EMF 76.6
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Os meninos são bons, e crêem sempre..
Notas do tema
Conforto de leitura
EMF 76.6
Os meninos são bons, e crêem sempre..
EMF 76.10-11
Jesus forma um grupo com os pequeninos todos ao seu redor, e depois com os pastores e os discípulos. Fora há um balir de ovelhas que Elias colocou em um cercado. Na casa há um barulho de festa. Levam a Jesus e aos seus, doces e bebidas. Mas Jesus os distribui aos pequeninos.
– Não bebes, Mestre? Não aceitas? É dado de coração.
– Eu sei Joaquim, e de coração o aceito. Mas deixa que primeiro Eu faça contentes os pequeninos. Eles são a minha alegria… (...) João, leva os dois meninos para que vejam as ovelhinhas.
76.11 E tu, Maria, vem mais perto, e diz-me: Quem sou Eu?
– Tu és Jesus, Filho de Maria de Nazaré, nascido em Belém. Isaque te viu e me pôs o nome de tua mamãe, para que eu seja boa.
– Boa como o anjo de Deus, pura mais do que um lírio desabrochado no cume da montanha, piedosa como o levita mais santo deve ser, para imitá-la. Serás assim?
– Sim, Jesus.
– Fala “Mestre” ou “Senhor”, menina.
– Deixa que me chame com o meu Nome, Judas. Só passando por lábios inocentes é que não perde o som que tem sobre os lábios de minha mãe. Todos, nos séculos, dirão esse nome, mas uns por um interesse, outros por outro, e muitos para blasfemá-lo. Só os inocentes, sem malícia e sem ódio, o dirão com um amor igual ao desta menina e ao de minha mãe. Os pecadores também me chamarão, quando pedirem misericórdia. Mas minha mãe e os pequeninos! Por que me chamas Jesus? –pergunta, acariciando a pequenina.
– Porque eu te quero bem… como ao papai, à mamãe e aos meus irmãozinhos –diz ela, abraçando os joelhos de Jesus, e rindo com o rostinho erguido.
Jesus se inclina e a beija… e assim tudo termina.
EMF 76.11
76.11 E tu, Maria, vem mais perto, e diz-me: Quem sou Eu?
– Tu és Jesus, Filho de Maria de Nazaré, nascido em Belém. Isaque te viu e me pôs o nome de tua mamãe, para que eu seja boa.
– Boa como o anjo de Deus, pura mais do que um lírio desabrochado no cume da montanha, piedosa como o levita mais santo deve ser, para imitá-la. Serás assim?
– Sim, Jesus.
EMF 77.2-3
[Judas fala dos pastores do Presépio.]
77.2 – A propósito. Há alguns dias que eu estou com uma pergunta me queimando os lábios. Esses são amigos teus e de Deus, não é verdade? Os anjos os abençoaram com a paz do Céu, não foi? Eles permaneceram justos, contra todas as tentações, não é mesmo? Explica-me então, por que é que foram infelizes? E Ana? Foi morta por ter querido bem a Ti….
– Tu deduzes, por isso, que o meu amor e que amar a Mim traz infortúnio.
– Não… mas….
– Mas é assim. (...) Vem cá, Judas. Escuta. Tu partes de um juízo comum a muitos viventes e a muitos que viverão. Eu disse: juízo. Deveria dizer: erro. Mas, posto que o fazes sem malícia, por ignorância do que é a verdade, não é um erro, mas somente um juízo imperfeito, como o pode ser, aquele de um menino. E vós sois meninos, pobres homens! E Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom. Portanto, escutai. O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas. Agora, dizei-me, vós: Seria justo que alguém que teve o bem extraordinário de poder servir a Deus de uma maneira especial, possua também por toda esta vida um bem contínuo? Não vos parece que já recebeu muito, e que por isso pode dizer-se feliz, mesmo se nas coisas humanas não é feliz? Não seria injusto que aquele que já tem a luz da divina manifestação no coração e o sorriso da consciência que o aprova, tenha também honras e bens terrenos? E não seria até imprudente?
77.3 – Mestre, eu digo que seria até profanador. Por que colocar alegrias humanas onde Tu estás? Quando alguém tem a Ti — e estes te têm tido, eles, os únicos ricos em Israel, por terem tido a Ti há trinta anos — não deve ter nenhuma outra coisa. Não se coloca coisas humanas no Propiciatório… e o vaso consagrado só serve para os usos sagrados. Estes são consagrados, desde o dia em que viram o teu sorriso… e nada, não, nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.
Judas recorda os pastores na Natividade e a morte de Ana de Belém. Por isso, diz que o amor a Jesus traz a desgraça, e Cristo responde-lhe.
EMF 77.2
O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas.
EMF 77.4-5
– Já se vêem as casas –diz João, que vai alguns passos na frente dos outros.
– É Hebron. Abrange dois rios com seu dorso. Estás vendo, Mestre? Aquele casarão, lá ao longe, entre todo aquele verde, um pouco mais alto que os outros? É a casa de Zacarias.
– Vamos apressar o passo.
Percorrem rapidamente os últimos metros da estrada, entram na cidade. Os pequenos cascos das ovelhas parecem castanholas sobre as pedras irregulares da rua, neste ponto calçada de maneira bem rudimentar. Chegam à casa. As pessoas olham aquele grupo de homens de diferentes aspectos, na idade e na veste, entre o branco das ovelhas.
– Oh! Como está mudada! Aqui era a cancela –diz Elias.
Agora, ao invés da cancela, há um portão de ferro, que impede a vista, e como o muro é mais alto do que um homem, nada se vê.
– Talvez seja aberto na parte de trás. Vamos.
Dão a volta em um grande quadrilátero, ou melhor, um grande retângulo, mas o muro é igual em todos os lados.
– Este muro foi feito, há pouco tempo –diz João, observando-o–. Ele está sem avarias, e no chão ainda há pedras calcárias.
– Não vejo nem mesmo o sepulcro… Ele era perto do bosque. Agora o bosque ficou do lado de fora do muro e… e parece que é de todos. Aqui todos vêm tirar a lenha.
Elias está perplexo.
77.5 Um homem, um lenhador, já velhinho, de baixa estatura, mas robusto, que observa o grupo, pára de serrar um tronco abatido, e se aproxima do grupo:
– A quem procurais?
– Queríamos entrar na casa, para rezarmos no sepulcro de Zacarias.
– Não há mais sepulcro. Não estais sabendo disso? Quem sois?
– Eu sou amigo do pastor Samuel. Ele…
– Não é preciso, Elias –diz Jesus.
Elias se cala.
– Ah! O Samuel!… Sim! Mas, desde que João, filho de Zacarias, foi levado para a prisão, a casa não é mais sua. E é uma pena, porque ele fazia com que todo o ganho dos seus haveres fosse dado aos pobres de Hebron. Certa manhã, veio um homem da corte de Herodes, expulsou Joel, lacrou as entradas, depois voltou com uns operários e começou a levantar o muro… Naquele canto lá é que estava o sepulcro. Ele não o quis… e uma manhã o encontramos todo destruído, e meio espalhado pelo chão… os pobres ossos misturados… Nós os recolhemos como foi possível… Agora estão numa única arca… E na casa do sacerdote Zacarias, aquele sujo tem as suas amantes. Agora, ele está com uma atriz de Roma. Por isso levantou o muro. Não quer que se veja… A casa do sacerdote, um lupanar! A casa do milagre e do Precursor! Porque certamente ele o é… mesmo não sendo ele o Messias. E quantos aborrecimentos tivemos por causa do Batista! Mas ele é o nosso grande! Verdadeiramente grande! Desde o seu nascimento houve milagre. Isabel, velha como um cardo seco, tornou-se fértil como as macieiras no mês de Adar, primeiro milagre. Depois, veio uma prima dela, que era uma santa, para servi-la e para soltar a língua do sacerdote. Ela se chamava Maria. Lembro-me dela. Ainda que não a visse, a não ser raramente. Como foi, eu não sei. Conta-se que, para fazer Isabel feliz, ela teria deixado Zacarias pousar a boca muda sobre o seu ventre cheio, ou que ela teria introduzido os seus dedos na boca dele. Não sei bem. O certo é que, depois de nove meses de silêncio, Zacarias falou, louvando o Senhor e dizendo que o Messias já estava na terra. Não deu mais explicações. Mas minha mulher garante — ela estava presente naquele dia — que Zacarias disse, louvando ao Senhor, que o seu filho iria à sua frente. Agora eu digo: não é como as pessoas crêem. João é o Messias, que vai diante do Senhor, como Abraão, de Deus. Eis. Não tenho razão?
– Tens razão, quanto ao que diz respeito ao espírito do Batista, que sempre procede adiante de Deus. Mas não tens razão quanto ao que diz respeito ao Messias.
– Então aquela, que se dizia mãe do Filho de Deus — e quem disse isto foi Samuel — não é verdade que o era? Não nasceu ainda?
– Sim, ela o era. O Messias nasceu, precedido por aquele que, no deserto, levantou sua voz, como disse o Profeta.
– És tu o primeiro que afirma isso. João, na última vez que Joel lhe levou uma pele de ovelha, como fazia cada ano ao chegar o inverno, ao ser interrogado a respeito do Messias, não disse: “Ele já está aí.” Quando o disser…
– Homem, eu fui discípulo de João, e o ouvi dizer: “Eis o Cordeiro de Deus” indicando… –diz João.
– Não, não. O Cordeiro é ele. Verdadeiro Cordeiro, que cresceu por si mesmo, quase sem necessidade de pai e mãe. Assim que se tornou filho da Lei, isolou-se nas cavernas dos montes que olham para o deserto e ali cresceu, falando com Deus. Isabel e Zacarias morreram e ele não veio. Para ele, pai e mãe era Deus. Não há santo maior do que ele. Perguntai a toda a cidade de Hebron. Samuel o dizia, mas os belemitas devem ter tido razão. O santo de Deus é João.
– Se alguém te dissesse: “O Messias sou Eu”, que dirias tu? –pergunta Jesus.
– Eu o chamaria de “blasfemador”, e o afugentaria a pedradas.
– E se ele fizesse um milagre para provar que o era?
– Eu diria que ele era um “endemoninhado.” O Messias virá quando João se revelar na sua verdadeira identidade. O próprio ódio de Herodes é a prova. Ele, o astuto, sabe que João é o Messias.
– Mas João não nasceu em Belém.
– Quando ele for solto, depois de ter anunciado por si mesmo o seu próximo advento, manifestar-se-á em Belém. Também Belém o espera. Enquanto… oh! vai falar aos belemitas de algum outro Messias, se tens coragem… e verás.
– Tendes uma sinagoga?
– Sim. Basta ir direto daqui a duzentos passos por esta rua. Não há erro. Fica perto da arca dos despojos violados.
– Adeus. E que o Senhor te ilumine.
Eles se vão. Voltam à parte da frente.
EMF 77.5
– (...) Quantos aborrecimentos tivemos por causa do Batista! Mas ele é o nosso grande! Verdadeiramente grande! Desde o seu nascimento houve milagre. Isabel, velha como um cardo seco, tornou-se fértil como as macieiras no mês de Adar, primeiro milagre. Depois, veio uma prima dela, que era uma santa, para servi-la e para soltar a língua do sacerdote. Ela se chamava Maria. Lembro-me dela. Ainda que não a visse, a não ser raramente. Como foi, eu não sei. Conta-se que, para fazer Isabel feliz, ela teria deixado Zacarias pousar a boca muda sobre o seu ventre cheio, ou que ela teria introduzido os seus dedos na boca dele. Não sei bem. O certo é que, depois de nove meses de silêncio, Zacarias falou, louvando o Senhor e dizendo que o Messias já estava na terra. Não deu mais explicações. Mas minha mulher garante — ela estava presente naquele dia — que Zacarias disse, louvando ao Senhor, que o seu filho iria à sua frente. Agora eu digo: não é como as pessoas crêem. João é o Messias, que vai diante do Senhor, como Abraão, de Deus. Eis. Não tenho razão?
– Tens razão, quanto ao que diz respeito ao espírito do Batista, que sempre procede adiante de Deus. Mas não tens razão quanto ao que diz respeito ao Messias.
– Então aquela, que se dizia mãe do Filho de Deus — e quem disse isto foi Samuel — não é verdade que o era? Não nasceu ainda?
– Sim, ela o era. O Messias nasceu, precedido por aquele que, no deserto, levantou sua voz, como disse o Profeta[1].
– És tu o primeiro que afirma isso. João, na última vez que Joel lhe levou uma pele de ovelha, como fazia cada ano ao chegar o inverno, ao ser interrogado a respeito do Messias, não disse: “Ele já está aí.” Quando o disser…
– Homem, eu fui discípulo de João, e o ouvi dizer: “Eis o Cordeiro de Deus” indicando… –diz João.
– Não, não. O Cordeiro é ele. Verdadeiro Cordeiro, que cresceu por si mesmo, quase sem necessidade de pai e mãe. Assim que se tornou filho da Lei, isolou-se nas cavernas dos montes que olham para o deserto e ali cresceu, falando com Deus. Isabel e Zacarias morreram e ele não veio. Para ele, pai e mãe era Deus. Não há santo maior do que ele. Perguntai a toda a cidade de Hebron. Samuel o dizia, mas os belemitas devem ter tido razão. O santo de Deus é João.
– Se alguém te dissesse: “O Messias sou Eu”, que dirias tu? –pergunta Jesus.
– Eu o chamaria de “blasfemador”, e o afugentaria a pedradas.
– E se ele fizesse um milagre para provar que o era?
– Eu diria que ele era um “endemoninhado.” O Messias virá quando João se revelar na sua verdadeira identidade. O próprio ódio de Herodes é a prova. Ele, o astuto, sabe que João é o Messias.
– Mas João não nasceu em Belém.
– Quando ele for solto, depois de ter anunciado por si mesmo o seu próximo advento, manifestar-se-á em Belém. Também Belém o espera. Enquanto… oh! vai falar aos belemitas de algum outro Messias, se tens coragem… e verás.
– Tendes uma sinagoga?
– Sim. Basta ir direto daqui a duzentos passos por esta rua. Não há erro. Fica perto da arca dos despojos violados.
– Adeus. E que o Senhor te ilumine.
Eles se vão. Voltam à parte da frente.
Um lenhador de Hebron fala com Jesus, João, Judas e o pastor Elias. Diz ele:
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– Homem, eu fui discípulo de João, e o ouvi dizer: “Eis o Cordeiro de Deus” indicando…
Um lenhador de Hebron acreditava que João Batista era o Messias e o Cordeiro de Deus. João interveio então para dar o seu testemunho do batismo.
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– Como é que salvas? E a quem?
– A quem tem vontade de salvação. Eu salvo ensinando os homens a ser puros, a querer a dor, mas com honra, e o bem a todo custo.
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77.8 Jesus vai reto pela rua. Bate à porta da Sinagoga.
Aparece um velhinho hostil. Não dá a Jesus nem tempo para falar:
– A sinagoga está interditada, neste lugar santo, para aqueles que negociam com as meretrizes. Fora!
Jesus se volta sem falar, e continua a caminhar pela rua. Seus discípulos vão atrás. Até sairem de Hebron. Então começam a falar.
– Mas foste Tu que o quiseste, Mestre! –diz Judas–. Uma meretriz!
– Judas, na verdade te digo que ela vai te superar. E agora, tu, que me queres censurar, que é que me dizes a respeito dos judeus? Nos lugares mais santos da Judéia, fomos escarnecidos e expulsos… Mas é assim mesmo. Virá o tempo em que Samaria e os Gentios adorarão o verdadeiro Deus, e o povo do Senhor estará sujo de sangue e de um delito… de um delito em comparação do qual aquele das meretrizes, que vendem sua carne e sua alma, será pouca coisa. Não pude rezar sobre os ossos de meus primos e do justo Samuel. Mas não importa. Repousai, ossos santos, jubilai, ó espíritos que neles habitáveis. A primeira ressurreição está próxima. Depois virá o dia em que sereis mostrados aos anjos, como sendo os dos servos do Senhor.
Jesus se cala e tudo termina.
Jesus acaba de falar com uma prostituta. Não olhou para ela uma única vez, mas inspirou-a a converter-se (ver EMV 77.7). Depois regressa à sinagoga. É aí rejeitado e, perante os comentários de Judas, diz-lhe o que o futuro lhe reserva.