesus, mas é sempre um bebê, e tudo o que se move à sua frente lhe chama a atenção, e lhe dá vontade de pegar para conhecer melhor, seja lá o que for. Maria e José sorriem, e também os presentes, que elogiam a beleza do Pequenino.

Ouço as palavras do velho santo, e vejo o olhar espantado de José, o olhar comovido de Maria e também da pequena multidão, em parte admirada mas também comovida, tomada pela alegria pelas palavras do velho. No meio da pequena multidão estão alguns barbudos e enfatuados sinedritas, que balançam a cabeça, olhando para Simeão com uma compaixão zombeteira. Devem pensar que está fora de seu juízo, pela idade.

32.6 O sorriso de Maria se apaga e se transforma em uma acentuada

palidez, quando Simeão lhe anuncia sua futura dor. Por mais que ela já o saiba, esta palavra lhe aflige o espírito. Ela se aproxima ainda mais de José, em busca de conforto, apertando com sentimento o seu Menino ao seio, bebendo, como alma sequiosa, as palavras de Ana que, sendo mulher, tem piedade do sofrimento de Maria, e lhe promete que o Eterno amenizará com uma força sobrenatural, a hora de sua dor:

– Mulher­, para aquele que deu o Salvador ao seu povo, não faltará poder para mandar um anjo confortar-te no teu pranto. Nunca faltou a ajuda do Senhor às grandes mulheres de Israel, e tu és bem mais do que Judite e Jael. O nosso Deus te dará um coração de ouro puríssimo, para que possas resistir ao mar de dor, pelo qual te tornarás a maior mulher da criação, a Mãe. E tu, Menino, lembra-te de mim, na hora da tua missão.

E aqui cessa minha visão.

Anotação

Lucas 2, 22-38 : Quando se cumpriu o tempo prescrito pela Lei de Moisés para a purificação, os pais de Jesus levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei: Todo o primogénito do sexo masculino será consagrado ao Senhor. Foram também oferecer o sacrifício prescrito pela Lei do Senhor: um par de rolas ou duas pombinhas.

Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era um homem justo e religioso que estava à espera da consolação de Israel, e o Espírito Santo estava sobre ele. O Espírito Santo tinha-lhe dito que não veria a morte enquanto não visse Cristo, o Messias do Senhor. Sob a influência do Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais apresentaram o menino Jesus, segundo o rito da Lei, Simeão recebeu-o nos braços e bendisse a Deus, dizendo

"Agora, ó soberano Mestre, podes deixar o teu servo partir em paz, segundo a tua palavra. Pois os meus olhos viram a salvação que preparaste diante dos povos: a luz que se revela às nações e dá glória ao teu povo Israel".

O pai e a mãe do menino ficaram maravilhados com o que se dizia dele. Simeão abençoou-os e depois disse a Maria, sua mãe: "Eis que este menino vai provocar a queda e a ascensão de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição - e a tua alma será atravessada por uma espada - e os pensamentos que saem do coração de muitos serão revelados".

Havia também uma mulher profeta, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era muito idosa; após sete anos de casamento, ficou viúva e atingiu a idade de oitenta e quatro anos. Nunca abandonava o Templo, servindo a Deus dia e noite, em jejum e oração. Nesta mesma hora, proclamava os louvores de Deus e falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

EMF 32.7-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

32.7 Jesus diz:

– Nascem dois ensinamentos para todos, da descrição que fizeste.

O primeiro: Não é a um sacerdote mergulhado nos ritos, mas o espírito ausente, e, sim, a um simples fiel que a verdade se revela.

O sacerdote, sempre em contato com a Divindade, voltado a tudo que é relacionado a Deus, dedicado a tudo o que está acima da carne, deveria ter percebido logo quem era o Menino que estava sendo oferecido ao Templo, naquela manhã. Mas, para que pudesse pressentir, precisava de um espírito vivo. Não simplesmente de uma veste para cobrir um espírito, que, se não estava morto, estava muito adormecido.

O Espírito de Deus pode, se quiser, trovejar e sacudir, como um raio e um terremoto, até o espírito mais obtuso. Isto Ele pode. Mas geralmente, visto que Ele é Espírito de ordem, dado que Deus é ordem em cada uma de Suas Pessoas e em Seu modo de agir, Ele se expande e se comunica, não digo só onde há merecimento suficiente para receber a sua efusão (e nesse caso, seriam poucos os casos em que Ele se expandiria, nem mesmo tu conhecerias as suas luzes) mas, sim, onde Ele vê “boa vontade” em merecer a sua efusão.

Como se explica essa boa vontade? Tanto quanto possível, com uma vida inteira em Deus. Na fé, na obediência, na pureza, na caridade, na generosidade, na oração. Não tanto no ativismo, mas na oração. Há uma diferença menor entre a noite e o dia, do que entre o ativismo e a oração. A oração é comunhão de espírito com Deus, da qual, vós saís revigorados e decididos a serdes sempre mais d’Ele. O ativismo é um hábito qualquer, feito por diversos fins, mas sempre egoístas, deixando-vos como sois, ou melhor, vos agrava até de uma culpa de mentira e de acídia.

32.8 Simeão tinha esta boa vontade. A vida não lhe tinha poupado trabalhos e provações. Mas ele não perdeu a boa vontade. Os anos e as vicissitudes não tinham enfraquecido nem abalado a sua fé no Senhor, nas Suas promessas, e não tinham diminuido a sua boa vontade de ser sempre mais digno de Deus. Antes que os olhos de seu servo fiel se fechassem à luz do sol, na esperança de se reabrirem ao Sol de Deus rutilando nos Céus (que seriam abertos, quando Eu lá subisse, após o meu martírio) Deus lhe mandou um raio do Espírito, que o guiou ao Templo para ver a Luz do mundo.

“Movido pelo Espírito Santo”, diz o Evangelho. Oh! Se os homens soubessem que Amigo perfeito é o Espírito Santo! Que Guia, que Mestre! Se amassem e invocassem, este Amor da Santíssima Trindade, esta Luz da Luz, este Fogo do Fogo, esta Inteligência, esta Sabedoria! Muito além do necessário, eles haveriam de saber!

Escuta, Maria; escutai, meus filhos: Simeão esperou durante toda uma longa vida para “ver a Luz”para saber que a promessa de Deus estava cumprida. Mas ele nunca duvidou. Nunca disse a si mesmo: “É inútil que eu persevere em esperança e em oração.” Ele perseverou. E alcançou a graça de “ver” o que nem o sacerdote, nem os sinedritas, cheios de soberba e opacidade, viram: o Filho de Deus, o Messias, o Salvador naquele corpo infantil, que lhe dava calor e sorrisos. Ele recebeu portanto o sorriso de Deus, como primeiro prêmio de sua vida honesta e piedosa, através dos meus lábios de Menino.

32.9 Segunda lição: As palavras de Ana. Também ela, que é profetisa, vê o Messias em Mim, recém-nascido. Isto é natural, dada a sua capacidade de profecia. Mas escuta, escutai o que ela, inspirada pela fé e pela caridade, diz à minha mãe. Tirai disto luz para o vosso espírito, para que ele rejubile neste tempo de trevas, nesta festa da Luz. “A Ruem deu um Salvador não faltará o poder de dar o seu anjo para confortar o teu, o vosso pranto.”

Pensai que Deus deu-se a si mesmo, para anular a obra de satanás nos espíritos. Agora não poderá Ele vencer os satanases que vos torturam? Não poderá enxugar o vosso pranto, derrotando esses satanases e enviando-vos de novo a paz do seu Cristo? Por que não o pedir com fé? Fé verdadeira, poderosa, uma fé, diante da qual, o rigor de Deus, desprezado por vossas inúmeras culpas, caia com um sorriso, trazendo o perdão como ajuda, trazendo a sua bênção, como arco-íris sobre esta terra que está submergindo em um dilúvio de sangue procurado por vós mesmos?

Pensai: O Pai, depois de ter castigado os homens com o dilúvio, disse a Si mesmo e ao Seu patriarca: “Não amaldiçoarei mais a terra por causa dos homens, porque os sentidos e os pensamentos do coração do homem estão inclinados para o mal, desde a adolescência; portanto, não ferirei o ser vivo mais uma vez.” Ele foi fiel à Sua palavra. Não mandou mais o dilúvio. Mas vós, muitas vezes já dissestes a vós mesmos e a Deus: “Se nos salvarmos desta vez, se nos salvas, não faremos mais guerras, nunca mais.” E depois sempre continuais fazendo guerras, cada vez mais tremendas. Quantas vezes, ó homens falsos e sem respeito para com o Senhor é a vossa palavra? No entanto, Deus vos ajudaria ainda uma vez, se a grande massa dos fiéis o chamasse com fé e amor poderoso.

Escutai, ó vós todos — que, sendo muito poucos para contrabalançar os muitos que estão mantendo vivo o rigor de Deus, permanecei devotos a Ele, não obstante a hora tremenda que ameaça crescer a cada instante — e colocai as vossas aflições aos pés de Deus. Ele saberá mandar-vos o Seu anjo, como mandou o Salvador ao mundo. Não temais. Ficai unidos à Cruz. Ela sempre venceu as insídias do demônio, que, por meio da ferocidade dos homens e das tristezas da vida, procura o domínio dos homens pelo desespero, isto é, pela separação de Deus, pois não pode apoderar-se dos corações de outra maneira.

Detalhe

Maria acabou de ver a apresentação de Jesus no Templo.

EMF 39.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

39.2 Vejo Maria inclinada sobre um alguidar, ou melhor, sobre uma bacia de cerâmica, misturando alguma coisa que solta fumaça no ar frio e sereno que enche o pomar de Nazaré.

Deve ser pleno inverno, porque, a não ser as oliveiras, todas as outras plantas estão nuas, desprovidas de folhas. No alto, um céu muito limpo, e também um belo sol. Mas não consegue amenizar o vento do Norte, que puxa e faz bater uns nos outros os ramos despojados de folhas e ondular os pequenos ramos verde-cinzentos das oliveiras.

Maria está vestida com uma pesada veste de um marrom quase preto e amarrou na frente uma tela rústica, em lugar de um avental, para proteger sua veste. Tira da tina o bastão com que estava mexendo um líquido, e vejo caírem dele gotas de uma bonita cor averme­lha­da. Maria observa, molha um dedo nas gotas que caem, experimenta se a cor está boa, passando-a na tela que está sobre sua veste. Parece satisfeita.

Entra em casa, e sai com muitas meadas de uma lã muito branca. Mergulha-as uma por uma na tina, com paciência e com habilidade.

39.3 Enquanto ela faz isso, entra, vindo da oficina de José, sua cunhada Maria, mulher de Alfeu. Elas se saúdam e começam a falar.

– Vai indo bem? –pergunta Maria de Alfeu.

– É o que espero.

– Aquela gentia me garantiu que se trata da tinta e do modo de prepará-la como fazem em Roma. Deu a mim só porque és tu que fizeste esses trabalhos. Ela diz que nem em Roma há quem faça bordados como tu. Deves ter sacrificado a vista, para fazê-los…

Maria sorri, e faz um movimento com a cabeça, como para dizer: “Coisas sem importância!”

A cunhada olha, antes de entregar a Maria as últimas meadas de lã.

– Como foi que as fiaste? Parecem cabelos, de tão finos e iguais que são! Fazes tudo tão bem… e, como és esperta! Estas últimas meadas ficarão mais claras?

– Sim. São para a veste. O manto é mais escuro.

As duas mulheres trabalham juntas, na tina. Depois, tiram as mea­das com uma bela cor de púrpura, e correm rápidas para irem mer­gulhá-las na água gelada que enche o tanque sob uma pequena fonte, que cai dando notinhas de música, que parecem umas risadinhas baixas. Elas enxaguam, e tornam a enxaguar, depois estendem sobre bambus as meadas e as prendem de um ramo a outro das árvores.

– Com este vento, logo estarão secas –diz a cunhada.

– Vamos ver o José. Lá temos fogo. Deves estar gelada –diz a mãe de Jesus–. Foste muito boa em ajudar-me. Acabei depressa e com menos cansaço. Eu te agradeço.

– Oh! Maria! Que não faria eu por ti? Estar perto de ti, já é uma festa! Além disso… é para Jesus todo este trabalho. E é tão querido o teu Filho!… A mim me parece que fico sendo também a mãe dele, se eu te ajudar a preparar a festa de sua maioridade.

As duas mulheres entram na oficina, cheia daquele cheiro de madeira aplainada, cheiro próprio das oficinas de carpinteiro.

EMF 39.4-6

O Evangelho como me foi revelado

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Vejo Jesus entrar com sua mamãe, na espécie de sala de jantar de Nazaré.

Jesus é um belo jovenzinho de doze anos, alto, bem feito de corpo e robusto, sem ser gordo. Parece mais adulto do que é, pela sua compleição. Já está alto, tanto que atinge os ombros da mãe. Tem ainda o rosto redondo e rosado do Jesus menino, rosto que, depois, com a idade juvenil e viril, se emagrecerá, e se tornará de uma cor indefinida, a cor de certos delicados alabastros, que lembram, de longe, o amarelo rosado.

Os olhos, também os olhos, são ainda de menino. Grandes, bem abertos e com uma centelha de alegria, perdida no meio da seriedade com que olham. Depois, eles não serão mais tão abertos… As pálpebras descerão até a metade dos olhos, para encobrir o mal demasiado que está no mundo aos olhos do Santo e Puro. Só nos momentos de milagres é que eles estarão bem abertos e cintilantes, mais ainda do que agora… para expulsar os demônios e a morte, para curar as doenças e os pecados. E não estarão mais, nem mesmo com aquela centelha de alegria misturada com a seriedade… A morte e o pecado lhe estarão cada vez mais presentes e próximos, e com eles o conhecimento, também humano, da inutilidade do seu sacrifício, por causa da má vontade do homem. Só os raríssimos momentos de alegria, por estar com os remidos, e especialmente com os puros, meninos em sua maior parte, farão brilhar de alegria estes olhos­ santos e bons.

Mas agora Ele está com sua mamãe, em sua casa, e diante Dele está José, que lhe sorri com amor, e estão também os seus priminhos, que o admiram, e a tia Maria de Alfeu, que o acaricia… Ele está feliz. O meu Jesus tem necessidade de amor para ser feliz. Neste momento Ele tem amor.

Jesus está vestido com uma veste solta de lã vermelha, de tonalidade rubi claro. Ela é macia, de textura perfeita, na sua compacta tenuidade. Junto ao pescoço, na frente, por baixo das mangas longas e largas, e da veste, que desce até o chão, deixando descobertos apenas os pés, que estão calçados com sandálias novas e muito bem feitas — não as costumeiras solas, fixadas ao pé por meio de tiras de couro — está um galão, não bordado, mas tecido em cor mais escura sobre o vermelho rubi da veste. Deve ser obra da mamãe, porque a cunhada a admira e elogia.

Os belos cabelos loiros já estão carregados de uma tonalidade bem diferente de quando Ele era pequenino, agora com cintilações de cobre nas volutas dos caracóis, que terminam abaixo das orelhas. Não são mais os caracoizinhos curtos e leves da infância. Não são ainda os cabelos ondulados e compridos até aos ombros, onde terminam em macias madeixas aneladas na idade adulta. Mas já tendem mais para esta última na cor e na forma.

39.5 – Eis aqui o nosso Filho –diz Maria, levantando a sua mão direita, na qual está a mão esquerda de Jesus.

Parece que o está apresentando a todos e reconfirmando a paternidade do Justo, que está sorrindo. E ela acrescenta:

– Abençoa-o, José, antes de Ele partir para Jerusalém. Não foi necessária a bênção ritual, em sua idade de ir para a escola, primeiro passo na vida. Mas agora que Ele vai ao Templo, para ser declarado maior de idade, dá-lhe a bênção. E abençoa a mim também, junto com Ele. A tua bênção… (Maria dá um soluço) O fortificará e me dará força, para me desapegar um pouco mais Dele…

– Maria, Jesus será sempre teu. A fórmula não incidirá em nossos mútuos relacionamentos. Nem eu vou disputá-lo contra ti, este Filho que nos é tão caro. Ninguém como tu merece guiá-lo na vida, ó minha­ Santa.

Maria se inclina, pega a mão de José, e a beija. Ela é a esposa, oh! e quão amorosa e respeitosa para com o seu consorte!

José acolhe aquele sinal de respeito e de amor com dignidade, mas depois levanta aquela mão que foi beijada, e a coloca sobre a cabeça da esposa, dizendo:

– Sim, eu te abençôo, ó Bendita, e a Jesus junto contigo. Vinde, minhas únicas alegrias, minha honra e meu ideal.

José está solene. Com os braços estendidos, e as palmas das mãos voltadas para o chão sobre as duas cabeças inclinadas, igualmente loiras e santas, ele pronuncia a bênção:

– O Senhor vos guarde e vos abençoe. Tenha misericórdia de vós, e vos dê a paz. O Senhor vos dê a sua bênção.

E depois diz:

– Agora vamos. A hora é propícia para a viagem.

39.6 Maria apanha um manto grande, cor de romã, coloca sobre o corpo do Filho, e, ao fazer isso, o acaricia!

Saem e fecham a porta. Põem-se a caminho. Outros peregrinos vão indo na mesma direção. Ao saírem da cidade, as mulheres se separam dos homens. Os meninos vão com quem preferirem. Jesus fica com a mãe.

Os peregrinos vão salmodiando pelos belos campos, nestes alegres dias de primavera. Prados e searas frescas e frescas as ramagens das árvores, que floriram, há pouco. Ouvem-se os cantos dos homens pelos campos e pelas ruas e os dos pássaros nas árvores. Córregos límpidos servem de espelho para as flores que estão às margens e cordeirinhos saltam ao lado de suas mães. Há paz e alegria, sob o mais belo céu de abril.

A visão cessa assim.

Detalhe

Descrição física do Menino Jesus e da bênção de José antes de partir para Jerusalém.

EMF 41.2-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Quando acordo, com a lembrança daquela visão no coração, tendo recobrado um pouco as forças e a paz, porque todos estão dormindo, me encontro em um lugar que eu nunca tinha visto antes. Nele há pátios e fontes, séries de pórticos e casas, ou melhor, pavilhões, pois têm mais características de pavilhões do que de casas. Há uma grande multidão de gente, vestida à antiga moda hebraica, num forte vozerio. Olhando ao meu redor, compreendo que estou dentro daquele aglomerado para o qual Jesus estava olhando, porque vejo a muralha com ameias que o rodeia, a torre que o vigia e a imponente construção, que se ergue no centro, e contra a qual vão-se estreitando os pórticos, muito bonitos e espaçosos, sob os quais há muita gente, tratando de uma coisa ou de outra.

Compreendo que estou no recinto do Templo de Jerusalém. Vejo fariseus com suas compridas vestes ondulantes, sacerdotes vestidos de linho e com uma placa preciosa na parte superior do peito e da fronte, e outros pontos brilhantes espalhados aqui e ali sobre diversas vestes muito amplas e brancas, ajustadas à cintura por um cinto precioso. Depois, vejo outros que estão menos ornados, mas que devem certamente pertencer à classe sacerdotal, e que estão rodeados por discípulos mais jovens. Compreendo que eles são os doutores da Lei. Entre todos estes personagens, eu me encontro desorientada, porque não sei ao certo o que estou fazendo aqui.

41.3 Aproximo-me do grupo dos doutores, onde se iniciou uma disputa teológica. Muita gente faz a mesma coisa.

Entre os “doutores” há um grupo chefiado por um homem chamado Gamaliel e por um outro, velho e quase cego, que defende Gamaliel na disputa. Este, que ouço ser chamado de Hilel, (coloco o h porque ouço uma aspiração ao princípio do nome) parece-me ser mestre ou parente de Gamaliel, porque este o trata com confiança e respeito, ao mesmo tempo. O grupo de Gamaliel tem vistas mais largas, enquanto que um outro grupo, mais numeroso, é dirigido por um homem que chamam de Shamai, dotado daquela intransigência cheia de ódio retrógrado do qual o Evangelho tão bem nos mostra.

Gamaliel, rodeado por um grupo numeroso de discípulos, fala da vinda do Messias e, apoiando-se na profecia de Daniel, sustenta que o Messias já deve ter nascido, porque já há cerca de dez anos que as setenta semanas profetizadas se completaram, desde que saiu o decreto da reconstrução do Templo. Shamai o combate, afirmando que, se é verdade que o Templo foi reedificado, também é verdade que a escravidão de Israel aumentou, e a paz, que haveria de trazer consigo Aquele que os Profetas chamavam “Príncipe da Paz”, está longe de existir no mundo, especialmente em Jerusalém, agora oprimida por um inimigo, que ousa levar a sua dominação até dentro do recinto do Templo, que está dominado pela torre Antônia, cheia de legionários romanos, prontos a reprimir com suas espadas qualquer levante de independência dos patriotas.

A disputa, cheia de cavilações, dá sinais de que irá prolongar-se. Cada um dos mestres faz ostentação de erudição, não só para vencer o rival, mas para impor-se à admiração dos ouvintes. Esta intenção é evidente.

41.4 Do numeroso grupo dos fiéis, ouve-se sair a voz jovem de um rapazinho:

– Gamaliel está certo!

Então começa um movimento no meio da multidão e do grupo dos doutores. Estão procurando quem foi que disse aquelas palavras. Mas não é preciso procurá-lo. Ele não se esconde, e vem abrindo caminho por entre a multidão, aproximando-se do grupo dos “rabinos.” Reconheço nele o meu Jesus adolescente. Ele está seguro do que diz, com aqueles seus dois olhos cintilando e cheios de inteligência.

– Quem és tu? –lhe perguntam.

– Sou um filho de Israel, que vim cumprir o que ordena a Lei.

Esta resposta, audaz e firme, agrada e provoca sorrisos de aprovação e benevolência. Interessam-se pelo pequeno israelita.

– Como te chamas?

– Jesus de Nazaré.

A benevolência diminui no grupo de Shamai. Mas Gamaliel, mais benigno, prossegue no diálogo com Hilel. Aliás, é Gamaliel que com deferência diz ao velho:

– Pergunta ao rapazinho alguma coisa.

– Em que é que se baseia a tua segurança? –pergunta Hilel.

(Vou pôr os nomes antes das respostas, para abreviar e tornar-se mais claro).

Jesus:

– Na profecia, que não pode errar quanto à época e quanto aos sinais que a acompanham, quando chega o momento da verificação. É uma verdade que César nos está dominando. Mas o mundo estava tão em paz, e a Palestina em tão grande calma, quando se cumpriram as setenta semanas, que foi possível a César ordenar que se fizesse o recenseamento em seus domínios. Ele não teria podido fazer, se houvesse guerra no Império ou levantes na Palestina. Como aquele tempo se cumpriu, assim também está se cumprindo o outro tempo de sessenta e duas semanas mais uma, desde a realização do Templo, para que o Messias seja ungido e se confirme a continuação da profecia, para o povo que não o quis. Podeis ter dúvidas? Não vos lembrais que a estrela foi vista pelos Sábios do Oriente e que foi parar justamente no céu de Belém de Judá, e que as profecias e as visões, desde Jacó e após ele, indicam aquele lugar como o destinado a acolher o nascimento do Messias, filho do filho do filho de Jacó, através de Davi, que era de Belém? Não vos lembrais de Balaão? “Uma estrela nascerá de Jacó”. Os Sábios do Oriente, cuja pureza e fé tornavam abertos os seus olhos e seus ouvidos, viram a estrela e entenderam o seu nome: “Messias”, e vieram adorar a Luz que desceu ao mundo.

41.5 Shamai, com um olhar rancoroso:

– Tu dizes que o Messias nasceu no tempo da estrela, em Belém-Efrata?

Jesus:

– Eu o digo.

Shamai:

– Então, ele não existe mais. Não sabes, rapaz, que Herodes fez matar todos os meninos de um dia até dois anos de idade em Belém e nos arredores? Tu, que és tão sábio na Escritura, deves saber também isto: “Um grito se ouviu no alto… É Raquel, que está chorando os seus filhos.” Os vales e as colinas de Belém, que recolheram o pranto de Raquel, que estava morrendo, ficaram cheios de pranto, e as mães choravam também sobre seus filhos que foram mortos. Entre elas estava certamente também a mãe do Messias.

Jesus:

– Estás enganado, ó velho! O pranto de Raquel se transformou em hosana, porque lá onde ela deu à luz o “filho da sua dor”, a nova Raquel deu ao mundo o Benjamim do Pai celeste, o Filho da sua destra, Aquele que está destinado a reunir o povo de Deus sob o seu cetro, e livrá-lo da mais tremenda escravidão.

Shamai:

– E como, se Ele foi morto?

Jesus:

– Não leste a respeito de Elias? Ele foi arrebatado no carro de fogo. E não poderá o Senhor Deus ter salvo o seu Emanuel para que fosse o Messias do seu povo? Ele, que abriu o mar diante de Moisés, para que Israel passasse a pé seco para a sua terra, não terá podido mandar os seus anjos para salvarem o seu Filho, o seu Cristo, da ferocidade do homem? Em verdade, eu vos digo: o Cristo vive, e está entre vós, e, quando chegar a sua hora, Ele se manifestará em seu poder.

Jesus, ao dizer estas palavras, que eu sublinho, tem na voz um som que enche o espaço. Os seus olhos cintilam mais ainda e, com um gesto de império e de promessa, Ele estende o braço e a mão direita, e os abaixa, como fazendo um juramento. É um rapazinho, mas está solene como um homem.

41.6 Hilel:

– Rapazinho, quem te ensinou estas palavras?

Jesus:

– Espírito de Deus. Eu não tenho mestre humano. Esta é a Palavra do Senhor, que vos está falando, através dos meus lábios.

Hilel:

– Vem cá entre nós, para que eu te possa ver de perto, ó mocinho, e a minha esperança se reavive ao contato da tua fé, e a minha alma se ilumine ao sol da tua.

E Jesus vai, de fato, sentar-se em um banco alto entre Gamaliel e Hilel, e lhe são levados uns rolos para que os leia e explique. É um exame em plena regra. A multidão se aglomera e escuta.

A voz juvenil de Jesus lê:

– “Consola-te, ó meu povo! Falai ao coração de Jerusalém, consolai-a porque a sua escravidão se acabou… Voz do que grita no deserto: preparai os caminhos do Senhor… Então aparecerá a glória do Senhor…”

Shamai:

– Estás vendo, nazareno! Aqui se fala de escravidão que se acaba. Nunca fomos escravos como o somos agora. Aqui se fala de um precursor. Onde está ele? Tu estás delirando.

Jesus:

– Eu te digo que a ti, mais do que a outros, está feito o convite do Precursor. A ti e aos teus semelhantes. De outra maneira, não verás a glória do Senhor, nem compreenderás a palavra de Deus, porque as baixezas, as soberbas, as duplicidades serão para ti um obstáculo para veres e ouvires.

Shamai:

– Falas assim a um mestre?

Jesus:

– Assim falo. E assim falarei até à morte. Porque, acima do que me é útil, está o interesse do Senhor e o amor à Verdade, da qual sou Filho. E te digo ainda, ó rabi, que a escravidão, de que fala o Profeta, e da qual Eu falo, não é aquela que pensas, como a realeza não será aquela que pensas. Mas, sim, é pelo mérito do Messias que o homem se tornará livre da escravidão do Mal, que o separa de Deus, e o sinal do Cristo estará sobre os espíritos, livres de todo jugo, e feitos súditos do Reino eterno. Todas as nações curvarão suas cabeças, ó estirpe de Davi, diante do Rebento nascido de ti, e que se tornou árvore que cobre toda a terra, e se levanta até o Céu. E no Céu e na terra, toda boca louvará o seu Nome, e dobrarão o joelho, diante do Ungido de Deus, do Príncipe da Paz, do Chefe, Daquele que se dará a si mesmo para delícia das almas cansadas, saciará a alma faminta, do Santo que fará uma aliança entre a terra e o Céu. Não como aquela aliança feita com os Pais de Israel, quando Deus os tirou do Egito, tratando-os ainda como escravos, mas imprimindo a paternidade celeste no espírito dos homens, por meio da Graça novamente infundida pelos méritos do Redentor, pelo qual todos os homens bons conhecerão o Senhor, e o Santuário de Deus não será mais derribado e destruído.

Shamai:

– Não fiques blasfemando, mocinho! Lembra-te de Daniel. Ele diz que, depois da morte de Cristo, o Templo e a Cidade serão destruídos por um povo e por um chefe que virá. E Tu estás dizendo que o Santuário de Deus não será mais derrubado! Respeita os Profetas!

Jesus:

– Em verdade eu te digo que aqui está Alguém que é mais do que os Profetas, e tu não o conheces, e não o conhecerás, porque te falta a vontade. E te digo que tudo o que Eu disse é verdade. Não conhecerá mais a morte o verdadeiro Santuário. Mas como o seu Santificador, ressurgirá para a vida eterna e, no fim dos dias do mundo viverá no Céu.

41.7 Hilel:

– Escuta, jovenzinho. Ageu diz: “virá o Desejado dos povos. Grande será, então, a glória desta casa, maior do que a que coube à primeira.” Estará ele se referindo ao Santuário de que Tu falas?

Jesus:

– Sim, mestre. Quer dizer isso. A tua retidão te leva para a Luz, e Eu te digo: quando o Sacrifício do Cristo se consumar, terás paz, porque és um israelita sem malícia.

Gamaliel:

– Diz-me, Jesus. A paz, de que falam os Profetas, como poderá ser esperada, se a este povo virá a destruição pela guerra? Fala, e dá luz a mim também.

Jesus:

– Não te lembras, mestre, o que foi que disseram aqueles que estiveram presentes na noite do nascimento de Cristo? Não te lembras de que os exércitos celestiais cantavam: “Paz aos homens de boa vontade”? Mas este povo não tem boa vontade, e não terá paz. Ele desconhecerá o seu Rei, o Justo, o Salvador, porque espera que Ele seja um rei de poderes humanos, enquanto que Ele é o Rei do espírito. Este povo não o amará, porque o Cristo pregará o que a este povo não agrada. O Cristo não debelará os seus inimigos com seus carros e cavalos, mas, sim, os inimigos da alma, que dominam, com possessão infernal, o coração do homem criado pelo Senhor. E esta não é a vitória que Israel está esperando Dele. Ele virá, Jerusalém, o teu Rei, cavalgando uma “jumenta e um jumentinho”, ou seja, os justos de Israel e os gentios. Mas o jumentinho, Eu vo-lo digo, será mais fiel a Ele, e o seguirá precedendo a jumenta, e crescerá no caminho da Verdade e da Vida. Israel, pela sua má vontade, perderá a paz, e sofrerá em si, através dos séculos, aquilo que fizer sofrer ao seu Rei, depois de tê-lo reduzido ao Rei das dores, de que fala Isaías.

41.8 Shamai:

– Tua boca tem, ao mesmo tempo, cheiro de leite e de blasfêmia, nazareno. Responde-me: E onde está o Precursor? Quando o teremos?

Jesus:

– Ele já está aqui. Não diz Malaquias: “Eis que eu mando o meu anjo a preparar o caminho diante de Mim; e logo virá ao seu Templo o Dominador, por vós procurado, e o Anjo do Testamento por vós desejado”? Portanto, o Precursor virá imediatamente antes de Cristo. Ele já está aqui, como o Cristo está. Se passassem anos entre aquele que prepara os caminhos do Senhor e o Cristo, todos os caminhos se tornariam cheios de entulhos e obstáculos. Deus sabe disso, e predispõe que o Precursor venha uma hora só antes do Mestre. Quando virdes o Precursor, podereis dizer: “A missão do Cristo começou.” E a ti Eu te digo: O Cristo abrirá muitos olhos e muitos ouvidos, quando ele vier por estes caminhos. Mas não os teus, nem os dos iguais a ti, que lhe dareis a morte, em troca da Vida, que Ele vos oferece. Mas quando, mais alto do que este Templo, mais alto do que o Tabernáculo, fechado no Santo dos santos, mais alto do que a Glória sustentada pelos Querubins, o Redentor estiver sobre o seu trono e sobre o seu altar, fluirão de suas mil e mil feridas maldições para os deicidas e vida para os gentios, porque Ele, ó mestre, que disso não sabes, não é, eu repito, Rei de um reino humano, mas de um Reino espiritual, e os seus súditos serão somente aqueles que por seu amor souberem regenerar-se no espírito e, como Jonas, depois de terem nascido, renascerem em outras praias: “as de Deus”, através da geração espiritual que virá por Cristo, o qual dará à humanidade a verdadeira Vida.

41.9 Shamai e seus acólitos:

– Este nazareno é Satanás!

Hilel e os seus:

– Não. Este jovem é Profeta de Deus. Fica comigo, Menino. A minha velhice transfundirá tudo o que sabe ao teu saber, e Tu serás Mestre do povo de Deus.

Jesus:

– Em verdade, te digo que, se muitos fossem como tu és, viria a salvação para Israel. Mas a minha hora ainda não chegou. A Mim falam as vozes do Céu, e, na solidão, Eu as devo acolher, enquanto não chegar a minha hora. Então, com os lábios e com o sangue, falarei a Jerusalém, e minha sorte será a dos Profetas que foram apedrejados e mortos por esta cidade. Mas, acima do meu ser, está o Senhor Deus, ao qual Eu submeto a Mim mesmo, como servo fiel, para que Ele faça de Mim o escabelo à sua glória, na esperança de que Ele faça do mundo o escabelo aos pés de Cristo. Esperai-me na minha hora. Estas pedras ouvirão de novo a minha voz, e tremerão à minha última palavra. Felizes aqueles que naquela voz tiverem ouvido a Deus, e crerem Nele, através dela. A estes o Cristo dará aquele Reino que o vosso egoísmo deseja que seja um reino humano, mas que é celeste e pelo qual Eu digo: “Eis aqui o teu servo, Senhor, que veio para fazer a tua vontade. Consuma-a, pois Eu anseio para cumpri-la.”

E aqui, com a visão de Jesus com o rosto inflamado pelo ardor espiritual erguido ao céu, os braços abertos, em pé, no meio dos doutores atônitos, termina a minha visão.

Anotação

Lucas 2:42-51

Quando Jesus tinha doze anos, foram em peregrinação, segundo o costume. No fim da festa, quando regressavam a casa, o jovem Jesus ficou em Jerusalém sem que os seus pais o soubessem. Pensando que ele se encontrava na caravana dos peregrinos, estes percorreram um dia de caminho antes de o procurarem entre os seus familiares e conhecidos. Como não o encontraram, regressaram a Jerusalém e continuaram a procurar. Ao fim de três dias, encontraram-no no Templo, sentado entre os doutores da Lei: ouvia-os e fazia-lhes perguntas, e todos os que o ouviam elogiavam a sua inteligência e as suas respostas. Quando os pais o viram, ficaram espantados, e a mãe disse-lhe: "Filho, porque nos fizeste isto? Vê como o teu pai e eu sofremos à tua procura! Ele respondeu-lhes: "Como é que me procuraram? Não sabíeis que tenho de estar com o meu Pai? Mas eles não entenderam o que ele estava a dizer. Desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso. A sua mãe guardava todos estes acontecimentos no seu coração.

EMF 41.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Gamaliel, rodeado por um grupo numeroso de discípulos, fala da vinda do Messias e, apoiando-se na profecia de Daniel, sustenta que o Messias já deve ter nascido, porque já há cerca de dez anos que as setenta semanas profetizadas se completaram, desde que saiu o decreto da reconstrução do Templo. Shamai o combate, afirmando que, se é verdade que o Templo foi reedificado, também é verdade que a escravidão de Israel aumentou, e a paz, que haveria de trazer consigo Aquele que os Profetas chamavam “Príncipe da Paz”, está longe de existir no mundo, especialmente em Jerusalém, agora oprimida por um inimigo, que ousa levar a sua dominação até dentro do recinto do Templo, que está dominado pela torre Antônia, cheia de legionários romanos, prontos a reprimir com suas espadas qualquer levante de independência dos patriotas.

A disputa, cheia de cavilações, dá sinais de que irá prolongar-se. Cada um dos mestres faz ostentação de erudição, não só para vencer o rival, mas para impor-se à admiração dos ouvintes. Esta intenção é evidente.

41.4 Do numeroso grupo dos fiéis, ouve-se sair a voz jovem de um rapazinho:

– Gamaliel está certo!

Então começa um movimento no meio da multidão e do grupo dos doutores. Estão procurando quem foi que disse aquelas palavras. Mas não é preciso procurá-lo. Ele não se esconde, e vem abrindo caminho por entre a multidão, aproximando-se do grupo dos “rabinos.” Reconheço nele o meu Jesus adolescente. Ele está seguro do que diz, com aqueles seus dois olhos cintilando e cheios de inteligência. (...)

– Em que é que se baseia a tua segurança? –pergunta Hilel.

(Vou pôr os nomes antes das respostas, para abreviar e tornar-se mais claro).

Jesus:

– Na profecia, que não pode errar quanto à época e quanto aos sinais que a acompanham, quando chega o momento da verificação. É uma verdade que César nos está dominando. Mas o mundo estava tão em paz, e a Palestina em tão grande calma, quando se cumpriram as setenta semanas, que foi possível a César ordenar que se fizesse o recenseamento em seus domínios. Ele não teria podido fazer, se houvesse guerra no Império ou levantes na Palestina. Como aquele tempo se cumpriu, assim também está se cumprindo o outro tempo de sessenta e duas semanas mais uma, desde a realização do Templo, para que o Messias seja ungido e se confirme a continuação da profecia, para o povo que não o quis. Podeis ter dúvidas? Não vos lembrais que a estrela foi vista pelos Sábios do Oriente e que foi parar justamente no céu de Belém de Judá, e que as profecias e as visões, desde Jacó e após ele, indicam aquele lugar como o destinado a acolher o nascimento do Messias, filho do filho do filho de Jacó, através de Davi, que era de Belém? Não vos lembrais de Balaão? “Uma estrela nascerá de Jacó”. Os Sábios do Oriente, cuja pureza e fé tornavam abertos os seus olhos e seus ouvidos, viram a estrela e entenderam o seu nome: “Messias”, e vieram adorar a Luz que desceu ao mundo.

41.5

Shamai, com um olhar rancoroso:

– Tu dizes que o Messias nasceu no tempo da estrela, em Belém-Efrata?

Jesus:

– Eu o digo.

Shamai:

– Então, ele não existe mais. Não sabes, rapaz, que Herodes fez matar todos os meninos de um dia até dois anos de idade em Belém e nos arredores? Tu, que és tão sábio na Escritura, deves saber também isto: “Um grito se ouviu no alto… É Raquel, que está chorando os seus filhos.” Os vales e as colinas de Belém, que recolheram o pranto de Raquel, que estava morrendo, ficaram cheios de pranto, e as mães choravam também sobre seus filhos que foram mortos. Entre elas estava certamente também a mãe do Messias.

Jesus:

– Estás enganado, ó velho! O pranto de Raquel se transformou em hosana, porque lá onde ela deu à luz o “filho da sua dor”, a nova Raquel deu ao mundo o Benjamim do Pai celeste, o Filho da sua destra, Aquele que está destinado a reunir o povo de Deus sob o seu cetro, e livrá-lo da mais tremenda escravidão.

Shamai:

– E como, se Ele foi morto?

Jesus:

– Não leste a respeito de Elias? Ele foi arrebatado no carro de fogo. E não poderá o Senhor Deus ter salvo o seu Emanuel para que fosse o Messias do seu povo? Ele, que abriu o mar diante de Moisés, para que Israel passasse a pé seco para a sua terra, não terá podido mandar os seus anjos para salvarem o seu Filho, o seu Cristo, da ferocidade do homem? Em verdade, eu vos digo: o Cristo vive, e está entre vós, e, quando chegar a sua hora, Ele se manifestará em seu poder.

Jesus, ao dizer estas palavras, que eu sublinho, tem na voz um som que enche o espaço. Os seus olhos cintilam mais ainda e, com um gesto de império e de promessa, Ele estende o braço e a mão direita, e os abaixa, como fazendo um juramento. É um rapazinho, mas está solene como um homem.

Anotação

Daniel 9, 21-27: Estava eu ainda a falar em oração, quando Gabriel - o ser que eu tinha visto no início da visão - veio rapidamente ter comigo à hora da oferta da noite. Ele instruiu-me, dizendo: "Daniel, saí agora para te abrir o entendimento. Desde o início da tua súplica, surgiu uma palavra e eu vim anunciá-la a ti, pois és amado por Deus. Compreendei a palavra e procurai compreender a aparição.

Setenta semanas foram reservadas para o teu povo e para a tua cidade santa, para acabar com a perversidade e pôr fim ao pecado, para expiar a iniquidade e realizar a justiça eterna, para cumprir a visão e a profecia e para consagrar o Santo dos Santos. Conhecer e compreender! Desde o momento em que foi dada a ordem para reconstruir Jerusalém até à vinda de um messias, um líder, haverá sete semanas. Durante sessenta e duas semanas, reconstruirão as praças e os muros, mas será na angústia dos tempos. E após as sessenta e duas semanas, um messias será removido. O povo de um futuro chefe destruirá a cidade e o Lugar Santo. Depois, num dilúvio, chegará o seu fim. Até ao fim da guerra, as devastações decididas terão lugar.

Durante uma semana, esse chefe reforçará a aliança com uma multidão; durante metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta, e numa das alas do Templo estará a Abominação da Desolação, até que o extermínio decidido se derreta sobre o autor dessa desolação."

EMF 41.11-13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

[…].

– Voltemos muito, muito atrás. Voltemos ao Templo, onde Eu, aos doze anos, estou disputando. Ou melhor, voltemos às ruas que levam a Jerusalém, e de Jerusalém ao Templo.

Vê a angústia de Maria, quando, tendo-se reunido às filas dos homens e das mulheres, viu que Eu não estava com José.

Ela não levanta a voz, em ásperas repreensões contra o esposo. Todas as mulheres o teriam feito. Vós o fazeis por muito menos, esquecendo-vos de que o homem é sempre o chefe da casa. Mas a dor que transparece no rosto de Maria, magoa José, mais do que qualquer repreensão. Maria não se abandona a cenas dramáticas. Vós, por muito menos, o fazeis, pois gostais de ser notadas, e feitas alvos de compaixão. Mas a dor contida de Maria é tão evidente, pelo tremor que a toma, pelo rosto que empalidece, pelos olhos que se dilatam, que comove mais do que qualquer cena de pranto e de clamor.

Não sente mais cansaço, nem fome. O caminho foi longo e, depois de tantas horas, não tomou nenhum alimento! Mas ela deixa tudo. Tanto a enxerga, que está sendo arrumada, como a comida que ia ser distribuída. Volta atrás. É tarde, a noite desce. Não importa. Cada passo que dá leva-a de volta a Jerusalém. Faz parar as caravanas e os peregrinos. Pergunta a todos. José a segue e a ajuda. Um dia de caminho, voltando, e depois uma penosa busca pela cidade.

Onde, onde poderá estar o seu Jesus? E Deus permite que ela não saiba, durante tantas horas onde é que devia ir me procurar. Procurar um menino no Templo, seria uma coisa sem sentido. Que teria um menino ido fazer no Templo? No máximo, teria se perdido na cidade, e se tivesse voltado para dentro do Templo, levado pelos seus pequenos passos, sua voz chorosa teria chamado pela mãe atraindo a atenção dos adultos, dos sacerdotes, os quais teriam providenciado para que se procurassem os pais dele, por meio de avisos colocados nas portas. Mas não havia nenhum aviso. Ninguém na cidade sabia desse Menino. Bonito? Loiro? Robusto? Mas há tantos assim! Era muito pouco para se poder dizer: “Eu o vi. Estava em tal ou tal lugar!”

41.12

Três dias depois, símbolo de outros três dias de futura angústia, eis que Maria, exausta, penetra no Templo, percorre os pátios e os vestíbulos. Nada. Corre, corre a pobre mãe, no rumo de onde lhe pareceu vir uma voz de menino. E, até os cordeiros, que estão balindo, lhe parecem o pranto do Filho, que está procurando. Mas Jesus não está chorando. Ele está ensinando. Neste momento, Maria ouve, do outro lado de uma barreira de pessoas, a querida voz, que diz: “Estas pedras tremerão…” Ela tenta atravessar a multidão, e só o consegue, depois de muito esforço. Aqui está o Filho, de braços abertos, em pé entre os doutores.

Maria é a Virgem prudente. Mas desta vez a angústia venceu a sua reserva. É como um dique, que enfrenta o que vier. Ela corre até o Filho, e o abraça levantando-o do banco, pondo-o no chão, e exclama: “Oh! Por que nos fizeste isto? Há três dias que estamos à tua procura. Tua mãe está para morrer de dor, Filho. Teu pai está exausto de cansaço. Por que Jesus?”

Não se pergunta os “porquês” a Quem sabe os “porquês” de seu modo de agir. Aos chamados não se pergunta “porque”, deixam tudo para seguir a voz de Deus. Eu era a Sabedoria e sabia. Eu fui “chamado” para uma missão, e a estava cumprindo. Acima do pai e da mãe desta terra, está Deus, o Pai divino. Os seus interesses superam os nossos, e seus afetos são superiores a qualquer outro. Eu digo isso a minha mãe.

Termino o ensinamento aos doutores, com o ensinamento a Maria, Rainha dos doutores. E ela nunca mais esqueceu isso. O sol voltou ao seu coração, quando me tomou pela mão, humilde e obediente, mas as minhas palavras também ficaram em seu coração. Muito sol e muitas nuvens passarão pelo céu, durante aqueles vinte e um anos, em que Eu estarei ainda sobre a terra. E muita alegria e muito pranto se alternará em seu coração, por outros vinte e um anos. Mas ela nunca mais me perguntará: “Por que, meu Filho, nos fizeste isto?”

Aprendei, ó homens insolentes!

41.13

Eu expliquei e esclareci a visão, porque tu não estás em condições de fazer mais.