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Notas do tema

Cidade de Jerusalém

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EMF 32.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois, eis as casas que vão aparecendo e alguns dos muros que rodeiam as cidades. Os dois esposos entram por uma porta, começando o percurso sobre o calçamento (muito irregular) da cidade. O caminho se torna muito mais difícil, seja porque o trânsito os obriga a parar o burrinho com frequência, seja porque este dá contínuas sacudidelas sobre as pedras e os buracos, perturbando Maria e o Menino.

A estrada não é plana, é uma ladeira ainda que leve. Está apertada entre as casas altas, de portinhas estreitas e baixas, com raras janelas, que dão para a rua. No alto, o céu se mostra, com muitos retalhos do seu azul, entre uma casa e outra, ou melhor, entre um e outro terraço. Em baixo, na rua, há gente e vozerio, transeuntes que se encontram com aqueles que estão nos seus jumentos, ou com os que conduzem jumentos com carga. Outros vão indo atrás de alguma embaraçante caravana de camelos. Aum certo ponto, passa uma patrulha de legionários romanos, com grande barulho de cascos e de armas, desaparecendo atrás de um arco colocado em uma rua muito estreita e pedregosa.

José vira para a esquerda, e entra por uma rua mais larga e mais bonita. No fim desta vejo o muro de uma fortaleza, que eu já conhe­ço.

Maria apeia do burrinho, junto à porta, onde há uma espécie de posto para outros jumentos. Eu digo “posto”, porque é parecido com um barracão, ou melhor, um telheiro, onde há palha pelo chão e umas estacas com argolas onde se amarram os animais.

José dá algumas moedas a um homenzinho, que apareceu por ali, conseguindo deste modo um pouco de feno e um cântaro de água tirada de um poço velho que fica num canto, para alimentar o burrinho. Em seguida, vai ao encontro de Maria, entrando com ela no recinto do Templo.

Palavras-chave

EMF 32.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Dirigem-se primeiro para os pórticos, onde estão aqueles que Jesus mais tarde fustigaria severamente: os vendedores de pombos e cordeiros e os cambistas. José compra dois pombinhos brancos. Não troca o dinheiro. Compreende-se que ele já tem a quantia certa.

José e Maria se dirigem a uma porta lateral, de oito degraus, como, me parece, tenham todas as portas. É como se o cubo do Templo seja erguido do solo. Esta porta tem um grande átrio, parecido com os portões de nossas casas das cidades, mas seu átrio é mais amplo e adornado. Nele se encontram à direita e à esquerda, duas espécies de altares, ou seja, duas construções retangulares, cuja finalidade, a princípio, não compreendo bem. Parecem baixas bacias, porque a parte interna é mais baixa do que a beirada externa, que fica alguns centímetros mais alta.

Aparece um sacerdote, não sei se chamado por José, ou se tendo vindo por si mesmo. Maria lhe oferece os dois pobres pombos e eu, que já sei qual a sorte que eles vão ter, viro o olhar para o outro lado. Observo os ornatos do pesado portal, do teto e do átrio. Mas parece-me ver, com o rabo do olho, o sacerdote aspergir Maria com água. Deve ser água, porque não vejo ficarem manchas em sua veste. Depois, Maria que, junto com os pombinhos tinha dado uma porção de moedas ao sacerdote (eu me tinha esquecido de dizer isso), entra com José no Templo verdadeiro e propriamente dito, acompanhada pelo sacerdote.

Eu olho para todos os lados. É um lugar cheio de adornos. Esculturas de cabeças de anjos, palmas e outros ornatos estão sobre as colunas, sobre as paredes e o teto. A luz penetra por curiosas janelas longas e estreitas, naturalmente sem vidros, abertas em diagonal sobre a parede. Suponho que seja para impedir a entrada dos aguaceiros.

32.4 Maria segue até um certo ponto, onde pára. A alguns metros há outros degraus, e acima deles há outra espécie de altar, por trás do qual, há ainda uma construção.

Percebo agora que eu achava que estivesse no Templo, mas me encontrava na parte que contorna o Templo verdadeiro e propriamente dito, isto é, o Santo, dentro do qual ninguém, a não ser os sacerdotes, acho que podem entrar. Aquilo que eu pensei que fosse o Templo não é mais do que um vestíbulo fechado, que cerca em três partes o Templo, onde está encerrado o Tabernáculo. Não sei se me expliquei bem. Mas não sou arquiteta, nem engenheira.

Maria oferece ao sacerdote o Menino, que acabou de despertar e está movendo os olhinhos inocentes ao redor de si próprio, com aquele olhar espantado dos bebês de dias. O sacerdote o toma em seus braços, e o ergue, virado para o Templo, junto àquela espécie de altar, que está acima dos degraus. O rito terminou. O Menino é restituído à mamãe, e o sacerdote se retira.

Detalhe

Maria e José vão apresentar Jesus no Templo.

EMF 40

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

A Sagrada Família dirige-se ao Templo de Jerusalém. Depois de rezar, José e Jesus dirigem-se a uma sala onde Jesus é examinado por doutores da Lei. José apresenta-lhes o seu Filho e, em seguida, os homens dirigem-se ao Menino. Ele dá o seu nome e diz que sabe ler os símbolos e o verdadeiro sentido das Escrituras. Ouvindo-o, os doutores recomendaram a José que o confiasse a Hilled ou Gamaliel.

Cristo foi obrigado a ler uma parte do Decálogo. Teve de continuar de cor e, de cada vez que pronunciava o nome do Senhor, fazia uma vénia. Disse que, se nos curvamos perante os reis da terra, que não passam de pó, devemos curvar-nos ainda mais perante o Rei dos Reis, de quem depende toda a criatura.

Foi-lhe então feita uma pergunta sobre a lei do sábado e a santificação das festas. A galinha que põe um ovo ou a ovelha que dá à luz nesse dia comete um pecado? Não, porque o animal obedece às leis do Criador e não comete pecado. Se o homem o faz trabalhar no sábado, é o seu dono que carrega o seu pecado.

Os médicos ficaram impressionados. Fizeram-lhe uma última pergunta, pedindo-lhe que lesse uma passagem do segundo livro das Crónicas. Esta passagem, que se passa alguns séculos antes, fala do escriba Safã. Ele lê um livro do sacerdote Elquias diante do rei e rasga as suas vestes porque o povo já não segue as instruções do Senhor e a sua cólera é grande. Há algum símbolo neste texto? Jesus responde que é raro que não haja, e diz que o que é eterno não deve ser circunscrito no tempo. A Palavra declara que Israel já não tem a sabedoria que vem de Deus, apesar dos seiscentos e treze preceitos, pois conhece-os mas já não os põe em prática.

Os médicos declaram que a criança é perfeita e maior de idade. A festa termina e José e Jesus voltam para junto de Maria.

EMF 40.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

40.1 O Templo está como em dias de festa. A multidão, entra e sai, atravessa os pátios, os átrios, e pórticos, desaparece nesta ou naquela construção situada nos diversos patamares, sobre os quais está espa­lhado o aglomerado do Templo.

As pessoas da comitiva da família de Jesus entram também, cantando salmos em voz baixa. Primeiro, todos os homens, depois, as mulheres. A eles se uniram também outros, que talvez sejam de Nazaré, ou amigos que moram em Jerusalém. Não sei.

José se afasta, depois de ter, junto com os outros, adorado o Altíssimo, daquele ponto de onde os homens podiam ficar (as mulheres pararam no patamar logo abaixo) e com o Filho, José atravessa novamente os pátios, dobra para um lado, entrando numa grande sala, que parece ser uma sinagoga. Não sei como pode ser isso. Haveria sinagogas também no Templo? José fala com um levita e este desaparece atrás de uma cortina listrada, para voltar depois com uns sacerdotes anciãos, penso que são sacerdotes, certamente mestres no conhecimento da Lei, designados para examinar os fiéis.

EMF 41

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está sozinho em Jerusalém. Maria viu-o a olhar numa determinada direção, mas a visão foi muito breve. A visão recomeça mais tarde e a mística descobre o interior do Templo. Estavam lá doutores da Lei, incluindo Gamaliel, Hillel e Shammai, que discutiam a profecia de David e do Messias. Os dois primeiros defendiam que o Salvador já estava na Terra, enquanto o outro afirmava que a escravatura de Israel só tinha aumentado e que "a paz que deveria ser trazida por aquele a quem os profetas chamam 'o Príncipe da Paz' está longe de reinar sobre o mundo". Jesus intervém e declara que Gamaliel tem razão. Perguntam-lhe em que é que se baseiam e, durante algum tempo, as personagens falam da Natividade e do massacre dos Inocentes. Depois, Hillel pergunta de onde vem a sabedoria do rapaz e querem examiná-lo devidamente. É-lhe dado um pergaminho e surge o tema do Precursor. Jesus diz que ele já está na terra e que em breve precederá Cristo. Além disso, o Filho de José profetiza sobre o Reino de Deus e a realeza de Cristo, que é inteiramente espiritual. Disse mesmo que o santuário de Deus não seria mais cortado e destruído, e Hillel compreendeu as suas palavras citando outra passagem do livro de Ageu.

Gamaliel fala-lhe então da Paz de que fala o profeta e Jesus responde-lhe com as palavras do Glória: "Paz aos homens de boa vontade". Mas Israel não tem essa boa vontade, pelo que não terá a Paz e rejeitará o seu Messias. Por fim, Jesus regressa de novo ao Precursor, na sequência de uma observação de Shammai, dizendo que ele precederá em breve o Cristo. Termina dizendo que, se todos fossem como Hillel, a salvação chegaria a Israel. Hillel oferece-se para ficar com ele, mas o Menino diz que deve permanecer na solidão. E assim termina a visão.

Maria explica então como soube quem eram Hillel e Gamaliel (graças à voz do seu conselheiro interior). Por fim, Jesus dá um ditado sobre a recuperação de Jesus e Maria no Templo e a dor de Maria e José. Volta à famosa pergunta: "Meu filho, porque nos fizeste isto?"

EMF 41.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

41.1 Vejo Jesus. Já é um adolescente. Está vestido com uma túnica muito branca, que me parece de linho, comprida até os pés. Sobre ela está posto um manto retangular vermelho claro. Jesus está com a cabeça descoberta, os longos cabelos descendo até a metade das orelhas­, e mais escuros do que quando o vi menino. É um rapaz robusto, muito alto para a sua idade e que, como seu rosto está mostrando, é ainda a de um jovem.

Ele olha para mim, sorri, estendendo-me as mãos. É porém, o seu, um sorriso parecido com aquele que nele vejo quando já homem feito: doce e um tanto sério. Ele está sozinho. Por enquanto, não vejo outra pessoa. Está encostado a um muro que fica acima de uma estradinha cheia de altos e baixos, pedras e com uma cavidade ao centro, por onde certamente se forma um córrego, no tempo da chuva. Mas agora ela está seca, porque o dia está claro.

Tenho a idéia de ir-me encostar também ao muro, e de lá olhar ao redor e para baixo, como Jesus está fazendo. Estou vendo um aglomerado de casas. É um aglomerado desordenado. As casas são, umas altas, outras baixas, e foram construídas sem a preocupação de fazê-las num mesmo alinhamento. Fazendo uma comparação muito simples, mas com muita semelhança, parece um punhado de pedras brancas, jogadas sobre um terreno escuro. As ruas e vielas são como veias, no meio daquela brancura. Aqui e ali algumas árvores estendem suas copas sobre os muros. Muitas delas estão em flor, e muitas também já estão cobertas de folhas novas. Deve ser primavera.

À esquerda, para quem olhar de onde estou, há um grande aglomerado disposto em três ordens de terraços repletos de construções e torres, pátios e séries de pórticos. No centro se ergue uma construção mais alta, majestosa, com cúpulas redondas que brilham ao sol, como se estivessem cobertas de metal: cobre ou ouro. O conjunto é cercado por uma muralha guarnecida de ameias, na forma de um,

como uma fortaleza. Uma das torres é mais alta do que as outras, e está construída no fim de uma rua estreita e em aclive, dominando aquele grande aglomerado. Parece uma sentinela atenta.

Jesus olha fixamente para aquele lugar. Depois, volta à sua posição anterior, apóia as costas ao muro, como estava, olhando para um pequeno monte, na frente do aglomerado. O pequeno monte está tomado pelas casas, de alto a baixo. Vejo que ali termina uma rua com um arco, além do qual só há uma rua calçada com pedras quadrangulares, irregulares e desconexas. Não são muito grandes, não são como as pedras das estradas consulares romanas. Mais parecem as clássicas pedras das ruas de Viareggio (não sei se ainda existem aquelas pedras) colocadas sem nenhuma ligação entre si. É uma estrada ruim. O rosto de Jesus fica tão sério, que eu me ponho a procurar sobre aquele pequeno monte a causa de sua melancolia. Mas não encontro nada de especial. Vejo somente um monte despido de tudo. E basta. Enquanto isto, perco de vista Jesus, pois, quando me viro, Ele não está mais ali. Com esta visão eu adormeço.

EMF 41.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

(...) Me encontro em um lugar que eu nunca tinha visto antes. Nele há pátios e fontes, séries de pórticos e casas, ou melhor, pavilhões, pois têm mais características de pavilhões do que de casas. Há uma grande multidão de gente, vestida à antiga moda hebraica, num forte vozerio. Olhando ao meu redor, compreendo que estou dentro daquele aglomerado para o qual Jesus estava olhando, porque vejo a muralha com ameias que o rodeia, a torre que o vigia e a imponente construção, que se ergue no centro, e contra a qual vão-se estreitando os pórticos, muito bonitos e espaçosos, sob os quais há muita gente, tratando de uma coisa ou de outra.

Compreendo que estou no recinto do Templo de Jerusalém. Vejo fariseus com suas compridas vestes ondulantes, sacerdotes vestidos de linho e com uma placa preciosa na parte superior do peito e da fronte, e outros pontos brilhantes espalhados aqui e ali sobre diversas vestes muito amplas e brancas, ajustadas à cintura por um cinto precioso. Depois, vejo outros que estão menos ornados, mas que devem certamente pertencer à classe sacerdotal, e que estão rodeados por discípulos mais jovens. Compreendo que eles são os doutores da Lei. Entre todos estes personagens, eu me encontro desorientada, porque não sei ao certo o que estou fazendo aqui.

EMF 41.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Gamaliel, rodeado por um grupo numeroso de discípulos, fala da vinda do Messias e, apoiando-se na profecia de Daniel, sustenta que o Messias já deve ter nascido, porque já há cerca de dez anos que as setenta semanas profetizadas se completaram, desde que saiu o decreto da reconstrução do Templo. Shamai o combate, afirmando que, se é verdade que o Templo foi reedificado, também é verdade que a escravidão de Israel aumentou, e a paz, que haveria de trazer consigo Aquele que os Profetas chamavam “Príncipe da Paz”, está longe de existir no mundo, especialmente em Jerusalém, agora oprimida por um inimigo, que ousa levar a sua dominação até dentro do recinto do Templo, que está dominado pela torre Antônia, cheia de legionários romanos, prontos a reprimir com suas espadas qualquer levante de independência dos patriotas.

A disputa, cheia de cavilações, dá sinais de que irá prolongar-se. Cada um dos mestres faz ostentação de erudição, não só para vencer o rival, mas para impor-se à admiração dos ouvintes. Esta intenção é evidente.

41.4 Do numeroso grupo dos fiéis, ouve-se sair a voz jovem de um rapazinho:

– Gamaliel está certo!

Então começa um movimento no meio da multidão e do grupo dos doutores. Estão procurando quem foi que disse aquelas palavras. Mas não é preciso procurá-lo. Ele não se esconde, e vem abrindo caminho por entre a multidão, aproximando-se do grupo dos “rabinos.” Reconheço nele o meu Jesus adolescente. Ele está seguro do que diz, com aqueles seus dois olhos cintilando e cheios de inteligência. (...)

– Em que é que se baseia a tua segurança? –pergunta Hilel.

(Vou pôr os nomes antes das respostas, para abreviar e tornar-se mais claro).

Jesus:

– Na profecia, que não pode errar quanto à época e quanto aos sinais que a acompanham, quando chega o momento da verificação. É uma verdade que César nos está dominando. Mas o mundo estava tão em paz, e a Palestina em tão grande calma, quando se cumpriram as setenta semanas, que foi possível a César ordenar que se fizesse o recenseamento em seus domínios. Ele não teria podido fazer, se houvesse guerra no Império ou levantes na Palestina. Como aquele tempo se cumpriu, assim também está se cumprindo o outro tempo de sessenta e duas semanas mais uma, desde a realização do Templo, para que o Messias seja ungido e se confirme a continuação da profecia, para o povo que não o quis. Podeis ter dúvidas? Não vos lembrais que a estrela foi vista pelos Sábios do Oriente e que foi parar justamente no céu de Belém de Judá, e que as profecias e as visões, desde Jacó e após ele, indicam aquele lugar como o destinado a acolher o nascimento do Messias, filho do filho do filho de Jacó, através de Davi, que era de Belém? Não vos lembrais de Balaão? “Uma estrela nascerá de Jacó”. Os Sábios do Oriente, cuja pureza e fé tornavam abertos os seus olhos e seus ouvidos, viram a estrela e entenderam o seu nome: “Messias”, e vieram adorar a Luz que desceu ao mundo.

41.5

Shamai, com um olhar rancoroso:

– Tu dizes que o Messias nasceu no tempo da estrela, em Belém-Efrata?

Jesus:

– Eu o digo.

Shamai:

– Então, ele não existe mais. Não sabes, rapaz, que Herodes fez matar todos os meninos de um dia até dois anos de idade em Belém e nos arredores? Tu, que és tão sábio na Escritura, deves saber também isto: “Um grito se ouviu no alto… É Raquel, que está chorando os seus filhos.” Os vales e as colinas de Belém, que recolheram o pranto de Raquel, que estava morrendo, ficaram cheios de pranto, e as mães choravam também sobre seus filhos que foram mortos. Entre elas estava certamente também a mãe do Messias.

Jesus:

– Estás enganado, ó velho! O pranto de Raquel se transformou em hosana, porque lá onde ela deu à luz o “filho da sua dor”, a nova Raquel deu ao mundo o Benjamim do Pai celeste, o Filho da sua destra, Aquele que está destinado a reunir o povo de Deus sob o seu cetro, e livrá-lo da mais tremenda escravidão.

Shamai:

– E como, se Ele foi morto?

Jesus:

– Não leste a respeito de Elias? Ele foi arrebatado no carro de fogo. E não poderá o Senhor Deus ter salvo o seu Emanuel para que fosse o Messias do seu povo? Ele, que abriu o mar diante de Moisés, para que Israel passasse a pé seco para a sua terra, não terá podido mandar os seus anjos para salvarem o seu Filho, o seu Cristo, da ferocidade do homem? Em verdade, eu vos digo: o Cristo vive, e está entre vós, e, quando chegar a sua hora, Ele se manifestará em seu poder.

Jesus, ao dizer estas palavras, que eu sublinho, tem na voz um som que enche o espaço. Os seus olhos cintilam mais ainda e, com um gesto de império e de promessa, Ele estende o braço e a mão direita, e os abaixa, como fazendo um juramento. É um rapazinho, mas está solene como um homem.

Anotação

Daniel 9, 21-27: Estava eu ainda a falar em oração, quando Gabriel - o ser que eu tinha visto no início da visão - veio rapidamente ter comigo à hora da oferta da noite. Ele instruiu-me, dizendo: "Daniel, saí agora para te abrir o entendimento. Desde o início da tua súplica, surgiu uma palavra e eu vim anunciá-la a ti, pois és amado por Deus. Compreendei a palavra e procurai compreender a aparição.

Setenta semanas foram reservadas para o teu povo e para a tua cidade santa, para acabar com a perversidade e pôr fim ao pecado, para expiar a iniquidade e realizar a justiça eterna, para cumprir a visão e a profecia e para consagrar o Santo dos Santos. Conhecer e compreender! Desde o momento em que foi dada a ordem para reconstruir Jerusalém até à vinda de um messias, um líder, haverá sete semanas. Durante sessenta e duas semanas, reconstruirão as praças e os muros, mas será na angústia dos tempos. E após as sessenta e duas semanas, um messias será removido. O povo de um futuro chefe destruirá a cidade e o Lugar Santo. Depois, num dilúvio, chegará o seu fim. Até ao fim da guerra, as devastações decididas terão lugar.

Durante uma semana, esse chefe reforçará a aliança com uma multidão; durante metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta, e numa das alas do Templo estará a Abominação da Desolação, até que o extermínio decidido se derreta sobre o autor dessa desolação."

EMF 53

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus, Tiago, João, André, Pedro, Filipe e Bartolomeu vão ao Templo. Mas é uma verdadeira feira, onde os comerciantes do Templo são usurários dos mais pobres. Um casal de idosos é maltratado por um comerciante e Jesus diz-lhes que o seu comportamento não é correto: o comerciante tem de lhes dar um cordeiro melhor. O homem não lhe dá ouvidos e Jesus, perante toda a agitação do Templo, torna-se terrível. Constrói um chicote e derruba as mesas e o dinheiro que nelas se encontrava. Os sacerdotes chegam e perguntam-lhe quem é ele e porque está a fazer aquilo. Jesus responde que é aquele que pode e que, se o verdadeiro Templo for destruído, ele levantá-lo-á. Promete que eles o conhecerão e saberão de onde ele vem. Depois, o Mestre faz um discurso no Templo, recordando as palavras do Deuteronómio. Lembra-nos que devemos ser justos com os pobres e que os sacerdotes devem ter como riqueza a pureza e a caridade, e não a riqueza puramente material. Deus Pai é a sua herança. Por fim, convida todos a segui-lo, porque chegou a hora da graça.

EMF 53.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

53.1 Vejo Jesus que vai entrando no recinto do Templo, com Pedro, André, João, Tiago, Filipe e Bartolomeu.

Há uma grande multidão, tanto dentro, como fora do Templo. Grupos de peregrinos chegam de todos os pontos da cidade. Do alto da colina, sobre a qual está construído o Templo, vêem-se as ruas da cidade, estreitas e tortas, a fervilhar de gente. Parece que por entre o branco monótono das casas tenha sido estendida uma fita movediça de mil cores. Sim. A cidade tem o aspecto de um bizarro brinquedo, feito de fitas matizadas, entre dois fios brancos, e todas convergentes até o ponto onde brilham as cúpulas da Casa do Senhor.

Mas no interior há… uma verdadeira feira. Todo recolhimento que havia no lugar santo se acabou. Uns correm, outros chamam, outros fazem negócios com seus cordeiros, gritam e imprecam por causa do preço exorbitante, enquanto outros empurram os pobres animais, que balem, para dentro dos recintos (são divisões rudimentares, feitas com cordas ou com estacas, em cuja entrada está o vendedor, ou o dono que seja, à espera dos compradores). Pauladas, balidos, blasfêmias, reclamações, insultos aos empregados não solícitos nas operações de ajuntamento e escolha dos animais e aos compradores que regateiam os preços, ou que vão-se embora. E maiores insultos àqueles que, previdentes, levaram o seu cordeiro.

Ao redor das bancas dos cambistas, outro vozerio. Compreende-se que o Templo funcionava como… Bolsa e Bolsa negra; não sei se é sempre ou só neste tempo da Páscoa. O valor das moedas não era fixo. Havia um valor legal, certamente terá havido, mas os cambistas impunham um outro, apropriando-se de um tanto, marcado arbitrariamente pelo câmbio das moedas. E eu vos asseguro que eles não brincavam nessas operações de usura! Quanto mais alguém era pobre e vinha de longe, mais era depenado. Os velhos, mais que os jovens e os provenientes de fora da Palestina, mais que os velhos.

Os pobres velhinhos olhavam e tornavam a olhar para o seu pecúlio ajuntado, Deus sabe com quanto trabalho, durante um ano inteiro; agora eles o tiravam e o recolocavam junto ao peito cem vezes, indo de um cambista a outro, e acabavam voltando ao primeiro que então se vingava da inicial desistência deles aumentando o ágio do câmbio… e então, por entre suspiros, as grandes moedas caíam das mãos de seus donos e passavam para as garras do usurário sendo trocadas por moedas menores. Depois era outra tragédia nas escolhas, nos cálculos e suspiros diante dos vendedores de cordeiros, os quais, aos velhinhos já meio cegos, impingiam os cordeiros mais míseros.