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Notas da palavra-chave

Simão ben Boëthos (sumo sacerdote durante a infância da Virgem Maria)

Tema: Personagens do Protevangile e do Evangelho da Infância

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EMF 8.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

8.6 Um toque de trombetas de prata, e a porta, girando sobre as dobradiças, parece produzir um som de cítara, ao correr sobre as esferas de bronze. Pode-se ver agora o interior, com suas lâmpadas lá no fundo, e um cortejo que vem saindo do interior. É um cortejo pomposo, com o soar das trombetas de prata, nuvens de incenso e muitas luzes.

Ei-lo que chega à soleira da porta. O Sumo Sacerdote parece vir à frente. É um ancião cheio de majestade, vestido de linho finíssimo, tendo sobre o linho uma túnica mais curta, também de linh­o, sobre a qual traz uma espécie de casula, um paramento multicolor, parecido com a planeta e a veste dos diáconos. Nas suas vestes, as cores púrpura e ouro, roxo e branco se alternam, e brilham como pedras preciosas ao sol; duas gemas verdadeiras brilham ainda mais vivamente sobre os ombros. Também parecem ser duas fivelas em seus engastes preciosos. Sobre o peito uma larga placa reluzente com pedras preciosas presas por uma corrente de ouro. Há ainda pingentes e ornamentos vários, que reluzem na barra da túnica curta, enquanto o ouro lhe resplende sobre a fronte por cima da cobertura da cabeça, fazendo lembrar os padres ortodoxos, na mitra que eles usam em forma de cúpula, diferente da católica, que tem uma ponta.

O solene personagem avança sozinho, até o começo da escadaria, exposto ao brilho do sol, que o torna ainda mais esplêndido. Os outros, numa fila em semicírculo, o esperam do lado de fora da porta, à sombra do pórtico. A esquerda, há um grupo de meninas vestidas de branco, em companhia de Ana, a profetisa, e outras anciãs, que certamente são mestras.

O Sumo Sacerdote olha para a pequena e sorri. Ela deve estar-lhe parecendo muito pequena, ainda mais, aos pés daquela escadaria que parece digna de um templo egípcio! Ele eleva os braços em oração. Todos abaixam a cabeça, como que aniquilados, diante da majestade sacerdotal que está em comunhão com a Majestade eterna.

Depois, chegou a hora! Ele faz um sinal a Maria. E ela se separa da mãe e do pai e sobe, vai subindo, como se estivesse fascinada. Ela sorri. Está sorrindo, agora já à sombra do Templo, onde desce o Véu precioso… Já está no alto da escadaria, aos pés do Sumo Sacerdote, que lhe impõe as mãos sobre a cabeça, a vítima é aceita. Que hóstia mais pura terá tido algum dia o Templo?

Depois o Sumo Sacerdote se volta até a porta do Templo, conservando a mão sobre o ombro dela, como para conduzir a cordeirinha sem mácula ao altar. Antes de fazê-la entrar, lhe pergunta:

– Maria de Davi, sabes qual é o teu voto?

Ao “sim” alto e claro, com que ela lhe responde, ele exclama:

– Entra, então. Caminha em minha presença. E sê perfeita.

Maria entra, pois, e a sombra a faz desaparecer, enquanto o grupo das virgens e das mestras, e depois o dos levitas, a escondem cada vez mais, até separá-la. Acabou-se…

Agora a porta também gira sobre suas dobradiças harmoniosas… Uma pequena fresta, permite ainda que se veja o cortejo, que se vai encaminhando para o Santo. A fresta torna-se apenas um fio. Já não se vê mais nada. A porta é então fechada.

Anotação

É um ancião solene, vestido de linho muito fino; sobre esta primeira veste, usa uma túnica mais curta, também de linho, e sobre esta última uma espécie de casula, algo entre uma dalmática e um hábito de diácono, multicolorida: púrpura e ouro, violeta e branco alternam-se e brilham ao sol como jóias; no conjunto, duas verdadeiras jóias brilham ainda mais na altura dos ombros. Poderão tratar-se de brincos preciosos de luneta. No peito, uma grande placa brilha com pedras, sustentada por uma corrente de ouro. Na parte de baixo da túnica curta, brilham pingentes e outros ornamentos, e na testa, no cimo de um toucado que me faz lembrar o dos padres ortodoxos, a mitra é abobadada em vez de pontiaguda como a dos católicos. Esta descrição é coerente com o traje tradicional do sumo sacerdote: éfode, peitoral, tiara, etc., cujos nomes Maria Valtorta parece desconhecer na altura. O sumo sacerdote do Templo entre 23 a.C. e 6 a.C. (ou seja, quando a Virgem Maria estava no Templo) era Simão ben Boethos, dois dos quais foram sumos sacerdotes como ele, pouco depois do nascimento de Jesus, e depois membros do Sinédrio durante a vida pública de Jesus. Simão ben Boethos devia, portanto, ter pelo menos 55 anos de idade nessa altura.

EMF 11

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Maria confia o seu voto ao Sumo Sacerdote.

Data da visão: Domingo, 3 de setembro de 1944

Calendário:novembro do ano 7 (Elul 3754).

Localização (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: Maria regressa à sua cela com outras virgens. Quando está prestes a entrar no seu quarto, uma patroa diz-lhe que o sumo sacerdote a quer ver. Então ela vai e encontra o sacerdote, assim como Zacarias e Ana de Fanuel. Simão ben Boethos diz-lhe que conhece a sua santidade e que gostaria que ela ficasse no Templo a rezar ao Senhor todas as manhãs. Mas a Lei diz o contrário e ela deve casar-se. Ele tranquiliza-a, dizendo que não se tinha esquecido de que ela era da linhagem de David e que, como não conhecia ninguém, confiariam em Deus para escolher o seu marido. Maria confia então o seu voto de virgindade ao sumo sacerdote, que lhe pergunta quando o terá cumprido. A Mãe do Senhor mergulhou nas suas memórias para lhe responder. Disse-lhe que não se opunha ao casamento, mas que queria continuar virgem. O sumo sacerdote disse-lhe que Deus lhe daria um marido, que seria santo, porque ela se tinha confiado ao Altíssimo. Ela contará ao seu futuro marido o seu voto.

Conteúdo do capítulo: 11.1: Maria Valtorta fica encantada com o sorriso de Maria no meio de um bombardeamento. 11.2: Maria regressa à sua cela com as virgens. 11.3: O Pontífice lembra-lhe que deve casar-se. 11.4: Mas Maria prometeu-se ao Senhor e conta-lhe como. 11.5: Dirás ao teu marido o teu voto.

EMF 11.2-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

[Maria] se dirige para o seu pequeno quarto, que fica num canto à direita.

11.3

Lá, ela se encontra com uma mestra também anciã, embora não tanto quanto Ana de Fanuel.

– Maria, o Sumo Sacerdote te espera.

Maria olha para ela, ligeiramente surpresa, mas não lhe pergunta nada. Responde só isto:

– Irei imediatamente.

Não sei se a ampla sala em que ela entra faz parte da casa do Sacerdote, ou se faz parte dos aposentos das mulheres que trabalham no Templo. Só sei que é uma sala vasta e muito clara, bem arrumada, onde, além do Sumo Sacerdote, majestoso em suas vestes, estão também Zacarias e Ana de Fanuel.

Maria faz uma grande reverência na entrada, não continuando a entrar até que o Sumo Sacerdote lhe diga:

– Adiante, Maria. Não temas.

Maria ergue, então, de novo o corpo, e vai para a frente devagar, não porque queira, mas por um movimento involuntário que lhe dá um ar solene, fazendo-a parecer, de fato, uma mulher.

Ana sorri para ela, para dar-lhe coragem, e Zacarias a saúda, dizendo:

– A paz esteja contigo, prima.

O Pontífice a observa atentamente, e depois diz a Zacarias:

– Nela se vê logo a estirpe de Davi e de Arão.

– Minha filha, eu conheço a tua graça e bondade. Sei que cada dia vieste crescendo na ciência e na graça, aos olhos de Deus e dos homens. Sei que a voz de Deus murmura ao teu coração as mais doces palavras. Sei que tu és a Flor do Templo de Deus e que um terceiro querubim está diante do Testemunho, desde quando tu lá estás. Eu gostaria que o teu perfume continuasse a subir com o incenso em cada novo dia. Mas as palavras que a Lei diz são outras. Tu não és mais uma menina, mas uma mulher. E toda mulher deve ser esposa em Israel, para levar ao Senhor o seu filho varão. Tu cumprirás a ordem da Lei. Não tenhas medo, não fiques envergonhada. Estou bem lembrado da tua realeza. A própria Lei já tutela essa condição, quando ordena que a cada homem seja dada a mulher da sua estirpe. Ainda que assim não fosse, assim eu o faria, para não corromper o teu nobilíssimo sangue. Não conheces, Maria, alguém da tua estirpe, que possa ser o teu esposo?

Maria ergue o rosto, todo ruborizado de pudor, e sobre o qual, dos cílios das pálpebras vem brotando um primeiro sinal de pranto, e com voz trêmula, responde:

– Ninguém.

– Mas ela não pode conhecer alguém, porque entrou aqui em sua infância, e a estirpe de Davi tem sido perseguida e dispersa de tal modo, que não foi possível que os diversos ramos se reunissem como em uma fronde, formando a copa da palmeira real –diz Zacarias.

– Então, vamos deixar para Deus a escolha.

11.4 As lágrimas, até aí contidas jorram agora, e descem até à boca trêmula, e Maria lança um olhar suplicante à sua mestra.

– Maria fez um voto ao Senhor pela sua glória e pela salvação de Israel. Naquele tempo ela não passava de uma menina, estava aprendendo a soletrar, e já se tinha obrigado por um voto… –diz Ana em sua ajuda.

– O teu pranto, então, é por isso? Não é por resistência à Lei?

– É por isso… e não por outra causa. Eu obedeço a ti, Sacerdote de Deus.

– Isto vem confirmar tudo o que sempre me foi dito de ti. Há quantos anos que fizeste essa promessa de virgindade?

– Desde sempre, penso. Ainda não estava neste Templo, e já me havia entregue ao Senhor.

– Não és tu aquela pequenina que, faz agora doze invernos, vieste pedir-me para entrar?

– Sou eu.

– E como podes dizer que naquele tempo já eras de Deus?

– Se olho para trás, vejo-me consagrada já ao Senhor. Não posso lembrar-me da hora em que nasci, nem de como foi que comecei a amar a minha mãe e a dizer a meu pai: “Meu pai, eu sou tua filha”… Mas eu me lembro, ainda que não saiba quando começou, de ter dado a Deus meu coração. Talvez tenha sido com o primeiro beijo que eu soube dar, com a primeira palavra que eu consegui pronunciar, com o primeiro passo que eu fui capaz de dar… Sim, isso mesmo. Creio que a primeira recordação de amor, vou encontrá-la no primeiro passo firme que eu consegui dar… Minha casa… tinha um jardim cheio de flores… tinha um pomar e muitos campos… e lá havia uma nascente, bem lá no fundo, ao sopé de um monte, e a nascente jorrava de uma rocha escavada, que formava uma gruta… era cheia de ervas de talos longos e finos, que ficavam penduradas como pequenas cascatas verdes, que vinham de diversas direções e parecia que estivesse chovendo, porque as folhinhas leves das pequenas copas semelhantes a um bordado, tinham uma gotinha de água em cada uma que, ao pingar, fazia o som de uma campainha, bem pequenina. E a nascente também cantava. Lá havia passarinhos nos ramos das oliveiras e das macieiras, que estavam na encosta acima da nascente, pombas brancas, que vinham lavar-se no espelho límpido da água da fonte… Eu não me lembrava mais de tudo aquilo, porque eu tinha colocado todo o meu coração em Deus e, com exceção do pai e da mãe, amados por mim na vida e na morte, quaisquer outras coisas da terra tinham desaparecido do meu coração… Mas tu me estás fazendo pensar, Sacerdote… Devo descobrir quando foi que me dei a Deus… e por isso as coisas dos primeiros anos estão voltando à minha mente… Eu amava aquela gruta, porque, mais doce do que o canto da água e dos passarinhos, lá eu ouvia uma Voz que me dizia: “Vem, minha querida!” Eu amava aquelas ervas ornadas com gotas sonoras e parecidas com lindos diamantes, porque nelas eu via o sinal do meu Senhor, e me tornava alheia a tudo mais, ao dizer a mim mesma: “Vê como é grande o teu Deus, ó minha alma! Aquele que fez os cedros do Líbano, lá no Norte, fez também aqui estas folhinhas que se inclinam sob o peso de um mosquitinho, para alegria dos teus olhos e como anteparo para os teus pequenos pés.” Eu amava aquele silêncio das coisas puras: o vento leve, a água prateada, o asseio das pombas… eu amava aquela paz que velava sobre a pequena gruta, descendo das macieiras e das oliveiras, agora todas em flor, e depois todas carregadas de frutos… E não sei… parecia que a Voz me dissesse: “Vem, tu, minha oliva linda; vem, tu, doce maçã; vem, tu, fonte selada; vem, tu, ó minha pomba”… Doce, o amor do pai e da mãe… doce era a voz deles que me chamava… mas esta voz, esta voz! Oh! No Paraíso terrestre, penso que foi assim que a ouviu aquela que foi a culpada, e eu nem sei como foi que ela pôde preferir um sibilo a esta Voz de amor, como pôde apetecer um outro conhecimento, que não fosse o de Deus… Com os lábios, que ainda estavam com o cheiro do leite materno, mas com o coração tornado ébrio pelo mel celeste, eu disse, então: “Eis-me aqui, eu vou. Sou tua. E nenhum outro senhor terá a minha carne, senão Tu, Senhor, como outro amor não tem o meu espírito”… Parecia-me estar repetindo coisas já ditas e estar cumprindo um rito há tempo realizado, nem era estranho para mim o Esposo escolhido, porque Dele conhecia já o ardor e minha vista estava já afeita à sua luz, e minha capacidade de amar se havia completado entre os seus braços. Quando foi? Não sei. Do lado de lá da vida, eu diria, porque sinto que sempre o tive, e que Ele sempre me teve, e que eu existo porque Ele me quis para alegria do seu Espírito e do meu…

11.5 Agora, eu obedeço, Sacerdote. Mas diz-me tu, como é que deverei agir. Não tenho pai nem mãe. Sê tu o meu guia.

– Deus te dará o esposo, e santo ele há de ser, pois te entregas a Deus. Tu contarás ao teu esposo qual é o teu voto.

– E ele aceitará?

– Assim espero. Reza, ó filha, para que ele possa compreender teu coração. Vai agora. Deus te acompanhe sempre.

Maria se retira com Ana. Zacarias fica com o Pontífice.

Cessa assim a visão.

EMF 12

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: José escolhido como esposo da Virgem.

Data da visão: Segunda-feira, 4 de setembro de 1944

Calendário:Sexta-feira 23 de dezembro do ano 7 d.C.

Lugares (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: O sumo sacerdote reuniu os homens da tribo de David no Templo. Neste capítulo, ficamos a saber que ele pediu a todos que trouxessem um ramo de amendoeira. É deste grupo que será escolhido o marido da Virgem. Todos estão curiosos e Zacarias está presente. O sumo sacerdote chega finalmente e revela que um dos ramos tinha florescido em pleno inverno e que era esse que iria casar com Maria. José é escolhido como o felizardo e o sumo sacerdote manda chamar a futura Mãe de Cristo. Entretanto, Simon ben Boethos revela que Maria fez um voto. José tem de ajudar o Todo-Puro a contar-lhe. Quando ela chegou, todos se retiraram e os dois noivos conheceram-se. José fala da casa de Nazaré, de Ana, de Joaquim, e isso dá confiança à Virgem. O marido diz-lhe que é nazareno, o que a encoraja a contar-lhe o seu voto, que ele aceita: pede-lhe mesmo que junte o seu voto ao dela. Por fim, São José diz que vai cuidar da casa de Nazaré até que Maria deixe definitivamente o Templo.

Conteúdo do capítulo: 12.1: Reunião de homens em trajes de festa. 12.2: José fala com um ancião. 12.3: Um levita traz um feixe de ramos secos com um ramo florido. 12.4: José é designado esposo de Maria graças ao ramo milagrosamente florido. 12.5: O Pontífice apresenta José a Maria. 12.6: José é nazireu. 12.7: Maria confia a sua consagração a Deus a José, que a aceita. Eles viverão em castidade. 12.8: Em Nazaré, o casal vive separado e José cuida de tudo.

EMF 12.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

12.1 Vejo um rico salão lindamente pavimentado, com cortinas, tapetes e móveis entalhados. Deve ainda ser também essa, uma parte do Templo, porque vejo sacerdotes, entre os quais Zacarias, e muitos homens de várias idades, ou seja: de vinte a cinqüenta anos, mais ou menos.

Eles estão falando animadamente uns com os outros em voz baixa. Parecem estar ansiosos por alguma coisa, que eu ainda não sei o que seja. Todos estão com roupas novas, ou pelo menos lavadas há pouco, como se estivessem preparados para uma festa. Muitos tiraram o véu que lhes estava cobrindo a cabeça, mas outros ficaram cobertos, especialmente os anciãos. Os jovens preferem ficar com as cabeças descobertas, uns ostentando suas cabeleiras loiro-escuras; outros, as cor de amora; alguns, as bem escuras; e vejo uma de cor vermelho cobre. A maior parte dos jovens tem os cabelos cortados curtos; mas há também os de longas cabeleiras que descem até os ombros. Parece que eles não se conhecem uns aos outros, pois vejo como estão se observando mútua e curiosamente. Mas devem ser parentes entre si, porque pode-se notar que há um pensamento que está preocupando a todos.

12.2 A um canto estou vendo José. Ele está falando com um velhinho ainda robusto. José deve ter seus trinta anos. É um belo homem, de cabelos curtos e um tanto crespos, de cor castanho escuro, como sua barba e seus bigodes, que formam um sombreado, pondo em relevo o queixo, subindo pelas faces, que são moreno-avermelhadas, não oliváceas, como costumam ser os homens morenos. Ele tem os olhos escuros, bons e profundos, muito sérios e parecendo até um pouco tristes. Mas, quando ele sorri, como está fazendo agora, seus olhos se tornam alegres e joviais. José está todo vestido de um marrom claro, muito simples, mas muito bem arrumado.

12.3 Agora entra um grupo de jovens levitas, colocando-se entre a porta e uma longa e estreita mesa, que fica perto da parede. A porta, ao meio da mesa, fica aberta. Somente uma das cortinas desce até vinte centímetros do solo, cobrindo o vão da porta.

A curiosidade aumenta. E, ainda mais, quando uma mão afasta a cortina para dar passagem a um levita, que traz nos braços um feixe de ramo secos, sobre o qual foi colocado um ramo florido, com todo o cuidado. Em uma fina camada, as pétalas brancas das flores mal se recordam de sua primeira cor rosada, que ainda se pode ver no centro, tornando-se, porém, mais clara, à medida que se aproxima das extremidades das delicadas pétalas. O levita coloca o feixe de ramos sobre a mesa, com muito cuidado, para não estragar o milagre daquele ramo florido, que está em meio a tantos ramos secos.

Um murmúrio passa pelo salão. Os pescoços se espicham, os olhares se tornam mais atentos. Até Zacarias, com os sacerdotes que estão perto da porta, está querendo ver. Mas não consegue.

José, no seu canto, dá apenas uma olhadela no feixe de ramos, e quando um interlocutor lhe diz algo, faz um gesto de negação, como se estivesse dizendo: “Impossível!”, e sorri.

12.4 Ouve-se um toque de trombeta, do outro lado da cortina. Todos se calam, e se colocam em ordem, com o rosto virado para a saída, que agora está completamente aberta, com a cortina deslizada pelas argolas. Entra o Sumo Pontífice, rodeado por outros anciãos,. Todos se inclinam profundamente. O Pontífice vai até à sua mesa, falando assim:

– Homens da estirpe de Davi, que aqui vos reunistes, em obediência a uma ordem minha, escutai. O Senhor falou, louvores sejam dados a Ele! De sua Glória desceu um raio e, como um sol de primavera, deu vida a um ramo seco, que floresceu milagrosamente, enquanto nenhum outro ramo da terra hoje está florido, no último dia das Encênias, quando ainda não se derreteu a neve que caiu sobre as montanhas de Judá, sendo a única candura que existe entre Sião e Betânia. Deus falou, fazendo-se Pai e tutor da virgem de Davi, que não tem nenhum outro senão Ele para a sua tutela. Santa menina, glória do Templo e da estirpe, mereceu a palavra de Deus para ficar conhecendo o nome do esposo que agradou ao Eterno. Ele deve ser muito justo, para ser o eleito do Senhor como guarda da virgem a Ele tão querida! Por isso, a nossa dor de perdê-la se atenua, e cessa toda a nossa preocupação quanto ao seu destino de esposa. E ao que foi indicado por Deus confiamos com toda a segurança a virgem sobre a qual está a bênção de Deus e nossa. O nome do esposo é José de Jacó, de Belém, da tribo de Davi, carpinteiro em Nazaré da Galiléia. José, vem para a frente! O Sumo Pontífice te ordena.

Grande murmúrio. Cabeças que se viram, olhos e mãos que acenam, explosões de desilusão e expressões de alívio. Alguém, especialmente entre os velhos, deve ter ficado alegre por não ter tido esta sorte.

José, muito vermelho e embaraçado, vai para a frente. Está agora diante da mesa, em frente ao Pontífice, que saúda com reverência.

– Vinde todos e olhai o nome escrito sobre o ramo. Apanhe cada um o seu próprio ramo, para que se prove que não houve fraude.

Os homens obedecem. Olham para o ramo que está delicadamente seguro pelo Sumo Sacerdote, apanha cada um o seu próprio ramo, e uns o despedaçam, outros o conservam. Todos observam José, há quem olhe e se cale e outros que se felicitam. O velhinho, com quem José conversava antes, diz:

– Eu não te havia dito, José? Quem menos se sente seguro, é o que vence a partida!

Agora todos já passaram.

12.5 O Sumo Sacerdote entrega a José o ramo florido, e depois põe-lhe a mão sobre o ombro, dizendo:

– A esposa que Deus te dá não é rica, tu bem o sabes. Mas possue todas as virtudes. Procura ser sempre mais digno dela. Não há em Israel outra flor de tão rara beleza e pureza. Agora, saí, todos vós ficando apenas José. Tu, Zacarias, como seu parente, conduz a esposa até aqui.

Todos saem, menos o Sumo Sacerdote e José. A cortina torna a ser baixada sobre a saída.

José, todo humilde, está junto ao majestoso Sacerdote. Há um momento de silêncio, e depois o Sacerdote lhe diz:

– Maria precisa dizer-te um voto seu. Procuras ajudar a timidez dela. Sejas bom para com ela.

– Porei a minha virilidade a seu serviço e nenhum sacrifício, por ela, me será pesado. Fica certo disso.

Maria entra com Zacarias e Ana de Fanuel.

– Vem, Maria –diz o Pontífice–. Eis o esposo que Deus te destinou. É José de Nazaré. Voltarás, pois, para a tua cidade. Agora eu vos deixo. Deus vos dê a Sua bênção. O Senhor vos guarde e abençoe, mostrando-vos a sua face e tendo sempre piedade de vós. Que Ele volte para vós o seu rosto e vos dê a paz.

Zacarias sai, acompanhando o Pontífice. Ana se congratula com o esposo e depois também sai.

EMF 13.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.6 [José e Maria] Vão pelos pátios e pórticos, por entre a multidão que os observa, até chegarem a um ponto, que não é ainda o Templo, mas parece quase um salão usado para o culto, pois aí se vêem lâmpadas e rolos de pergaminho, como nas sinagogas. Os dois esposos vão até à frente de uma estante, semelhante a uma cátedra, e lá se detêm. Os outros se colocam em ordem atrás deles. Ao fundo se aglomeram outros sacerdotes e os curiosos.

O Sumo Sacerdote está entrando solenemente. Há um murmúrio entre os curiosos.

– É ele que vai celebrar o casamento?

– Sim, porque é de sangue real e sacerdotal. A esposa, Flor de Davi e de Arão, é virgem do Templo. O esposo é da tribo de Davi.

O Pontífice põe a mão direita da esposa na do esposo, e os abençoa solenemente:

– Que o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó esteja convosco. Que Ele vos una e que se realize em vós a sua bênção, dando-vos Ele a sua paz e uma numerosa descendência, uma vida longa e uma morte feliz no seio de Abraão.

Depois ele se retira, com a mesma solenidade que entrou.

Fazem-se as promessas mútuas. Maria já é esposa de José.

Detalhe

Aparição do sumo sacerdote no noivado de Maria e José.

EMF 68.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Qual o teu Nome?

– Jesus de José de Jacó, da estirpe de Davi, e de Maria de Joaquim, da estirpe de Davi, e de Ana de Arão, Maria, a Virgem desposada no Templo, porque era órfã, pelo Sumo Sacerdote, segundo a lei de Israel.