Eis uma nova subida muito íngreme, porque a comitiva, deixando a estrada mestra, poeirenta e cheia de gente, preferiu entrar por um atalho, que vai pelo meio do mato. E, tendo chegado ao alto, vêem brilhar, lá ao longe, mas bem visível, um mar que resplende, suspenso sobre um aglomerado branco, que talvez sejam casas alvejadas pela cal.
– Jabé –chama-o Jesus–, vem cá. Estás vendo aquele ponto de ouro? É a Casa do Senhor. Lá tu vais jurar obediência à Lei. Tu a conheces bem?
– Mamãe me falou dela e meu pai me ensinou os preceitos. Eu sei ler… e acho que sei o que “eles” me ensinaram antes de morrer.
O menino, que correra sorrindo para atender ao chamado de Jesus, agora está chorando, com a cabeça baixa e a mão tremendo na mão de Jesus.
– Não chores. Escuta. Sabes onde estamos? Aqui é Betel. Foi aqui que o santo Jacó teve o seu sonho angélico. Tu o conheces? Lembras-te dele?
– Sim, Senhor. Ele viu uma escada que ia da terra ao Céu e por ela, para baixo e para cima, iam e vinham os anjos. E a mamãe me dizia que, na hora da morte, se tivermos sido sempre bons, veremos a mesma coisa e se poderia ir, por aquele escada, até a Casa de Deus. Muitas coisas dizia-me minha mãe… Mas agora não me dirá mais nada… eu as tenho todas aqui e é tudo o que tenho dela…
As lágrimas descem daquele rostinho triste.
– Não chores assim! Escuta, Jabé. Eu também tenho uma mãe, que se chama Maria, e que é santa e boa e sabe dizer muitas coisas. É mais sábia do que um mestre, melhor e mais bela do que um anjo. Agora nós estamos indo à casa dela. Ela vai gostar muito de ti. Vai dizer-te muitas coisas. E, depois, com ela está a mãe de João, que também é boa e também se chama Maria. E a mãe do meu irmão Judas, também ela doce como um pão de mel e também chamada Maria. Elas gostarão muito de ti. Muito mesmo. Porque tu és um bom menino e por amor de Mim, porque te amo tanto. Depois, tu crescerás com elas e, quando cresceres, serás um santo de Deus, pregarás como um doutor sobre Jesus, que te deu de novo uma mãe aqui e que abrirá as portas do Céu para tua falecida mãe, para o teu pai, e que as abrirá também para ti, quando chegar a tua hora. Tu nem terás necessidade de subir pela comprida escada dos Céus, na hora da tua morte. Já terás subido por ela, durante a tua vida, procurando ser um bom discípulo, e te encontrarás lá, à porta aberta do Paraíso, e Eu também lá estarei, e te direi: “Vem, meu amigo e filho de Maria”, e estaremos juntos.
O sorriso luminoso de Jesus, que vai caminhando um pouco inclinado, para ficar mais perto do rostinho levantado do menino, que caminha ao lado com sua mãozinha na dele, e aquela história maravilhosa enxugam as lágrimas do menino, e fazem despontar um sorriso.