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Notas do tema

Jean-Baptiste

Página 3 de 11

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EMF 24.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

24.1 Vejo a casa em festa. É o dia da circuncisão.

Maria cuida que tudo esteja bonito e em ordem. Os quartos estãos resplandescentes de luz, e os tecidos mais belos e as decorações mais lindas esplendem por toda parte. Há muita gente. Maria se move ágil entre os grupos, toda bela na sua mais bonita veste branca.

Isabel, reverenciada como uma matrona, sente-se feliz em sua festa. O menino está em seu colo, farto de leite.

EMF 24.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

24.2 Chega a hora da circuncisão.

– Nós o chamaremos Zacarias. Tu já estás velho. É bom que teu nome seja dado ao menino –dizem alguns homens.

– Nada disso! –exclama a mãe–. O nome dele é João. Ele vai ter que dar testemunho, e é isso o que significa o seu nome, dar testemunho do poder de Deus.

– Mas, quando foi que já houve um João entre os nossos parentes?

– Não importa. Ele deve chamar-se João.

– Que dizes, Zacarias? Queres o teu nome, não é verdade?

Zacarias faz sinal de negação. Depois, pega a tabuinha e escreve: “O nome dele é João.” E logo que terminou de escrever, acrescenta, mas agora com a sua língua já solta:

– Visto que Deus me fez tão grande graça, a mim, seu pai, à sua mãe e a este seu novo servo, que vai consumir toda a sua vida pela glória do Senhor! Ele vai ser chamado grande através dos séculos e aos olhos de Deus, porque passará sua vida convertendo corações para o Senhor Altíssimo. O anjo falou, e eu não acreditei. Mas agora eu creio e em mim se faz a Luz. Ela está entre nós, e vós não a vedes. A sorte dela será não ser vista, porque os homens têm um espírito entulhado com outras coisas e pouco interessado nela. Mas o meu filho a verá, e falará dela, e para ela fará que se voltem os corações dos justos de Israel. Oh! felizes aqueles que acreditarem nessa Luz, que acreditarem sempre na Palavra do Senhor. E tu, Bendito e Eterno Senhor, Deus de Israel, porque visitaste e remiste o teu povo, suscitando-nos um poderoso Salvador na casa de Davi seu servo. Segundo a promessa feita pela boca dos santos profetas, desde os tempos antigos, de livrar-nos dos nossos inimigos e das mãos daqueles que nos odeiam, para pôr em ação a tua misericórdia para com nossos pais, e lembraste da tua santa aliança. Este é o juramento que fizeste ao nosso Pai Abraão, de conceder-nos de sermos livres das mãos dos nossos inimigos, e sem temor Te servirmos com santidade e justiça em Tua presença, durante toda a vida, e continua até o fim. (Escrevi só até aqui porque, como se pode ver, Zacarias se dirige diretamente a Deus).

Os presentes ficam pasmados. Tanto pelo nome, como pelo milagre e pelas palavras de Zacarias.

Isabel, que, à primeira palavra de Zacarias, deu um grito de alegria, agora está chorando, abraçada a Maria que, feliz, a acaricia.

EMF 24.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

24.3 Não vejo a circuncisão. Vejo somente trazerem João de volta, que grita o mais alto que pode. Nem mesmo o leite da mãe o acalma. Escoiceia como um potrinho. Mas Maria o pega, o nina, e ele se cala, ficando bonzinho.

– Olhai! –diz Sara–. Ele não se cala, a não ser quando ela o pega!

As pessoas vão saindo aos poucos. No quarto ficam somente Maria com o pequenino nos braços e Isabel, toda feliz.

EMF 25.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.1 Na noite entre quarta e quinta-feira da Semana Santa, eis o que estou vendo.

De um carro cômodo ao qual está amarrado também o burrinho de Maria, vejo descer Zacarias, Isabel e Maria, que tem nos braços o pequeno João, e Samuel com um cordeiro e uma pomba numa cesta. Eles descem na frente da estalagem, da qual costumam servir-se, e que deve ser a etapa final para todos os peregrinos que vão ao Templo, pois é onde deixam os animais.

(...) [Ao Templo]

25.2 Zacarias é recebido com grandes honras pelos guardas, saudado e cumprimentado pelos outros sacerdotes. Zacarias está muito bonito hoje, em suas vestes sacerdotais e em sua alegria de pai feliz. Parece um patriarca. Penso que Abraão devia estar assim, quando se alegrou, ao oferecer Isaque ao Senhor.

Vejo a cerimônia da apresentação do novo israelita e a da purificação da mãe. Esta é ainda mais pomposa do que a de Maria, porque para o filho de um sacerdote, os sacerdotes fazem festa. Acorrem todos, e se entregam a uma grande atividade ao redor do grupo das mulheres e do recém-nascido.

Também o povo se aproximou com curiosidade, e estou podendo ouvir os comentários. Visto que Maria está com o menino nos braços, enquanto vão-se dirigindo para o lugar estabelecido, o povo está pensando ser ela a mãe.

Mas uma mulher diz:

– Não pode ser. Não estais vendo que ela está grávida? O menino tem apenas poucos dias de nascido, e ela já está grávida?!

– Contudo –diz um outro–. Ela não pode deixar de ser a mãe. Pois a outra já está velha. A outra, pode ser uma parenta. Mas, naquela idade, mãe é que ela não pode ser.

– Vamos atrás delas, e veremos quem tem razão.

E o espanto se torna geral, quando todos podem ver que quem está cumprindo o rito da purificação é Isabel, pois ela é que está oferecendo o cordeirinho berrador para o holocausto, e o pombo pelo pecado.

– A mãe é aquela? Viste?

– Não!

– Sim.

O povo está cochichando, ainda incrédulo. Mas está cochichando tão alto, que vem um “Psiu” imperioso do grupo sacerdotal, que está presente à cerimônia. As pessoas se calam por um momento, mas recomeçam a cochichar mais forte, quando Isabel, radiante de santo orgulho, pega o menino, e avança pelo Templo a dentro, para fazer a apresentação dele ao Senhor.

– É ela mesmo.

– É sempre a mãe que oferece.

– Mas, que milagre é este?

– Que menino será esse, concedido por Deus àquela mulher, numa idade tão tardia?

– Afinal, que sinal será este?

– Não sabeis? –diz alguém que chega todo ofegante–. É o filho do sacerdote Zacarias, da estirpe de Arão, aquele que ficou mudo, enquanto estava oferecendo o incenso no Santuário.

– Mistério! Mistério! Pois agora ele está falando de novo. O nascimento do filho soltou a língua dele!

– Que espírito lhe terá falado, tornado morta a sua língua, para fazê-lo acostumar-se ao silêncio sobre os segredos de Deus?

– Mistério! Qual verdade conhecerá Zacarias?

– Seria o Messias o filho dele, esperado por Israel?

– Ele nasceu na Judéia. Mas não em Belém, e não de uma virgem. O Messias ele não pode ser.

– Quem, então?

Mas a resposta a tantas perguntas continua a ficar no silêncio de Deus, enquanto o povo permanece na sua curiosidade.

O cerimonial terminou. Os sacerdotes festejam então a mãe e o menino. A única pouco observada, e até evitada com aversão, desde quando perceberam o seu estado, é Maria.

Detalhe

Lucas 1, 65-66: Abriu-se-lhe imediatamente a boca e soltou-se-lhe a língua, e ele [Zacarias] falou e bendisse a Deus.

O medo apoderou-se de todas as pessoas da vizinhança, e todos estes factos foram contados por toda a região montanhosa da Judeia. Todos os que os ouviam guardavam-nos no coração e diziam: "Que será então deste menino?" De facto, a mão do Senhor estava com ele.

EMF 25.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Entram no quarto onde Isabel está dando de mamar a João, antes de partirem. José cumprimenta os pais pela robustez do menino que, tendo sido tirado do peito para ser mostrado a José, grita e esperneia, como se lhe estivessem tirando a pele. Todos riem, diante dos seus protestos. Também os parentes de Zebedeu, riem e se unem na conversação com os outros,pois eles tinham chegado trazendo frutas frescas, leite e pão para todos e um grande tabuleiro com peixes.

Detalhe

José chegou a Jerusalém e quer ver o filho de Zacarias e Isabel.

Palavras-chave

EMF 31.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ouço que José lhe pergunta sobre o pequeno João. Zacarias, lhe responde:

– Está crescendo, viçoso como um potrinho. Mas agora sofre um pouco por causa dos dentes. Por isso não quisemos trazê-lo. Está fazendo muito frio. Isabel também não veio por este motivo. Ela não podia deixar o menino sem leite. Ficou muito triste. Mas está tão forte a estação!

– Muito forte, de fato –responde José.

EMF 41.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A voz juvenil de Jesus lê:

– “Consola-te, ó meu povo! Falai ao coração de Jerusalém, consolai-a porque a sua escravidão se acabou… Voz do que grita no deserto: preparai os caminhos do Senhor… Então aparecerá a glória do Senhor…”

Shamai:

– Estás vendo, nazareno! Aqui se fala de escravidão que se acaba. Nunca fomos escravos como o somos agora. Aqui se fala de um precursor. Onde está ele? Tu estás delirando.

Jesus:

– Eu te digo que a ti, mais do que a outros, está feito o convite do Precursor. A ti e aos teus semelhantes. De outra maneira, não verás a glória do Senhor, nem compreenderás a palavra de Deus, porque as baixezas, as soberbas, as duplicidades serão para ti um obstáculo para veres e ouvires.

Anotação

Isaías 40, 1-5: "Consolai, consolai o meu povo", diz o vosso Deus, "falai ao coração de Jerusalém. Proclamai que o seu serviço foi cumprido, que o seu crime foi expiado, que ela recebeu da mão do Senhor o dobro de todas as suas iniquidades. Uma voz proclama: "Preparai o caminho do Senhor no deserto; endireitai na terra seca uma estrada para o nosso Deus. Enchei todas as ravinas, abaixai todos os montes e colinas, transformai os penhascos em planícies e os cumes em amplos vales. Então a glória do Senhor revelar-se-á e todo o ser humano verá que a boca do Senhor falou.

EMF 41.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

41.8 Shamai:

– Tua boca tem, ao mesmo tempo, cheiro de leite e de blasfêmia, nazareno. Responde-me: E onde está o Precursor? Quando o teremos?

Jesus:

– Ele já está aqui. Não diz Malaquias: “Eis que eu mando o meu anjo a preparar o caminho diante de Mim; e logo virá ao seu Templo o Dominador, por vós procurado, e o Anjo do Testamento por vós desejado”? Portanto, o Precursor virá imediatamente antes de Cristo. Ele já está aqui, como o Cristo está. Se passassem anos entre aquele que prepara os caminhos do Senhor e o Cristo, todos os caminhos se tornariam cheios de entulhos e obstáculos. Deus sabe disso, e predispõe que o Precursor venha uma hora só antes do Mestre. Quando virdes o Precursor, podereis dizer: “A missão do Cristo começou.” E a ti Eu te digo: O Cristo abrirá muitos olhos e muitos ouvidos, quando ele vier por estes caminhos. Mas não os teus, nem os dos iguais a ti, que lhe dareis a morte, em troca da Vida, que Ele vos oferece. Mas quando, mais alto do que este Templo, mais alto do que o Tabernáculo, fechado no Santo dos santos, mais alto do que a Glória sustentada pelos Querubins, o Redentor estiver sobre o seu trono e sobre o seu altar, fluirão de suas mil e mil feridas maldições para os deicidas e vida para os gentios, porque Ele, ó mestre, que disso não sabes, não é, eu repito, Rei de um reino humano, mas de um Reino espiritual, e os seus súditos serão somente aqueles que por seu amor souberem regenerar-se no espírito e, como Jonas, depois de terem nascido, renascerem em outras praias: “as de Deus”, através da geração espiritual que virá por Cristo, o qual dará à humanidade a verdadeira Vida.

Anotação

Livro de Malaquias 3, 1:

Eis que envio o meu mensageiro para preparar o caminho diante de mim; e, de repente, o Senhor que procurais virá ao seu Templo. O mensageiro da Aliança que desejais, eis que ele vem, - diz o Senhor do Universo".

EMF 45.2-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

45.2 Enquanto observo estas coisas, vejo que o cenário vai-se enchendo de gente, ao longo da margem direita (em relação a mim) do Jordão. Há muitos homens, vestidos de maneiras diversas. Alguns parecem homens do povo, outros são ricos e não faltam alguns que parecem ser fariseus, pelas vestes adornadas com franjas e galões.

No meio deles, em pé sobre um penhasco, está um homem que, ainda que seja esta primeira vez que o vejo, reconheço logo que é o Batista. Ele fala à multidão, e eu lhe asseguro que não é uma pregação doce. Jesus chamou Tiago e João de “os filhos do trovão”. Como chamar, então, este veemente orador? João Batista merece o nome de raio, avalanche, terremoto, pois o seu modo de falar e gesticular é muito impetuoso e severo.

Ele fala, anunciando o Messias e exortando o povo a preparar os corações para a sua vinda, arrancando-lhes os embaraços, endireitando-lhes os pensamentos. Mas é um falar vorticoso e rude. O Precursor não tem a mão leve de Jesus, sobre as chagas dos corações. É um médico que tudo descobre, examina, e corta, sem piedade.

45.3 Enquanto o escuto — e não repito as palavras porque são aquelas referidas pelos evangelistas, mas amplificadas em sua impetuosidade — vejo que, ao longo de uma estradinha, pela beira da faixa verde que acompanha o Jordão, vem se aproximando o meu Jesus. Este cami­nho rústico, que é mais um atalho do que um caminho, parece ter-se formado com a passagem das caravanas e das pessoas que, durante anos e séculos, o têm percorrido para alcançar um ponto mais raso do rio e fácil de ser atravessado a vau. O atalho continua do outro lado do rio, e se perde entre o verde dos ribeirinhos.

Jesus está sozinho. Caminha lentamente, avançando em direção às costas de João. Aproxima-se sem fazer barulho e escuta, entretanto, a voz trovejante do Penitente do deserto, como se Jesus fosse um dos muitos que iam a João para serem batizados, a fim de se prepararem para estarem limpos, na chegada do Messias. Nada distingue Jesus dos outros. Nas vestes, Ele parece um dos homens do povo, um senhor no trato e na beleza, mas nenhum sinal divino o diferencia da multidão.

Dir-se-ia, porém, que João está sentindo a emanação de uma espiritualidade especial. Ele se vira e, de imediato, reconhece qual é a fonte daquela emanação. Ele desce impetuosamente do penhasco, que lhe servia de púlpito, e, rapidamente, vai até Jesus, que estava parado a alguns metros do grupo, apoiando-se ao tronco de uma árvore.

45.4 Jesus e João se olham por um momento. Jesus com aquele seu olhar­ azul tão doce. João com seus olhos severos, pretos, cheios de uma luz intensa. Vistos de perto, eles são a antítese um do outro. Os dois são altos (é a única semelhança, em tudo o mais são diferentes). Jesus é loiro, de cabelos compridos e penteados, com um rosto de um branco marfim, de olhos azuis, de roupa simples, mas majestosa. João tem cabelos pretos, que caem lisos sobre as costas, desiguais em comprimento, com uma barba preta e rala, que lhe cobre quase todo o rosto, sem impedir que se possam notar suas faces escavadas pelo jejum, seus olhos pretos e febris, sua pele escura, bronzeada pelo sol e pelas intempéries, A pelugem farta que lhe cobre o corpo seminu, com sua veste de pêlo de camelo, presa à cintura por uma correia de pele, cobrindo o torso, descendo um pouco abaixo dos flancos magros, deixando descobertas as costelas à direita, por onde se vê a pele curtida pelo ar. Os dois, vistos juntos, parecem um anjo e um selvagem.

João, depois de tê-lo perscrutado com seus olhos penetrantes, exclama:

– Eis o Cordeiro de Deus! Como é que o meu Senhor vem a mim?

Jesus lhe responde tranqüilamente:

– É para cumprir o rito da penitência.

– Nunca, meu Senhor. Eu é que devo ir a Ti para ser santificado, e Tu vens a mim?

Jesus, pondo-lhe a mão sobre a cabeça, pois João estava curvado à sua frente, lhe responde:

– Deixa que se faça como Eu quero, para que se cumpra toda a justiça, para que o teu rito se torne o início de um mais alto mistério, e para que seja anunciado aos homens que a Vítima já está no mundo.

45.5 João olha para Ele com uns olhos, que uma lágrima enternece, e o precede em direção à beira do rio, onde Jesus tira o manto e a túnica, ficando com uma espécie de calções curtos, para, depois, descer na água, onde já está João, que o batiza, vertendo-lhe sobre a cabeça a água do rio, apanhada com uma espécie de taça que o Batista traz pendurada na cintura, e que me parece uma concha, ou a metade de uma cabaça seca, da qual foi tirado o miolo.

Jesus é realmente o Cordeiro. Cordeiro na candura da carne, na modéstia do trato, na mansidão do olhar.

Enquanto Jesus torna a subir à beira do rio, depois de se vestir, se recolhe em oração, João o aponta à multidão, dando o testemunho de tê-lo conhecido pelo sinal que o Espírito de Deus lhe tinha dado, sinal infalível do Redentor.

Mas eu me sinto tão atraída por Jesus, ao vê-lo rezando, que não vejo nada, a não ser esta figura de luz, contra o verde da margem.

Detalhe

Maria acaba de descrever o vau do Jordão.

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EMF 45.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

45.6 Jesus diz:

– João para si mesmo não tinha necessidade do sinal. O seu espírito, pré-santificado desde o ventre de sua mãe, possuía aquela vista da inteligência sobrenatural, que teria sido a de todos os homens sem a culpa de Adão.

Se o homem tivesse permanecido na graça, na inocência, na fidelidade ao seu Criador, teria visto Deus, através das aparências externas. No Gênesis está dito que o Senhor Deus falava familiarmente com o homem inocente e que, diante daquela voz o homem não desfalecia, nem se enganava, ao discerni-la. Tal era a sorte do homem: ver e compreender a Deus, exatamente como um filho faz com o seu pai. Depois veio a culpa, e o homem não mais ousou olhar a Deus, não mais soube ver e compreender Deus. E o compreende cada vez menos.

Mas João, o meu primo João, tinha sido purificado da culpa, quando a cheia de graça se curvou amorosamente para abraçar a que tinha sido estéril, sendo agora, a fecunda Isabel. O pequenino, no seu ventre, tinha saltado de alegria, sentindo sair de sua alma o vestígio da culpa, assim como uma crosta cai da ferida que ficou curada. O Espírito Santo, que fez de Maria a mãe do Salvador, Ele iniciou a Sua obra de salvação, através de Maria, cibório vivo da salvação encarnada, por meio deste nascituro, que estava destinado a estar unido a Mim, não tanto pelo sangue, mas também pela missão que fez de ambos, lábios que formam a palavra. João era os lábios, Eu era a Palavra. Ele, o Precursor no Evangelho e em seu destino de mártir. Eu, Aquele que aperfeiçoa, com a minha divina perfeição, o Evangelho iniciado por João, e o seu martírio, pela defesa da Lei de Deus.

João não precisava de nenhum sinal. Mas o sinal era necessário para a obtusidade dos outros. Sobre o que teria João baseado a sua afirmação senão sobre uma prova inegável que até os olhos dos lentos e os ouvidos dos aborrecidos tivessem podido perceber?

45.7 Eu também não precisava de batismo. Mas a sabedoria do Senhor tinha julgado ser aquele o momento e o modo de nos encontrarmos. Tirando João da sua caverna, e a Mim da minha casa, Ele nos uniu naquela hora para abrir sobre Mim os Céus, descendo a Pomba divina sobre Aquele que teria de batizar os homens com esta Pomba, e descendo também o anúncio, ainda mais poderoso do que o do anjo, porque era de meu Pai: “Eis o meu Filho dileto, com o qual Eu me comprazo.” Para que os homens não tivessem desculpas ou dúvidas se deveriam seguir-me ou em não.

Palavras-chave