EMF 167.4
O Evangelho como me foi revelado
Tradução em curso
Notas da palavra-chave
Conforto de leitura
EMF 167.4
Tradução em curso
EMF 167.5
EMF 172.3
Tradução em curso
EMF 178.3.5 · Volume 3
Jesus põe-se de novo em movimento e, atraído por dois olhos estãovoltados para Ele, diz a um jovem alto e robusto, que tinha parado para deixar passar o cortejo, mas parece estar se dirigindo para outra parte:
– Segue-me.
O jovem leva um susto, muda de cor, pisca os olhos como ofuscado por uma luz e depois abre a boca para falar, não encontrando-o logo resposta para dar. Enfim diz:
– Eu Te seguirei. Mas meu pai morreu em Corozaim, e preciso ir sepultá-lo. Deixa que eu vá fazer isso e depois virei.
– Segue-me. Deixa que os mortos sepultem os seus mortos. Tu já sentes um forte desejo da Vida. Há tempo que tens esse desejo. Não fiques chorando, por ter a Vida criado um vácuo ao redor de ti, a fim de ter-te como seu discípulo. As mutilações do afeto são raízes das asas que nascem no homem, que se transformou em servo da Verdade. Deixa que a corrupção siga os seus rumos. Levanta-te para o Reino do que é incorrupto. Nele encontrarás também a pérola incorruptível do teu pai. Deus chama e passa. Amanhã não encontrarás mais o coração que tens hoje e o convite de Deus. Vem. Vai anunciar o Reino de Deus.
O homem, encostado a um pequeno muro, está com os braços caídos, e neles estão penduradas algumas bolsas, cheias de unguentos e de tiras; sua cabeça está inclinada, mergulhada na dúvida entre dois amores: o devido a Deus e o devido a seu pai.
Jesus fica esperando e olhando para ele, depois segura uma criança e a aperta ao coração, dizendo:
– Fala comigo: “Eu Te bendigo, ó Pai, e invoco a tua luz para aqueles que choram nas névoas da vida. Eu Te bendigo, ó Pai, e invoco a tua força para quem é como uma criança, necessitada de ser carregada. Eu Te bendigo, ó Pai, e invoco o teu amor para que se esqueçam de tudo que não sejas Tu, todos aqueles que em Ti encontrariam, todo o seu bem aqui e no Céu, mas não sabem crer.”
E o menino, um inocente de quatro anos, repete com sua vozinha, as palavras santas, com suas mãozinhas juntas e postas em posição de oração pela mão direita de Jesus, que as segura pelo pulso gorducho como talos de flores.
O homem, então se decide. Dá a um companheiro os seus embrulhos e vai até Jesus, que põe no chão o menino, abraça depois o jovem, fazendo isso para animá-lo e ajudá-lo no esforço que está fazendo.
(...) Chegaram à beira do lago. Jesus sobe para a barca de Pedro, ao qual, em voz baixa, diz algumas palavras. Vejo que Jesus está sorrindo e Pedro fica muito admirado. Mas não diz nada. Sobe também para a barca o homem que deixou de ir sepultar o seu pai para acompanhar a Jesus.
EMF 179.9 · Volume 3
– Que vossos corações sejam justos, um para com o outro, como justo é aquele pelo qual chorais. Não ponhais uma marca humana no que é sobre-humano: a morte e a escolha para uma missão. A alma do justo não se agitou, ao ver que o filho não estava presente à sepultura do seu cadáver. Mas ela até ficou tranquila por causa da segurança do futuro de seu Elias. O pensamento do mundo não venha perturbar a graça da escolha. Se o mundo pôde ficar admirado, por não vê-lo junto ao funeral do pai, os anjos exultaram por vê-lo ao lado do Messias. Sede justos. E tu, mãe, que sejas consolada com isso. Educaste com sabedoria, e teu filho foi chamado pela Sabedoria. Eu vos abençôo a todos. A paz esteja convosco agora e sempre.
Mensagem de Jesus aos irmãos que estão zangados com o filho mais novo por este ter seguido Jesus em vez de ir com eles enterrar o pai.
EMF 182.2 · Volume 3
Ele vai diretamente acariciar um pastorzinho, que está no centro de um grande grupo de ovelhas lanudas e berrantes. Ele lhe pergunta:
– Elas são tuas?
Jesus sabe muito bem que elas não são do rapazinho, mas quer fazê-lo falar.
– Não, Senhor. Eu trabalho com aqueles lá. E estes rebanhos são de muitos donos. Nós estamos todos reunidos por causa dos bandidos.
– Como te chamas?
– Zacarias, filho de Isaac. Mas meu pai morreu, e eu estou trabalhando, porque minha mãe tem outros três mais novos do que eu.
– Faz muito tempo que ele morreu?
– Há três anos, Senhor… e eu não sei mais rir, porque a mamãe está sempre chorando, e eu não tenho mais quem me acaricie… Eu sou o primeiro filho, e a morte de meu pai fez que eu me tornasse homem, quando eu era ainda menino… Eu não tenho que chorar, mas ganhar… Mas é difícil!
De fato, até agora mesmo as lágrimas estão descendo sobre aquele rostinho sério demais para a idade que tem.
Os pastores se aproximam e os apóstolos também. Agora é um grupo de homens, no meio de um mover-se de ovelhas.
– Não estás sem pai, Zacarias. Tu tens um Pai Santo, que está no Céu, e que te ama sempre, se fores bom, e o teu pai não cessou de te amar, pois ele está no seio de Abraão. Precisas crer nisto. E, por causa dessa fé, precisas ser sempre melhor.
Jesus fala com doçura e acaricia o menino.
Um caso real de uma criança que perdeu o pai há três anos e que agora cuida de rebanhos de ovelhas.
EMF 188.6
Tradução em curso
EMF 188.6 · Volume 3
Não tenhas desejo de rasgar os véus, que separam os vivos dos mortos. Não inquietes os defuntos. Escuta-os, se são sábios, enquanto estiverem sobre a terra, e venera-os com a tua obediência, até depois de sua morte. Mas não perturbes sua segunda vida. Quem não obedece à voz do Senhor, perde o Senhor. E o Senhor proibiu o ocultismo, a necromancia, o satanismo em todas as suas formas.
EMF 194.3 · Volume 3
– Mas, Tu dizes que abrirás as portas dos Céus. Não estão elas fechadas pelo grande Pecado? A mamãe me dizia que ninguém podia entrar, enquanto não tivesse vindo o perdão, e que os justos o estavam esperando no Limbo.
– É isto mesmo. Mas depois Eu irei para o Pai, depois de ter pregado a palavra de Deus e… ter obtido para vós o perdão, e Eu direi “Pai meu, agora Eu cumpri toda a tua vontade. Agora quero o meu prêmio pelo meu sacrifício. Que venham os justos, que estão esperando o teu Reino.” E o Pai me dirá: “Que seja como Tu queres.” E, então, Eu descerei para chamar todos os justos e o Limbo abrirá as suas portas, ao som da minha voz, e sairão exultantes os santos Patriarcas, luminosos Profetas, as mulheres abençoadas de Israel e depois, sabes quantos meninos? Será como um prado florido de meninos de todas as idades! E, cantando, eles virão atrás de Mim, subindo para o belo Paraíso.
– E lá estará também a minha mamãe?
– Com toda a certeza!
– Tu não me disseste que ela estará lá contigo na porta do Céu, quando eu também tiver morrido…
– Ela, e com ela o teu pai não terão necessidade de estar junto àquela porta. Como anjos fulgentes, eles alçarão sempre seus vôos do Céu para a terra, de Jesus até o pequeno Jabé e, quando tu estiveres para morrer, eles farão como estão fazendo aqueles dois passarinhos ali, naquela sebe. Estás vendo-os?
Jesus toma o menino nos braços, para que ele veja melhor:
– Estás vendo como eles estão sobre os seus pequenos ovos? Estão esperando que os ovos se abram, e depois estenderão as asas sobre sua ninhada para protegê-la de todo mal e, em seguida, quando ela já tiver crescido e estiver pronta para o vôo, eles os sustentarão com suas fortes asas, levando-os para cima, para cima, ainda mais para acima… rumo ao sol. Os teus pais farão assim contigo.
– Será assim mesmo?
– Assim mesmo.
– Mas, Tu dirás a eles que se lembrem de vir?
– Não haverá necessidade disso, porque eles te amam. Mas Eu lhes direi.
– Oh! Como eu te quero bem!
O menino, ainda nos braços de Jesus, abraça-se ao pescoço dele e o beija com uma expansão de tanta alegria, que causa comoção a quem vê. Jesus retribui o beijo, e o põe no chão.
EMF 208.7-11 · Volume 3
O pôr do sol começa, quando Betsur já vem aparecendo sobre a colina e, quase de repente, na estrada secundária, que tomaram para virem, eis que os rebanhos dos pastores vêm chegando com os pastores. Mas, quando Elias vê que Maria também está lá, levanta os braços com espanto e fica nessa posição, nem podendo crer no que está vendo.
– A paz esteja contigo, Elias. Sou eu mesma. Havia sido prometido a ti, mas em Jerusalém não foi possível ver-nos…Não pense mais nisso. Agora nos estamos vendo –diz Maria com doçura.
– Oh! Mãe, mãe!…
Elias nem acha o que dizer. Depois, finalmente encontra:
– Agora! Minha Páscoa eu vou fazê-la agora… É o mesmo, e melhor ainda.
– Mas, é verdade, Elias. Nós fizemos uma boa venda. E agora bem que podemos matar um cordeirinho. Oh! Sede bem-vindos à nossa pobre mesa… –Pede Levi, e também José.
– Nesta tarde estamos cansados. Deixai para amanhã. Escutai. Conheceis uma certa Elisa casada com Abraão de Samuel?
– Sim. Ela está na casa dela em Betsur. Mas Abraão morreu e, no ano passado morreram os filhos dele. O primeiro morreu com uma doença que durou poucas horas, e ninguém ficou sabendo de que foi que ele morreu. O outro foi-se indo lentamente e nada cortou a doença. Nós lhe dávamos o primeiro leite de uma cabra, porque os médicos diziam que isso era bom para o doente, e ele bebia muito leite que lhe era levado por todos os pastores, pois sua pobre mãe o tinha mandado procurar com todos os que tivessem no rebanho alguma cabra de primeiro leite. Mas não adiantou nada. Quando voltamos à planície, o jovem já nem se alimentava mais. E, quando voltamos, no mês de Adar, já havia duas luas que ele tinha morrido.
– Pobre de minha amiga! No Templo ela me queria bem. Era-me parenta num antepassado. Era tão boa. Saiu para ir casar-se com Abraão, ao qual estava prometida desde pequena, dois anos antes de mim! E lembro quando ela veio fazer a oferta do seu primogênito ao Senhor. Ela mandou me chamar, não a mim sozinha, mas me quis depois sozinha, por mais tempo… E agora, ela é que está sozinha…Oh! Preciso apressar-me em ir consolá-la! Vós, ficai aqui. Eu vou com Elias, e entrarei sozinha. A dor exige respeito ao redor de si…
– Nem Eu posso ir, mãe?
– Tu podes sempre. Mas os outros… Nem mesmo tu, pequenino. Seria uma dor. Vem, vem, Jesus!
– Esperai-nos na praça do povoado. Procurai um abrigo para a noite. Adeus –ordena Jesus a todos.
208.8
E, sozinhos com Elias, Jesus e a mãe vão até uma espaçosa casa, toda fechada e silenciosa, a cuja porta o pastor bate com o seu cajado. Uma serva mostra o rosto por uma janelinha, perguntando quem é. Maria vai à frente e diz:
– Maria de Joaquim e seu Filho, de Nazaré. Vai dizer isto à tua patroa.
– É inútil. Ela não quer ver ninguém. Quer chorar até morrer.
– Experimenta.
– Não. Eu sei como ela me repele, quando procuro distraí-la. Não quer saber de ninguém, nem ver a ninguém, não quer falar com ninguém. Ela fica falando com a lembrança dos filhos.
– Vai, mulher, eu te ordeno. Dize a ela: “Aí está a pequena Maria de Nazaré, aquela que no Templo era como tua filha…” Verás que ela me quer.
A mulher lá se vai, sacudindo a cabeça.
Maria explica ao Filho e ao pastor:
– Elisa era muito mais velha do que eu. Ficava esperando no Templo a volta do seu esposo, que tinha ido ao Egito ver uns negócios de herança e por lá ficou até uma idade bem avançada. Ela tem quase dez anos mais do que eu. As mestras costumavam dar às pequeninas algumas discípulas mais adultas, que as guiassem… e ela foi a minha companheira-mestra. Era boa e… aí vem vindo a mulher.
De fato, a criada vem correndo, admirada, e abre um portão bem largo:
– Entra, entra –diz ela.
E depois, em voz baixa:
– Bendita sejas se a fizeres sair daquele quarto.
Elias se despede, e entram Maria e o Filho.
– Mas este homem, na verdade… Por piedade! Tem a idade de Levi…
– Deixa-o entrar. É meu Filho e a consolará mais do que eu.
A mulher encolhe os ombros e vai na frente, pelo longo vestíbulo de uma bela, mas triste casa. Tudo aí está limpo, mas tudo parece morto…
208.9
Uma mulher alta, mas que vem vindo inclinada e com vestes escuras, vem adiante, na penumbra.
– Elisa! Querida! Eu sou Maria! –diz Maria, correndo ao seu encontro e abraçando-a.
– Maria? Tu… Pensava que tu também tinhas morrido. Tinham-me contado… quando foi? Não me lembro mais… Eu estou com um vazio aqui na cabeça… Tinham-me dito que tu estavas morta, com muitas outras mães, depois da vinda dos Magos. Mas quem foi que me disse que eras a mãe do Salvador?
– Talvez os pastores…
– Oh! Os pastores!
A mulher tem uma explosão de pranto cheio de aflição:
– Não me fales naquele nome. Ele me faz lembrar a última esperança para a vida de Levi… E, no entanto… sim… um pastor me falou do Salvador e eu matei meu filho, levando-o ao lugar onde se dizia que estava o Messias, perto do Jordão. Mas lá não havia ninguém… e o meu filho voltou a tempo para morrer… O cansaço, o frio…eu o matei… Mas eu não quis ser uma assassina. Diziam-me que Ele, o Messias, curava as doenças… e eu lá fui para conseguir a cura. Agora meu filho me acusa de tê-lo matado…
– Não, Elisa. És tu que pensas assim. Escuta. Eu creio que teu filho, ao contrário, foi quem me tomou pela mão e me disse: “Vai à casa de minha mãe. Leva-lhe o Salvador. Eu estou melhor aqui do que na terra. Mas ela só dá ouvidos ao seu pranto e não pode ouvir as palavras que eu lhe sussurro por entre beijos, a pobre da minha mãe, que está possuída por um demônio, que a tenta para levá-la ao desespero, porque quer nos ver separados. Enquanto que, se ela se resignar e crer que Deus tudo faz para um bom fim, estaremos unidos para sempre com o pai e com o irmão. Jesus pode fazer isso.” E eu vim… com Ele… Não o queres ver?…
Maria assim falou, conservando sempre entre os seus braços a desventurada, beijando-a sobre os cabelos cinzentos e com uma doçura que só ela pode ter.
– Oh! Se fosse verdade! Mas, por que, por que, então, Daniel não foi a ti, para dizer-te que viesses antes?…Mas, quem foi que me disse, há tempo, que tu estavas morta? Não me lembro…não me lembro… também por isso eu fiquei esperando, para ir ao Messias. Mas me haviam dito que Ele tinha morrido, Ele, tu e todos em Belém…
– Não fiques pensando em quem disse isto.
208.10
Vem, olha, aqui está o meu Filho. Vem até Ele. Faze que fiquem contentes teus filhos e tua Maria. Sabes que estávamos sofrendo ao te vermos assim?
E a leva para Jesus que se tinha colocado num ângulo escuro e só agora vem adiante, iluminado agora por uma luz que a empregada pendurou em um alto escrínio.
A pobre mãe levanta a cabeça… e ali vejo que Elisa esteve também sobre o Calvário, entre as piedosas mulheres. Jesus lhe estende as mãos com um gesto de convite, todo cheio de amor. A desventurada reluta um pouco, depois lhe confia as suas mãos e, por fim, de repente, se abandona ao peito de Jesus, gemendo:
– Dize-me, dize-me que eu não tenho culpa da morte de Levi! Dize-me que eles não estão perdidos para sempre! Dize-me que logo estarei com eles!…
– Sim, sim. Escuta. Eles estão cheios de uma grande alegria, neste momento em que tu estás em meus braços. Dentro de pouco tempo, eu irei até eles e que devo dizer-lhes então: Que tu não te conformas com o Senhor? É isto que Eu devo dizer? As mulheres de Israel, as mulheres de Davi, tão fortes, tão sábias, será que vão ser desmentidas por ti? Não. Tu estás sofrendo, mas é porque ficaste sofrendo sozinha. A tua dor e tu. Tu e a dor. Não podes suportar assim. Não te lembras das palavras[2] de esperança a respeito daqueles que a morte nos tomou? “Eu vos trarei de vossos sepulcros e vos conduzirei para a terra de Israel. E vós ficareis sabendo que Eu sou o Senhor, quando Eu tiver aberto as vossas tumbas e vos tiver tirado dos vossos sepulcros. Quando Eu tiver infundido em vós o meu espírito, vós tereis vida.” A terra de Israel, para os justos que dormiram no Senhor, é o Reino de Deus. Eu o abrirei e o darei aos que o estão esperando.
– E ao meu Daniel também? E também ao meu Levi?… Ele tinha tanto medo da morte!… Não podia nem pensar em ficar longe de sua mamãe. Por isto eu queria morrer e ir ao lado dele para o sepulcro…
– Mas no sepulcro eles não estavam com a sua parte viva. Lá estavam as coisas mortas, que não te podiam ouvir. Eles estão no lugar de espera…
– Mas existe mesmo? Oh! Não fiques escandalizado comigo. A minha memória lá se foi com o pranto! Estou com a cabeça cheia pelo rumor do pranto e dos estertores dos filhos. Que estertores! Que estertores! Eles me dissolveram o cérebro. Não tenho nada mais do que aqueles estertores aqui dentro…
– Mas Eu vou colocar-te aí dentro as palavras da vida. Semearei a Vida, porque Eu sou a Vida, onde está o fragor da morte. Lembra-te do grande Judas Macabeu, que quis que se oferecesse um sacrifício pelos mortos, pensando corretamente que eles estão destinados a ressurgir, e que é preciso acelerar a chegada da paz para eles, por meio de oportunos sacrifícios. Se Judas Macabeu não tivesse tido a certeza da ressurreição, teria ele rezado, ou feito rezar pelos mortos? Mas, ao contrário, como está escrito[3], ele pensou como é grande a recompensa que está reservada àqueles que morrem piedosamente, como certamente aconteceu com os teus filhos… Vês, pois, como estás dizendo sim? Portanto, não desesperes. Mas santamente reza pelos teus mortos a fim de que os seus pecados sejam cancelados, antes da minha ida a eles. E, se assim for feito, irão comigo para o Céu. Porque Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e conduzo, e digo a Verdade e dou a Vida a quem crê em minha Verdade, e me segue. Dize-me: Os teus filhos acreditavam na vinda do Messias?
– Com certeza, Senhor. Eles haviam aprendido de mim esta crença.
– E Levi acreditava que era possível a cura por minha vontade?
– Sim, Senhor. Nós esperávamos em Ti, mas… não adiantou. Ele morreu desconsolado, depois de ter esperado tanto…
O pranto da mãe recomeça, mais calmo, mas mais desolado em sua calma, do que estava, em sua fúria de antes.
– Não digas que não adiantou. Quem crê em Mim, ainda que tenha morrido, viverá para sempre…
208.11
A tarde vem caindo, mulher. Eu vou reunir-me aos meus apóstolos. Eu te deixo a minha mãe…
– Oh! Fica Tu também!… Tenho medo que, indo-te embora, me assalte de novo aquele tormento…. Começando apenas a acalmar-se a tempestade, ao som das tuas palavras…
– Não tenhas medo! Tens Maria contigo. Amanhã, Eu virei de novo. Eu tenho que ir dizer algumas coisas aos pastores. Posso dizer a eles que venham para a tua casa?
– Oh! Sim. Eles vinham até aqui no ano passado, por causa do meu filho… Atrás da casa há um jardim e, depois dele, há um pátio rústico. Eles podem ir para lá, como faziam, para recolher os seus rebanhos…
– Está bem. Eu virei. Sê boa. Lembra-te de que Maria no Templo estava confiada a ti. Eu também a confio, por esta noite.
– Sim. Fica tranquilo. Eu cuidarei dela,… Tenho que ir pensar na ceia dela, no seu descanso… Há quanto tempo, não penso nestas coisas! Maria, queres dormir no meu quarto, como fazia Levi em sua doença? Eu, no leito do filho e tu no meu. E, então, me parecerá estar ouvindo novamente a sua respiração… Ele ficava sempre segurando a minha mão…
– Sim, Elisa. Mas antes vamos falar de muitas coisas.
– Não. Tu estás cansada. Precisas dormir.
– Tu também.
– Oh! Eu! Há meses que não tenho dormido… Fico chorando… chorando… Já nem sei fazer outra coisa!
– Mas nesta noite vamos rezar, depois vamos para a cama, e tu dormirás… Dormiremos de mãos dadas, nós duas também. Vai, pois, meu Filho, e reza por nós…
– Eu vos abençôo. A paz esteja convosco e com esta casa!
E Jesus vai com a empregada, que está assombrada e só fica repetindo:
– Que milagre, Senhor! Que milagre! Depois de tantos meses, ela falou, ela pensou! Oh! Que coisa admirável!… Diziam que ela ia morrer louca… E eu ficava com pena dela, porque é muito boa.
– Sim, é boa, e por isso Deus a ajudará. Adeus, mulher. A paz esteja contigo também.
Jesus sai pela estrada semi-escura, e tudo termina.
O caso de uma mãe que perdeu os seus dois filhos por doença. Jesus vem consolá-la com a Virgem Maria.
A Elise era muito mais velha do que eu. Cerca de dez anos. Portanto, ela está nos seus sessenta e poucos anos.
Quando regressámos, no mês de Adar, ele já estava morto há duas luas. Adar é em fevereiro/março.
Não vos lembrais das palavras de esperança sobre aqueles que a morte nos tirou? "Tirar-vos-ei dos vossos túmulos e reconduzir-vos-ei à terra de Israel. Então sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos túmulos e vos fizer levantar das vossas sepulturas. Porei dentro de vós o meu espírito e vivereis. "Veja Ezequiel 37:11-14 abaixo.
Lembrai-vos do grande Judas Macabeu que queria fazer um sacrifício pelos mortos, porque pensava, com razão, que eles estavam destinados a ressuscitar e que a hora da paz devia ser-lhes apressada por sacrifícios oportunos. Se Judas Macabeu não tivesse a certeza da ressurreição, teria rezado e mandado rezar pelos mortos? Pelo contrário, como está escrito, ele pensava que estava reservada uma grande recompensa para aqueles que morressem piedosamente, como certamente fizeram os vossos filhos... Ver o segundo livro dos Macabeus 12, 43-46 abaixo.
Livro de Ezequiel 37, 11-14
Ezequiel37, 11-14: E ele disse-me: "Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que eles dizem: 'Os nossos ossos estão secos, a nossa esperança morreu, estamos perdidos! Por isso, profetiza e diz-lhes: "Assim diz o Senhor Javé: 'Eis que vou abrir os vossos túmulos e levantar-vos das vossas sepulturas, ó meu povo, e vou reconduzir-vos à terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor Javé, quando eu abrir os vossos túmulos e vos levantar das vossas sepulturas, povo meu. Porei dentro de vós o meu Espírito, e vivereis; dar-vos-ei descanso na vossa terra, e sabereis que eu, Javé, digo e faço, - oráculo de Javé!"
Segundo Livro dos Macabeus 12, 43-45
2 M 12, 43-46: Depois, tendo recolhido a soma de duas mil dracmas, enviou-a a Jerusalém, para ser utilizada num sacrifício expiatório. Uma ação bela e nobre, inspirada pelo pensamento da ressurreição! Porque, se ele não acreditasse que os soldados mortos em combate ressuscitariam, teria sido inútil e fútil rezar pelos mortos. 45 Além disso, ele considerou que uma recompensa muito boa está reservada para aqueles que adormecem na piedade, e este é um pensamento santo e piedoso. Foi por isso que ele fez este sacrifício expiatório pelos mortos, para que eles pudessem ser libertados dos seus pecados.