EMF 181.3 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
As pessoas se afastam lentamente. No pequeno jardim ficaram os oito apóstolos com Elias, seu irmão, a mãe e o velho Isaac, que sente a alma alimentar-se, quando olha para o seu Salvador.
Notas do tema
Conforto de leitura
EMF 181.3 · Volume 3
As pessoas se afastam lentamente. No pequeno jardim ficaram os oito apóstolos com Elias, seu irmão, a mãe e o velho Isaac, que sente a alma alimentar-se, quando olha para o seu Salvador.
EMF 181.4 · Volume 3
O diabo verdadeiramente desnatura o homem, até fazer dele uma criatura sua, que semeia, para tirar do caminho a outros, que ele ainda não foi capaz de tornar seus escravos.
EMF 181.5-7 · Volume 3
Isto, no sentido universal. Mas para vós há um outro ainda, e vem responder às perguntas que, especialmente como ontem à tarde, costumais fazer. Vós estáveis perguntando a vós mesmos: “Mas, então, no meio do grupo dos discípulos pode existir traidores?”, e tremeis de horror e de medo em vossos corações. Eles podem existir. Disso Eu estou certo.
O Semeador espalha a boa semente. Neste caso, mais do que espalhar, poder-se-ia dizer que ele “colhe.” Porque o Mestre, que seja Eu ou que tenha sido o Batista, havia escolhido os seus discípulos. Como foi que houve extraviados? Não, mas pelo contrário, eu falei mal quando chamei os discípulos de sementes. Vós poderíeis entender-me mal. Eu vou chamá-los, então de “campo.” Tantos discípulos, tantos campos escolhidos pelo Mestre para formarem a área do Reino de Deus, os bens de Deus. Com esses o mestre se afadiga, para cultivá-los, a fim de que produzam cem por cento. Ele toma todos os cuidados. Todos. Com paciência. Com amor.Com sabedoria. Com canseiras. Com constância. Ele olha também as tendências más deles. A aridez e cobiça deles. Vê as teimosias e as fraquezas deles. Mas, fica esperando, espera sempre, e fortalece a sua esperança com a oração e a penitência porque os quer levar à perfeição.
Mas os campos estão abertos. Não são um jardim fechado, cercado por muros como uma fortaleza, do qual só o mestre é o dono, e no qual só ele pode penetrar. Estão abertos. Colocados no centro do mundo, no meio do mundo e todos podem aproximar-se deles, todos podem entrar neles. Todos e tudo. Oh! Oh! Mas não é só o joio que é a semente má semeada. O joio: este poderia ser o símbolo da leviandade amarga do espírito do mundo. Mas aí nascem, lançados pelo Inimigo, todas as outras sementes. Aí estão as urtigas. Aí as tiriricas. Aí as cuscutas. Aí os cipós-chumbo. Aí, enfim as cicutas e os tóxicos. Por quê? Por quê? Que são eles?
As urtigas: são os espíritos irritantes, indomáveis, que ferem, por uma superabundância de venenos, e causam tanto mal-estar. As tiriricas significam os parasitas que esgotam o mestre, pois só sabem rastejar e sugar, aproveitando-se do trabalho dele e prejudicando aos cheios de vontade, que certamente colheriam maiores frutos, se seu mestre não fosse perturbado e distraído pelos cuidados que dele exigem as tiriricas. Os cipós-chumbo, inertes, que só se levantam do chão, aproveitando-se do trabalho dos outros. As cuscutas são um tormento no caminho, já difícil, do mestre, e um tormento para os discípulos fiéis que o acompanham. Elas se agarram a nós, espetam, ferem, arranham, só causam desconfiança e sofrimento. Os tóxicos: são os delinquentes que estão entre os discípulos, aqueles que chegam a trair e a apagar a vida, como a cicuta e outras ervas venenosas. Por acaso, já tereis visto como elas são bonitas com as suas florzinhas, que depois se transformam em bolinhas brancas, vermelhas ou roxo azuladas? Quem diria que aquela corola estrelada, cândida ou levemente rosada, com seu coraçãozinho de ouro, quem haveria de dizer que aqueles corais de todas as formas, tão parecidos com aquelas frutinhas que são a delícia dos passarinhos e das crianças, sejam capazes de, quando maduras, dar a morte? Ninguém. Mas os inocentes aí caem. Crêem que todos são bons como eles… colhem os frutos, comem e morrem.
Acham que todos são bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade não desarma? Não torna inofensivo o querer-mal? Não. Não o torna mais assim, porque o homem, que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensível a tudo o que é superior. E tudo o que é superior muda de aspecto para ele. A bondade é vista como uma fraqueza, em que é permitido pisar, e refina sua má vontade, refina o desejo de degolar, como, em uma fera, só o sentir cheiro do sangue. Também o mestre é sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque não quer e não deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem é inocente.
181.6
Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!…
Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:
Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.
181.7
– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.
– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.
– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina
–diz Iscariotes.
– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.
Jesus acaba de nos dar a parábola do trigo e do joio, e o seu significado universal. Depois, volta à traição de João Batista por um dos seus discípulos.
Perguntareis: "Mas pode haver traidores entre os discípulos? "Ver o capítulo anterior, em EMV 180.8. A traição de um discípulo de João Batista, que levou à prisão do profeta, causou grande celeuma.
Os bons acreditam que os outros são tão bons quanto eles! Ah, que verdade que eleva o mestre e condena o traidor! Durante a releitura do texto datilografado pelo padre Migliorini, Maria Valtorta anotou neste ponto "Trabalha para redimir com bondade, trabalha sem esperanças nem ilusões, por puro desejo de cumprir o teu dever até ao limite, trabalha para que os outros não se apercebam que este é mau, para que não o odeiem... Que lição divina o Divino Mestre dá aos guias espirituais e a todos os cristãos!"
"Deus não permite que ninguém se oponha ao triunfo da sua vontade amorosa mais do que é útil". Numa folha inserida na cópia dactilografada, Maria Valtorta escreveu:
"Deus deu ao homem o intelecto para compreender, a razão para se orientar como criatura razoável, a consciência para aconselhar, a lei para saber regular-se, a liberdade para merecer o que quiser merecer: Deus e a glória, ou o inferno e a condenação.
Além disso, deu-lhe a graça ou a predestinação para a graça, para que seja um estímulo ou um meio de elevar as coisas abaixo enumeradas a um nível capaz de lhe dar um santo gosto pelo sobrenatural e por Deus.
Ora, no homem inteligente, razoável, consciente, livre e, sobretudo, instruído na Fé, conhecedor do seu fim último e da Lei divina, só deve haver as acções que a Lei prescreve e que o conhecimento do fim incita a praticar, tal como a razão e a consciência as indicam como boas para todos, mesmo para os que não conhecem a religião revelada, a fim dea recompensa eterna que o intelecto humano, tanto mais quando iluminado pela Graça, é infinitamente superior a todas as concepções que um crente possa imaginar.
Mas acontece por vezes que o homem, agindo contra a razão, transforma a sua liberdade num jugo da mais cruel das escravidões: a do demónio e do pecado, preferindo o Mal ao Bem.
Mesmo que Deus permita que o homem faça o que quiser por sua livre vontade, para o julgar e confirmar na graça ou para julgar que merece castigo, nada diminui a culpa do homem. Com efeito, se é verdade que o homem, sob o impulso de Deus ou a instigação de Satanás, pode fazer o bem ou o mal, não é menos verdade que o homem deve seguir apenas Deus e os seus convites amorosos, pois é dele que recebeu todos os dons naturais, morais e sobrenaturais capazes de o tornar filho de Deus, herdeiro do Reino."
EMF 181.6-7 · Volume 3
Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!…
Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:
Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.
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– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.
– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.
– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina
–diz Iscariotes.
– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.
EMF 181.6-7 · Volume 3
Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:
Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.
181.7
– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.
– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.
– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina
–diz Iscariotes.
– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.
EMF 181.7 · Volume 3
– (...) Vamos para casa. O Sol já está forte demais. Parece que vem aí o começo de um temporal. E vós estais cansados por causa de uma noite sem dormir.
– A casa tem uma sala alta, bem ampla e fresca. Nela podereis repousar, diz Elias.
Todos sobem pela escada externa. Mas só os apóstolos se estendem sobre as esteiras para repousar. Jesus sai no terraço, sombreado num canto por um carvalho muito alto, e fica absorto em seus pensamentos.
Em casa de Elie de Chorazeïn.
Está cansado de uma noite sem dormir. Após a detenção de Jean-Baptiste.
Um dos cantos é sombreado por um carvalho muito alto. O carvalho-da-palestina (Quercus calliprinos) é uma árvore perene do Mediterrâneo oriental, aparentada com o carvalho-das-cerémicas.
EMF 182.1
A volta de Pedro só se deu na manhã seguinte. Ele está mais calmo, desde a partida, porque só achou boa acolhida em Cafarnaum, e a cidade limpa e livre da presença de Eli e Joaquim.
– Devem ser eles que promoveram aquele conluio. Porque eu perguntei a alguns amigos, quando eles saíram de lá e fiquei sabendo que eles não tinham voltado, depois de terem estado com o Batista, fingindo-se penitentes. E eu creio que nem voltarão logo, agora que eu disse que eles estiveram presentes à prisão… Há um grande alvoroço por causa desta prisão do Batista. E eu cuidarei de fazer que isso fique sabido até pelos mosquitos… É esta para nós a melhor arma. Encontrei também o fariseu Simão e… Mas, se ele é como me pareceu ser, parece-me bem disposto. Ele me disse: “Aconselha o Mestre a não ir acompanhando o Jordão pelo vale ocidental. O outro lado é mais seguro”, disse ele , destacando bem as palavras. E terminou dizendo: “Eu não te vi. Nem te falei nada. Lembra-te disso. E toma cuidado para o meu bem, para o teu e o de todos. Dize ao Mestre que eu sou amigo dele”, e olhava para o alto, como se estivesse falando ao vento. Sempre, mesmo quando fazem coisas boas, eles são falsos… e até direi que são estranhos, para não ter a tua desaprovação. Mas… eu também fui fazer uma sondagenzinha no centurião. Eu lhe disse assim: “Vai bem o teu criado?” e tendo recebido resposta afirmativa, eu lhe disse também: “Ainda bem! Trata de conservá-lo são, porque já estão armando emboscadas ao Mestre. O Batista já foi preso…” e o romano pegou o assunto no vôo. Homem esperto que ele é, assim respondeu “Onde houver uma insígnia, haverá um guarda para protegê-lo e haverá alguém que lembre aos israelitas que, sob o domínio de Roma, não são permitidos os conluios, sob pena de morte ou das galés.” Eles são pagãos. Mas eu quase o beijei. Eu gosto das pessoas que compreendem e agem. Podemos ir andando, então.
– Então vamos. Mas não era preciso nada disso –diz Jesus.
– Era preciso. Era preciso!
Jesus se despede da família hospitaleira e também do novo discípulo, ao qual Ele deve ter dado suas instruções.
Pedro foi a Cafarnaum e perguntou sobre a traição de João Batista.
Pedro só chega na manhã seguinte. Estava mais calmo do que no início, porque tinha encontrado em Cafarnaum um acolhimento caloroso e porque a cidade se tinha livrado de Eli e Joaquim. Estes eram os dois fariseus de Cafarnaum mais suspeitos de terem organizado a prisão do Batista (ver EMV 180.9).
Encontrei-me também com o fariseu Simão e... Mas se ele é como me pareceu, parece-me bem disposto. Foi este fariseu que organizou o banquete onde Maria Madalena chorou aos pés de Jesus (cf. EMV 236.1).
Ele disse-me, sublinhando as palavras: "Aconselha o Mestre a não ir pela margem ocidental do Jordão. A outra margem é mais segura. "Jesus menciona este" conselho" em EMV 187.3.
Entretanto, fui fazer uma pequena visita ao centurião. Assim, Pedro conseguiu vencer o seu preconceito contra os gentios, tal como previra por amor a Jesus, em EMV 181.1.
"Onde quer que haja um sinal romano, ser-lhe-á uma salvaguarda, e haverá alguém para lembrar aos judeus que, sob os sinais romanos, não é permitido conspirar sem se expor à morte ou à galé. "Sob a Pax Romana, não eram raros os exemplos de conspiradores que eram levados à morte.
EMF 182.1 · Volume 3
Jesus se despede da família hospitaleira e também do novo discípulo, ao qual Ele deve ter dado suas instruções.
EMF 182.2 · Volume 3
Agora estão de novo sozinhos, o Mestre com os apóstolos, e vão indo pelas campinas frescas, por um caminho que Jesus tomou, para grande surpresa de Pedro, que queria tomar um outro.
– Por aqui vamos ficar mais longe do lago…
– Mas chegaremos sempre em tempo para fazer o que devo fazer.
Os apóstolos não falam mais e estão indo para uma vila pequenina, um punhado de casas espalhadas pela campina.
Caminham na frescura do campo, por um caminho que Jesus tinha tomado, para espanto de Pedro, que queria tomar outro. Jesus evitou Cafarnaum, indo mais para o interior.
"Assim afastamo-nos do lago...", diz ele. "Chegaremos lá a tempo para o que tenho de fazer. Há vários dias que Jesus se preparava para ir a Magdala... "O Pai (Deus) deu-me dois nomes de pessoas...": ver EMV 176.1.
EMF 182.4 · Volume 3
– Vós me dissestes: “Lá em cima, onde estamos, só nos falam os ventos e, às vezes, o lobo que faz carnificinas.” O que acontece lá em cima, acontece também nos corações por obra de Deus, ou do homem, ou de satanás. Por isso, vós podeis ter lá em cima o que poderíeis ter em qualquer outro lugar.
Conheceis bem a Lei, para saber os dez mandamentos? E tu também, menino? Então já sabeis o que é suficiente. Se vós praticardes com fidelidade todas as ordens que Deus vos deu, sereis santos. Não vos queixeis por estar longe do mundo. É por isso que estais preservados de muitas corrupções. E Deus não está longe de vós, mas até mais perto naquela solidão, onde Ele vos faz ouvir sua voz na voz dos ventos que Ele criou, nas ervas e nas águas, do que entre os homens. Este rebanho vos ensina uma grande, ou até muitas grandes virtudes. Ele é manso e obediente. Ele se contenta com pouco e agradece pelo que recebe. Ele sabe amar e ser reconhecido para com quem cuida dele e o ama. Fazei vós também a mesma coisa, dizendo: “Deus é o nosso Pastor, e nós somos as ovelhas do seu rebanho. Os olhos dele estão sobre nós. Ele nos guarda e nos concede, não o que é uma fonte de vícios, mas o que é necessário para a vida.” Conservai o lobo longe do coração. Esse lobo são os homens maus, que talvez vos incitem e seduzam para más ações, por ordem de satanás. É o próprio satanás, que vos tenta para o pecado, a fim de rasgar-vos em pedaços.
Vigiai. Vós, pastores, sabeis quais os costumes do lobo. Ele é tão astuto, quanto simples e inocentes são as ovelhas. Ele se aproxima devagar, depois de ter observado, lá do alto, os costumes do rebanho, vem deslizando por entre as moitas, vem-se avizinhando e, para não chamar a atenção, ele até se imobiliza depois, como se fosse uma pedra. Não fica ele parecendo mesmo uma grande pedra que tivesse vindo rolando por cima das ervas? Mas depois, quando tem certeza de que ninguém está vigiando, ele salta e dá suas dentadas. O mesmo faz satanás. Ele vos vigia, para ficar sabendo quais são os vossos pontos fracos; depois, anda ao redor de vós, fica parecendo inofensivo e até como se não estivesse por ali, olhando para outras coisas, enquanto, na verdade, está de olhos sobre vós e, de repente, salta para arrastar-vos ao pecado e, algumas vezes, consegue. Mas junto a vós está um médico e um piedoso: Deus e o vosso anjo. Se vos feristes, se caístes doentes, não vos afasteis deles, como faz o cão que ficou doente de raiva. Mas, ao contrário, chorando, gritai-lhes: “Ajudai-me.” Deus perdoa a quem se arrepende, e vosso anjo está pronto a suplicar a Deus por vós, e convosco.
Jesus fala do lobo que os pastores por vezes ouvem.
Vós, pastores, conheceis os hábitos do lobo. Os lobos não são raros na Palestina. Existem duas raças: o lobo comum (canis lupus), que vive na Galileia e nas regiões montanhosas de Basã, e o lobo egípcio (canis lupaster), muito mais pequeno e com membros mais finos, que habita o sul(fonte).