Ir para o conteúdo

Notas da palavra-chave

O jovem Tiago de Cafarnaum

Tema: Crianças

Conforto de leitura

Aa

EMF 49

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria vê João de Zebedeu. Ele vê o Mestre e chama-o. Os dois homens conversam. Jesus estava a rezar e a pensar no que ia dizer na sinagoga, mas vendo espiritualmente que João o procurava, foi ao seu encontro. O filho de Zebedeu perguntou-lhe se Jesus o amava e Cristo voltou a perguntar-lhe. João disse-lhe que o amava muito e que a sua alma andava sempre à procura dele. Quando o Salvador lhe pergunta o que faria se tivesse de deixar o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos e irmãs, bem como a sua vida, a sua mulher e o seu amor, João responde-lhe que o amor de Cristo substitui o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos, a sua irmã e a sua mulher. Quando Jesus fala da sua morte, João não quer que isso aconteça de todo e pede-lhe autorização para amar o seu Senhor. Jesus dá-lhe essa autorização. O irmão de Tiago fica feliz.

Depois falam de André e de Pedro, e Jesus vai à sinagoga. No caminho, conforta o menino Tiago, que está prestes a chorar por ter corrido demasiado depressa. Falam brevemente sobre as crianças no Êxodo e sobre o Limbo, e o rapaz recebe a promessa de que irá diretamente para o Céu quando morrer, se for bom. Isto dá a João a oportunidade de perguntar ao Mestre sobre a sua ascendência. Ele confirma que não tem sobrinhos, irmãos ou irmãs, apenas primos e a sua mãe. Finalmente, Jesus vai pregar na sinagoga.

Lê um excerto do livro de Jeremias e dirige-se ao povo de Israel, que chora por causa da ocupação estrangeira. Alguns dizem que ainda têm o Templo, mas o Senhor recorda-lhes que a oração só é santa se tivermos amor ao próximo. Os ricos que fazem grandes ofertas mas têm um coração duro não são aceites por Deus. Por isso, Cristo pede-lhes que tenham boa vontade, que sejam sinceros e bons. Lembra-nos que a Lei é simples, se dermos aos Mandamentos a luz do amor. Depois de aludir à Eucaristia, encoraja as almas a amar.

Quando termina, volta para junto de Pedro e André. Jesus descreve o carácter de Pedro: é um homem que deve abster-se de julgar sem se informar previamente, mas reconhece sinceramente as suas faltas. O Mestre pergunta também a André porque é que não veio mais cedo, e Pedro confessa que foi ele que o atrasou. O pescador admite também as suas fraquezas e Jesus dá-lhe um primeiro conselho. De momento, Deus não lhe pede que rasgue o seu coração e se separe dos seus afectos mais sagrados, mas pede-lhe que pratique a justiça, ame a misericórdia e se dedique totalmente a seguir o seu Deus. Isso agrada a Pedro. André não diz nada, mas o Senhor promete que ele se tornará um leão. Os Galileus abandonam-no, mas João quer segui-lo até Jerusalém. Simão de Jonas encoraja-o a ir ver Cristo, e Jesus aceita que João o acompanhe.

Por fim, Jesus faz um ditado sobre a humildade de João. Foi João que levou Pedro ao Salvador, mas como o filho do trovão conhecia a timidez de André, e como João era justo, André passou para segundo plano no seu Evangelho e deu a impressão de que André era o primeiro apóstolo do Senhor.

Comparativamente, quantas pessoas se proclamam grandes apóstolos, quando o seu sucesso resulta de uma combinação de coisas, não só da santidade, mas também da ousadia humana, da sorte, do facto de algumas pessoas serem menos ousadas do que nós, mas talvez mais santas do que nós.

Cristo encoraja-nos a não nos vangloriarmos quando agimos bem: devemos ter sempre um olhar claro e "dar a quem quer que seja o louvor que lhe é devido". Temos de reconhecer os apóstolos através dos quais podemos fazer o nosso trabalho com eficácia. Devemos ser capazes de dizer: "Eu sou o instrumento ativo, mas este tem mais amor do que eu, reza melhor do que eu e é graças a ele que tenho força para agir.

João é o preferido, é o puro, o amoroso, o obediente, e é muito humilde. Jesus espelha-se nele, e a sua Mãe tem a impressão de ter um segundo filho.

EMF 49.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

49.4 O povoado está próximo. Alguns meninos brincam na estrada e um deles, correndo, vem chocar-se contra as pernas de Jesus e teria caído, se Ele não o segurasse com presteza. O menino chora mesmo assim, como se se tivesse se machucado, mas Jesus, tomando-o nos braços, diz:

– Um israelita que chora? Que deveriam fazer os milhares e milhares de crianças, que se tornaram homens, atravessando o deserto, atrás de Moisés? Contudo foi mais para eles do que para os outros justamente para estes é que fez descer o maná tão doce, porque o Altíssimo ama os inocentes e provê o necessário a estes anjinhos da ter­ra, a estes passarinhos sem asas, como faz com os pássaros da mata e dos telhados. Gostas de mel? Sim? Pois bem, se fores bom, comerás de um mel mais doce do que aquele das tuas abelhas.

– Onde? Quando?

– Quando, depois de uma vida de fidelidade a Deus, fores para Ele.

– Eu sei que não irei para lá, enquanto não vier o Messias. Minha mãe me diz que, por ora, nós de Israel somos todos como Moisés, e morremos, vendo de longe a Terra Prometida. Ela diz que estamos ali, à espera de podermos entrar, e que só o Messias nos fará entrar.

– Mas que pequeno israelita esperto! Pois bem, Eu te digo que, quando morreres, entrarás logo no Paraíso, porque o Messias já terá aberto as portas do Céu. Mas precisas ser bom.

– Mamãe! Mamãe!

O menino escorrega dos braços de Jesus e cor­re ao encontro de uma jovem esposa, que regressa com uma ânfora de cobre.

– Mamãe! O novo Rabi me disse que eu irei logo para o Paraíso, quando eu morrer, e que vou comer muito mel… mas se eu for bom. Eu vou ser bom!

– Queira Deus! Desculpa, Mestre, se ele te aborreceu. É muito levado.

– A inocência não causa aborrecimento, mulher. Deus te abençoe, porque és uma mãe que educa os filhos no conhecimento da Lei.

A mulher fica toda vermelha, diante do elogio, e responde:

– A bênção de Deus também para Ti.

E desaparece com o seu pequeno.

EMF 60.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

60.7 – Está aqui Jesus de Nazaré? –pergunta um menininho que aparece à porta.

– Está sim. Entra.

Vem à frente um menino, que eu reconheço como um daqueles das primeiras visões em Cafarnaum; justamente como aquele que, brincando por entre os pés de Jesus, prometeu que seria bom… para comer o mel do Paraíso.

– Pequeno amigo, vem cá –lhe diz Jesus.

O menino, um pouco amedrontado no meio de tanta gente que está olhando para ele, se encoraja e corre para Jesus que o abraça, o põe sobre os joelhos e lhe dá um pedacinho do seu peixe sobre uma fatiazinha de pão.

– Aqui está, Jesus. Isto é para Ti. Ainda hoje aquela pessoa me disse: “Hoje é sábado. Vai levar isto para o Rabi de Nazaré e diz ao teu amigo que reze por mim.” Ela sabe que és o meu amigo!…

O menino ri feliz, e come o seu pão com peixe.

– Muito bem, pequeno Tiago! Dirás àquela pessoa que as minhas orações sobem ao Pai por ela.

– É para os pobres? –pergunta Pedro.

– Sim.

– Será o presente de costume? Vamos ver.

Jesus lhes entrega a bolsa. Pedro despeja as moedas e as conta:

– Sempre a mesma grande importância! Mas, quem é essa pessoa? Diz-me, menino! Quem é?

– Eu não o devo dizer, e não o direi.

– Que malcriado! Vamos, sê bom que eu te darei umas frutas.

– Eu não o direi nem se me insultares nem se me acariciares.

– Mas ouvi só que língua!

– O Tiago tem razão, Pedro. Ele mantém a palavra dada. Deixa-o em paz.

– Tu, Mestre, sabes quem é essa pessoa?

Jesus não responde. Ele se entretém com o menino, a quem dá outro pedacinho de peixe assado, já bem limpo das espinhas. Mas Pedro insiste e Jesus precisa responder:

– Eu sei tudo, Simão.

– E nós, não o podemos saber?

– E tu, nunca vais ficar curado deste teu defeito?

Jesus censura, mas sorri. E acrescenta:

– Logo o saberás. Porque como o mal gosta de ficar oculto e nem sempre pode permanecer assim, o bem, ainda que queira ficar oculto, para ter seu merecimento, um dia será descoberto para a glória de Deus, cuja natureza brilha em um filho seu. A natureza de Deus é o amor. E essa pessoa o compreendeu, porque ama o seu próximo. Vai, Tiago. Vai levar àquela pessoa a minha bênção.

Assim termina a visão.

Detalhe

A curiosidade de Pierre sobre a bolsa trazida pela criança Jacques.

EMF 70.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Mestre, falaste de Simão Pedro. E voltou-me à lembrança o que eu devia dizer-te primeiro, mas que a alegria de ouvir-te tinha afastado do meu pensamento. Quando voltamos a Cafarnaum, depois do Pentecostes, encontramos logo a importância de costume daquele desconhecido. O menino a tinha entregue à minha mãe. Eu a dei a Pedro e ele me devolveu dizendo que a usasse um pouco para a volta e a parada em Doco e que o restante o levasse a Ti, pois podias estar precisando… porque Pedro também pensava que aqui não tens comodidade… mas Tu dizes que tens… Eu não tirei senão duas moedas para dois pobrezinhos que encontrei perto de Efraim. Quanto ao mais, vim passando com o que minha mãe me havia dado e com o que me deram algumas pessoas boas, às quais eu preguei o teu Nome. Aqui está a bolsa.

– Amanhã a distribuiremos aos pobres. Assim, também Judas irá aprendendo os nossos costumes.

– O teu primo veio? Como fez para chegar aqui tão rápido? Ele estava em Nazaré e não me disse que partiria…

– Não. Judas é o novo discípulo. Ele é de Keriot. Mas tu o viste pela Páscoa, aqui, naquela tarde da cura de Simão. Ele estava com Tomé.

– Ah! É aquele?

João fica um pouco admirado…

– É ele.