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Notas do tema

Personagens principais e secundárias

Página 149 de 175

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EMF 194.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Como um rio que vai continuamente se avolumando, ao receber novos afluentes, assim está a estrada, que vai de Siquém a Jerusalém, tornando-se cada vez mais cheia de peregrinos à medida que, por outras estradas secundárias, os povoados vão despejando nela os fiéis que se dirigem à Cidade Santa. E isso ajuda a Pedroa conservar distraído o menino, que vai passando agora por perto das colinas onde nasceu e sob cujas glebas desmoronadas estão enterrados os seus pais, sem que ele o perceba.

Depois de uma longa marcha, interrompida depois que Silo, toda alcantilada lá no alto do seu monte, foi deixada à esquerda, para tomar alimento e descanso ao som de águas puras e cristalinas, os peregrinos põem-se de novo a caminho, ultrapassam um pequeno monte calcário um tanto escalvado, sobre o qual o sol bate sem misericórdia. Começa-se a descida, através de uma série de vinhedos belíssimos, que lançam seus festões sobre os barrancos dos montes calcários, mas totalmente expostos ao sol.

Pedro está com um sorriso meio dissimulado e faz sinal para Jesus, que também está sorrindo. O menino não percebe nada, atento como ele está em ouvir a João de Endor, que lhe conta histórias de outras terras por ele vistas e nas quais crescem uvas dulcíssimas, que não servem tanto ao vinho quanto para fazer doces melhores do que as fogaças de mel.

EMF 194.2-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eis uma nova subida muito íngreme, porque a comitiva, deixando a estrada mestra, poeirenta e cheia de gente, preferiu entrar por um atalho, que vai pelo meio do mato. E, tendo chegado ao alto, vêem brilhar, lá ao longe, mas bem visível, um mar que resplende, suspenso sobre um aglomerado branco, que talvez sejam casas alvejadas pela cal.

– Jabé –chama-o Jesus–, vem cá. Estás vendo aquele ponto de ouro? É a Casa do Senhor. Lá tu vais jurar obediência à Lei. Tu a conheces bem?

– Mamãe me falou dela e meu pai me ensinou os preceitos. Eu sei ler… e acho que sei o que “eles” me ensinaram antes de morrer.

O menino, que correra sorrindo para atender ao chamado de Jesus, agora está chorando, com a cabeça baixa e a mão tremendo na mão de Jesus.

– Não chores. Escuta. Sabes onde estamos? Aqui é Betel. Foi aqui que o santo Jacó teve o seu sonho angélico. Tu o conheces? Lembras-te dele?

– Sim, Senhor. Ele viu uma escada que ia da terra ao Céu e por ela, para baixo e para cima, iam e vinham os anjos. E a mamãe me dizia que, na hora da morte, se tivermos sido sempre bons, veremos a mesma coisa e se poderia ir, por aquele escada, até a Casa de Deus. Muitas coisas dizia-me minha mãe… Mas agora não me dirá mais nada… eu as tenho todas aqui e é tudo o que tenho dela…

As lágrimas descem daquele rostinho triste.

– Não chores assim! Escuta, Jabé. Eu também tenho uma mãe, que se chama Maria, e que é santa e boa e sabe dizer muitas coisas. É mais sábia do que um mestre, melhor e mais bela do que um anjo. Agora nós estamos indo à casa dela. Ela vai gostar muito de ti. Vai dizer-te muitas coisas. E, depois, com ela está a mãe de João, que também é boa e também se chama Maria. E a mãe do meu irmão Judas, também ela doce como um pão de mel e também chamada Maria. Elas gostarão muito de ti. Muito mesmo. Porque tu és um bom menino e por amor de Mim, porque te amo tanto. Depois, tu crescerás com elas e, quando cresceres, serás um santo de Deus, pregarás como um doutor sobre Jesus, que te deu de novo uma mãe aqui e que abrirá as portas do Céu para tua falecida mãe, para o teu pai, e que as abrirá também para ti, quando chegar a tua hora. Tu nem terás necessidade de subir pela comprida escada dos Céus, na hora da tua morte. Já terás subido por ela, durante a tua vida, procurando ser um bom discípulo, e te encontrarás lá, à porta aberta do Paraíso, e Eu também lá estarei, e te direi: “Vem, meu amigo e filho de Maria”, e estaremos juntos.

O sorriso luminoso de Jesus, que vai caminhando um pouco inclinado, para ficar mais perto do rostinho levantado do menino, que caminha ao lado com sua mãozinha na dele, e aquela história maravilhosa enxugam as lágrimas do menino, e fazem despontar um sorriso.

194.3

O menino, que está bem longe de ser um tolo, mas que somente está atordoado pela grande dor e privação que sofreu, interessado por aquela história, pergunta:

– Mas, Tu dizes que abrirás as portas dos Céus. Não estão elas fechadas pelo grande Pecado? A mamãe me dizia que ninguém podia entrar, enquanto não tivesse vindo o perdão, e que os justos o estavam esperando no Limbo.

– É isto mesmo. Mas depois Eu irei para o Pai, depois de ter pregado a palavra de Deus e… ter obtido para vós o perdão, e Eu direi “Pai meu, agora Eu cumpri toda a tua vontade. Agora quero o meu prêmio pelo meu sacrifício. Que venham os justos, que estão esperando o teu Reino.” E o Pai me dirá: “Que seja como Tu queres.” E, então, Eu descerei para chamar todos os justos e o Limbo abrirá as suas portas, ao som da minha voz, e sairão exultantes os santos Patriarcas, luminosos Profetas, as mulheres abençoadas de Israel e depois, sabes quantos meninos? Será como um prado florido de meninos de todas as idades! E, cantando, eles virão atrás de Mim, subindo para o belo Paraíso.

– E lá estará também a minha mamãe?

– Com toda a certeza!

– Tu não me disseste que ela estará lá contigo na porta do Céu, quando eu também tiver morrido…

– Ela, e com ela o teu pai não terão necessidade de estar junto àquela porta. Como anjos fulgentes, eles alçarão sempre seus vôos do Céu para a terra, de Jesus até o pequeno Jabé e, quando tu estiveres para morrer, eles farão como estão fazendo aqueles dois passarinhos ali, naquela sebe. Estás vendo-os?

Jesus toma o menino nos braços, para que ele veja melhor:

– Estás vendo como eles estão sobre os seus pequenos ovos? Estão esperando que os ovos se abram, e depois estenderão as asas sobre sua ninhada para protegê-la de todo mal e, em seguida, quando ela já tiver crescido e estiver pronta para o vôo, eles os sustentarão com suas fortes asas, levando-os para cima, para cima, ainda mais para acima… rumo ao sol. Os teus pais farão assim contigo.

– Será assim mesmo?

– Assim mesmo.

– Mas, Tu dirás a eles que se lembrem de vir?

– Não haverá necessidade disso, porque eles te amam. Mas Eu lhes direi.

– Oh! Como eu te quero bem!

O menino, ainda nos braços de Jesus, abraça-se ao pescoço dele e o beija com uma expansão de tanta alegria, que causa comoção a quem vê. Jesus retribui o beijo, e o põe no chão.

194.4

– Oh! Está bem. Agora, vamos para a frente. Para a Cidade Santa. Devemos chegar amanhã pela tarde. Por que tanta pressa? Sabes me dizer? Por que não depois de amanhã?

– Não. Não seria a mesma coisa. Porque amanhã é Parasceve e, depois do pôr do sol, não se pode andar mais do que seis estádios. Além disso não se pode, porque já começou o sábado e seu repouso.

– Portanto, no sábado se fica à toa.

– Não. Faz-se a oração ao Senhor Altíssimo.

– Como ele se chama?

– Adonai. Mas os santos podem dizer o seu nome.

– Também os meninos bons. Dize-o, se o sabes.

– Jaave –(O pequeno o pronuncia com um J suave e um A muito longo).

– E por que se faz a oração do Senhor Altíssimo no sábado?

– Porque Ele assim ordenou a Moisés, quando lhe deu as tábuas da Lei.

– Ah! Sim? E que foi que Ele disse?

– Ele ordenou que se santificasse o sábado: “Trabalharás durante seis dias, mas no sétimo dia repousarás, e farás repousar, porque assim fiz Eu também depois da criação.”

– Como? O Senhor descansou? Ter-se-á cansado ao criar? E Ele criou mesmo? Como o sabes? Eu sei que Deus não se cansa nunca.

– Ele não se cansa , porque Deus não caminha, nem move os braços. Mas assim fez para ensinar a Adão, e a nós, e para ter um dia em que pensemos nele. E Ele criou tudo, com toda a certeza, Assim o diz o Livro do Senhor.

– Mas, o Livro foi escrito por Ele?

– Não. Mas é a verdade. É preciso crer nele, para não ir para a companhia de Lúcifer.

– Disseste-me que Deus não caminha, nem move os braços. Como foi, então, que Ele criou? Como é Ele? É uma estátua?

– Não é um ídolo. É Deus. E Deus é… deixa-me pensar e recordar como dizia minha mamãe, e, melhor ainda do que ela, aquele homem que vai em teu nome ao encontro dos pobres em Esdrelon… A mamãe me dizia, para fazer-me compreender a Deus: “Deus é como o meu amor por ti. Não tem corpo, mas existe.” E aquele homenzinho, com um sorriso muito doce, dizia: “Deus é um espírito Eterno, Uno e Trino e a Segunda Pessoa se fez carne por amor de nós pobres e tem o nome de…” Oh! Meu Senhor! Agora é que eu penso nisso… és Tu!

E o menino, assombrado, prostra-se por terra, adorando.

Correm todos para perto dele, pensando que ele tivesse caído, mas Jesus faz um sinal de silêncio, pondo o dedo sobre os lábios, depois diz:

– Levanta-te, Jabé. Os meninos não devem ter medo de Mim!

O menino levanta a cabeça, e fica olhando para Jesus com uma expressão diferente, como de medo Mas Jesus sorri, e lhe estende a mão, dizendo:

– Tu és um sábio, ó pequeno israelita.

194.5

Continuemos o exame entre nós. Agora que Me reconheceste, sabes se no Livro se fala de Mim?

– Oh! Senhor! Do princípio até aqui. Ele todo fala de Ti. Tu és o Salvador prometido. Agora compreendo porque é que abrirás as portas do Limbo. Ah! Senhor! Senhor! E me quererás bem mesmo?

– Sim, Jabé.

– Não. Não mais Jabé, Dá-me um nome que queira dizer que Tu me amaste, que Tu me salvaste…

– Eu vou escolher o nome junto com minha mãe. Está bem?

– Mas que queira dizer justamente isso. E o tomarei, a partir do dia em que me tornar filho da Lei.

– Tomá-lo-às, a partir daquele dia.

Betel foi superada e, em um pequeno vale fresco e de água boa, fazem uma parada para tomarem a refeição.

Jabé ficou meio aturdido pela revelação, e está comendo em silêncio, aceitando com veneração, todos os bocados que Jesus lhe vai oferecendo. Mas, pouco a pouco, ele se reanima e, especialmente depois de ter jogado uma bela partida com João, enquanto os outros estão descansando sobre a erva verde, volta a Jesus, junto com o sorridente João e os três fazem um pequeno e lindo grupo.

– Não me disseste quem fala de Mim no Livro.

– Os Profetas, Senhor. E, antes ainda, fala disso o Livro, desde quando Adão foi expulso do Paraíso, e depois a Jacó, e a Abraão e a Moisés… Oh! Meu pai me dizia que tinha ido a João — não a este, mas ao outro João, o do Jordão — e que ele, o grande profeta, te chamava de cordeiro… agora, sim, eu compreendo que o cordeiro de Moisés… que a Páscoa és Tu!

João o estimula:

– Mas qual Profeta que profetizou melhor do que ele?

– Isaías e Daniel. Mas… eu gosto mais de Daniel, agora que eu Te amo como a meu pai. Posso dizer uma coisa? Dizer que Te amo como a meu pai? Sim? Pois bem; agora eu prefiro Daniel.

– Por quê? Quem fala muito de Cristo é Isaías.

– Sim. Mas ele fala das dores de Cristo. Daniel, ao contrário, fala do belo anjo e da tua vinda. É verdade… ele também diz que o Cordeiro será imolado. Mas eu penso que o Cordeiro era imolado com um golpe só. Não como dizem Isaías e Davi. Eu chorava sempre quando os ouvia ler e mamãe não me falou mais neles.

O menino está quase chorando, ainda agora, enquanto acaricia a mão de Jesus.

– Não penses por hora. Escuta. Sabes os preceitos?

– Sim, Senhor. Acho que os sei. No bosque eu os ficava repetindo, para não me esquecer deles e para ouvir as palavras de mamãe e de papai. Mas agora não choro mais (na verdade, sua pupilas já estão brilhando muito), porque agora eu tenho a Ti.

João sorri e se abraça a Jesus, dizendo:

– São as minhas próprias palavras! Todos os pequenos de coração falam a mesma coisa.

– Sim. Porque as palavras deles vêm de uma única Sabedoria.

EMF 194.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eis uma nova subida muito íngreme, porque a comitiva, deixando a estrada mestra, poeirenta e cheia de gente, preferiu entrar por um atalho, que vai pelo meio do mato. E, tendo chegado ao alto, vêem brilhar, lá ao longe, mas bem visível, um mar que resplende, suspenso sobre um aglomerado branco, que talvez sejam casas alvejadas pela cal.

– Jabé –chama-o Jesus–, vem cá. Estás vendo aquele ponto de ouro? É a Casa do Senhor. Lá tu vais jurar obediência à Lei. Tu a conheces bem?

– Mamãe me falou dela e meu pai me ensinou os preceitos. Eu sei ler… e acho que sei o que “eles” me ensinaram antes de morrer.

O menino, que correra sorrindo para atender ao chamado de Jesus, agora está chorando, com a cabeça baixa e a mão tremendo na mão de Jesus.

– Não chores. Escuta. Sabes onde estamos? Aqui é Betel. Foi aqui que o santo Jacó teve o seu sonho angélico. Tu o conheces? Lembras-te dele?

– Sim, Senhor. Ele viu uma escada que ia da terra ao Céu e por ela, para baixo e para cima, iam e vinham os anjos. E a mamãe me dizia que, na hora da morte, se tivermos sido sempre bons, veremos a mesma coisa e se poderia ir, por aquele escada, até a Casa de Deus. Muitas coisas dizia-me minha mãe… Mas agora não me dirá mais nada… eu as tenho todas aqui e é tudo o que tenho dela…

As lágrimas descem daquele rostinho triste.

– Não chores assim! Escuta, Jabé. Eu também tenho uma mãe, que se chama Maria, e que é santa e boa e sabe dizer muitas coisas. É mais sábia do que um mestre, melhor e mais bela do que um anjo. Agora nós estamos indo à casa dela. Ela vai gostar muito de ti. Vai dizer-te muitas coisas. E, depois, com ela está a mãe de João, que também é boa e também se chama Maria. E a mãe do meu irmão Judas, também ela doce como um pão de mel e também chamada Maria. Elas gostarão muito de ti. Muito mesmo. Porque tu és um bom menino e por amor de Mim, porque te amo tanto. Depois, tu crescerás com elas e, quando cresceres, serás um santo de Deus, pregarás como um doutor sobre Jesus, que te deu de novo uma mãe aqui e que abrirá as portas do Céu para tua falecida mãe, para o teu pai, e que as abrirá também para ti, quando chegar a tua hora. Tu nem terás necessidade de subir pela comprida escada dos Céus, na hora da tua morte. Já terás subido por ela, durante a tua vida, procurando ser um bom discípulo, e te encontrarás lá, à porta aberta do Paraíso, e Eu também lá estarei, e te direi: “Vem, meu amigo e filho de Maria”, e estaremos juntos.

O sorriso luminoso de Jesus, que vai caminhando um pouco inclinado, para ficar mais perto do rostinho levantado do menino, que caminha ao lado com sua mãozinha na dele, e aquela história maravilhosa enxugam as lágrimas do menino, e fazem despontar um sorriso.

Anotação

Livro do Génesis 28, 10-19

Gn28, 10-19 : Jacob deixou Bersabé e foi para Harã. Chegou a um lugar e passou ali a noite, porque o sol já se tinha posto. Tomou uma das pedras que ali havia e fez dela a sua cama, e deitou-se nesse lugar. E teve um sonho: uma escada estava colocada sobre a terra e o seu topo chegava ao céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela, e Javé estava no topo. Ele disse: "Eu sou Javé, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac. Vou dar esta terra em que te deitas a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; espalhar-te-ás para o ocidente e para o oriente, para o norte e para o sul, e todas as famílias da terra serão abençoadas em ti e na tua descendência. Eis que estou convosco, e vos guardarei por onde quer que andardes, e vos farei voltar a esta terra. Pois não te deixarei até que tenha cumprido o que te disse. "

Jacob acordou do seu sono e disse: "Certamente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia! "Com medo, acrescentou: "Como é terrível este sítio! Esta é a casa de Deus, esta é a porta do céu. "Jacob levantou-se de manhã cedo, pegou na pedra que tinha feito para a sua cabeceira, ergueu-a como um monumento e deitou-lhe azeite em cima. Chamou a este lugar Betel, mas o nome original da cidade era Luz.

EMF 194.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Oh! Está bem. Agora, vamos para a frente. Para a Cidade Santa. Devemos chegar amanhã pela tarde. Por que tanta pressa? Sabes me dizer? Por que não depois de amanhã?

– Não. Não seria a mesma coisa. Porque amanhã é Parasceve e, depois do pôr do sol, não se pode andar mais do que seis estádios. Além disso não se pode, porque já começou o sábado e seu repouso.

– Portanto, no sábado se fica à toa.

– Não. Faz-se a oração ao Senhor Altíssimo.

– Como ele se chama?

– Adonai. Mas os santos podem dizer o seu nome.

– Também os meninos bons. Dize-o, se o sabes.

– Jaave –(O pequeno o pronuncia com um J suave e um A muito longo).

– E por que se faz a oração do Senhor Altíssimo no sábado?

– Porque Ele assim ordenou a Moisés, quando lhe deu as tábuas da Lei.

– Ah! Sim? E que foi que Ele disse?

– Ele ordenou que se santificasse o sábado: “Trabalharás durante seis dias, mas no sétimo dia repousarás, e farás repousar, porque assim fiz Eu também depois da criação.”

– Como? O Senhor descansou? Ter-se-á cansado ao criar? E Ele criou mesmo? Como o sabes? Eu sei que Deus não se cansa nunca.

– Ele não se cansa , porque Deus não caminha, nem move os braços. Mas assim fez para ensinar a Adão, e a nós, e para ter um dia em que pensemos nele. E Ele criou tudo, com toda a certeza, Assim o diz o Livro do Senhor.

– Mas, o Livro foi escrito por Ele?

– Não. Mas é a verdade. É preciso crer nele, para não ir para a companhia de Lúcifer.

– Disseste-me que Deus não caminha, nem move os braços. Como foi, então, que Ele criou? Como é Ele? É uma estátua?

– Não é um ídolo. É Deus. E Deus é… deixa-me pensar e recordar como dizia minha mamãe, e, melhor ainda do que ela, aquele homem que vai em teu nome ao encontro dos pobres em Esdrelon… A mamãe me dizia, para fazer-me compreender a Deus: “Deus é como o meu amor por ti. Não tem corpo, mas existe.” E aquele homenzinho, com um sorriso muito doce, dizia: “Deus é um espírito Eterno, Uno e Trino e a Segunda Pessoa se fez carne por amor de nós pobres e tem o nome de…” Oh! Meu Senhor! Agora é que eu penso nisso… és Tu!

E o menino, assombrado, prostra-se por terra, adorando.

Correm todos para perto dele, pensando que ele tivesse caído, mas Jesus faz um sinal de silêncio, pondo o dedo sobre os lábios, depois diz:

– Levanta-te, Jabé. Os meninos não devem ter medo de Mim!

O menino levanta a cabeça, e fica olhando para Jesus com uma expressão diferente, como de medo Mas Jesus sorri, e lhe estende a mão, dizendo:

– Tu és um sábio, ó pequeno israelita.

Anotação

Depois do pôr do sol, só se pode percorrer seis estádios. 6 x 185 m = 1.110 km.

A criança pronuncia-o assim: um J muito suave que quase se transforma em Y, e um a muito longo. Enquanto o é é duro, cortado - acrescenta MV numa cópia dactilografada - ao contrário dos galileus que dizem a primeira consoante como um sgi [esta é, ao que parece, a forma toscana correspondente à fonética (ʃ) = ch] muito arrastado e a última vogal muito aberta, como se fossem dois 'e's com acento grave, como em 'père' em francês. Veja a pronúncia do Nome Divino.

E Deus é... Deus é... deixem-me pensar e recordar o que disse a mamã e, ainda melhor do que ela, este homem que vai em teu nome procurar os pobres de Esdrelon ... Jonas.

EMF 194.4-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Disseste-me que Deus não caminha, nem move os braços. Como foi, então, que Ele criou? Como é Ele? É uma estátua?

– Não é um ídolo. É Deus. E Deus é… deixa-me pensar e recordar como dizia minha mamãe, e, melhor ainda do que ela, aquele homem que vai em teu nome ao encontro dos pobres em Esdrelon… A mamãe me dizia, para fazer-me compreender a Deus: “Deus é como o meu amor por ti. Não tem corpo, mas existe.” E aquele homenzinho, com um sorriso muito doce, dizia: “Deus é um espírito Eterno, Uno e Trino e a Segunda Pessoa se fez carne por amor de nós pobres e tem o nome de…” Oh! Meu Senhor! Agora é que eu penso nisso… és Tu!

E o menino, assombrado, prostra-se por terra, adorando.

Correm todos para perto dele, pensando que ele tivesse caído, mas Jesus faz um sinal de silêncio, pondo o dedo sobre os lábios, depois diz:

– Levanta-te, Jabé. Os meninos não devem ter medo de Mim!

O menino levanta a cabeça, e fica olhando para Jesus com uma expressão diferente, como de medo Mas Jesus sorri, e lhe estende a mão, dizendo:

– Tu és um sábio, ó pequeno israelita.

194.5

Continuemos o exame entre nós. Agora que Me reconheceste, sabes se no Livro se fala de Mim?

– Oh! Senhor! Do princípio até aqui. Ele todo fala de Ti. Tu és o Salvador prometido. Agora compreendo porque é que abrirás as portas do Limbo. Ah! Senhor! Senhor! E me quererás bem mesmo?

– Sim, Jabé.

– Não. Não mais Jabé, Dá-me um nome que queira dizer que Tu me amaste, que Tu me salvaste…

– Eu vou escolher o nome junto com minha mãe. Está bem?

– Mas que queira dizer justamente isso. E o tomarei, a partir do dia em que me tornar filho da Lei.

– Tomá-lo-às, a partir daquele dia.

Betel foi superada e, em um pequeno vale fresco e de água boa, fazem uma parada para tomarem a refeição.

Jabé ficou meio aturdido pela revelação, e está comendo em silêncio, aceitando com veneração, todos os bocados que Jesus lhe vai oferecendo. Mas, pouco a pouco, ele se reanima e, especialmente depois de ter jogado uma bela partida com João, enquanto os outros estão descansando sobre a erva verde, volta a Jesus, junto com o sorridente João e os três fazem um pequeno e lindo grupo.

– Não me disseste quem fala de Mim no Livro.

– Os Profetas, Senhor. E, antes ainda, fala disso o Livro, desde quando Adão foi expulso do Paraíso, e depois a Jacó, e a Abraão e a Moisés… Oh! Meu pai me dizia que tinha ido a João — não a este, mas ao outro João, o do Jordão — e que ele, o grande profeta, te chamava de cordeiro… agora, sim, eu compreendo que o cordeiro de Moisés… que a Páscoa és Tu!

João o estimula:

– Mas qual Profeta que profetizou melhor do que ele?

– Isaías e Daniel. Mas… eu gosto mais de Daniel, agora que eu Te amo como a meu pai. Posso dizer uma coisa? Dizer que Te amo como a meu pai? Sim? Pois bem; agora eu prefiro Daniel.

– Por quê? Quem fala muito de Cristo é Isaías.

– Sim. Mas ele fala das dores de Cristo. Daniel, ao contrário, fala do belo anjo e da tua vinda. É verdade… ele também diz que o Cordeiro será imolado. Mas eu penso que o Cordeiro era imolado com um golpe só. Não como dizem Isaías e Davi. Eu chorava sempre quando os ouvia ler e mamãe não me falou mais neles.

O menino está quase chorando, ainda agora, enquanto acaricia a mão de Jesus.

– Não penses por hora. Escuta. Sabes os preceitos?

– Sim, Senhor. Acho que os sei. No bosque eu os ficava repetindo, para não me esquecer deles e para ouvir as palavras de mamãe e de papai. Mas agora não choro mais (na verdade, sua pupilas já estão brilhando muito), porque agora eu tenho a Ti.

João sorri e se abraça a Jesus, dizendo:

– São as minhas próprias palavras! Todos os pequenos de coração falam a mesma coisa.

– Sim. Porque as palavras deles vêm de uma única Sabedoria.

Detalhe

Jesus está a falar com uma criança que acolheu. Ele tem de passar o exame de maioridade no Templo, e Cristo interroga o rapaz.

EMF 194.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Não me disseste quem fala de Mim no Livro.

– Os Profetas, Senhor. E, antes ainda, fala disso o Livro, desde quando Adão foi expulso do Paraíso, e depois a Jacó, e a Abraão e a Moisés… Oh! Meu pai me dizia que tinha ido a João — não a este, mas ao outro João, o do Jordão — e que ele, o grande profeta, te chamava de cordeiro… agora, sim, eu compreendo que o cordeiro de Moisés… que a Páscoa és Tu!

EMF 195.1-3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O céu está ameaçando chuva, e Pedro me parece Eneias invertido, porque ele, em vez de estar levando embora o próprio pai, tem sobre os ombros o pequeno Jabé, bem coberto agora com o capote de Pedro. A cabecinha se vê aparecer acima da cabeça branca de Pedro, que está com os braços do pequeno ao redor de seu pescoço e rindo, enquanto vai chapinhando nas pequenas poças de água barrenta.

– Podia nos ter poupado esta –murmura Iscariotes, nervoso por causa da água que cai do céu e da que o chão espirra em sua roupa.

– Ora! Poderíamos estar livres de muitas coisas! –responde João de Endor, fitando bem o belo Judas com o seu olho único que, eu creio, vale por dois.

– Que queres dizer?

– Pretendo dizer que é inútil exigir que os elementos tenham cuidado conosco, quando nós não o temos com os nossos semelhantes e em assuntos bem mais graves do que umas duas gotas de água ou algum salpico de lama.

– É verdade. Mas eu gosto de entrar na cidade bem arrumado e limpo. Tenho muitas amizades entre os grandes.

– Toma cuidado, então, para não levares algum tombo.

– Estás querendo provocar-me?

– Naão! Mas eu sou um velho mestre e… um velho aluno. Desde que nasci, estou aprendendo. Primeiro, eu aprendi a vegetar, depois fui observando a vida, depois conheci as amarguras da vida, procurei exercitar-me inutilmente numa justiça, a de ir “sozinho” contra Deus e contra a sociedade. Deus me castigou com o remorso, a sociedade com os grilhões e, por isso justiçado, por fim, acabei sendo eu. Mas agora eu aprendi, estou aprendendo a “viver.” Agora, sendo mestre e aluno, bem podes entender que me seja natural ficar repetindo as lições.

– Mas eu sou apóstolo…

– E eu sou um infeliz, eu sei, e não deveria tomar a liberdade de permitir-me ensinar a ti. Mas, vê bem: ninguém nunca sabe o que é que vai ser. Eu pensava que iria morrer como um honesto e venerado pedagogo em Chipre, e me tornei um homicida e um encarcerado. Mas, quando eu puxava minha faca para tirar vingança e quando arrastava minhas correntes odiando o universo, se alguém me tivesse dito que eu iria virar um discípulo do Santo, teria ficado em dúvida quanto à sanidade mental de quem o tivesse dito. E, no entanto, tu estás vendo! Por isso, quem sabe se a ti, apóstolo, eu não poderia dar alguma boa lição. Lição dada pela minha experiência. Não pela minha santidade. Eu nem penso nisso.

– Tem razão aquele romano de chamar-te de Diógenes.

– Está bem. Mas porém Diógenes procurava um homem e não o encontrou. E eu, mais feliz do que ele, encontrei uma serpente onde pensava que estivesse uma mulher e um cuco onde eu pensava que estivesse um homem amigo. Mas, depois de ter andado vagando durante tantos anos e de me ter tornado louco ao verificar isso, encontrei o Homem, o Santo.

– Eu não conheço outra sabedoria, a não ser a de Israel.

– Se assim é, já tens com que salvar-te. Mas é que agora tens também a ciência, a Sabedoria de Deus.

– É a mesma coisa.

– Oh! Não. É como um dia nublado, comparado a um cheio de sol.

– Afinal, o que queres é ensinar-me? Eu não tenho desejo disso.

– Deixa-me falar! Antes, falava aos meninos: eram distraídos. Depois, às sombras: me maldiziam. Depois eu falei aos frangos: eram já melhores do que os dois primeiros, muito melhores. Agora, eu falo comigo mesmo, porque ainda não posso falar com Deus. Por que queres impedir que o faça? Eu só tenho meia vista, uma vida estragada nas minas, um coração doente há tantos anos. Deixa, pelo menos, que não fique estéril a minha mente.

– Jesus é Deus.

– Eu sei disso, eu creio. Mais do que tu. Porque eu renasci por obra dele, e tu não. Mas, por mais que Ele seja o Bom, é sempre Ele: é Deus e o pobre infeliz que eu sou não ousa tratá-lo com a familiaridade com que tu o tratas. Fala-lhe a minha alma… mas o lábio não ousa. A alma, eu penso que Ele a ouça em seus prantos de reconhecimento e de penitente amor.

195.2

É verdade, João, Eu ouço a tua alma –diz Jesus, entrando no meio da conversa dos dois. Judas enrubesce de vergonha e o homem de Endor, de alegria–. Eu ouço a tua alma, é verdade. E também o trabalho da tua mente. Disseste bem. Quando estiveres formado em Mim, ficarás muito alegre por teres sido mestre e aluno atento. Fala, fala, até contigo mesmo…

– Uma vez, Mestre, e não há muito tempo, me disseste que não é bom ficar falando com seu próprio eu –observa, impertinente, Judas.

– É verdade. Eu o disse[1]. Mas foi porque tu estavas fazendo murmuração com o teu próprio eu. Este homem não fica murmurando: ele medita, e com boa intenção. Ele não faz mal.

– Em resumo: eu estou errado! –diz Judas, agressivo.

– Não. O que tens são sombras no coração. Mas nem sempre se pode estar sereno. Os camponeses desejam a chuva. É uma caridade rezar para que ela venha. Também esta é uma caridade. Mas olha: eis um belo arco-íris que de Atarot termina o seu arco em Ramá. Estamos já além de Atarot: o triste e grande vale foi superado. Aqui está tudo cultivado, tudo está sorrindo por baixo deste sol, que vem rasgando as nuvens. Quando estivermos em Ramá, já estaremos a trinta e seis estádios de Jerusalém. Nós a veremos de novo depois daquela colina, que marca o lugar onde houve aquela horrenda libidinagem, cometida pelos gabaonitas[2]. Uma coisa horrível é a mordida da carne, Judas…

Judas não responde, mas se afasta dali, chapinhando com raiva pelas pequenas poças de água suja.

195.3

– Mas, que é que ele tem hoje? –pergunta Bartolomeu.

– Cala-te, antes que Simão de Jonas ouça. Evitemos discussões e… não exasperemos Simão. Ele está tão feliz com o seu menino!

– Sim, Mestre. Mas não fica bem. Eu vou dizer-lhe.

– Ele é jovem, Natanael. Tu também o foste…

– Sim… mas… Ele não deve faltar-te com o respeito!

E, sem querer, ele levanta a voz.

Aí Pedro chega:

– Que está acontecendo? Quem é que falta com o respeito? Será o novo discípulo? –e olha para João de Endor, que se havia retirado discretamente, logo que compreendeu que Jesus estava corrigindo o discípulo, e está agora conversando com Tiago de Alfeu e Simão Zelotes.

– Nem por sombra! Ele é respeitoso como uma menina.

– Ah! Está bem. Senão… era o olho dele que corria perigo. Então… então, é Judas…

– Escuta. Simão, não poderias ir cuidar do teu pequeno? Tu o tiraste de mim, e ainda queres preocupar-te com uma conversação amigável entre Mim e Natanael. Não te parece que queres preocupar-te com coisas demais?

Jesus sorri de um modo tão sereno, que Pedro fica na dúvida sobre o seu juízo. Ele olha para Bartolomeu… mas este já levantou o rosto aquilino e está perscrutando o céu… Pedro sente cair a suspeita.

O aparecimento da Cidade, já bem perto, visível agora em toda a sua beleza de colinas, de oliveiras, de casas, e especialmente pelo Templo, esta vista que deve ter sido sempre causa de emoção e de orgulho para os israelitas, acaba por distraí-lo completamente.

Detalhe

Barthélémy e Pierre intervêm mais em EMV 195.3, na sequência do que acontece em EMV 195.1-2.

Anotação

- Este romano tem razão em chamar-te Diógenes. Em 192.6.

- É verdade, eu disse-o. Em EMV 183.1.

Quando chegarmos a Ramá, estaremos a trinta e seis estádios de Jerusalém. 36 x 185 m = 6,6 km.

Gibeá ou Gibeá: No tempo dos juízes, um homem idoso convidou um levita de Efraim e a sua concubina para passarem a noite com ele. Pouco depois, alguns homens de Ghibae, malandros, cercaram a casa, exigindo que o levita lhes fosse entregue para poderem ter relações com ele. O velho ofereceu-lhes a sua filha, mas eles recusaram. O levita deu-lhes a sua concubina. Abusaram dela toda a noite, de tal modo que ela morreu de manhã. Pedaços do seu corpo foram enviados para as tribos de Israel como sinal da sua infâmia (Juízes 19:15-30). Como a tribo de Benjamim ficou do lado dos homens culpados de Gibeá, as outras tribos entraram em guerra contra eles. Por duas vezes sofreram pesadas perdas antes de finalmente derrotarem os benjaminitas e entregarem Gibeá ao fogo (Juízes 20).

EMF 195.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Olha para João de Endor, que se havia retirado discretamente, logo que compreendeu que Jesus estava corrigindo o discípulo [Judas], e está agora conversando com Tiago de Alfeu e Simão Zelotes.

Detalhe

Pierre olha para João de Endor.

EMF 195.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O aparecimento da Cidade, já bem perto, visível agora em toda a sua beleza de colinas, de oliveiras, de casas, e especialmente pelo Templo, esta vista que deve ter sido sempre causa de emoção e de orgulho para os israelitas, acaba por distraí-lo completamente. O sol já bem quente de abril da Judeia, bem depressa enxugou as pedras da rua consular. Agora, as poças d’água precisam ser procuradas. Os apóstolos estão se arrumando, à beira da rua, descendo as vestes que tinham sungado, lavando em um córrego de águas claras, os pés cheios de barro, pondo em ordem os cabelos e vestindo suas capas. O mesmo faz Jesus. E vejo que todos estão fazendo assim.

195.4

A entrada em Jerusalém devia ser uma coisa importante. Apresentar-se diante dos muros, nestes dias de festa, era como apresentar-se diante de um soberano. A Cidade Santa era a “Verdadeira” rainha dos israelitas. Eu o compreendo bem neste ano em que posso notar, nesta rua consular, as turbas e o seu comportamento. Aqui os cortejos das diferentes famílias se põem em ordem, as mulheres todas juntas, os homens em outro grupo, os meninos em um dos grupos ou no outro, mas todos sérios e, ao mesmo tempo, serenos. Alguns tornam a dobrar a capa mais usada e tiram dos sacos de viagem uma outra nova, ou trocam de sandálias. Depois disso, até seu modo de andar muda e se torna mais solene e até mesmo religioso. Em cada um dos grupos há um solista, que dá o tom, e os hinos são entoados, os antigos e gloriosos hinos de Davi. As pessoas agora se olham com olhares melhores, como que abrandadas por terem visto a Casa de Deus, e olham para esta Casa Santa, este enorme cubo de mármore, encimado pelas cúpulas douradas e colocado como uma pérola no centro do recinto do Templo.

Aqui — na comitiva apostólica que assim está formada: na frente, Jesus e Pedro, tendo entre eles o menino; atrás vem Simão, Iscariotes e João; depois André, que obrigou João de Endor a ficar entre ele e Tiago de Zebedeu; na quarta fila, os dois primos do Senhor, com Mateus; por último, Tomé com Filipe e Bartolomeu — aqui é Jesus quem entoa, com sua poderosa e belíssima voz, de um ligeiro tom barítono, misto — para torná-lo mais belo — a vibração de tenor, e Judas Iscariotes responde. Ele é um tenor puro. João, com sua voz límpida de quem é ainda muito jovem. As duas vozes dos barítonos, que são os primos de Jesus, e a de quase baixo de Tomé, que é de um barítono tão grave, que quase não é mais tal. Os outros, dotados de vozes menos belas, acompanham em surdina o coral cheio, formado por aqueles que são os virtuoses do grupo. (Os salmos são aqueles conhecidos, chamados graduais[3]).

O pequeno Jabé, com uma vozinha de anjo, por entre as vozes robustas dos homens, canta muito bem, talvez porque conheça melhor do que os outros, o salmo 121:

– Alegrei-me por aquilo que me foi dito: ‘Iremos à Casa do Senhor’.

Verdadeiramente tudo está iluminado pela alegria no rostinho que, há bem poucos dias, estava muito triste.

Eis que os muros já estão perto. Aqui está a Porta dos Peixes. Aí estão as ruas apinhadas de gente.

Logo irão eles para o Templo para uma primeira oração. Depois é a paz, paz do Getsêmani, depois a ceia e o descanso.

A viagem a Jerusalém terminou.

Detalhe

Pedro distrai-se com o aparecimento da Cidade Santa.

Anotação

Os salmos são os conhecidos salmos, chamados graduais. Estes são os Salmos 120 a 134, também conhecidos como "cânticos de subida", segundo a nova numeração. O Sal 121, citado abaixo, passou a ser o Sal 122.

Nota adicional de maria-valtorta.org :

OS 15 GRADUAIS: são os Salmos 119 (hebraico 120) a 133 (hebraico 134), também conhecidos como CÂNTICOS DAS MONTANHAS. Eram cantados nas três festas de peregrinação, por peregrinos ou sacerdotes, nos quinze degraus que levavam ao Templo de Jerusalém.

O pequeno Yabeç, com a sua voz de anjo no meio das vozes robustas dos homens, canta muito bem o Salmo 121 - talvez porque o conheça melhor do que os outros: "Alegrei-me porque me disseram: 'Iremos à casa do Senhor. Salmo 121 (hebraico 122): "Como me alegrei quando me disseram: "Iremos à casa do Senhor!" ...

Esta é a Porta de Peixes. Ao norte de Jerusalém, mesmo ao lado do Templo.