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Notas do tema

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EMF 174.21 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Muitas coisas Eu vos disse, meus filhos. Escutai as minhas palavras; quem as escuta e as põe em prática é comparável a um homem que refletiu, quando queria construir uma casa e escolheu um lugar rochoso. Certamente ele se cansou para construir as bases. Teve que trabalhar com picareta e buril, teve que calejar as mãos e cansar os rins. Mas depois ele pôde passar argamassa de cal nas fendas da rocha e colocar os tijolos e fechar as paredes, formando uma fortaleza. A casa foi crescendo muito sólida como um monte. Vieram as intempéries, os aguaceiros. As chuvas fizeram transbordar os rios, assobiaram os ventos, as ondas bateram na casa, mas ela resistiu a tudo. Assim é aquele que tem uma fé bem fundada. Ao contrário, quem ouve com superficialidade e não se esforça para gravar em seu coração as minhas palavras, porque sabe que isso exige trabalho, que é preciso passar pela dor, extirpar muitas coisas, esse é semelhante a quem por preguiça e estultícia constrói sua casa sobre a areia. Nem bem chega a tempestade e a casa, rapidamente construída, rapidamente cai. O estulto fica olhando desolado para os escombros e para a ruína do seu capital. Mas aqui há mais do que uma ruína, porque esta ainda pode ser reparada com despesas e trabalho. Aqui, tendo vindo abaixo o edifício mal construído de um espírito, não se tem mais nada para reconstruí-lo. Na outra vida não se edifica. Ai de quem se apresentar lá com escombros!

EMF 175

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : O leproso curado ao pé da montanha. A generosidade do escriba João.

Data da visão: Quarta-feira, 30 de maio de 1945

Calendário: sexta-feira 18 de fevereiro 28 (5 de Adar)

Localização (mapa) :Cornos de Hattin

Ciclo: Sermão da Montanha

Resumo: Um leproso aproxima-se da multidão e de Jesus enquanto descem a montanha. A multidão está aterrorizada, mas Jesus acalma-os e o doente pede misericórdia a Cristo. Ele cura-o e, como o pobre homem não tinha nada, a multidão oferece-lhe alguns dos seus bens: sandálias, um manto... O homem milagroso vai então apresentar-se ao sacerdote e Jesus pede-lhe que não diga ao sacerdote que foi ele quem o curou.

Começa o sábado e os apóstolos estão preocupados porque não têm nada para dar de comer à multidão. Mas Jesus está calmo e confiante e garante-lhes que o Pai não deixará de ajudar o seu Messias. O escriba João vem ter com o Mestre e diz-lhe que tinha saído no dia anterior para preparar pão para a multidão. O Senhor aceitou a sua oferta e João retirou-se sem lhe dizer quem era. Foi alguém da multidão que lho deu mais tarde. Terminada a conversa com o povo, Jesus chama os Doze à parte e censura-os pela sua falta de fé. Depois, vai rezar ao Pai para lhe agradecer a sua bondade.

Conteúdo do capítulo: 175.1: Cura de um leproso perdido entre as flores. 175.2: A multidão mostra caridade para com o leproso. 175.3: Cai a noite e a multidão já não tem o que comer. 175.4: O escriba João oferece-se para alimentar sozinho a multidão. 175.5: Jesus censura os apóstolos pela sua incredulidade e retira-se para rezar.

Edição anterior: Tomo 3, capítulo 35

EMF 175.1-2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

No meio das numerosas flores que perfumam os campos e alegram a nossa vista, ergue-se o espectro horrível de um leproso, todo cheio de feridas, exalando um forte mau cheiro, todo corroído pela doença.

As pessoas gritam de espanto e voltam para trás, indo morro acima, subindo pelas encostas. Alguns apanham pedras para atirarem no pobre homem incauto.

Mas Jesus se vira, com os braços abertos, e grita:

– Paz! Ficai onde estais e não tenhais medo. Joguem as pedras no chão. Tende piedade do nosso pobre irmão. Ele também é filho de Deus.

Então, todos obedecem, dominados pelo poder do Mestre. Ele se adianta, pelo meio dos prados floridos, até a poucos passos do leproso que, por sua vez, tendo compreendido que Jesus o protegia, aproxima-se dele. Depois de ter chegado perto de Jesus, prostra-se por terra e as plantas, todas em flor, parecem acolhê-lo e fazer que ele mergulhe nelas como em uma água fresca e perfumada. As flores, ao soprar do vento, fazem ondas, e parecem querer reunir-se para formar um véu que cobrre aquela miséria, que veio esconder-se nelas. Somente a voz dele, lamuriante ecoa lá de dentro, fazendo que as pessoas se lembrem de que há um ser pobre e infeliz ali. Sua voz diz:

– Senhor, se queres, podes purificar-me. Tem piedade de mim também!

Jesus responde:

– Levanta o teu rosto e olha para Mim. O homem deve olhar para o Céu, se acredita nele. E tu acreditas, porque estás pedindo.

As ervas se movem e se abrem de novo. Aparece, então, uma coisa como a cabeça de um náufrago, que está acabando de sair do mar, a cabeça do leproso, já sem cabelos e sem barba. É uma caveira, não ainda completamente despojada de alguns restos de carne. Contudo, Jesus não se esquiva de pôr as pontas dos dedos naquela fronte, nos pontos em que elaestá limpa, isto é, sem feridas, onde se vê ainda uma pele cinza, enrugada entre duas erosões purulentas, uma das quais já destruiu todo o couro cabeludo, enquanto que a outra abriu um buraco onde era o olho direito, de modo que eu nem saberia dizer se, entre aquele enorme buraco, que vai das têmporas até o nariz, deixando a descoberto o zigoma e a cartilagem nasal, cheio de sujeira, não saberia se ainda existe o globo ocular ou não.

Jesus diz, conservando sua bela mão apoiada pelas pontas dos dedos sobre a fronte dele:

– Eu quero. Fica limpo.

É como se o homem não estivesse todo corroído e cheio de feridas, mas somente recoberto de sujeiras, como se sobre elas tivesse sido derramada água com detergente, a lepra desapareceu. Primeiro, as feridas se fecharam, depois a pele ficou clara, o olho direito tornou a aparecer por debaixo da pálpebra, que nasceu de novo. E os lábios voltaram a fechar-se sobre os dentes amarelecidos. Só os cabelos e a barba não apareceram, mas apenas umas moitinhas de pelos, nos lugares em que antes havia ainda pequenas áreas de epiderme sadia.

As pessoas do povo gritam de assombro. E o homem percebe que está curado, ao ouvir aqueles gritos de alegria. Ele levanta as mãos, até então escondidas pelas ervas e toca com a mão em seu próprio olho, em cujo lugar estava antes o grande buraco; ele toca também na cabeça, onde antes estava a grande ferida, que punha a descoberto o osso do crânio e sente-se agora com uma nova pele. Depois se levanta e olha para o próprio peito, para os quadris… Tudo está são e limpo. O homem torna a agachar-se no prado florido, chorando de alegria.

– Não chores. Levanta-te e escuta-me. Volta para a vida, depois que tiveres cumprido o rito, e não fales a ninguém, enquanto não o tiveres cumprido. Vai mostrar-te, quanto antes, ao sacerdote, faze a oferta prescrita por Moisés, para que sirva de testemunho do milagre que aconteceu em tua cura.

– É a Ti que eu deveria dar esse testemunho, Senhor!

– Tu me darás, amando a minha doutrina. Vai.

175.2

A multidão se aproxima de novo e, guardando ainda a devida distância, felicita o curado pelo milagre. Não falta quem sinta necessidade de dar-lhe uma ajuda para a viagem, jogando-lhe algumas moedas. Outros lhe jogam pães e alimentos, e um deles, vendo que a veste do leproso não é mais do que um trapo que se desfia, deixando-lhe o corpo todo visível, tira a própria capa, faz com ela uma trouxa, como se faz com um lenço grande, e a joga para o leproso, que com ela pode cobrir-se de maneira decente. Um outro ainda, visto que a caridade é contagiosa quando é feita em comum, não resiste ao desejo de oferecer-lhe suas sandálias, tira-as dos pés e lhas joga.

– Mas, e tu? –pergunta-lhe Jesus, que viu tudo.

– Oh! Eu moro aqui perto. Posso caminhar descalço. Mas ele tem um grande caminho a percorrer!

– Deus te abençoe a ti e a todos os que ajudaram o irmão. Homem, tu rezarás por eles.

– Sim, sim, por eles e por Ti, para que o mundo tenha fé em Ti.

– Adeus, Vai em paz.

O homem vai-se afastando dali, mas depois se vira, e grita:

– Mas, ao sacerdote eu posso dizer que Tu me curaste?

– Não é preciso. Dize só isto: “O Senhor teve misericórdia de mim”, pois tudo isso é verdade e nada mais é preciso dizer.

Detalhe

Cura de um leproso.

Anotação

Expondo o zigoma: Maria Valtorta foi enfermeira na sua juventude, por isso sabe uma ou duas coisas sobre anatomia.

Eu quero-o. Ser purificado. Este milagre, relatado em Mateus 8:1-3, é frequentemente confundido pelos estudiosos bíblicos com a cura de Abel, o leproso (Marcos 1:40-42; Lucas 5:12-13), que é descrita em EMV 63:1/5.

"Posso dizer ao padre que tu me curaste?

- Não, não podes. Diz-lhe apenas: 'O Senhor teve piedade de mim. "Essa é a verdade. Nada mais. A partir daí, a reputação de Jesus foi crescendo e ele quis evitar o mais possível qualquer conflito com os notáveis do templo.

Evangelho de Mateus 8,1-4

Mt 8,1-4: Quando Jesus desceu do monte, seguia-o uma grande multidão. Aproximou-se um leproso e prostrou-se diante dele, dizendo: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: "Quero, fica purificado. E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Jesus disse-lhe: "Tem cuidado, não digas nada a ninguém, mas vai e mostra-te ao sacerdote. E dá a oferta que Moisés ordenou: será um testemunho para o povo".

Evangelho de Marcos 1, 40-45

Mc 1,40-45 : Um leproso aproximou-se dele, suplicou-lhe, pôs-se de joelhos e disse: "Se quiseres, podes purificar-me". Tomado de compaixão, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: "Quero; fica limpo". Imediatamente a lepra o deixou e ele ficou limpo. Jesus mandou-o embora com firmeza, dizendo-lhe: "Tem cuidado, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e dá pela tua purificação o que Moisés prescreveu na Lei: será um testemunho para o povo. Depois de se ter ido embora, este homem começou a anunciar e a espalhar a notícia, de tal modo que Jesus já não podia entrar abertamente numa cidade, mas mantinha-se afastado em lugares desertos. Mas as pessoas vinham ter com ele de todo o lado.

Evangelho de Lucas 5, 12-14

Lc 5,12-14 : Jesus estava numa cidade, quando apareceu um homem coberto de lepra que, ao ver Jesus, se prostrou com o rosto em terra e lhe implorou: "Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. Jesus estendeu a mão e tocou-o, dizendo: "Eu quero; fica limpo. A lepra deixou-o imediatamente. Então Jesus ordenou-lhe que não contasse a ninguém: "Em vez disso, vai mostrar-te ao sacerdote e dá pela tua purificação o que Moisés ordenou; isso será um testemunho para todos."

EMF 176

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : Durante o intervalo do Sabbath, o último Sermão da Montanha: amar a vontade de Deus.

Data da visão: Sexta-feira, 1 de junho de 1945

Calendário: Sábado 19 de fevereiro de 28

Localização (mapa) : Planície de Genesaré (perto dos Cornos de Hattin)

Ciclo: O Sermão da Montanha

Resumo: Jesus foi rezar e os apóstolos juntam-se a ele. Quando o interrogam, o Mestre diz-lhes que a sua força é alimentada pela oração e que rezou por João e pelos discípulos do Precursor. Os seus amigos querem consolá-lo, porque Jesus está angustiado, e ele pede-lhes que o amem e, sobretudo, que amem a vontade de Deus. Tomé observa que, se tudo vem dela, os próprios erros virão dela, e Jesus responde que não é assim. Mas vão ao encontro de João, o escriba, que está a alimentar a multidão e, a seu pedido, fala às pessoas presentes.

Depois de declarar que é correto santificar o Sábado, Jesus recorda que toda a Criação pode ser um lugar de oração. Depois volta à observação de Tomé e afirma que um pai não pode querer que o seu filho cometa um erro e seja culpado. Se o pai é justo e indica o bem a seguir e o mal a evitar, não é responsável se os seus filhos não o escutam e erram. O mesmo acontece com Deus, que aconselha mas não obriga. E aqueles que conhecem a vontade de Deus, mas agem contra ela, não estão a fazer o que o Pai deseja.

Jesus volta então ao Reino de Deus e afirma que nem todos entrarão nele. Nem todos os que dizem "Senhor! Senhor!" que entrará no Reino dos Céus, e, para dar seguimento às suas palavras, Cristo fala do fim do mundo. Ele será então um Juiz, que reunirá as ovelhas mergulhadas na verdade, as que misturaram a verdade e o erro e as que quiseram o erro voluntariamente. E quando lhe disserem: "Mas, Senhor, não profetizámos e não agimos em teu nome?", ele responderá que ousaram voltar ao seu nome para parecerem santos, mas que na realidade foram satânicos. Os seus verdadeiros servos não são assim, mas levam Deus às almas e fazem a vontade do Pai, sendo humildes, mansos, pacíficos e ordeiros. Por isso, Ele vai mandar embora esses servos da iniquidade.

O seu discurso termina, com João, o escriba, ao seu lado, e o ciclo na montanha termina assim.

Conteúdo do capítulo: 176.1: Jesus rezou toda a noite pelos seus discípulos... e por si próprio. 176.2: As crianças agitam-se à sua volta. O escriba João chega com a sua comida. 176.3: A criação é também um lugar de oração, onde podemos louvar a Deus. 176.4: Não são aqueles que me dizem: "Senhor! Senhor!" entrarão no Reino dos Céus, mas aqueles que fazem a vontade de meu Pai. 176.5: Chegará o dia em que serei Juiz. 176.6 : O ciclo do Sermão da Montanha terminou.

Edição anterior: Volume 3, capítulo 36