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Notas do tema

Virtudes, qualidades cristãs e qualidades humanas

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EMF 71.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Quanto mais alguém é mal formado, mais precisa de cuidados. Os outros… oh! os outros vão-se formando também por si, somente por contato. Eu não quero fazer tudo por Mim. Peço a vontade do homem e a ajuda dos outros para formar um homem. Eu vos chamo para que me ajudeis… e vos fico agradecido pela ajuda.

EMF 72.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O que me entristece é constatar quanto o homem está corrompido por Satanás, que lhe desvia o pensamento. Todos, sabeis? Todos tendes o pensamento perturbado por ele! Mas virá, oh! virá o dia em que tereis em vós a Força de Deus, a Graça, tereis a Sabedoria, com o seu Espírito… Então, tereis tudo para julgar com justiça.

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Jesus disse a João, a Judas e a Simão, o Zelote:

EMF 72.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Se Ele nos promete que vestirá a nossa miséria intelectual e espiritual com os fulgores do poder que o Pai lhe dá em favor de nós, devemos estar certos de que Ele o fará e de que nós o poderemos, não por nós mesmos, mas pela sua misericórdia. No entanto, certamente tudo isso acontecerá, se nós não formos orgulhosos, nem colocarmos desejo humano em nosso trabalho. Eu penso que, se corrompermos a nossa missão, que é toda espiritual, com elementos que são terrestres, então não se cumprirá também a palavra de Cristo. Não por sua incapacidade, mas porque nós estrangularemos essa capacidade com o laço da soberba.

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Simão, o Zelota, fala de Jesus e diz

EMF 73.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Homem, Eu te digo: não odeies. Não desejes o mal. Não desejes fazer o mal. Aqui não há culpa. Mas ainda que houvesse, perdoa. Em nome de Deus, perdoa.

EMF 74.7-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus estende os braços. Judas, que vê o gesto, diz:

– Não fales! Não é prudente!

Mas Jesus enche a praça com sua voz potente:

– Homens de Judá! Homens de Belém, ouvi! Ouvi, ó vós, mulheres da terra consagrada a Raquel! Ouvi a alguém que vem de Davi que, perseguido, sofreu, e que tornado digno de falar, fala, para dar-vos luz e conforto. Ouvi.

As pessoas param de gritar, discutir, comprar, e se ajuntam.

– É um rabi!

– Certamente vem de Jerusalém.

– Quem é?

– Que belo homem!

– Que voz!

– Que modos!

– E, além disso, se é da descendência de Davi!

– Então é nosso.

– Ouçamos, ouçamos!

Toda a praça está agora perto da escadinha, que parece um púlpito.

– No Gênesis está escrito[2]: “Eu porei inimizade entre ti e a mu­lher… esta te esmagará a cabeça, e tu armarás ciladas ao seu calca­nhar.” E está escrito ainda: “Eu multiplicarei os teus sofrimentos e as tuas gestações… e a terra produzirá abrolhos e espinhos.” Esta foi a condenação do homem, da mulher e da serpente.

Tendo vindo de longe para venerar o túmulo de Raquel, ouvi no vento da tarde, no orvalho da noite, no lamento do rouxinol pela manhã, repetir-se os soluços da antiga Raquel[3], pelas tantas bocas das mães de Belém encerradas nos sepulcros, ou nos corações. E ouvi o rugir da dor de Jacó, na dor dos viúvos, que ficaram sem suas esposas, porque a dor as matou… Eu choro convosco. Mas ouvi, ó irmãos da minha terra. Belém, terra bendita, a menor das cidades de Judá, mas a maior aos olhos de Deus e da humanidade porque berço do Salvador, como diz Miquéias[4], exatamente por ser assim, por ser destinada a ser o tabernáculo sobre o qual pousaria a Glória de Deus, o Fogo de Deus, o seu Amor encarnado, desencadeou o ódio de Satanás.

“Porei inimizade entre ti e a mulher. Ela te manterá sob o seu pé, e tu armarás ciladas ao seu calcanhar.” Que inimizade há maior do que aquela, que tem em mira os filhos, que são o coração do coração da mulher? E qual é o mais forte pé do que aquele da mãe do Salvador? Eis porque foi natural a vingança de Satanás vencido, o qual, não ao calcanhar, mas ao coração das mães, pela Mãe, ocorreu a sua insídia.

Oh! Multiplicados sofrimentos, ao perderem os filhos, depois de tê-los dado à luz! Oh! Terríveis espinhos de ter semeado e suado pela prole e serem pais sem terem mais a sua prole! Mas jubila, Belém! O teu sangue mais puro, o sangue dos inocentes, fez um caminho de fogo e de púrpura para o Messias…

74.8

A multidão, que vinha sempre mais rumorejando, desde quando Jesus falou no Salvador, e depois na mãe Dele, agora mostra um sinal mais claro de agitação.

– Cala-te, Mestre –diz Judas–. E vamos embora.

Mas Jesus não lhe dá ouvidos, e continua:

– … para o Messias, que a Graça de Deus Pai salvou dos tiranos, a fim de conservá-lo para a salvação do povo e…

Uma voz estridente de mulher grita:

– Cinco, cinco deles eu tinha dado à luz, e mais nenhum está em minha casa! Pobre de mim!

E grita histericamente. É o começo da algazarra.

Uma outra se revolve na poeira, rasga as vestes, mostra uma de suas mamas mutilada no bico, e grita:

– Aqui, aqui sobre esta mama é que degolaram o meu primogênito! A espada cortou-lhe o rosto, juntamente com o bico do meu seio. Oh! O meu Eliseu!

– E eu? E eu? Eis ali o meu palácio! Três túmulos em um, velados pelo pai. Marido e filhos juntos. Eis, eis!… Se aqui está o Salvador, que ele me devolva os filhos, me devolva o esposo, me salve do desespero e de Belzebu, me salve!

Todos gritam.

– Os nossos filhos, os maridos, os pais! Devolva-os, se é que está aqui!

Jesus move os braços, impondo silêncio.

– Irmãos da minha terra, Eu gostaria de devolver-vos vossos filhos em sua própria carne. Mas Eu vos digo: Sede bons, resignados, perdoai, esperai, alegrai-vos em uma esperança, jubilai em uma certeza. Logo reavereis os vossos filhos, anjos no Céu, porque o Messias está para abrir as portas dos Céus e, se fordes justos, a morte será Vida que vem e Amor que volta…

– Ah! És Tu o Messias? Dize-o em nome de Deus!

Jesus abaixa os braços, com aquele seu gesto suave, manso, que parece um abraço, e diz:

– Eu o sou!

– Fora! Fora! Então é por tua culpa!

Passa voando uma pedra, por entre assobios e escárnios.

74.9

Judas dá um belo salto… oh! se ele tivesse sido sempre assim! Coloca-se na frente do Mestre, de pé sobre o muro do terraço, o manto desdobrado, e recebe, destemido, as pedradas, e até uma que lhe sangra, e grita para o João e o Simão:

– Levai Jesus embora. Levai-o para atrás daquelas árvores. Depois eu irei. Ide, em nome do Céu!

E para a multidão:

– Cães hidrófobos! Eu sou do Templo, e ao Templo e a Roma vos denunciarei.

A multidão, por um momento, sente medo. Mas depois recomeça o apedrejamento, por sorte, inábil. E Judas, impassível o recebe, respondendo com afrontas às maldições do povo. Aliás, agarra no ar uma das pedras e a remete sobre a cabeça de um velhote, que grita, como uma pega que está sendo depenada viva. E, como estão tentando subir até o seu pedestal, ele, rápido, pega um galho seco, que está no chão (agora ele desceu do muro), e desce o galho sobre costas, cabeças, mãos, sem piedade.

Chegam as milícias e, com suas lanças, vão abrindo caminho:

– Quem és? Por que essa briga?

– Um judeu está sendo agredido por estes plebeus. Estava comigo um rabino conhecido dos sacerdotes. Ele estava falando a estes cães. E eles escaparam das correntes, e nos atacaram.

– Quem és tu?

– Judas de Keriot, que já fui do Templo, e agora sou discípulo do Rabi Jesus da Galiléia. Sou amigo do fariseu Simão, do saduceu Jocanã, do conselheiro do Sinédrio José de Arimatéia, e, enfim, isto podes conferir, de Eleazar ben Ana, o grande amigo do Procônsul.

– Irei verificar. Para onde vais?

– Vou com meu amigo para Keriot, e depois para Jerusalém.

– Vai. Nós defenderemos tuas costas.

Judas estende a mão com umas moedas para o soldado. Deve ser uma coisa ilícita… mas usual, porque o soldado as pega, rápido e cauteloso, o saúda e sorri. Judas desce do seu pódio e vai aos saltos pelo campo inculto, e alcança os companheiros.

– Estás muito ferido?

– Coisa de nada, Mestre. Depois, foi por Ti… Mas eu também bati. Devo estar todo sujo de sangue…

– Sim, na face. Aqui há um fio de água.

João molha um paninho e lava a face de Judas.

– Lamento Judas… Mas vê… também dizer a eles que éramos judeus, segundo o teu senso prático…

– São uns animais. Creio que terás ficado persuadido disso, Mestre. E que não insistirás.

– Oh! Não. Não por medo. Mas porque é inútil, por enquanto. Quando não nos querem, não os maldizemos, mas nos retiramos, rezando pelos pobres loucos, que estão morrendo de fome, e não enxergam o Pão. Vamos por este caminho remoto. Creio que podemos tomar o caminho para Hebron. Para os pastores, se os encontrarmos.

– Para levarmos mais pedradas?

– Não. Para dizer a eles: “Sou Eu”.

– Ah! Então é certo que vão bater em nós. Há trinta anos que estão sofrendo por tua causa!….

– Veremos.

E lá se vão por um pequeno bosque compacto, sombreado, fresco, e eu os perco de vista.

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Jesus chega às ruínas da casa de Ana. Decidiu então falar com os habitantes de Belém, que tinham perdido os seus filhos no massacre dos Inocentes.

EMF 74.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu gostaria de devolver-vos vossos filhos em sua própria carne. Mas Eu vos digo: Sede bons, resignados, perdoai, esperai, alegrai-vos em uma esperança, jubilai em uma certeza. Logo reavereis os vossos filhos, anjos no Céu, porque o Messias está para abrir as portas dos Céus e, se fordes justos, a morte será Vida que vem e Amor que volta…

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Jesus disse ao povo de Belém que tinha sofrido o massacre dos Inocentes:

EMF 75.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu podia ter retribuído ao mal com mal, ou praticar o mal, roubando, para não ter que sofrer com o patrão. Mas, eu só quis perdoar, sofrer, ser honesto, porque os anjos haviam dito: “Glória a Deus nos Céus altíssimos, e paz na terra aos homens de boa vontade.”

– Foi assim mesmo que os anjos disseram?

– Sim, Senhor, podes crê-lo Tu, ao menos Tu, que és tão bom. Fica sabendo Tu, pelo menos, e crede que o Messias já nasceu. Ninguém quer mais crer nisso. Mas os anjos não mentem… e nós não estávamos bêbados, como disseram. Este, que estás vendo, naquele tempo era um menino, e foi o primeiro a ver o anjo. Ele só bebia leite. Será que o leite pode embriagar? Os anjos disseram: “Hoje na cidade de Davi nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E vós o reconhecereis pelo seguinte: Encontrareis um Menino deitado em uma manjedoura, envolvido em faixas.”

– Foi assim mesmo que falaram? Não tereis entendido mal? Não estareis enganados, depois de tanto tempo?

– Oh! Não! Não é verdade, Levi? Para não nos esquecermos daquelas palavras — e nem o poderíamos, porque eram palavras do Céu, e foram escritas com o fogo do Céu em nossos corações — todas as manhãs, todas as tardes, quando o sol surge, quando brilha a primeira estrela, nós as dizemos como oração, como pedido de bênção, para termos força e conforto, em nome Dele e da mãe.

– Ah! Vós dizíeis: “O Cristo”?

– Não, Senhor. Nós dizemos: “Glória a Deus nos Céus altíssimos e paz na terra aos homens de boa vontade, por Jesus Cristo que nasceu de Maria em uma estrebaria em Belém e que, envolvido em faixas, estava em uma manjedoura, Ele que é o Salvador do mundo.”

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Elias, um pastor da Natividade, conta os maus tratos que recebeu. Diz ele:

Palavras-chave

EMF 75.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Glória a Deus nos Céus altíssimos, e paz na terra aos homens de boa vontade, que mereceram ver a Luz e servi-la. O Salvador está entre eles. O Pastor da estirpe real está no meio do seu rebanho. A Estrela da manhã já surgiu. Jubilai-vos, ó justos! Jubilai no Senhor. Ele, que fez a abóbada dos céus, e os semeou de estrelas, Ele que pôs, como limite para as terras, os mares, Ele que criou os ventos e o orvalho e regulou o curso das estações para dar pão e vinho aos seus filhos, eis que vos manda agora um Alimento mais alto: o Pão vivo que desce dos Céus, o Vinho da Videira eterna. Vinde, vós, primícias dos meus adoradores. Vinde conhecer o Pai em verdade, para o seguirdes na santidade e terdes Dele o prêmio eterno.

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Oração recitada por Cristo aos pastores da Natividade que ele encontrou.