Ir para o conteúdo

Notas do tema

Lagos na Palestina

Página 2 de 3

Conforto de leitura

Aa

EMF 174.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O Hermon é um alabastro róseo em seu cume, que o Sol beija, e do alabastro descem dois fios de diamantes (daqui parecem fios) dos quais o Sol tira um cintilar quase irreal, indo depois enfurnar-se por baixo das galerias verdes dos bosques, não se vendo mais nada além dovale, onde formam cursos d’água que, certamente, irão ao lago Meron, daqui invisível, saindo dele com as belas águas do Jordão, para depois lançarem-se novamente no safira claro do Mar da Galileia, que é um contínuo tremular de escamas preciosas para as quais o Sol serve de engaste e de chama. Parece que os veleiros, que deslizam por este espelho tranquilo e magnífico, com sua moldura de jardins e campinas maravilhosas, estejam sendo guiados pelas nuvenzinhas leves, que navegam no outro mar do céu.

EMF 174.11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus, de pé sobre uma pedra, fala a uma grande multidão. É um lugar alpestre: uma colina solitária, entre dois vales. A colina tem o cume em forma de jugo, ou melhor, para que fique mais claro: tem forma de uma corcova de camelo, de modo que, a poucos metros do cume, há um anfiteatro natural, no qual a voz ressoa clara como numa sala de concertos bem construída. A colina está toda coberta de flores. Deve ser agora uma estação boa. As plantações nas planícies começam a ficar louras e a chegar ao ponto da foice. Ao norte, um monte alto brilha, com a sua geleira exposta ao sol. Logo abaixo, a leste, está o Mar da Galileia, que daqui parece um espelho despedaçado em numerosas escamas, das quais cada uma é uma safira acesa pelo sol. Ofusca, com o seu tremular azul e ouro, sobre o qual não se reflete senão alguma nuvem cheia de flocos, velejando por um céu muito limpo e a sombra fugidia de algum barco a vela. Atrás do lago de Genezaré, uma série de planícies, a perder de vista que, por uma leve névoa baixa (talvez a evaporação do orvalho pois ainda deve ser manhã em suas primeiras horas), pois as ervas da montanha têm ainda um ou outro diamante de orvalho aqui e ali, nos seus caules. Parece uma continuação do lago, mas com tintas semelhantes a uma opala com veios verdes e, mais, mais atrás há uma cadeia de montanhas, com uma costa caprichosa, que lembra um desenho de nuvens no céu sereno.

EMF 174.22 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Terminei. Agora, vou descer para o lago e vos abençôo em nome de Deus Uno e Trino. A minha paz esteja convosco.

Mas a multidão grita:

– Nós vamos contigo. Deixa-nos ir! Ninguém fala como Tu!

Põem-se a seguir a Jesus, que desce, não pelo lado por onde subiu, mas pelo lado oposto, que vai em direção de Cafarnaum. A descida é íngreme, mas feita com muito mais rapidez e logo chegam aos pés do monte, colocado acima de uma planície verde e florida.

EMF 178

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Três homens que querem seguir Jesus.

Data da visão: Domingo, 3 de junho de 1945

Calendário: Segunda-feira 21 de fevereiro 28 (8 Adar I 3788) de acordo com maria-valtorta.org ou Quarta-feira 1 de março 28 de acordo com Valtorta.fr

Localização (mapa) :Cafarnaum

Ciclo: Apostolado na Galileia

Resumo: Jesus dirige-se com dificuldade para a margem do lago de Tiberíades, porque a multidão o detém. Mas Cristo é de todos e muitos têm de o ter. Por isso, promete que voltará. Quando chega à barca de Pedro, três homens aproximam-se dele. O primeiro, porque tinha sido conquistado pelas palavras do Senhor, prometeu segui-lo. Perguntou que caminho pretendia seguir e não ficou satisfeito com a primeira resposta de Jesus, que lhe disse que ia pelo caminho do Céu. Quando pergunta em que casas vai parar, Jesus responde que o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça, e o homem compreende que a sua casa está em todo o lado. O Mestre recorda-nos então que devemos ser sacrificados, obedientes, caridosos para com todos e curar as feridas dos nossos irmãos e irmãs, sem nos afastarmos deles por estarem na lama. O seu interlocutor pede-lhe que tente seguir o seu caminho, e Jesus encoraja-o a fazê-lo.

O segundo homem é desafiado pelo Salvador. Cristo incita-o a segui-lo, mas Elias perdeu o pai, e Jesus diz-lhe para "deixar os mortos enterrarem os seus mortos". Ensina que a mutilação dos afectos pode servir para dar asas ao servo de Deus. Enquanto o homem reflecte, pede a uma criança pequena que reze em voz alta e o jovem decide-se. Jesus apoia-o nos seus esforços.

Finalmente, uma terceira criança pede-lhe que o siga depois de se despedir dos pais. Mas ainda há demasiada humanidade nele. Ele tem de arrancar as raízes ainda demasiado profundas da humanidade e, se não o conseguir, tem de as arrancar. Porque, para ser discípulo, é preciso ser totalmente livre de espírito, e Deus é exigente. Por isso, é preciso saber carregar a sua cruz e pôr a mão no arado sem olhar para trás. Jesus convida o discípulo a trabalhar sobre si mesmo antes de o seguir. Depois, o Mestre entra na barca de Pedro.

Conteúdo do capítulo: 178.1: Jesus caminha com dificuldade por entre a multidão, até à margem. 178.2: Um escriba que hesita em seguir Jesus responde: As raposas têm as suas tocas, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 178.3: Um jovem decide deixar os mortos a enterrar os mortos. 178.4: Um terceiro homem virá mais tarde: Ninguém que tenha posto a mão no arado pode olhar para trás, para o que deixou.

Edição anterior: Tomo 3, capítulo 38

EMF 179.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Diz-me Jesus, mostrando-me a correnteza do Jordão, ou melhor, a entrada do Jordão no lago de Tiberíades, no ponto em que se estende a cidade de Betsaida sobre à beira direita do rio para quem olha para o norte:

– Agora a cidade não parece mais estar a beira do lago, mas um pouco adentro, no interior. Isso desorienta os estudiosos. A explicação deve procurar-se no assoreamento do lago por este lado, devido ao humus e aos desmoronamentos depositados pelo rio durante vinte séculos e os aluviões que desceram das colinas de Betsaida. Antes, a cidade era justamente na desembocadura do rio no lago, e até as barcas mais pequenas, nas estações das águas abundantes, iam rio acima por um bom trecho, quase até a altura de Corozaim, e o rio propriamente dito servia de porto e de abrigo em ambas as margens para as barcas de Betsaida, nos dias em que havia alguma tempestade no lago. Isto não é para ti, a quem pouco importa, mas para os doutores difíceis. Agora, adiante!

EMF 179.7-8.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois, virando-se para Pedro, diz:

– Vamos subir o rio até onde puderes, e depois atraca do outro lado. (...)

O arrastar-se da barca sobre a areia faz que aquele discurso seja interrompido, possibilitando a descida a terra. Aqui não se vêem mais as colinas baixas de Betsaida, que quase mergulham o focinho no lago, mas vê-se uma planície cheia de messes que se estende desta margem oposta à Betsaida, para a direção norte.

– Estamos indo a Meron? –pergunta Pedro.

– Não. Vamos tomar o caminho dos campos.

Os campos, muito bonitos e bem conservados, mostram espigas ainda verdes, mas já bem formadas. Todas estão à mesma altura e com o leve ondular que lhes imprime o vento fresco, que vem do norte, parecem formar um outro pequeno lago, ao qual servem de velas as árvores, que se erguem aqui e ali, cheias de passarinhos que chilreiam.

– Estes campos não são como os da parábola –observa o primo Tiago.

– É verdade. Não são. Os passarinhos não os devastaram, neles não há espinheiros nem pedras. Que belo trigal! Dentro de um mês estará maduro… e dentro de dois, estará pronto para a foice e o celeiro –diz Judas Iscariotes.

– Mestre, eu quero que Te lembres do que disseste em minha casa. Tu falaste tão bem! Mas eu estou começando a ter em minha cabeça umas nuvens confusas como as lá de cima… –diz Pedro.

– Esta tarde te explicarei.

179.8 Agora, já estamos vendo Corozaim. Jesus olha fixamente para o novo discípulo, dizendo:

– A quem dá será dado. O fato de receber não tira o mérito do doador. Leva-me ao vosso sepulcro e à casa de tua mãe.

O jovem se ajoelha, beijando, entre lágrimas, as mãos de Jesus.

– Levanta-te. Vamos. O meu espírito ouviu o teu pranto. Quero fortificar-te no heroísmo com o meu amor.

– Isaac, o Adulto, me havia falado quanto Tu eras bom. Isaac, sabes? Aquele cuja filha Tu curaste. Ele foi o meu apóstolo. Mas estou vendo que a tua bondade é ainda maior do que tudo o que me disseram.

– Nós vamos também saudar o Adulto para agradecer-lhe por me haver dado um discípulo.

Chegaram a Corozaim, e é justamente a casa de Isaac a primeira que se encontra.

(...) Param primeiro junto ao sepulcro fechado, e rezam. Depois, através de um vinhedo ainda com a metade para ser vindimada, vão até a casa de Elias.

(...) Voltam ao caminho, e o retornam atéao rio, e daí até Betsaida.

Detalhe

Jesus acaba de pregar em Betsaida. Está no lago, com o jovem discípulo que não foi ao funeral do pai, e fala a Simão de Jonas.

Anotação

"Sobe o mais alto que puderes e amarra o barco do outro lado". A primeira ponte romana conhecida neste troço do Jordão situa-se 11/12 km mais a norte(Ponte das Filhas de Jacob). Esta ponte foi destruída em 1918.

As colinas baixas de Betsaida, que, por assim dizer, se afundam no lago, já não são visíveis aqui, mas uma planície com ricas colheitas estende-se ao longo desta margem oposta a Betsaida, em direção ao norte. Correto: A planície a noroeste de Betsaida tem cerca de 500 m de largura e 1 ou 2 km de comprimento, subindo depois continuamente para oeste.

"Vamos para Merom ? Vamos por este caminho através dos campos. Merom fica a cerca de 17 quilómetros, a noroeste, uma caminhada de quatro horas... Chorazim fica a apenas 4 quilómetros, seguindo em linha reta para oeste, a partir de Betsaida. Sempre que possível, Jesus toma naturalmente o caminho mais curto.

Os campos eram bonitos e bem cuidados, e as espigas ainda estavam tenras, mas já formadas. Isto é coerente: 15 dias mais tarde, Maria Valtorta observa que estão "bem formadas"(EMV 190.1).

Belo trigo! Daqui a um mês, já estará louro... e daqui a dois meses, estará pronto para ser ceifado e armazenado. Correto: a colheita tem lugar no final de abril, início de maio (segundo a cronologia de Jean-François Lavère, estamos no final de fevereiro e início de março). Daqui a dois meses, é o episódio das espigas roubadas no sábado(EMV 217.3).

Chegámos agora à vista de Chorazeïn. Exatamente: Vindo do norte de Betsaida, só no último momento, depois de contornar a colina, é que se avista Chorazen, na encosta sul.

- Mestre... Vou recordar-lhe o que disse em minha casa. Falou tão bem! Mas começo a ter nuvens na minha cabeça tão confusas como as que estão lá em cima. Jesus recomendou aos apóstolos que o interrogassem sobre a sua Palavra, para que ele lha explicasse, em EMV 179.3.

Quando chegaram a Chorazeïn, a casa de Isaac foi a primeira que viram. Era Isaac, o Adulto, um ancião de Chorazeïn, cuja filha Jesus tinha curado.

Regressam ao caminho que tomaram para ir ao rio e, daí, a Betsaida. Coerência: no capítulo seguinte, descobre-se que passam a noite em Betsaida. Só demoram 2h30 / 3h00 a fazer esta viagem de ida e volta durante a tarde.

EMF 181.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Uma alvorada clara transforma o lago em uma grande pérola e recobre as colinas com uma névoa branca e leve como um véu de musselina, através do qual podem se ver, revestidas de um certo ar de nobreza, as oliveiras, as nogueiras, as casas e o cimo dos lugarejos, que ficam à beira do lago. As barcas deslizam serenas e silenciosas para Cafarnaum. Mas, num certo momento, Pedro vira a barra do timão de um modo tão rude, que a barca se inclina para um lado.

– Que é que estás fazendo? –pergunta-lhe André.

– Estou vendo a barca de um solitário. Está saindo agora de Cafarnaum. Eu tenho bons olhos e, desde ontem à tarde, estou farejando como um sabujo. Não quero que nos vejam. Vou voltar para o rio. Vamos a pé.

A outra barca também acompanhou a manobra, mas Tiago, que está ao timão, pergunta a Pedro:

– Por que estás fazendo isso?

– Eu te direi. Vem comigo.

Jesus, que está sentado na popa, só percebe a mudança, quando já estão perto do Jordão.

– Mas, que é que estás fazendo, Simão? –pergunta Ele.

– Vamos descer aqui. Há um chacal rondando por aí. Hoje não se pode ir a Cafarnaum.

Detalhe

É o dia seguinte à prisão de João Batista e os apóstolos desconfiam de toda a gente.

Anotação

- Estou a ver o barco de uma coruja! Esta alcunha na boca de Pedro foi inspirada na coruja da Palestina, também conhecida como coruja-do-deserto (Bubo ascalaphus). Vive em grande número nas ruínas e nos lugares desolados, que se prestam ao seu grito de lamento(fonte).

Há um chacal à vista. O chacal (schoual) é por vezes chamado raposa no Antigo Testamento. De facto, assemelham-se fisicamente.

EMF 182.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Disseste que vamos tirar os corações de um outro ardor… Aonde é que vamos? –pergunta Iscariotes.

– Por enquanto, vamos até aquele ponto sombreado, por onde passa aquele rio. Aí tomaremos a refeição. E depois ficareis sabendo aonde vamos.

Jesus diz:

– Inserireis aqui o segundo momento da conversão de Maria Madalena, que aconteceu no ano passado, aos 12 de agosto de 1944 (B964) (título: Pedro, não a insultes. Reza pelos pecadores).