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Notas do tema

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EMF 199.4-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E agora vamos àqueles infelizes! –diz Jesus e, virando as costas para a cidade, se dirige para um lugar desolado, situado nas encostas de uma colina rochosa, que fica entre as duas estradas, que vão de Jericó para Jerusalém.

É um lugar estranho, parecendo-se mais com um conjunto de escadarias, depois da primeira subida, acima da qual se chega a um caminho, de tal modo que o primeiro lance fica a pique, pelo menos uns três metros acima do caminho, e igualmente o segundo. Tudo aqui é aridez e morte… Uma grande tristeza.

– Mestre –grita Simão Zelotes–, eu estou aqui. Para aí, que eu vou te ensinar o caminho…

E Zelotes, que tinha se encostado à rocha, procurando um pouco de sombra, vai para a frente, e conduz Jesus por um caminho em degraus, que vão no rumo do Getsêmani, mas apartado dele pela estrada que, do Monte das Oliveiras vai para Betânia[1].

– Já chegamos. Entre os sepulcros de Siloan eu vivi, e aqui estão os meus amigos. Só uma parte deles. Os outros estão em Ben Hinon mas não podem vir… Teriam que atravessar a estrada, e seriam vistos.

– Nés iremos a eles também.

– Obrigado! Por eles e por mim.

– Eles são muitos?

– O inverno matou a maior parte. Mas aqui ainda há cinco daqueles aos quais eu havia falado. Eles estão te esperando. Lá estão eles, ao lado da sua prisão…

Devem ser uns dez monstros. Digo “devem ser”, porque se cinco são bem visíveis de pé, os outros, ou pela cor cinzenta da pele, ou pela deformidade do rosto, ou porque assomam apenas por cima do pedregal, podem ser tão mal divisados, que tanto poderiam ser mais, como menos. Entre os que estão em pé, só há uma mulher. Quem diz isto são somente os seus cabelos já embranquecidos e descuidados, que caem, duros e sujos, pelas costas até à cintura. Mas, quanto aos outros, não se distingue sexo, porque a doença, muito adiantada, já os reduziu a esqueletos, destruindo todas as curvas femininas e, nos homens, só um ainda mostra leves traços de bigodes e barba. Os outros já foram rapados pela doença destruidora.

Eles gritam:

– Jesus, Salvador nosso, tem piedade de nós! –e estendem suas mãos deformadas ou cheias de feridas–. Jesus, Filho de Davi, tem piedade!

– Que quereis que Eu vos faça? –diz Jesus, levantando o rosto para aquelas misérias.

– Que Tu nos salves do pecado e da doença.

– Do pecado salva a vontade e o arrependimento…

– Mas se Tu queres, podes cancelar os nossos pecados. Pelo menos, cancela os nossos pecados, se não queres curar os nossos corpos.

– Se Eu vos disser: “Escolhei uma das duas coisas”, qual delas quereis?

– O perdão de Deus, Senhor. Para ficarmos menos desolados.

Jesus faz um sinal de aprovação, com um luminoso sorriso, depois levanta os braços, e grita:

– Que sejais atendidos. Assim quero.

Atendidos! Pode ser quanto ao pecado, ou quanto à doença, ou quanto às duas coisas, e os cinco infelizes ficam sem saber. Mas, quem não ficou assim foram os apóstolos, que não podem fazer outra coisa, senão gritar hosanas, ao verem a lepra ir desaparecendo rapidamente, assim como desaparece um floco de neve, quando cai no fogo. E então, os cinco compreendem que foram completamente atendidos. E seu grito ressoa como uma exclamação de vitória. Abraçam-se uns aos outros e jogam beijos a Jesus, já que ainda não podem ir precipitar-se a seus pés. E depois se dirigem aos companheiros, dizendo:

– Vós ainda não quereis crer? Mas que espécie de infelizes sois?

– Bons! Sede bons. Os pobres irmãos precisam pensar. Não lhes digais nada. A fé não se impõe, mas se prega com a paz, a doçura, a paciência, a constância. É isso que fareis, depois de vossa purificação, como Simão fez convosco. Aliás o milagre, por si só já é uma pregação.. Vós, curados, ireis quanto antes mostrar-vos ao sacerdote. Vós, doentes, aguardai-nos pela tarde. Iremos trazer-vos comida. A paz esteja convosco.

Jesus desce de novo para o caminho, acompanhado pelas bênçãos de todos.

199.5

– Agora, vamos para Ben Hinon –diz Jesus.

– Mestre… eu gostaria de ir. Mas estou vendo que não posso. Eu vou para o Getsêmani –diz Lázaro.

– Vai, vai, Lázaro. A paz esteja contigo.

Enquanto Lázaro lentamente vai se pondo a caminho, o apóstolo João diz:

– Mestre! eu vou com ele. É cansativo e o caminho não é muito bom. Depois te alcançarei em Ben Hinon.

– Então, vai. Vamos.

Passam pelo Cedron. Costeiam o lado sul do Monte Tofet e entram pelo pequeno vale coberto de sepulcros e de lixo, sem uma árvore nem um abrigo contra o sol, que neste lado sul derrama todos os seus fogos, abrasando as pedras destes degraus infernais, em cujas bases soltam fumaça incêndios fedorentos, que aumentam ainda mais o calor. Dentro desses sepulcros, parecidos com fornos crematórios, há pobres corpos que vão se consumindo… Siloan deve ser um lugar muito feio no inverno, com toda essa umidade que tem, e já quase virado para o norte. Mas aqui deve ser horrível é no verão…

Simão Zelotes, solta um grito de chamado e, primeiro três, da comitiva, depois dois, depois um e mais um, vão chegando como podem, até o limite marcado. Aqui há duas mulheres, e uma vem trazendo pela mão uma criança de aspecto horroroso, pois a lepra a atacou principalmente no rosto. Ela já está cega… Há também um homem de aspecto nobre, apesar de sua miserável condição. Ele é que toma a palavra por todos:

– Bendito seja o Messias do Senhor, que desceu até à nossa Geena, para dela tirar os que nele esperam. Salva-nos, Senhor, porque perecemos! Salva-nos, Salvador! Ó rei da estirpe de Davi, Ó Rei de Israel, tem piedade dos teus súditos. Ó rebento de Jessé, do qual foi dito que no seu tempo não haverá mais mal, estende a tua mão para recolher estes restos do teu povo. Faze desaparecer de nós esta morte, enxuga as nossas lágrimas, pois assim foi dito de Ti. Chama-nos, Senhor, às tuas pastagens excelentes, para as tuas águas doces, pois nós estamos cheios de sede. Leva-nos para as colinas eternas, onde não há mais culpa nem dor. Tem piedade, Senhor…

– Quem és tu?

– Sou João, um do Templo. Fui contaminado, talvez por um leproso. Como vês, faz pouco tempo que a doença me pegou. Mas estes aí!… Alguns estão há anos esperando a morte e esta menininha está desde quando ainda não sabia andar. Ela nem sabe que é uma criação de Deus. Tudo o que ela conhece, tudo de que ela se lembra, entre as maravilhas de Deus, são estes sepulcros, este sol desapiedado e as estrelas da noite. Piedade para os culpados e para os inocentes, Senhor, nosso Salvador.

E todos se ajoelharam, estendendo as mãos.

Jesus chora ao ver tanta miséria, depois abre os braços, e grita:

– Pai, Eu quero: saúde, vida, vista e santidade para eles.

Fica ainda rezando intensamente, de braços abertos, com todo o seu espírito. Ele parece adelgaçar-se e elevar-se na oração, como uma chama branca de amor, branca e poderosa, por entre os poderosos raios de ouro que o sol emite.

– Mamãe, eu estou vendo!

É o primeiro grito, e a este correspondem os da mãe, que aperta contra o coração a menina curada, depois os gritos dos outros e dos apóstolos… O milagre foi feito.

– João, tu, sacerdote, guiarás os companheiros no rito. A paz esteja convosco. A vós também traremos alimentos, lá pela tarde.

Abençoa, e faz como quem vai tomar o caminho de volta.

Mas o leproso João lhe grita:

– Sobre os teus passos eu quero ir. Dize-me o que devo fazer e onde ir pregar sobre Ti!

– Nesta terra desolada e nua, que precisa converter-se ao Senhor. Que a cidade de Jerusalém seja o teu campo. Adeus.

Detalhe

Simão, o Zelota, pediu a Jesus que fosse ao Vale da Morte, onde havia leprosos.

Anotação

E Simão, que se tinha encostado à rocha para ter um pouco de sombra, avança e conduz Jesus por um caminho em degraus que leva ao Getsémani, mas que está separado dele pela estrada que vai do Monte das Oliveiras para Betânia. Segue-se o desenho de Maria Valtorta, que reproduzimos aqui. Colocou no centro a "pequena montanha", no cimo da qual escreveu três vezes "leproso". A norte está o "Getsémani", a partir do qual escreveu "O caminho mais curto para Betânia e Jericó". Do outro lado, escreveu a lápis: "O Monte das Oliveiras é aqui". A oeste, fez correr o "Cedron", para além do qual traçou "O caminho mais longo para Betânia e Jericó".

O mesmo acontece com os homens, dos quais apenas um tem um resto de bigode e barba. Os outros foram rapados por esta doença destruidora. Zacarias, o leproso. Cf. EMV 417.2.

EMF 199.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Do pecado salva a vontade e o arrependimento…

EMF 199.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E agora vamos à mãe –diz depois aos apóstolos.

– Mas, onde está ela? –perguntam muitos.

– Em uma casa que João sabe. Na casa da menina que foi curada[2] no ano passado.

Entram na cidade, percorrem boa parte do populoso bairro de Ofel e vão até uma casinha branca. Jesus entra, com sua doce saudação, na casa, cuja porta está semi-aberta e de lá sai a voz suave de Maria, a voz argêntea de Anália e a voz grossa da mãe dela. A menina prostra-se adorando, a mãe ajoelha-se. Maria se levanta.

Gostariam de deter lá o Mestre com sua mãe. Mas Jesus, prometendo voltar em outro dia, abençoa e se despede.

Anotação

Na jovem curada no ano passado. Cf.EMV 85 eEMV 86.4/5, a cura de Annalia.

EMF 199.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Pedro vai indo com Maria, todo feliz. Os dois estão segurando o menino pela mão, e parecem uma pequena família feliz. Muitos se viram e olham para eles. Jesus observa como eles vão andando, e sorri.

– Simão está feliz –exclama Zelotes.

– Por que estás sorrindo, Mestre? –pergunta Tiago de Zebedeu.

– Porque naquele grupo estou vendo uma grande promessa.

– Que promessa, Irmão? Que estás vendo? –pergunta Tadeu.

– Vejo o seguinte: Que poderei ir-me embora tranquilo, quando chegar a hora. Que não preciso temer pela minha Igreja. Ela, então, ainda estará pequena, como Margziam. Mas nela estará minha mãe, segurando-a assim pela mão e a fazer para com ela as vezes da mãe, e nela estará Pedro, fazendo as vezes do Pai. Em sua mão honesta e cheia de calos, posso colocar sem preocupações, a mão da minha Igreja nascente. Ele lhe dará a força da sua proteção. E minha mãe, a força do seu amor. E a Igreja crescerá… como Margziam… Ele é verdadeiramente o menino-símbolo! Deus abençoe minha mãe, meu Pedro e o menino deles e nosso! Agora, vamos à casa de Joana…

EMF 199.7-9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

… E novamente, pela tarde, já estamos na casinha de Betânia. Muitos, cansados, já se retiraram. Mas Pedro anda para lá e para cá pelo caminho, levantando frequentemente os olhos para o terraço, onde estão sentados, conversando, Jesus e Maria. João de Endor, por sua vez, está conversando com Zelotes, estando os dois sentados debaixo de uma romãzeira toda florida.

Maria já falou muito, porque ouço Jesus dizer:

– Tudo o que me disseste é bem justo e de tudo considerarei a justiça. Também acho que é justo o teu conselho dado à Anália. Que o homem o tenha acolhido com tanta presteza é bom sinal. Na verdade, a alta Jerusalém está cheia de obtusosidade, de ódio e, Eu poderia até, dizer, de sujeira. Mas, no meio do seu povo humilde, há pérolas de um valor desconhecido. Fico alegre porque Anália está feliz. É uma criatura mais do Céu, do que da terra e talvez o homem, que agora entrou no conceito do espírito, tenha intuição disso e preste a isso um respeito quase de veneração. Seu pensamento de ir para outro lugar, a fim de não perturbar, com algum sobressalto humano, o cândido voto da menina, o está demonstrando.

– Sim, meu Filho. O homem percebe o perfume das virgens… Eu me lembro de José. Eu não sabia de que palavras devia fazer uso. Ele não conhecia o meu segredo… E, no entanto, ele me ajudou a dizê-lo, com a sua percepção de santo. Ele tinha sentido o odor da minha alma… Não vês também João?… Que paz!… E todos o procuram… O próprio Judas de Keriot, por mais que… Não, meu Filho. Judas não mudou. Eu sei e Tu sabes. Nós não falamos, porque não queremos ser nós que começamos a guerra. Mas, ainda que não falemos, nós o sabemos… e, mesmo que não falemos, os outros estão enxergando… Oh! Meu Jesus! Contaram-me os jovens hoje, em Getsêmani, o episódio de Magdala e o da manhã de sábado… A inocência fala… porque ela vê pelos olhos do seu anjo. Mas os velhos também entrevêem… Não deixam de ter razão. É um ser esquivo… Tudo nele é esquivança… e eu tenho medo dele, e tenho sobre os lábios as mesmas palavras do Benjamim de Magdala e do Margziam no Getsêmani, porque tenho pelo Judas a mesma repugnância que por ele sentem as crianças.

– Nem todos podem ser como João!

– Nem eu pretendo isso. Isso seria um paraíso na terra. Mas, estás vendo, Tu me falaste do outro João… Um homem que matou… mas que só me causa dó. Judas me dá medo.

– Ama-o, minha mãe! Ama-o por amor de Mim!

– Sim, meu Filho. Mas nem meu amor servirá. Será apenas mais um sofrimento para mim e uma culpa para ele.. Oh! Para que foi ele entrar! Perturba a todos e ofende a Pedro, que é digno de todo respeito.

199.8

– Sim. Pedro é muito bom. Por ele Eu faria qualquer coisa, pois ele o merece.

– Se ele te ouvisse, diria com aquele seu sorriso bom e sincero: “Ah! Senhor, isso não é verdade!” E teria razão.

– Por quê, mãe?

Mas Jesus está sorrindo porque já compreendeu.

– Porque Tu o não contentas, dando-lhe um filho. Ele me contou todas as suas esperanças, os seus desejos… e as tuas recusas.

– E não te disse as razões com que as justifiquei?

– Sim, ele as disse, e acrescentou: “É verdade… mas eu sou um homem, um pobre homem. Jesus teima em querer ver em mim um grande homem. Mas eu sei que não sou mais do que um ser mesquinho e, por isso… me poderia dar um menino. Eu me casei para ter um… e vou morrer sem ter.” E, mostrando o menino que, feliz pela veste para ele comprada por Pedro, o havia beijado, dizendo-lhe: “Meu pai amado”, disse-me: “Vê, quando este pequenino que, há somente dez dias, eu nem conhecia ainda, fala-me assim, eu me sinto mais maleável do que manteiga, e mais doce do que o mel, e até choro porque… cada dia que passa, ele quer me levar embora este menino…”

Maria se cala, observando Jesus, estudando-lhe o semblante, esperando uma palavra… Mas Jesus colocou o cotovelo sobre o joelho, a cabeça encostada na palma da mão e está também calado, olhando para a grande extensão verde do pomar.

Maria pega a mão dele e a acaricia, dizendo:

– Simão tem esse seu grande desejo… Enquanto eu ia andando com ele, não parou de falar-me nisso, e com razões tão justas, que… eu não pude dizer nada para fazê-lo calar-se. Eram as mesmas razões, nas quais pensamos todas nós, mulheres e mães. O menino não é robusto. Se ele tivesse sido como eras Tu… Oh! então teria podido ir ao encontro da vida, como um discípulo sem medo. Mas é tão fraquinho!… Muito inteligente, muito bom… e nada mais. Quando um pombinho é delicado, não se pode lançá-lo ao vôo logo, como se faz com os fortes. Os pastores são bons… mas são sempre homens. Os meninos precisam das mulheres. Por que não o deixas com Simão? Enquanto lhe negas um filho nascido dele, eu compreendo o motivo. Um pequenino nosso é para nós como uma âncora. E Simão, destinado a tão grande sorte, não pode ter âncoras que o detenham. Contudo, deves convir que ele deva ser o ‘pai’ de todos os filhos que Tu lhe deixarás. E, como haveria ele de ser pai, se não tiver treinado com um menino? Um pai deve ser manso. E Simão é bom, mas manso, não. Ele é impulsivo e intransigente. Não há nada como uma criaturinha, que lhe possa ensinar a arte sutil da compaixão para com quem é fraco… Pensa nesta sorte de Simão… Afinal, é o teu sucessor! Oh! tenho afinal que dizer esta palavra cruel! Mas, pela grande dor que me custa dizê-la escuta-me. Eu nunca te aconselharia uma coisa que não fosse boa. Margziam… Tu queres fazer dele um perfeito discípulo… Mas ele ainda é um menino. Tu… Terás que ir embora, antes que ele se torne um homem. A quem, então, o entregarás para completar sua formação, senão a Simão? Afinal, pobre Simão, Tu sabes quanto tem sofrido, também por causa de Ti, da parte de sua sogra Contudo ele não recuperou nem um grãozinho do seu passado, da liberdade que tinha, há um ano, para ser deixado em paz pela sogra, que nem Tu pudeste mudar. E aquela pobre criatura, que é a mulher dele? Oh! Ela tem um grande desejo de amar e de ser amada. A mãe… Oh! O marido? Um amável prepotente. Nunca um afeto que lhe seja dado sem tantas exigências… Pobre mulher!… Deixa-lhe o menino. Escuta, Filho. Por enquanto, o levamos conosco. Eu também virei para a Judeia. Tu me levarás contigo à casa de minha companheira no Templo e quase nossa parenta, porque é descendente de Davi. Ela mora em Betsur. Eu a irei ver de boa vontade, se é que ainda vive. Depois, ao voltarmos para a Galileia, o daremos à Púrpura. Quando estivermos nas vizinhanças de Betsaida, Pedro o tomará. E, quando viermos para longe, o menino ficará com ela. Ah! Mas Tu agora estás sorrindo! Então contentarás à tua mamãe. Obrigada, meu Jesus.

– Sim. Seja feito como Tu queres.

199.9

Jesus se levanta, e grita com força:

– Simão de Jonas, vem aqui.

Pedro dá um salto, e vai correndo pelos degraus.

– Que queres, Mestre?

– Vem aqui, homem usurpador e corruptor!

– Eu? Por quê? Que foi que eu fiz, Senhor?

– Tu corrompeste minha mãe. Para isso é que querias estar sozinho. Que devo te fazer?

Mas Jesus está sorrindo e Pedro fica mais tranquilo.

– Oh! –diz ele–, me fizeste ficar com medo! Mas agora estás rindo… Que queres de mim, Mestre? A vida? É só o que tenho, pois me tomaste tudo… Mas, se a queres, eu a dou.

– Eu não quero tirar-te nada. Mas quero te dar. Mas não fiques te gloriando pela vitória e não contes o segredo aos outros, ó homem matreiríssimo, que vences o Mestre com a arma da palavra materna. Tu ficarás com o menino, mas…

Jesus não fala mais, porque Pedro, que se havia ajoelhado, põe-se rapidamente de pé e beija Jesus com tanto ímpeto, que lhe embargou a palavra.

– Agradece a ela, não a Mim. Mas, lembra-te que isso te deve servir de ajuda e não de estorvo…

– Senhor, não terás que arrepender-te por este presente… Oh! Maria! Que Tu sejas sempre bendita, santa e boa…

E Pedro, que de novo caiu de joelhos, está chorando de verdade e beijando a mão de Maria.

Anotação

No que diz respeito a Annalia, penso que o seu conselho também é correto. É um bom sinal que o homem a tenha aceite tão prontamente. Samuel é o seu noivo. Annalia fez voto de virgindade, a primeira das virgens consagradas. Cf. EMV 156.3/5.

Oh, meu Jesus! Os jovens contaram-me hoje, no Getsémani, o episódio de Magdala e da manhã de sábado. Duas crianças disseram que Judas as "assustou": Benjamim de Magdala em EMV 184.7 e Marziam em EMV 196.6.

Também eu irei à Judeia. Levar-me-ás contigo a uma das minhas companheiras de Templo - quase uma parente, pois é descendente de David. Ela vive em Bet-zur. Gostaria de a voltar a ver, se ainda for viva. Ela é Elisede Betzur.

199.9 Jesus levantou-se e chamou em alta voz

"Simão, filho de Jonas, vem cá!"

Pedro fica assustado e sobe as escadas a correr:

"O que é que queres, Mestre?

- Vem cá, usurpador e corruptor!

- Eu? Porquê? O que é que eu fiz, Senhor?

- Tu corrompeste a minha Mãe. Foi por isso que quiseste ficar sozinho. Que te hei-de fazer?

Mas Jesus sorriu e Pedro ficou tranquilo.

Oh", diz ele, "pregaste-me um susto! Mas agora estás a rir... O que queres de mim, Mestre?

JESUS AGRADÁVEL: Esta passagem causou polémica entre algumas pessoas:

- Alguns não conseguiam imaginar Jesus a brincar como se faz com os melhores amigos (parecendo acusá-los da antítese do que obviamente são).

- Os outros têm uma leitura parcial que interpreta a corrupção isolada como uma prática indigna e chocante.

MARIA MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS :

Relativamente ao primeiro ponto, a anedota, é de notar que Jesus não usa a vulgaridade habitualmente associada a este tipo de anedota, mas tira dela uma lição sagrada: Maria, Medianeira de todas as graças. Ele está a "evangelizar" a nossa humanidade.

Quanto à outra, uma leitura do contexto elimina qualquer dúvida sobre a intenção de Pedro quando, vendo negado o seu desejo mais profundo, pede a ajuda e a mediação de Maria.

EMF 200

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : Aglaé e o perfume da sua alegria de ser salva.

Data da visão: Segunda-feira 25 de junho de 1945.

Calendário: Segunda-feira 27 de março 28 (14 Nisan 3788)

Local (mapa) : Betânia

Ciclo: A segunda viagem pascal

Resumo: Jesus regressa sozinho a casa de Simão, o Zelota, e está preocupado. É evidente que está à espera de alguém e Maria, sua Mãe, acaba por lhe trazer Aglaia. Ele pede à Virgem que não os incomode, e Cristo fala finalmente com a antiga pecadora. Ela ajoelha-se em adoração e chora. Revela que não ousava esperar obter o amor do Senhor depois de ter pecado tanto. O Mestre consola-a e explica-lhe que este desejo de amar vem do próprio Deus. Quando o convertido se espanta com o facto de o Altíssimo amar uma pessoa como Aglaia, Jesus responde de novo que Deus é um abismo de misericórdia incompreensível para a mente humana e confirma que ela foi perdoada.

Surge então uma pergunta legítima: o que é que ela deve fazer? Cristo diz-lhe para ir para um lugar deserto e informa-a de que nunca mais se verão na terra e que ele morrerá para obter a sua redenção. Ela, por seu lado, dedicar-se-á à penitência e virá outro apóstolo para lhe dizer tudo o que precisa de saber: não será, no entanto, André, que a levou até Jesus.

A antiga pecadora dá-lhe então as suas jóias e esvazia uma ânfora de perfume. Por fim, ela vai-se embora e Jesus abençoa-a de onde está, enquanto ela se afasta. Depois, pede à sua Mãe que lhe traga André e diz-lhe que ela está salva. O irmão de Pedro, no entanto, não deve dizer nada, e logo chegam os outros apóstolos. Perguntam quem é que respondeu ao perfume e Judas queixa-se, o que irrita Lázaro e os outros companheiros. Jesus leva então o Iscariotes embora e a visão cessa entretanto.

Conteúdo do capítulo: 200.1: Jesus parece preocupado. 200.2: Maria anuncia a chegada de Aglaia e leva-a até ele. 200.3: Jesus confirma o perdão de Deus a Aglaia. 200.4: Envia-a para o deserto, onde um dos seus apóstolos a vai visitar. 200.5: Ela esvazia uma ânfora de perfume aos seus pés. 200.6: Jesus agradece a André pelo seu trabalho apostólico com Aglaia. 200.7: Discussão sobre o perfume derramado.

Edição anterior: Volume 3, capítulo 61

EMF 200.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Está tão absorto, que nem percebe o barulho das muitas vozes e do tropel dos muitos passos pelo corredor da entrada, e depois, de dois passos mais leves de alguém que sobe pela escadinha externa e que se aproxima do salão. Só quando Maria o chama é que Ele levanta a cabeça.

– Meu Filho, chegou a Susana de Jerusalém com a família, e logo Aglaé me acompanhou. Queres atendê-la, enquanto estamos sós?

– Sim, mãe. Vou atendê-la já. E que ninguém suba, enquanto não terminar tudo. Espero ter acabado, antes da volta dos outros. Mas Eu te peço que cuides para que não haja curiosidades indiscretas… em ninguém… e especialmente em Judas de Simão.

– Estarei atenta, e cuidarei disso…

Maria sai, para voltar pouco depois, segurando Aglaé pela mão, não mais embrulhada em seu manto cinzento e com o seu véu caído para a frente, não mais com suas sandálias altas e cheias de fivelas e fitas, que ela antes usava, mas totalmente transformada como mulher hebreia, pelas sandálias planas e baixas, muito simples como as de Maria, com a veste de um azul escuro, sobre a qual está posta o manto, e com um véu branco, colocado como fazem as mulheres hebreias do povo, isto é, posto simplesmente na cabeça, com uma parte jogada para as costas, de modo que o rosto fica coberto por ele, mas não completamente. O hábito comum, como é usado por muitíssimas mulheres, e estando ela no meio de um grupo de galileus, tudo isso tornava possível que Aglaé deixasse de ser reconhecida.

Ela entra de cabeça inclinada, enrubescendo a cada passo que dá, e acho que, se Maria não a fosse puxando docemente para Jesus, ela se teria ajoelhado na soleira.

– Aqui está, meu Filho, aquela que vinha te procurando há tanto tempo. Escuta-a –diz Maria, ao chegar perto de Jesus, e depois se retira, abaixando os toldos sobre as portas escancaradas e fechando a que estava mais perto da escadinha.

Palavras-chave

EMF 200.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Este desejo dele te serve de prova de que Deus corresponde ao teu amor, de que Ele é teu amigo, que te chama e te convida, que te quer. Deus é incapaz de permanecer inerte, diante do desejo de uma criatura sua, porque aquele desejo foi inspirado àquele coração por Ele, o Criador e Senhor de toda criatura. Ele o inspirou, porque amou com um amor privilegiado a alma que agora o deseja. O desejo de Deus vem sempre antes do desejo da criatura, porque Ele é Perfeitíssimo e, por isso, o seu amor é bem mais habilidoso e abrasado do que o amor da criatura.

Detalhe

Sobre o desejo de Deus.