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Notas da palavra-chave

Pregação de Jesus Cristo

Tema: Vida cristã · Página 7 de 7

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EMF 184.3-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Deixas-me ficar aqui?

– Fica. Vamos contar uma bela parábola ao Benjamim, e aqueles que já não são crianças a aplicarão a si mesmos e à Maria de Magdala. Escutai.

Em vós há uma dúvida sobre a conversão de Maria para o Bem. Nenhum sinal nela dá a entender que ela queira dar passos nesse sentido. Descarada e desavergonhada, ela, consciente de sua posição e de seu poder, já ousou até desafiar as pessoas, como quando foi até à soleira de uma porta, onde se estava chorando por causa dela. A uma censura de Pedro, ela respondeu ainda com uma risada. Ao meu olhar, que a convida, respondeu com uma atitude de soberba. Vós talvez teríeis querido, uns por amor para com Lázaro, outros por amor para comigo, que Eu falasse a ela diretamente, numa conversa demorada com ela, para dominá-la com o meu poder e mostrando assim a minha força de Messias Salvador. Não. Não é preciso tudo isso. Eu o disse[1] a uma pecadora, há muitos meses. As almas devem agir por si mesmas. Eu passo, jogando a semente. Em segredo, a semente trabalha. E a alma fica respeitada nesse trabalho. Se a primeira semente não vingar, semeia-se uma segunda, depois outra… e só nos retiramos dali, quando tivermos provas suficientes de que o semear ali é inútil. E se reza. A oração é como um orvalho sobre as glebas: ela as conserva fofas e nutridas, a fim de que a semente possa germinar. Não fazes assim, mulher, com as tuas verduras?

184.4 Agora escutai a parábola do trabalho de Deus nos corações, para fundar neles o seu Reino. Porque cada coração é um pequeno Reino de Deus na terra. Mais tarde, depois da morte, todos esses pequenos reinos se aglutinarão em um só, no incomensurável, santo e eterno Reino dos Céus.

O Reino de Deus nos corações é criado pelo Divino Semeador. Ele vai aos seus terrenos, — pois o homem é de Deus e, por isso, cada homem inicialmente, é dele — e ali espalha a sua semente. Depois vai para outros terrenos, para outros corações. Os dias vêm depois das noites, e as noites depois dos dias. Os dias trazem sol ou chuvas e, neste caso, raios do amor divino e a efusão da Divina Sabedoria, que fala ao espírito. As noites trazem estrelas e silêncio repousantes: em nosso caso são os chamados luminosos de Deus e o silêncio para o nosso espírito, a fim de que a alma possa entrar em recolhimento e medite.

A semente, nessa sucessão de atos providenciais, imperceptíveis e poderosos, se incha, se fende, lança raízes, firma-se no terreno, solta as primeiras folhinhas, e cresce. Tudo isso ela faz sem ajuda do homem. A terra, espontaneamente, faz nascer da semente a erva, depois a erva se torna forte e capaz de sustentar a espiga que já vem saindo; depois essa espiga se ergue, se entumece, endurece, torna-se loira, perfeita e bem granada. Quando fica de todo madura, o semeador volta para passar-lhe a foice, porque para aquela semente chegou o tempo da perfeição. Não poderia ela evoluir mais, e por isso é colhida.

Nos corações minha palavra faz esse mesmo trabalho. Eu falo dos corações que dão acolhida à semente. Mas o trabalho neles é lento. É preciso não estragar tudo pelo atabalhoamento. Que esforço faz a pequena semente para fender-se e para fincar suas raízes na terra! Até para um coração duro e selvagem, é penoso um trabalho destes. Ela precisa abrir-se, deixa-se revirar, acolher coisas novas, cansar-se em alimentá-las, ter aparências diferentes, porque está coberta só com coisas humildes, mas úteis, e não com as mais atraentes, pomposas e exuberantes, que a cobriam antes. Deve contentar-se em trabalhar com humildade, sem atrair a admiração, mas sim para o que for útil dentro do Plano divino. Deve fazer uso de todas as suas capacidades, para crescer e formar a espiga. Deve abrasar-se de amor, para tornar-se grão. E quando, depois de ter superado os respeitos humanos, que são tão molestos, depois de ter-se cansado e sofrido, depois de ter-se acostumado à sua nova veste, ei-la precisando despojar-se dela, por meio de um corte sem piedade. É dar tudo para ter tudo. Ficar despojada para ser revestida no Céu com a estola dos Santos. A vida do pecador, que se torna santo, é o mais longo, o mais heróico e glorioso dos combates. Eu vo-lo digo.

184.5 Por tudo o que Eu vos disse, compreendei que Eu tinha que agir para com Maria, como faço. Por ventura, foi de modo diferente que Eu agi contigo, Mateus?

– Não, meu Senhor.

– E, dize-me a verdade: o que te persuadiu foi a minha paciência, ou os ralhos severos dos fariseus?

– Foi a tua paciência, tanto que eu aqui estou. Os fariseus, com seus desprezos e seus anátemas, me tornavam desdenhoso e, por desdém, eu fazia ainda mais mal, do que tudo o que eu havia feito até então. Isto é o que acontece. Ficamos mais enrijecidos quando, estando em pecado, ouvimos que nos chamam de pecadores. Mas quando, em vez de um insulto, recebemos uma carícia, ficamos atordoados e depois choramos… e, quando se chora, a couraça do pecado cede e se desfaz. Ficamos, então, nus diante da Bondade, e suplicamos, com todo o coração, que nos cubra com Sua veste.

– Disseste bem.

Detalhe

Maria Madalena não parecia estar convertida, e Jesus contou uma parábola neste contexto.

Anotação

Há alguns meses, disse isto a respeito de outra pecadora. Para Aglaé, a mulher velada de Belle-Eau. Ver EMV 79.6.

Evangelho de Marcos 4, 26-32

Mc 4, 26-32: Ele disse: "O reino de Deus é semelhante a um homem que semeia: de noite e de dia, quer durma quer se levante, a semente brota e cresce, não sabe ele como. A terra produz, por si mesma, primeiro a erva, depois uma espiga de milho e, por fim, uma espiga de trigo cheia. E logo que o trigo está maduro, ele mete-lhe a foice, porque chegou o tempo da ceifa". E prosseguiu: "A que havemos de comparar o reino de Deus? Que parábola podemos usar para o representar? É como um grão de mostarda: quando o semeais, é a mais pequena de todas as sementes. Mas quando o semeais, cresce e ultrapassa todas as hortaliças; e estende longos ramos, de modo que as aves do céu podem fazer os seus ninhos à sua sombra".

EMF 204.3-9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

«Que a luz venha a todos vós!

– Salve, Mestre! –assim o saúda Quintiliano, vestido como civil.

As mulheres se levantam para saudá-lo. São Plautina, Valéria e Lídia, e mais uma, já idosa, que não sei quem seja, se é da mesma condição, ou de condição inferior. Todas estão vestidas de modo muito simples e nada as distingue.

– Nós quisemos ouvir-te. Tu não vieste mais. Eu estava… de guarda à tua chegada. Mas não consegui Te ver.

– Eu também não vi mais um soldado, que me tratou amigavelmente na Porta dos Peixes. Chamava-se Alexandre…

– Alexandre? Não tenho certeza se é aquele. Mas sei que, tempos atrás, tivemos que remover, para acalmar os judeus, um soldado culpado de… ter falado contigo. Agora ele está em Antioquia. Mas talvez volte. Puxa! Como são aborrecidos os… os que querem dar ordens, logo agora que nos estão submetidos! É preciso, então, agir com muita habilidade, antes que as coisas piorem… Eles nos tornam a vida difícil, podes crer… Mas Tu és bom e sábio. Vais falar para nós? Talvez daqui a pouco eu tenha que deixar a Palestina. Gostaria de ter alguma coisa de Ti como lembrança.

– Eu vos falarei. Nunca decepcionei. Que quereis saber?

Quintiliano olha para as mulheres, como quem pergunta…

– O que quiseres, Mestre –diz Valéria.

204.4

Plautina se levanta de novo, e diz:

– Estive pensando muito… teria que conhecer tantas coisas… tudo, para julgar. Mas, se me for permitido fazer uma pergunta, eu gostaria de saber como é que se constrói uma fé, a tua, por exemplo, sobre um terreno que Tu disseste que está destituído da verdadeira fé. Disseste que as nossas crenças são vazias. Então, ficamos sem nada. Como chegar a ter fé?

– Vou tomar como exemplo uma coisa que vós tendes. Os templos. Os vossos edifícios sagrados, verdadeiramente belos e cuja única imperfeição é a de serem dedicados ao nada, eles vos podem ensinar como é que se pode chegar a ter uma fé e onde colocar a fé. Vede bem. Onde são eles construídos? Que lugar é possivelmente escolhido para eles? Como são construídos? Geralmente estão em áreas espaçosas, livres e elevadas. E, se não for espaçosa e livre, então se faz que fique sendo, faz-se a demolição de tudo o que a estorva ou que lhe cria obstáculos. Se o lugar não é elevado, então se faz que fique mais alto, construindo pedestais mais altos que os de costume, de três degraus, que são usados para os templos já colocados sobre alguma elevação natural. Fechados em um recinto sagrado, quase sempre formado por colunatas e pórticos, dentro dos quais estão encerradas as árvores consagradas aos deuses, fontes e altares, as estátuas e estelas são precedidas somente pelo propileu, depois do qual está o altar, onde são feitas as preces ao nume. Diante deste, há um lugar para o sacrifício, porque o sacrifício vem antes da oração. Muitas vezes, e especialmente nos mais grandiosos, o peristilo os circunda de uma grinalda de mármores preciosos. Na parte interna, há um vestíbulo anterior, externo ou interno em relação ao peristilo, a cela do nume e o vestíbulo posterior. Mármores, estátuas, frontões, acrotérios e tímpanos, todos limpos, preciosos, decorados, que fazem do templo um edifício muito nobre até para as vistas mais incultas. Não é assim?

– Assim é, Mestre. Tu os viste e estudaste muito bem –confirma e elogia Plautina.

– Mas, pelo que consta, nunca saíste da Palestina –exclama Quintiliano.

– Não saí nunca para ir a Roma nem a Atenas. Mas não ignoro a arquitetura da Grécia nem a de Roma, nem o gênio do homem que decorou o Partenon. Eu estava presente, porque Eu estou em toda parte, onde há vida e manifestação de vida. Lá, onde um sábio estiver pensando, um escultor esculpindo, um poeta compondo, uma mãe cantando sobre um berço, um homem se cansando sobre os sulcos, um médico lutando contra as doenças, um vivente respirando, um animal vivendo, uma árvore vegetando, lá estou Eu junto com Aquele do qual Eu venho. No estrondo do terremoto ou no fragor dos raios, na luz das estrelas ou no fluxo das marés, no vôo da águia ou no zumbido do mosquito, Eu estou com o Criador Altíssimo.

– De forma que… Tu… Tu sabes tudo? E o pensamento e as obras dos homens? –pergunta Quintiliano.

– Eu sei.

Os romanos olham um para o outro, assombrados.

204.5

Um longo silêncio, e depois, timidamente, Valéria faz este pedido:

– Desenvolve o teu pensamento, Mestre, para que saibamos o que fazer.

– Sim. A fé se constrói, como se constróem os templos, dos quais tanto vos orgulhais. Faz-se espaço para o templo e liberdade ao redor dele. E se procura uma elevação para ele.

– Mas, onde é que está o templo, para que nele se coloque a fé, esta verdadeira deidade? –pergunta Plautina.

– Não é uma deidade a fé, Plautina. É uma virtude. Não existem deidades na verdadeira fé. Mas só há um único e verdadeiro Deus.

– Então, Ele fica lá em cima sozinho no seu Olimpo? E que é que Ele faz, se está sozinho?

– Ele se basta a Si mesmo, e se ocupa com todas as coisas que existem na criação. Eu te disse antes: até no zumbido do mosquito Deus está presente. Não duvides, Ele não se aborrece. Ele não é um pobre homem, dono de um imenso império, mas que se sente odiado e no qual vive tremendo. Ele é o Amor, e vive amando. Sua vida é um contínuo Amor. Ele se basta a Si mesmo, porque é infinito e poderosíssimo, é a Perfeição. Mas, tantas são as coisas criadas que vivem por sua contínua vontade, que Ele não tem tempo para aborrecer-se. O aborrecimento é o fruto do ócio e do vício. No Céu do verdadeiro Deus não há ócio, nem vício. Mas, dentro de pouco tempo, Ele terá, além dos Anjos, que agora o servem, um povo de justos, que se alegram nele e esse povo sempre se irá tornando mais numeroso, com os que crerem no verdadeiro Deus, nos tempos futuros.

– Os Anjos seriam os gênios? –pergunta Lídia.

– Não. São seres espirituais, como é Deus que os criou.

– E os gênios, então, que é que são?

– Do modo que vós os imaginais, são mentira. Eles não existem, do modo que os imaginais. Mas, por essa necessidade instintiva do homem de procurar a verdade, — e isto por um estímulo da alma, que está viva e presente até nos pagãos e que neles está sofrendo, porque está decepcionada em seus desejos, porque está esfomeada em sua saudade do Deus Verdadeiro, de quem só ela se recorda, no corpo em que ela mora e que é guiado por uma mente pagã, — vós também percebestes que o homem não é somente carne, mas que ao seu corpo perecível está unida alguma coisa imortal. Também o perceberam as cidades e as nações. Por isso é que credes, e sentis a necessidade de crer nos “gênios.” E dais a vós mesmos um gênio individual, o da família, o da cidade, o das nações. Vós tendes o “gênio de Roma.” Tendes o “gênio do imperador.” E os adorais como a divindades menores. Entrai na verdadeira fé. Tereis o conhecimento e a amizade do vosso anjo, ao qual deveis veneração, mas não adoração. Só Deus deve ser adorado.

204.6

– Tu disseste: “Estímulo da alma que está viva e presente, até nos pagãos, e sofrendo neles, porque decepcionada.” Mas a alma, de quem vem? –pergunta Públio Quintiliano.

– Vem de Deus. Ele é o Criador.

– Mas, não nascemos nós da mulher que se uniu a um homem? Também os nossos deuses foram gerados assim.

– Os vossos deuses não existem. Eles são os fantasmas produzidos pelo vosso pensamento, que sente a necessidade de crer. Porque esta necessidade é mais imperiosa do que a de respirar. Até mesmo quem diz que não crê, ainda crê. Em alguma coisa ele crê. O simples fato de dizer: “Eu não creio em Deus” pressupõe alguma outra fé. Em si mesmo, talvez, em sua própria mente soberba. Mas, crer, se crê sempre. É como o pensamento. Se vós dizeis: “Eu não quero pensar”, ou então: “Eu não creio em Deus”, só por estas duas frases que dizeis, já estais mostrando que pensais que não quereis crer n’Aquele que pensais que existe, e no qual não quereis pensar. Quanto ao homem, para serdes exatos em exprimir o conceito, deveis dizer assim: “O homem é gerado, como todos os animais, pela união entre macho e fêmea. Mas a alma, isto é, aquela coisa que faz a diferença entre o animal-homem e o animal bruto, essa vem de Deus. Ele a cria, cada vez que um homem é gerado, ou melhor, é concebido em um seio, e a une a esta carne que, se assim não fosse, seria simplesmente a carne de um animal.”

– E nós a temos? Nós, pagãos? Pelo que dizem os teus conterrâneos, não pareceria… –diz, irônico, Quintiliano.

– Todos os nascidos de mulher a têm.

– Mas, Tu disseste que o pecado a mata. Como pode, então, estar ela viva em nós pecadores? –pergunta Plautina.

– Vós não pecais contra a fé, pois credes que estais na Verdade. Quando conhecerdes a Verdade, se persistirdes no erro, aí estareis pecando. Igualmente, muitas coisas que para os israelitas são pecado para vós não são. Porque nenhuma lei divina vo-lo proíbe. O pecado é quando alguém, conscientemente, se rebela contra a ordem dada por Deus e diz: “Sei que o que faço é mal. Mas eu quero fazê-lo assim mesmo.” Deus é justo. Ele não pode punir a quem faz o mal, pensando que está fazendo o bem. Ele castiga a quem, tendo tido modo de conhecer o Bem e o Mal, escolhe este último, e nele persiste.

– Então, em nós a alma está viva e presente?

– Sim.

– Ela sofre? Pensas mesmo que ela se lembra de Deus? Nós não nos lembramos do útero que nos trouxe. Nem poderíamos dizer como ele era por dentro. A alma, se eu entendi bem, é espiritualmente gerada por Deus. Poderá ela recordar-se disso, se o corpo não se lembra do longo tempo em que esteve no útero?

– A alma não é bruta, Plautina. O feto, sim. Tão é verdade que a alma é dada quando o feto já é formado[1]. A alma é a eterna e espiritual, semelhança de Deus. Eterna, desde o momento em que é criada, enquanto que Deus é o perfeitíssimo Eterno e, por isso, não tem princípio no tempo, e também não terá fim. A alma, lúcida, inteligente, espiritual, obra de Deus, se lembra[2]. E sofre, porque tem desejo de Deus, o Verdadeiro Deus, do qual ela vem, e tem fome de Deus. Aí está porque é que ela estimula o corpo entorpecido a procurar aproximar-se de Deus.

204.7

– Então, nós temos uma alma, como a têm aqueles que vós chamais os “justos” do vosso povo? E é igual mesmo à deles?

– Não, Plautina. Conforme o sentido que estás querendo dizer, ela muda. Se queres falar quanto à origem e natureza de nossas almas, elas são em tudo iguais às de nossos santos. Mas, se queres referir-te à formação, então Eu te digo que aí elas são diferentes. Se queres referir-te à perfeição alcançada antes da morte, então a diferença pode ser absoluta. Mas isso não acontece só convosco, que sois pagãos. Também um filho do nosso povo pode ser absolutamente diferente de um santo, na vida futura. A alma passa por três fases. A primeira é a de sua criação. A segunda é a da recriação. A terceira, da perfeição. A primeira é comum a todos os homens. A segunda é própria dos justos que, com sua vontade, levam a alma a um renascimento ainda mais completo, unindo suas boas ações à bondade da obra de Deus, e tornam por isso a alma já espiritualmente mais perfeita do que a primeira, formando, entre a primeira e a terceira um elo de conjunção. A terceira é própria dos bem-aventurados, ou santos, se assim vos agrada dizer, os quais passaram milhares e milhares de graus acima da alma inicial deles, adaptada ao homem, e dela fizeram um ser capaz de repousar em Deus.

204.8

– Como é que podemos dar espaço, liberdade e elevação para a alma?

– Destruindo as coisas inúteis que tendes no vosso eu. Livrando-o de todas as ideia s erradas e, com os detritos dessas demolições, fazer uma elevação para o templo soberano. A alma vai sendo levada cada vez mais para o alto, pelos três degraus.

Oh! Vós romanos gostais dos símbolos. Olhai agora os três degraus, à luz do símbolo. Eles podem dizer-vos os seus nomes: penitência, paciência, perseverança. Ou então: humildade, pureza, justiça. Ou ainda: sabedoria, generosidade e misericórdia. Ou enfim o esplendido trinômio: fé, esperança, caridade. Olhai ainda o símbolo da cinta que, adornada e robusta, cinge a área do templo. É preciso saber rodear a alma, rainha do corpo, templo do espírito eterno, com uma barreira que a defenda, sem, no entanto, impedir-lhe os raios da luz, nem oprimi-la com a vista de sujeira. Uma cinta segura e lavrada, livre do desejo do amor ao que é inferior: a carne e o sangue, e voltada para o que é superior: o espírito. Lavra-a com a vontade. Apara-lhe os cantos, cuida das rachaduras, tira as manchas, reforça os veios fracos do mármore de nosso eu, a fim de que ele seja perfeito, ao redor da alma. E, ao mesmo tempo, da cinta colocada como defesa do templo, faze um misericordioso refúgio para os mais infelizes, que não conhecem o que é a caridade. Os pórticos são a efusão do amor, da piedade, do desejo de que os outros venham a Deus, semelhantes a braços amorosos, que servem de véu para o berço de um órfão. E, para lá da cinta, as plantas mais belas e mais cheirosas, homenagem ao Criador. Semeai sobre o terreno, que antes estava nu, e depois, cultivai as plantas, que são as virtudes de todos os nomes. A segunda cinta, viva e florida, ao redor do sacrário. E, entre as plantas, entre as virtudes, estão as fontes, outro amor, outra purificação, antes de aproximar-se do propileu, perto do qual, e antes de subir ao altar, deve-se fazer o sacrifício da carnalidade, um esvaziar-se-se em sangue das luxúrias. E depois ir além, passar ao altar, para aí colocar a oferenda, e depois aproximar-se da cela onde está Deus, superando o vestíbulo. E a cela o que será? Uma abundância de riquezas espirituais, porque nunca nada é demais para fazer cornijas para Deus. Entendestes? –perguntastes-me como se constrói a fé. E Eu vos disse: “Segundo o método pelo qual se levantam os templos.” Vedes que é verdade.

204.9

Tendes ainda alguma coisa a dizer-me?

– Não, Mestre. Eu acho que Flávia escreveu as coisas que disseste. Cláudia as quer saber. Não as escreveste?

– Exatamente –diz a mulher, passando-lhe as tabuinhas enceradas.

– Está gravado. Teremos tempo para relê-las –diz Plautina.

– É cera. Apaga-se. Escrevei-as em vossos corações. Não se apagarão mais.

– Mestre, são escombros de templos vazios. Nós os jogamos contra a tua palavra, para enterrá-los. Mas é um longo trabalho –diz Plautina, com um suspiro.

E termina dizendo:

– Lembra-te de nós em teu Céu…

– Ficai certas de que Eu o farei. Eu vos deixo. Ficai sabendo que a vossa vinda foi para Mim muito agradável. Adeus, Públio Quintiliano. Lembra-te de Jesus de Nazaré.

As mulheres o saúdam, e vão por primeiro. Depois, pensativo, vai indo Quintiliano. Jesus olha para eles, que vão indo em companhia de Maximino, que os guia até onde estão os carros.

Detalhe

As senhoras romanas foram ao encontro de Jesus em Betânia.

Anotação

As senhoras levantam-se para saudar. Plautina, Valéria e Lídia e, para além destas, uma outra mulher idosa, que não sei quem é nem o que é, se é do mesmo nível ou de um nível inferior. É Flávia Domitilla, que escreve o que Jesus diz em tábuas de cera (EMV 204.9).

- A alma não é matéria-prima, Plautina. O embrião é. É tão verdade que a alma só é dada quando o feto já está formado INFUSÃO DA ALMA: O embrião, sim, em vez de:o feto, sim, é uma correção de Maria Valtorta ao manuscrito original, onde insere: "É tão verdade que a alma é dada quando o feto já está formado". Esta frase está presente na tradução francesa de Félix Sauvage, de 1985, mas foi suprimida porque estaria em contradição com outras afirmações do capítulo, mas esta afirmação, que é semelhante à de São Tomás de Aquino (ver abaixo), é confirmada por outras afirmações, como em EMV 118: O homem é, antes de mais, apenas um embrião animal, não diferente do de uma ovelha.

A alma é, à semelhança de Deus, eterna e espiritual. Esta posição foi apoiada por São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja, na tradição de Aristóteles. Ele estimava o tempo de insuflação em 40 dias (cerca de 6 semanas). Hoje, à medida que a ciência avança, João Paulo II, sem se pronunciar sobre o momento exato da insuflação, recorda-nos que, desde a origem do embrião, há uma definição pessoal a respeitar (todos nós viemos dele). O estudo antropológico leva-nos a reconhecer que, em virtude da unidade substancial do corpo com o espírito, o genoma humano não tem apenas um significado biológico; é portador de uma dignidade antropológica que tem a sua fonte na alma espiritual que o penetra e lhe dá vida"(Discurso aos membros da Pontifícia Academia para a Vida, 24 de fevereiro de 1998). Por seu lado, S. Tomás de Aquino afirmava: "A alma preexiste no embrião; aí é primeiro nutritiva, depois sensitiva e finalmente intelectiva"(Summa Theologica, Parte I, Questão 118, De onde vem a alma do Homem, Artigo 2, Resposta).

A alma, lúcida, inteligente, espiritual, obra de Deus, lembra-se disso. Já se falou disto acima, em EMV 204,5, bem como em EMV 94,7, EMV 121,7, EMV 154,7 (com nota), EMV 157,5, EMV 169,5, EMV 344,7 (na boca de uma criança), EMV 428,4 (com nota), EMV 534,6 (na boca de um velho), EMV 554,10, EMV 556,8.

A memória que as almas têm de Deus é tratada mais especificamente em : EMV 10.9 | EMV 286.7 | EMV 290.9. Além disso, Maria "nunca foi privada da lembrança de Deus", como se pode ler em EMV 4.6; isto é ilustrado em EMV 10.8/10 e nas últimas linhas deEMV 11.4. A alma de Maria é também mencionada em EMV 136.6 assim como em EMV 348.9/10.

EMF 209.5-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A paz esteja convosco. Ontem Eu ouvi falar de dois infelizes. Um, ainda na aurora da vida e o outro, no fim: duas almas que choravam na desolação.

Eu chorei com elas em meu coração, vendo quanta dor existe nesta terra e como só Deus pode aliviá-la. Deus! Só o conhecimento exato de Deus, de sua grande e infinita bondade, da sua constante presença, das suas promessas. Eu vi como o homem pode ser torturado pelo homem e como pode ser atropelado pela morte com desolações, nas quais trabalha satanás, para aumentar a dor e para produzir ruínas. Eu disse, então, a Mim mesmo: “Não devem os filhos de Deus sofrer com esta tortura das torturas. Demos o conhecimento de Deus a quem não o tem, demo-lo de novo a quem o esqueceu, envolvido nas tempestades da dor.” Mas Eu vi também que, por Mim só, Eu não basto mais para satisfazer às infinitas necessidades dos irmãos. E decidi chamar a muitos, em número cada vez maior, a fim de que todos os que têm necessidade do conforto do conhecimento de Deus o possam ter.

Estes doze são os primeiros. Como meus seguidores, são capazes de conduzir até Mim e, por isso, ao conforto, todos aqueles que estão encurvados sob os pesos de dores grandes demais. Em verdade, Eu vo-lo digo: Vinde a Mim todos os que estais angustiados, desgostosos, com o coração ferido, cansados, e Eu compartilharei da vossa dor e vos darei paz. Vinde, por meio dos meus apóstolos, por meio dos meus discípulos e discípulas, que cada dia aumentam com novos voluntários. Encontrareis o consolo em vossas dores, companhia em vossas solidões, o amor dos irmãos para fazer-vos esquecer o ódio do mundo, encontrareis, como mais alto do que todos, como mais consolador do que todos, como o companheiro perfeito, o amor de Deus. Não dúvidareis de mais nada. E nunca mais direis: “Para mim, tudo acabou!” Mas direis: “Tudo para mim está começando, num mundo sobrenatural, que abole as distâncias e acaba com as separações” e pelo qual os filhos órfãos serão reunidos aos seus pais, levados ao seio de Abraão, e os pais e as mães, as esposas e os viúvos, reencontrarão os filhos perdidos, e o consorte perdido.

209.6

Nesta terra da Judeia, aqui perto de Belém de Noemi, Eu vos lembro que o amor alivia a dor e traz alegria. Olhai, vós que estais chorando, para a desolação de Noemi[1], depois que sua casa ficou sem homens. Ouvi suas palavras de desconsoladas despedidas a Orfa e a Rute: “Voltai daqui para a casa de vossa mãe. Que o Senhor use de misericórdia convosco, como vós usastes para com aqueles que morreram e para comigo…” Ouvi as suas cansadas insistências. Já não esperava mais nada da vida aquela que, tempos atrás, era a bela Noemi, e que agora era a trágica Noemi, esmagada pela dor, só esperava voltar aos lugares em que tinha sido feliz no tempo de sua juventude, entre o amor do marido e os beijos dos filhos, para lá morrer. Ela dizia: “Ide, ide. É inútil ficar comigo… Eu estou como morta…Minha vida já não é mais aqui, e sim, lá na outra vida, onde eles estão. Não sacrifiqueis mais a vossa juventude, ao lado de uma coisa que está morrendo. Porque realmente eu sou ‘uma coisa’. Tudo me é indiferente. Deus me tomou tudo. Eu sou uma angústia. E faria a vossa angústia… e esta me pesaria no coração. E o Senhor me pediria contas. Ele, que tanto já me feriu, porque ter-vos vivas junto de mim já morta, seria um egoísmo meu. Portanto, ide para vossas mães…”

Mas Rute ficou para consolar aquela dolorosa velhice. Rute havia compreendido que há dores sempre maiores do que a nossa, e que sua dor de jovem viúva era menor do que a da mulher que havia perdido, além do marido, os dois filhos; assim como a dor do menino órfão, que se vê obrigado a viver pedindo esmola, sem receber nunca mais as carícias, e nunca mais os bons conselhos, é bem maior do que a da mãe privada dos filhos; assim como a dor de quem, por um complexo de motivos, chega a ter ódio do gênero humano, e vê em cada homem um inimigo, que ele deve temer e do qual se defender é ainda maior do que as outras dores, porque envolve, não somente a carne, o sangue e a mente, mas até o espírito com os seus deveres e direitos sobrenaturais, e o leva a perder-se. Quantas mães sem filhos, e filhos sem mãe há neste mundo! Quantas viúvas sem prole existem, para terem piedade das velhices solitárias! Quantos há, que ficaram privados de seus amores, para se dedicarem totalmente aos infelizes, segundo a necessidade que sentem de amor, combatendo assim o ódio, dando a si mesmo, dando sempre amor à Humanidade infeliz, que está, sempre mais, sofrendo, porque está sempre odiando.

209.7

A dor é cruz, mas também é asa. O luto despoja, mas é para revestir. Levantai-vos, vós que estais chorando! Abri os olhos, saí de vossos pesadelos, saí das trevas, dos egoísmos! Olhai…O mundo é como uma terra árida e inculta, onde se chora e se morre. E ele grita: ‘Acudi-me!’ O mundo grita pela boca dos órfãos, dos doentes, dos que estão sozinhos, dos que não sabem o que fazer, e pelas bocas daqueles que uma traição ou uma crueldade tornaram prisioneiros do rancor. Ide a estes que estão gritando. Esquecei-vos dos esquecidos. Fazei a cura dos doentes! Esperai entre os desesperados. O mundo está aberto às boas vontades de servir a Deus no próximo e de conquistar o Céu: a união com Deus e a reunião com aqueles pelos quais choramos. Aqui é o campo das competições. Lá está o triunfo.

Vinde. Imitai Rute, estando ao lado de todas as dores. Dizei, vós também: “Eu estarei convosco até à morte.” E, se vos respondem essas desventuras que se julgam incuráveis: “Não me chameis Noemi, mas chamai-me Mara, porque Deus me cumulou de amarguras”, persisti. E Eu, em verdade, vos digo que um dia, pela vossa persistência nessas desventuras ainda exclamarão: “Seja bendito o Senhor, que tirou minha amargura, minha desolação, minha solidão, por obra de uma criatura, que soube fazer sua dor produzir frutos bons. Deus a abençoe para sempre, porque ela foi a minha salvadora.”

O ato bom de Rute para com Noemi, pensai nisso, deu ao mundo o Messias, porque de Davi, filho de Isaí, de Isaí, filho de Obed veio o Messias, como Obed de Booz, Booz de Salmon, Salmon de Naasson, Naasson de Aminadab, Aminadab de Aram, Aram de Esron, Esron de Farés, e eles vieram para povoar os campos de Belém, preparando os antepassados do Senhor. Todo ato bom dá origem a grandes coisas nas quais vós nem pensais. O esforço de alguém contra o seu egoísmo pode provocar uma tal onda de amor, que é capaz de subir, subir, conservando em sua pureza aquele que a provocou, até o ponto de levá-lo ao pé do altar, ao coração de Deus.

Deus vos dê a paz.

E Jesus, sem voltar ao jardim pelo portãozinho, aberto na sebe, toma cuidado para que ninguém se aproxime da sebe, do outro lado da qual se ouve um grande pranto… Só depois quando todos aqueles de Betsur foram-se embora, distancia-se com os seus, sem perturbar aquele pranto salutar…

Detalhe

O cerne desta pregação está condensado na seguinte nota.

Anotação

Ontem ouvi falar dois grandes infelizes, um na aurora da vida, o outro no seu crepúsculo: são duas almas que choram com o peso da sua desgraça. São elas Marziam(EMV 208.1-4) e Elise(EMV 208.7-11). Este discurso é feito para ambas.

Em verdade vos digo: vinde a mim, todos vós que estais aflitos e desgostosos, todos vós que estais fracos e cansados; eu partilharei a vossa dor e vos trarei a paz. Cf. Mateus 11, 28-29 abaixo.

É nesta terra da Judeia, ainda perto da Belém de Noemi, que vos recordo como o amor alivia a dor e traz a alegria. Cf. o livro de Rute, capítulo 1, 1-22.

O Messias descende de David, que descende de Jessé, ele próprio descendente de Jobed, e Jobed de Booz e Rute. Boaz de Salmon, Salmon de Naasson, Naasson de Aminadab, Aminadab de Aram, Aram de Esron, Esron de Phares. Esta é a genealogia de Jesus. Cf. Mateus 1, 1-16 e Lucas 3, 23-38.

Evangelho de Mateus 11,28-29

Mt 11,28-29: Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Livro de Rute 1, 1-22

Rt 1, 1-22 : No tempo em que os juízes governavam, havia fome na terra. Um homem de Belém de Judá foi com a sua mulher e os seus dois filhos viver para os campos de Moab. O nome desse homem era Elimeleque, e o nome de sua mulher era Noemi, e os nomes de seus dois filhos eram Maalon e Quelon; eram efrateus de Belém de Judá. Foram para os campos de Moab e ali se estabeleceram.

Quando Elimeleque, marido de Noemi, morreu, ela ficou sozinha com os seus dois filhos, que tomaram mulheres moabitas, uma das quais se chamava Orfa e a outra Rute, e viveram ali cerca de dez anos. Morreram também Maalon e Queljon, e a mulher ficou sem os seus dois filhos e o seu marido. Levantou-se então, ela e as suas noras, e deixou os campos de Moab, porque tinha ouvido dizer no país de Moab que o Senhor tinha visitado o seu povo e lhe tinha dado pão. Assim, ela e as suas duas noras saíram do lugar onde se tinham instalado e puseram-se a caminho para regressar à terra de Judá. Noemi disse às suas duas noras: "Vão e voltem, cada uma para a casa de sua mãe. Que o Senhor Javé seja bondoso para convosco, como foi para os que morreram e para mim! Que o Senhor faça com que cada uma de vós encontre descanso na casa de um marido! E ela beijou-os. Eles levantaram a voz e choraram, e disseram-lhe: "Não; nós voltaremos contigo para o teu povo". Noemi disse: "Voltai, minhas filhas; por que haveríeis de vir comigo? Ainda tenho filhos no meu ventre que possam vir a ser vossos maridos? Voltem, minhas filhas, vão-se embora. Estou demasiado velha para voltar a casar. E quando eu digo: tenho esperança; quando eu fosse esta mesma noite para um marido e desse à luz filhos, esperaríeis por isso até que eles crescessem? Não, minhas filhas. É muito amargo para mim, por vossa causa, que a mão do Senhor tenha descido sobre mim. E, levantando a voz, voltaram a chorar. Então Orfa beijou a sua sogra, mas Rute agarrou-se a ela.

Noemi disse a Rute: "Eis que a tua cunhada voltou para o seu povo e para o seu deus; volta para a tua cunhada". Rute respondeu: "Não me pressiones a deixar-te, quando eu me afastar de ti. Para onde fores, irei eu; onde habitares, habitarei eu; o teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus; onde morreres, morrerei e serei sepultada lá. Que o Senhor seja severo comigo se outra coisa que não seja a morte me separar de ti! Vendo que Rute estava decidida a ir com ela, Noemi parou com as suas súplicas.

As duas seguiram o seu caminho até chegarem a Belém. Quando entraram em Belém, toda a cidade se comoveu com elas, e as mulheres diziam: "É esta Noemi? "20Ela respondeu-lhes: "Não me chameis Noemi, chamai-me Mara, porque o Todo-Poderoso me amargurou. Parti com as mãos cheias, e o Senhor traz-me de volta de mãos vazias. Por que me chamarias Noemi, depois de o Senhor ter testemunhado contra mim e de o Todo-Poderoso me ter afligido?"

Noemi regressou, e com ela a sua nora, Rute, a moabita, que tinha vindo dos campos de Moab. Chegaram a Belém no início da colheita da cevada.

Evangelho de Mateus 1,1-16

Mt 1,1-16: Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos; Judá de Tamar gerou Farés e Zara; Farés gerou Esron; Esron gerou Arão; Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; Salmon de Raabe gerou Boaz; Boaz de Rute gerou Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei Davi.

Davi foi pai de Salomão, da mulher de Urias; Salomão foi pai de Roboão; Roboão foi pai de Abias; Abias foi pai de Asa; Asa foi pai de Jeosafá; Jeosafá foi pai de Jeorão; Jeorão foi pai de Uzias; 9 Uzias foi pai de Joatão; Joatão foi pai de Acaz; Acaz foi pai de Ezequias; Ezequias foi pai de Manassés; Manassés foi pai de Amom; Amom foi pai de Josias; Josias foi pai de Jeconias e de seus irmãos, no tempo da deportação para a Babilónia.

Depois da deportação para a Babilónia, Jeconias foi pai de Salatiel; Salatiel foi pai de Zorobabel; Zorobabel foi pai de Abiud; Abiud foi pai de Eliacim; Eliacim foi pai de Azor; Azor foi pai de Sadoc; Sadoc gerou Acim; Acim gerou Éliud; Éliud gerou Eléazar; Eléazar gerou Matã; Matã gerou Jacó; Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo.

Evangelho de Lucas 3, 23-38

Lc 3,23-38: Jesus tinha cerca de trinta anos quando começou o seu ministério; Era filho de José, filho de Heli, filho de Matthat, filho de Levi, filho de Melchi, filho de Janá, filho de José, filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Hesli, filho de Nagge, filho de Maath, filho de Matatias, filho de Semei, filho de Josec, filho de Judá, filho de Joanã, filho de Resa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri, filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosão, filho de Elmadã, filho de Her, filho de Jesus, filho de Eliézer, filho de Jorim, filho de Matatá, filho de Levi, filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonã, filho de Eliaquim, filho de Meleá, filho de Mená, filho de Matatá, filho de Natã, filho de Davi, filho de Jessé, filho de Obede, filho de Boaz, filho de Salmom, filho de Naassom, filho de Aminadabe, filho de Arão, filho de Esron, filho de Farés, filho de Judas, filho de Jacó, filho de Isaque, filho de Abraão, filho de Taré filho de Naor, filho de Sarug, filho de Reu, filho de Phaleg, filho de Heber, filho de Salé, filho de Cainã, filho de Arfaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lameque, filho de Matusalém, filho de Enoque, filho de Jarede, filho de Malaleel, filho de Cainã, filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus.

EMF 211.5-8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Quando cessou a gritaria, Jesus começa a falar.

– O Senhor falou a Josué, dizendo: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Separai as cidades para os fugitivos e dos quais Eu vos falei por meio de Moisés, para que nelas possa refugiar-se quem involuntariamente tiver matado alguém, para que ele possa escapar da ira de algum parente próximo, que queira vingar o sangue derramado.” E Hebron é uma daquelas cidades.

Sempre foi dito: “E os mais velhos da cidade não entregarão o inocente a quem o estiver procurando para matá-lo, mas o acolherão e lhe darão morada e aí ficará ele até o julgamento, e enquanto não morrer o Sumo Sacerdote que estiver em função. Depois disso, ele poderá entrar em sua cidade e em sua casa.” Nesta lei já se leva em consideração o amor misericordioso para com o próximo. Esta lei foi imposta por Deus, porque não é lícito condenar o acusado, sem ouvi-lo, nem é lícito matar em momento de ira.

Pode-se também dizer o mesmo a respeito dos delitos e acusações morais. Não é lícito acusar a quem não se conhece, nem julgar, sem ter ouvido o acusado. Mas hoje às acusações e condenações pelas culpas de costume, ou pelas culpas possíveis, acrescenta-se a elas uma nova série: a que se refere e se põe contra os que vêm em nome de Deus. Durante séculos, ela se repetiu contra os Profetas, e agora volta a repetir-se contra o Precursor de Cristo e contra Cristo. Vós o vedes. Atraído com uma cilada para fora do território de Siquém, o Batista está esperando a morte nos cárceres de Herodes, porque ele jamais se dobrará diante da mentira ou do compromisso e poderá ser despedaçada a sua vida e cortada sua cabeça, mas não se poderá despedaçar a sua honestidade, nem separar sua alma da Verdade, à qual ele tem servido fielmente em todas as suas diversas formas, divinas, sobrenaturais ou morais que sejam. Igualmente se persegue Cristo, com dupla e décupla fúria, porque Ele não se limita a dizer: “Não te é permitido” a Herodes, mas lhe troveja o seguinte: “Não te é permitido”, e por toda parte onde, entrando, encontra pecado, ou sabe que existe o pecado, sem excluir nenhuma categoria, em nome de Deus e pela honra de Deus.

211.6

Como jamais pode acontecer isto? Não haverá mais servos de Deus em Israel? Sim, os há. Mas são “ídolos.”

Na carta de Jeremias aos exilados estão ditas, por entre muitas outras coisas, também estas. E sobre estas chamo a vossa atenção, porque cada palavra do livro é um ensinamento que, desde o momento em que o Espírito a faz escrever, por causa de um fato presente, ela se refere a um fato que virá no futuro. Portanto, o que está escrito é isto: “Logo que entrardes em Babilônia, vereis deuses de ouro, de prata, de pedra, de madeira… Tomai cuidado para não imitardes o modo de agir dos estrangeiros, e para não terdes medo, não temê-los… Dizei em vosso coração: ‘É preciso adorar somente a Ti, ó Senhor.’” E a carta enumera as particularidades desses ídolos, que têm uma língua feita por algum artífice, e não se podem servir dela para reprovar os seus falsos sacerdotes, que os despojam, para revestir com o ouro do ídolo as meretrizes, quando não acontece que tirem aquele ouro, que foi profanado pelo suor da prostituição, para revestir o ídolo. Estes ídolos, que a ferrugem ou as traças podem roer e que ficam limpos e bem arrumados, só se o homem lhes lavar a cara e os tornar a vestir, já que eles não podem fazer nada por si mesmos apesar de ter cetro ou machado na mão. E termina o Profeta: “Por isso, não os temais.” E continua: “Inúteis, como vasos quebrados, são estes deuses. Seus olhos estão cheios da poeira levantada pelos pés dos que entram no templo e são conservados bem fechados: como se estivessem num sepulcro, ou como quem ofendeu o rei, porque qualquer um pode despojá-los de suas vestes preciosas. Eles não vêem a luz das lâmpadas e, por isso, estão no templo como vigas, e as candeias não lhes servem senão para enfumaçá-los, enquanto as corujas, as andorinhas e outros passarinhos voam por cima da cabeça deles e a cobrem de vírgulas com os seus excrementos e os gatos nela fazem seus ninhos, com as vestes deles, e as rasgam. Por tudo isso, não devem ser temidos. São coisas mortas. Nem mesmo o ouro lhes serve para nada. É uma amostra, e se não for polido, não brilha, assim como os deuses não sentiram nada, quando alguém os fabricou. Nem o fogo conseguiu despertá-los. Eles foram comprados por preços fabulosos. E são transportados para onde o homem quer, porque são vergonhosamente fracos… Por que, então, são chamados deuses? Por que são adorados com ofertas e com uma pantomima de cerimônias falsas, não sinceras da parte de quem as faz, nem acreditadas por quem as vê. Se um mal ou um bem lhes é feito, eles permanecem inertes, são incapazes de eleger ou destronar um rei, não podem dar riquezas nem fazer o mal, não podem salvar um homem da morte, nem salvar o fraco do prepotente. Eles não têm piedade das viúvas e dos órfãos. São semelhantes às pedras da montanha…”

A carta diz mais ou menos isso.

211.7

Eis. Nós também temos ídolos, e não mais santos, nas fileiras do Senhor. E por isto é que o Mal pode levantar-se contra o Bem. O mal que suja de esterco a inteligência e o coração dos que não são mais santos e se aninha em suas falsas vestes de bondade.

Não sabem mais falar as palavras de Deus. É natural! Eles têm uma língua feita pelo homem, e falam palavras de homem, quando não falam palavras de satanás, e não sabem nada mais do que censurar os inocentes e os pobres, mas calam-se onde vêem corrupção nos poderosos. Porque todos são corruptos, e não podem acusar-se um ao outro das mesmas culpas. Ávidos são, não do Senhor, mas de Mamon, trabalham aceitando o ouro da luxúria e do delito, trocando-o, roubando-o, tomados por um frenesi, que passa por cima de todos os limites e de tudo. Toda a poeira se aninha sobre eles, fermenta sobre eles e, se eles mostram uma cara limpa, os olhos de Deus estão vendo como está sujo o seu coração. A ferrugem do ódio e o verme do pecado os rói, e eles não sabem fazer nada para se salvarem. Desfecham suas maldições, como cetros e machados, mas não sabem que eles é que estão amaldiçoados. Fechados em seus pensamentos e em sua ira, como cadáveres em seus sepulcros, ou prisioneiros em seu cárcere, lá estão, agarrando-se às barras, por medo de que alguma mão os tire de lá, porque lá dentro esses mortos são ainda alguma coisa: são múmias, não mais do que múmias com aparência humana, mas com corpo reduzido a madeira seca, enquanto que lá fora seriam objetos ultrapassados para um mundo que procura a vida, que sente necessidade da vida, como o menino sente da mãe e quer quem lhe dê vida, e não os fedores da morte.

Eles estão no Templo, sim, e a fumaça das lâmpadas, isto é, das honras, os enfumaça, mas a luz não desce até eles. E todas as paixões se aninham neles como passarinhos e gatos, enquanto que o fogo de sua missão não lhes dá o místico tormento de estarem sendo abrasados pelo fogo de Deus. Eles são refratários ao Amor. O fogo da caridade não os incendeia, assim como a caridade não os veste com seus áureos esplendores. A caridade para com o próximo é a forma; e a caridade que vem de Deus e do homem é a fonte. Porque Deus se afasta do homem que não ama e, por isso, essa primeira fonte para de jorrar e ao afastar o homem do homem malvado, para de jorrar também a segunda fonte. Tudo é tirado, pela Caridade, do homem sem amor. Deixam-se comprar por um preço maldito e deixam se levar para onde as vantagens e o poder querem.

Não, Não é permitido! Não existe moeda para comprar a consciência, e especialmente a dos sacerdotes e dos mestres. Não é permitido ter condescendência com as coisas fortes da terra, quando elas querem levar-nos a praticar atos contrários ao que é ordenado por Deus. Isto seria uma impotência espiritual, mas está escrito[4]: “O eunuco não entrará na assembleia do Senhor.” Se, pois, não pode fazer parte do povo de Deus quem é impotente por natureza, poderá ser ministro o que é impotente em seu espírito? Porque, em verdade Eu vos digo que muitos sacerdotes e mestres já estão atormentados por um culpável eunuquismo espiritual, já mutilados em sua virilidade espiritual. São muitos. E são demais!

211.8

Meditai. Observai. Confrontai. Vereis que temos muitos ídolos e poucos ministros do Bem que é Deus. E aí está por que é que pode acontecer que as cidades refúgios já não sejam mais refúgio. Nada mais é respeitado em Israel, e os santos morrem, porque os não santos os consideram odiosos.

Mas Eu vos convido: “Vinde.” Eu vos chamo em nome do vosso João, que está sofrendo, porque foi santo; que recebeu o golpe, porque vai à minha frente e porque procurou limpar as sujeiras dos caminhos por onde passa o Cordeiro. Vinde servir a Deus. O tempo está próximo. Não fiqueis despreparados para a Redenção. Fazei que a chuva caia sobre o terreno semeado. Senão, ele terá sido semeado em vão. Vós, vós de Hebron, deveis ir à frente! Aqui vós convivestes com Zacarias e Isabel: os santos que mereceram do Céu, João. Aqui João espalhou o perfume da graça com sua verdadeira inocência de pequenino e, do seu deserto, vos enviou os incensos anticorruptores de sua graça, que se tornou um prodígio de penitência. Não decepcioneis o vosso João. Ele elevou o amor ao próximo a um nível quase divino, em que ele ama o último habitante do deserto, como ama a vós, seus conterrâneos. Mas é certo que para vós ele suplica a Salvação. E a Salvação é seguir a Voz do Senhor e crer em sua Palavra. Desta cidade sacerdotal, vinde em massa para o serviço de Deus. Eu estou passando e vos chamando. Não sejais inferiores às meretrizes, às quais basta uma palavra de misericórdia, para deixarem o caminho que percorreram antes, e virem para o Caminho do Bem.

Foi-me perguntado, quando aqui cheguei: “Mas Tu, não conservas rancor de nós?” Rancor? Oh! Não. Eu conservo é amor a vós. E conservo a esperança de ver-vos nas fileiras do meu povo. Do povo que Eu conduzo para Deus, neste novo êxodo para a verdadeira Terra Prometida: para o Reino de Deus, do outro lado do Mar Vermelho das sensualidades e desertos do pecado, livres de toda espécie de escravidão, para a Terra eterna, cheia de delícias, repleta de paz…

Vinde! Este é o Amor que passa. Qualquer um pode acompanhá-lo, porque, para ser acolhidos por Ele, não se precisa mais do que de boa vontade.

Anotação

O Senhor dirigiu-se a Josué com estas palavras: "Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: 'Estabelecei as cidades de refúgio de que vos falei por intermédio de Moisés, para que aquele que matou involuntariamente possa aí encontrar refúgio e escapar assim à ira do parente mais próximo, o vingador do sangue. "Cf. Josué 20, 1-9 e Êxodo 21, 12-13. Ver os extractos abaixo.

E continua: "E os anciãos da cidade não entregarão o inocente nas mãos daquele que procura matá-lo, mas recebê-lo-ão e permitirão que ele habite ali, e ele permanecerá ali até o julgamento e até a morte do sumo sacerdote então em exercício; depois disso, ele poderá retornar à sua cidade e à sua casa. "Cf. Josué 20,1-9 e Nm 35,25-28. Ver abaixo.

Nesta lei, o amor misericordioso para com o próximo é observado e organizado. É a lei das cidades de refúgio e a lei das cidades levíticas.

Cidades de refúgio: Esta lei, a que se refere a citação anterior (Josué 20,1-6), diz respeito às cidades de refúgio, que serviam de asilo para os homicidas involuntários. Desta forma, ficavam isentas da lei da vingança (que Judas menciona nas últimas linhas da EMV 566.8, talvez referindo-se a Génesis 9,6 e a certas passagens que recordamos a seguir). Havia seis destas cidades de refúgio, incluindo Hebron (como aqui) e Kedesh (como em EMV 342.1.2.7.9).

Cidades levíticas: Estas eram das 48 cidades levíticas, onde viviam os levitas. Ver o extrato bíblico abaixo, no Livro de Josué, capítulo 21.

As prescrições relativas a ambas encontram-se em Êxodo 21:12-13 | Números 35 | Deuteronómio 4:41-43 | Deuteronómio 19:1-13 | Josué 20-21. Ver os extractos abaixo.

A carta de Jeremias aos exilados inclui o seguinte. Carta de Jeremias 1,1-72 (por vezes inserida em Baruc 6). O extrato bíblico é fornecido abaixo.

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Livro de Josué 20, 1-9 (cidades de refúgio)

Josué 20, 1-9: Javé falou a Josué, dizendo: "Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: 'Como vos ordenei por intermédio de Moisés, designai para vós cidades de refúgio, para onde possa fugir o homicida que matou alguém por engano, sem o saber, e elas serão o vosso refúgio contra o vingador do sangue. O homicida fugirá para uma dessas cidades; parará à entrada da porta da cidade e explicará o seu caso aos anciãos dessa cidade; eles acolhê-lo-ão na cidade e dar-lhe-ão um lugar para viver com eles. Se o vingador do sangue o perseguir, não entregarão o homicida nas suas mãos, pois ele matou sem saber o seu próximo, que antes não odiava. O homicida permanecerá na cidade até que compareça perante a congregação para ser julgado, até à morte do sumo sacerdote que estará em funções naqueles dias. Então o assassino voltará para trás e regressará à sua cidade e à sua casa, à cidade de onde fugiu".

Consagraram Cedes em Gallilee, na região montanhosa de Naftali; Siquém, na região montanhosa de Efraim; e Cariath-arbe, que é Hebron, na região montanhosa de Judá. Do outro lado do Jordão, em frente a Jericó, a leste, escolheram Bosor, no deserto, na planície, cidade da tribo de Rúben; Ramote, em Gileade, da tribo de Gade, e Gaulom, em Basã, da tribo de Manassés. Estas foram as cidades designadas para todos os filhos de Israel e para os estrangeiros que peregrinavam entre eles, a fim de que quem tivesse matado alguém por engano pudesse refugiar-se ali e não morresse às mãos do vingador do sangue antes de comparecer perante a assembleia.

Livro dos Números 35, 25-28

Números35:25-28 : A congregação livrará o homicida do vingador do sangue e fá-lo-á voltar para a cidade de refúgio, para onde fugiu, e ali ficará até à morte do sumo sacerdote que foi ungido com o óleo sagrado. Se, antes disso, o homicida sair do território da cidade de refúgio para onde fugiu, e se o vingador do sangue o encontrar fora do território da sua cidade de refúgio, e se o vingador do sangue matar o homicida, este não será culpado de homicídio, porque o homicida deve permanecer na sua cidade de refúgio até à morte do sumo sacerdote; e, depois da morte do sumo sacerdote, o homicida poderá regressar à terra onde se encontra a sua possessão.

Livro do Êxodo 21, 12-13

Ex 21, 12-13: Quem ferir um homem de morte deve ser morto. Mas se não lhe tiver armado um laço e se Deus o tiver entregado à sua mão, eu indicar-lhe-ei um lugar onde se refugiar.

Livro do Deuteronómio 4, 41-43

Dt 4, 41-43: Moisés separou três cidades do outro lado do Jordão, a leste, para que, se um homicida matasse inadvertidamente o seu próximo e não fosse seu inimigo, pudesse refugiar-se numa dessas cidades e salvar a sua vida. Estas eram : Bosor, no deserto, na planície, para os rubenitas; Ramote, em Gileade, para os gaditas, e Golã, em Basã, para os manassitas.

Livro do Deuteronómio 19, 1-13

Dt 19,1-13: Quando o Senhor teu Deus tiver exterminado as nações cuja terra te está a dar, e as tiveres expulsado e estiveres a viver nas suas cidades e nas suas casas, separarás três cidades no meio da terra que o Senhor teu Deus te está a dar para possuíres. Repararás os caminhos que conduzem a elas e dividirás em três partes a terra que o Senhor teu Deus te dá em herança, para que todo o homicida fuja para essas cidades. É neste caso que o homicida que se refugiar ali terá a sua vida salva: se tiver morto o seu próximo sem querer, sem ter sido seu inimigo. Por exemplo, um homem vai cortar lenha na floresta com outro homem; a sua mão levanta o machado para cortar uma árvore; o ferro escapa-se do cabo, atinge o seu companheiro e mata-o: este homem fugirá para uma destas cidades e a sua vida será salva. Caso contrário, o vingador do sangue, perseguindo o assassino no calor da sua cólera, alcançá-lo-ia, se o caminho fosse demasiado longo, e dar-lhe-ia um golpe mortal; e, no entanto, este homem não teria merecido a morte, uma vez que não tinha qualquer ódio anterior pela vítima. É por isso que vos dou esta ordem: "Separai três cidades. E se Javé, teu Deus, alargar as tuas fronteiras, como jurou aos teus pais, e te der toda a terra que prometeu aos teus pais que te daria, desde que guardes e cumpras todos estes mandamentos que hoje te dou, amarás o Senhor teu Deus e andarás sempre nos seus caminhos, e a estas três cidades acrescentarás mais três, para que não se derrame sangue inocente no meio da terra que o Senhor teu Deus te dá em herança, e para que não haja sangue sobre ti. Mas se um homem odiar o seu próximo e o emboscar e o ferir de morte, e depois fugir para uma destas cidades, os anciãos da sua cidade mandarão prendê-lo e entregá-lo-ão nas mãos do vingador do sangue, para que morra. O teu olho não terá piedade dele, e tirarás o sangue inocente de Israel, e prosperarás.

Livro de Josué 21, 1-43 (cidades levíticas)

Josué 21,1-43: Então os chefes das famílias dos levitas foram ter com Eleazar, o sacerdote, com Josué, filho de Num, e com os chefes das famílias das tribos dos filhos de Israel, e falaram-lhes em Siló, na terra de Canaã, dizendo: "O Senhor ordenou por Moisés que nos fossem dadas cidades para as nossas habitações, e os seus arrabaldes para o nosso gado". Assim, os filhos de Israel deram aos levitas, da sua herança, segundo a ordem do Senhor, as seguintes cidades e os seus arrabaldes.

Os filhos de Aarão, o sacerdote, dentre os levitas, obtiveram por sorteio treze cidades da tribo de Judá, da tribo de Simeão e da tribo de Benjamim; os outros filhos de Caate obtiveram por sorteio dez cidades das famílias da tribo de Efraim, da tribo de Dã e da meia tribo de Manassés. Os filhos de Gerson tomaram por sorteio treze cidades das famílias da tribo de Issacar, da tribo de Aser, da tribo de Naftali e da meia tribo de Manassés, em Basã. Os filhos de Merari, segundo as suas famílias, receberam doze cidades da tribo de Rúben, da tribo de Gade e da tribo de Zebulom. Os filhos de Israel deram essas cidades e os seus arrabaldes aos levitas, por sorteio, como o Senhor tinha ordenado por intermédio de Moisés.

Da tribo dos filhos de Judá e da tribo dos filhos de Simeão, deram as seguintes cidades, por nome, aos filhos de Aarão, das famílias dos caatitas, dos filhos de Levi, pois foram os primeiros a serem sorteados. Deram-lhes, na região montanhosa de Judá, a cidade de Arbe, pai de Enaque, que é Hebrom, e os seus arrabaldes em redor. Mas deram a Calebe, filho de Jefoná, os campos em redor desta cidade e as suas aldeias, para que os possuísse. Deram também aos filhos de Arão, o sacerdote, a cidade de refúgio do homicida: Hebrom e seus arrabaldes, Lebna e seus arrabaldes, Jeter e seus arrabaldes, Estemo e seus arrabaldes, Holom e seus arrabaldes, Dabir e seus arrabaldes, Aim e seus arrabaldes, Jeta e seus arrabaldes, Betsames e seus arrabaldes; nove cidades destas duas tribos. Da tribo de Benjamim: Gibeão e seus arrabaldes, Gibeá e seus arrabaldes, Anatote e seus arrabaldes, Almom e seus arrabaldes: quatro cidades. Todas as cidades dos sacerdotes, filhos de Arão: treze cidades e seus arrabaldes.

Quanto às famílias dos filhos de Caate, os levitas e os outros filhos de Caate, as cidades que lhes couberam por sorteio eram da tribo de Efraim. Os filhos de Israel deram-lhes a cidade de refúgio do homicida, Siquém e seus arrabaldes, na região montanhosa de Efraim, bem como Gazer e seus arrabaldes, Cibsaim e seus arrabaldes, Bete-Horom e seus arrabaldes: quatro cidades. Da tribo de Dã: Elteco e seus arrabaldes, Gibatã e seus arrabaldes, Aijalom e seus arrabaldes, Gete-Regmon e seus arrabaldes: quatro cidades. Da meia tribo de Manassés: Taná e seus campos, e Gete-Regmon e seus campos: duas cidades. Ao todo, dez cidades e seus subúrbios, para as famílias dos outros filhos de Caate.

Aos filhos de Gérson, das famílias dos levitas, deram, da meia tribo de Manassés, a cidade de refúgio do homicida: Gaulom, em Basã, e seus arrabaldes, e Bosra e seus arrabaldes; duas cidades. Da tribo de Issacar: Ceresion e seus arrabaldes, Daberete e seus arrabaldes, Jaramote e seus arrabaldes, En-Ganim e seus arrabaldes; quatro cidades. Da tribo de Aser: Masal e seus campos, Abdon e seus campos, Helcate e seus campos, Rohob e seus campos: quatro cidades. Da tribo de Naftali: a cidade de refúgio do homicida, Cedes, na Galiléia, e seus arrabaldes, Hamote-Dor e seus arrabaldes, Cartã e seus arrabaldes; três cidades. Todas as cidades dos gersonitas, segundo as suas famílias: treze cidades e seus arrabaldes. Às famílias dos filhos de Merári, ao resto dos levitas, deram, da tribo de Zebulom, Jecnão e seus campos, Cartá e seus campos, Damna e seus campos, Naalol e seus campos: quatro cidades. E da tribo de Rúben, Bosor e seus campos, Jassa e seus campos, Cedemote e seus campos, Mefaate e seus campos: quatro cidades. E da tribo de Gade: a cidade de refúgio do homicida, Ramote-Gileade e seus arrabaldes, Manaim e seus arrabaldes, Hesbom e seus arrabaldes, Jaser e seus arrabaldes; ao todo, quatro cidades. Todas as cidades que foram designadas por sorteio aos filhos de Merari, segundo as suas famílias, e que constituíram o resto das famílias dos levitas: doze cidades.

Todas as cidades dos levitas no meio das possessões dos filhos de Israel: quarenta e oito cidades e os seus arrabaldes. Cada uma destas cidades tinha os seus arrabaldes à volta; assim foi com todas estas cidades. Assim, Javé deu a Israel toda a terra que tinha jurado dar aos seus pais; eles tomaram posse dela e estabeleceram-se nela. Javé deu-lhes descanso à sua volta, como tinha jurado a seus pais; nenhum dos seus inimigos lhes pôde resistir, e Javé entregou-os todos nas suas mãos. E de todas as coisas boas que o Senhor tinha dito à casa de Israel, nenhuma ficou por cumprir: todas se cumpriram.

Livro de Jeremias 1, 1-72 (por vezes transposto para o Livro de Baruc 6, 1-72) - Sobre os ídolos

Jer 1, 1-72 | Ba 6, 1-72 : Cópia da carta que Jeremias enviou aos que iam ser levados cativos para a Babilónia pelo rei dos babilónios, para lhes dizer o que Deus lhe tinha ordenado que lhes dissesse. Por causa dos pecados que cometestes perante Deus, sereis levados cativos para a Babilónia por Nabucodonosor, rei dos babilónios. Quando chegarem a Babilónia, ficarão lá durante muitos anos e por muito tempo, até sete gerações, e depois eu os tirarei de lá em paz. Mas na Babilónia verás deuses de prata, de ouro e de madeira, que se carregam aos ombros e que causam medo entre as nações. Tenham cuidado para que também vocês não imitem esses estrangeiros e não se deixem dominar pelo medo desses deuses. Quando virdes multidões de pessoas a juntarem-se diante e atrás deles e a prestar-lhes homenagem, dizei no vosso coração: "És tu, Mestre, que deves ser adorado. Porque o meu anjo está contigo e cuida da tua vida.

Porque a língua destes deuses foi polida por um artesão; está coberta de ouro e prata, mas são mentiras e não podem falar. Quanto a uma rapariga que gosta de enfeites, pegaram em ouro e fizeram coroas para pôr na cabeça desses deuses. Os sacerdotes chegam ao ponto de roubarem o ouro e a prata dos seus deuses e de os usarem para os seus próprios fins; até os dão às prostitutas das suas casas. Adornam esses deuses de prata, de ouro e de madeira com vestes ricas como os homens, mas eles não podem proteger-se da ferrugem nem dos vermes. Depois de se vestirem de púrpura, ainda têm de limpar o rosto, porque o pó da casa cobre-os densamente. Há um que segura um cetro, como um governador de província: não mata ninguém que o ofenda. Outro traz na mão uma espada ou um machado, mas não pode defender-se do inimigo ou dos ladrões. Isto mostra que eles não são deuses, por isso não os temam.

Tal como o vaso de um homem, quando se parte, torna-se inútil, o mesmo acontece com os seus deuses. Se os colocares numa casa, os seus olhos enchem-se do pó dos pés de quem entra. Tal como se fecham cuidadosamente as portas da prisão a um homem que ofendeu o rei, ou a um homem que vai ser morto, assim também os sacerdotes defendem a morada dos seus deuses com portas fortes, com trancas e ferrolhos, para que não sejam roubados pelos ladrões. Acendem lâmpadas, ainda mais do que para si próprios, e esses deuses não as vêem. São como uma das vigas da casa, e diz-se que os seus corações são devorados pelos vermes que saem do chão e os devoram, a eles e às suas roupas, sem que o sintam. Os seus rostos ficam negros com o fumo que sai da casa. Corujas, andorinhas e outras aves esvoaçam à volta dos seus corpos e das suas cabeças, e os próprios gatos divertem-se da mesma maneira. Assim saberás que eles não são deuses, por isso não os temas.

O ouro com que estão cobertos para os embelezar, se alguém não tirar a ferrugem, não o fará brilhar; pois eles nem sequer sentiram nada quando foram derretidos. Esses ídolos foram comprados pelo preço mais alto, e não há neles nenhum sopro de vida. Não tendo pés, são carregados aos ombros, mostrando assim aos homens a sua vergonhosa impotência. Que aqueles que os servem sejam confundidos com eles! Se caírem no chão, não se levantarão por vontade própria; e se alguém os levantar, não se moverão por vontade própria; e se se inclinarem, não se endireitarão. As oferendas são colocadas diante deles como diante dos mortos. Os sacerdotes vendem as vítimas que lhes são oferecidas e lucram com elas; as suas mulheres salgam-nas e não dão nada aos pobres ou aos doentes. As mulheres que estão a dar à luz ou em estado de impureza tocam nos seus sacrifícios. Sabendo, pois, por estas coisas que eles não são deuses, não os temais.

E porquê chamar-lhes deuses? Porque são as mulheres que vêm trazer as suas oferendas a esses deuses de prata, de ouro e de madeira. E nos seus templos os sacerdotes sentam-se com as túnicas rasgadas, a cabeça e o rosto rapados e a cabeça descoberta. Eles bradam e gritam diante dos seus deuses, como se estivessem numa festa fúnebre. Os seus sacerdotes despojam-se das suas vestes, e eles vestem as suas mulheres e os seus filhos com elas. Quer se lhes faça mal, quer se lhes faça bem, não podem fazer nada; não podem instituir um rei nem derrubá-lo. Não podem dar riquezas, nem mesmo fazer o bem. Também não podem dar riquezas, nem mesmo uma moeda. Se alguém que lhes fez um voto não o cumprir, eles não lhes pedirão nada. Não salvarão um homem da morte; não arrebatarão o fraco da mão dos poderosos. Não darão vista ao cego, nem livrarão o aflito. Não se compadecerão da viúva, nem farão bem ao órfão. Estes ídolos de madeira, cobertos de ouro e prata, são como pedras cortadas numa montanha, e aqueles que os servem serão envergonhados. Como é que podemos acreditar ou dizer que eles são deuses?

Os próprios caldeus desonram-nos quando, vendo um homem que não pode falar, o apresentam a Bel, pedindo-lhe que fale, como se o deus pudesse ouvir alguma coisa. E, apesar de se aperceberem disso, não conseguem abandonar esses ídolos, pois eles não têm sentimento. As mulheres, envoltas em cordas, vão sentar-se nos caminhos, queimando farinha grosseira; e quando uma delas, atraída por algum transeunte, dormiu com ele, censura a vizinha por não ter sido julgada digna da mesma honra e por não ter visto a sua trança de junco partida. Tudo o que se diz sobre os ídolos é mentira. Como podemos então acreditar ou dizer que eles são deuses?

Eles foram feitos por artesãos e ourives; não podem ser de outra forma que não seja a vontade dos trabalhadores. E os trabalhadores que os criaram não têm muito tempo de vida: como poderiam então as suas obras ser de longa duração? Eles não deixaram para a posteridade senão mentiras e desgraças. Quando vem a guerra, ou qualquer outra calamidade, os sacerdotes deliberam entre si sobre onde se esconderão com os seus deuses: como é que não se pode entender que estes não são deuses, que não se podem salvar da guerra ou de qualquer outra calamidade?

Estes ídolos de madeira, cobertos de ouro e prata, serão mais tarde reconhecidos como uma mentira; para todas as nações e reis será óbvio que não são deuses, mas obras de homens, e que não há nenhuma obra divina neles. Para quem, então, não seria óbvio que eles não são deuses?

Eles nunca estabelecerão um rei sobre uma terra, nem darão chuva aos homens. Não poderão julgar os seus próprios assuntos, nem protegerão contra a injustiça, pois nada podem fazer, como os corvos que se interpõem entre o céu e a vossa terra. E quando o fogo cair sobre a casa desses deuses de madeira, revestidos de ouro e prata, os seus sacerdotes fugirão e salvar-se-ão; mas eles consumir-se-ão como vigas no meio das chamas. Não resistirão a um rei ou a um exército inimigo. Como é que podemos admitir ou pensar que eles são deuses?

Não escaparão aos ladrões e aos salteadores, esses deuses de madeira, cobertos de prata e de ouro. Homens mais poderosos do que eles roubarão a prata e o ouro e levarão as ricas roupas com que se cobriram, e esses deuses não poderão ajudar-se a si próprios. Assim, é melhor ser um rei que mostra a sua força, ou um vaso útil na casa que o dono usa, do que ser esses falsos deuses; ou uma porta numa casa que guarda o que está dentro, do que ser esses falsos deuses; ou um pilar de madeira na casa de um rei, do que ser esses falsos deuses. O sol, a luz e as estrelas, que são brilhantes e enviadas para o benefício dos homens, obedecem a Deus. Do mesmo modo, o relâmpago, quando aparece, é belo de se ver; o vento também sopra sobre toda a terra; e as nuvens, quando Deus lhes ordena que cubram toda a terra, fazem o que lhes é ordenado. Também o fogo, quando enviado do alto para consumir as montanhas e as florestas, faz o que lhe é ordenado. Mas os ídolos não são comparáveis, nem em beleza nem em poder, a todas estas coisas. Por isso, não devemos pensar nem dizer que são deuses, pois não podem discernir o que é justo nem fazer o bem aos homens. Sabendo, pois, que não são deuses, não os temais.

Eles não podem amaldiçoar nem abençoar os reis. Não mostram às nações sinais no céu; não brilham como o sol nem dão luz como a lua. Os animais são melhores do que eles, porque podem fugir e encontrar abrigo e ser úteis para si próprios. Por isso, não nos parece de modo algum que eles sejam deuses; por isso, não os temais.

Tal como um espantalho num campo de pepinos não te protege de nada, assim é com os seus deuses de madeira, cobertos de ouro e prata. Tal como um espinheiro num jardim, onde pousam todas as aves, ou um morto atirado para um lugar escuro, assim são os seus deuses de madeira, cobertos de ouro e de prata. Até a púrpura e o escarlate que se desvanecem sobre eles mostram que não são deuses. Eles próprios acabarão por ser devorados e tornar-se-ão uma vergonha na terra. Melhor é o homem justo que não tem ídolos, pois não teme a confusão.

EMF 212.5-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

… Jesus fala na casa de Isaac. As pessoas enchem a sala e o pátio, e se comprimem também na praça, enquanto Jesus, para ser ouvido por todos, põe-se no meio da sala de tal forma, que sua voz se espalha tanto no pátio como na praça. Ele deve Ele estar tratando de algum assunto que lhe levaram por qualquer pergunta ou acontecimento. Ele diz:

– … Mas não tenhais dúvida disso. Como diz[1] Jeremias, eles reconhecerão, pelas provações, como é doloroso e amargo terem abandonado o Senhor. Para certos delitos, meus amigos, não há salitre nem potassa, que consigam tirar a nódoa que eles deixam, nem mesmo o fogo do inferno é capaz de tirar aquela nódoa. Ela é indelével.

Também aqui é necessário reconhecer a justiça das Palavras de Jeremias. Realmente, os nossos grandes de Israel parecem as jumentas selvagens das quais fala o Profeta. Acostumados com o deserto de seus corações. Porque, podeis crer, enquanto alguém estiver com Deus, ainda que seja pobre como Jó, ainda que esteja sozinho, ainda que esteja nu, nunca está sozinho, nunca é pobre, nunca está despojado, nunca é um deserto. Mas, eles tiraram Deus dos seus corações, e, por isso, se acham num árido deserto. Como as jumentas selvagens, que farejam no vento o cheiro dos machos, que aqui, no caso, pela libidinagem deles, tem o nome de poder ou dinheiro, além da luxúria verdadeira e propriamente dita, e acompanham aquele cheiro, até chegarem ao delito. Sim. Eles o acompanham, e ainda mais o acompanharão. Eles não sabem que estão, não com os pés, mas com o coração exposto às flechas de Deus, que vingará o seu delito. Como, então, não haverão de ficar confusos o rei e os príncipes, os sacerdotes e os escribas que, na verdade, disseram e dizem àquilo que nada é, ou, pior ainda, àquilo que é o pecado: “Tu és meu pai. Tu me geraste!”

Em verdade, em verdade, Eu vos digo[2] que Moisés quebrou com ira as tábuas da Lei, ao ver o povo na idolatria e, depois de subir de novo ao monte, orou, adorou e conseguiu. E isto, há muitos séculos. Mas ainda não acabou, nem acabará. Ao contrário, cresce como fermento posto na farinha a idolatria no coração dos homens. Agora, quase cada um dos homens tem o seu próprio bezerro de ouro. A terra é um matagal de ídolos, porque cada coração virou um altar e dificilmente se encontra Deus sobre ele. Quem não tem uma paixão maligna tem outra, quem não tem uma concupiscência tem uma outra com outro nome. Quem não é todo pelo ouro é todo por alguma posição, quem não é todo pela carne é todo pelo egoísmo. Quantos “eus” transformados em bezerros de ouro, não são adorados nos corações! Virá, por isso, um dia em que eles, golpeados, clamarão ao Senhor e ouvirão dele esta resposta: “Vira-te para os teus deuses. Eu não te conheço.”

Eu não te conheço. Terrível é esta palavra, quando dita por Deus a um homem. Deus criou o homem como uma raça, e conhece cada homem em particular. Quando, pois, Ele diz: “Eu não te conheço”, isso é sinal de que Ele apagou, com a força de sua vontade, aquele homem de sua lembrança. Eu não te conheço! Será Deus severo demais por proferir este veredito? Não. O homem gritou ao Céu: “Eu não te conheço!”, e o Céu respondeu ao homem: “Eu não te conheço”, com a fidelidade de um eco…

212.6

E, meditai: o homem é obrigado a conhecer a Deus por um dever de gratidão e por respeito para com a sua própria inteligência.

Por gratidão: Deus criou o homem, dando-lhe o dom inefável da vida e provendo-o do dom superinefável da graça. Perdida esta por própria culpa, o homem ouve que lhe é feita uma grande promessa: “Eu te darei de novo a Graça.” É Deus que foi ofendido, que fala assim ao seu ofensor, como se fosse ele, Deus, o culpado, obrigado a dar uma reparação. E Deus mantém a promessa. Eis que aqui estou para dar de novo a Graça ao homem. Deus não se limita a dar o sobrenatural, mas faz descer até nós sua Essência Espiritual, a fim de prover às grosseiras necessidades da carne e do sangue do homem, dá-lhe o calor do sol, o refrigério da água, os grãos dos cereais, as videiras, as árvores de todas as espécies, os animais de todas as espécies. Assim o homem recebeu de Deus todos os meios para conservar a vida. Deus é o seu Benfeitor. É preciso que lhe sejamos reconhecidos e lhe mostremos isso, esforçando-nos por conhece-lo.

Por respeito para com nossa própria razão. O mentecapto e o idiota não são gratos para com quem cuida deles, porque não compreendem os cuidados em seu verdadeiro valor, e há quem os lava ou lhes põe a comida na boca, a quem os guia ou os põe na cama, a quem os vigia para que não se exponham aos perigos. Eles ainda lhes tem ódio, porque, bestiais como são por causa de sua doença, acham ainda que aqueles cuidados são torturas. O homem que está em falta contra Deus é alguém que se desonra a si mesmo, a um ser dotado de razão. Só os idiotas e os doidos é que não conseguem distinguir o seu pai de um estranho, o benfeitor de um inimigo. Mas o homem inteligente conhece o seu pai e o seu benfeitor e se compraz em conhecê-lo sempre melhor, mesmo naquelas coisas que ele ignora, porque aconteceram antes que ele nascesse ou que recebesse os benefícios do pai ou do benfeitor. Assim deve-se fazer também com o Senhor, a fim de mostrar-lhe que somos inteligentes, e não brutos. Mas muitos em Israel são semelhantes a estes doidos que não reconhecem o seu pai e o seu benfeitor.

Jeremias pergunta a si mesmo: “Poderá, acaso, a virgem esquecer-se de seus ornamentos e uma esposa do seu cinto?” Oh! Sim. Israel está constituído por estas virgens doidas, por essas esposas impudicas, que se esquecem dos seus ornamentos honestos e da cintura para usarem ouropéis, como as meretrizes. E isso se encontra em medida sempre maior, quanto mais se sobe até às classes que deveriam ser as mestras do povo. E a reprovação de Deus, — com sua irritação e o seu pranto,— lhes é dirigida “Por que te esforças em mostrar tua boa conduta, e procurar amor, tu, que, ao contrário, ensinas as malícias e os teus modos de fazer, e fizeste que se encontrassem, nas abas das tuas vestes, o sangue dos pobres e dos inocentes?”

212.7

Amigos, a distância é um bem e é um mal. Estar muito longe dos lugares, onde com facilidade Eu falo é um mal, porque vos impede de ouvir as palavras da Vida. E vós vos queixais disso. Pois é verdade. Mas é um bem, porque vos conserva afastados dos lugares em que fermenta o pecado, onde ferve a corrupção, onde as ciladas sibilam, tramando contra Mim, estorvando-me em minha obra e insinuando dúvidas e mentiras nos corações a respeito de Mim. Mas Eu prefiro que estejais longe a que estejais corrompidos. Eu proverei à vossa formação. Vós estais vendo que Deus proveu, antes que nós nos conhecêssemos e, por isso, nos amássemos. Eu já era conhecido, antes que nós nunca nos tivéssemos visto. Isaac foi o vosso anunciador. Eu vou mandar muitos Isaques para dizer-vos as minhas palavras. E ficai sabendo também que Deus pode falar em toda parte a sós com o espírito do homem e fazê-lo crescer em sua doutrina.

Não tenhais medo de que, por estardes sozinhos, isso vos possa fazer cair em erros. Não. Se não quiserdes, não sereis infiéis ao Senhor e ao seu Cristo. Afinal, quem de verdade não pode ficar longe do Messias, fique sabendo que o Messias lhe abre o coração e os braços, e lhe diz: “Vem.” Vinde, vós, que quereis vir. Permanecei, vós, que quereis ficar. Mas, pregai o Cristo, tanto uns como os outros, com uma vida honesta. Pregai contra a desonestidade, que se aninha em muitos corações. Pregai isto contra a leviandade dos muitíssimos que não sabem permanecer fiéis e que se esquecem dos seus ornamentos e cintos das almas chamadas para as núpcias com Cristo. Vós me dissestes, felizes: “Desde quando Tu vieste, nós não tivemos mais doentes nem mortos. A tua bênção nos protegeu.” Sim grande coisa é a saúde. Mas, fazei que a minha vinda de agora vos faça a todos sãos de espírito, e sempre e em tudo. Para isso, Eu vos abençôo e vos dou a minha paz, a vós e aos vossos filhos, aos campos, às casas, às messes, aos rebanhos, às árvores frutíferas. Servi-vos de tudo isso com santidade, não vivendo para essas coisas, mas por meio delas, dando o supérfluo a quem não tem e adquirindo vós assim a medida calcada das bênçãos do Pai e um lugar no Céu. Ide. Eu fico para rezar…

Anotação

Como diz Jeremias, eles verão pela provação como é doloroso e amargo ter abandonado o Senhor. Jeremias 2:19. O capítulo 2 trata da apostasia de Israel.

O rei e os príncipes, os sacerdotes e os escribas serão envergonhados, pois disseram, e ainda dizem: "Tu és meu pai. Tu me geraste! Em referência ao Salmo 2:7.

Em verdade, em verdade vos digo que Moisés quebrou as Tábuas da Lei com raiva à vista do povo idólatra, depois voltou ao monte, rezou, adorou e alcançou misericórdia. Isso passou-se há séculos. Ver o livro do Êxodo, capítulos 32 a 34.

Jeremias pergunta: "Pode a virgem esquecer-se dos seus enfeites e a mulher do seu cinto? "Jeremias 2:32.

"Porque procurais exibir a honestidade do vosso comportamento para procurardes o amor, quando ensinais a perversão e os vossos caminhos, e o sangue dos pobres e dos inocentes está nas saias das vossas vestes? "Jeremias 2:34.

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Livro de Jeremias 2, 19.32.34

Jer 2, 19: A tua impiedade castiga-te e as tuas rebeliões castigam-te! Sabei, pois, e vede como é mau e amargo que tenhais abandonado Javé, vosso Deus, e não tenhais medo de mim, - diz o Senhor Javé dos exércitos.

Jer 2,32: Porventura a virgem esquece o seu adorno, a noiva o seu cinto? E o meu povo esqueceu-se de mim durante dias sem conta!

Jr 2,34: Até nas saias das vossas vestes está o sangue dos pobres inocentes; não os apanhastes a entrar e a sair, mas matastes-os por todas estas coisas.

Livro dos Salmos 2, 7

Sl 2,7: Publicarei o decreto: Javé disse-me: Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei.

Livro do Êxodo 32-34

Êxodo 32-34: Quando o povo viu que Moisés demorava a descer da montanha, reuniu-se à volta de Aarão e disse-lhe: "Anda, faz-nos um deus que vá à nossa frente. Porque este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu". Arão disse-lhes: "Tirai as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres, dos vossos filhos e das vossas filhas, e trazei-mas". Todos tiraram as argolas de ouro das orelhas e trouxeram-nas a Arão. Ele tirou-as das mãos deles, trabalhou o ouro com um cinzel e fez dele um bezerro de gesso. E disseram: "Este é o teu Deus, Israel, que te fez subir da terra do Egito. Quando Aarão viu isso, construiu um altar diante da imagem e gritou: "Amanhã haverá uma festa em honra de Javé". No dia seguinte, tendo-se levantado de manhã cedo, ofereceram holocaustos e apresentaram ofertas de paz; o povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir.

Então Javé disse a Moisés: "Desce, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egito, se portou muito mal. Desviou-se do meu caminho. Desviaram-se do caminho que eu lhes tinha ordenado e fizeram para si um bezerro de fundição, adoraram-no e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: "Este é o teu Deus, Israel, que te fez subir da terra do Egito". O Senhor disse a Moisés: "Vejo que este povo é um povo de dura cerviz. 10Agora deixa-os comigo: que a minha ira arda contra eles e os consuma! Mas eu farei de ti uma grande nação.

Moisés suplicou a Javé, o seu Deus, e disse: "Por que razão, Javé, a tua ira se há-de acender contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande poder e mão forte? Porque é que os egípcios hão-de dizer: "Ele tirou-os para seu próprio mal, para os destruir nas montanhas e para os eliminar da face da terra"? Voltai do furor da vossa ira e arrependei-vos do mal que quereis fazer ao vosso povo. Lembra-te de Abraão, de Isaac e de Israel, teus servos, a quem juraste: "Multiplicarei os teus descendentes como as estrelas do céu e darei aos teus descendentes toda esta terra de que falei, e eles a possuirão para sempre".

E o Javé arrependeu-se do mal que tinha dito que ia fazer ao seu povo. Moisés regressou e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, escritas dos dois lados; estavam escritas dos dois lados. As tábuas eram obra de Deus, e a escrita era a escrita de Deus, gravada nas tábuas. Josué ouviu o barulho do povo a gritar e disse a Moisés: "Há um grito de guerra no acampamento!" Moisés respondeu: "Não é o som de gritos de vitória nem o som de gritos de derrota; ouço a voz do povo a cantar". Quando se aproximou do acampamento, viu o bezerro e as danças. A ira de Moisés acendeu-se e, com as mãos, atirou as tábuas e quebrou-as ao pé da montanha. Depois pegou no bezerro que tinham feito, queimou-o a fogo, reduziu-o a pó, deitou o pó na água e deu-a a beber aos filhos de Israel.

Moisés perguntou a Arão: "O que é que este povo te fez para que tenhas trazido sobre ele um pecado tão grande?" Arão respondeu: "Não se acenda a ira do meu senhor! Tu mesmo sabes que este povo é inclinado para o mal. 23Disseram-me: "Faz-nos um deus que vá à nossa frente, porque esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Eu disse-lhes: "Quem tiver ouro, despoje-se dele! Deram-mo e eu deitei-o ao fogo, e dele saiu este bezerro.

Moisés viu que o povo não tinha nenhum freio, porque Aarão lhe tinha tirado todo o freio, expondo-o a ser motivo de chacota entre os seus inimigos. Então Moisés pôs-se à porta do acampamento e disse: "A mim pertencem os que são por Javé!" E todos os filhos de Levi se reuniram à volta dele. E Moisés disse-lhes: "Assim diz Javé, Deus de Israel: 'Cada um de vós ponha a sua espada ao lado do corpo e percorra o acampamento de porta em porta, matando cada um o seu irmão, cada um o seu amigo, cada um o seu parente'. Os filhos de Levi fizeram o que Moisés mandou, e cerca de três mil pessoas morreram nesse dia. Moisés disse: "Consagrai-vos hoje ao Senhor, pois cada um de vós foi contra o seu filho e contra o seu pai, para que ele vos dê hoje uma bênção".

No dia seguinte, Moisés disse ao povo: "Cometestes um grande pecado. Agora vou subir ao Javé e talvez obtenha o perdão do vosso pecado". Moisés voltou a Javé e disse: "Ah, este povo cometeu um grande pecado! Fez para si um deus de ouro. Agora perdoa-lhes o pecado; se não, apaga-me do teu livro que escreveste". O Javé disse a Moisés: "É aquele que pecou contra mim que eu apagarei do meu livro. Vai agora e conduz o povo para onde eu te disser. Eis que o meu anjo irá à tua frente, mas no dia da minha visitação castigá-los-ei pelo seu pecado". Foi assim que Javé castigou o povo, por terem feito o bezerro que Aarão tinha feito.

(Capítulo 33) O Senhor disse a Moisés: "Vai, sai daqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito; sobe à terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaac e a Jacob, dizendo: Eu a darei aos vossos descendentes. Enviarei um anjo à tua frente e expulsarei os cananeus, os amorreus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Subi a uma terra que mana leite e mel; mas eu não subirei entre vós, porque sois povo de dura cerviz, para que eu não vos destrua no caminho".

Quando o povo ouviu estas duras palavras, ficou de luto e ninguém se vestiu com os seus ornamentos. Então Javé disse a Moisés: "Diz aos filhos de Israel: 'Sois um povo de dura cerviz; se eu subisse no meio de vós por um momento, destruir-vos-ia. Agora, pois, tirai os vossos enfeites de sobre vós, e eu saberei o que vos hei-de fazer." 6Os israelitas despojaram-se dos seus ornamentos no monte Horebe.

Moisés tomou a tenda e armou-a fora do acampamento, a alguma distância; chamou-lhe tenda da reunião; e todos os que procuravam o Senhor iam à tenda da reunião, que estava fora do acampamento. Quando Moisés se dirigia para a tenda, todo o povo se levantava, cada um à porta da tenda, e seguia Moisés com os olhos até ele entrar na tenda. Logo que Moisés entrou na tenda, a coluna de nuvem desceu e pôs-se à entrada da tenda, e o Senhor falou com Moisés. Quando todo o povo viu a coluna de nuvem à entrada da tenda, todo o povo se levantou e cada um se inclinou à porta da sua tenda. E o Senhor falou com Moisés face a face, como um homem fala com o seu amigo. Depois Moisés voltou para o acampamento, mas o seu servo Josué, filho de Nun, um jovem, não saiu do meio da tenda.

Moisés disse a Javé: "Tu dizes-me: Faz subir este povo, mas não me dizes quem vais enviar comigo. No entanto, disseste: 'Conheço-te pelo teu nome e encontraste graça aos meus olhos'. Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, faze-me saber os teus caminhos, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos. Considera que esta nação é o teu povo. O Senhor respondeu: "O meu rosto irá contigo, e eu te darei descanso". Moisés disse: "Se a tua face não vier, não nos mandes embora daqui. Como se saberá que eu e o teu povo fomos favorecidos aos teus olhos, se não fores connosco? É isto que me distinguirá, a mim e ao teu povo, de todos os povos da face da terra. O Senhor disse a Moisés: "Farei o que me pedes, pois achaste graça aos meus olhos e conheço-te pelo teu nome".

Moisés disse: "Deixa-me ver a tua glória." Respondeu o Javé: "Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e pronunciarei o nome do Javé diante de ti; porque serei misericordioso para com quem for misericordioso, e misericordioso para com quem for misericordioso". O Senhor disse: "Não poderás ver a minha face, pois o homem não pode ver-me e viver." O Javé disse: "Aqui está um lugar perto de mim; ficarás de pé sobre a rocha. Quando a minha glória passar, eu ponho-te na cavidade da rocha e cubro-te com a minha mão até eu passar. Depois retirarei a minha mão e ver-me-ás por detrás; mas o meu rosto não será visto."

(Capítulo 34) O Senhor disse a Moisés: "Corta duas tábuas de pedra como as primeiras, e eu escreverei nelas as palavras que estavam nas primeiras tábuas que quebraste. Prepara-te para amanhã, sobe ao monte Sinai de manhã e põe-te diante de mim no cimo do monte. Que ninguém suba contigo, que ninguém seja visto em parte alguma do monte e que nem ovelhas nem bois pastem na encosta deste monte. Moisés cortou duas tábuas de pedra como as primeiras e, levantando-se de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado, e tomou as duas tábuas de pedra na mão.

O Javé desceu na nuvem, pôs-se ali com ele e invocou o nome do Javé. O Javé passou diante dele e gritou: "Javé! Javé! Deus misericordioso e compassivo, lento para a cólera, rico em bondade e fidelidade, que conserva a sua graça até mil gerações, que perdoa a iniquidade, a rebelião e o pecado, mas não os deixa impunes, visitando a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos até à terceira e quarta geração!" Moisés prostrou-se imediatamente em terra e adorou, 9dizendo: "Se achei graça aos teus olhos, Senhor, permite que o Senhor ande no meio de nós, pois é um povo de dura cerviz; perdoa as nossas iniquidades e os nossos pecados e toma-nos por tua herança."

O Senhor disse: "Eis que eu faço uma aliança: na presença de todo o teu povo, farei maravilhas que nunca foram feitas em nenhuma terra nem em nenhuma nação; e todos os povos à tua volta verão a obra do Senhor, pois são terríveis as coisas que farei contigo.

Prestem atenção ao que vos ordeno hoje. Eis que expulsarei de diante de ti os amorreus, os cananeus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Tende cuidado em fazer aliança com os habitantes da terra contra a qual marchais, para que não se tornem um laço no meio de vós. 13Porém, derrubareis os seus altares, quebrareis as suas colunas e derrubareis os seus aserins. Não adorarás outros deuses, pois Javé se chama Zeloso, um Deus ciumento. Por isso, não façais aliança com os habitantes da terra, para que, quando eles se prostituírem com os seus deuses e lhes oferecerem sacrifícios, não vos convidem a entrar e comais dos seus sacrifícios; para que não tomeis as suas filhas para os vossos filhos, e as suas filhas, prostituindo-se com os seus deuses, não façam com que também os vossos filhos se prostituam com os seus deuses.

Não farás deuses de metal fundido.

Observareis a Festa dos Pães Ázimos: durante sete dias comereis pães ázimos, como vos ordenei, ao tempo determinado, no mês de Abibe, pois foi no mês de Abibe que saístes do Egito.

Todo o primogénito macho dos vossos rebanhos, seja boi ou ovelha, é meu. Resgatarás o primogénito da jumenta com um cordeiro; se não o resgatares, quebrar-lhe-ás o pescoço. Resgatarás todos os primogénitos dos teus filhos, e eles não virão perante mim de mãos vazias.

Trabalharás seis dias, mas descansarás no sétimo, mesmo na lavoura e na colheita.

Celebrareis a Festa das Semanas, da primeira colheita do trigo, e a Festa da Colheita, no fim do ano.

Três vezes por ano, todos os homens comparecerão perante o Senhor Javé, Deus de Israel. Porque eu expulsarei as nações de diante de ti e alargarei as tuas fronteiras; e ninguém cobiçará a tua terra enquanto subires para te apresentares três vezes por ano diante do Senhor Javé, teu Deus.

Não oferecerás o sangue da minha vítima com pão levedado, e o sacrifício da festa da Páscoa não se conservará durante a noite até de manhã.

Trarás as primícias dos primeiros frutos da tua terra à casa de Javé, teu Deus.

Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.

O Javé disse a Moisés: "Escreve estas palavras, porque segundo estas palavras faço uma aliança contigo e com Israel".

Moisés esteve ali com o Javé quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras.

Moisés desceu do monte Sinai; Moisés tinha na mão as duas tábuas do testemunho quando desceu do monte; e Moisés não sabia que a pele do seu rosto se tinha tornado radiante quando falava com Javé. Aarão e todos os filhos de Israel viram Moisés, e eis que a pele do seu rosto brilhava, e tiveram medo de se aproximar dele. Moisés chamou-os, e Aarão e todos os chefes da congregação vieram ter com ele, e ele falou-lhes. Então todos os filhos de Israel se aproximaram, e Moisés deu-lhes todas as ordens que tinha recebido do Senhor no monte Sinai.

Quando Moisés acabou de falar com eles, cobriu o rosto com um véu. Quando Moisés chegava diante do Javé para falar com ele, tirava o véu até sair; depois saía e contava aos filhos de Israel o que lhe tinha sido ordenado. 35Quando os filhos de Israel viram o rosto de Moisés, viram que a pele do rosto de Moisés estava radiante; então Moisés voltou a pôr o véu sobre o rosto, até entrar para falar com Javé.

EMF 213.1-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Então as pessoas se acalmam e, finalmente, se pode ouvir Jesus falar.

Ele diz ao sinagogo:

– Dá-me o décimo rolo daquela estante.

E, tendo-o recebido, o desenrola e o dá ao sinagogo, dizendo:

– Lê o capítulo 4º do livro II dos Macabeus.

Obediente, o sinagogo lê. E as vicissitudes de Onias, e os erros de Jasão, as traições e furtos de Menelau vão passando assim diante do pensamento dos presentes. O capitulo terminou. O sinagogo olha para Jesus, que o ficou escutando atentamente.

213.2

Jesus faz sinal de que basta, e depois, se dirige ao povo:

– Na cidade do meu caríssimo discípulo Eu não vou dizer minhas costumeiras palavras de ensinamento. Permaneceremos aqui alguns dias e Eu quero que seja ele quem vo-las diga. Porque daqui é que Eu quero que tenha começo o contato direto, o contato contínuo entre os apóstolos e o povo. Isso foi decidido lá na alta Galileia, e lá já começou a brilhar. Mas a humildade dos meus discípulos fez que depois eles se retirassem para a sombra, porque eles têm medo de não saberem fazê-lo bem e de ficarem usurpando o meu lugar. Não. Eles devem fazê-lo, e o farão bem, e ajudarão ao seu Mestre. Aqui, pois, unindo em um único amor os confins da Galileia e da Fenícia com as terras de Judá, que são as mais meridionais e se limitam com os países do sol e das areias, aqui é que deve ter começo a verdadeira pregação apostólica. Porque o Mestre já não basta para atender às necessidades das multidões. E porque é justo que as águiazinhas deixem o ninho e dêem os seus primeiros vôos, enquanto o sol está com elas, e as asas robustas dele as sustentam.

Por isso Eu, nestes dias, serei vosso amigo e vosso conforto. Eles serão a palavra, e irão espargindo as sementes que Eu lhes dei. Eu não direi por isso, palavras de ensinamento público, mas vos darei uma coisa privilegiada. Uma profecia. Eu vos peço que vos lembreis dela pelos tempos futuros, quando o acontecimento mais horrível da História tiver ofuscado o sol e, nas trevas, pode ser que os corações sejam arrastados a um julgamento errado. Não quero que vós sejais induzidos a erro, vós, que, desde os primeiros momentos, fostes bons para comigo. Não quero que o mundo possa dizer “Keriot foi inimiga de Cristo.” Eu sou justo. Não posso permitir que a crítica, tanto a invejosa, como a enamorada de Mim, possa, cada uma delas incentivada por seus sentimentos, acusar-vos de culpas contra Mim. E, assim como não se pode, em uma família numerosa, pretender que os filhos sejam iguais em santidade, assim também não se pode pretender que o sejam os habitantes de uma cidade populosa. Mas seria uma grande falta de caridade, se alguém dissesse, por causa de um filho mau, ou por causa de um dos habitantes, que não era bom: “Toda a família, ou toda a cidade está amaldiçoada.”

Portanto, ouvi, e lembrai-vos disso, sede sempre fiéis e, como Eu vos amo tanto, que quero defender-vos de qualquer acusação injusta, assim, vós, procurai saber amar aos que não têm culpa. Sempre. Sejam quem forem. Seja qual for o parentesco que eles tenham com os culpados.

213.3

Agora, escutai. Virá um tempo em que em Israel aparecerão delatores do tesouro e da pátria, e eles, na esperança de se tornarem amigos dos estrangeiros, falarão mal do verdadeiro Sumo Sacerdote, acusando-o de aliança com os inimigos de Israel, e de atos maus contra os filhos de Deus. E, para conseguirem isso, serão capazes de cometer delitos e de atribuir a responsabilidade por eles ao Inocente. E tempo virá, sempre em Israel, no qual, mais ainda que nos tempos de Onias, um infame, conspirando para ser ele o Pontífice, irá procurar os poderosos de Israel e os corromperão com o ouro, ainda mais infame, de suas palavras mentirosas e, ao mesmo tempo, alterará a verdade dos fatos; não falará contra as culpas, mas, pelo contrário, irá atrás de suas indignas metas, pôr-se-á a corromper os costumes, para ter, como presas mais fáceis, os espíritos privados da amizade com Deus. Tudo para atingir a sua meta. E conseguirá. Oh! Com certeza! Porque, se na própria morada do monte Moriá não estão mais os ginásios do ímpio Jasão, eles estão nos corações dos habitantes do monte que, como garantia, estão dispostos a vender uma coisa que é bem mais do que um terreno, e que é a própria consciência deles. Os frutos do erro antigo são vistos agora e, quem tiver olhos para ver, verá isso acontecer no lugar onde deveria haver caridade, pureza, justiça, bondade, religião santa e profunda. Mas, se esses são os frutos que já fazem tremer, os frutos nascidos das sementes destes não só serão objeto de tremor, mas de maldição divina.

E eis-nos chegados à verdadeira profecia. Em verdade Euvos digo: Por aquele que se apoderou de um posto e da confiança, por meio de jogadas calculadas e astutas é que será entregue, por dinheiro, às mãos dos inimigos, o Sumo Sacerdote, o Verdadeiro Sacerdote. Arrastado para a cilada por meio de um gesto de afeto, será mostrado aos carrascos por meio de um gesto de amor, e Ele será morto sem preocupações com a justiça. Que acusações serão feitas a Cristo, pois é de Mim que estou falando, para justificarem o direito de matá-lo? E que sorte estará reservada para os que isso fizerem? Uma sorte, na mesma hora e de horrível justiça. Uma sorte não individual, mas coletiva, para os cúmplices do traidor. Uma sorte mais distante, e ainda mais horrível do que a do homem que o remorso levará a coroar o seu espírito de demônio com um último delito contra si mesmo. Porque aquilo em um momento terminará. Mas este último castigo será longo, terrível. Encontrai-o nesta frase: “E, aceso em ira, ordenou que Andrônico fosse despojado de sua púrpura e morto no lugar onde havia cometido a impiedade contra Onias.” Sim. A raça sacerdotal será punida em seus filhos e também nos executores. E o destino da massa de cúmplices, podeis lê-lo nestas[2] palavras. “A voz deste sangue grita a Mim da terra. Agora, pois, tu serás maldito…” E ela será dita por Deus a todo um povo que não terá sabido guardar o dom do Céu. Porque, se é verdade que Eu vim para redimir, ai daqueles que forem assassinos, e não redimidos, no meio deste povo, que recebeu como primeira redenção a minha Palavra.

Já o disse. Lembrai-vos disso. E, quando ouvirdes dizer que Eu sou um malfeitor, dizei: “Não. Ele já o disse. Isto é o que foi marcado e se está cumprindo. Ele é a Vítima morta pelos pecados do mundo…”

213.4

A sinagoga se esvazia, e todos saem falando e gesticulando, e o seu assunto é a profecia e a estima que Jesus tem por Judas. Os habitantes de Keriot estão exaltados pela honra que lhes deu o Messias, ao escolher a terra de um apóstolo, e logo do apóstolo de Keriot, para iniciar lá o ministério apostólico, e começando pelo dom da profecia. Ainda que seja triste, é uma grande honra tê-la ouvido e, ainda mais, com as palavras de amor que a precederam…

Na sinagoga ficam Jesus e os grupo dos apóstolos. E passam para o pequeno jardim, que fica entre a sinagoga e a casa do sinagogo. Judas sentou-se e está chorando.

– Por que estás chorando? Não vejo motivo para isso… –diz o outro Judas.

– Mas vede bem. Quase que eu faria também o que ele está fazendo. Vós ouvistes? Agora é preciso que falemoos nós… –diz Pedro.

– Mas nós já falamos um pouco lá no monte. Sempre o iremos fazendo melhor. Tu e João logo já fostes capazes –diz Tiago de Zebedeu para encorajar.

– O pior é comigo… mas Deus me ajudará. Não é mesmo, Mestre? –pergunta André.

Jesus estava enrolando os rolos, que ia levando consigo, vira-se e diz:

– Que é que estáveis dizendo?

– Que Deus me ajudará, quando eu tiver que falar. Eu procurarei repetir as tuas palavras do melhor modo que eu puder. Mas meu irmão está com medo e Judas está chorando.

– Estás chorando? Por quê? –pergunta Jesus,

– Porque verdadeiramente eu pequei. André e Tomé o podem dizer. Eu falei mal de Ti e Tu me fizestes bem, ao chamar-me de “caríssimo discípulo” e querendo que eu seja mestre aqui… Quanto amor!…

– Não sabias que Eu te amava?

– Sim. Mas… Obrigado, Mestre. Não murmurarei nunca mais, porque realmente eu sou as trevas e Tu és a Luz.

O sinagogo volta, convidando-os a entrar em casa e, enquanto vai, ele diz:

– Estou pensando nas tuas palavras. Se eu compreendi bem, assim como encontraste em Keriot um predileto, nosso Judas de Simão, também profetizas que aqui encontrarás um indigno. Isso me aflige. Mas, menos mal, porque Judas compensará o outro…

– Com todo o meu ser –diz Judas, que já recobrou o domínio de si mesmo.

Jesus nada diz, mas olha para os seus interlocutores, e faz um gesto, abrindo os braços, como para dizer: “Assim é.”

Anotação

O líder lê. E assim passam perante o público as provações de Onias, os erros de Jasão, as traições e os roubos de Menelau. O capítulo está terminado. O leitor olha para Jesus, que estava a ouvir atentamente. Cf. o segundo livro dos Macabeus, 2 M 4.

Quero que se inicie um contacto direto, um contacto contínuo entre os apóstolos e o povo. Isso foi decidido na Alta Galileia e aí se viu a primeira luz. Jesus enviou-os a pregar pela primeira vez em EMV 166,2-3. Fazem o seu primeiro sermão em EMV 166,4-12 (especialmente Simão, o Zelota, e João). Foi perto da casa de Eliseu, na Judeia, que Jesus declarou que já não era suficiente para satisfazer as necessidades das multidões(EMV 209,5).

Quanto ao destino da massa de cúmplices, podemos lê-lo nestas palavras: "A voz deste sangue clama a mim desde a terra. Por isso, sereis amaldiçoados...". E é Deus quem vai pronunciar estas palavras a todo um povo que não protegeu o dom do Céu. Pois se é verdade que vim para redimir, ai daqueles que serão assassinos e não serão redimidos, entre este povo cuja primeira redenção foi a minha Palavra. Cf. Gn 4,10-11 abaixo.

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Segundo Livro dos Macabeus, 4

2 M 4 : Simão, o informador do tesouro e do seu país, falou mal de Onias: foi ele, disse, que tinha incitado Heliodoro e que era o autor de todo o mal. O benfeitor da cidade, o defensor dos seus concidadãos e o fiel observador das leis, atrevia-se a fazer dele um adversário do Estado. Este ódio foi tão longe que um dos apoiantes de Simão cometeu assassínios. Então Onias, considerando o perigo destas divisões e das explosões de Apolónio, o governador militar da Coele-Síria e da Fenícia, que encorajava a maldade de Simão, foi falar com o rei, não para acusar os seus concidadãos, mas tendo em vista os interesses gerais e particulares de todo o seu povo. Pois via que, sem a intervenção do rei, seria impossível pacificar a situação, e que Simão não desistiria das suas aventuras criminosas.

Mas, após a morte de Seleuco, sucedeu-lhe Antíoco, apelidado de Epífanes, e Jasão, irmão de Onias, tentou usurpar o pontificado. Num encontro com o rei, prometeu-lhe trezentos e sessenta talentos de prata e oitenta talentos retirados de outras receitas. Prometeu também comprometer-se por escrito a pagar mais cento e cinquenta talentos, se lhe fosse permitido estabelecer, por sua própria autoridade e de acordo com os seus desejos, um ginásio com um ephebæum e registar os habitantes de Jerusalém como cidadãos de Antioquia. O rei concordou com tudo. Logo que Jasão obteve o poder, começou a introduzir os costumes gregos entre os seus concidadãos. Aboliu os privilégios que os reis, por humanidade, tinham concedido aos judeus graças à iniciativa de João, pai de Eupólemo, que tinha sido enviado numa embaixada para concluir um tratado de aliança e amizade com os romanos, e, destruindo as instituições legítimas, estabeleceu costumes contrários à lei. Tinha prazer em fundar um ginásio no sopé da Acrópole e educava as crianças mais nobres colocando-as debaixo do seu chapéu. O helenismo cresceu então de tal forma e a inclinação para os costumes estrangeiros, em consequência da excessiva perversidade de Jasão, homem ímpio e de modo algum sumo sacerdote, que os sacerdotes já não mostravam qualquer zelo pelo serviço do altar e, desprezando o templo e negligenciando os sacrifícios, apressavam-se a participar, na palaestra, nos exercícios proscritos pela lei, logo que se ouvia o apelo para lançar o disco. Não prestando atenção às honras do seu país, tinham em grande estima as distinções dos gregos. Em conseqüência, sobrevieram-lhes graves calamidades, e no próprio povo cujo modo de vida imitavam e ao qual desejavam assemelhar-se em tudo, encontraram inimigos e opressores. Pois não se viola impunemente as leis divinas; mas isso é o que os acontecimentos posteriores demonstrarão.

Enquanto se celebravam em Tiro os jogos quinquenais, aos quais o rei assistia, o criminoso Jasão enviou espectadores de Jerusalém, que eram cidadãos de Antioquia, trazendo trezentas dracmas de prata para o sacrifício de Hércules; mas os que as traziam pediram que o dinheiro fosse usado, não para os sacrifícios, o que não era apropriado, mas para cobrir outras despesas. Assim, as trezentas dracmas foram de facto destinadas por quem as enviou para o sacrifício em honra de Hércules; mas foram usadas, de acordo com o desejo de quem as trazia, para a construção de trirremes.

Apolónio, filho de Menesteu, tendo sido enviado para o Egito por ocasião da entronização do rei Ptolomeu Filometor, Antíoco soube que o rei lhe era desfavorável e, desejando ficar a salvo dele, foi para Jope e depois para Jerusalém. Recebido magnificamente por Jasão e por toda a cidade, fez a sua entrada à luz de tochas e entre aclamações; depois conduziu o seu exército para a Fenícia da mesma forma.

Passados três anos, Jasão enviou Menelau, o irmão de Simão acima mencionado, para levar o dinheiro ao rei e pagar as taxas de registo para assuntos importantes. No entanto, Menelau recomendou-se ao rei, honrou-o como um homem de alta posição e fez com que lhe fosse atribuído o pontificado soberano, oferecendo trezentos talentos de prata a mais do que Jasão. Depois de ter recebido do rei as cartas de investidura, regressou a Jerusalém sem nada digno do sacerdócio, mas com os instintos de um tirano cruel e a fúria de uma fera selvagem. Assim, Jasão, que tinha enganado o seu próprio irmão, enganado por sua vez por outro, teve de fugir para a terra dos amonitas. Quanto a Menelau, obteve o poder; mas, como não cumpriu a soma prometida ao rei, apesar das queixas de Sostrato, comandante da Acrópole, responsável pela cobrança dos impostos, ambos foram convocados ao rei.

Menelau deixou o seu irmão Lisímaco no seu lugar como sumo sacerdote, e Sostrato deixou Crates, governador de Chipre, como seu substituto. Entretanto, os habitantes de Tarso e de Mallas revoltaram-se, porque estas duas cidades tinham sido oferecidas como presentes a Antíoco, a concubina do rei. Por isso, o rei partiu apressadamente para reprimir a sedição, tendo deixado Andrónico, um dos grandes dignitários, como seu lugar-tenente. Menelau, julgando que as circunstâncias eram favoráveis, retirou do templo alguns vasos de ouro e entregou-os a Andrónico, conseguindo vender outros a Tiro e às cidades vizinhas.

Quando Onias teve a certeza de que Menelau tinha cometido este novo crime, censurou-o por isso, depois de se ter retirado para um lugar de refúgio em Dafne, perto de Antioquia. Menelau, então, chamou Andrónico à parte e instou-o a matar Onias. Andrónico foi então ter com Onias e, usando de artifícios, jurou sobre a sua mão direita; depois, embora desconfiado, convenceu-o a sair do seu refúgio e matou-o imediatamente, sem qualquer respeito pela justiça. Assim, não só os judeus, mas também muitas outras nações ficaram indignadas e tristes com o assassinato injusto desse homem.

Quando o rei regressou da Cilícia, os judeus de Antioquia, juntamente com os gregos que também eram inimigos da violência, foram ter com ele por causa do assassínio injusto de Onias. Antíoco ficou profundamente triste e, movido pela compaixão por Onias, derramou lágrimas ao lembrar-se da moderação e da conduta sábia do falecido. Vermelho de cólera, mandou imediatamente despojar Andrónico da sua púrpura, rasgou-lhe as vestes e, depois de o ter feito percorrer toda a cidade, degradou o patife no próprio lugar onde ele tinha perpetrado o seu ímpio atentado contra Onias, tendo o Senhor, assim, infligido-lhe um justo castigo.

Ora, quando Lisímaco, de acordo com Menelau, cometeu um grande número de roubos sacrílegos na cidade, e a notícia se espalhou, o povo levantou-se contra Lisímaco, embora muitos vasos de ouro já tivessem sido espalhados. Quando Lisímaco viu que a multidão se tinha agitado e que os seus ânimos estavam inflamados, armou cerca de três mil homens e começou a cometer actos de violência sob o comando de um certo Tirano, um homem de idade avançada e não menos perverso. Mas quando ouviram falar do ataque de Lisímaco, uns agarraram em pedras, outros em grandes paus, e outros ainda apanharam cinzas que estavam por perto e atiraram-nas tumultuosamente contra os apoiantes de Lisímaco. Assim, feriram muitos dos seus homens, mataram vários deles, puseram todos os outros em fuga e massacraram o próprio sacrílego junto ao tesouro do templo.

Com base nestes factos, iniciou-se então uma investigação contra Menelau. Quando o rei chegou a Tiro, os três homens enviados pelos anciãos explicaram-lhe a justiça do seu caso. Vendo-se convencido, Menelau prometeu a Ptolomeu, filho de Dorymene, uma grande soma de dinheiro para que o rei o favorecesse. Ptolomeu levou então o rei para debaixo do peristilo, como que para se refrescar, e fê-lo mudar de ideias. O rei declarou Menelau inocente das acusações que lhe eram feitas, apesar de ser culpado de todos os crimes, e condenou à morte homens infelizes que, se tivessem defendido a sua causa mesmo perante os citas, teriam sido considerados inocentes; e homens que tinham defendido a cidade, o povo e os objectos sagrados, sofreram sem demora este castigo injusto. Os próprios tírios ficaram indignados e deram às vítimas um magnífico funeral. Quanto a Menelau, graças à cobiça dos poderosos, manteve a sua dignidade, crescendo na malícia e no flagelo cruel dos seus concidadãos.

Livro do Génesis 4, 10-11

Gn 4, 10-11 : O Senhor disse: "Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama desde a terra até mim. Agora és amaldiçoado pela terra, que abriu a boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão".