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Notas do tema

Interações com a Virgem Maria

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EMF 7.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Queria também ser pecadora, muito pecadora, se eu não temesse ofender ao Senhor… Diz-me, mamãe: pode-se ser pecadora por amor de Deus?

– Mas, que é isso que estás dizendo, meu tesouro? Eu não te estou compreendendo.

– Eu quero dizer: pecar, para poder ser amada por Deus, que se torna nosso Salvador. Salva-se quem se perdeu. Não é verdade? Eu quereria ser salva pelo Salvador, para ter o seu olhar de amor. Por isso, queria pecar, mas não fazer pecado que desgoste a ele. Como é que ele pode salvar-me, se eu não me perco?

Ana fica atordoada. Não sabe mais o que dizer.

Mas o socorro vem de Joaquim, que acabou de chegar, caminhando sobre a grama. Por trás da sebe de arbustos baixos, ele tinha se aproximado, sem fazer barulho.

– Ele te salvou antes, porque sabe que tu o amas, e queres amar somente a Ele. Por isso tu já estás redimida, e podes ser virgem como quiseres –diz Joaquim.

– É verdade, meu pai?

Maria se abraça aos joelhos do pai e olha para ele com as claras estrelas, que são os seus olhos, semelhantes aos do pai, e tão felizes por esta esperança que ele lhe está dando.

– É verdade, pequeno amor. Olha. Eu vinha te trazendo este passarinho, que tinha acabado de dar o seu primeiro vôo perto da fonte. Eu teria podido abandoná-lo, mas suas asas e suas perninhas, ainda fracas, não tinham forças para levantá-lo e sustentá-lo em um novo vôo, nem para conservá-lo firme sobre as pedras cobertas de musgo escorregadio. Ele teria caído n’água. Mas eu não fiquei esperando que isso acontecesse. Peguei-o, e o trouxe para ti. Com ele farás o que quiseres. O fato é que ele foi salvo, antes de cair no perigo. Pois foi isso mesmo que Deus fez contigo. Agora, diz-me, Maria: achas que eu amei mais ao pássaro, salvando-o, antes dele cair no perigo, ou eu o teria amado mais, se o salvasse depois?

– Assim é que o amaste mais, pois não deixaste que ele se machucasse, caindo na água gelada.

– Deus te amou mais, porque te salvou, antes que tivesses pecado.

– Então, eu também o amarei inteiramente. De todo o coração. Passarinho lindo, eu sou como tu. O Senhor nos amou de modo igual, dando-nos a salvação. Agora eu vou te criar, e depois te deixarei ir embora. E tu cantarás no bosque, e eu no Templo os louvores de Deus, e nós diremos: “Envia, envia o teu Prometido aos que o estão esperando.”

Detalhe

Maria, quando criança, decidiu ser virgem por amor a Deus e espera ser a serva da Mãe de Deus. Depois acrescenta:

Anotação

Pode-se ser pecador por amor a Deus? (...) Como pode ele salvar-me se eu não me perder?

Esta relação paradoxal entre o pecado e o amor agradecido ao Redentor encontra-se no Exultet pascal: Bendito o pecado do homem, que trouxe ao mundo angustiado o único Salvador!

São Paulo também cultiva este paradoxo por amor aos seus irmãos: Eu próprio gostaria de ser anátema para os judeus, meus irmãos de raça, separados de Cristo (Rm 9,3).

EMF 19.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Fecham a porta da casa e põem-se a caminho. O dia já está perto de raiar, pois estou vendo a aurora cor-de-rosa, mas só do lado do Oriente. Nazaré ainda está dormindo. Os dois viajantes madrugadores encontram apenas um pastor, que toca para a frente as suas ovelhinhas; elas vão trotando e esbarrando umas nas outras, aqui e ali, encaixadas umas entre as outras, como se fossem cunhas, berrando sem parar. Os cordeirinhos também berram, e mais do que as ovelhas, com sua voz aguda e débil. Mesmo precisando ir para a frente, o que eles mais gostariam de fazer seria procurar as tetas da mãe. Mas as mães se apressam para chegar às pastagens, e os convidam, com seu balido mais forte, a trotar com elas.

Maria fica olhando, e sorri. Ela parou para deixar passar a manada, e se inclina sobre sua sela para acariciar os mansos animaizinhos, que vão passando rentes ao burrinho. Quando o pastor chega perto, levando nos braços um cordeirinho que acabou de nascer, pára perto de Maria para saudá-la; ela sorri, acariciando o focinho rosado do cordeirinho, que berra sem consolo, e lhe diz: “Está procurando a mamãe. Aqui está a mamãe. Ela não te deixa, não, pequenino”. De fato, a ovelha mãe vai roçar-se no pastor, e se levanta para lamber o focinho do seu filhote.

A manada vai passando e fazendo barulho como o da chuva sobre as copas das árvores, deixando atrás de si a poeira levantada pelos casquinhos, que sobem e descem, deixando as marcas de suas pegadas no chão da estrada.

EMF 22.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria a acaricia e conforta, e a convida, para distraí-la, a sair um pouco pelo jardim ensolarado.

Caminham debaixo de uma parreira bem cuidada, e chegam até uma torrinha de construção rústica, em cujos buracos os pombos fazem ninhos.

Maria joga comida para os pombos, e ri, porque eles se precipitam sobre ela, com um contínuo arrulhar, em revoadas, formando círculos iridescentes ao redor dela. Sobre sua cabeça, sobre os ombros, sobre os braços e as mãos, eles vêm pousar, espichando os pecoços para, com seus bicos rosados, catar os grãozinhos nas palmas das mãos, bicando de um modo gracioso os lábios rosados da virgem, e seus dentes que brilham ao sol. Maria vai tirando de um saquinho alguns dourados grãos de trigo, e os joga, e fica sorrindo, ao ver aquele torneio, do qual participam os mais vorazes.

– Como eles gostam de ti –diz Isabel–. Há poucos dias que estás conosco e eles gostam de ti tanto quanto gostam de mim, que sempre tratei deles.

O passeio prossegue, até chegarem a um recinto fechado, onde estão umas cabras com seus cabritinhos.

– Voltaste do pasto? –pergunta Maria a um pequeno pastor que ela acaricia.

– Sim, porque meu pai me disse: “Vai para casa, porque daqui a pouco vai chover, e temos umas ovelhas que estão para dar cria. Providencia que elas tenham erva enxuta e que a cama dos animais esteja preparada.” Ele lá vem vindo.

E acena, mostrando para o outro lado do bosque, de onde está vindo um balido continuado e trêmulo.

Maria está acariciando um cabritinho loiro como uma criança, que se roça contra ela, e, junto com Isabel, bebe leite tirado na hora e que o pastorzinho lhes oferece.

Chegam as ovelhas, guiadas por um pastor cabeludo como um urso. Mas deve ser um bom homem, pois vai levando sobre os ombros uma ovelha que se lamenta. Ele a põe no chão, devagar, e explica:

– Está para ter o cordeirinho. Já não podia mais caminhar, de tão cansada. Eu a coloquei sobre os ombros. Tive que dar uma boa car­reira para chegar a tempo.

A ovelha, mancando por causa das dores, é conduzida até o redil pelo menino.

Maria sentou-se sobre uma pedra, e está brincando com os cabritinhos e os cordeiros, oferecendo-lhes folhas de trevo, que ela coloca diante de seus focinhos rosados. Um cabritinho branco e preto põe-lhe a patinha sobre os ombros, e lhe cheira os cabelos.

– Não é pão –diz Maria rindo–. Mas amanhã te trarei uma crosta de pão. Fica bonzinho, por enquanto.

Também Isabel ri, agora mais tranqüilizada.

Detalhe

Elisabeth não se sente bem devido à sua maternidade tardia. Para a distrair, Marie sugere-lhe que saia um pouco.

EMF 23.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu sou a eterna portadora de Jesus. Ele está no meu ventre, conforme tu viste no ano passado, que Ele é como uma Hóstia consagrada no ostensório. Quem vem a mim, O encontra. Quem em mim se apoia, põe-se em contato com Ele. Quem se dirige a mim, fala com Ele. Eu sou a sua veste. Ele é a minha alma. Agora Ele está mais unido a mim, do que nos nove meses em que crescia no meu ventre. O meu Filho está unido à sua mãe. Acalmam-se todas as dores, florescem todas as esperanças, fluem todas as graças de quem vem a mim, e pousa sua cabeça sobre o meu ventre.

EMF 44.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo o interior da casa de Nazaré. Nela vejo uma sala, parece uma sala de família, onde a Família faz suas refeições, ficando também nas horas de descanso. É uma salinha muito pequena, com uma simples mesa retangular que está em frente de uma espécie de arquibanco, encostado à parede. Ele serve de assento para um dos lados da mesa. Junto às outras paredes estão um tear e um banco, dois outros bancos e uma estante sobre a qual estão algumas candeias e outros objetos. Uma porta abre-se para a horta-pomar. Deve estar anoitecendo, porque não tem nada senão uma lembrança de sol sobre a copa de uma árvore, que começa a verdejar com suas primeiras folhas.

Jesus está à mesa. Ele está comendo, Maria o serve, indo e vindo, por uma portinha, a qual suponho que conduz ao lugar onde está a lareira, da qual se vê o clarão, através da porta entreaberta.

Jesus diz duas ou três vezes a Maria que se assente… e coma também. Mas ela não quer, sacode a cabeça, sorrindo tristemente, e, depois das verduras cozidas, que me parece estar em lugar da sopa, leva para a mesa peixes assados, um queijo fresco, feito de leite de ovelha e em forma de pequenas bolas parecidas com uma daquelas pedras que se encontram no fundo dos córregos, e azeitonas pequenas e escuras. O pão, feito em pequenas formas redondas (da largura de um prato comum) e de pouca altura, já está sobre a mesa. É um tanto escuro, que não deve ter sido feito sem o farelo. Jesus tem diante de Si uma ânfora com água e uma taça. Come em silêncio, olhando para a mãe com um doloroso amor.

É visível o sofrimento de Maria. Ela vai e vem, para mostrar compostura. Ainda há luz suficiente, mas ela acende uma candeia, e a coloca perto de Jesus. Ao esticar o braço para isso, acaricia a cabeça de seu Filho furtivamente, torna a abrir um alforje, que me parece feito com aqueles tecidos feitos à mão, com lã virgem sendo, por isso, impermeável, da cor de avelã. Ela procura dentro alguma coisa, sai para o pequeno pomar e vai até lá no fundo, em uma espécie de esconderijo, saindo com umas maçãs um pouco murchas, que certamente se conservaram desde o verão, colocando-as no alforje. Depois pega um pão e um queijo e os põe junto, por mais que Jesus não queira, dizendo que o que está lá dentro já basta.

Maria se aproxima da mesa novamente, do lado da passagem mais estreita, à esquerda de Jesus, e fica olhando-O comer. Ela olha para Ele com angústia, com adoração, com o rosto ainda mais pálido que de costume, que o sofrimento faz parecer envelhecido, com os olhos maiores, marcados com uma sombra, indício de lágrimas já derramadas. Parecem também mais claros que de costume, como se tivessem sido lavados pelo pranto presente neles, pronto para cair. São dois olhos cheios de dor e de cansaço.

44.2 Jesus, que come devagar e claramente contra a vontade, somente para contentar a mãe, está mais pensativo do que habitualmente, levanta a cabeça e a olha. Encontra um olhar cheio de lágrimas, inclinando então a cabeça para deixá-la mais à vontade, limitando-se a segurá-la pela delicada mão que ela está apoiando à beira da mesa. Jesus a pega com sua esquerda e a leva até à sua própria face, e a apóia nela, por um momento, para sentir a carícia daquela pobre mãozinha que está tremendo, depois a beija no dorso com muito amor e respeito.

Vejo Maria levar à boca sua mão livre, a esquerda, como para sufocar um soluço. Em seguida, ela enxuga com os dedos uma grande lágrima que lhe escapou dos cílios, banhando-lhe a face.

Jesus continua a comer, e Maria sai rapidamente para o pequeno pomar, onde a luz já é bem pouca, e desaparece. Jesus apóia o cotovelo esquerdo sobre a mesa, e sobre a mão apóia a fronte mergulhando-se em seus pensamentos, parando de comer.

Depois parece procurar escutar algo, e se levanta. Sai também Ele para o pomar, e, ao dar uma olhada ao redor, dirige-se à direita, em relação ao lado da casa, entrando, pela abertura de uma parede rochosa, em um quarto que eu reconheço ser a oficina do carpinteiro, que desta vez está toda em ordem, sem tábuas nem maravalhas, e sem o fogo aceso. Ali estão o banco grande e os utensílios, tudo em seus lugares, só isso.

Curvada sobre o banco, Maria está chorando. Parece uma menina. Está com a cabeça sobre o braço esquerdo dobrado, e chora sem fazer barulho, mas com grande dor. Jesus entra devagar, e se aproxima dela, tão levemente, que ela só percebe que Ele está ali, quando o Filho lhe pousa a mão sobre a cabeça inclinada, chamando-a: “Mãe!”, com uma voz de amorosa censura.

Maria levanta a cabeça, olha para Jesus, através de um véu de lágrimas, e se apóia Nele com as duas mãos unidas, segurando-o pelo braço direito. Jesus lhe enxuga o rosto com a beira de sua larga manga, e, depois a abraça, atraindo-a sobre o seu coração e beijando-a na fronte. Jesus está majestoso, parece mais viril que de costume, e Maria parece mais menina, exceto no rosto, que está marcado pela dor.

– Vem, mãe –lhe diz Jesus, e, segurando-a apertada contra Si pelo braço direito, dirige-se para o pomar, onde se assenta em um banco à frente da parede da casa. O pomar está silencioso, e enfim escuro. Vê-se apenas um belo luar e a luz que vem da sala de jantar. A noite está serena.

44.3 Jesus fala a Maria. A princípio, não entendo as palavras, apenas murmuradas, às quais Maria, com a cabeça, assente. Depois, eu ouço:

– Faz que venham os parentes. Não fiques sozinha. Eu ficarei mais tranqüilo, mãe, e tu sabes que preciso estar tranqüilo para cumprir a minha missão. O meu amor não te faltará. Eu virei freqüentemente, e mandarei avisar-te, quando estiver na Galiléia, não podendo vir até em casa. Nesse caso, tu irás a Mim. Mãe, esta hora tinha que chegar. Ela começou aqui, quando o Anjo te apareceu; agora ela chegou, nós devemos vivê-la, não é verdade, mãe? Depois virá a paz, da provação superada, e a alegria. Primeiro, precisamos atravessar este deserto como os antigos Pais fizeram para entrarem na Terra Prometida. Mas o Senhor Deus nos ajudará, como ajudou a eles. E nos dará a sua ajuda como um maná espiritual para nutrir o nosso espírito no esforço da prova. Vamos dizer juntos o Pai-nosso…

Jesus se levanta, e Maria com Ele, erguendo os rostos ao céu. Duas hóstias vivas, que brilham na escuridão.

Jesus diz lentamente, mas com voz clara, e destacando as pala­vras, a oração dominical. Destaca de modo especial as palavras destas frases: “Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade”, separando bem estas duas frases das outras. Ele reza com os braços abertos, não propriamente em cruz, mas como fazem os sacerdotes, quando se dirigem ao povo, dizendo: “O Senhor esteja convosco!” Maria conserva suas mão unidas.

44.4 Depois, voltam para a casa, e Jesus, que eu nunca vi beber vinho, despeja em uma taça, de uma ânfora apanhada na estante, um pouco de vinho branco e o leva para a mesa, pega Maria pela mão, e faz que ela se assente perto Dele e beba daquele vinho, no qual molha uma pequena fatia de pão, fazendo, depois, que ela o coma. A insistência dele é tanta, que Maria cede. Jesus bebe o que resta do vinho. Depois disso, aperta a mãe ao seu lado, e a segura assim junto ao seu corpo, pela parte do coração. Nem Jesus, nem Maria estão deitados, mas sentados, como nós nos sentamos. Não estão falando mais. Estão esperando. Maria acaricia a mão direita de Jesus e seus joelhos. Jesus faz uma carícia ao braço e à cabeça de Maria.

44.5 Em seguida, Jesus se levanta, e Maria também, e se abraçam e se beijam amorosamente muitas vezes. Parece que querem se deixar, mas Maria torna a apertar contra si o seu Filho. É a Virgem Santa, mas é uma mãe enfim, uma mãe que precisa separar-se do seu filho, sabendo qual vai ser o fim daquela separação. Ninguém me venha mais dizer que Maria não sofreu. Antes, acreditava pouco nisso, mas agora estou convencida.

Jesus pega o manto (azul escuro) e joga-o sobre as costas e a cabeça, como um capuz. Depois pendura à tiracolo o alforje, de modo que não lhe dificulte o andar. Maria o ajuda, parece que não vai terminar nunca de ajustar-lhe a roupa, o manto e o capuz. E, enquanto assim faz, ela ainda o acaricia.

Jesus vai até à saída, depois de ter traçado um gesto de bênção sobre a sala. Maria o acompanha e, à porta, que já está aberta, eles se beijam de novo.

44.6 A rua está silenciosa e solitária, toda branca ao luar. Jesus vai caminhando. Vira-se ainda duas vezes para olhar a mãe, que ficou apoiada ao umbral da porta, mais branca do que a lua, e soltando lágrimas que brilham em um pranto silencioso. Jesus vai ficando cada vez mais longe, indo pela ruazinha branca. Maria continua chorando junto à porta. Depois, Jesus desaparece numa das curvas do caminho.

Começou o seu caminho de Evangelizador, que terminará no Gólgota. Maria entra chorando, e fecha a porta. Também para ela começou o caminho que a levará ao Gólgota. Tudo por nós…

Detalhe

Jesus deixa Nazaré para iniciar a sua vida pública.

EMF 49.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Tens sobrinhos, Mestre?

– Eu só tenho minha mãe… Mas nela está a pureza, a sinceridade, o amor dos pequeninos mais santos, junto à sabedoria, justiça e fortaleza dos adultos. Eu tenho tudo em minha mãe, João.

– E Tu a deixaste?

– Deus está acima até da mais santa das mães.

– Eu irei conhecê-la?

– Sim. Tu a conhecerás.

– E ela me amará?

– Sim, te amará, porque ela ama a quem ama o seu Jesus.

EMF 49.11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

49.11 É o meu predileto? Sim. Mas não tem também esta semelhança Comigo? Puro, amoroso, obediente, mas também humilde. Eu me espelhava nele, via nele as minhas virtudes. Eu o amava por isso, como um segundo Eu. Via sobre ele o olhar do Pai que o reconhecia como um pequeno Cristo. E minha mãe me dizia: “Nele sinto ter um segundo filho. Parece-me estar vendo a Ti, reproduzido em um homem.”

Oh! a cheia de sabedoria como te conheceu, ó meu dileto! Os céus azuis de vossos corações de pureza se fundiram em um único velário para me dar proteção de amor, e tornarem-se assim um só amor, antes ainda que Eu desse minha mãe a João, e João à minha mãe. Eles se amaram, porque se reconheceram semelhantes: filhos­ e irmãos do Pai e do Filho.

EMF 51.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Eu vos digo que acima da terra está o céu, acima dos interesses do mundo está a causa de Deus. Precisais mudar vosso modo de pensar. Quando souberdes fazer isso, sereis perfeitos.

– Mas… e tua mãe?

– Judas, ninguém melhor do que ela teria o direito de me chamar de volta aos meus deveres de Filho, segundo a luz da terra, ou seja, ao meu dever de trabalhar para ela, a fim de atender às suas necessidades materiais, ao meu dever de assistência e conforto, ficando sempre perto da mãe. Mas ela não me pede nada disso. Desde que me teve, ela sabia que teria que me perder, para depois encontrar-me de novo, e de um modo muito mais amplo do que o do pequeno círculo da família. Desde então, ela vem-se preparando para isso. Esta vontade absoluta de se doar a Deus não é novidade no seu sangue. Sua mãe a ofereceu ao Templo, antes que ela sorrisse à luz. Ela se doou a Deus, e me contou isso inúmeras vezes quando, tinha-me junto ao seu coração, nas longas tardes de inverno, ou nas claras noites de verão cheias de estrelas, falando-me da sua infância santa, desde as primeiras luzes da sua aurora no mundo. Doou-se a Deus ainda mais, quando me teve, para que eu estivesse aqui a caminho da missão que me vem de Deus. Em uma certa hora, todos me deixarão; talvez por poucos minutos, mas a covardia se apoderará de todos, e pensareis que teria sido me­lhor­ para vossa segurança, se nunca me tivésseis conhecido. Mas ela, que compreendeu e que sabe, Ela estará sempre comigo. Vós tornareis a ser meus por meio dela. Com a força de sua segura e amorosa fé, ela vos atrairá a si, e depois vos tornará a atrair para Mim, porque Eu estou na mãe, e ela está em Mim, e Nós em Deus. Isto Eu queria que compreendêsseis, todos vós, parentes segundo o mundo, amigos e filhos segundo o sobrenatural. Tu e os outros, não sabeis quem é minha mãe. Mas, se o soubésseis, não a criticaríeis em vosso coração por não saber ter-me subjugado a ela, mas a veneraríeis como a amiga mais íntima de Deus, a poderosa que tudo pode no coração do Eterno Pai, e sobre o Filho do seu coração. Certamente Eu irei a Caná. Quero fazê-la feliz. Compreendereis melhor depois desta hora.

EMF 52.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Vamos fazer feliz minha mãe –diz então, Jesus, sorrindo.

E se encaminha através dos campos, com os dois companheiros, em direção da casa. Esqueci de dizer que tenho a impressão de que Maria seja parente ou muito amiga dos parentes do noivo, pois pode-se ver que está em confidência com eles.

Quando Jesus chega, conforme o costume, o que está de sentinela avisa aos outros. O dono da casa, acompanhado por seu filho, que é o noivo, e por Maria, desce ao encontro de Jesus e o saúda respeitosamente. Saúda também os outros dois; o noivo faz o mesmo.

Mas o que me agrada é a saudação cheia de amor e de respeito de Maria ao seu Filho, e vice-versa. Não são grandes expansões, mas é um olhar especial que acompanha as palavras de saudação: “A paz esteja contigo”, e um sorriso tal, que vale por cem abraços e cem beijos. O beijo treme nos lábios de Maria, mas não chega a ser dado. Ela somente põe a sua mão branca e pequena sobre o ombro de Jesus e toca de leve num caracol de sua longa cabeleira. É uma carícia de namorada cheia de pudor.

Detalhe

Maria e Jesus encontram-se na festa de casamento em Caná. Maria escreve:

EMF 52.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me explica o significado da frase.

– Aquele “ainda”, que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão eu não era mais o Filho sujeito à mãe, mas o Servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de “mamãe” Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

“Que é que ainda há entre Mim e ti?” Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me davas ordens, Eu obedecia. Eu te estava “sujeito”. Agora Eu sou da minha missão.

Será que Eu não disse[3] isto? “Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus.” Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a Palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com o meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

Aquele “ainda”, geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: “Tudo tens sido para Mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu Pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante Tu também, no Céu. Mas agora Eu sou de todos os homens. E sou do Pai que a eles me enviou.”

Eis o que quer dizer aquele “ainda”, pequeno e tão denso de significado.

Detalhe

Objeção levantada: O "daqui em diante" não se encontra no Evangelho.

Notas da segunda edição sobre a passagem *Este doravante que muitos tradutores deixam passar em silêncio: ao traduzir as palavras que se lêem em Jo 2,4.